SANATÓRIO GERAL

Mensalão, o retorno

Lula avisa que, se for eleito, os contratos de aluguel com os parlamentares estarão garantidos

 

(Lula, em Montes Claros, revelando que, em 2018, o PT pretende concluir a destruição do Brasil com a terceira fase do projeto criminoso de poder que começou no Mensalão e ganhou velocidade de Fórmula-1 com o Petrolão)*

(*) Blog do Augusto Nunes

SIFU, ZÉ, SIFU!

A fila anda e já está chegando a hora de Dirceu voltar à prisão fechada

A defesa de Dirceu acha que as citações podem ter impacto negativo sobre outros tribunais que ainda vão julgar o petista. “Ao usar na briga o exemplo de soltá-lo como se fosse algo negativo, quem vai ter coragem algum dia de inocentá-lo?”, diz o advogado Roberto Podval.

LADO CERTO –“Dirceu está solto porque tem direito. Barroso e Mendes tomaram decisões corretas sobre ele. Mas erram agora ao citá-lo, atrapalhando seus processos”, afirma o defensor.

Outra polêmica é a delação premiada. Numa reunião na semana passada na PGR (Procuradoria-Geral da República), Flávio Werneck, vice-presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais, disse apoiar a tese de procuradores de que a PF não pode fazer acordo de delação premiada. A posição bate de frente com a do delegado Leandro Daiello, diretor-geral da Polícia Federal.

O tema será julgado pelo STF (Supremo Tribunal Federal). “Nosso papel é investigar. A fase de negociação de redução de penas é judicial e não compete a nós”, afirma Werneck, que também preside o sindicato dos policiais federais do DF.*

(*) Mônica Bergamo – Folha de São Paulo

POLÍTICA BROXANTE

Temer e os áulicos vivem ilusão da ‘normalidade’

Segundo a superstição de Michel Temer, revelada a aliados que lhe telefonaram para saber como estava sua saúde, o governo inaugura nesta semana uma nova fase. Um ciclo de “normalidade” administrativa. A percepção de Temer é compartilhada pelos áulicos do Planalto.

Falando do leito do Hospital Sírio Libanês, Temer informou que voltará ao batente na quarta-feira. “Ele está muito animado”, disse ao blog um parlamentar que conversou com o paciente. Tudo faz crer que o congelamento das denúncias da Procuradoria fez com que o presidente voltasse a acalentar o pior tipo de ilusão: a ilusão de que preside.

Na área econômica, a prioridade de Temer é colocar em pé a reforma da Previdência. O mandarim da Câmara, Rodrigo Maia, declarou que, numa escala de zero a 10, a chance de ser aprovada uma versão lipoaspirada da mexida previdenciária oscila entre 2 e 3. O comandante do Senado, Eunício Oliveira, afirmou que não é a melhor hora para tratar do tema.

Na área político-penal, Temer terá de tourear o inquérito em que figura como suspeito de beneficiar uma empresa no Porto de Santos. E não pode descuidar dos humores de Rodrigo Rocha Loures, o homem da mala de R$ 500 mil, e de Geddel Vieira Lima, o amigo do cafofo com R$ 51 milhões. Loures arrasta uma tornozeleira eletrônica em casa. Geddel puxa cana na Papuda. Por ora, guardam obsequioso silêncio.

Numa conjuntura assim, tão sujeita a delações e trovoadas, se Temer consegue manter a cabeça no lugar enquanto tanta gente perde a sua, provavelmente já não sabe onde colocou a noção do perigo. Ou está exercitando o seu cinismo.*

(*) Blog do Josias de Souza

VIDA QUE SEGUE

Aberta a sucessão de Temer

Comprar com sucesso apoio de deputado e senador não é para qualquer um. Não basta dispor de recursos, é preciso ser hábil, ter gosto e jeito. Uma abordagem mal feita pode por tudo a perder.

 

A chave do êxito é escolher a melhor moeda de troca. E o momento certo para fechar o negócio. É coisa para perito na arte. Michel Temer é perito. Deu-se bem até aqui. Reze para não ser denunciado outra vez.

