CANALHAS JURAMENTADOS

PF incrimina Teotônio Vilela e Renan (pai e filho) por desviar verbas da seca

A ação acontece em quatro estados: Maceió (AL), Salvador (BA), Limeira (SP) e Brasília (DF). A PF investiga irregularidades nas obras do Canal do Sertão, entre os anos de 2009 e 2015. A operação, batizada de “Caríbdis”, faz referência a uma criatura da mitologia grega que deixa as águas turbulentas.

PROPINAS – Em abril, o Globo mostrou que o dinheiro de obras contra a seca foi usado para pagar propina ao senador Renan Calheiros (PMDB-AL), o atual governador de Alagoas Renan Filho e o ex-governador daquele estado Teotônio Vilela.

Os três são acusados de receber R$ 13,3 milhões da Odebrecht. Para Teotônio, os delatores da empreiteira disseram ter pago R$ 2.8 milhões, só no período em que ele era governador e um dos responsáveis diretos pelo Canal.

As fraudes nas obras destinadas a mitigar os efeitos da seca em Alagoas foram denunciadas pelos ex-executivos João Antônio Pacífico, ex-diretor da Odebrecht no Nordeste, Airel Parente e Alexandre Biselli, entre outros ex-dirigentes da empreiteira. Segundo eles, num primeiro momento, houve um acerto coM ex-auxiliares de Teotônio Vilela para direcionar os lotes 3 e 4 do Canal para a Odebrecht e a OAS.

NO CRONOGRAMA – Pelo acordo, as empreiteiras teriam que pagar uma propina equivalente a 2,25% do valor da obra. O pagamento da propina ocorreria de acordo com o cronograma de desembolso do governo para o custeio das obras.

O Canal do Sertão tem por objetivo levar água para mais de um milhão de pessoas numa das regiões mais secas e pobres da América Latina. A escassez de água é uma das principais causas do subdesenvolvimento econômico da região. Pelo projeto original, o canal teria 250 quilômetros de extensão ao custo de R$ 1,5 bilhão. O governo gastou R$ 2 bilhões e, até agora, só 107 quilômetros foram concluídos.

Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que “os policiais estiveram no gabinete do secretário de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, Marco Fireman, então secretário de Infraestrutura do Estado. Não foram levados documentos ao final da busca e o secretário está à disposição da PF para prestar todos os esclarecimentos.”*

(*) O GLOBO – REDAÇÃO

Compartilhe...Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedInEmail this to someone