COM O DINDIM DO POVO

Cinemateca para prisão de Cabral vai custar R$ 23 mil

Sala na Penitenciária de Benfica, no Rio, será equipada com uma TV de LED smart de 65 polegadas com wi-fi


A cinemateca equipada com home theater que será instalada na prisão onde o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) está preso custará ao menos R$ 23 mil. A sala com uma TV de LED smart de 65 polegadas com wifi, um Blu-ray Player 3D, um aparelho de som Receiver 51 e mais 160 CD’s, ficará pronta para uso nos próximos dias. A TV custa de R$ 9 mil a R$14 mil, o Blu-Ray de R$ 10,6 mil a R$12 mil, e o aparelho de som cerca de R$ 3 mil. Inicialmente, a informação oficial era a de que os equipamentos seriam doados, mas as igrejas apontadas como doadoras, procuradas, não confirmaram a sua participação.

A Secretaria de Administração Penitenciária do Rio havia informado que os aparelhos foram doados pela Igreja Batista do Méier e pela Comunidade Cristã Novo Dia. O órgão divulgou um documento que trata da doação dos itens assinados pelos pastores Carlos Alberto de Assis Cerejo e Cesar Dias de Carvalho e pela missionária Clotilde de Moraes.

O presidente da Igreja Batista do Méier, João Reinaldo Purin Junior, negou a ação. A igreja publicou uma nota em seu site na qual o líder religioso afirma que “não autorizou qualquer doação de equipamentos eletrônicos a qualquer complexo penitenciário”. Diz ainda que “está adotando medidas para apurar e disciplinar quaisquer membros envolvidos no episódio ocorrido, que não agiram em nome da igreja”.

“A Igreja tem por hábito rejeitar quaisquer ofertas, doações e legados, quando estes tenham origem, natureza ou finalidade que colidam com os princípios éticos e cristões exarados na Bíblia sagrada”, diz a nota assinada pelo pastor. Ele não retornou pedido de entrevista do Estado. Já Comunidade Cristã Novo Dia informou para a reportagem que a princípio desconhece a informação da doação, mas que irá apurar.

O controle da sala instalada no presídio, conhecido como VIP, será feito por outro preso da Lava Jato, o ex-secretário de Governo de Cabral, Wilson Carlos Carvalho, condenado a 45 anos de prisão por corrupção. Ele reduzirá em um dia a sua pena a cada três dias que passar no local cuidando dos DVDs e do tempo que cada preso ficará assistindo aos filmes.

Já o acesso dos internos a essa videoteca será definido pelo diretor da prisão. Ele que estabelecerá dias e horários de cada galeria para usufruir do benefício.

De acordo com a nota da Secretaria de Administração Penitenciária enviada ao Estado, “a instalação de videotecas nas unidades prisionais estão dentro das previsões da Lei de Execuções Penais que cita a ressocialização dos internos”.

“Cabe ressaltar que na Cadeia Pública José Frederico Marques (presídio de Benfica), tal videoteca está sendo instalada e funcionará nos mesmos moldes das outras unidades, com doação total dos equipamentos feitos pela referida igreja”. “Esclarecemos que também há videotecas em unidades prisionais como Pedrolino Werling de Oliveira, Instituto Penal Benjamim de Moraes Filho, Penitenciária Moniz Sodré e Unidade Materno Infantil, todas atendidas com equipamentos doados”, informou a nota.*

A Seap informou ainda que “o interno Wilson Carlos Cordeiro da Silva Carvalho foi classificado para trabalhar na referida videoteca, também dentro das previsões da Lei de Execuções Penais”. “Nesse caso, o interno que trabalha tem direito a remissão de pena. A cada três dias trabalhados ele tem um dia a menos na sua pena”, afirmou. Acrescentou que “o acesso dos internos não será todos os dias”, informou.*

