BRASIL: PERDA TOTAL

A caminho da popularidade abaixo de zero

O governo do presidente Michel Temer é um “case” a ser estudado no futuro – ou desde já se preferirmos. Quanto mais sua popularidade se aproxima do zero e corre o risco de se tornar negativa, algo jamais visto antes por aqui e em parte alguma, mais ele se consolida e ganha condições de ficar até o fim. O que explica isso?  As circunstâncias especiais que o país atravessa.

Temer sucedeu Dilma a pouco mais da metade do fim do segundo mandato dela, o mais desastroso da história recente do país. Naquele momento, a quem interessava enfrentar uma recessão econômica que provocara o desemprego de 14 milhões de pessoas? A ninguém, muito menos ao PT que chafurdava na lama e que ainda chafurda. O discurso das “Diretas, Já” era para enganar os bobos. Continua sendo.

A Constituição é clara: o vice substitui o titular se ele morre, renuncia ou é impedido. E se não o fizer, o Congresso elege um novo presidente. Temer quis substituir Dilma. Conspirou para tal. Imaginou que se beneficiaria de sua rala aprovação para promover as reformas que Dilma não teve coragem, não quis fazer ou não teve apoio para fazer. Ao fim e ao cabo, garantiria um lugar na história.

O que deu errado? Subestimou a inconformidade dos brasileiros com a corrupção despertada pelas ações da Lava Jato. Montou um time de ministros e de assessores manchados pela suspeita de que haviam prevaricado. Alguns caíram de imediato. Outros, depois. Há os que resistem a cair e seguem fazendo mal à imagem do governo. Por fim, Temer, ele mesmo, acabou denunciado por corrupção passiva.

E por que balança, balança e não cai? Primeiro porque é visto pelos políticos enrolados com a Justiça como um deles, interessado em se proteger e em proteger a todos. Segundo porque aos partidos, artífices de um sistema político que apodreceu, precisam de tempo para se preparar para as próximas eleições. Ainda não têm candidatos. Faltam regras. Antes delas, é preciso enfraquecer a Lava Jato.

Temer já entrou para a história como o primeiro presidente da República no exercício do cargo denunciado por crime comum. Não é pouca coisa. Resta saber se não entrará também como o terceiro a ser derrubado no curto período democrático de 25 anos.*

(*)  Blog do Ricardo Noblat

BURACO SEM FUNDO

A máquina de gastar

Não são apenas os 43 centavos por litro, toda uma forma de governar está em jogo

Ao decretar o aumento do imposto da gasolina, Temer rompeu com uma das mais importantes expectativas criadas pelo impeachment de Dilma. Na época em que ela caiu não se discutiam apenas as pedaladas, razão formal, mas todo o conjunto do movimento da bicicleta: uma dispendiosa máquina de governo pesando insuportavelmente nas costas da Nação.

Verdade que Temer conseguiu aprovar a lei que impõe limite aos gastos públicos. Mas a a vida real está mostrando que uma simples lei não resolve se não houver mudança no comportamento do governo. Temer, por exemplo, decreta aumenta de impostos e libera verbas para deputados, algo que não é essencial no Orçamento. Ele vive uma contradição paralisante: governar para a sociedade ou para o Congresso?

Sua cabeça depende de ambos. Mas no momento ele teme mais os deputados, que têm o poder de cortá-la, aceitando a denúncia de corrupção passiva. A decisão de aumentar impostos não o enfraquece apenas na sociedade, mas também no próprio Congresso, que está em recesso, portanto, teoricamente mais próximo da vida real.

A escolha de usar um decreto, driblando uma decisão congressual, vai desgastá-lo. Está implícito na escolha que nem o Congresso aceitaria esse caminho. Mas as contradições não param aí. Embora não aceite o aumento de imposto, o próprio Congresso, no jogo de trocas com Temer, não trabalha com reduções nos gastos.

