DUPLA DINÂMICA

Sérgio Cabral e Eduardo Cunha: muito em comum

Peemedebistas, cariocas, alvos da Laja-Jato, usuários do mesmo banco…

Eduardo Cunha e Sergio Cabral têm muito em comum: além de cariocas e peemedebistas, são especialistas em variados tipos de bandalheira e se tornaram figuras centrais da Lava Jato.

Não só isso: os dois são acusados de terem acumulado milhões em propina da Carioca Engenharia e usado o Israel Discount Bank para receber seus quinhões do suborno.*

(*) Coluna Radar – Veja.com

AGORA, QUEM TEM… TEM MEDO

‘Grupo X não era a Odebrecht’

Executivos temem serem arrastados para o furacão da Lava-Jato

Ex-diretores do Grupo X estão com medo do Eike Batista vai contar à justiça. Eles querem que fique bem claro que o outrora império empresarial não era uma Odebrecht.

Em outras palavras, afirmam que não havia uma distribuição institucionalizada de propinas como foi feito pela empreiteira.

Afirmam que, se algo de errado acontecia, era por iniciativa pessoal de Eike e Flávio Godinho, ex-todo poderoso da EBX e vice-presidente do Flamengo.*

(*) Coluna Radar – Veja.com

SAINDO DA BERLINDA

Planalto festeja prisão de Eike, porque desvia as atenções da delação da Odebrecht

Na semana em que terminam os recessos do Supremo Tribunal Federal e do Congresso, o Planalto está comemorando a prisão de Eike Batista e a manutenção do sigilo da delação da Odebrecht. A visão da cúpula do governo é de que a repercussão do rumoroso caso que envolve o empresário resulta positiva para o governo, porque desvia as atenções dos profissionais da mídia, que antes estavam concentrados na expectativa da homologação da delação premiada de Marcelo Odebrecht, de seu pai Emilio e dos 75 executivos da empreiteira, cujas revelações atingem diretamente o presidente Michel Temer, o ministro Eliseu Padilha, da Casa Civil, os chamados caciques do PMDB e um número enorme de políticos da base aliada.

A nova estratégia do Planalto é tentar se descolar ao máximo do ex-governador peemedebista Sérgio Cabral, por se tratar de um esquema estadual de corrupção, sem ligações diretas com a cúpula do partido de Michel Temer.

E a avaliação é de que as revelações que Eike Batista deverá fazer em seus depoimentos, para conquistar a delação premiada, não atingirão o governo atual e serão devastadoras apenas no tocante às gestões petistas de Lula da Silva e Dilma Rousseff, que facilitaram o acesso de Eike aos cofres do BNDES, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica, além de favorecer o empresário carioca em negociações com a Petrobras e outros órgãos do governo federal.

EIKE VAI DELATAR – Na última entrevista antes de ser preso no aeroporto Tom Jobim, no Rio de Janeiro, concedida ao repórter Henrique Gomes Batista antes do embarque no aeroporto JFK, em Nova York, o empresário Eike Batista mostrou claramente como será sua linha de defesa no processo decorrente da Operação Eficiência, que apura suas ligações com o esquema de corrupção montado no Estado do Rio de Janeiro pelo então governador Sérgio Cabral.

Ficou claro que pretende reivindicar o direito à delação premiada. E suas declarações ao jornalista de O Globo indicam que não repetirá o erro de Marcelo Odebrecht, que relutou muito e até agora não apresentou à força-tarefa da Lava Jato os nomes verdadeiros dos políticos que recebiam propinas, pois as listagens apreendidas contêm apenas apelidos. O prazo dado à Odebrecht termina nesta terça-feira, dia 31. Se a relação dos nomes não for fornecida, nem adiantou a ministra Cármen Lúcia ter homologado a delação, porque fatalmente será anulada.*

(*) Carlos Newton – Tribuna na Internet

CHEGANDO A HORA DA VERDADE

Tribunal manda para Moro ação contra Cunha por propina de US$ 40 miDecisão acata pedido da Procuradoria Regional da República após todos os réus perderem o foro privilegiado; essa será a segunda ação penal que Cunha responderá no Paraná


