LULA, O DONO DE UMA SEITA CRIMINOSA

O Teste do Viaduto dirá quem está bem no retrato: Lula ou Moro?

Se o juiz que prende e o réu que foge aparecerem de surpresa no centro de São Paulo, quem vencerá a prova de popularidade?

De costas para o Brasil real, um certo Instituto Ipsos acaba de divulgar uma pesquisa que manda às favas os fatos. Segundo as curvas desenhadas por sumidades da estatística, o índice que mede a desaprovação de Lula vem caindo enquanto segue subindo o que avalia o descontentamento com Moro. A colisão frontal entre a realidade e a selva de porcentagens me anima a sugerir, mais uma vez, a aplicação do Teste do Viaduto.

A fórmula é simples, barata e infalível. Num dia útil, sem aviso prévio, esquemas de segurança ou tropas de assessores, Lula e Moro apareceriam numa das extremidades do Viaduto do Chá, no coração de São Paulo. Nos minutos seguintes, misturados à multidão, o juiz que defende a lei e o réu viciado em espancá-la caminhariam em direção à outra ponta do cartão postal mais movimentado da maior metrópole brasileira. Como reagiria o mundaréu de gente inteiramente à vontade para aplaudir ou vaiar os concorrentes.

Lula já estará no lucro se não for socorrido por enfermeiros já no início da travessia e instalado numa UTI móvel encomendada pelos pesquisadores do IPSOS.*

(*) Blog do Augusto Nunes

ANÕES MORAIS

Sem poder elevar estatura, Senado rebaixa teto

Em 18 de maio, o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, suspendeu o mandato de Aécio Neves, proibindo-o de frequentar o Senado. Os colegas do senador tucano receberam a notícia com rara naturalidade. Eunício Oliveira, o presidente do Senado, gastava baldes de saliva para explicar as providências que adotara para cumprir a decisão judicial (veja no vídeo).

Decorridos quatro meses, uma trinca de ministros da Primeira Turma do Supremo ressuscitou as medidas cautelares contra Aécio, que haviam sido derrubadas por uma liminar de Marco Aurélio Mello. Adicionaram ao rol de imposições o recolhimento domiciliar noturno, previsto no Código de Processo Penal como medida cautelar ”diversa da prisão”. E os mesmos senadores que haviam lavado as mãos para o drama penal de Aécio agora querem fazer sumir o sabonete. Natural: 44 dos 81 senadores estão encrencados em inquéritos no Supremo.

Aquele Eunício reverente às deliberações da Suprema Corte desapareceu. Surgiu em cena um outro Eunício, mais próximo do personagem que a Odebrecht identificou nas suas planilhas de propinas como Índio. Rodeado de investigados com a faca entre os dentes, o pajé do Senado quer derrubar no plenário as deliberações do Supremo.

Sem querer, os ministros da Suprema Corte descobriram uma maneira de unir os partidos políticos. Ao espremer o tucano Aécio, produziram um movimento suprapartidário de autoproteção. Os senadores não enxergam corruptos no espelho. Mas não querem correr o risco de ser Aécio amanhã. Estalando de solidariedade, tramam livrar o grão-tucano de suas complicações penais. Do PMDB ao PT, todos engancharam suas bancadas no trenzinho da impunidade. Verificou-se que o grande mal do Senado é a cumplicidade não doer.

Abarrotado de investigados, o Senado se deu conta de que é uma casa de pequenas criaturas. Impossibilitados de elevar a própria estatura, os senadores decidiram rebaixar o teto. Do jeito que a coisa vai, bastará a um senador conservar-se agachado no plenário para ser considerado um sujeito de grande altivez. Os 95% de culpados e cúmplices do Senado dão aos outros 5% uma péssima reputação.*

(*) Blog do Josias de Souza

TIRO NA NUCA

Moro manda força-tarefa apresentar recibos de offshore em ação contra Lula

Decisão do juiz que dá ao Ministério Público Federal 10 dias para apresentar os documentos de contas da Odebrecht possivelmente relacionadas à compra do IL acolhe parcialmente pedido da defesa do ex-presidente


O juiz federal Sérgio Moro mandou, nesta quarta-feira, 27, o Ministério Público Federal juntar a documentação bancária das offshores ligadas ao departamento de propinas da Odebrecht que tenham suposta relação com pagamentos da empreiteira para a suposta compra do Instituto Lula. A defesa do ex-presidente havia pedido acesso ao material.

