DE NOMES E SOBRENOMES

Era costume, antigamente, dar um único nome à pessoa. Para evitar confusão com nomes iguais ou parecidos, acrescentava-se ao nome próprio de pessoa ou o nome da cidade natal de seu portador ou o patronímico correspondente.  Assim, temos Zênão  de Eleia; Tales de Mileto; Erasmo de Roterdão; Aristóteles de Estagira (ou o Estagirita); José de Arimateia; Cipião, o Africano; entre outros. Ora, Jesus era conhecido como Nazareno ou Jesus de Nazaré, como está na Bíblia. Em nenhum momento ele é chamado de Jesus de Belém, ou Jesus, o Belenense. Isso significa que Jesus não nasceu em Belém, mas em Nazaré.

Em lugar do nome da cidade de nascimento, também se usava  pôr após o primeiro nome o nome do pai, como se vê em muitas passagens da Bíblia: Simão, filho de Jonas; Efron, filho de Seor; Rebeca, filha de Batuel, filho de Melca; Labão, filho de Batuel, o arameu; Eleazar, filho de Arão; Beseleel, filho de Uri, filho de Hur; Ooliab, filho de Aquisamec; Safã, filho de Aslias, filho de Mesolam, etc. (Moisés tinha imaginação fértil para inventar nomes, mas pouco senso estético…)

Logo no início do seu poema narrativo Morte e Vida Severina, João Cabral de Melo Neto retrata esse costume de distinguir nomes iguais pela filiação e também pelo local de nascimento: “ O meu nome é Severino, / não tenho outro de pia, / como há muitos Severinos / que é santo de romaria,/ deram então de me chamar / Severino de Maria. / Como há muitos Severinos/ com mães chamadas Maria,/ fiquei sendo o da Maria / do finado Zacarias. / (…) é o Severino / da Maria do Zacarias, / lá da Serra da Costela, limites da Paraíba.”

Também se usava um sufixo para indicar a paternidade: Rodrigues (filho de Rodrigo),  Nunes (filho de Nuno), Álvares (filho de Álvaro), Henriques (filho de Henrique) Gonçalves (filho de Gonçalo)  Robertson (filho de Roberto), Johnson (filho de John ou de João), Édson (filho de Ed ou de Eduardo) Ivanovitch (filho de Ivã), Andersen (filho de André).

Os cristãos-novos adotavam nomes de animais (Barata, Rato, Carneiro, Cordeiro, Coelho, Leão, Lobo, Falcão, Pinto, Cão, como  Pero Cão, que terá dado nome ao bairro Perocão, de Guarapari, e que talvez seja parente de Diogo Martins  Cão, o assassino de índios); de árvores ou de seus frutos (Laranja, Morango, Lima, Pitanga, Mangueira, Pinheiro, Pereira, Figueira, Nogueira, Parreira, Cajazeira, Oliveira); ou  de nomes associados à religião (Santos, dos Anjos, da Conceição, da Anunciação, Assunção, Salvador, da Graça);  ou da profissão: Saiegh (ourives), Schneider (alfaiate), Schumacher (sapateiro), Müller ou Miller (moleiro), Smith (ferreiro); Fabrício (do lat. faber, o artífice de metais).

Os nomes indígenas  surgiram graças ao indianismo literário de que José de Alencar e Gonçalves Dias foram os principais cultores e ao nacionalismo que levou à independência do Brasil: Tibiriçá, Ubirajara, Peri, Poti, Coaraci, Tupinambá, Tapajós, Jaguaribe, Ipojuca, Paraguaçu, Paranaguá, entre outros, e o belo nome feminino inventado por Alencar: Iracema, que significa não “lábios de mel”, mas  “saída de mel”  (formado de cema, que aparece em piracema, isto é, saída de peixe,  e de yra, que aparece em Irajuba, isto é, mel ruivo).*

(*) (*) José Augusto Carvalho, Mestre em Linguística pela Unicamp e Doutor em Letras pela USP,  é autor da Gramática Superior da Língua Portuguesa, do Pequeno Manual de Pontuação em Português e de Problemas e Curiosidades da Língua Portuguesa, todos pela Editora Thesaurus, de Brasília.

