ELA NÃO TOMA JEITO

PREPOTÊNCIA DA IMBECIL

A segurança presidencial da ex-presidente Dilma Rousseff está trabalhando dobrado. Residente no bairro Tristeza, na Zona Sul de Porto Alegre, ela mantém sua rotina de andar de bicicleta pelas ruas. Mas relatam que ela não se conforma com o fato de ter de enfrentar carros, ônibus, semáforos e transeuntes. Contam que se dependesse dela, o trânsito parava, como se ainda fosse Presidente da República.*

(*) Ilimar Franco – Isto É

DURA LEX SEDE LEX NO CABELO SÓ GUMEX

Confira três decisões que demonstram a falência total da Justiça brasileira

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Quando a gente fala em juiz brasileiro, parece que está se referindo a seres de outro mundo situados acima do bem, do mal e do alcance da justiça dos homens. Os magistrados seriam entidades evoluídas que vivem uma realidade fantástica onde brota leite e mel e onde não existe pão porque todos podem comer bolos… Vejam só essas notícias estarrecedoras, publicadas nesta semana:

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DESEMBARGADOR QUE VENDIA SENTENÇAS É CONDENADO À APOSENTADORIA

O Conselho Nacional de Justiça decidiu pela aposentadoria compulsória do juiz José Dantas de Lira nesta terça-feira (dia 29). O juiz José Dantas de Lira foi condenado à aposentadoria compulsória depois de ser comprovada a participação dele em um esquema criminoso de venda de decisões judiciais. Segundo o Ministério Público do Rio Grande do Norte, os crimes possibilitavam a liberação de empréstimos consignados junto a instituições financeiras, mesmo com margens comprometidas.
http://g1.globo.com/rn/rio-grande-do-norte/noticia/juiz-envolvido-em-venda-de-sentencas-no-rn-e-condenado-a-aposentadoria.ghtml

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MINISTRO DO STF MANDA SOLTAR TRAFICANTE PRESO COM 211,5 KG DE COCAÍNA
A droga, que estava distribuída em 200 tabletes, era transportada no fundo falso de um caminhão abordado pela Polícia Militar Rodoviária, em Rosana. Decisão liminar deferida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello concedeu liberdade ao motorista/traficante de 53 anos que havia sido preso em flagrante, na cidade de Rosana (SP).”
http://g1.globo.com/sp/presidente-prudente-regiao/noticia/ministro-do-stf-manda-soltar-homem-preso-em-flagrante-com-2115-quilos-de-cocaina.ghtml

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JUIZ SOLTA HOMEM QUE EJACULOU NO PESCOÇO DE UMA MULHER NO ÔNIBUS

Homem de 27 anos foi liberado em audiência de custódia nesta quarta-feira (dia 30), depois de preso por ejacular em uma mulher dentro de um ônibus na Avenida Paulista, no Centro de São Paulo, na tarde desta terça-feira (dia 29). Ele havia passado cinco vezes pela polícia por estupro, mas em nenhuma delas foi a julgamento. Para o magistrado, o crime se encaixa no artigo 61 da lei de contravenção penal – “importunar alguém em local público de modo ofensivo ao pudor” – e é considerado de menor potencial ofensivo. O agressor ficou menos de 24 horas detido. Na decisão, embora afirme que “o ato praticado é grave”, e destaque o “histórico desse tipo de comportamento” do rapaz, o juiz diz não ver “constrangimento, tampouco violência” e, por tal razão, defende que o crime “se amolda à contravenção e não estupro”.
“Em um boletim de ocorrência de junho de 2017, em um crime anterior do homem que ejaculou em uma mulher no ônibus na Avenida Paulista, a delegada afirmou que ele “não irá parar”. O documento também diz que já foi preso duas vezes por flagrante em estupro e tem 12 boletins de ocorrência por crimes sexuais. Ao menos três são da delegacia do Metrô. Neste caso de junho, o homem de 27 anos colocou o pênis para fora da calça e ejaculou no ombro da vítima. Ele assinou um Termo Circunstanciado pela prática do crime de ato obsceno e de contravenção penal e foi liberado. A delegada afirmou que o “autor [dos crimes] possui claros e nítidos traços de debilidade, representando sério risco à sociedade, no que tange a crimes sexuais. E não irá parar, conforme mostram suas passagens na polícia”.

