NESTE PAÍS, TUDO É POSSÍVEL

Temer acalenta a sério ideia de se recandidatar

Todos os governos, por piores que sejam, cultivam seus mitos de excepcionalidade. Mas é inédita na história a pretensão de Michel Temer de ser um estadista, que merece não só o reconhecimento coletivo como a reeleição à Presidência da República. Em entrevista, o chefe da Casa Civil Eliseu Padilha declarou que Temer não tem pretensões políticas senão a de “cumprir bem o seu mandato”. Acrescentou que a reeleição não está nos planos do presidente. E emendou: “Por enquanto…”

Não é o cinismo de Temer e seu sucesso entre os áulicos peemedebistas que assustam. O cinismo pelo menos é uma coisa consciente. Pode-se compreender que um grupo político recoberto de lama queira camuflar sua imoralidade atrás de hipotéticos projetos reformistas. O que assusta mesmo é a percepção de que nem Temer nem os seus apologistas estão sendo cínicos. Eles acreditam mesmo que fazem ao país o favor de realizar um governo salvacionista, que lhes dá o direito de reivindicar a continuidade.

Se Temer não for candidato, informou Padilha, o PMDB apoiará outro nome. Com uma condição: tem que “defender o legado do governo Temer”, uma gestão que executa a missão especial de “colocar o Brasil nos trilhos.” Os comentários do ministro desconsideram o fato de que Temer não impulsiona as reformas. Ele as enterra, como sucede agora com a não-reforma da Previdência. Ele não conserta a economia, mas torna mais lenta uma retomada do crescimento que poderia ser exuberante.

É certo que o humor compreende também o mau humor. Mas o mau humor que assegura a Temer o título de campeão de impopularidade não compreende que uma piada possa sonhar com a reeleição à Presidência da República. O projeto político que se esconde atrás do “por enquanto” de Padilha é real. Temer passou a acalentar a fantasia de comparecer às urnas de 2018 como recandidato.

Considerando-se o rastro pegajoso deixado pelas duas denúncias criminais congeladas pela Câmara, Temer sonha não com uma nova Presidência, mas com a preservação do escudo da imunidade presidencial. O sucesso do empreendimento depende do reconhecimento de que o Brasil virou uma nação de idiotas.*

(*) Blog do Josias de Souza

E VIVA O BANANÃO!

O ex-governador ladrão é um Marcola principiante

Sérgio Cabral transformou a galeria da cadeia que aloja seus comparsas num hotel de boa qualidade

O Ministério Público do Rio constatou que o prisioneiro Sérgio Cabral virou gerente de um confortável hotel no bairro de Benfica. Na galeria C, onde se alojam os integrantes da organização criminosa chefiada pelo ex-governador corrupto, os colchões são confortáveis, os lençóis são muito mais brancos, há filtros de água em todas as celas.

 

A cela em que dorme o chefão dispõe de comida de restaurante cinco estrelas, halteres, chaleira, sanduicheira, aquecedores e corda para crossfit. É hora de prender também o diretor da gaiola e os carcereiros comparsas. Todos são quadrilheiros a serviço do reizinho gatuno que hoje, depois de destruir o Rio, é o Marcola de Benfica.*

(*) Blog do Augusto Nunes

E O ESTADO DE DIREITO, HEIN?

Grandes novidades…

A novidade é ver quadrilhas de ‘governantes’ de um lado e do outro lotando as cadeias públicas

Os jornais estampam a última “novidade” deste Brasil feito por nós, mas que tende a ser visto como um ilustre desconhecido. Pois somos muito mais predispostos a nos ver como criadores do que como criaturas. Acreditamos criar relações que produzem grupos, os quais, por sua vez, inventam regras mas – eis a novidade das “crises’ – descobrimos como temos que prestar contas do que escolhemos e inventamos.

No momento, a grande novidade é descobrir que, sem fazer valer a lei a torto e a direito (sem trocadilho), o Brasil vai às brecas. Nosso problema corrente e premente é como desfazer os resíduos de nobreza embutidos em toda parte, mas imoral e desconfortavelmente visíveis nos cargos públicos de alto coturno.