PAÍS À DERIVA

À espera de fatos novos

Por ora, não se espere de nenhum dos grandes partidos políticos a iniciativa de procurar o presidente Michel Temer para dizer que o abandonará, devolvendo em seguida os cargos que ocupa no governo. Nem o PSDB, nem o DEM, muito menos o PMDB o fará. O PDS também não.

O ministro Gilmar Mendes teve razão quando disse que a Justiça Eleitoral não será “joguete” da ninguém, e que os políticos devem resolver a crise criada por eles mesmos. É verdade que a crise foi criada por Temer ao receber a visita clandestina do dono do Grupo JBS e ser gravado por ele.

Mas, sim: desde que o teor nada republicano da conversa foi revelado, quatro pequenos partidos, donos de 63 cadeiras na Câmara dos Deputados, anunciaram sua passagem para a oposição. E dentro dos maiores partidos é rara a alma que acredita na permanência de Temer na presidência.

Temer está empenhado em ficar, e tudo fará para isso. O deputado Osmar Serraglio só soube que não era mais ministro da Justiça quando o país já conhecia o nome do seu substituto – Torquato Jardim. Por elegância, Temer jamais procederia assim. Mas por elegância, não perderá o poder.

Durante duas horas, ontem à noite em São Paulo, Temer reuniu-se com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o senador Tasso Jereissati (CE), presidente em exercício do PSDB. Foi sondar a disposição deles de continuar apoiando o governo. Saiu satisfeito com o que ouviu.

Ouviu que o PSDB aguardará o resultado do julgamento do pedido de impugnação da chapa Dilma-Temer que concorreu às eleições de 2014 e que é acusada de ter abusado do poder econômico. Antes uma manobra concebida só para “encher o saco”, o pedido tornou-se uma coisa séria.

Uma decisão sobre ele deveria ser tomada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a partir do próximo dia 6, mas não será. Um dos sete ministros do TSE pedirá vista do processo. E levará, pelo menos, de duas a três semanas para examiná-lo melhor. É tudo o que Temer quer, embora negue.

Uma vez que ocorra isso como previsto, restará aos partidos torcer para que surja um fato novo capaz de provocar a renúncia de Temer. Ou capaz de apressá-los a sair do governo. Ou ainda capaz de incendiar o país e de engrossar o coro por diretas, já, obrigando-os então a agir

O mercado financeiro não está nem aí para que Temer fique ou vá embora. Desde que as reformas prometidas por ele acabem aprovadas no Congresso, tanto faz quem presidirá o país até o último dia de 2017. Para o mercado, a solução seja qual for só não pode demorar, causando danos à economia.

Como os angolanos gostam de dizer, esse é o ponto da situação.*

(*) Blog do Ricardo Noblat

FUNDO DO POÇO

Temer transforma país em república de bananas


Pela manhã, Michel Temer discursou para investidores estrangeiros em São Paulo. “A responsabilidade rende frutos”, declarou. À tarde, de volta a Brasília, Temer assumiu o comando de uma articulação irresponsável para assegurar que o suplente de deputado Rodrigo Rocha Loures, o homem da mala, não perca o escudo do foro privilegiado. Como um centauro metafórico, o governo Temer mantém a cabeça nas alturas do mercado globalizado e o corpo aqui embaixo, na politicagem enlameada, nos arranjos de um presidente investigado que tenta evitar a aparição de outro delator.

Para demonstrar que ainda dispõe de apoio congressual, Temer levou ao seminário com investidores os presidentes da Câmara e do Senado: Rodrigo Maia, o ‘Botafogo’ das planilhas da Odebrecht; e Eunício Oliveira, o ‘Índio’ da escrituração do departamento de propinas da construtora. A dupla soltou a língua em discursos sobre reformas modernizadoras. Também derramaram saliva pelas reformas e por Temer os investigados tucanos Geraldo Alckmin e Aloysio Nunes, além do neotucano João Doria.