(*) Constança Rezende/RIO/Estadão

A MULHER SAPIENS

Tico e Teco seguem de mal

Dilma tonteia plateias mundo afora mesmo quando tem tempo para ensaiar o improviso – como diria Odorico Paraguaçu – preparado pelos assessores

Acostumada a atropelar o léxico, driblar a sintaxe e trucidar a lógica em sua discurseira sem sentido, a ex-presidente Dilma Rousseff tonteia plateias mundo afora mesmo quando tem tempo para ensaiar o improviso – como diria o inesquecível Odorico Paraguaçu – preparado pelos assessores. O raciocínio torto, os lapsos de memória e a doideira do palavrório se estendem às redes sociais. Na internet, ao contrário do que ocorre nos palanques e nas entrevistas, não é preciso falar ao vivo – com ou sem teleprompter . Há tempo para pensar antes de postar. Isso se o Tico e o Teco não vivessem em permanente conflito.

No domingo, Dilma tuitou o seguinte: “Só uma pessoa com a experiência de Lula pode fazer as três coisas mais necessárias no Brasil hoje:” E parou por aí. Só completou o raciocínio quase 24 horas depois, conforme registrou a coluna Radar. Um recorde histórico, mesmo para os padrões dilmistas. A ex-presidente listou então as três coisas, que eram quatro: “1. Reforçar conquistas que nós tivemos; 2. Voltar atrás os (sic) retrocessos; 3. Restaurar direitos que foram roubados; 4. Fazer nosso povo avançar.”

Nesse meio tempo, conforme ilustrou a coluna, ela recebeu várias sugestões de complemento. Um exemplo: “1) assumir seus crimes 2) delatar seus cúmplices 3) nos deixar em paz.” Tentar ressuscitar na viva alma muito viva a figura do homem providencial já seria uma desfaçatez de bom tamanho para a integrante de uma turma que nunca se privou de pregar a moralidade com os pés atolados na lama. Mas Dilma não se contém: precisa pagar outros micos também. No tuíte das três coisas que eram quatro, mostrou que está sempre disposta a reforçar o figurino de piada pronta.

AUTOR: UM LADRÃO; PREFÁCIO: OUTRO

Às margens do Atlântico

O livro de José Sócrates, com prefácio de Lula, seria só um caso de fraude e oportunismo, mas virou episódio hilariante no inquérito sobre a corrupção do ex-premiê português

Seis balas. O tiro no rosto ricocheteou no anel da mão espalmada em gesto maquinal de autodefesa. Outras cravejaram o corpo. Recém-chegado de Lisboa, visitava a prima no Recife, então abalada por uma crise conjugal. Foi alvejado pelo ex-marido enciumado, ex-policial, para quem o desconhecido era um rival flagrado sob o sol na calçada da antiga residência.

Dezessete anos depois, o sobrevivente Domingos Soares Farino, advogado e professor, está de novo no centro de uma investigação policial. Desta vez, não é vítima, mas suspeito de cumplicidade com o ex-primeiro-ministro de Portugal José Sócrates (2005 a 2011), acusado de corrupção e lavagem de dinheiro.

A polícia de Lisboa aponta Farino como verdadeiro autor do livro “A confiança no mundo”, sobre tortura de terroristas da al-Qaeda. A capa tem o nome de Sócrates e destaca o prefácio assinado por Lula — “meu melhor amigo da ação”, dizia o ex-primeiro-ministro português.

Sócrates apresentou a obra no fim do seu mestrado no instituto francês Sciences Po. Lula viajou a Paris e discursou no lançamento do livro, na quarta-feira 23 de outubro de 2013.

Seria apenas mais um caso de fraude e oportunismo (há provas de que o governo Sócrates permitiu o tráfego clandestino de prisioneiros da CIA para a base de Guantánamo). Porém, se transformou num episódio hilariante dentro do caso de corrupção protagonizado pelo ex-primeiro-ministro português, durante sua parceria com o governo Lula na construção de uma “supertele” de língua portuguesa.