Você não queria democracia? – agora chia… Nós nos perguntávamos quando veio o golpe militar para – diziam – democratizar o Brasil e vimos o passageiro se transformar em permanente, o democrático, em ditadura e o governo provisório, num regime.

Proclamamos uma República em 1889 somente para descobrir em 2017 que falta muito para sermos republicanos. Como igualar perante a lei se os porquinhos são mais iguais do que os cachorros? E se os leões eleitos para salvar o povo têm imunidade. Eis uma sobrevivência do passado imperial no presente republicano. De fato, quanto mais lutamos pela igualdade, mais criamos iniquidades. Ambiguidades ocorrem em toda parte, mas não viram valores. Os americanos, por exemplo, queriam evitar demagogos e, com suas eleições em dois turnos, elegeram Trump. Os alemães – cuja língua só os mais inteligentes conseguem falar, conforme dizia um dos meus professores -, inventaram o nazismo exatamente por serem compulsivamente corretos.

A ironia como um hóspede não convidado surge como um “inesperado” na mesma proporção de nossas intenções. “É a obra do artista, como escreveu Nietzsche, que inventa o homem que a criou. ‘Os Grandes Homens’, como eles são depois venerados, são o resultado subsequente de pequenas peças de ficção”.

O coletivo retorna ao jogo com a mesma potência com a qual ele foi ignorado. Uma matriz aristocrática – baseada em sucessão hereditária, programada para proteger parentes e amigos; uma sociedade na qual os “brancos” tinham como destino “não fazer nada” a não ser legislar, decretar e, acima de tudo, mandar enquanto os “negros-escravos” os complementavam praticando essa coisa terrível que é trabalhar – enfrenta hoje uma inexorável pressão igualitária.

Um sistema que teve como ideal afastar o trabalho das suas camadas dominantes resultou nessa novidade que hoje estamos enfrentando: trabalho dobrado. Trabalho adornado pela vergonha de ver a olho nu e sem convicções ideológicas como o viés aristocrático com seus penduricalhos estatais canibalizou a horizontalidade das posições políticas. A polaridade esquerda/direita foi engolida pela gradação tradicional do alto e do baixo, do pobre e do rico, por meio do aviltamento das políticas públicas transformadas em instrumentos de enriquecimento pessoal. A novidade é ver quadrilhas de “governantes” de um lado e do outro lotando as cadeias públicas.

E, dentro delas, eis a negação da negação, reproduzindo regalias. De fato, como impedir que uma gangue de governantes e ministros criminosos coma do bom e do melhor? Sobretudo quando vivemos uma epidemia de culinária cujos “chefs” têm sotaque francês?

O resultado direto, espera-se, será a melhoria das cadeias medievais agora preparadas para esses prisioneiros enobrecidos – esses vis batedores de carteira de ideais democráticos. Assim, em conformidade com o nosso surrealismo jurídico-político, tais prisões deveriam ser privatizadas e transformadas em “prisões-resort-especiais” destinadas aos que têm o direito antidemocrático a “prisão especial” – essa brutal contradição em termos. Nelas, os ladrões dos nossos sonhos de igualdade, honra, honestidade, trabalho e solidariedade coletiva – teriam a sua doce e legalíssima punição.