Em Brasília, para segurar a língua do potencial delator Rocha Loures, Temer corre atrás de um deputado paranaense que se disponha a assumir uma vaga no ministério, pois Osmar Serraglio (PMDB-PR), que cedera a poltrona ao suplente da mala, não topou ser rebaixado da pasta da Justiça para o Ministério da Transparência. Conselheiros do presidente avisam que a utilização tão escancarada do organograma do Estado pode pegar mal. Aconselham moderação. Mas a simples cogitação de plantar um deputado qualquer na sacrossanta pasta da Transparência apenas para adular um potencial  delator é reveladora do ponto a que chegou a gestão Temer.

A cabeça do centauro assegura que o governo vive situação de franca normalidade. Mas o Supremo Tribunal Federal autorizou a Polícia Federal a interrogar o investigado Temer sobre a movimentação anormal do corpo do centauro, dado a travar diálogos desqualificados com empresários suspeitos no escurinho do Palácio do Jaburu.

Aos pouquinhos, Temer vai consolidando o projeto iniciado nos 13 anos de administrações petistas. Consiste em transformar o Brasil numa república de bananas. Assim eram chamadas as nações da América Central governadas por oligarquias corruptas e subservientes ao capital estrangeiro. Uma Banana Republicera, normalmente, pequena. Mas o Brasilzão, com suas peculiaridades, entra no clube como um bananão onde a corrupção generalizou-se de tal forma que tudo tende a acabar em palavras com a desinência ‘ão’ —como acordão, por exemplo.*

(*) Blog do Josias de Souza

E NO GALINHEIRO…

Presidente do BNDES é sogro de lobista do PMDB preso na Lava Jato

O economista Paulo Rabello de Castro, que assumiu o BNDES no lugar de Maria Silvia, é pai de Christine Rabello de Castro Luz, casada com Bruno Gonçalves Luz, preso pela Lava Jato com o pai Jorge Luz.
Jorge e Bruno Luz atuavam como lobistas para o PMDB na Petrobras. Jorge é considerado um veterano na área e seria uma espécie de padrinho do também lobista e delator Fernando Baiano.*
 
(*) O Antagonista

A PROPÓSITO

Luz, Suassuna & Rabello de Castro

O lobista Jorge Luz tem dois filhos:

Bruno Luz, como mostramos em post anterior, é casado com Christine Rabello, filha do novo presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro.

Renata Luz, a primogênita, é casada com Rodrigo Suassuna, filho do ex-senador Ney Suassuna, que é primo de Jonas Suassuna, sócio de Lulinha e laranja de sítio.*

(*) O Antagonista

SERÁ GOLPE?

Procura-se

A 9.ª Vara Federal de Belo Horizonte está com dificuldades de encontrar o governador de Minas, Fernando Pimentel (PT), para notificá-lo a se defender na ação penal 843, em que é acusado de receber propina da Odebrecht.

Tá difícil

 Ele é investigado pela Operação Acrônimo. Se a dificuldade continuar, o petista será notificado por edital. Procurada, a 9.ª Vara não se manifestou.

Estratégia

 Enquanto o governador de Minas não é notificado, o processo fica parado no STJ.*

(*) Coluna Estadão

BANANA REPUBLIC

Polícia Federal não pode ser manipulada pelo governo

Nomeação de Torquato Jardim para a Justiça tem a intenção evidente de controlar a PF, sonho antigo de todo político envolvido em casos de corrupção

Enquanto a crise política atinge o Congresso e prejudica as maquinações legislativas contra a Lava-Jato e o combate à corrupção de um modo geral, as ameaças avançam em duas outras frentes.

Uma está no Supremo, onde há quem pretenda rever o veredicto, com cláusula vinculante — para ser seguido por todos os tribunais —, de que pena pode ser cumprida na confirmação da sentença pela segunda instância; e a outra frente o presidente Michel Temer abriu no domingo, com o movimento audacioso de substituir, no Ministério da Justiça, o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) pelo advogado Torquato Jardim, tirando este do Ministério da Transparência, antiga Controladoria-Geral da União (CGU). Jardim não esconde desgostar da Lava-Jato.

