A GRANDE FAMIGLIA

Sangue do meu sangue

Quando queria detonar alguém, o psicanalista Hélio Pellegrino dizia que era ‘um Rimbaud… mas sem o talento’

‘Filhos, melhor não tê-los/ Mas se não os temos/ Como sabê-lo?”, perguntava Vinicius de Moraes. Com os filhos que tem, Lula deve entender o poeta. Fábio Luiz, que odeia ser chamado de Lulinha, mas vive disso, e Luis Claudio, que detesta a alcunha de Luleco, de cara, tem feições que fariam a alegria de Lombroso, que eles não têm ideia de quem seja. Se perguntarem a um advogado, vão saber que não é um elogio.

Pobre Lula, inteligentíssimo e espertíssimo, que tem sua história, seus méritos, suas conquistas e serviços prestados ao Brasil, e corre sério risco de ir para a cadeia (também) pelas estripulias delituosas de seus filhos flagradas pela Lava-Jato. Claro, as empreiteiras que pagaram propina, ou “agrados”, como dizem no Nordeste, a Lulinha e Luleco, foram recomendadas por Papa Lula. Elas não procuraram espontaneamente os dois jovens “empresários” para fazer negócios, eles nunca iriam a elas sem a autorização, e uma forcinha, do paizão. A gente faz tudo pelos filhos, não é mesmo?

Eu entendo Lula, já fiz os papéis mais ridículos e patéticos da minha vida só para divertir minhas filhas. Mas tudo dentro da lei.

Agora, a Odebrecht entregou planilhas com pagamentos milionários para a empresa de Luleco patrocinar equipes de futebol americano em um campeonato que ninguém vê. Mas as equipes dizem que recebiam R$ 20 mil por mês.

No processo sobre a compra dos caças Gripen ele levou R$ 2,5 milhões, não se sabe bem por quê. Talvez porque soubesse antes da decisão e tenha pegado carona na firma de lobistas amigos contratada pelos suecos. Lula está no mesmo processo, é bonito o amor de pai e filho.

O irmão Lulinha já foi considerado pelo pai “um Ronaldinho dos negócios”, por sua desenvoltura em fazer muito dinheiro em pouco tempo apenas com sua mente privilegiada e seu preparo profissional… Tem pai que é cego, dizia o velho bordão de Jô Soares.

Parafraseando o psicanalista Hélio Pellegrino, que esculachava uma pessoa com elegância dizendo: “É um Rimbaud… mas sem o talento” (só sobrava a parte podre rsrs), Lulinha e Luleco são Lula, mas sem a inteligência e o carisma.*

(*) Nelson Motta – O Globo

 

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