SALVE A BAHIA, SENHOR!

Lúcio voltou!

Reveja o vídeo de Lúcio dançando três dias antes da descoberta do bunker atribuído ao seu irmão:


Lúcio Vieira Lima apareceu hoje na Câmara depois da busca e apreensão da Polícia Federal, na segunda-feira, em seu gabinete e em seu apartamento em Salvador.

A Andréia Sadi, da TV Globo, o deputado, irmão de Geddel, disse ter certeza de que “não vão achar nada”.

“O processo político é que transforma a busca e apreensão como se fosse uma condenação.”*

(*) O ANTAGONISTA

CANALHAS E COMPARSAS

Boa notícia: o medo entrou na equação de Aécio

Na expressão de um aliado de Aécio Neves, o medo passou a “seguir” o senador tucano “como uma sombra.” Ele receia amargar uma derrota na votação em que o plenário do Senado decidirá se deve ou não lhe restituir o mandato e a liberdade noturna. Antes apressado, Aécio já discute com seus aliados até a hipótese de adiar a votação, marcada para esta terça-feira (17).

Para derrubar as sanções cautelares que lhe foram impostas pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, Aécio precisa amealhar pelo menos 41 votos entre seus 80 colegas de Senado. Até a semana passada, estimava-se que teria algo como 50 votos. Mas nove senadores da bancada do PT saltaram da canoa da solidariedade pluripartidária.

A conta de Aécio ficou apertada. Acionado, o Planalto se esforça para ajudar. Mas o senador Romero Jucá, líder do governo e principal operador de Michel Temer no Senado, recupera-se de uma cirurgia. Só deve retornar ao batente na quarta-feira. Tramou-se uma votação secreta. Entretanto, um juiz federal de Brasília proibiu. E a Rede Sustentabilidade se equipa para questionar a manobra no Supremo.

O medo era uma variável inexistente na equação de Aécio. Mas o senador se deu conta de que o enorme valor que ainda atribui ao seu mandato terá de ser dividido pelo pouco de vergonha que resta na cara de parte dos senadores. Ainda é improvável que um Senado apinhado de investigados vá abandonar Aécio à própria sorte. Mas a simples presença do medo no palco não deixa de ser uma boa notícia. A sensação de jogo jogado potencializava a desmoralização do Senado.*

(*)  Blog do Josias de Souza

FALTA TOTAL DE ESCRÚPULO

Sem esculacho, por favor!

Guarde esta data: 11 de outubro de 2017, véspera do dia de Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil.

 

Foi quando o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que a última palavra em matéria de lei não será mais dele, mas do Congresso no caso de punição de parlamentar acusado por crime comum.

Revoguem-se as disposições em contrário, inclusive o Código de Processo Penal. Publique-se de imediato.

Sessão memorável, concluída depois de 13 horas de discussões com o voto de desempate da ministra Cármen Lúcia, presidente do tribunal. Sim, a que já havia dito que “a população clama por Justiça e é contra a impunidade”.

Ou que a ”ética não é uma escolha, mas a única forma de se viver sem o caos”.  Ou ainda que “sem o Poder Judiciário forte, livre e imparcial não teremos uma democracia”.

Cármen, a boa de frases, gaguejou antes de deixar claro de que lado ficaria. Talvez não contasse com a contundência do voto do ministro que a antecedeu, Celso de Mello.

As decisões do STF, segundo ele, “não estão sujeitas a revisão, nem dependem para sua eficácia de ratificação ou ulterior confirmação por qualquer das casas do Congresso, pois não assiste ao Parlamento a condição de instância arbitral de revisões da Corte”.

É fato que o tribunal seguirá aplicando a parlamentares as medidas cautelares previstas no Código de Processo Penal. Mas uma vez que as aplique, caberá ao Congresso confirmá-las ou suspendê-las. Ou às assembleias. Ou às câmaras municipais.

Era o que desejavam os interessados em salvar Aécio Neves (PSDB-MG), e em se salvarem também. Por tibieza, jais sabedoria, o STF rendeu-se às pressões de um Congresso repleto de criminosos.

Diz-se que a submissão foi para evitar o perigo de o país ser engolfado por uma crise institucional, o que ocorreria se o Senado descumprisse a ordem de punir Aécio, afastado do mandato e confinado à noite em casa por embolsar propina.

A ameaça de crise era blefe. Uma semana antes, o Senado indicara por 50 votos contra 21 que não ousaria confrontar o STF.

Como não confrontou quando o senador Delcídio Amaral (PT-MTS) foi preso, acusado de oferecer proteção a um delator para que não delatasse.

Como não confrontou da vez passada em que Aécio foi afastado do mandato e posto em prisão domiciliar.

