“FOI UM ACIDENTE”, É ISSO, TEMER?

Após 95 mortes em 6 dias, ministro diz que presídios não saíram do ‘controle’

 

O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes (PSDB), afirmou nesta sexta-feira (6) que o massacre de 33 presos ocorrido na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, em Roraima, foi um “acerto interno de contas” de uma mesma facção criminosa.

Segundo ele, informações preliminares apontam que as mortes foram cometidas por membros do PCC (Primeiro Comando da Capital), que assassinaram rivais integrantes do mesmo grupo. Ao todo, 33 presos foram mortos.

Mesmo com 95 presos assassinados apenas nos seis primeiros dias deste ano, o ministro nega que o sistema carcerário nacional tenha “saído do controle”. “A situação não saiu do controle. É outra situação difícil. Roraima já tinha tido problema anteriormente. No segundo semestre do ano passado, tivemos 18 mortos, e a situação já vinha sendo monitorado pelas autoridades locais”, disse o ministro, que viajará nesta sexta para Roraima, onde irá se reunir com a governadora, Suely Campos (PP).

“Eu conversei com a governadora e peguei informações preliminares. Não é, aparentemente, uma retaliação do PCC em relação à Família do Norte. Os 33 presos, segundo me informaram, eram da mesma facção, ligados ao PCC.”

Segundo ele, do total, três eram acusados de estupro e os demais eram rivais internos dos presos que cometeram os crimes. “Foi um acerto interno, o que não retira em momento nenhum a gravidade do fato”, disse.*

(*) GUSTAVO URIBE – DÉBORA ALVARES – DE BRASÍLIA – FOLHA DE SP

E A QUADRILHA SE ESFACELA…

Na prisão, Cabral bate boca com seu ex-secretário

Geraldo Bubniak
(Geraldo Bubniak | Agência O Globo)

Não é só pelo calor infernal em torno dos 45 graus em Bangu nas últimas semanas, mas o tempo está esquentando no presídio onde Sérgio Cabral e sua turma estão hospedados desde o dia 17 de novembro.

Na semana passada, o chefão Cabral bateu boca com Hudson Braga, seu ex-secretário de Obras.

Motivo: a notícia publicada por Ancelmo Gois de que Braga “já dá sinais de que prepara a sua deleção premiada”.

Cabral cobrou lealdade de Braga, que reagiu.

No final do bate-boca, Cabral contemporizou. Disse que, se for o caso de fazer delação premiada, ele mesmo, Cabral, poderia coordenar os entendimentos do grupo.*

(*) Lauro Jardim – O Globo

AINDA HÁ QUEM ACREDITE NO LULA…

A boa e velha velha corrupção

RIO DE JANEIRO – Uma pesquisa da University College, de Londres, publicada na revista “Nature Neuroscience”, descobriu que o cérebro humano se habitua a mentir. O trabalho envolveu dezenas de pessoas, a quem se ofereceram opções que testavam sua honestidade. Diante de situações em que se dariam bem se mentissem, elas não falharam —mentiram e se deram bem. Ficou demonstrado que, se praticadas com regularidade, pequenas mentiras levam a uma desonestidade compulsiva, que o cérebro não vê como condenável.

Não é uma novidade para nós, no Brasil, e sem necessidade de pesquisa. E com uma variante: nossos governantes mentem, roubam e apagam as pistas, e nós é que nos habituamos a isso.

É verdade que, de tempos em tempos, o país acorda para o esculacho e se deixa seduzir por um moralista, que promete varrer a sujeira, caçar os marajás ou acabar com os 300 picaretas do Congresso. Daí Jânio Quadros (1960), Fernando Collor (1989) e Lula (2002). Eleitos esses elementos, o que acontece? A vassoura toma um porre, o caçador de marajás revela-se o marajá-açu e o outro resolve governar justamente com os 300 picaretas, ampliados para 400.

No decorrer dos séculos, conformamo-nos com o uso do poder para fins lucrativos, por governantes em busca de vantagens particulares, como fazendas, casas de praia, canais de TV, jatinhos, viagens à Europa, joias, vinhos, festas. Era a velha corrupção, tal como praticada pelo PMDB, PSDB e que tais. Com o PT, parecíamos diante de uma nova corrupção —a do poder pelo poder, a da tomada do Estado para a execução de um projeto ideológico.