http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/justica-manda-soltar-homem-que-assediou-mulher-em-onibus-e-tem-5-passagens-por-estupro.ghtml

Comentário final: com um Judiciário desse naipe, o Brasil acabou! Triste fim para uma terra que tinha tudo para ser uma grande nação!*

(*) Francisco Vieira – Tribuna na Internet

CANALHA JURAMENTADO

A amnésia de Joesley tem cura: cadeia

O Brasil decente exige a imediata anulação da meia delação premiadíssima

Com uma entrevista concedida à VEJA, um depoimento ao Ministério Público Federal e a divulgação de um segundo lote do latifúndio de patifarias que protagonizou, Joesley Batista confirmou o que aqui se repete há quase três meses: em parceria com Rodrigo Janot e com a bênção de Edson Fachin, o dono da JBS inventou a meia delação premiadíssima. Sem contar tudo o que sabe, o açougueiro predileto de Lula, de Dilma Rousseff e do BNDES foi presenteado com um habeas corpus vitalício.

Como vêm ensinando há mais de três anos os condutores da Lava Jato ─ a verdadeira, baseada em Curitiba —, acordos de colaboração premiada garantem aos beneficiários a redução da pena, não a condenação à perpétua impunidade. E só merece ter reduzida a temporada na gaiola quem escancara todas as bandalheiras em que se envolveu numa única sequência de depoimentos. Não tem sido assim com o bilionário espertalhão.

Só Joesley foi autorizado a saldar a conta em prestações, num prazo de pai para filho, fixar o tamanho de cada parcela e decidir quais serão os alvos da vez. Nesta semana, ele manteve a linha inaugural: o bombardeio concentrado em Michel Temer é interrompido por disparos de balas de festim na direção dos ex-presidentes que prometeram ao país um campeão nacional da indústria e entregaram um recordista mundial de salto sobre cofres públicos.

Joesley ingressou no clube dos bilionários pendurado nos ombros de Lula e ali continuou por ter caído no colo de Dilma. Mas cabem num asterisco do calhamaço de depoimentos as revelações sobre as canalhices consumadas com a cumplicidade da dupla de comparsas. Para proteger os padrinhos da ladroagem, Joesley continua escondendo o que há de mais interessante no ainda abarrotado baú de bandalheiras.

A meia delação premiadíssima deve ser imediatamente anulada. E Joesley merece descansar na cadeia até entender que semidelatores são criminosos que simulam arrependimento para debochar da Justiça.*

(*)  Blog do Augusto Nunes

PICADO PELA MOSCA AZUL

O candidato Joaquim Barbosa

As nuvens da política estão cada vez mais mutantes, sobretudo no que diz respeito à sucessão presidencial. No início do ano, a lista dos presidenciáveis incluía, além de Lula, ao menos três tucanos: José Serra, Aécio Neves e Geraldo Alckmin.

Os dois primeiros foram deletados pela Lava Jato. E o terceiro corre o sério risco de o ser por seu próprio pupilo, o prefeito de São Paulo, João Dória, desconhecido até um ano atrás.

Ambos juram que não, mas isso, como quase todas as juras em política, significa nada. Quanto a Lula, nenhuma profecia é possível. Ele mesmo se definiu como uma metamorfose ambulante, condição acrescida hoje de seis processos e uma condenação.

Até 2018, nenhuma profecia é aconselhável ou mesmo possível. Política e profecias não combinam. Dentro desse ambiente, eis que vem a público o ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa, para, em entrevista ao jornal Valor, ontem publicada, negar sua candidatura, afirmando-a. O paradoxo é aparente.

A entrevista, que ocupa duas páginas do jornal, permite ao ex-ministro antecipar o seu ideário, que seria subscrito, sem hesitação, por um petista ortodoxo. Outro paradoxo.

O ex-ministro, afinal, foi um algoz de petistas ilustres no julgamento do Mensalão. Mas jamais negou sua afinidade ideológica, confessando-se eleitor de Lula, que o nomeou para o STF, e de Dilma, cujo impeachment não hesita em chamar de “golpe”.