A Câmara engoliu a seco a interdição judicial do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Depois cassou-lhe o mandato.

Boa de frases, Cármen também é boa de intenções, embora careça de experiência para lidar com políticos espertos, de influência sobre colegas determinados a fazer prevalecer seus pontos de vista, e de coragem para afirmar-se em momentos difíceis.

Deixou-se impressionar pela reação de gente do tipo Renan Calheiros (PMDB-AL) e Romero Jucá (PMDB-RR). Resultado: perdeu, ministra! E também a democracia.

Essa gente corre o risco de ser derrotada na sessão de amanhã do Senado, destinada a selar a sorte de Aécio. Quer o voto secreto para escapar à execração pública no caso de uma decisão favorável a ele.

Em 2015, foi Aécio que entrou com ação no STF para barrar a adoção do voto secreto na sessão que referendou o afastamento e a prisão de Delcídio. O voto foi aberto.

O STF perdeu a queda de braço com o Congresso, mas nem por isso merece ser esculachado. Se antes o Senado não puniu Aécio como deveria, poderá fazê-lo agora, quando nada para tentar salvar a própria face, e a de uma Justiça que preferiu se pôr de joelhos.

Triste país!*

(*) Blog do Ricardo Noblat

CASA MAL ASSOMBRADA

 De volta ao ano que vem

No Brasil ninguém vê a globalização como causa da crise. Todos sabem que a nossa foi causada pela incompetência e pela corrupção das forças internas

E a decisão do Supremo é outro dado da blindagem dos políticos: o Congresso deve rever em 24 horas todas as medidas cautelares que atinjam o exercício do mandato. Isto significa que, se o STF afastar um senador, certamente seus pares vão anular a medida. A última palavra, nesse caso, não pertence mais aos juízes. O sistema político partidário deve estar comemorando. Aécio também. Mas, se analisarmos o contexto da disposição popular, essas medidas vão acabar isolando mais ainda os detentores de mandatos políticos. Pelo menos teoricamente, para se salvar das investigações e de suas consequências, o sistema partidário terá de ir mais longe no seu longo processo de suicídio. Naturalmente, a disposição pela mudança não é suficiente para que ela aconteça. Há muitas arestas a aparar.Tenho refletido e lido sobre o conceito de tolerância. Cheguei à conclusão de que é muito flexível, depende de circunstâncias históricas, de quem tolera ou é tolerado. A tolerância como conceito moderno nasceu do liberalismo e é um fruto das guerras religiosas e da separação entre as autoridades do estado e da igreja, abrindo uma brecha para o indivíduo diante dessas forças gigantescas. Mais urgente que falar dela é tentar entender o quadro em que se move.

Tenho observado um deslocamento de calores no debate político brasileiro. No período anterior à queda de Dilma, o confronto se dava, além, é claro, da roubalheira, em torno de sistemas políticos. Tanto que os adversários do PT sempre diziam: “vai para Cuba, vai para Cuba”. Nem o mais radical dos críticos do artista pelado no MAM ousaria mandá-lo para Cuba, por achar a pena pesada demais. Toda uma geração de artistas foi esmagada pela revolução cubana — isto é bem descrito nos livros de Reinaldo Arenas. Durante muito tempo, a revolução decidiu encerrar homossexuais em campos de trabalho.

A sensação que tenho é de que o choque entre socialismo e capitalismo está em segundo plano. Sobe para o topo uma espécie de resistência à globalização e suas tendências multiculturais. Isso aconteceu na eleição de Trump e também na vitória do Brexit. Só que até nos Estados Unidos a globalização é sentida por alguns setores como uma ameaça econômica, perda de postos de trabalho, ruína de regiões que perdem sua competitividade global. No Brasil ninguém vê a globalização como causa da crise. Todos sabem que a nossa foi causada pela incompetência e pela corrupção das forças internas. No entanto, no campo dos costumes e, sobretudo, com a aceleração do mundo digital, muitas famílias se sentem inseguras diante de rápidas mudanças e temem por seus valores, tradição e até mesmo pela ideia que têm da própria identidade nacional.

