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Meirelles mostra otimismo, mas sua equipe critica as “bondades” de Temer

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Como convém ao cargo, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, anda propagandeando pelas redes sociais os bons indicadores da economia. Tenta usar números que sugerem a retomada da atividade como contraponto ao péssimo momento político vivido pelo país. Meirelles está imbuído da missão de manter a percepção de que, por meio de uma política econômica responsável, a confiança de consumidores, empresários e investidores se mantém intacta.

O ministro pode até obter algum resultado na sua empreitada. Mas, antes de tentar conquistar corações e mentes da população em geral, deveria conter a onda de insegurança que ronda a sua equipe. Nos bastidores, vários técnicos vêm se perguntando até que ponto o governo está disposto a manter o compromisso com o ajuste fiscal.

ABRINDO O COFRE – Nos últimos dias, o presidente Michel Temer deu sinais claros de que está disposto a recorrer a um pacote de bondades para garantir sua sobrevivência.

Na avaliação dos técnicos, ficar indicando que pode abrir os cofres para atender pleitos de aliados políticos não é recomendável para um governo que conseguiu reconstruir a credibilidade da política econômica com a promessa de um ajuste fiscal consistente. É enorme a limitação do Tesouro Nacional para cumprir todos os seus compromissos sem que o deficit primário previsto para este ano não ultrapasse o teto de R$ 139 bilhões. O risco de o rombo ser maior é bastante alto.

As promessas são muitas. Vão da correção da tabela do Imposto da Renda à repactuação de dívidas de estados num total de R$ 50 bilhões.

FORA DE HORA – Os técnicos reconhecem que algumas das bondades preparadas pelo governo são compreensíveis, mas não deveriam ser aventadas agora, quando ainda se está pavimentando o caminho para o equilíbrio das contas públicas. “Estamos muito longe de dizer que o ajuste fiscal está consolidado. Ainda vamos ter rombo fiscal por vários anos”, diz um dos técnicos. “O quadro está tão complicado que, em vez de se recuperar, a arrecadação está caindo”, emenda.

A expectativa da equipe econômica é de que as bondades alardeadas pelo governo fiquem na promessa. “Primeiro, porque, se tiradas do papel, não agregarão nada à economia. Segundo, porque não há espaço no Orçamento para estripulias”, assinala outro integrante da equipe econômica. Para ele, o governo deveria concentrar esforços a fim de aprovar as reformas trabalhista e da Previdência Social com um discurso de austeridade. É isso que manterá a confiança dos agentes econômicos.

SEM GARANTIA – Os técnicos destacam ainda que os bons números comemorados pelo governo não garantem uma recuperação concreta da atividade. São apenas sinais positivos. Em abril, o varejo e o setor de serviços cresceram 1%, já a indústria avançou 0,6%. Apesar desses indicadores, a maior parte dos especialistas acredita que o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre será negativo. Não se pode esquecer, segundo eles, que a economia praticamente parou da segunda metade de maio em diante, quando o país tomou conhecimento das delações dos irmãos Joesley e Wesley Batista, do grupo JBS.

Portanto, neste momento, a tal retomada é muito mais desejo do que realidade concreta. O ideal é que o governo mantenha a responsabilidade fiscal, pois essa será a maior garantia aos agentes econômicos de que não há espaço para retrocessos no ajuste fiscal. “Credibilidade é tudo neste momento. Vejam: a inflação está caindo e os juros, também. Mesmo que de forma desigual, a economia está reagindo. Não podemos abrir mão disso”, ressalta um ministro.

INFLAÇÃO CAINDO – O ministro acredita que, ao longo dos próximos meses, provavelmente até agosto, a inflação acumulada em 12 meses ficará bem próxima de 2%. “Teremos deflação em junho e, provavelmente, em julho, por causa da queda dos preços dos combustíveis e das tarifas de energia elétrica. Isso obrigará o Banco Central a manter o corte de juros em um ponto percentual”, acredita.

Responsabilidade, porém, é tudo. Foram as maluquices de Dilma Rousseff quando presidente da República, na condução da política econômica, que empurraram o Brasil para a mais profunda recessão da história e desempregaram 14 milhões de pessoas. Esse filme, no entanto, ninguém quer mais ver. A hora é de virar o jogo. E isso requer muito juízo.*

(*) Vicente Nunes – Correio Braziliense

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