PIOR QUE ESTÁ NÃO FICA, É?

Pesquisa mostra Temer com a pior aprovação da série histórica

Presidente da República obteve 75,6% de avaliação negativa, a mais alta registrada entre os ocupantes do Palácio do Planalto desde 1998 pela CNT


BRASÍLIA – O presidente Michel Temer (PMDB) registrou a pior aprovação pessoal e de governo da série histórica da pesquisa CNT/MDA, divulgada nesta terça-feira, 19, pela Confederação Nacional do Transporte (CNT).

Do ponto de vista de avaliação de governo, a série histórica da pesquisa começou a ser registrada pela CNT em julho de 1998, durante o segundo mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. De lá para cá, Temer é o presidente da República com a pior avaliação.

Segundo os dados do levantamento, a avaliação negativa do peemedebista alcançou 75,6% neste mês de setembro. Até então, o pior desempenho era da ex-presidente Dilma Rousseff, que teve índice de 70,9% em julho de 2015.*

(*) Igor Gadelha e Renan Truffi, O Estado de S.Paulo

MACACO, OLHA O TEU RABO!

O furacão sem nome que devasta o Rio de Janeiro

“Artistas e intelectuais” nascidos no Rio ou cariocas naturalizados não tem tempo a perder com a cidade sem lei

Rio de Janeiro - Forças Armadas e Polícias Civil

Graças ao caudaloso noticiário sobre tragédias ocorridas em outras paragens do planeta — provocadas por fenômenos naturais ou seres tecnicamente humanos —, milhões de brasileiros chamam pelo nome os furacões Irma, Kátia e José, sabem que vem aí o Maria, medem pela escala Richter a força do terremoto no México, atualizam a contagem dos mortos em outro atentado terrorista em Londres e acompanham em tempo real a marcha da insensatez na Coreia do Norte desgovernada por um maluco atômico.

Concentrados nas turbulências internacionais, e também de olho no cortejo de infâmias descobertas pela Lava Jato, esse mundaréu de leitores, espectadores e ouvintes parecem sem tempo para horrorizar-se com tragédias em curso logo ali. No Rio de Janeiro, por exemplo. Entre tantas outras abjeções, bandalheiras, safadezas e patifarias, a quadrilha liderada por Sérgio Cabral — que agiu o tempo todo com as bênçãos e o patrocínio dos presidentes Lula e Dilma Rousseff — incluiu em seu legado maldito um Rio reduzido a zona de exclusão.

O Estado brasileiro deixou de existir nos territórios conflagrados, reafirmaram as trocas de chumbo do fim de semana. Neste fim de semana, por exemplo, a intensificação da guerra pelo controle do tráfico de drogas na Rocinha produziu centenas de cenas que poderiam ser inseridas sem retoques num documentário sobre a Síria. Os tiroteios foram mais apavorantes que os registrados há sete dias. Serão menos inverossímeis que os da semana que vem.

Que fim levaram as Unidades de Polícia Pacificadora, as festejadas UPPs, a invenção genial do governador canalha? O que restou das modernidades inauguradas com foguetório e discurseira pelo presidente megalomaníaco e pela sucessora afundada na mitomania? Cadê as tropas do Exército que ali pousaram há pouco mais de um mês, prontas para resgatar  os incontáveis quilômetros quadrados amputados a bala do mapa do Brasil?

O Rio agoniza sob o olhar distraído do restante do Brasil e sob a cínica indiferença de boa parte da gente que mora lá. Sobretudo dos “artistas e intelectuais” nativos ou cariocas naturalizados. Esses, como se sabe, estão ocupados demais com a preservação da Amazônia para perder tempo com uma cidade sem lei.*

(*) Blog do Augusto Nunes

CRIMINOSO É QUEM REVELA OS CRIMES DO PT

Na memória do Instituto Lula, Palocci é fabuloso

O diretório do PT de Ribeirão Preto abrirá nesta segunda-feira um processo que levará à expulsão de Antonio Palocci do partido. Tratado como filiado tóxico desde que soltou sua língua presa em depoimento a Sergio Moro, o personagem sobrevive na memória do Instituto Lula como um petista de mostruário. Entre os guardados da entidade há, por exemplo, uma entrevista de Lula a um jornal da cidade natal de Palocci. Coisa de fevereiro de 2014.