As contradições estendem-se ao projeto de demissões voluntárias. É um movimento legítimo, mas toca funcionários concursados. Economiza R$ 1 bilhão depois de aumento de salários que chegam a R$ 22 bilhões. Os próprios procuradores, cujo trabalho apoiamos, querem mais 16% em 2018 . Aqui, na planície, quem tem a sorte de trabalhar se contenta apenas em não perder para a inflação.

O departamento de cargos em comissão continua de vento em popa. Em especial neste momento em que o Congresso tem o destino de Temer nas mãos.

Ao dizer que o povo iria compreender o aumento do imposto, Temer acabou expressando um desejo. Nesse campo prefiro a Dilma, com seu desejo de não ter meta e dobrá-la ao atingir esse intraduzível marco.

Todo mundo sabe que paga imposto. Ainda mais quanto incide sobre a gasolina. Mesmo os habitantes do interior do Nordeste que trocaram os jegues por motocicletas compreenderam imediatamente que foram atingidos.

O aumento de impostos tem força no imaginário histórico brasileiro: luta pela independência, derramas coloniais, Tiradentes esquartejado. Nos últimos anos os empresários acharam no pato amarelo uma versão pop de sua luta contra a pesada carga tributária.

Depois de tantos escândalos de corrupção, do espetáculo de políticos de costas para o povo, as pessoas começam a perceber que tudo isso é financiado por seu trabalho. E para simbolizar a revolta quando ela chega ao cotidiano, o pato é pinto. As coisas podem ser muito mais graves.

Temer arriscou tudo nesse aumento. Tenta o suicídio numa hora em que sua energia está concentrada em sobreviver.

Não houve, depois do impeachment, um esforço sério para conter os gastos da máquina. O déficit orçamentário previsto já era generoso, em torno dos R$ 130 bilhões. Neste momento, muitos se perguntam: por que financiar a máquina oficial, corrupta e incompetente na entrega dos serviços essenciais?

Quem se lembra das manifestações de 2013 reconhece nelas uma aspiração a serviços decentes em troca dos impostos pagos. Os serviços pioraram de lá para cá. E os impostos aumentam. Isso não quer dizer que estejamos às vésperas de manifestações do tipo de 2013. Mas quem autoriza os estrategistas de Temer a supor que o decreto não trará sérias consequências?

Estrategistas podem até pensar em jogar todas as cartas no Congresso, subestimando a reação da sociedade. Mas têm de levar em conta que há um momento em que o próprio Congresso salta do barco se a pressão social o empurrar.

É um exercício retórico falar em estrategistas. A máquina tem uma lógica própria. Ele não pode mudar o rumo porque nela está ancorado um sistema político-partidário.

O desdobramento da máquina é cruel para os que pagam impostos e ao mesmo tempo é autodestrutivo. Temer apenas deu mais um passo na direção do abismo, não necessariamente pessoal, mas do próprio sistema político, em degradação. Mas é um passo que enfraquece as perspectivas de soluções políticas com mudanças em 2018. E favorece a entrada numa zona de turbulência perigosa para a própria retomada econômica.

Mas como definir outro caminho? A máquina tem seus desígnios, ela se desloca como um iceberg que se desprende do continente. Temer já era impopular. Pode-se tornar detestável. Como um iceberg que se respeita, a máquina de governo quer fazer do Brasil o seu próprio Titanic.

Ultimamente, porém, o degelo é mais rápido. Um aumento de impostos como o da gasolina terá poder pedagógico e vai aquecer muito as aspirações por um reforma política que reflita diretamente nos rumos da máquina de gastar.

Nunca se pagou tanto por espetáculo tão desolador. Os atores contam com a tolerância da plateia, clichês como a cordialidade do brasileiro. Creio que o futuro próximo vai desvendar a natureza da máquina. O que funciona hoje como marcha da esperteza pode revelar-se amanhã a marcha da estupidez: um sistema político em extinção.