Não só: inocenta Lula de todas as acusações e considera que seus ganhos milionários são lícitos, fruto de suas palestras. Sério.

Não faz nenhuma menção aos fatos expostos pelo Petrolão. Aliás, como menciona o jornal – e isso é  no mínimo intrigante -, a entrevista foi concedida sob a condição de que não abordaria três temas: Judiciário, Supremo e Lava Jato. Restou, então, o quê?

Exato: a exposição de seu ideário político e críticas de sobra aos tucanos e a Michel Temer. “Nosso país foi sequestrado por um bando de políticos inescrupulosos que reduziram nossas instituições a frangalhos. Em nenhum país do mundo um chefe de governo permaneceria um dia no cargo depois de acusações tão graves quanto aquelas que foram feitas contra Temer”.

Pode ser. Mas, acusações por acusações, Temer ainda perde de goleada para Lula, em quantidade e gravidade – e em provas documentais. E para Dilma também.

Mas Barbosa despreza esses detalhes. Não faz menção ao fato de que, independentemente dos delitos que Temer tenha cometido, não fabricou a crise em que está se afundando.

Recebeu-a de Lula e Dilma, que reinaram por 13 anos, com práticas como as que ele, Barbosa, condenou no Mensalão.

Também omite o fato de que foi Lula quem escolheu Temer e o impôs a Dilma, que sequer o conhecia. A entrevista faz supor que tudo o que aí está começou com Temer e em virtude da saída do PT do poder. Temer, no entanto, é o segundo escalão do PT, eleito pelos que, como o próprio Joaquim Barbosa, votaram em Dilma.

Os afagos a Lula, a quem sugere que se aposente e não seja mais perturbado pela Justiça, deixam claro que busca seu apoio para uma candidatura que, sem muita competência, tenta negar.

“Não sou hipócrita. Ando nas ruas, nos aeroportos e por onde vou as pessoas me abordam. Percebo que há esse potencial (de candidato), mas não incentivo, nem tomo qualquer iniciativa para alimentar isso”. Claro – a não ser entrevistas eventuais, com pauta pré-estabelecida, como essa do jornal Valor, sem falar em sua presença constante no twitter, onde tem mais de 500 mil seguidores.

Admite que tem sido abordado por alguns partidos. Cita “um emissário de Lula”, e outros do PSB, que tentaram levá-lo aos festejos de 70 anos do partido. Da festa, declinou, mas nada disse quanto ao que respondeu aos emissários de Lula. Tem sido também cortejado por Marina Silva, cogitada para companheira de chapa.

O desafio de Barbosa é conciliar suas afinidades ideológicas, em sintonia com o petismo, com a fonte de sua popularidade, que é justamente ter condenado a conduta dos petistas no poder.

Será necessária uma engenharia política digna de um Maquiavel. Os que o cumprimentam nas ruas e aeroportos imaginam estar diante do algoz do PT – e se espantarão ao saber que, inversamente, estão diante de alguém que se propõe a retomar uma trajetória interrompida pelo “golpe do impeachment”.

Se conseguir tal façanha, se revelará um gênio da política, alguém que, enfim, merecerá a Presidência da República.*

(*) Ruy Fabiano, jornalista, no blog do Ricardo Noblat

ARMAÇÕES ILIMITADAS

Piada do Ano: sem fazer delação, Mantega quer evitar prisão e bloqueio de bens

Na agitada noite desta sexta-feira, quando a internet já fervilhava com a notícia de que o procurador federal Ivan Cláudio Marx pedira a absolvição do ex-presidente Lula da Silva e do banqueiro André Esteves (ex-BTG Pactual) no processo de obstrução da Justiça na compra do silêncio de Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras, a Agência Estado divulgava a informação de que o ex-ministro Guido Mantega  propôs um acordo ao Ministério Público Federal para colaborar com as investigações da Operação Bullish, que apura favorecimento bilionário ao grupo JBS no BNDES.