Lero vai, lero vem o repórter pergunta a Lula: “Depois de Palocci, Ribeirão Preto não teve outra liderança petista forte. Existe alguma estratégia do partido para mudar este quadro?” Lula respondeu: “O PT de Ribeirão Preto tem quadros políticos importantes, agora querer que nasça um Palocci a cada ano é impossível. Porque pessoas da competência política do Palocci não surgem a cada dia, a cada ano. Demora muito tempo para nascer.” (veja reprodução abaixo)

Fica entendido que, no Partido dos Trabalhadores, o critério que define o que merece a exaltação ou a execração não é o crime, mas a capacidade do criminoso de não delatar os seus cúmplices.

O artigo 231 do estatuto do partido prevê a expulsão dos filiados que incorrerem em “inobservância grave da ética”. Ou que praticarem “improbidade no exercício de mandato parlamentar ou executivo, bem como no de órgão partidário ou função administrativa”. Ou que sofrerem ”condenação por crime infamante ou por práticas administrativas ilícitas, com sentença transitada em julgado.”

Dirigentes condenados e presos no mensalão jamais foram submetidos ao conselho de ética do PT. Reicindentes do petrolão, como José Dirceu, são cultuados pelos devotos petistas como “guerreiros do povo brasileiro”. Palocci vai à fogueira por ter desonrado a omertà. Quebrou o código de silêncio sobre os crimes da famiglia.Pior: levou à bandeja da Lava Jato o poderoso chefão. Imperdoável!*

(*) Blog do Josias de Souza

MILICO TEM QUE FICAR DE BICO FECHADO

General admite intervenção militar para resolver crise política. Deve ser punido

Secretário de economia e finanças do Exército, o general Antonio Hamilton Mourão mandou às favas a lei e os regulamentos de sua Arma ao admitir na última sexta-feira, em palestra promovida pela maçonaria em Brasília, que “uma intervenção militar” poderá acontecer se o Judiciário “não solucionar o problema político”.

Fardado e à vontade, Mourão disse que poderá chegar um momento em que os militares terão que “impor isso” [ação militar] e que essa “imposição não será fácil”. Segundo ele, seus “companheiros” do Alto Comando do Exército avaliam que ainda não é o momento, mas que ela poderá ocorrer após “aproximações sucessivas”.

Militar na ativa, como é o caso de Mourão, não pode falar de assuntos políticos em público. É o que diz a lei. Quem fala em nome das Forças Armadas é o ministro da Defesa. Cada Arma tem seu comandante que fala por ela. O Poder Militar é subordinado ao Poder Civil. O presidente da República é o comandante das Forças Armadas.

Mourão é reincidente. Em outubro de 2015, foi exonerado do Comando Militar do Sul, em Porto Alegre, pelo atual comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, e transferido para Brasília. Havia feito críticas ao governo da então presidente da República. Perdeu o comando sobre tropas e ganhou o comando de uma mesa.

Não aprendeu nada com a punição. Na palestra para seus irmãos maçons, Mourão definiu-se orgulhoso como “eterno integrante da [comunidade de] inteligência”. Tal comunidade, que se estruturou depois do golpe militar de 1964, forneceu torturadores e assassinos que atuaram em defesa do regime durante seus 21 anos.

Para Mourão, a sociedade brasileira carece de coesão cívica. “Ela mal e porcamente se robustece para torcer pela Seleção ou então sai brigando entre si em qualquer jogo”, observou. Se o Judiciário for incapaz de retirar da vida pública “esses elementos envolvidos em ilícitos”, os militares se encarregarão da tarefa, ele disse.

Espera-se uma nova punição para Mourão. Se não vier, estará aberta a porteira à passagem outra vez da anarquia militar. Isso não será bom para o país, muito menos para os militares.*

(*)  Blog do Ricardo Noblat

ALPINISTA SOCIAL

Do zero ao milhão, a trajetória de Ricardo Saud na política e nos negócios

Bem apessoado, de boa fala e bajulador, Ricardo Saud, hoje com 55 anos, tinha facilidade na hora de se enturmar com os poderosos do Triângulo Mineiro. Com a ajuda do sogro, dono de hospitais e clínicas privadas na cidade, o empresário conseguiu o título de cônsul do Paraguai em Uberaba. A história é inusitada: o sogro de Saud, João Gilberto Rodrigues da Cunha, era, além de médico, empresário no ramo agropecuário. O sucesso no setor lhe rendeu amizade valorosa com o então ditador do Paraguai, Alfredo Stroessner, entusiasta de zebus e proprietário de terras na região. Daí para o título de cônsul para o genro foi um pulo.