Mas os partidos políticos são formados por seres humanos. E estes, por mais ideológicos, ao descobrir que se dão bem mentindo, passam a mentir também em causa própria —rumo à boa e velha velha corrupção.*

(*) Ruy Castro – Folha de SP

INCOMPETÊNCIA, ROUBALHEIRA ETC E TAL

Banco do Brasil cobra de Minas R$ 1,5 bilhão em depósitos judiciais

O Banco do Brasil entrou em uma nova disputa contra o governo de Minas Gerais ao cobrar do Estado aproximadamente R$ 1,5 bilhão para o pagamento de resgates dos depósitos judiciais.

Em comunicado à Justiça mineira, o banco disse que o dinheiro “exauriu-se” porque o Estado teria usado o fundo de reserva destinado a esse pagamento. O governo nega e chama a afirmação do banco de “estratagema” e “artifício contábil”.

Até outubro de 2015, o BB repassou ao Estado recursos referentes aos depósitos judiciais em processos em que o governo estava envolvido e também em processos de terceiros. Assim, atendia respectivamente a uma lei federal e a uma estadual.

O repasse seria de 70% do saldo dos depósitos no primeiro caso e de 75% em relação ao segundo. No entanto, em comunicado datado de 29 de dezembro do ano passado, o banco diz que o governo usou todo o dinheiro.

“Embora a legislação preveja que o Estado deva manter o saldo do fundo nos percentuais definidos, o fundo de reserva a que alude a legislação acima exauriu-se, ou seja, não há mais recursos financeiros para garantir o pagamento dos valores dos resgates de depósitos judiciais relativos aos alvarás emitidos pelas varas de Justiça do Estado de Minas Gerais, referentes aos depósitos judiciais repassados”, diz o banco.

A instituição diz que notificou o governo no dia 23 sobre a insuficiência e pediu a recomposição do dinheiro em até 48 horas, mas a quantia não foi depositada.

STF

O governo de Minas reagiu. Em nota técnica, disse à Justiça que não cabe ao Estado fazer o depósito, porque o banco não informa o valor total dos depósitos judiciais que tem em suas contas. O Estado recorreu ao STF (Supremo Tribunal Federal) nesta quarta (4).

Em nota, citou decisão liminar (provisória) do ministro Teori Zavascki, de 2015, que garantiu a Minas o repasse de R$ 2,8 bi das contas de terceiros.

“O estratagema criado para burlar a decisão do STF simula a falta de recursos ao separar em duas contas os depósitos realizados até a decisão da Corte e aqueles feitos posteriormente. A primeira conta, isolada, que engloba o repasse feito ao governo, decai com o tempo em virtude dos pagamentos e restituições realizados e jamais é reabastecida”, diz o governo, em comunicado.

“Os novos depósitos são computados apenas na segunda conta, impedindo a manutenção do fundo de reserva, que deveria, conforme a lei, ser calculado mês a mês”, acrescenta.

Procurado, o Banco do Brasil informou que “cumpre integralmente toda a legislação e as decisões judiciais, em suas diversas esferas, que estipulam o nível de reservas e a movimentação das contas de depósitos judiciais”.

Em 2015, a disputa entre Minas e BB levou o governador Fernando Pimentel a pedir à Justiça a prisão de três gerentes de uma agência do Banco do Brasil de Belo Horizonte que se recusaram a transferir o dinheiro. *

(*) JOSÉ MARQUES – DE BELO HORIZONTE – FOLHA DE SP

APERTERM OS CINTOS, O PILOTO SUMIU

Desgovernado

2017 promete emocionantes assombrações

Mal nos livramos das assombrações de 2016, e a esperança de um 2017 melhor começa a diminuir.

Com aquela cara de paisagem de sempre, o governador do Rio, como se nada tivesse a ver com a terrível crise do estado, veta a proposta de redução do seu salário. “Pimenta nos olhos dos servidores em penúria é refresco”.
Seu confrade em Minas Gerais, com o estado em calamidade financeira, usa um helicóptero como se fosse um Uber de luxo para buscar seu filho numa festa. E declara legal o abuso.

No Amazonas, uma luta em presídio entre facções rivais, com cerca de 60 mortes com requintes de barbárie, só faz comprovar a falência do sistema prisional brasileiro.

No congresso, um vale tudo na luta pela presidência das Casas, já sem qualquer crédito na sociedade.

Prefeitos assumindo municípios em estado deplorável.

2017 promete emocionantes assombrações.*

(*) Nelsimar Vandelli, leitor O Globo

“COMO SERÁ O AMANHÔ?