Ao sair do poder, o ex-líder socialista teve uma ideia: breve refúgio acadêmico em Paris, do qual emergiria com um best-seller em Ciência Política. Segundo o Ministério Público, ele gastou € 600 mil (R$ 2,1 milhões) na contratação do sobrevivente Farino para escrever, na edição e na operação de compra de 17,5 mil exemplares do próprio livro, auxiliado por uma equipe que coordenou por mais de nove meses.

Os investigadores mapearam as compras, gravaram Sócrates dando ordens e relataram à Justiça: “As pessoas envolvidas na aquisição dos livros podiam, após a compra, desfazer-se dos mesmos, colocando-os no lixo, dado que o único objetivo era aumentar o número estatístico de exemplares vendidos, de forma tomar o livro um fenômeno de vendas sem precedentes.”

É missão impossível conseguir um único volume de “A confiança no mundo” nas livrarias de Lisboa. No entanto, sobram cópias das quatro mil páginas do inquérito em que Sócrates é acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e fraude fiscal.

Nelas afirma-se que o dinheiro usado para criar o seu “best-seller” teve origem em milionário suborno (R$ 105 milhões) pago pelo banqueiro Ricardo Salgado, do Grupo Espírito Santo, como contrapartida à garantia de lucros com a fusão da Portugal Telecom com a Telemar/Oi — negócio de R$ 40 bilhões na época.

Sócrates e Lula embriagaram-se com o projeto da “supertele” lusófona. Deram-lhe formato na quinta-feira, 28 de julho de 2010, dois meses antes da eleição de Dilma Rousseff.

Sete anos depois, o ex-primeiro ministro, seu escritor, o ex-presidente e o ex-banqueiro batalham nos dois lados do Atlântico para escapar da cadeia. A Portugal Telecom naufragou. A Oi cambaleia à beira do abismo com R$ 70 bilhões em dívidas.*

(*) José Casado – O Globo

Leia mais: https://oglobo.globo.com/opiniao/as-margens-do-atlantico-22011450#ixzz4x71XbYE3
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BANANA REPUBLIC

A farsa em marcha

Como dizia aquele alemão barbudo (como o ex-ministro do STF Eros Grau se referiu a Marx certa vez), a história se repete como farsa. Caminhamos para uma eleição presidencial tão radicalizada quanto a de 1989, a primeira direta após o regime militar, que terminou em tragédia com o impeachment de Collor.  Só que com tons e nuances diferentes.

A esquerda tinha dois representantes naquela ocasião, o líder metalúrgico Lula e o líder trabalhista Brizola, que disputaram voto a voto a ida para o segundo turno contra o representante da centro- direita, Collor de Mello. Populismo de direita contra populismo de esquerda.

Lula derrotou Brizola por 0,67% e foi para o segundo turno contra Collor, e mais tarde admitiu que, naquele momento, não estava preparado para ser presidente da República. Foi em Divinópolis, na campanha de 2010 para eleger Dilma que ele disse que agradecia por ter perdido a eleição presidencial de 1989 porque era “muito mais radical” e poderia cometer erros no governo.

“Hoje eu agradeço a Deus por não ter ganhado em 1989, porque eu era muito novo, muito mais radical do que eu era em 2002 e, portanto, eu poderia ter feito bobagem. Não bobagem porque eu quisesse fazer, mas pela impetuosidade, pela pressa de fazer as coisas”.

Hoje, tão radical quanto era em 1989, longe daquele Lula que escreveu a carta aos brasileiros em 2002 para dirimir as dúvidas do mercado financeiro e da classe média sobre seu radicalismo, considera-se preparado para voltar à presidência que exerceu entre 2002 e 2010, e a lembrança daquele tempo está viva na memória de cerca de 35% dos eleitores, segundo a mais recente pesquisa do Ibope.