A Odebrecht teria como interposta em pagamentos para a compra e reforma do imóvel a DAG Construtora, de propriedade de Demerval Souza, amigo de Marcelo, presidente do Grupo.

Um relatório do Ministério Público Federal, com indicações do delator Fernando Migliaccio identificou pelo menos R$ 3,1 milhões dos R$ 12 milhões que teriam sido utilizados para a compra do terreno do Instituto. Parte se refere a movimentações no exterior, em contas em paraísos fiscais.

“Os elementos ora anexados, examinados no relatório de análise igualmente anexado, demonstram que parte do valor despendido com a aquisição do imóvel localizado na Rua Doutor Haberbeck Brandão, 178, foi disponibilizado pelo Grupo Odebrecht com recursos de caixa dois, por meio do Setor de Operaões Estruturadas, envolvendo, no que concerne aos pagamentos feitos no exteriors as empresas offshores Constructora Internacional Del Sur S/A e Innovation Research Engineering and Development Ltd”, escreve a Procuradora Isabel Groba Vieira.

A defesa do ex-presidente Lula solicitou acesso à íntegra dos pagamentos feitos pela Odebrecht no exterior, mas Moro permitiu apenas que dados relativos àquela ação fossem anexados ao processo.

“Deverá, portanto, o MPF promover a juntada em 10 dias dos documentos de cadastro das duas referidas contas Constructora Internacional de Sur e Innovation Research, e dos extratos e lançamentos bancários pertinentes aos fatos relativos ao objeto da presente ação penal, inclusive todas as eventuais transações com as contas beneficiárias Beluga e Jaumont referidas pela Defesa. Deverá também promover a juntada das decisões de quebra de sigilo bancário e dos documentos de cooperação de solicitação e de encaminhamento da documentação”, anotou o magistrado.

Moro afirma que ‘cabe juntar aos autos somente as transações eventualmente pertinentes ao objeto da presente ação penal, aparentemente somente as relativas aos supostos pagamentos por fora efetuados na aquisição do prédio na Rua Haberbeck Brandão’, aonde supostamente seria sediado o Instituto Lula.*
(*) Luiz Vassallo, Julia Affonso e Ricardo Brandt – Estadão

ESCROQUE JURAMENTADO

Filhos e enteados de Jucá são alvos da PF, que apura um desvio de R$ 32 milhões

A assessoria da PF informou que, na investigação, foi identificado o desvio de R$ 32 milhões dos cofres públicos por meio do superfaturamento na compra da Fazenda Recreio – propriedade localizada em Boa Vista – e na construção do empreendimento Vila Jardim, projeto financiado com recursos do programa Minha Casa Minha Vida na capital de Roraima.

CAIXA ECONÔMICA – Ainda de acordo com a Polícia Federal, há indícios de irregularidades na fiscalização e aprovação do empreendimento por parte de funcionários da Caixa Econômica Federal.

Ao todo, os policiais federais cumprem 17 mandados judiciais: 9 de busca e apreensão e 8 de condução coercitiva. As diligências ocorrem em Boa Vista, Brasília e Belo Horizonte.

Segundo a assessoria da PF, os investigadores apuram suspeitas de crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo a Fazenda Recreio.*

(*) Ana Paula Andreolla – TV Globo, Brasília

OPERAÇÃO ABAFA

PT, Temer, Marco Aurélio e Gilmar incitam o Senado a anular afastamento de Aécio

Resultado de imagem para operação abafa charges

O afastamento do senador Aécio Neves (PSDB-MG) do mandato e a obrigatoriedade de permanecer em casa à noite, determinadas pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), provocou uma união inusitada de forças em defesa do tucano. O PT, tradicional adversário do PSDB, soltou nota instigando o Senado a confrontar o Supremo, e o ministro Gilmar Mendes, que não integra a turma que afastou Aécio, disse que a decisão “não tem respaldo na Constituição”.

Aécio ainda ganhou o apoio do presidente Michel Temer, de quem é aliado no Congresso, que tratou com o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), de uma operação para manter o mandato do tucano.

PT INCITA – A nota do PT critica duramente Aécio, mas instiga o Senado a confrontar a decisão do Supremo. Não há no documento, porém, qualquer referência às investigações contra o ex-presidente Lula, já condenado na Lava-Jato, e a outros ex-ministros e senadores petistas também investigados ou condenados por corrupção. A manifestação do partido começou com o senador Jorge Viana (AC), que, em reunião da CCJ, questionou o silêncio dos presentes e defendeu que a comissão discutisse a decisão do STF. “Eu não acho adequado que a CCJ se cale como se nada tivesse acontecido” — afirmou.