A norma crítica do republicanismo – o axioma da democracia é a igualdade perante a lei. Nele, o crime cometido, e não a prerrogativa do cargo ou a pessoa que o ocupa, é o fiel do julgamento. Se certos cargos neutralizam a igualdade, voltamos à nobreza que, como o “você sabe com quem está falando?”, jamais abandonamos inteiramente. Como, eis a questão, neutralizar o princípio em função de papéis sociais e pessoas. A própria discussão é a prova mais clara do nosso horror à igualdade.*

(*) Roberto DaMatta, O Estado de S.Paulo

DESCARAMENTO TOTAL

Metade dos ‘garotos-propaganda’ do programa do PMDB na TV é investigada na Justiça

Temer foi defendido por aliados como Romero Jucá e Eunício Oliveira

BRASÍLIA – No programa partidário exibido na TV na noite de terça-feira, o PMDBdefendeu o presidente Michel Temer e disse que as denúncias contra ele fazem parte de uma trama que, por tabela, atrapalhou a economia e a estabilidade do Brasil. Ao longo de dez minutos, seis políticos se apresentaram como garotos-propaganda do programa. Três deles, incluindo o próprio Temer, são alvos de inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF).

Temer têm três inquéritos surgidos a partir da delação de executivos da JBS, sendo que dois estão paralisados porque a Câmara não deu autorização para o prosseguimento da denúncia. O outro, que investiga irregularidades no decreto presidencial dos portos, está numa fase menos avançada e continua tramitando no STF.

— Ter a honra atacada dói. Dói bastante. Mas não se compara com a dor do desemprego, da sobrevivência, da injustiça social. A injustiça social dói em tudo. Dói na saúde, na educação, na falta de oportunidades. Dói agora, e dói depois. As mudanças que estamos fazendo têm um único objetivo: diminuir a desigualdade para acabar com essa dor. E vamos seguir em frente, com muita convicção, porque agora é avançar — disse Temer durante o programa.

O primeiro político do PMDB a aparecer no programa também é um dos mais investigados no STF. O GLOBO localizou 15 inquéritos na Corte em que o nome do senador Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo no Senado, aparece. Boa parte tem origem na Operação Lava-Jato. Somente a delação da Odebrecht levou à abertura de cinco inquéritos. O senador vêm negando que tenha cometido irregularidades.

— Não dá para esquecer que foi nesse cenário trágico (deixado pela ex-presidente Dilma Rousseff) que o presidente Michel Temer assumiu o desafio de recuperar a economia, resgatar a confiança, trazer investimentos e promover a volta dos empregos. E o PT, ao invés de assumir os seus erros, pedir desculpas ao povo e ajudar o Brasil a sair da crise, crise criada por eles, optou por colocar a culpa e todos os seus erros no novo governo do presidente Michel Temer. Chega a ser ofensa à nossa inteligência. É pena, é triste, mas a verdade é que o PT deixou de ser um representante importante para a política e a democracia do país para se transformar em um grupo cujo único ideal era o de se manter no poder. Esse petismo o país não quer mais — disse Jucá durante o programa do PMDB.

O terceiro garoto propaganda do partido investigado no STF é o presidente do Senado Eunício Oliveira (PMDB-CE). Há dois inquéritos contra ele, sendo que um com base na delação da Odebrecht. Ele também vem negando irregularidades.

— Graças ao diálogo, à negociação dos temas e às respostas do Senado, aprovamos medidas para recuperar a economia e trazer de volta os investimentos e os empregos com carteira assinada. Empregos que nos próximos meses vão aumentar ainda mais. Este é um sinal claro de que o país está se recuperando e que a confiança voltou e que o Brasil voltou — afirmou Eunício.

Além de Temer, Jucá e Eunício, três outras integrantes do PMDB apareceram no programa partidário. A senadora Marta Suplicy (PMDB-SP), a prefeita de Boa Vista, Teresa Surita, e a secretária nacional de Políticas para Mulheres, Fátima Pelaes não são investigadas no STF.*

(*) ANDRÉ DE SOUZA – O GLOBO

 

CEGO EM TIROTEIO

Fora do prumo

O PSDB decididamente perdeu o rumo. No mesmo momento político em que decide dar ao governador de São Paulo Geraldo Alckmin a presidência do partido com o objetivo de tentar uni-lo em torno de sua candidatura à presidência da República no ano que vem, toma duas atitudes completamente divisionistas: a bancada na Câmara decidiu impor condições para aprovar a reforma da Previdência, defendendo privilégios para servidores públicos; e divulga um documento pelo Instituto Teotônio Vilella com pretensas diretrizes para o programa partidário que não foi colocado em discussão.