Mas a memória dos supostos bons tempos é traiçoeira, pois foi ao abandonar o equilíbrio fiscal dos primeiros anos, e as reformas estruturais como a da Previdência que iniciou assim que eleito, mas abandonou para não entrar em choque com as corporações que o apoiavam, que Lula deu início a essa crise econômica que se exacerbou a partir de 2010 com um crescimento artificial de 7,5% do PIB para eleger sua sucessora.

Dilma aprofundou o que chamaram de nova matriz econômica que nos levou à maior recessão de nossa história, e ao tentar remendar o estrago que havia feito reequilibrando os gastos públicos, traiu seu eleitorado, na opinião de Lula.
Temos então em 2018 um Lula que, se não for impedido de disputar pela Justiça, pretende adotar a política radical que em 1989 o fazia despreparado para a presidência, Ciro Gomes na versão pedetista na disputa pela esquerda, e Jair Bolsonaro, um populista de direita, muito menos preparado do que aquele Collor de Mello que surgiu em 1989.

Pela radicalização que domina o cenário, é previsível que figuras da política tradicional como o governador Geraldo Alckmin, com seu espírito moderado, tenha tanta chance quanto tiveram em 1989 figuras como Ulysses Guimarães, Aureliano Chaves, Mario Covas, que foram abandonados pelo eleitorado.

Com uma diferença crucial hoje: em 1989, os políticos tradicionais, muitos retornados do exílio, tinham um peso considerável, embora os dois que foram para o segundo turno, Collor e Lula, fossem figuras relativamente novas no cenário nacional.
Hoje, soma-se à radicalização o desgaste da classe política. Quem consegue se diferenciar nesse ambiente corrompido, como Marina Silva e Bolsonaro, que em espectros políticos opostos não estão envolvidos em denúncias, tem chances.

Até mesmo um presidente impopular como Sarney em 1989 temos em Temer hoje, que sem dúvida será alvo dos maiores ataques, como naquela ocasião Sarney serviu de saco de pancadas para Collor e Lula. E para dar um toque especial à repetição, surge por fora a candidatura de Luciano Huck, assim como em 1989 Silvio Santos surgiu do nada para atropelar os favoritos.

Embora fosse muitas vezes mais popular do que hoje é Luciano Huck, este, além de popular o suficiente, tem muito mais preparo e uma rede de contatos que pode viabilizar um programa de governo com substância.  Não se sabe o que aconteceria se a justiça eleitoral não tivesse impedido o registro da candidatura de Silvio Santos. Saberemos mais adiante se Huck será mesmo candidato, e que candidato será.   *

(*) Merval Pereira – O Globo

EFEITO BUMERANGUE

Planalto pune os rebeldes e começa a agradar deputados que salvaram Temer

Os articuladores da pauta e dos cortes são os ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha, e da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy. Uma das principais benesses é dedicada ao presidente em exercício da Câmara, Fábio Ramalho (PMDB-MG). “Fabinho”, como é conhecido, já desferiu vários impropérios contra o governo. Os mais recentes, durante os processos de leilão de usinas da Cemig, quando disse que o governo só pensa em bancos. “Tenho que ser honesto. O presidente Temer sempre foi correto conosco. O problema são alguns ministros”, disse ele, sem dizer quais.

POLÍGONO DA SECA – Com a chancela do peemedebista, será votado um projeto que amplia o número de municípios mineiros beneficiados pela Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). “São áreas muito pobres e essa inclusão permite a eles a obtenção de financiamentos mais baratos e rápidos”, justificou ele, que se reuniu com Temer, em São Paulo, para discutir a pauta de votações das medidas provisórias.

Outros projetos também serão votados, como a permissão para que o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) tenha acesso aos fundos regionais de desenvolvimento das Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. A medida, além de ampliar os recursos e, consequentemente, o número de vagas oferecidas à população, atendem os interesses de deputados donos de instituições de ensino superior, como o relator da denúncia, Bonifácio de Andrada (PSDB-MG).