A redação da nota do PT mobilizou boa parte da direção da legenda e advogados durante a quarta-feira. O ex-presidente Lula também foi consultado e deu aval para que as críticas ao STF fossem colocadas no papel. A nota volta a criticar a mídia, citando a Rede Globo. E não faz referências às confissões do ex-ministro Antonio Palocci e as acusações dele a Lula.

CRÍTICAS E AFAGOS – Com receio de que a nota desagradasse à base partidária e agravasse o desgaste da legenda, o texto faz ataques duros ao tucano, dizendo que ele tem “comportamento hipócrita, por seu falso moralismo”. “Aécio Neves é um dos maiores responsáveis pela crise política e econômica do país e pela desestabilização da democracia brasileira”, afirma o PT, acrescentando que o tucano liderou o PSDB e as forças mais reacionárias da política “numa campanha de ódio e mentiras”, que levou ao impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Mas, em seguida, o texto critica o STF. “Não existe a figura do afastamento do mandato por determinação judicial. A decisão de ontem é mais um sintoma da hipertrofia do Judiciário, que vem se estabelecendo como um Poder acima dos demais e, em alguns casos, até mesmo acima da constituição. O Senado Federal precisa repelir essa violação de sua autonomia, sob pena de fragilizar ainda mais as instituições oriundas do voto popular”, afirma a nota do partido.

O PT ainda defende que Aécio seja levado ao Conselho de Ética do Senado, “por ter desonrado o mandato”, e que responda perante à Justiça. “Mas a resposta da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal a este anseio de Justiça foi uma condenação esdrúxula, sem previsão constitucional, que não pode ser aceita por um poder soberano como é o Senado Federal”, ressalta a nota.

GILMAR ATACA – Os ministros do Supremo Marco Aurélio Mello, que foi relator e voto vencido na Primeira Turma, e Gilmar Mendes também criticaram a decisão da véspera. Para eles, recolhimento noturno equivale a prisão, e o Senado pode discutir também o afastamento do mandato. Já Gilmar Mendes integra a Segunda Turma e, por isso, não participou do julgamento.

Segundo Gilmar, o colegiado começou a “poetizar”, e o melhor seria que o caso fosse analisado pelo plenário do STF, composto por todos os ministros.

“Eu tenho a impressão de que a Primeira Turma decidiu pela prisão, o que não tem respaldo na Constituição. O Senado tem que deliberar sobre isso” — disse Gilmar, acrescentando: “Temos que evitar o populismo constitucional, institucional. Devemos nos balizar pela Constituição. Quando começamos a reescrever a Constituição, é preocupante”.*

(*) André de Souza e Sérgio Roxo – O Globo

SOB UM GOVERNO DE CORRUPTOS…

Secretaria de Estado de Educação do Rio vai manter ensino ‘não-confessional’

Em nota, a pasta informa que a oferta do ensino religioso também se manterá optativa

RIO – Após a polêmica envolvendo a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou, nesta quarta-feira, por seis votos a cinco, que as escolas públicas podem oferecer ensino religioso confessional, a Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc) se pronunciou afirmando que a rede estadual continuará com a recomendação que já era adotada: a oferta em caráter opcional para ensino médio de forma não confessional. Segundo o secretário Wagner Victer, esta é a forma que consideram ser a mais adequada e a que já era praticada.

“A Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc), informa que continuará a oferta do Ensino Religioso na Educação Básica com a recomendação de ser ‘não confessional’ e de maneira optativa em sua Matriz Curricular”, diz a nota.

O comunicado segue informando que, no Rio de Janeiro, o Decreto Nº 31.086, de 27 de março de 2002, regulamentou o Ensino Religioso de forma confessional, estendendo sua oferta para o ensino médio.

“Apesar deste Decreto, o Ensino Religioso confessional já não é mais adotado. Neste sentido, a Secretaria de Estado de Educação tem orientado as escolas da rede estadual que o Ensino Religioso faz parte do processo educativo e deve congregar valores à formação dos estudantes, incentivando o diálogo, promovendo a reflexão sobre a religiosidade de cada um e valorizando a diversidade cultural e religiosa, viabilizando na escola pública o exercício da tolerância e o respeito”.