O desembargador Paulo Espírito Santo, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, determinou no dia 25 de janeiro a remessa da ação penal contra o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e a ex-prefeita de Rio Bonito (RJ) Solange Almeida para o juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato em primeira instância, em Curitiba.
A decisão acata o pedido da procuradora regional da República Mônica de Ré, que solicitou a transferência do caso para a primeira instância após Solange Almeida (PMDB) não ser reeleita e perder o mandato de prefeita no começo deste ano e, consequentemente, perder o foro privilegiado. Na ação, ela é acusada de ter atuado a mando do ex-deputado para pressionar por meio de um requerimento na Câmara uma empresa que não estava pagando a propina solicitada pelo peemedebista.
“E não havendo mais a prerrogativa de função dos acusados nestes autos, deve o julgamento deste feito ser declinado em favor do juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba”, assinalou o desembargador Espírito Santo na decisão.
Nesta ação penal, Cunha, que está preso no Paraná, é acusado de pedir cerca de US$40 milhões ao empresário Júlio Camargo para que o estaleiro sul-coreano Samsung Heavy Industriesfosse contratado pela Petrobrás para fornecer dois navios-sondas para a perfuração em águas profundas na África e no Golfo do México.
Além da ex-deputada, Cunha teria contado com a participação do intermediário Fernando Soares e do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró. Camargo, Soares e Cerveró já foram condenados pela 13ª Vara Federal de Curitiba pelos fatos envolvendo este episódio e também já fecharam acordo de delação premiada admitindo as irregularidades.
Atualmente, Eduardo Cunha já é réu em outra ação penal perante o juiz Sérgio Moro acusado de cobrar propina para intermediar a compra de um campo de perfuração em Benin, na África, pela Petrobrás.*

(*) Mateus Coutinho e Fausto Macedo – Estadão

A HORA DA ONÇA BEBER ÁGUA

Fila precisa andar

No governo, sabe-se que o conteúdo completo das delações causará um abalo sísmico sem precedentes


Ministério Público, a defesa da Odebrecht e o governo Michel Temer nutrem a mesma expectativa: que a presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Cármen Lúcia, homologue até amanhã as 77 delações de pessoas ligadas à empreiteira.
No âmbito da Lava Jato, a pressa de Rodrigo Janot se justifica por dois motivos: a necessidade de desencadear novas fases da investigação com a divulgação de todo o conteúdo da explosiva delação e liberar procuradores que atuam full time nos depoimentos para as próximas missões — entre as quais a primeira deve ser a retomada da delação de Leo Pinheiro, da OAS.
No governo, sabe-se que o conteúdo completo das delações causará um abalo sísmico sem precedentes na política, e a avaliação é que quanto antes se souber sua extensão menos danos ele causará ao andamento das ações do Executivo no Congresso.
Por fim, a conclusão da leniência da empreiteira está pendente. Só após definidas as penas na esfera criminal a Odebrecht poderá tentar voltar a se habilitar para participar de concorrências e obras no Brasil — o que não será simples nem imediato.
Além disso, a homologação é vista como uma chance de a empresa enfrentar a avalanche de contestações internacionais resultante da divulgação do relatório do Departamento de Justiça dos Estados Unidos sobre pagamento de propina em vários países.
O documento foi o maior baque recente no processo de recuperação da imagem da empresa, iniciado desde que houve a decisão de fazer a colaboração judicial.

ODEBRECHT
Delação de Benedicto é tão letal quanto a de Marcelo
Análises do potencial de dano das delações da Odebrecht convergem para o mesmo ponto: a de Benedicto Júnior, ex-presidente da construtora, não aniquila de vez só o PMDB do Rio, levando o governador Luiz Pezão ao encontro de seu criador, Sérgio Cabral. Ela vai arrastar de roldão governadores de vários Estados e múltiplos partidos. Era ele que “cuidava” das obras estaduais. Já Marcelo Odebrecht se concentrou na “cúpula” da política nacional: Lula, Dilma Rousseff e Michel Temer puxam o bloco.

X DA QUESTÃO
Eike se queixava de ter virado ‘bombeiro’ de Cabral
Alvejado pela operação Eficiência graças ao pagamento de propina para Sérgio Cabral e seu grupo, Eike Batista se queixava a amigos da avidez com que era demandado pelo peemedebista. “Virei uma espécie de bombeiro do Cabral, qualquer incêndio ele me chama para apagar”, disse o empresário a um interlocutor ainda nos tempos das vacas gordas do Grupo X.

STF 1
Cármen Lúcia faz chegar a Temer simpatia por Grace
Discretamente, a presidente do Supremo fez chegar a Temer sua simpatia pela indicação de Grace Mendonça (f0to) para a vaga de Teori Zavascki. Amigos de Cármen Lúcia procuraram o presidente para destacar o trânsito da advogada-geral da União na corte e os elogios da ministra a sua “capacidade técnica”. O lobby “à mineira” foi lido no Planalto como resistência a Ives Gandra Filho.