Também ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), é provável que o presidente o veja como alguém que possa ajudá-lo no julgamento da sua chapa com Dilma Rousseff, pelo tribunal, a partir de 6 de junho. O presidente parece apostar no trânsito de Jardim nos meios jurídicos.

Um objetivo evidente, porém, é controlar, enfim, a Polícia Federal, sonho de todo político implicado em malfeitos. Não por acaso, em uma das gravações feitas por Joesley Batista de conversa com Aécio Neves, o tucano dirige pesadas críticas a Serraglio, por ele não interferir na distribuição de inquéritos, para entregá-los a delegados confiáveis. Inclusive, ensina como se faz.

No Legislativo, tenta-se livrar políticos investigados ou denunciados na Justiça com a aprovação de algum tipo de anistia. Algo difícil. Há ainda a manobra de se usar projeto contra o abuso de autoridade, para se criminalizarem juízes e procuradores. O plano, se realizado, tende a ser contestado no Supremo. Já a audácia de Temer está no fato de esta intervenção na PF ser esboçada depois que, a pedido da Procuradoria-Geral da República, o ministro Edson Fachin, do Supremo, instaurou inquérito para investigar o presidente, a partir das delações de Joesley Batista.

É como se Michel Temer se preparasse para manipular a PF, a fim de não ser investigado como estabelecem os melhores protocolos policiais: isenção, rigor, obediência à lei.

Por sinal, é o que vem demonstrando Leandro Daiello, diretor-geral da PF desde 2011, ao conduzir de maneira competente investigações importantes sob os governos Lula, Dilma e, agora, Temer. Neste sentido, Torquato Jardim não precisaria ter dito, no domingo, que ouviria Temer sobre mudanças na Polícia. Afinal, ela tem dado demonstrações de seriedade e correção durante todo este tempo. A não ser que queiram mudar este padrão, o que seria desastroso.

A Polícia Federal, um dos organismos de segurança do Estado, tem subordinação administrativa ao Executivo, mas não pode ser usada como guarda pretoriana dos governantes de turno.*

(*)  Editorial de O Globo

 

NOVO XERIFE DA GANG

Novo ministro da Justiça terá a ousadia de interferir na Polícia Federal?

Convidado para o Ministério da Justiça, o ministro da Transparência, Torquato Jardim, sinalizou a ministros e interlocutores do presidente Michel Temer que terá um controle maior sobre o comportamento da PF de agora em diante. O novo ministro, no entanto, não definiu se isto significa uma troca no comando da Polícia Federal (PF).

Ao presidente Michel Temer, Torquato disse que pretende conversar com o diretor-geral da PF, Leandro Daiello, antes de tomar qualquer decisão sobre a permanência dele no cargo. Segundo relatos, o futuro ministro da Justiça disse ao presidente que ainda não tem informações suficientes para um diagnóstico sobre a situação da PF e que não quer fazer nenhum gesto sem saber dos detalhes da situação interna na corporação.

TEMER RECLAMA – Após se tornar alvo das investigações, Temer passou a dizer que há excessos por parte da Polícia Federal e que eles devem ser corrigidos. O presidente demonstrou forte incômodo, por exemplo, com o fato de a PF ter tentado tomar diretamente seu depoimento semana passada na investigação que apura a delação do dono da JBS, o empresário Joesley Batista. Para o presidente, é preciso combater o “voluntarismo de interpretação” na PF.

Entidades de classe criticaram a troca de comando no Ministério da Justiça e manifestaram preocupação com o que consideram uma tentativa de controlar a operação Lava-Jato. Em nota, a Federação Nacionais do Policiais Federais afirma esperar que o novo ministro “gerencie sua pasta com imparcialidade sem qualquer tentativa de interferência nas investigações da PF, especialmente na Operação Lava-Jato”.

Já o presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), Carlos Sobral, disse que a mudança pode ser a senha para uma eventual intervenção política na PF, com o propósito de esvaziar a Lava-Jato e outras investigações sobre corrupção.