BOM DE PAPO – “Ele sempre teve essa facilidade de dizer o que a outra pessoa quer ouvir. Rendia um papo bom, você se tornava amigo rápido. Para agradar, era impecável”, conta um político uberabense que, hoje, se declara ex-aliado de Saud. “Quando era cônsul, fazia promessas absurdas a todos. Que ia trazer produtos baratos, ia arranjar emprego no Paraguai para familiares da pessoa. Ele sempre foi assim”, completa.

Não demorou para, dali, iniciar ele próprio uma carreira na política. Começou com um convite do ex-prefeito de Uberaba Wagner do Nascimento. Atuando no gabinete como assessor de Nascimento, Ricardo Saud auxiliava no relacionamento do Executivo com a Câmara Municipal e empresários da região.

Entre um contato e outro, se tornou íntimo de Marcelo Palmério, dono de empresas de mineração e reflorestamento, além de reitor da Universidade de Uberaba (Uniube). “Aos poucos ele se tornou o homem de confiança do Palmério, que na época já era uma liderança forte por ser rico e sempre financiar políticos. Então, o ‘Ricardinho’, como o chamávamos, cresceu como nunca, com a influência do Palmério”, conta um parlamentar oriundo do Triângulo. “Uberaba é terra de donos”, conclui o político.

GANHANDO PODER – Nomeado diretor da Uniube, Saud passou a ser mais poderoso do que nunca. Por indicação de Palmério, foi levado por Raul Belém para atuar no governo estadual de Itamar Franco. Seus inimigos o acusam de ter falsificado um diploma de graduação para assumir o cargo. Saud se formou no ensino superior apenas em 2007, quando concluiu um curso de administração agrária na Uniube.

Segundo Henrique Hargreaves, ex-braço direito de Itamar, quando Saud foi chefe de gabinete de Belém, não era exigido nenhum tipo de graduação para o cargo. “O chefe de gabinete era indicado pelo secretário e o salário era por cargo. Todos que exerciam esse papel recebiam o mesmo salário”, explica Hargreaves.

Depois do governo Itamar, Saud retornou, em 2001, à Uberaba para chefiar e coordenar a campanha de Anderson Adauto à prefeitura. Vitorioso nas urnas, Saud se tornou secretário de Desenvolvimento Econômico. O cargo lhe propiciava o que fazia de melhor: se relacionar com empresários e políticos poderosos.

ENTRA NA POLÍTICA – Aos poucos, Saud se construía politicamente. Controlando vereadores e indicando doações eleitorais, acabou colocado como presidente do PP municipal de Uberaba. O poder político lhe subiu tão alto que, em 2008, às vésperas da eleição municipal, rompeu com o antigo aliado Anderson Adauto. “Ele queria ter mais participação na prefeitura, inclusive tentou ensaiar uma candidatura própria, mas logo foi descartado. Ele sempre se mostrou ambicioso”, conta um político da região.

Após o rompimento, Saud se aliou e coordenou a campanha do tucano Fahim Sawan. Perdeu para o ex-chefe Adauto no primeiro turno. Mas, das relações feitas na secretaria municipal, surgiu nova oportunidade no mundo privado: uma sociedade no agronegócio com a empresa Ourofino, especializada em fertilizantes.

BANCADA RURALISTA – Com ligações importantes no ramo, não demorou para Saud voltar a se destacar. Mantinha boa relação com a bancada ruralista do Congresso e, em especial, com o então presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Wagner Rossi.

A vitória de Dilma Rousseff (PT) à Presidência da República em 2010 foi a turbinada final na carreira do “bon vivant” uberabense. Com Wagner Rossi nomeado ministro da Agricultura, Saud foi alçado aos posto de um dos mais próximos assessores do chefe da pasta. Influente e recheado de contatos, se tornou o alvo número um de lobistas do setor agropecuário.