O prazo de adesão para o novo Refis também foi estendido até o dia 14 de novembro. “Tinha muita gente pedindo mais prazo para entrar no programa, nada mais natural para que possamos arrecadar mais”, explicou o vice-líder do governo na Câmara, Beto Mansur (PRB-SP).

RETALIAÇÃO – Por outro lado, o Planalto foi duro com os deputados infiéis. Nem o deputado federal Mauro Mariani (PMDB-SC), um dos oito que votaram contra o governo na segunda denúncia após ter votado a favor na primeira, escapou da retaliação. Ontem, foi publicado no Diário Oficial a exoneração de Tufi Michreff Neto do cargo de diretor de Gestão Interna do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur). Ele era apadrinhado do peemedebista, tendo sido, inclusive, seu secretário parlamentar em 2012.

A decisão adotada pelo Planalto, que leva a assinatura do ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, não poderia ser diferente, avalia o vice-líder do PMDB na Câmara, Carlos Marun. “É uma situação que me entristece, mas essa foi uma opção do Mariani, com a qual não concordo. E teve como consequência o afastamento dele na base”, disse.

Em defesa, Mariani afirmou que não teme retaliações. “Votei pela investigação de Temer porque o povo não aguenta mais”, sustentou. O sucessor de Michreff ainda é estudado pelo Planalto.

A retaliação aos dissidentes não ficou restrita apenas a apadrinhados específicos de deputados rebeldes. O Planalto puniu a bancada do PSD, diferentemente do que pregavam alguns líderes que temem pelo esfacelamento da base na votação das reformas. Nesta segunda-feira, foi publicado no DOU a exoneração de Carlos Roberto Fortner do cargo de diretor de Gestão e Tecnologia da Informação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).*

(*) Correio Braziliense

MORREU E NÃO SABE

Isolamento de Marina pode implodir seu partido, a Rede, que vive nova crise

Esse é o quadro apresentado ao Estado por militantes, assessores e dirigentes do partido, que falaram em caráter reservado. Após ter o registro aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral em setembro de 2015, a Rede ainda tem estrutura de partido “nanico”, o que ficou evidenciado também no fraco desempenho de seus candidatos nas eleições municipais do ano passado.

SEM RECURSOS – Com somente quatro deputados federais (todos eleitos por outros partidos em 2014), a legenda recebe por mês cerca de R$ 280 mil do Fundo Partidário. É pouco dinheiro para custear uma estrutura nacional. Para efeito comparativo, o PT, por exemplo, com 58 deputados, recebe R$ 8,2 milhões mensais.

O partido está hoje sem estrutura de comunicação, uma vez que rompeu os contratos com seus prestadores de serviço. Entre auxiliares há relatos de atrasos salariais.  A dificuldade em dialogar com outras legendas é outro ponto de divergência interna na Rede. O grupo de Marina reluta em formar alianças com outras siglas para ampliar o tempo de exposição na TV em 2018.

Sozinha, a Rede terá direito no ano que vem a cerca de 15 segundos em cada bloco do horário eleitoral gratuito para presidente, se forem consideradas as regras previstas na legislação eleitoral.

COLIGAÇÕES – Setores do partido defendem a união com as legendas com as quais a candidatura de Marina esteve unida em 2014: PPS, PHS, PSL e PRP. Naquela eleição, sem conseguir o registro da Rede, a ex-ministra concorreu na chapa do PSB, primeiro como vice de Eduardo Campos e, após a morte do ex-governador de Pernambuco, como presidenciável.

Outra ala, porém, advoga a tese que o partido deve buscar aliança com legendas maiores, como o DEM. Um terceiro grupo prega que a Rede enfrente sozinha as urnas.

ISOLAMENTO – Um dos principais motivos de queixa de integrantes da Rede em relação à Marina é o isolamento da ex-ministra. De acordo com militantes ouvidos pelo Estado, o círculo próximo de Marina é composto pelos coordenadores executivos do partido, Bazileu Margarido e Carlos Painel, o coordenador de organização, Pedro Ivo, e a ex-senadora Heloisa Helena.

