PAÍS À DERIVA

Retomada da economia é muito lenta, mas o crescimento da dívida é galopante

O chefe da autoridade monetária destacou que, em setembro deste ano, no mesmo caso, sobravam R$ 296 após a compra dos alimentos. A diferença de R$ 112, disse Ilan, corresponde a uma alta de 57% após descontada a inflação do período. Se o preço da cesta básica fosse igual em todo o país, representaria adicional de pouco mais de R$ 5 bilhões no bolso dos 45 milhões de brasileiros que têm renda de um salário mínimo.

MASSA SALARIAL – Os dados foram apresentados sexta-feira, dia 3, pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PNAD Contínua), realizada pelo IBGE. Os números mostram que a massa de rendimento real habitual cresceu R$ 7 bilhões em setembro de 2017 em relação ao mesmo período do ano passado e totalizou R$ 188,1 bilhões. O crescimento da massa salarial é fruto da queda do desemprego, mas também da queda da inflação.

Os avanços são incontestáveis, mas o país ainda está longe do ideal. O que fica claro quando analisado o custo dos financiamentos no Brasil. Mesmo com recuo de 6 pontos percentuais na taxa básica de juros entre setembro de 2016 e de 2017, que levou a Selic a 8,25% ao ano, as taxas cobradas em empréstimos continuram assustadoras. Dados apresentados por Ilan Goldfajn mostram que o repasse para os consumidores ainda está longe do ideal.

JUROS ALTÍSSIMOS – O crédito livre para as famílias tinha juros médios de 74% ao ano em setembro do ano passado e passou para 59,2%. Mesmo com a redução de 14,8 pontos percentuais, os brasileiros gastam mais do que o dobro que empresas com o custo dos financiamentos.

No mesmo período, as companhias foram favorecidas com uma queda de 6,5 pontos percentuais, o que levou a taxa média a 23,2% ao ano. E mesmo com juros exorbitantes, os consumidores voltaram a buscar crédito, o que levou o estoque de recursos de R$ 808,8 bilhões para R$ 827,9 bilhões. Porém, no caso das empresas, o estoque encolheu de R$ 747,1 bilhões para R$ 702 bilhões.

Questionado sobre as altas taxas cobradas pelos bancos nos empréstimos a empresas e famílias durante a audiência na Comissão Mista de Orçamento, Ilan Goldfajn respondeu que a redução dos juros vem a reboque dos cortes na Selic. Ele ressaltou, entretanto, que a estabilização das contas públicas também pode ajudar nesse processo. “Além disso, toda vez que há mais garantias no sistema financeiro, as taxas também caem”, apontou.

CRESCIMENTO TÍMIDO – O presidente do BC voltou a destacar a retomada do consumo, mas ressaltou que, por enquanto, a taxa de investimento ainda não subiu como o governo gostaria. “Para um crescimento sustentável, é preciso consumo, mas também investimentos. Temos um cenário internacional favorável, e fluxos seguem vindo para o Brasil”, afirmou.

Segundo ele, para 2018, a expectativa é de que a inflação fique em 4,3%, voltando “devagarzinho” para a meta. O centro da meta de inflação no próximo ano é de 4,5%, com margem de 1,5 ponto percentual (inflação entre 3% e 6%). “A inflação não teria essa queda se BC não tivesse atuado de maneira firme”, afirmou. Para o presidente do BC, a aprovação de ajustes e reformas, sobretudo a da Previdência, são importantes para o equilíbrio da economia e a redução das taxas de juros no mercado de crédito.*

(*) Antonio Temóteo – Correio Braziliense