Nestas investidas, ainda durante a campanha de Dilma, conheceu o empresário Joesley Batista, dono do grupo J&F e um dos “campeões nacionais” do governo petista. Saud, logo após a vitória do PT nas urnas, foi convidado a integrar a J&F para, mais uma vez, fazer o que sabe: se relacionar e convencer.

SEMPRE NA POLÍTICA – Em 2012, após costurar aliança junto ao atual vice-governador Antônio Andrade (PMDB), Saud retornou a Uberaba para participar da coordenação de campanha de Paulo Piau (PMDB), vitorioso nas urnas e atual prefeito.

Piau e Saud, no entanto, romperam no ano passado. O motivo da separação política foi um suposto atraso em repasses da administração municipal a aliados de Saud. Apesar disso, Piau manteve indicados por Saud em seu secretariado. Piau foi procurado pela reportagem na sexta-feira. Ele não atendeu as ligações para seu celular nem foi encontrado na prefeitura.

ENFIM, É PRESO – Ricardo Saud foi preso pela primeira vez no dia 18 de maio deste ano, durante deflagração da operação Patmos, da Polícia Federal. Ele foi flagrado pela corporação se encontrando com assessores políticos para entregar repasses de propina do grupo J&F.

Depois de um mês preso, foi enviado à prisão domiciliar até a semana retrasada, quando novas gravações envolvendo ele e Joesley Batista, proprietário da J&F, foram entregues à Procuradoria Geral da República (PGR).

Atualmente, está preso por determinação do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), na Penitenciária da Papuda, em Brasília. Ele é suspeito, junto a Joesley Batista, de ter mentido e omitido informações no acordo de delação premiada firmado por ambos com a PGR, que já pediu a rescisão do compromisso.*

(*) Lucas Ragazzi – O Tempo

FILHO CANALHA NÃO TEM PAI

PT agora esquece que o “quadrilhão” do PT atuava sob as suas barbas

O procurador Rodrigo Janot fez um breve histórico da aliança. Ela começa em 2006, quando o petismo teve que recompor sua base no Congresso depois da crise do mensalão.

ADESÃO TOTAL – O PMDB do Senado, comandado por Renan e Sarney, já era lulista desde criancinha. Faltava a ala da Câmara, que esperou o presidente se reeleger para negociar a adesão.

Os jornais da época registraram a euforia de Temer e seus amigos denunciados pela Lava Jato. “União assim, só para apoiar o Tancredo contra a ditadura militar”, celebrou o então deputado Henrique Eduardo Alves, hoje preso em Natal.

O primeiro fruto da aliança foi a nomeação de Geddel Vieira Lima, hoje na Papuda, como ministro da Integração Nacional. Ele impôs um pedágio de 3% nas obras da pasta, segundo as investigações. Parte do propinoduto ficou documentada no sistema Drousys, da Odebrecht.

E FOI CRESCENDO… – No segundo governo Lula, o “quadrilhão” ainda ocuparia a diretoria internacional da Petrobras, a presidência de Furnas e a vice-presidência de Loterias da Caixa, na qual se revezaram Moreira Franco e Geddel.

Com Dilma, Temer virou vice-presidente e passou a indicar os ministros da Agricultura e da Aviação Civil. A denúncia descreve a atuação de Moreira na concessão de aeroportos como “um verdadeiro escambo com a coisa pública”. Só a Odebrecht teria repassado ao menos R$ 11 milhões em propinas. As planilhas da empresa registram a entrega de dinheiro nos escritórios de Eliseu Padilha e José Yunes.

Na sexta-feira, o PT afirmou que Temer chefia um governo “corrupto e ilegítimo, que deve ser afastado o quanto antes”. Tudo bem, mas faltou explicar por que a turma faturou tanto sob as barbas do partido>8

(*) Bernardo Mello Franco – Folha de São Paulo

TRAPACEIRO JURAMENTADO

 Sobre abuso de autoridade, Temer alega que ouviu dizer algo que ninguém disse

Mero jogo de palavras e sem a menor seriedade jurídica esta passagem da fala de Temer na solenidade de posse de Raquel Dodge como Procuradora-Geral da República. E Temer tornou a dizer o que já tinha dito num pronunciamento semana passada: “…ouvi dizer que a autoridade suprema não está nas autoridades constituídas, mas na lei. Toda vez que há um ultrapasse dos limites da Constituição Federal ou da lei, verifica-se um abuso de autoridade. Porque a lei é a maior autoridade do nosso sistema”.