NOMEAÇÕES – Tudo depende do novo ministro. “Não só o diretor geral, mas todo o comando da instituição. Quem nomeia essas pessoas é o ministro da Justiça. A troca do comando da instituição pode gerar atrasos, interferências ou interrupções nas investigações” — afirmou Sobral.

O delegado lembra que, em recentes diálogos captados a partir da delação de executivos da JBS, os senadores tucanos Aécio Neves (MG) e José Serra (SP), ambos investigados na Lava-Jato, foram flagrados articulando a saída de Osmar Serraglio da Justiça. Segundo Sobral, um ministro da Justiça pode interferir de várias maneiras para enfraquecer a atuação da polícia. Uma delas é com o corte de verbas para grandes operações. Outra, é a indicação política para cargos estratégicos da instituição.

O novo ministro da Justiça deve ser pressionado por alas do governo que defendem um “freio de arrumação” no órgão, responsável pelas investigações da Lava-Jato: “Em algum momento vai ter que mexer naquilo, não dá para ficar como está” — afirmou um auxiliar de Temer.

Convidado para o Ministério da Justiça, o ministro da Transparência, Torquato Jardim, sinalizou a ministros e interlocutores do presidente Michel Temer que terá um controle maior sobre o comportamento da PF de agora em diante. O novo ministro, no entanto, não definiu se isto significa uma troca no comando da Polícia Federal (PF).

Ao presidente Michel Temer, Torquato disse que pretende conversar com o diretor-geral da PF, Leandro Daiello, antes de tomar qualquer decisão sobre a permanência dele no cargo. Segundo relatos, o futuro ministro da Justiça disse ao presidente que ainda não tem informações suficientes para um diagnóstico sobre a situação da PF e que não quer fazer nenhum gesto sem saber dos detalhes da situação interna na corporação.

TEMER RECLAMA – Após se tornar alvo das investigações, Temer passou a dizer que há excessos por parte da Polícia Federal e que eles devem ser corrigidos. O presidente demonstrou forte incômodo, por exemplo, com o fato de a PF ter tentado tomar diretamente seu depoimento semana passada na investigação que apura a delação do dono da JBS, o empresário Joesley Batista. Para o presidente, é preciso combater o “voluntarismo de interpretação” na PF.

Entidades de classe criticaram a troca de comando no Ministério da Justiça e manifestaram preocupação com o que consideram uma tentativa de controlar a operação Lava-Jato. Em nota, a Federação Nacionais do Policiais Federais afirma esperar que o novo ministro “gerencie sua pasta com imparcialidade sem qualquer tentativa de interferência nas investigações da PF, especialmente na Operação Lava-Jato”.

Já o presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), Carlos Sobral, disse que a mudança pode ser a senha para uma eventual intervenção política na PF, com o propósito de esvaziar a Lava-Jato e outras investigações sobre corrupção.

NOMEAÇÕES – Tudo depende do novo ministro. “Não só o diretor geral, mas todo o comando da instituição. Quem nomeia essas pessoas é o ministro da Justiça. A troca do comando da instituição pode gerar atrasos, interferências ou interrupções nas investigações” — afirmou Sobral.

O delegado lembra que, em recentes diálogos captados a partir da delação de executivos da JBS, os senadores tucanos Aécio Neves (MG) e José Serra (SP), ambos investigados na Lava-Jato, foram flagrados articulando a saída de Osmar Serraglio da Justiça. Segundo Sobral, um ministro da Justiça pode interferir de várias maneiras para enfraquecer a atuação da polícia. Uma delas é com o corte de verbas para grandes operações. Outra, é a indicação política para cargos estratégicos da instituição.