A opção de aumentar impostos abriu uma nova conjuntura, sem os lances sensacionais de uma delação premiada, mas com potencial corrosivo tão ácido como ela. Piores dias levando a melhores dias: está chegando a hora de a sociedade ajustar as contas não só com a máquina de gastar, mas com o sistema político que a anima.

Não é apenas pelos 20 centavos, dizia-se nos protestos de 2013. O aumento da gasolina representa R$ 11 bilhões por ano. Ainda assim, não serão apenas 43 centavos por litro. É toda uma forma de governar que está em jogo.*

(*)  Fernando Gabeira – Estadão

EXECUTIVO PADRÃO PT

A raposa que Lula chama de Didi tomou conta de dois galinheiros

Aldemir Bendine repetiu no comando da Petrobras as patifarias que colecionara na presidência do Banco do Brasil

A chegada de Aldemir Bendine à presidência do Banco do Brasil confirmou que o governo Lula escolhia ocupantes de cargos estratégicos não pela folha de serviços, mas pelo tamanho do prontuário. A transferência de Bendine para o comando da Petrobras avisou que o governo Dilma decidira institucionalizar uma norma que é a cara do lulopetismo: certas raposas de estimação merecem cuidar de dois galinheiros.

Quando assumiu a presidência da estatal devastada pela quadrilha do Petrolão, o amigo que Lula chama de Didi declarou-se envergonhado com a extensão da roubalheira. Preso nesta quinta-feira por ordem do juiz Sergio Moro, não pôde usar a passagem só de ida para Portugal. As revelações que fará decerto mostrarão que fez o que pôde para ampliar o imenso acervo de transações vergonhosamente criminosas.*

(*) Blog do Augusto Nunes

FILHOTE PREDILETO DO LULOPETISMO

Amigos apostam que Bendine fará delação

Colegas do ex-presidente do BB e da Petrobrás Aldemir Bendine, preso pela Lava Jato, dizem não ter dúvidas de que ele deve partir para a delação premiada caso sua prisão temporária se converta em provisória, quando não há prazo para a soltura. Bendine é descrito como depressivo e fumante inveterado, vício que será obrigado a abandonar na carceragem da PF. Há dúvidas se ele terá provas para revelações que vier a fazer. Mas há uma certeza: se ele falar, seu alvo será o ex-ministro Guido Mantega, de quem era muito próximo.
Missão. Bendine também era muito próximo de Dilma Rousseff, que o nomeou para a Petrobrás. Foi na gestão dele que a empresa revelou ter destruído áudios das reuniões sobre a compra de Pasadena, negócio autorizado pela petista.*

(*) Coluna do Estadão

MAIS UMA “CRIA” DE LULA & DILMA

Cobras criadas

Dilma deve explicações por nomear Bendine na Petrobrás, apesar de todos os alertas

A então presidente Dilma Rousseff descumpriu uma regra básica do poder ao transferir o presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, para a Petrobrás num momento muito delicado para o País e para a estatal. Essa regra é que “à mulher de César não basta ser honesta, é preciso parecer honesta”. Bendine era considerado competente na gestão do BB, mas pairavam sobre ele várias polêmicas de ordem ética.

Como presidente do BB, ele foi pego pela Receita Federal por “evolução atípica” de patrimônio, por valores não justificados e pela compra de um imóvel com dinheiro vivo. Sem ter o que responder, alegou que guardava R$ 280 mil em casa. Soou excêntrico o presidente do maior banco público guardar pilhas de notas de reais debaixo do colchão e comprar apartamentos em “cash”.

Será que Bendine, funcionário de carreira de uma das instituições mais sólidas do Brasil, não acredita no sistema financeiro? Vê com desconfiança o próprio Banco do Brasil? Ou, como a Receita suspeitava, ele não tinha como justificar a origem do dinheiro e não podia depositá-lo? A Lava Jato está respondendo a essas dúvidas agora.