É tanta bobagem junta que Temer nem revelou quem disse isso a ele. Quando Temer soltou esse “ouvi dizer” é justamente para ele se esquivar, sair pela tangente e não assumir a autoria dessa asneira jurídica que ele nunca ouviu alguém dizer. Temer inventa. E inventa mal, sem criatividade. Temer é embromador, falso, mentiroso. E cínico. Não cumpre o que promete.

QUEM ACREDITA? – Meses atrás, Temer disse que ministro investigado ou indiciado em inquérito policial continuaria ministro. Só seria afastado se o ministro fosse denunciado. Moreira Franco e Eliseu Padilha estão agora denunciados junto ao Supremo Tribunal Federal e continuam ministros! Quem pode acreditar num presidente da República que mente e não cumpre o que garantiu ao povo? Temer tem tudo a ver com Trump. São cinco letras que formam dois nomes de mesmo peso e medida.

Mas voltemos à questão da autoridade, que o mordomo-ventríloquo disse que ouviu dizer ser a Constituição Federal e a lei as únicas e exclusivas. Cuidado, candidatos a concursos públicos que exigem mínimos conhecimentos jurídicos. Se cair na prova pergunta sobre definição de autoridade, não escrevam o que Temer disse que ouviu dizer, porque vão tomar zero.

A Constituição Federal e a lei é que são as fontes criadoras e instituidoras da autoridade. Enquanto a autoridade é “persona”, isto é, pessoa de carne e osso, pessoa humana, portanto. Já a Constituição e a lei são abstratas, não têm forma, não são sujeitos de Direito. Elas, a Constituição Federal e a lei, não abusam de si próprias. Elas não são alvo de investigações, inquéritos, processos e julgamentos.

AUTORIDADES CONSTITUÍDAS – Somente aqueles que de poderes estão investidos é que são autoridades, também pleonasticamente chamadas de autoridades constituídas, porque se constituídas não estejam, autoridades não são. E isso é óbvio.

E na ordem jurídica nacional somente existem duas autoridades, que são o delegado de polícia (autoridade judiciária) e os magistrados (autoridades judiciais). Não existe uma terceira classe ou categoria de autoridade. Os delitos de desacato à autoridade podem ocorrer quando não se acata uma ordem da autoridade ou de seus agentes. Porém, a ordem precisa ser rigorosamente legal, sob pena da não configuração do delito. E dada por quem detém o poder da autoridade, que pode ser legada a seus agentes, como acontece com os policiais civis e militares quando em ação oficial.

ABUSO DE AUTORIDADE – Tanto acontece igualmente no que diz respeito ao abuso de autoridade. É preciso, primeiro, que a autoridade esteja encarnada, isto é, investida no cargo e no exercício da função. Depois, exige-se que a autoridade exorbite do poder que a legislação lhe outorga. Mas o sujeito da exorbitância será sempre e sempre a pessoa humana e nunca a Constituição e a lei, como Temer disse que ouviu dizer, mas não revelou quem teria dito. Não revelou porque ninguém — nem o jurista Tomás Turbando, fonte citada pelo advogado José Eduardo Cardozo na defesa de Dilma no processo de impeachment — iria dizer tamanha tolice a Temer. Por favor, não escrevam o que Temer diz. Nem aprendam com ele coisa alguma. Nem repitam nada que sai da boa de Temer. Nele e dele tudo é errado. E mentiroso. Temer é uma pessoa desmoralizada, sem pudor e cara de pau.*

(*) Jorge Béja – Tribuna na Internet

OS PICARETAS NÃO TÊM LIMITES, NÉ?

Juiz federal do DF libera tratamento de homossexualidade como doença

Ação popular questionava resolução do Conselho Federal de Psicologia que proibia tratamentos de reorientação sexual. Desde 1990, OMS deixou de considerar homossexualidade doença.