José Sarney, o primeiro presidente depois do fim da ditadura de 64, era um expert no assunto. Mas como subiu a rampa do Palácio do Planalto por erros da junta médica que cuidou do presidente eleito Tancredo Neves, foi bem-sucedido só em parte.

O PMDB de Uysses Guimarães mandou no governo mais do que ele, mesmo no fugaz período do Plano Cruzado que congelou preços e salários e beatificou Sarney.

Seu mandato original era de seis anos. Para que não lhe capassem dois, Sarney pediu socorro ao ministro do Exército, que ameaçou o Congresso com uma nova intervenção militar. Sarney ficou cinco anos.

Por arrogância e falta de experiência, Fernando Collor ficou menos tempo. Foi um amador. Quando estava às vésperas de cair, contou com amigos para lhe comprarem votos. Já não havia mais votos à venda. Sobrou dinheiro.

Itamar Franco, presidente-tampão como Temer, não precisou comprar. Ganhou de presente o Plano Real que o PSDB havia guardado para eleger um dos seus na sucessão seguinte.

Itamar fez de Fernando Henrique Cardoso ministro da Fazenda contra a vontade dele, feliz com a vida glamorosa de ministro das Relações Exteriores. Imaginava se eleger deputado, se tanto. O Real elegeu-o presidente, e derrotou Lula em 1994.

Jorrou dinheiro no Congresso para comprar apoio à emenda que permitiu a reeleição de Fernando Henrique. Ele jura que jamais soube disso. Nem que viu uma foto do poderoso Sérgio Motta, seu ministro das Comunicações, dentro do plenário da Câmara acompanhado de uma mala.

Nunca se provou que soubesse do toma lá dá cá. Da mesma forma como nunca se provou que Lula soubesse do mensalão.

Só pelo apoio do Partido Liberal de Valdemar Costa Neto à eleição de Lula em 2002, o PT pagou pouco mais de R$ 6 milhões. Ao lado do seu futuro vice, o empresário José Alencar, Lula testemunhou a compra concluída em um apartamento da Asa Sul, de Brasília.

Costa Neto, depois, foi condenado e preso como um dos mensaleiros do PT. Da cadeia, obrigou Dilma a respeitar suas vontades e, agora solto, obriga Temer.

Na eleição de 2006, empregados do comitê de Lula à reeleição compraram um falso dossiê que incriminava Serra, candidato ao governo de São Paulo, e Alckmin, candidato do PSDB à presidência da República. Lula venceu.

A ser verdade o que vários delatores já disseram à Lava Jato, rolou muito dinheiro para eleger e reeleger Dilma, para mantê-la no cargo e finalmente tirá-la com o impeachment que beneficiou Temer.

Por que Temer apanha mais que os presidentes anteriores? Ora, ele faz às claras o que os outros se empenharam em esconder. De resto, por falta de sorte ou displicência, Temer acabou gravado ouvindo e dizendo coisas que não deviria ter ouvido ou dito.

O presidente mais impopular do mundo escapou de duas denúncias de corrupção porque soube deter a sangria da economia. Mas seu governo acabou.

A temporada de caça ao próximo presidente foi aberta na semana passada.*

(*)  Blog do Ricardo Noblat

VENTO: EIKE FABRICAVA; DILMA, ESTOCAVA

Após aportes de R$ 1 bi, fábrica de chips criada por Eike quase não tem produção

Idealizada para ser uma campeã nacional, empresa, que tem o BNDES como acionista e deveria ter sido inaugurada em 2014, é pré-operacional

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está fazendo uma força-tarefa para tirar definitivamente do papel a Unitec, fábrica de semicondutores (chips) que já recebeu investimento de quase R$ 1 bilhão, mas ainda é pré-operacional. Idealizada em 2012 para ser uma “campeã nacional de tecnologia”, a companhia tinha como um dos acionistas o empresário Eike Batista.

Batizada originalmente como Six Semicondutores, a empresa foi erguida em Ribeirão das Neves (região metropolitana de Belo Horizonte), mas ainda precisa de aporte de R$ 200 milhões para funcionar em grande escala. Como uma das financiadoras, a Finep, empresa pública de incentivo à ciência, não estaria disposta a injetar mais capital na companhia, os sócios estão à procura de alternativas, afirmam fontes próximas ao negócio. A Finep teria de investir mais cerca de R$ 70 milhões.