Como se sabe, Mantega foi o presidente do BNDES que deu partida na série de empréstimos e participações acionárias do banco estatal no grupo JBS, uma iniciativa até então jamais vista na longa trajetória da instituição financeira.

SEM DELAÇÃO – Segundo apurou a reportagem do Estadão, não se trata de um acordo de delação premiada, mas sim de um prosaico “termo de compromisso”. A defesa do ex-ministro propôs que ele esclareça alguns fatos investigados e colabore com as investigações. Em troca, Mantega não será alvo de um pedido de prisão preventiva nem terá seus bens bloqueados.

Esse tipo de acordo judicial não “ecziste”, como diria o padre Óscar Quevedo. A defesa de Mantega inventou essa possibilidade, tipo “termo de ajustamento de conduta”, para evitar que ele tenha de pedir delação premiada, a única chance que lhe resta para evitar processo, condenação e prisão na Lava Jato.

Mantega já chegou a ter sua prisão decretada pelo juiz Sérgio Moro, em 21 de setembro de 2016, mas foi avisado antes e seu advogado armou um plano perfeito. Mantega foi de madrugada para o Hospital Sírio-Libanês e quando a Polícia Federal chegou ele disse que sua mulher estava sendo operada de câncer. O advogado entrou em contato com o juiz Moro, que se compadeceu e relaxou a prisão. Mas era tudo mentira. A doença da mulher de Mantega está sob controle, ela apenas simulou um crise de gastrite e foi submetida uma simples endoscopia. Na verdade, ela estava tão bem que o casal tinha passagem marcada para a Europa na semana seguinte.

NOVA ARMAÇÃO – Exatamente um ano depois, o advogado José Roberto Batochio (ex-presidente da OAB e ex-deputado federal pelo PDT-SP) faz nova armação em favor de Mantega, desta vez junto com o mesmo procurador Ivan Cláudio Marx, que acaba de pedir a absolvição de Lula no caso Cerveró e no ano passado tentou evitar o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

O fato concreto é que o procurador Marx aceitou a proposta de Batochio e enviou o acordo de blindagem de Mantega para a 10ª Vara Federal de Brasília, cujo titular é o juiz Vallisney de Oliveira, uma espécie de Sérgio Moro em versão brasiliense. Vai ser muito difícil fazer com que o magistrado, que nasceu às margens do Rio Solimões, embarque nessa canoa furada.*

(*) Carlos Newton – Tribuna na Internet

COBRA ENGOLINDO COBRA

“Mentir em delação seria insensato”, diz Delcídio sobre parecer do procurador

O ex-senador Delcídio do Amaral afirmou estar seguro de que a Justiça manterá em vigor o acordo de colaboração premiada que firmou com a Procuradoria-Geral da República (PGR). Nesta sexta-feira, o Ministério Público Federal (MPF) pediu à Justiça a revogação dos benefícios que lhe foram concedidos por entender que ele mentiu sobre os fatos que levaram à abertura de ação penal contra sete pessoas, entre elas o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o banqueiro André Esteves (ex-BTG Pactual).

Delcídio negou que tenha contado histórias falsas à Procuradoria-Geral da República. A colaboração foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) antes de servir de base para a ação penal movida contra Lula. “Isso é um acordo de colaboração. [Mentir] seria uma coisa insensata, porque foi algo que eu vivenciei”, disse o ex-senador.

INTERESSE PRÓPRIO – O procurador Ivan Cláudio Marx, em seu parecer pedindo a anulação da delação premiado do ex-senador do PT, afirmou que Delcídio agiu “apenas em interesse próprio” ao tentar comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. E, por isso, o procurador pediu a absolvição de Lula e Esteves da acusação de obstruir o andamento da Operação Lava Jato.

Para Delcídio, os fatos levantados por Marx já foram “discutidos à exaustão” e o juiz da 10ª Vara Federal vai confirmar a legitimidade da delação premiada.

“Estamos muitos seguros com relação à colaboração, porque ela abrange mais de 46 depoimentos, não trata só de obstrução. Nós temos provas muito seguras e todas as condições de esclarecer os pontos divergentes que o procurador levantou. Há uma segurança muito grande com relação a isso. O juiz é que vai julgar. Estamos muito tranquilos. É isso que eu posso falar”, disse.