Tudo indica que o partido acredita mesmo que a eleição de 2018 tem semelhanças com a de 1989, tanto que retornou no tempo para defender nesse documento supostamente partidário um “choque de capitalismo”, coisa que o então candidato do PSDB Mario Covas pediu em 89.

Como o partido é reconhecido como o que tem dos melhores quadros de economistas, responsáveis pelo Plano Real, é espantoso que nenhum deles – Pedro Malan, Edmar Bacha, Elena Landau – tenha sido pelo menos consultado sobre esse texto divulgado. Não é à toa que Gustavo Franco decidiu deixar o PSDB para aderir ao Partido Novo, e André Lara Resende, Pérsio Arida e Armínio Fraga estejam afastados do partido, assessorando novos potenciais candidatos.

E é igualmente inexplicável que se lance um projeto de programa para as eleições de 2018 quando o partido está em fase de transição na sua direção nacional. Fora que a defesa de um “Estado musculoso”, em contraposição ao “Estado mínimo” ou “Estado forte” é um achado linguístico desastroso, que pode encobrir novas incoerências na questão das privatizações que já foi uma pedra no caminho da candidatura presidencial de Alckmin em 2006.

Do mesmo modo, a defesa de pontos programáticos históricos como a reforma da Previdência esbarra em interesses corporativos e populistas de parte da bancada de deputados, que pede mais concessões ao governo em sua proposta. O documento da bancada exige benefício integral na aposentadoria por invalidez, independentemente do lugar onde o problema ocorreu; permissão para acumular benefícios (pensão e aposentadoria) até o teto do INSS, hoje em R$ 5.531 e acima do que o governo propõe; e uma regra de transição especial para que os servidores que ingressaram no sistema até 2003 possam ter integralidade (último salário da carreira) e paridade (mesmo reajuste salarial dos ativos) sem ter que cumprir idade mínima de 65 anos (homem) e 62 anos (mulher).

Quer dizer, o PSDB, que iniciou a reforma da Previdência como projeto de Estado, está sendo mais corporativista que o governo do PMDB. O partido já havia explicitado sua incoerência na campanha presidencial de 2014, quando votou pelo fim do fator previdenciário, mecanismo engenhoso aprovado pelo governo do PSDB para compensar a impossibilidade de aprovar a idade mínima para aposentadoria, derrotada na Câmara pela falta de um voto, justamente a do tucano Antonio Kandir, que alegadamente se equivocou na hora de votar apertando a tecla errada.

Para completar as trapalhadas, fala-se agora em acabar com as prévias, frustrando a pretensão do prefeito de Manaus Arthur Virgilio de disputar a indicação. Claro que é uma atitude voluntarista de Arthur Virgilio, já que
a maioria do partido já se decidiu pela candidatura Alckmin. Mas pelo menos enquanto tentam convencê-lo a desistir, não deveriam aventar a hipótese de não haver prévias. Foi o próprio Geraldo Alckmin quem disse que se houvesse mais de um candidato à presidência da República entre os tucanos, a prévia partidária era a melhor saída.  *

(*) Merval Pereira – O Globo

PILANTRA JURAMENTADO

Aécio usava celulares de laranjas para ligações sigilosas, diz a Polícia Federal

Após análise de objetos e documentos apreendidos no apartamento do senador Aécio Neves (PSDB-MG) no Rio de Janeiro, em 18 de maio, um relatório elaborado pela Polícia Federal (PF) apontou indícios de que o tucano usava dois celulares com linhas telefônicas supostamente registradas em nome de laranjas para fazer ligações sigilosas. De acordo com a perícia, “aparelhos celulares simples” foram encontrados pelos agentes na sala de TV e no closet do apartamento de Aécio localizado no bairro de Ipanema.

Para identificar quem eram os proprietários das duas linhas móveis disponíveis nos equipamentos encontrados, a Polícia Federal teve que solicitar os dados às operadoras de telefonia TIM e Vivo.