A secretaria informa que, atualmente, cerca de 195 mil alunos optaram pela disciplina e utilizam o atual formato.

A oferta de ensino religioso confessional permite que as aulas sejam ministradas pelo representante de apenas uma determinada crença. A ação julgada pelo plenário foi movida pela Procuradoria Geral da República (PGR), que pediu a proibição do mesmo, argumentando que ministrar apenas os dogmas de uma determinada crença violava o princípio da laicidade do Estado. Em votação apertada, o pedido foi negado. A medida foi criticada por educadores, que argumentam que a medida permite que continue havendo proselitismo nas escolas.*

(*) O Globo

 

ONDE O CRIME É ORGANIZADO

No último lugar

É uma triste coincidência, e ao mesmo tempo uma explicação, que no mesmo dia em que o Brasil ficou em último lugar entre 137 países na confiança do público nos políticos, esses mesmos políticos se vejam às voltas com acusações de corrupção de todos os tipos, tendo chegado ao Palácio do Planalto formalmente a segunda denúncia contra o próprio presidente da República e seus principais assessores.

Também ontem o Senado estava em polvorosa com a decisão da primeira turma do Supremo Tribunal Federal que afastou novamente o senador Aécio Neves de suas funções e proibiu-o de sair à noite. O PT, inimigo figadal do PSDB, já anunciou que votará a favor do senador tucano se o Senado se pronunciar sobre a decisão do Supremo. E soltou uma nota que, a pretexto de preservar a Constituição, critica duramente Aécio mas defende que não seja afastado do cargo.

Da primeira vez em que o senador Aécio Neves foi punido com o afastamento de seu mandato pelo relator da Lava Jato, ministro Edson Facchin, o Senado aquietou-se diante das imagens de malas cheias de dinheiro sendo distribuídas, e a voz do senador foi ouvida por todo o país num diálogo nada civilizado com o empresário Joesley Batista.

O choque das imagens e dos diálogos calou o Senado, mas hoje todos parecem dispostos a se defender, defendendo mesmo que seja um adversário político. A discussão técnica sobre a diferença entre recolhimento domiciliar e prisão é o de menos a esta altura, pois o que está em jogo não é mais uma tecnicalidade para evitar punições dos que têm foro privilegiado, mas sim a classe política como um todo.

Mesmo na discussão técnica, a decisão da primeira turma do Supremo tem respaldo do Código de Processo Penal, que no seu artigo 319 classifica como “medidas cautelares diversas da prisão” o recolhimento domiciliar noturno e em feriados, e o afastamento de função pública quando o acusado pode fazer uso dela para prejudicar as investigações. Não houve nenhuma invenção jurídica no caso, mas a aplicação rigorosa da lei.

O que tem sido revelado nesses mais de três anos de investigação engloba todos os partidos políticos, dos mais importantes aos nanicos, e não há ninguém preocupado em acertar regras políticas de transição que deem uma pequena esperança de solução para o cidadão.

No momento, os políticos estão preocupados em armar uma reforma política que evite atingir seus interesses maiores, e todos se acertam entre si para, unidos, enfrentarem o inimigo comum, que é a Justiça.

O resultado da pesquisa do Fórum Econômico Mundial de Davos faz parte do Índice de Competitividade Global, justamente porque o combate à corrupção e a segurança jurídica quanto às decisões das autoridades políticas são itens fundamentais para medir a capacidade de competição dos países no mercado internacional.

O que as investigações da Lava Jato estão revelando é que leis são literalmente compradas dentro do Congresso, e vantagens fiscais são negociadas em medidas provisórias que valem milhões de reais, e até de dólares. A questão é tão importante para os negócios que um dos convidados do Forum de Davos em janeiro foi o então Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, que defendeu a tese de que o combate à corrupção no Brasil vai ajudar a fortalecer a economia.

O contraponto desses movimentos corporativistas que voltam a tentar conter o ímpeto das investigações é a força-tarefa de Curitiba, reconhecida internacionalmente por seu trabalho. Hoje os procuradores, representados por Deltan Dallagnol, estão no Canadá, pois seu trabalho está entre os três finalistas do prestigioso Allard Prize, que será entregue na Universidade da Colúmbia Britânica.