Além disso, Bendine tinha passado pelo vexame de liberar um empréstimo camarada, de R$ 2,7 milhões, para a socialite Val Marchiori, que tinha um probleminha: estava inadimplente com o banco e não poderia receber empréstimos. Mas ela guardava um trunfo: era amigona de Bendine, com quem até viajou para o exterior.

Numa outra frente, Bendine foi processado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por suspeita de “violação de silêncio” sobre uma oferta pública inicial de ações da BB Seguridade. No início deste ano, ele pagou multa e ficou por isso mesmo, mas as multas e os jeitinhos não resolvem uma questão básica: um cidadão com tantas situações “atípicas” poderia assumir a presidência da Petrobrás?

E ele não assumiu num momento qualquer, de normalidade no País e na própria petroleira. Assumiu justamente com o País de pernas para o ar e a Petrobrás estraçalhada desde o governo Lula e com operações estranhíssimas também na era Dilma (como Pasadena), e já alvo da Lava Jato, que completava então um ano.

Assim como a grande amizade com Bendine justificou a quebra de regras e um empréstimo milionário para Val Marchiori, a proximidade de Bendine com Lula e com o PT o catapultou à presidência do maior banco público, a ótimas relações com ministros e assessores-chave de Lula e Dilma e depois à maior e mais simbólica companhia brasileira.

Foi por essas e outras que, apesar de o próprio BB ainda passar razoavelmente ileso pelas investigações, nada mais escapou da sanha da corrupção ou da má-fé: Petrobrás, Caixa Econômica Federal, Correios, Furnas, administração direta, crédito consignado dos aposentados, sistema bancário, agências reguladoras…

A teia ficou tão imensa, tão diversificada – e tão fácil – que Aldemir Bendine não se intimidou com a Lava Jato, a maior operação de combate à corrupção do mundo, nem com a crescente atuação e competência do MP, da PF e da Justiça e é acusado não apenas de cometer crimes, mas de ter uma ousadia espantosa. Com todos os holofotes na Odebrecht e na Petrobrás, lá foi ele pedir propina justamente para a Odebrecht, e para manipular decisões da Petrobrás. Até na véspera da posse!

Parece doença, mas não é. É a sensação de poder, de costas quentes e de impunidade que contamina o Brasil, onde a mulher de César não precisa ser honesta nem parecer ser honesta. Tem só de ser cobra criada, com as amizades certas, nas horas certas, para se infiltrar nos palácios, ministérios, órgãos e empresas públicas. Depois, o céu é o limite.*
(*) Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo

ETERNOS IMBECIS

O que deu errado no esquerdismo,
na visão de Lenin

“Esquerdismo, doença infantil do comunismo”, precisamente com este título, há cerca de 95 anos (Maio de 1920), Vladimir Ilitch Lenin escreveu e publicou em Moscou um ensaio-panfleto denunciando severamente os PCs da Alemanha e da Inglaterra pelo extremismo de suas estratégias,  visto como “desvio ideológico à esquerda”.

No cerne das acusações do patriarca do comunismo, a intransigência destes radicais que consideravam inúteis os partidos políticos, desnecessária a atuação do Partido nos parlamentos “burgueses” e, portanto, qualquer compromisso com os trabalhistas e social-democratas descartados liminarmente como “reformistas”, embora dominassem amplos setores da classe operária nos respectivos países.

ESTAVA CERTO – A advertência de Lênin mostrou-se plenamente justificada uma década depois quando o delirante PC alemão cometeu o catastrófico disparate ao converter a social democracia reformista e não o nacional-socialismo hitlerista no principal adversário dos comunistas.

O Cavaleiro da Esperança, Luis Carlos Prestes, cometeu o mesmo erro nada menos do que três vezes e, aparentemente, não por ignorar a repreensão de Lênin mas por não identificar suas alianças com a necessária objetividade: em 1935, deixou de lado a recém-lançada e robusta Aliança Nacional Libertadora e partiu para uma canhestra insurreição militar (mais tarde explicada de forma ainda mais canhestra como “levante antifascista”).