AGRICULTOR E OPERÁRIO – Os telefones pré-pagos estavam registrados em nome de duas pessoas diferentes: Laércio de Oliveira, agricultor que trabalha no cultivo de café em fazendas do interior de Minas, e Mitil Ilchaer Silva Durao, montador de andaimes com endereço registrado no Espírito Santo.

“Pelas descrições dos itens 20 e 25, tratam-se de aparelhos telefônicos simples/descartáveis normalmente utilizados para conversas ponto-a-ponto (análogo a uma rede fechada) com pessoas determinadas/restritas de modo a evitar eventuais vazamentos do número utilizado na ligação, visando a maximização do sigilo das ligações”, conclui a investigação.

A defesa de Aécio ainda não comentou as conclusões do relatório da PF porque não teve acesso ao documento.*

(*) Nathália Cardim – Site Metrópoles

CARTA FORA DO BARALHO

Lula pode perder as esperanças de ser candidato, não há mais a menor chance

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Charge do Clayton (O Povo/CE)

Existem duas situações políticas totalmente distintas na eleição de 2018. A primeira hipótese parte do pressuposto de que Lula da Silva será candidato, irá para o segundo turno, disputará a Presidência contra Jair Bolsonaro e ninguém pode prever quem ganhará a eleição. A segunda possibilidade é de que Lula não consiga ser candidato, e assim o PT ficará fora do segundo turno e também será impossível antecipar quem irá enfrentar Bolsonaro. E tudo vai depende do resultado do julgamento de sua Apelação ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), contra a condenação a nove anos e meio de prisão aplicada pelo juiz Sérgio Moro, por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá.

Como se sabe, para ter sua candidatura registrada pela Justiça Eleitoral, Lula precisará de pelo menos um voto a favor no julgamento da 8ª Turma do TRF-4, para que seus advogados possam apresentar embargos infringentes e adiar a decisão, de forma a permitir o registro da candidatura.

SEM CHANCE – Sonhar ainda não é proibido, mas já está mais do que evidente que Lula será condenado no TRF-4. Nesta terça-feira, dia 28, a 8ª Turma negou um importante recurso da defesa de Lula para dar sequência ao mandado de segurança que solicita o desbloqueio de bens dele, no processo da Lava Jato envolvendo o tríplex em Guarujá.

O pior foi que a 8ª Turma, além de manter o bloqueio de R$ 16 milhões, estabelecido como dano mínimo, também determinou o sequestro do apartamento, que foi devolvida à empreiteira OAS pela família Lula da Silva, está fechado e não pode ser vendido nem alugado.

Com esta decisão, tomada por unanimidade, a 8ª Turma do Tribunal sinaliza que vai manter a condenação de Lula, que também já teve bloqueados judicialmente mais de R$ 600 mil em contas bancárias e cerca de R$ 9 milhões que estavam depositados em dois planos de previdência privada.

UM DIA DE CÃO – Foi uma terça-feira terrível para a defesa de Lula. Além da decisão negativa da 8ª Turma do Tribunal, houve a publicação de uma importante matéria de José Marques na Folha de S. Paulo, mostrando que os desembargadores federais estão acelerando cada vez os julgamentos dos processos da Lava Jato.

A fila anda e o levantamento feito pelo excelente repórter demonstra que a Apelação apresentada pela defesa de Lula não tarda a ir a julgamento. E isso acontecerá bem apenas no início do registro das candidaturas, que só acontecerá em agosto.