NOVA PRISÃO – Delcídio evitou dizer se temia ser preso caso os benefícios fossem revogados pela Justiça Federal. Em nota, o MPF disse que, “se o pedido [de anulação dos benefícios de sua delação] for aceito, em caso de condenação, o ex-senador poderá ter de cumprir integralmente as penas pelos crimes de obstrução à Justiça e patrocínio infiel” e “também ficará sujeito a responder por falsa imputação de crime”. O caso será julgado pela 10ª Vara Federal, em Brasília.

“É o juiz que vai julgar. Essa é mais uma etapa do processo. Volto a repetir, temos segurança sobre tudo o que fizemos. Não discutirei hipóteses, até porque temos provas concretas e muito bem estruturadas. Os advogados estão trabalhando em cima disso. Ponto. Eu não tenho que responder mais nada”, afirmou Delcídio.*

(*) Edoardo Ghirotto – Veja

OPERAÇÃO ABAFA

Governo vai trocar o diretor da PF, mas não conseguirá abafar a Lava Jato

O ministro da Justiça, Torquato Jardim, planeja trocar o comando da Polícia Federal em breve, segundo apurou a Folha. Diretor-geral do órgão desde janeiro de 2011, Leandro Daiello já avisou o governo que quer sair e participa das conversas para encontrar um substituto. O nome que aparece mais forte no momento é o de Rogério Galloro. Número dois da PF, ele ocupa o cargo de diretor-executivo desde junho de 2013 e tem currículo mais ligado às questões administrativas.

A expectativa é que a troca ocorra até o mês de outubro. A decisão, no entanto, ainda passará pelo presidente Michel Temer.

SEM ABAFAR... – Dos dois lados, ministério e PF, a preocupação é de tentar não passar a imagem de que uma troca no comando da polícia vai ocorrer para abafar grandes operações, em especial a Lava Jato.

Outra estratégia é esperar a saída do procurador-geral, Rodrigo Janot, do cargo, em 17 de setembro. O Planalto não quer tirar Daiello ao mesmo tempo para desvincular as duas mudanças e não expor o atual diretor-geral.

Nas últimas semanas, houve esforço de Jardim e Daiello nesse sentido: estreitar as relações entre ministério e PF, falar de projetos e, ao mesmo tempo, construir uma espécie de transição.

NOMES DELICADOS – Daiello tem dito nos bastidores que avalia ter obtido uma vitória importante ao não deixar que nomes considerados delicados dentro da polícia sejam cotados para sucedê-lo.

Galloro foi superintendente em Goiás e diretor de Administração e Logística Policial (Delog), em Brasília. Desde que Jardim tomou posse, no final de maio, Galorro e Daiello já fizeram uma série de viagens com o ministro, mais frequentemente no mês de agosto, dentro e fora do país.

Na última quinta (31), o ministro convidou Daiello e Galloro para um almoço. O encontro, revelado pelo jornal “O Estado de S.Paulo”, tinha o objetivo de dar publicidade para a boa relação e afastar outros nomes que vinham sendo especulados como preferidos de Jardim, como o do delegado Fernando Segóvia, que já foi superintendente do Maranhão.

HABILIDADE -Subordinado a cinco ministros ao longo desses quase sete anos, Daiello tem como marca de sua gestão a habilidade na cadeira, tratando com governo e políticos, em meio às grandes operações. Ele é o segundo chefe da polícia mais longevo desde a redemocratização do Brasil.

Desde que entrou, Jardim deu entrevistas a respeito, mas nunca cravou a permanência de Daiello. Em um dos episódios, chegou a convocar a imprensa para uma entrevista, na tentativa de negar notícias sobre uma possível troca.

A Folha publicou naquele dia reportagem sobre uma reunião de Jardim com sindicalistas, em que ele disse que pretendia fazer mudanças no comando da polícia.

FALA RÁPIDA -Ao lado do chefe da PF, na entrevista, o ministro falou por cerca de dois minutos, se levantou e foi embora, deixando Daiello na mesa para ser interrogado por jornalistas.