A expectativa inicial era de que a fábrica fosse inaugurada em 2014, mas os prazos foram sendo prorrogados. No fim de 2016, a empresa deu início à produção de encapsulamento de circuitos integrados e do design desses chips, mas ainda está longe de produzir os próprios chips.

Projeto inicial. À época que foi projetada, a Six Semicondutores tinha como sócios o BNDES, com 33%; Eike Batista, com outros 33%; o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), com 6,5%; a construtora Matec (6,1%), a empresa de tecnologia WS Intecs (2,6%); e a IBM, com 18,8%. Quando o grupo de Eike Batista entrou em crise, o empresário vendeu a parte dele para o grupo Corporación América, controlador da Inframérica, dona dos aeroportos de Brasília e Natal e a empresa mudou de nome.

A companhia, que está com 90% das obras concluídas, recebeu injeção de capital de todos os acionistas e de bancos financiadores de quase R$ 950 milhões, dos quais R$ 583,4 milhões em aporte direto e R$ 364,1 milhões em financiamentos. Só o BNDESPar injetou R$ 245 milhões. A Finep se comprometeu a colocar R$ 207 milhões, mas o repasse feito até agora foi de R$ 135,3 milhões.

Procurada, a Finep informou ao Estado que “liberou até o momento cerca de R$ 135 milhões para a fábrica, que também possui outros financiadores. Ainda não há previsão para a conclusão dos repasses, que acontecem de acordo com regras legais”. BDMG e Corporación America afirmam que estão confiantes na reestruturação.*

(*) Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

LEGADO LULOPETISTA

Rombo do setor público atinge R$ 152,4 bi em 12 meses, informa BC
No ano, o saldo negativo é de R$ 82,1 bilhões

BRASÍLIA – As contas públicas encerraram setembro com um rombo de R$ 21,3 bilhões. O número inclui os resultados do governo central, estatais e estados e municípios. O valor representa uma melhora em relação a setembro de 2016, quando o setor público registrou déficit primário de R$ 26,6 bilhões. No ano, o saldo negativo é de R$ 82,1 bilhões. Em 2016, ele era maior: R$ 85,5 bilhões.

Segundo dados divulgados nesta segunda-feira pelo Banco Central, o déficit primário do setor público chega a R$ 152,4 bilhões, ou 2,35% do Produto Interno Bruto (PIB), no período acumulado em 12 meses. O valor está próximo da meta definida para 2017, que é de R$ 163,1 bilhões.

Ainda de acordo com o BC, o governo pagou nada menos que R$ 303,1 bilhões em juros da dívida pública até setembro. Assim, o resultado nominal do setor público (que inclui o resultado primário mais os juros da dívida) chega a um déficit de R$ 385,2 bilhões.

Em 12 meses, o montante pago em juros da dívida pública chegou a R$ 415,1 bilhões, ou 6,4% do PIB. Assim, o setor público teve um déficit nominal de R$ 567,5 bilhões, ou 8,75% do PIB.

DÍVIDA BRUTA RECORDE

A dívida líquida do setor público alcançou R$ 3,298 trilhões, ou 50,9% do PIB, em setembro, aumentando 0,7pp em relação ao mês anterior. No ano, essa alta foi de 4,7pp. Já a dívida bruta (principal indicador de solvência observado pelo mercado internacional) atingiu um saldo recorde de R$ 4,789 trilhões, ou 73,9% do PIB.

Apesar do pagamento antecipado de R$ 33 bilhões da dívida do BNDES com o Tesouro Nacional, a dívida bruta do governo continuou a subir em setembro. Os recursos devolvidos pelo banco de fomento foram usados para abater a dívida bruta. No entanto, como as contas públicas continuam no vermelho, o alívio não foi suficiente para baixar o estoque, que ficou em 73,9% do PIB.

— Nos dados de setembro já estão registrados os impactos da devolução de R$ 33 bilhões do BNDES ao Tesouro. Mas o próprio déficit primário é um fator de aumento da dívida. O fator principal de aumento (da dívida) são os déficits primários sucessivos. Sem os R$ 33 bilhões do BNDES, ela teria aumentado mais — explicou o chefe do departamento de estatística do Banco Central, Fernando Rocha.