O julgamento de Lula não vai demorar, porque Ministério Público Federal já encaminhou parecer à 8ª Turma do TRF-4, reforçando o pedido de condenação. Agora só falta o voto do relator João Pedro Gebran Neto, que será encaminhado ao revisor Leandro Paulsen, que então analisará o parecer e marcará a data do julgamento, que tudo indica confirmará a condenação de Lula por 3 votos a 0, impedindo que sua candidatura seja registrada na Justiça Eleitoral, devido à Lei da Ficha Limpa.*

(*) Carlos Newton – Tribuna na Internet

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P.S.
 – É impressionante que importantes observadores políticos continuem analisando a sucessão presidencial de 2018 como se a candidatura de Lula fosse irremovível, um fato consumado, quando na verdade é apenas uma obra de ficção, com prazo de validade prestes a vencer. Lula já é carta do baralho e a grande dúvida é saber quem irá enfrentar Bolsonaro no segundo turno. Estou com vontade de abrir um bolo esportivo aqui na TI, para saber quem a galera acha que vai preencher a vaga de Lula na sucessão. Como diz a Bíblia, muitos são chamados, mas poucos os escolhidos.

A FAMIGLIA CORLEONE BAIANA

Polícia Federal pede que até a mãe de Geddel seja incriminada e processada

Segundo o delegado Marlon Oliveira Cajado dos Santos, que assina o documento, eles “estiveram unidos em unidade de desígnios para a prática de crimes de lavagem de dinheiro, seja pelo ocultamento no apartamento de Marluce Quadros Vieira Lima, seja pelo ocultamento no apartamento da Rua Barão de Loreto, Graça, Salvador/BA, de recursos financeiros em espécie oriundos atividades ilícitas praticadas contra a Caixa Econômica Federal (corrupção de GEDDEL), apropriação indevida de recursos da Câmara dos Deputados por desvios de salários de Secretários Parlamentares (Peculato), Caixa 02 em Campanhas Eleitorais (Art. 350 do Código Eleitoral), possível participação de Lúcio Vieira Lima em ilicitudes relacionadas a medidas legislativas e da participação de GEDDEL VIEIRA LIMA em Organização Criminosa” descrita no inquérito do Quadrilhão do PMDB na Câmara”.

BUNKER – A operação Tesouro Perdido partiu de uma denúncia anônima por telefone no dia 14 de julho de 2017. O apartamento em Salvador aonde foram encontrados os R$ 51 milhões pertence ao empresário Silvio Antonio Cabral Silveira, que admitiu às autoridades que emprestou o imóvel ao irmão de Geddel, o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB), a pretexto de guardar bens do pai do peemedebista, já falecido.

Na montanha de notas de R$ 100 e R$ 50 encontrada no apartamento, há marcas dos dedos do ex-ministro, de seu aliado Gustavo Pedreira Couto Ferraz, ex-diretor da Defesa Civil de Salvador, do assessor de Lúcio, Job Ribeiro Brandão, além de uma fatura com o pagamento da empregada do parlamentar.

COLABORAÇÃO – No âmbito das investigações, Job resolveu colaborar com as investigações e tem feito tratativas para firmar delação premiada e seus depoimentos agravaram a situação dos peemedebistas perante a Justiça.

Ele disse que devolvia 80% de seu salário aos irmãos, além de contar e guardar dinheiro vivo em grandes quantidades para o ex-ministro e o deputado federal.

O homem de confiança dos peemedebistas foi preso no dia 16 de outubro, mesma data em que o gabinete de Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) foi alvo de busca e apreensão.*

(*)  O Tempo – (Agência Estado)

“DEITADO ETERNAMENTE”, BLÁ-BLÁ-BLÁ…

O que fará a diferença, nesta confusa campanha eleitoral que se inicia?

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Charge do Newton SIlva (newtonsilva.com)

A questão central dessa campanha presidencial que já começou não é se Lula será ou não candidato, embora essa seja uma premissa fundamental. O que ninguém sabe é o que prevalecerá, se as máquinas partidárias e suas conseqüências, como alianças partidárias e tempo de propaganda eleitoral, ou a repulsa, cada vez mais sentida, do cidadão comum aos partidos e políticos tradicionais, e a busca de um novo perfil de candidatos.