Como será 2017? Responda quem puder

Futuro (Foto: Arquivo Google)

Na virada do ano milhões de brasileiros jogaram flores a Iemanjá, consultaram os búzios ou cartas de tarô, pediram para a cigana ler as suas mãos. Tudo para saber o que o destino reserva para 2017, se as suas vidas passarão pelo mesmo sufoco de 2016 ou se há sinais de que vai melhorar.

Nunca as divindades foram tão consultadas como agora, tal o mar de incertezas sobre o ano que se inicia.

As previsões vão do apocalipse da “dilmização de Temer” ao otimismo cauteloso, segundo o qual, apesar dos raios, trovões, tempestades e terremotos, ao final do ano Michel Temer ainda residirá no Palácio da Alvorada em um ambiente mais favorável na economia e na política.

A singularidade de 2017 é ser um ano-sanduiche. De um lado, dá continuidade a 2016, com toda a sua pauta negativa, de outro, está imprensado pela agenda de 2018, com as forças políticas agindo para ocupar posições para a sucessão presidencial.

Ou, em outras palavras, é o ano da transição da transição, se essa for entendida como a construção das bases necessárias para o Brasil passar de um país desestruturado pela era lulopetista para o advento de um novo modelo de bases mais sólidas, institucional e economicamente. A consolidação de tal modelo será uma missão dos pós 2018.

Esse caráter do ano em curso aparece com nitidez na área econômica, onde fatores positivos e negativos se combinam. Ao final do ano, o crescimento será raquítico, o desemprego continuará sendo um tormento na vida dos brasileiros e a dívida bruta chegará a 76,2% do PIB.

Mas é preciso levar em conta a movimentação das placas tectônicas da economia. A política macroeconômica pode começar a dar resultados. A inflação de 2016 ficará no teto da meta. Sua tendência aponta para uma aproximação para o centro da meta, em 2017. Ou seja, estarão dadas as condições para uma queda consistente da taxa básica de juros.

As medidas microeconômicas adotadas em dezembro podem surtir efeito no médio prazo, principalmente se Temer conseguir destravar as privatizações e se a recuperação em marcha dos preços das commodities tiver continuidade.

Vista em estado neutro, a tendência é de uma melhoria do ambiente e de um horizonte no qual o Brasil rompa o círculo de ferro do baixo crescimento com inflação e juros altos.

Como a economia não é um estado neutro e sofre a incidência do mundo da política, o presidente vai precisar de muita reza brava, banho de cheiro e proteção dos orixás para se livrar das duas espadas de Dâmocles que pairam sobre a sua cabeça; o julgamento das contas de Dilma e Michel Temer pelo TSE e o maracanã de delações da Odebrecht, que podem provocar um abalo sísmico no mundo da política formal e no seu governo.

José Dirceu dá de barato que 2017 será o ano do juízo final de Michel Temer, razão pela qual expediu uma carta conclamando a militância para ir às ruas e “justiça para todos, a renúncia de Temer et caterva, eleições gerais, Constituinte”.

Em campo oposto, Ronaldo Caiado vai quase na mesma direção, propondo a antecipação das eleições de 2018, e Miro Teixeira engrossa o caldo com sua emenda das diretas, como se fosse o Dante Oliveira redivivo.

A história, porém, não se repete, a não ser como farsa. Nada indica que as massas que foram às ruas pelo impeachment junte seu grito à voz cavernosa do lulopetismo ou de quem está atrás de quinze minutos de glória.

O fim do mundo de Temer pode não acontecer. Aliás, o mais provável é que não aconteça. Sua margem de manobra não se esgotou.

No dia dois de fevereiro, quando os baianos vão ao Rio Vermelho festejar Iemanjá, dará início à sua reforma ministerial, que pode servir tanto para acomodar insatisfações latentes em sua base de sustentação como para lhe dar condições de fazer política também para as ruas; como, apropriadamente, reivindica o governador de Pernambuco, Paulo Câmara.

Por falar na terra do frevo e do maracatu, os profetas do apocalipse deveriam ler a entrevista do sociólogo Marcus Melo sobre o equívoco da tese da “dilmização de Temer”.

O Congresso é hoje a grande casamata do presidente. Até por uma questão de sobrevivência, Executivo e Legislativo devem atuar em dobradinha em torno de uma agenda positiva, o que, indiretamente, favorecerá o ambiente econômico, com a aprovação das reformas da Previdência e outras medidas.

A cigana pode ter enganado quem aposta em 2017 como o ano do inferno astral dos brasileiros. Os astros podem nos ajudar.