Ele divulgou também as projeções do BC para as dívidas líquida e bruta em outubro. No caso da dívida líquida, a expectativa é que o indicador fique em 51,1% do PIB, o que significa um aumento em relação aos 50,9% do PIB de setembro (maior valor desde agosto de 2004).

Para a dívida bruta, a expectativa da autoridade monetária também é de um novo aumento, para 74,4% do PIB

ESTADOS, MUNICÍPIOS E ESTATAIS

Os dados do BC apontam que, até setembro, governos regionais e empresas estatais ajudaram a reduzir o rombo das contas públicas. Enquanto o governo central apresentou déficit primário de R$ 100,8 bilhões no ano, estados e municípios tiveram superávit de R$ 17,6 bilhões e as estatais, de R$ 1,15 bilhão.

Segundo Fernando Rocha, chefe do departamento de estatística do BC, estados e municípios conseguiram um desempenho fiscal mais favorável porque tiveram aumento de arrecadação tanto com tributos próprios quanto com repasses decorrentes de transferências.*

(*) MARTHA BECK – O GLOBO

É UMA VERGONHA

No Supremo, o incômodo com as práticas de Gilmar Mendes chegou ao limite

O copo transbordou quando Gilmar abandonou o tema em julgamento para ironizar uma decisão de Barroso em outro processo. Deu-se o seguinte bate-boca: “Não sei para que hoje o Rio de Janeiro é modelo”. “Vossa Excelência deve achar que é Mato Grosso, onde está todo mundo preso”. “E no Rio, não estão?”. “Nós prendemos. Tem gente que solta”.

CASO DIRCEU – Irritado com a lembrança, Gilmar acusou o colega de ter soltado o ex-ministro José Dirceu, que ele próprio libertou há seis meses. Barroso perdeu a paciência e reagiu. Sem quebrar o protocolo, chamou Gilmar de mentiroso (“Vossa excelência normalmente não trabalha com a verdade”), parcial (“Vai mudando a jurisprudência de acordo com o réu”) e defensor de corruptos (“Não transfira a parceria que vossa excelência tem com a leniência em relação à criminalidade do colarinho branco”).

Barroso também disse que o colega “destila ódio o tempo inteiro” e sugeriu que ele ouvisse “As caravanas”, de Chico Buarque. A letra é um tratado sobre as relações políticas e pessoais no Brasil de 2017.

TRABALHO ESCRAVO – Na semana que precedeu o bate-boca, Gilmar voltou a causar constrangimentos para a imagem do Supremo. Ao defender a portaria escravagista do governo Temer, o ministro declarou que seu trabalho é “exaustivo, mas não escravo”. Ele despacha em gabinete refrigerado, circula em carro oficial com motorista e recebe R$ 33,7 mil por mês.

No dia seguinte, a PF informou que Gilmar trocou 46 ligações criptografadas com o senador Aécio Neves, denunciado por corrupção passiva e obstrução da Justiça. Barroso deve ter pensado nisso ao criticar o “Estado de compadrio” e dizer que “juiz não pode ter correligionário”.*

(*)  Bernardo Mello Franco – Folha de São Paulo

PAÍS TROPICAL

Na contramão do caminho

Foi uma vitória suada; suada, difícil e cara. Neste momento, dez entre dez analistas dizem que o Governo acabou, que Michel Temer não tem força nem para se livrar da obstrução urinária sem fazer shopping parlamentar. Ficará manquitolando à espera do último dia de seu mandato.
Só que não é assim: vitória suada e cara também vale três pontos. Se, no momento em que enfrentava uma denúncia que poderia afastá-lo do cargo, ele sobreviveu, tem tudo para ganhar forças depois de livrar-se de Janot. O presidente tem muitos fatores a favor: o exercício do poder, que lhe permite preencher o Diário Oficial e dar apoio a algum candidato à Presidência, o fim das denúncias e esplêndidos resultados econômicos. Depende dele: não adianta usar Moreira Franco, Padilha e Eunício para divulgar boas notícias, porque neles ninguém vai acreditar. Mas, abrindo seu Governo à luz do Sol e tirando os suspeitos de sempre de seu lado, terá tudo para virar o jogo.
As exportações por Santos se aproximam de 100 milhões de toneladas, e vão batendo recordes. A balança comercial deve ter superávit de US$ 70 bilhões até o final do ano – recorde absoluto. A taxa de juros, em um ano e pouco de Temer, caiu à metade do que era com Dilma: foi de 14,25% a 7,5%. Há leves sinais de melhora da atividade – que ficarão mais visíveis a partir da taxa de juros mais baixa, que facilita os investimentos. Afastando a turma vetusta para que a equipe econômica cresça, Temer cresce com ela.

