CAINDO DE PODRE

O PSDB tem de tudo, menos o novo

Dá pena a encalacrada em que se meteu o PSDB. Não é capaz de decidir se fica ou sai do governo de Michel Temer, e também não sabe o que fazer com Aécio Neves, seu presidente e candidato derrotado na eleição de 2014. Se o PSDB tivesse algo de novo a oferecer, já teria aparecido alguém pedindo o defenestramento de Aécio.

Segundo FH, o prefeito João Doria seria um exemplo desse novo. Diante dos grampos de Joesley Batista, Doria condenou Aécio: “Quem usa esse tipo de linguagem não tem condição de proceder com equilíbrio as suas funções.” Tudo bem, o senador pede R$ 2 milhões ao empresário e o problema estava em meia duzia de palavrões.

O PSDB não mostra nada de novo porque nada de novo há no PSDB. Em 1999, o Partido Democrata Cristão da Alemanha foi apanhado num escândalo de caixa dois (nada a ver com propina). A caciquia, comandada pelo ex-chanceler Helmut Kohl, empurrava o caso com a barriga, até que apareceu um artigo da secretária-geral do partido, a quem Kohl chamava de “a menina”. Era Angela Merkel, e pedia que o partido passasse por uma faxina, sem Kohl. Ele fora chanceler por 16 anos e reunificara a Alemanha. Deixou a política e, até a sua morte, raramente falava da “menina.” Há poucos anos Kohl contou que quando lhe ensinou as manhas da política, a moça não sabia comer com garfo e faca. Angela Merkel, o novo de 1999, é a chanceler da Alemanha desde 2005.*

(*)  Elio Gaspari – O Globo

 

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