STF 2
Campanha tira pontos de Gandra na busca por vaga
Antes o preferido de Temer para o STF, Gandra Filho “voltou algumas casas” no tabuleiro graças à campanha de setores organizados da sociedade contra ele. Auxiliares do presidente destacam como trunfos do presidente do TST não ter máculas éticas e ser “progressista” em matéria trabalhista, mas afirmam que Temer tem dificuldade em indicar um nome que seja visto como uma “afronta” às mulheres após a polêmica do ministério inicial composto exclusivamente por homens.

SOSSEGA-LEÃO
Paulo Preto recua na intenção de fazer colaboração judicial
Levado ao centro da Lava Jato pelas delações da Odebrecht e pelo “recall” dos acordos de outras empreiteiras, como Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez, Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, ex-diretor da Dersa na gestão José Serra, foi dissuadido por ora de fazer delação premiada por seu advogado, o ex-procurador da República José Roberto Santoro, após extrema pressão de tucanos paulistas de alta plumagem.*

(*) Vera Magalhães – Estadão

AGORA, NINGUÉM SEGURA

Cármen Lúcia tomou decisão que a crise exigia


Franzina e baixinha, Cármen Lúcia tomou nesta segunda-feira uma decisão à altura da crise moral que o país atravessa. Educada em colégio de freiras, formada em universidade católica, a presidente do Supremo Tribunal Federal poderia ter confiado à providência divina o futuro da Lava Jato. Mas preferiu não dar sorte ao azar. Ao homologar as 77 delações da Odebrecht, a ministra manteve o ritmo da Lava Jato. Retirou do substituto de Teori Zavascki, ainda a ser sorteado, a chance de pisar no freio.

Cármen Lúcia contrariou interesses e opiniões dentro e fora do Supremo. No Planalto e no Congresso, políticos encrencados nas investigações apostavam que a morte do relator Teori lhes proporcionaria o refrigério de um atraso de pelo menos três meses na tramitação do processo. Na Suprema Corte, parte dos ministros era contra a urgência. Alegava-se que a homologação a toque de caixa era descecessária e até desrespeitosa com o futuro relator, posto sob suspeição antes mesmo de ser escolhido. Não restou aos contrariados senão dizer “amém” à homologação. A presidente do Supremo cercou-se de todos os cuidados técnicos.

De plantão no Supremo durante as férias dos colegas, cabe a Cármen Lúcia decidir sozinha as pendências urgentes. Ela conversou com os juízes que trabalhavam com Teori. Soube que o relator da Lava Jato havia se equipado para homologar no início de fevereiro os acordos de colaboração da Odebrecht. Só faltava ouvir os delatores, para saber se suaram o dedo espontaneamente. Convidou o procurador-geral Rodrigo Janot para uma conversa. Acertou com o chefe do Ministério Público Federal o envio de uma petição requerendo a urgência nas homologações.

Munida da requisição de Janot, Cármen Lúcia autorizou a equipe de Teori a tocar as inquirições dos delatores. O trabalho foi concluído na última sexta-feira. Simultaneamente, a ministra realizou consultas aos colegas. Avaliou que as opiniões contrárias à homologação eram minoritárias. E escorou-se no regimento do Supremo para deliberar sozinha sobre a matéria, tratando-a com a urgência que a conjuntura requer. Fez isso um dia antes do encerramento do recesso do Judiciário. As férias terminam nesta terça-feira (31). Tomou um cuidado adicional: manteve o sigilo das delações.

A preservação do segredo, recebida com alívio no Planalto e no Congresso, pode ser inócua. Logo começarão os vazamentos dos trechos que ainda não chegaram ao noticiário. Mas Cármen Lúcia livrou-se de críticas, porque manteve o formato das decisões tomadas anteriormente pelo próprio Teori. O antigo relator só levantava o sigilo dos acordos de colaboração depois que a Procuradoria da República requisitava a abertura de inquéritos na Suprema Corte.

Com o aval de Cármen Lúcia, o Ministério Público pode dar sequência às investigações, equipando-se para processar e punir os envolvidos. Parte do material será enviada para Curitiba, onde são moídos os investigados que não dispõem do foro privilegiado do Supremo. A conjuntura intimava Cármen Lúcia a agir com destemor. E a ministra preferiu não trasnferir a tarefa para Deus.*

(*) Blog do Josias de Souza

EIKE COM PERUCA RASPADA NÃO TEM PREÇO

Eike Batista tem cabeça raspada durante passagem em presídio

O ex-bilionário Eike Batista, preso nesta segunda-feira (30) ao desembarcar no Rio de Janeiro, teve seu cabelo cortado durante passagem pelo presídio Ary Franco, em Água Santa, zona norte do Rio.