O debate sobre os caminhos da saída econômica revela uma predominância do liberalismo. Ainda assim, no Brasil, isso precisa ser relativizado. O MBL, um movimento que se destacou na oposição ao governo de esquerda, tem uma clara opção liberal. No entanto, nos temas comportamentais, aproxima-se da posição de Bolsonaro. Este, por sua vez, apesar de seu enfoque nacionalista, se aproxima do liberalismo econômico. Essa discrepância em adotar o liberalismo econômico, abertura para o mundo, e, simultaneamente, combater algumas de suas consequências é apenas um dado. Os chineses sabem combinar elementos de liberalismo econômico com seu regime político de um só partido. Posições liberais na economia não correspondem mecanicamente a uma posição liberal nos costumes. Aqui, os artistas continuarão produzindo com liberdade e, em certos momentos, sendo provocativos como têm sido em toda a história da arte. E uma maioria da população tende a sentir-se ultrajada por saber que, apesar de maioria, sua visão de mundo não é levada em conta. Verdades políticas surgem daí. As duas mais visíveis são a tentativa de articular o desconforto com certas consequências do mundo moderno e a outra se entrincheirar em ideias de vanguarda descartando a opinião majoritária como atrasada. Nenhuma delas me parece adequada para o Brasil.

A admiração com que Barack Obama foi recebido aqui mostra que existe uma simpatia por posições que tentam navegar de olhos abertos para um mundo em transformação sem perder o contato com o fio terra. A própria Angela Merkel venceu uma grande batalha pela tolerância ao receber os imigrantes. Conseguiu se reeleger. Sempre foi crítica da trajetória do multiculturalismo, que acaba deixando ao relento o pobre, que não está integrado em nenhuma das identidades culturais que disputam o espaço.

Isso que chamo de pé na terra, por falta de melhor definição, pode ser, no Brasil, essencial para tirar o barco do lodo.*

(*) Do blog do Fernando Gabeira

LARÁPIO JURAMENTADO

Lula é a reencarnação de um Tiradentes de botequim

O devoto Wadih Damous trucida a memória do herói da Inconfidência ao compará-lo ao comandante do assalto aos cofres públicos

O deputado federal Wadih Damous, do PT do Rio de Janeiro, garante ter descoberto que Joaquim José da Silva Xavier reencarnou em Luiz Inácio Lula da Silva. Pelo menos sete diferenças sugerem que Damous foi um dos melhores alunos do Curso de Visões, Miragens e Delírios em Geral da Professora Marilena Chauí: Tiradentes foi um homem honrado. Lula é o comandante do maior esquema corrupto da História.

Tiradentes assumiu durante a devassa da Inconfidência Mineira sua participação no movimento. Lula continua fazendo de conta que é um inocente cercado de bandidos por todos os lados.

Tiradentes perdeu a vida por lutar pela independência da colônia de Portugal. Lula passou a vida tentando transformar o Brasil numa colônia do PT.

Tiradentes teve o corpo esquartejado. Lula esquartejou a máquina administrativa, começando pela Petrobras, para reparti-la entre aliados gatunos.

Tiradentes lutou pela liberdade. Lula é um autoritário juramentado.

Tiradentes sempre trabalhou. Lula não tem emprego regular desde 1976, quando começou a viver de comício.

Tiradentes nunca foi beberrão.*

(*) Blog do Augusto Nunes

QUEM QUER DINHEIRO?

À procura de outros bunkers de dinheiro

Polícia Federal

Investigadores da Lava-Jato desconfiam da existência de outros bunkers de dinheiro, como o de Geddel Vieira Lima encontrado em Salvador.

Suspeita-se que, com os caminhos tradicionais de remessa de recursos para o exterior mapeados, os enrolados na operação tenham adotado soluções semelhantes à do ex-ministro.

Sem financiamento privado e sem fundão eleitoral público, os investigadores estão apostando que os políticos começarão a se movimentar. E podem acabar deixando pistas.*

(*) JULIANA BRAGA – O GLOBO

PARA OS LULOPETISTAS, “FRACASSO TOTAL”

Em seis semanas, filme da Lava-Jato leva 1,3 milhão de pessoas aos cinemas

Reprodução

“Policia federal – a lei é para todos” fechou a sexta semana de exibição com 1,310 milhão de espectadores, segundo dados da ComScore.

O longa foi o filme nacional mais assistido em 2017, seguido por “Detetives do prédio azul”(estreia em julho), com 1,196 milhão de ingressos vendidos, e “Meus 15 anos” (estreia em junho), com 741 mil espectadores.

“Bingo: o rei das manhãs”, o filme que representará o Brasil no Oscar, está na 12ª posição entre os filmes nacionais mais vistos. Levou apenas 236 mil pessoas aos cinemas no Brasil.*

(*) BRUNO GÓES – O GLOBO

PIADA PRONTA

Irmão de Geddel tinha chave de ‘bunker’, diz dono do imóvel
Fatura da empregada do deputado Lúcio Vieira Lima também foi encontrada no local

BRASÍLIA – Alvo de operação da Polícia Federal (PF) na manhã desta segunda-feira, o deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), irmão

do ex-ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), tinha a chave do “bunker” em que foram encontrados R$ 51

milhões.Foi isso o que informou o dono do imóvel, Sílvio Silveira, em depoimento à PF em 5 de setembro.