A mensagem, porém, mais uma vez não ficou clara. Depois, a assessoria do ministério teve de entrar em contato com veículos de comunicação para dizer que Daiello estava garantido no cargo. Jardim tem repetido em dizer que o nome não é o mais importante para as instituições, mas sim os projetos que elas têm e podem fazer, e que a transição é natural.

Procurados, ministério e PF não comentaram o assunto.*

(*) Camila Mattoso – Folha

AMBOS TÊM RAZÃO

Joesley chama Temer de ‘ladrão’ e diz que presidente não consegue se defender

O empresário Joesley Batista, da JBS, divulgou na madrugada deste sábado (2) uma nota em que chama Michel Temer de “ladrão geral da República” e diz que o presidente não consegue se defender dos crimes que comete.

Joesley, cuja delação premiada serviu de base para que a Procuradoria-Geral da República apresentasse a primeira denúncia, por corrupção passiva, contra Temer, diz que a colaboração com a Justiça “é por lei um direito” que o presidente “tem por dever respeitar”.

“Atacar os colaboradores mostra no mínimo a incapacidade do senhor Michel Temer de oferecer defesa dos crimes que comete. Michel, que se torna ladrão geral da República, envergonha todos nós brasileiros”, diz a nota.

A declaração de Joesley é uma resposta à nota publicada na noite de sexta (1)pelo Palácio do Planalto para antecipar a defesa de Temer e desqualificar as delações do empresário e do operador Lúcio Bolonha Funaro, cujos depoimentos devem embasar a segunda denúncia contra o presidente.

Segundo o Planalto, os irmãos Batista mentiram e omitiram dados dos procuradores e, mesmo assim, “continuam tendo o perdão eterno” do procurador-geral, Rodrigo Janot.

Isso porque Joesley decidiu entregar esta semana aos investigadores novos áudios de conversas que teve com políticos para complementar seu acordo de colaboração com a Justiça.

Para o Planalto, a delação de Funaro, ainda sob sigilo, tem “inconsistências” e “incoerências” e representa uma “vontade inexorável” de Janot perseguir o presidente.

ESTRATÉGIA

A suposta cruzada pessoal do procurador-geral contra Temer e o passado de Funaro, que já foi desacreditado pelo Ministério Público Federal há um ano, serão usados na defesa do presidente, que decidiu antecipar seu retorno de uma viagem à China diante da possibilidade de a nova denúncia contra ele ser apresentada na próxima semana.

A delação de Funaro está sob sigilo e deve ser homologada nos próximos dias pelo Supremo Tribunal Federal. Em seus depoimentos, o operador afirma que recebeu R$ 400 mil da JBS para se manter em silêncio, mas ainda não está claro se Funaro atribui a ordem do pagamento a Temer, ou implica o presidente em qualquer outro crime.

Na nota, Joesley não cita nenhum dado em relação a Funaro.

Antes de fechar o acordo com os investigadores, o operador havia dito à Polícia Federal no mês passado que os pagamentos foram feitos para quitar uma dívida antiga com a JBS, visto que intermediou negócios da empresa.

A versão se chocava com a do próprio Joesley, que disse que pagava para que o operador e o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) permanecessem calados. O empresário diz ainda que relatou os repasses em conversa gravada entre ele e Temer no Palácio do Jaburu, em março.

Os procuradores também avaliaram que a primeira versão de Funaro sobre os R$ 400 mil não fazia sentido visto que sua irmã, Roberta, foi escalada para receber o dinheiro dentro de um táxi, de forma ilegal. Não seria assim se não houvesse alguma irregularidade, avaliaram os investigadores.

Temer, que nega qualquer ilegalidade, diz, via assessoria, que “se resguarda o direito de não tratar de ficções e invenções de quem quer que seja”.

Veja a íntegra da nota de Joesley:

“A colaboração premiada é por lei um direito que o senhor presidente da República tem por dever respeitar. Atacar os colaboradores mostra no mínimo a incapacidade do senhor Michel Temer de oferecer defesa dos crimes que comete. Michel, que se torna ladrão geral da República, envergonha todos nós brasileiros.” *

(*) MARINA DIAS – DE BRASÍLIA