O empresário desembarcou no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro às 9h54, vindo de Nova York. Ele seguiu diretamente para o IML (Instituto Médico Legal), passou cerca de 30 minutos no local e foi encaminhado para o presídio.

Por volta das 13h30, ele deixou o presídio em direção à Penitenciária Bandeira Stampa, localizada no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu.

Eike Batista teve a prisão decretada na quinta-feira (26), no âmbito da Operação Eficiência, segunda fase da Calicute, o desdobramento da Lava Jato no Rio. Considerado foragido pela Justiça, o empresário teve o nome incluído na lista de procurados da Interpol. Como ele não tem ensino superior completo, pode ficar em um presídio comum.

Fernando Martins, advogado responsável pela defesa de Eike, disse durante entrevista na entrada do presídio Ary Franco que o principal objetivo agora é preservar a integridade de seu cliente.

“Ele acabou de chegar e a gente ainda não conseguiu traçar uma linha de defesa. Então, vamos aguardar e conversar com o cliente. Até agora estamos tomando as medidas jurídicas cabíveis no sentido de preservar a integridade física [dele]. Esse é o nosso primeiro objetivo”, disse.

O advogado disse que não sabia informar se Eike ficará em uma cela comum. “Não sei detalhe sobre cela comum.”

A investigação

Quando o mandado de prisão foi expedido, Eike estava fora do país. A prisão foi decretada após a delação dos irmãos e doleiros Renato Hasson Chebar e Marcelo Hasson, que contaram sobre o pagamento de US$ 16,5 milhões de propina ao ex-governador do Rio ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB).

Segundo a investigação, o pagamento da propina faz parte do esquema usado por Sérgio Cabral e outros investigados para ocultar mais de US$ 100 milhões remetidos ao exterior. Desse valor, repassado em ações da Vale, da Petrobras e da Ambev, apenas 10% já foi recuperado pelo Ministério Público Federal.

Ao decidir pela prisão preventiva de Eike e de mais oito pessoas, o juiz Marcelo Bretas argumentou que havia “a necessidade estancar imediatamente a atividade criminosa”.

Além da prisão preventiva de Eike, foram pedidas as prisões do ex-governador fluminense Sérgio Cabral (PMDB), do ex-secretário Wilson Carlos, do ex-assessor de Cabral Carlos Miranda. Também são alvos Luiz Carlos Bezerra, Álvaro José Galliez Novis, Sergio de Castro Oliveira, Thiago Aragão, Francisco de Assis Neto e o advogado Flávio Godinho. Cabral, Wilson Carlos e Miranda foram presos na primeira fase, de 17 de novembro de 2016.*

(*) Do UOL, em São Paulo

O PARTIDO DAS “BOQUINHAS”

Coerência do PT vira uma roleta-russa sem bala

No PT, a coerência é apenas um outro nome para oportunismo. Há uma semana, o Diretório Naional do PT aprovara resolução sobre a eleição para as presidências das duas Casas do Congresso. Por 45 votos a 30, o órgão partidário havia liberado suas bancadas para apoiar candidatos governistas: Rodrigo Maia (DEM) ou Jovair Arantes (PTB) na Câmara; Eunício Oliveira (PMDB) no Senado. Com isso, o petismo garantiria cargos nas Mesas que dirigem o Legislativo e nas comissões setoriais. A decisão foi bombardeada nas redes sociais pela militância petista, inconformada com a perspectiva de apoiar personagens que a legenda tacha de “golpistas”.

Acordado pela gritaria virtual, o presidente do PT, Rui Falcão, dobrou os joelhos neste domingo. Em artigo veiculado no site do PT, Falcão fez algo muito parecido com um cavalo de pau. Reconheceu que a decisão do diretório nacional, que ele próprio articulara, “provocou o movimento de contestação e de pressão” interna. Deu o decidido por não decidido. E rodopiou na pista: “Minha opinião pessoal é que nos unamos aos parlamentares da oposição (PDT, PC do B, Rede e Psol) num bloco a ser encabeçado por alguém deste campo.”  O petismo ensaia as candidaturas de Paulo Teixeira (PT-SP) na Câmara e de Lindbergh Farias (PT-RJ) no Senado.

A velocidade com que o PT muda de convicção torna divertido o acompanhamento do processo de autocombustão do partido. Num esforço para administrar seu instinto suicida, a legenda acaba de inventar um passatempo sui generis. No vaivém de suas posições contraditórias, os companheiros brincam de roleta-russa movidos pela certeza de que a coerência que manipulam está completamente descarregada.*

(*)  Blog do Josias de Souza