Em 1945, recusou enxergar Vargas como o verdugo da sua mulher, Olga Benário e embarcou no “queremismo” em vez de aproximar-se dos socialistas não-revolucionários, dos reformistas civis da ANL e dos camaradas-tenentistas que sempre desconfiaram dos compromissos democráticos de Vargas. Em 1963-1964 finalmente apostou todas as fichas num confronto de Jango com as lideranças “burguesas” que se preparavam para disputar as presidenciais de 1965. Sabemos o resultado da desastrada e desastrosa aposta.

DOENÇA INCURÁVEL – A doença do infantilismo esquerdista diagnosticada por Lênin é contagiosa, incurável, desafia o tempo e o espaço. Não obstante as preferências dos seus fundadores por Trotsky e não pelo deformado stalinismo, o PT deixou-se contaminar pelo esquerdismo doentio e suicida que o pai do comunismo soviético antecipou com tanta perspicácia e acuidade.

Imantada ao noticiário da Lava-Jato e ao jorro contínuo dos escândalos, nossa imprensa e nossa sociedade parecem mesmerizadas pelo rosário e dimensões das roubalheiras, completamente desatentas a sintomas não menos graves da síndrome do esquerdismo infantil — a incompetência.

O dedo podre do aparelhamento partidário existe em todos os quadrantes do universo ideológico. A direita é burra, estúpida. Mas o esquerdismo infantilóide está nos obrigando a conviver de forma patológica com a inépcia. Uma aberrante solidariedade com incapazes e néscios, porém beneficiados pela identidade de ideias, está produzindo um irreparável retrocesso.

APELO À RAZÃO – A devoção às nulidades em situações-limite como a que vivemos é criminosa, mas este tipo de crime não está previsto no Código Penal. Ao contrário é estimulado. A cada dia que passa o Estado brasileiro torna-se mais vulnerável à imperícia de seus agentes. A expansão ilimitada desta bisonhice funcional acaba por impor-se como padrão, atingindo indistintamente todos os atores e elencos da cena política: a situação e oposição, o mercado e a academia, eleitos e eleitores, a imprensa e seus críticos — todos parecem igualmente estabanados e enfileirados.

O paroxismo que Lênin denunciou foi na verdade um apelo à razão e à eficácia. A paranoia esquerdista difere muito pouco da paranoia direitista. Igualmente tortas, só deixarão de reproduzir-se quando finalmente for aplicada a vacina contra a mosca azul — um aedes de última geração que prefere a estultice e só prolifera ao lado dos incompetentes e burocratas do aparelho estatal.*

(*) Alberto Dines  – Observatório da Imprensa

“EU JÁ SABIA”

Confirmado: Falta de verba ameaça as operações da Polícia Federal

Em meio à polêmica sobre mudanças nas equipes da Operação Lava-Jato em Curitiba, mais uma preocupação entrou na lista que desagrada aos integrantes da maior operação de combate à corrupção no país. O ministro da Justiça, Torquato Jardim, admitiu que a falta de recursos pode afetar as operações da Polícia Federal e que será preciso “selecionar as mais importantes”.

Torquato disse que “precisa ser transparente” quanto à falta de recursos na pasta. “A PF vai receber R$ 70 milhões por mês até o fim do ano. No entanto, tenho que ser transparente e falar a verdade. É possível que falte dinheiro para algumas ações. Poderá implicar processos seletivos de ações, não realizar todas as operações ou não realizar em suas extensões totais, mas apenas parcialmente”, destacou.

CONTINGENCIAMENTO – De acordo com Torquato Jardim, todos os setores do governo estão passando por um contingenciamento e, dessa forma, é necessário definir prioridades. A área econômica realizou um corte de R$ 400 milhões no orçamento da Polícia Federal deste ano.