Mesmo que as pesquisas de opinião mostrem que o eleitorado rejeita a política tradicional, o raciocínio político oficial de governistas e oposicionistas ainda trabalha com a idéia de que, no final das contas, prevalecerá a estrutura partidária. Por isso as coligações eleitorais, mesmo as mais absurdas, continuam sendo o objetivo central de seus candidatos.

BOLSONARO E LULA – O único candidato bem posicionado nas pesquisas que parece não ligar para as estruturas formais é Jair Bolsonaro, que nem mesmo partido tem. Lula já prometeu “perdoar os golpistas” para abrir espaço para alianças regionais com políticos com projetos de poder apartidários, com homogeneidade moral semelhante a Renan Calheiros e congêneres.

A resiliência da popularidade do ex-presidente, e a máquina petista, dariam as possibilidades reais de competitividade, embora na eleição municipal de 2016 o PT tenha perdido 60% das prefeituras em relação à eleição anterior. Mas a ameaça concreta de o ex-presidente ser impedido pela Justiça de disputar a eleição está fazendo com que partidos tradicionalmente aliados ao PT busquem soluções próprias.

E OS OUTROS? – O PC do B já lançou a deputada Manuela D’Avila, e o PDT tem em Ciro Gomes seu candidato. A base governista tenta armar uma candidatura que reúna o maior número de partidos possível para defender um projeto de governo de continuidade, jogando na possibilidade de que a melhora da economia chegue às vésperas da eleição no ano que vem se refletindo no bolso do cidadão comum.

O PSDB, de seu lado, tenta reunir seus cacos em torno do governador de São Paulo Geraldo Alckmin com uma certeza: a máquina partidária tucana, se for unida para a eleição, é das mais fortes, tendo crescido consideravelmente nas eleições municipais de 2016. Além de dominar São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, a capilaridade partidária, que atualmente só perde para o PMDB, seria um trunfo.

COLIGAÇÕES – O que está difícil é montar alianças eleitorais, pois o PSB, que deu o vice em São Paulo como parte de um acerto eleitoral para apoiar Alckmin à presidência, resiste a concretizá-lo, tendo o ministro aposentado do STF Joaquim Barbosa como alternativa e, caso mais este outsider desista de entrar na disputa, parte dos socialistas quer apoiar Lula.

O PPS, sem a opção do Luciano Huck, deve apoiar Alckmin, e o DEM, outro aliado natural dos tucanos, parece mais inclinado a fechar acordo com a base aliada do governo Temer do que a ir para a oposição.

Todo esse raciocínio, no entanto, não leva em consideração o desgaste dos partidos políticos diante da opinião pública. Há candidaturas isoladas que acreditam na efetividade da repulsa do eleitorado aos partidos tradicionais, como Marina Silva, que deve se candidatar pela Rede com a base de cerca de 20 milhões de votos nas duas últimas eleições presidenciais. Há também o Partido Novo, que quer radicalizar na novidade, não aceitando o fundo partidário e não fazendo coligações. Seu candidato, o economista João Amoedo, joga na desconfiança do eleitorado da política tradicional para se distinguir dos concorrentes.

ELEIÇÃO CASADA – Assim como diversos caciques do PMDB, especialmente do nordeste, já abandonaram a nave-mãe para tentar se acoplar à popularidade de Lula, também a candidatura de Bolsonaro está atraindo candidatos de diversos partidos que devem reforçar a bancada do Patriotas, provável sigla pela qual ele disputará a presidência.

Aos que fazem comparações com a eleição presidencial de 1989, que permitiu a Collor, visto como um outsider, ser eleito, os políticos tradicionais lembram que aquela foi uma eleição “solteira”, isto é, apenas a presidência da República estava em jogo.

A do ano que vem será “casada”, com disputas para a totalidade dos deputados estaduais e federais, 2/3 dos senadores, governadores e Presidente da República. O que pode fazer toda a diferença se as máquinas partidárias e a propaganda eleitoral tiverem a importância que a análise tradicional indica. Mas o eleitorado e as redes sociais podem subverter esse conceito estabelecido.*

(*)  Merval Pereira – O Globo