A Justiça Federal do Distrito Federal liberou psicólogos a tratarem gays e lésbicas como doentes, podendo fazer terapias de “reversão sexual”, sem sofrerem qualquer tipo de censura por parte dos conselhos de classe. A decisão, do juiz Waldemar Cláudio de Carvalho, é liminar e acata parcialmente o pedido de uma ação popular. Esse tipo de tratamento é proibido desde 1999 por uma resolução do Conselho Federal de Psicologia. O órgão disse que vai recorrer.
A ação popular foi assinada por um grupo de psicólogos defensores das terapias de reversão sexual. A decisão é de sexta-feira (15). Nela, Carvalho mantém a integralidade da resolução, mas determina que o conselho não proíba os profissionais de fazerem atendimento de reorientação sexual. Além disso, diz que os atendimentos têm caráter reservado.
Na resolução 01/1999, o conselho estabelece as normas de condutas dos psicólogos no tratamento de questões envolvendo orientação sexual. De acordo com a organização, ela trouxe impactos positivos no enfrentamento a preconceitos e proteção de direitos da população homossexual no país, “que apresenta altos índices de violência e mortes por LGBTfobia”.
Para o Conselho Federal de Psicologia, terapias de reversão sexual representam “uma violação dos direitos humanos e não têm qualquer embasamento científico”. Desde 1990, a homossexualidade deixou de ser considerada doença pela Organização Mundial da Saúde.
Ainda de acordo com o conselho, a resolução não cerceia a liberdade dos profissionais nem de pesquisas na área de sexualidade. O juiz mantém a resolução, mas determina que o Conselho Federal de Psicologia não impeça os psicólogos de promoverem estudos ou atendimento profissional, de forma reservada, e veta qualquer possibilidade de censura ou necessidade de licença prévia.
“O que está em jogo é o enfraquecimento da Resolução 01/99 pela disputa de sua interpretação, já que até agora outras tentativas de sustar a norma, inclusive por meio de lei federal, não obtiveram sucesso”, afirma o conselho.

“O Judiciário se equivoca, neste caso, ao desconsiderar a diretriz ética que embasa a resolução, que é reconhecer como legítimas as orientações sexuais não heteronormativas, sem as criminalizar ou patologizar. A decisão do juiz, valendo-se dos manuais psiquiátricos, reintroduz a perspectiva patologizante, ferindo o cerne da Resolução 01/99.”

Poema-sentença
O mesmo juiz decidiu, no ano passado, abandonar as formalidades e usou a poesia para afastar a multa aplicada pelo Ibama a uma moradora de Brasília por manter uma arara-canindé em cativeiro sem autorização ambiental. Nos 77 versos, o magistrado descreve a história do processo, fundamenta a decisão, extingue a cobrança e ainda dá um “puxão de orelha” na Justiça.
Segundo a decisão, Elisabete Ramos dos Santos deveria pagar R$ 5 mil. Em depoimento, a acusada informou à Justiça que o pássaro pertencia ao irmão desde 1993 e foi herdado por ela após a morte do familiar.
Na sentença, o juiz da 14ª Vara Federal Waldemar Cláudio de Carvalho diz que a idosa tentou entregar a ave ao Zoológico de Brasília, após ouvir reclamações de vizinhos, mas não teve sucesso. A arara foi entregue à polícia. Meses depois, Elisabete recebeu a multa e recorreu à Justiça para anular a cobrança.
“Quanto recurso despendido: / salário, tempo, papel e atos demandados, / para movimentar o Judiciário / com mais essa demanda desnecessária”, diz um trecho da sentença. Carvalho diz que a ave vivia solta na varanda e, por isso, não estava propriamente “em cativeiro”.
Com a decisão, a multa foi extinta e o processo foi enviado para arquivamento.*

(*) Raquel Morais, G1 DF

PARTIDECO DE ALUGUEL

Redução das chances de Lula ser candidato faz PC do B discutir candidatura própria para 2018

O sol e a peneira No reflexo mais explícito do estrago que a ofensiva judicial fez às pretensões do ex-presidente Lula, o PC do B, parceiro histórico do PT em eleições nacionais, decidiu iniciar consulta aos seus dirigentes para buscar uma alternativa para 2018. A decisão foi tomada após uma série de reuniões ao longo da última semana. O depoimento de Antonio Palocci ao juiz Sergio Moro alastrou a sensação de que o petista não conseguirá ser candidato. E a sigla quer ter o próprio plano B até novembro.*

(*) Painel – Folha de São Paulo