Portanto, desde já, um bom ano novo a todos.*

(*) Hubert Alquéres, no blog do Noblat

GARGANTA PROFUNDA

Mesada de Cabral era maior do que a do tráfico

Geraldo Bubniak

Em sua delação à Lava-Jato, Alberto Quintaes, ex-executivo da Andrade Gutierrez, afirmou que a empreiteira foi achacada por traficantes no Rio de Janeiro.

A bandidagem exigiu uma mesada de R$ 450 mil para que uma obra no corredor expresso Via Light fosse para frente.

O valor é menor do que a mesada que, de acordo com delatores, Sérgio Cabral (foto) cobrava da Carioca Engenharia na reta final do governo: R$ 500 mil.*

(*) Guilherme Amado -O Globo

FALOU ‘PT’, FALOU BANDALHEIRA.

Quando o respeito à lei é falta de vergonha na cara

Fernando Pimentel (PT), governador de Minas Gerais, está certo: ele não desrespeitou lei alguma ao se valer, ontem, de helicóptero oficial para resgatar seu filho que passara a noite do réveillon em animada festa em condomínio às margens do lago de Furnas, tradicional balneário do Estado.

Em nota divulgada pelo Facebook, Pimentel afirma que o uso da aeronave é regulamentado por decreto publicado em 2005. À época, o governador de Minas era o hoje senador Aécio Neves (PSDB), que voou de helicóptero e de jatinho oficiais para cima e para baixo, emprestando-os, inclusive, a amigos necessitados.

Portanto, assim como Aécio, Pimentel tinha o direito, sim, de voar em helicóptero comprado com dinheiro público e mantido com dinheiro público, para ir passar o domingo com o filho onde bem quisesse, como ele alegou ter sido sua ideia original. Ou para simplesmente ir buscá-lo porque o garoto parecia indisposto.

O que a lei não proíbe é permitido. E, se ainda por cima, ela regulamenta o que a outros horroriza, fim de papo. Mudemos de assunto. Se um dia Pimentel for deposto, certamente não será por uso indevido de equipamento do Estado. Poderá ser por uso de dinheiro ilegal em campanha, mas essa é outra coisa.

Sérgio Cabral governou o Rio de Janeiro por oito anos. Usou helicóptero oficial até para transportar o cachorrinho da família nos fins de semana. Usou jatinhos de empresários e de fornecedores de serviços ao governo para voar de férias ao Caribe. E nada disso configurou crime. No máximo, falta de vergonha na cara.

Minas Gerais é um Estado quebrado como o Rio? É. Seria um despropósito cobrar de quem o governa moderação extrema com gastos supérfluos? Não. Faltou moderação a Pimentel. E também vergonha na cara. Se lhe sobrasse vergonha, deveria no mínimo pedir desculpas aos mineiros e ressarcir o Estado do gasto desnecessário.*

(*) Blog do Ricardo Noblat

SANATÓRIO GERAL

Conta outra, companheiro

Lula relembra os tempos de metalúrgico, presidente e investigado

 “Quando eu levantava às 4 da manhã pra fazer assembleia na frente de fábrica, às vezes, eu era obrigado a tomar um conhaquezinho pra garganta podê esquentá e eu nunca tive problema na garganta. Agora que eu tô tomando água por recomendação médica, a minha garganta é que nem carro velho”. (Lula, fingindo que parou).*

(*) Blog do Augusto Nunes

AGORA É QUE A VACA VAI PRO BREJO…

Em decreto, prefeito do interior da Bahia entrega a Deus a chave da cidade

Em seu primeiro ato à frente da Prefeitura de Guanambi (BA), o prefeito Jairo Magalhães (PSB) determinou em decreto a entrega da chave da cidade a Deus.

“Declaro que esta cidade pertence a Deus e que todos os setores da Prefeitura Municipal estarão sobre a cobertura do Altíssimo”, diz o documento, publicado em Diário Oficial nesta segunda (2).

Magalhães afirma que “todas as forças espirituais do mal nesta cidade estarão sujeitas ao senhor Jesus Cristo de Nazaré”, e ainda cancela, “em nome de Jesus, todos os pactos realizados com qualquer outro Deus ou entidades espirituais”.

“E a minha palavra é irrevogável!”, escreve, ao final do documento.

Este é o primeiro mandato de Magalhães à frente de Guanambi, que tem 86 mil habitantes.

A Folha entrou em contato com o prefeito, mas sua assessoria informou que ele iria se posicionar por nota sobre o assunto ainda nesta terça (3).

Divulgação
Decreto de prefeito que entrega as chaves de Guanambi, no interior da Bahia, para Deus
Decreto de prefeito que entrega as chaves de Guanambi, no interior da Bahia, para Deus