“Que considerando a amizade (que tem com Lúcio), o declarante concordou prontamente (com o pedido de Lúcio para emprestar o apartamento), chegando à unidade 202 juntamente com Lúcio para lhe mostrar o apartamento e lhe entregar a chave”, disse.

Na mesma data, Patrícia Santos Queiros, administradora do condomínio onde fica o apartamento, relatou à PF “que Sílvio tem alguma relação com os irmãos não sabendo se apenas profissional ou de amizade, que o que já viu foi Sílvio ligando para os irmãos para, por exemplo, pedir que vias sejam pavimentadas em acessos a empreendimentos que as empresas do grupo do qual Sílvio faz parte fizeram a construção”.

Patrícia contou ainda que, pelo que sabe, não havia “qualquer tipo de cobrança de aluguel pelo empréstimo do imóvel”.

Outro documento que liga Lúcio ao imóvel é uma fatura em nome de Marinalva Teixeira de Jesus, empregada doméstica dele, encontrada no apartamento onde o dinheiro estava guardado.

DIGITAIS DE ASSESSOR

A Polícia Federal também encontrou, no apartamento, digitais de Job Ribeiro Brandão, secretário parlamentar lotado no gabinete do deputado Lúcio Vieira Lima.

A operação que ocorreu nesta manhã cumpriu mandados de busca e apreensão no gabinete do deputado na Câmara, e Brandão também foi um dos alvos. A ação tinha relação justamente com o ‘bunker’ descoberto em julho.

Policiais bloqueiam o andar onde fica o gabinete do deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) – Jorge William / O Globo

Antes, já tinham sido identificadas também as digitais de Geddel, que está preso desde então, e do ex-diretor-geral da Defesa Civil, Gustavo Ferraz.

Os policiais interditaram o acesso ao sexto andar do anexo IV da Câmara dos Deputados para realizar a ação pedida pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e autorizada pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF). Esta é a primeira determinação da procuradora Raquel Dodge contra um parlamentar envolvido em escândalo de corrupção.

Vinculado à Câmara desde 2010, Brandão tem salário de R$ 14,3 mil, segundo informações do Portal de Transparência da casa legislativa.
(*) BELA MEGALE, EDUARDO BRESCIANI E ANDRÉ DE SOUZA – O GLOBO

COMBATE AO TRABALHO ESCRAVO

Agronegócio se deixa representar pelas forças do atraso

Essa é mais uma medida de retrocesso social do país. Nos últimos anos já vinha sendo dificultada a divulgação da lista dos que foram flagrados em prática de trabalho escravo. Agora, por portaria do Ministro do Trabalho fica decidido que só ele pode divulgar a lista, e que só pode haver flagrante com a polícia, e que trabalho degradante e jornada excessiva não entram na mesma lista. Foi mais um pedido da bancada ruralista que o presidente aceita dentro do seu esforço para barrar a segunda denúncia.

A dúvida é: é essa é mesmo a agenda do agronegócio, no fim da segunda década do século XXI? O setor tem um lado eficiente, moderno, globalizado. Vai continuar se deixando representar pelo atraso? Pelos que acham normal esse nível de maus tratos aos trabalhadores que são flagradas em alguns poucos empreendimentos rurais?

A “lista suja” do trabalho escravo é formada por empresas que foram apanhadas submetendo seus trabalhadores ao trabalho degradante, jornada excessiva, servidão por dívida ou impedimento do direito de ir e vir. É assim porque essa é a regra internacional estabelecida pela OIT, a organização do trabalho. Agora, no Brasil, depois dessa portaria, só ficará caracterizado se algo impedir o direito de ir e vir. Os auditores do trabalho perderam autonomia; um flagrante só poderá ser realizado com a presença da polícia. Se não for flagrada, a empresa não entra para a “lista suja”. É bom lembrar que, pelas regras até agora vigentes, quem não cometer o mesmo crime por dois anos sai da lista.

Há algum tempo os representantes do setor tentam vetar a divulgação da lista. A CNA, a confederação da agricultura, entrou na Justiça para impedir. Isso porque a lista orientava a cadeia produtiva, os que praticam esse crime acabam não podendo fornecer para as empresas que adotam a restrição. E assim a prática começou a cair, felizmente.

É bom lembrar que a nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge, envolveu-se pessoalmente no esforço feito pelo país anos atrás para eliminar o trabalho escravo. O Ministério Público pode questionar essa decisão, baixada por uma simples portaria do ministro do Trabalho. *

(*) MÍRIAM LEITÃO – O GLOBO