Há um forte trabalho de grupos de ativistas, brasileiros e internacionais, contra a entrega do prêmio aos procuradores de Curitiba, e os organizadores do prêmio estão impressionados com o movimento. Afirmam que os selecionados passam por comitês avaliadores e que o teor das mensagens, boa parte em termos agressivos, está preocupando pela radicalização política.

Anteriormente, no ano passado, a força-tarefa da Lava Jato já havia sido premiada, entre outros, pela Transparência Internacional, que a classificou como exemplo de investigação contra a corrupção estatal no Brasil.

Os últimos dias têm sido pródigos em revelar mais detalhes sobre a corrupção generalizada, e até mesmo recibos de aluguel apresentados à Justiça são suspeitos de manipulação. A carta de Antonio Palocci, ex-homem forte de Lula e Dilma, desligando-se do PT e acusando Lula de ter sucumbido ao que há de pior na política é o retrato fiel desses tempos.*

(*) Merval Pereira – O Globo

SÓ FRAUDE EXPLICA

Empresário diz que assinou recibos de Lula em um mesmo dia

Segundo Costamarques, documentos foram levados pelo advogado do ex-presidente

CURITIBA — Dono do apartamento alugado para o ex-presidente Lula em São Bernardo do Campo, o empresário Glaucos da Costamarques diz ter assinado, de uma vez só, todos os recibos de aluguel referentes ao ano de 2015. Os documentos foram assinados pelo empresário quando ele estava internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, em novembro daquele ano. A defesa de Lula apresentou, na segunda-feira, 26 comprovantes de aluguel entre agosto de 2011 e novembro de 2015. Todos com a letra de Costamarques. Segundo a defesa do empresário, os recibos foram levados ao hospital pelo contador financeiro João Muniz Leite, a pedido de Roberto Teixeira, advogado e compadre de Lula.

A defesa de Costamarques avalia ajuizar hoje uma petição na 13ª Vara da justiça Federal de Curitiba, onde despacha o juiz Sergio Moro, apresentando justamente a informação de que os recibos foram entregues pelo contador e ainda que parte dos comprovantes foi assinado um seguido do outro. Os advogados pretendem, com isso, provar que os documentos foram confeccionados pela defesa de Lula. Os recibos foram entregues por Costamarques ao contador logo após as assinaturas, ainda no Sírio-Libanês. O empresário ficou hospitalizado entre 22 e 28 de novembro para colocação de um stent.

Na petição, os advogados devem solicitar imagens do circuito interno do hospital. O objetivo é comprovar as visitas feitas a Costamarques pelo compadre de Lula e o contador.

Investigadores da Lava-Jato avaliam o episódio como uma possível tentativa de obstrução à Justiça por parte de Lula, uma vez que a defesa procurou um dos réus ainda com as investigações em curso. No início da Operação Lava-Jato, durante a sétima fase, Moro considerou obstrução à Justiça o fato de empreiteiras apresentaram recibos de pagamento a empresas de fachada do doleiro Alberto Youssef. Na ocasião, a Justiça considerou esse fato para pedir prisões de alguns empreiteiros.

Costamarques sustenta que, apesar de ter firmado o contrato com a ex-primeira-dama Marisa Letícia em 2011, só passou a receber os valores referentes ao aluguel em novembro de 2015, após a prisão do seu primo e pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula. Ainda assim, o empresário disse que alguns pagamentos foram feitos em espécie, por meio de depósitos não identificados, entre novembro de 2015 e fevereiro deste ano, quando a ex-primeira-dama Marisa Letícia morreu em decorrência de um aneurisma.

DEFESA DE LULA FALA EM ‘ESPECULAÇÕES’

Desde então, Costamarques passou a receber os pagamentos por meio de transferência eletrônica disponível (TED).

A defesa do ex-presidente Lula informou que “não comenta especulações”. Já o advogado de Teixeira, Antônio Cláudio Mariz de Oliveira — que foi responsável pela defesa do presidente Michel Temer até a semana passada —, disse que deve conversar com seu cliente hoje.

Assinatura de Glaucos Costamarques – Reprodução

Em depoimento ao juiz Sergio Moro, no último dia 13, Glaucos da Costamarques admitiu ter declarado os valores dos pagamentos à Receita Federal, apesar de, segundo ele, “não ter visto a cor do dinheiro até novembro de 2015”.