No mês passado, a emissão de passaportes chegou a ser suspensa por falta de recursos. O problema só foi resolvido após o Congresso aprovar uma emenda de R$ 102 milhões para que os documentos voltassem a ser emitidos. De acordo com a PF, a paralisação da emissão dos passaportes resultou em uma fila de espera de 175 mil pessoas.

FORÇA NACIONAL – Torquato anunciou também que o governo deixou de lado, por enquanto, o aumento do contingente da Força Nacional, uma das propostas do Plano Nacional de Segurança Pública, que, entre outras medidas, pretendia elevar o efetivo de 1,5 mil para 7 mil homens. “Não temos dinheiro para aumentar o capital humano da Força Nacional. Vamos pensar primeiro na implementação de tecnologia, para otimizar o trabalho. Aumentar o efetivo gera um custo maior e não temos mais essa pretensão. Os recursos em caixa não nos permitem realizar este tipo de projeto agora”, destacou.*

(*) Renato Souza – Correio Braziliense

ELES NUNCA SAEM DA BANDIDAGEM

Janot diz que a quadrilha
de Cunha continua ativa

 

Eduardo Cunha está preso, mas sua quadrilha continua na ativa. A afirmação é do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Ele recomendou ao Supremo Tribunal Federal que mantenha o peemedebista na cadeia.

A defesa do ex-deputado apresentou mais um recurso para tentar tirá-lo da prisão. Os advogados argumentam que Cunha já foi cassado e não poderia mais cometer crimes ou obstruir investigações. Por isso, mereceria voltar ao aconchego do lar.

DELINQUENTE – O Ministério Público discorda. De acordo com Janot, nem a cadeia foi capaz de parar o ex-deputado. Ele afirma que o correntista suíço continuava a embolsar propina da JBS para não delatar os comparsas.

Para o procurador, o peemedebista permanece em “estado de delinquência” e se mostra capaz de “influenciar seus asseclas, ainda ocupantes de cadeiras no Congresso”.

“O núcleo de organização criminosa composto por membros do PMDB na Câmara dos Deputados está em pleno funcionamento, com a ciência, anuência e efetiva participação de Eduardo Cunha”, diz o procurador.

A TURMA DE SEMPRE – Janot não cita nomes, mas é fácil adivinhar a quem ele se refere. Além de Cunha, mais dois barões do PMDB da Câmara já foram em cana: Henrique Eduardo Alves e Geddel Vieira Lima. Outros três estão no Planalto: Michel Temer e seus ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco.

No Congresso, os paus-mandados de Cunha continuam a atuar com desenvoltura. Um dos mais notórios, o deputado Carlos Marun, virou líder da tropa de choque do governo. Basta ligar a TV em qualquer horário para vê-lo discursando em defesa do presidente. Em dezembro, o deputado usou verba da Câmara para visitar o ex-chefe na cadeia, em Curitiba.

DE FÉRIAS – O senador Fernando Collor aproveita o recesso parlamentar para desfrutar as delícias de Portugal. Nesta quarta-feira, ele passeava e fazia compras num famoso shopping de Cascais.*

(*) Bernardo Mello Franco – Folha de São Paulo

BRASIL PANDEIRO

Frase notável 1


De Lula: “Sou o maior interessado na verdade”. Um estadista que sabia das coisas, Churchill, líder inglês na guerra ao nazismo, disse que a verdade é tão preciosa que deve ser protegida por uma muralha de mentiras.

Frase notável 2

 


Lula disse – disse mesmo, está gravado – que “a palavra propina foi inventada pelos empresários para tentar culpar os políticos – ou pelo Ministério Público (…) agora transformaram as doações em propina, então ficou tudo criminoso”. Parece incrível, mas Lula não deixa de ter razão.
Quando era sindicalista e denunciava essas coisas que na época só os outros faziam, não lhes dava o nome de propinas. Eram maracutaias.*

(*) Coluna Carlos Brickmann, na Internet