A vista…


O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) acha que Temer não terá força para votar a reforma da Previdência. Maia deve entender bem os sentimentos parlamentares, ou não se elegeria presidente; mas é verdade, ao mesmo tempo, que sua maior credencial é o pai, César Maia. Antes dos atuais episódios, poucos tinham ouvido falar de Rodrigo Maia.
O fato é que Temer está disposto a votar, ainda neste ano, a reforma da Previdência. Temer também conhece os sentimentos parlamentares, tanto que, sem apoio familiar externo, se elegeu três vezes presidente da Câmara. E, tendo sido quem convenceu Suas Excelências a ficar a seu lado, sabe perfeitamente quanto custa um voto, e qual seu prazo de validade.

…e a prazo


Quem foi abençoado com cargos para votar contra a aceitação da denúncia contra Temer pode, de uma hora para outra, perdê-los: não tem como retirar seu voto. Não pode, portanto, virar oposição a Temer, sem entrar no prejuízo, de uma hora para outra. Para aprovar a reforma, Temer precisará de 308 votos – os 251 que rejeitaram a denúncia contra ele, mais 57. Temer acredita que, entre os 107 deputados governistas que votaram contra ele, há pelo menos 57 favoráveis à reforma. E Suas Excelências sabem que, ao votar contra a reforma, estarão votando contra os cargos que seus partidos tiverem recebido; estarão contra a equipe econômica, bem na hora em que a economia mostra sinais de recuperação; e estarão contra um possível – e forte – candidato à Presidência, o ministro Henrique Meirelles.

A hora do sonho


Quando Meirelles voltou para o Brasil, depois de boa carreira no Banco de Boston, tinha um plano em duas etapas: primeiro, eleger-se governador de seu Estado, Goiás; segundo, tentar a Presidência. Entrou no PSDB, com a proposta de pagar sua própria campanha, sem doações. Havia, entretanto, um obstáculo intransponível: o cacique tucano de Goiás, Marconi Perillo. Meirelles então se elegeu deputado federal.
Nem tomou posse: Lula, eleito ao mesmo tempo, convidou-o para presidente do Banco Central. Mas seu sonho se manteve: está no PSD de Kassab, seu trabalho na Fazenda vai bem, Temer não tem outro nome. Entre Lula (ou poste de plantão), Alckmin e Bolsonaro, Meirelles pode ser o candidato-novidade, sem processos, capaz de viajar a Curitiba a passeio, sem medo, e com Temer.
Atenção em Lula
Lula disse que está na hora de parar de gritar “Fora, Temer”. Por que?

Amigos…


Lula não se transformou, de uma hora para outra, em apreciador de Temer. Soltou até, em Minas, uma frase venenosa (que, embora atinja a posta de sua escolha, derrama mais peçonha no adversário): “Como Deus escreve certo por linhas tortas, as pessoas que diziam que a Dilma era uma desgraça perceberam que Temer era desgraça e meia”.

…inimigos


Na verdade, Lula não tinha como falar isso sem atingir aliados. Quem foi que montou a chapa Dilma -Temer que ganhou a eleição?
Mas Lula provavelmente está estudando o terreno, escolhendo os adversários de campanha. Pois sua caravana, que deve percorrer o país inteiro, não está repetindo o sucesso da Caravana da Cidadania, de antes de se eleger presidente. É pouca gente e muita vaia.*

(*) Coluna Carlos Brickmann, na Internet