Segundo integrantes da Rede ouvidos pela reportagem, Marina concentra sua interlocução com esse chamado “núcleo duro” e se distanciou dos parlamentares da sigla, que formaram um outro polo de poder na legenda.

Enquanto o deputado federal Alessandro Molon (Rede-RJ) e o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) ganharam protagonismo nas votações das denúncias contra o presidente Michel Temer e sobre o afastamento do senador Aécio Neves (PSDB-MG), Marina se calou.

APOIO A AÉCIO – Por causa do apoio de Marina a Aécio no segundo turno da eleição de 2014, houve uma debandada de dirigentes e militantes antes mesmo de o partido obter o registro na Justiça Eleitoral. No ano passado, após o fraco desempenho em sua primeira disputa eleitoral – elegeu apenas seis prefeitos –, a Rede sofreu novo revés e um grupo de intelectuais e fundadores deixou o partido com críticas a Marina.

Atualmente, segundo integrantes da Rede, Molon é um dos que tem manifestado desconforto com a postura de Marina e de seu grupo mais próximo. O deputado passou a ser apontado como um dos nomes da possível debandada. Por meio de sua assessoria, ele negou que esteja de saída do partido. Conforme militantes, o hermetismo da Rede também dificulta o crescimento orgânico do partido, que hoje conta com 18.686 filiados.

Procurada, Marina informou que não iria dar entrevista. *

(*) Pedro Venceslau e Ricardo Galhardo – Estadão

(Colaboraram Daniel Bramatti e Marianna Holanda) 

TÁ TUDO DOMINADO

Ministro da Justiça critica segurança pública do Rio, diz blog
Segundo o blog de Josias de Souza, do UOL, o ministro Torquato Jardim disse que o governador do Rio e o secretário de Segurança não controlam a PM. Em resposta, Pezão afirmou que o governo e a polícia não negociam com criminosos.
Ministro da Justiça Torquato Jardim critica a política de segurança pública do RJ

Na entrevista, o ministro disse que o governador Luiz Fernando Pezão e o secretário de segurança Roberto Sá não controlam a Polícia Militar e que o comando da PM decorre de “acerto com deputado estadual e o crime organizado”. “Comandantes de batalhão são sócios do crime organizado no Rio”, disse Torquato Jardim, segundo a publicação.
O ministro afirmou estar convencido de que o assassinato do tenente coronel Luiz Gustavo Teixeira, comandante do batalhão do Méier, não foi resultado de um assalto. De acordo com o blog, o ministro disse que o coronel foi executado por um acerto de contas.
O ministro da Justiça, Torquato Jardim, participa de cerimônia pelo Dia do Aviador (Foto: José Cruz/Agência Brasil) O ministro da Justiça, Torquato Jardim, participa de cerimônia pelo Dia do Aviador (Foto: José Cruz/Agência Brasil)
O ministro da Justiça, Torquato Jardim, participa de cerimônia pelo Dia do Aviador (Foto: José Cruz/Agência Brasil)
Torquato Jardim disse, ainda, que o socorro federal ao Rio, com o envio de tropas, vai atenuar os problemas, mas que a “virada de curva” só será possível em 2019, com outro presidente e outro governador. O Ministério da Justiça ainda não se pronunciou sobre a publicação do blog.
O governador Luiz Fernando Pezão disse que o governo e o comando da Polícia Militar não negociam com criminosos e que o ministro da Justiça nunca o procurou para tratar do assunto falado na entrevista. O governador disse também que as escolhas de comando de batalhões e delegacias são decisões técnicas e que jamais recebeu pedidos de deputados para os cargos.*

(*) G1 – RJ

PROTETOR DOS BANDIDOS

Gilmar Mendes suspende transferência de Cabral para presídio federal de MS
Ministro do STF alegou na decisão que não há justificativa para transferir o ex-governador para a penitenciária sul-mato-grossense. Transferência havia sido autorizada pelo juiz federal Marcelo Bretas.