O aluguel em questão refere-se à cobertura vizinha ao apartamento onde mora Lula, em São Bernardo do Campo (SP). Nos dois mandatos do petista, a Presidência da República alugou o imóvel para garantir a segurança do então presidente. Quando ele deixou o cargo, em 2011, continuou a ocupar o imóvel. A Lava-Jato revelou que, no fim de 2010, o apartamento foi comprado por Costamarques. Para a Lava-Jato, o empresário é intermediário de uma negociação suspeita.

O apartamento teria sido comprado pela Odebrecht e entregue ao ex-presidente Lula como forma de pagar propina pelos benefícios obtidos pela empreiteira no governo federal.

Em interrogatório ao juiz Sergio Moro no processo que apura o uso do apartamento, no último dia 13, Lula disse desconhecer a inadimplência nos pagamentos após ser questionado pelo juiz e prometeu procurar os recibos. Na ocasião, o ex-presidente disse que procuraria pelos recibos para entregá-los à Justiça.

— Tem recibo, deve ter, posso procurar com os contadores para saber se tem — disse o ex-presidente a Sergio Moro.

No mesmo dia, também em depoimento a Moro, Costamarques disse que “levou calote” durante quase cinco anos da família Lula, mas que teria passado a receber os valores devidos apenas depois da prisão de Bumlai, justamente em novembro de 2015.

Também ao juiz, o empresário afirmou que o imóvel passou a ser alugado pela Presidência quando Lula chegou ao Planalto. Costamarques disse na audiência que Bumlai o orientou a comprar o apartamento, em 2010. Em suas palavras, seu primo teria ficado preocupado com quem seria o vizinho de Lula, uma vez que o imóvel ficou vago naquele ano após a morte do então proprietário:

— O Zé Carlos (Bumlai) me falou na ocasião: “Você pode comprar esse apartamento para mim? Eu estou sem dinheiro agora e nós não queremos que alguém estranho compre o apartamento e se mude para lá. Esse apartamento tem que continuar alugado (agora pelo presidente)”.

NOTA PARA EMPRESA DE LULA

Durante busca e apreensão na casa do ex-presidente Lula, a PF apreendeu uma certidão da Junta Comercial de São Paulo da empresa L.I.L.S Palestras, Eventos e Publicações, que tem Lula e Paulo Okamotto como sócios.

A certidão foi emitida em abril de 2012 por João Muniz Leite, segundo identificação de solicitante registrada ao lado do código de autenticidade do documento. O registro do nome de Leite no papel é um indicativo de que ele prestava serviços para o ex-presidente.

João Leite também é o contador da empresa Mito Participações Ltda, do advogado e compadre de Lula Roberto Teixeira. Além disso, ele já foi responsável pela abertura de uma empresa do empresário Fernando Bittar, um dos donos do sítio de Atibaia (SP) atribuído ao ex-presidente Lula e alvo de denúncia na Operação Lava-Jato.*

(*) GUSTAVO SCHMITT, ENVIADO ESPECIAL – O GLOBO

 

DR. JEKYLL AND MR. HYDE

O chefão se transformou no câncer que vai matar a criatura

A carta de Palocci é uma radiografia produzida por um médico que acompanhou o avanço da metástase alojado no interior do organismo apodrecido

Na carta em que formalizou sua ruptura com o PT, Antonio Palocci escancarou em dois parágrafos o tumor que precipitou a agonia do partido:

“Até quando vamos fingir acreditar na autoproclamação do homem mais honesto do país, enquanto os presentes, os sítios, os apartamentos e até o prédio do Instituto (!!) são atribuídos a Dona Marisa?”

“Afinal, somos um partido político sob a liderança de pessoas de carne e osso ou somos uma seita guiada por uma pretensa divindade?”

Em sua essência, a carta que abreviou a cerimônia do adeus não contém nenhuma revelação assombrosa. Quem vê as coisas como as coisas são sabe há muito tempo que a sigla que nasceu como partido político se converteu em organização criminosa logo depois da chegada do PT ao poder. Há pelo menos três anos virou uma seita fora da lei que tem em Lula seu único Deus.

O que faz da carta uma extrema-unção epistolar é o signatário. Com a segurança de quem ostentou a patente de general do começo ao fim da Era da Canalhice, com a precisão de quem acompanhou a aproximação da metástase alojado no interior do organismo apodrecido, o médico Palocci prouziu uma radiografia devastadora.

Quem a contempla constata que o criador do PT é hoje o câncer que vai matar a criatura.*

(*) Blog do Augusto Nunes