O novo ministro da Justiça deve ser pressionado por alas do governo que defendem um “freio de arrumação” no órgão, responsável pelas investigações da Lava-Jato: “Em algum momento vai ter que mexer naquilo, não dá para ficar como está” — afirmou um auxiliar de Temer.*

(*) Júnia Gama, Fernanda Krakovics e Jailton de Carvalho – O Globo

HUMILHADO, DEU O TROCO

Serraglio recusa Ministério da Transparência e Loures perde foro privilegiado

Osmar Serraglio não aceitou o convite para ser o ministro da Transparência depois de ser tirado do Ministério da Justiça pelo presidente Michel Temer. A informação foi dada por Serraglio a deputados da bancada do PMDB e confirmada em nota ao presidente. Ele deve se encontrar com Temer na tarde desta terça-feira (dia 30). Ele voltará para a Câmara, onde tem mandato de deputado federal pelo PMDB do Paraná.

A consequência da decisão é a saída definitiva do deputado afastado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), alvo de inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal) em razão da delação da JBS. Loures é suplente de Serraglio e assumiu o mandato do deputado após sua ida para o ministério.

Loures foi flagrado recebendo uma maleta com R$ 500 mil de Ricardo Saud, executivo da JBS, e está sendo investigado no STF no mesmo inquérito de Temer.

FORO PRIVILEGIADO – Loures perde o foro no Supremo, mas a investigação pode continuar na corte porque está ligada a Temer. A troca no comando do Ministério da Justiça ocorreu no domingo (28), a menos de dez dias do julgamento da Justiça Eleitoral que poderá cassar o mandato do presidente, marcado para o dia 6 de junho.

O movimento é visto como uma medida para melhorar a interlocução de Temer com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e com o STF (Supremo Tribunal Federal), responsável por conduzir o inquérito contra o peemedebista.

Diferentemente de Serraglio, o escolhido Torquato Jardim já foi ministro do TSE e tem boa relação com os tribunais superiores. Ele é conhecido pelo perfil conciliador, motivo que também o levou a ocupar a Transparência (ex-CGU).

CRÍTICAS A SERRAGLIO – A saída de Serraglio da Justiça já era discutida desde o início da semana passada pelo presidente peemedebista. A gestão dele vinha sendo criticada por auxiliares e assessores presidenciais pela falta de pulso firme e de resposta rápida diante do aumento de episódios de violência pelo país.

Além disso, havia o receio de que ele fosse citado em delação premiada que tem sido negociada com o Ministério Público Federal pelo fiscal agropecuário Daniel Gonçalves Filho, apontado como o líder do esquema de corrupção descoberto pela Operação Carne Fraca.

Em grampo divulgado em abril, Serraglio chamava Daniel de “grande chefe”. Ele telefonou em fevereiro ao fiscal, quando ainda era deputado federal, para obter informações sobre o frigorífico Larissa, de Iporã (PR).*

(*) Bruno Boghossian – Folha

SE SEGURA, MALANDRO

Temer pediu calma a FHC e Tasso, ao avisar que o julgamento do TSE vai demorar

Resultado de imagem para temer charges charges

Pouco antes de participar de jantar com empresários, em São Paulo, o presidente Michel Temer se reuniu por cerca de duas horas com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, na noite desta segunda-feira, 29, no Hotel Hyatt. O presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), e o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, também participaram do encontro. “Foi uma conversa boa e proveitosa. Conversa boa e capaz de nos garantir, a eles e a nós, de que as reformas passarão”, disse Moreira Franco. Segundo ele, a conversa tratou de “caminhos para o futuro”.

O encontro aconteceu em meio à maior crise política enfrentada pelo presidente Temer. A cúpula do PSDB está sendo pressionada a abandonar o governo, mas o encontro deixou claro que, pelo menos por enquanto, o desembarque não acontecerá.

FIEL DA BALANÇA – O partido deve esperar a decisão sobre a ação contra a chapa Dilma-Temer, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para definir se continua com o governo. O PSDB está sendo considerado o “fiel da balança” para o Planalto.

O esforço é total para não só manter o partido na base aliada, mas também para garantir apoio para a aprovação das medidas provisórias que estão vencendo no Congresso, esta semana, e para as reformas trabalhista e da Previdência.*

(*) Tânia Monteiro e Carla Araújo – Estadão