O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu nesta terça-feira (31) a decisão da Justiça Federal do Rio de Janeiro que havia determinado a transferência do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) para o presídio federal de Campo Grande (MS). A decisão liminar (provisória) de Gilmar Mendes terá validade até o caso ser julgado pelo STF.
Após suspender provisoriamente a transferência do ex-governador, o ministro do STF encaminhou o habeas corpus à Procuradoria Geral da República (PGR) para que o Ministério Público se manifeste sobre o caso em até dois dias.
A transferência foi solicitada pelo Ministério Público Federal depois que Cabral fez comentários sobre a atividade empresarial da família do juiz Marcelo Bretas, responsável pelos processos da Lava Jato no Rio, durante uma audiência judicial na semana passada.
Bretas e Cabral discutem durante depoimento em processo que apura compra de joias
O próprio Bretas autorizou a transferência de Cabral para a penitenciária sul-mato-grossense após ter repreendido o ex-governador na audiência em razão de o peemedebista ter contestado, em tom de ironia, questionamentos sobre a suposta compra de joias com dinheiro de propina.
O ex-governador disse que o magistrado conhecia o assunto por ter familiares atuando no ramo de bijuterias (assista ao vídeo acima). Na ocasião, Bretas alegou que se sentiu ameaçado com a declaração do ex-governador.
No despacho em que desautorizou a decisão do juiz de primeira instância, Mendes afirmou que não há justificativa para a transferência do ex-governador para o presídio federal.
De acordo com o ministro do Supremo, a informação sobre as bijuterias foi levada à imprensa pela própria família do juiz federal, o que, na visão dele, não demonstraria ameaça.
“Quanto à menção à atividade profissional da família do juiz, ao que se sabe, ela não só é exercida publicamente como foi publicizada pelos próprios membros da família Bretas”, destacou Gilmar Mendes no despacho.
“O fato de o preso demonstrar conhecimento de uma informação espontaneamente levada a público pela família do magistrado não representa ameaça, ainda que velada. Dessa forma, nada vejo de relevante na menção à atividade da família do julgador”, disse Gilmar Mendes.
Na última sexta (27), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) havia negado o pedido da defesa de Cabral para suspender a transferência para Campo Grande. Diante da derrota no STJ, os defensores do ex-governador recorreram ao Supremo.
Os advogados do peemedebista reivindicaram que Cabral fosse mantido na cadeia pública José Frederico Marques, em Benfica, na zona norte do Rio, até o Supremo julgar o mérito do habeas corpus.

A defesa de Cabral alegou que o próprio Bretas afirmou a um jornal que sua família atuava no ramo de bijuterias e, por esse motivo, não se tratava de uma “informação privilegiada”.
Cabral seria transferido para presídio de segurança máxima em MS

Presídio federal
Ainda conforme os advogados do ex-governador, há dez presos perigosos do Rio de Janeiro abrigados no presídio de segurança máxima de Mato Grosso do Sul, entre os quais alguns transferidos pelo próprio Cabral quando era governador do Rio.
A penitenciária de Campo Grande é um dos quatro presídios federais de segurança máxima do Brasil. Essas penitenciárias foram construídas e equipadas com sistemas modernos de vigilância para isolar presos perigosos de todo o país.
Na capital sul-mato-grossense estão, principalmente, traficantes e chefes de facções. Sérgio Cabral iria ficar em uma ala separada desses criminosos, em uma das 208 celas da penitenciária. As celas são individuais, têm mais ou menos 7 metros quadrados, uma cama, banheiro e uma escrivaninha.
Em Benfica, no Rio, onde ele está preso atualmente, são 16 metros quadrados. Alem disso, hoje o ex-governador divide o espaço com outros quatro detentos e pode ver TV. Em Campo Grande, não teria esse direito.*

(*) Rosanne D’Agostino, TV Globo, Brasília