ANÁLISE DA MARACUTAIA

A engenharia da propina no Rio

Denúncia detalha e cruza dados para tentar reconstituir modus operandi da corrupção

RIO – Uma leitura dos detalhes da denúncia oferecida agora há pouco, na manhã desta quinta-feira, contra os envolvidos na Operação Cadeia Velha reconstrói indícios da dinâmica da propina na política fluminense. Às informações dos delatores se somaram dados de pendrives, gravações de diálogos, senhas e endereços onde foram feitas as entregas de quantias aos políticos, agora denunciados.

O esquema parece tão entranhado que surge na denúncia até a insólita “DR da Propina”: uma discussão entre integrantes do esquema, entre eles o empresário Jacob Barata Filho, solto na noite do último sábado após decisão liminar do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre o descumprimento de acordos feitos entre empresários e o governo. A conversa era com o ex-presidente do Detro Rogério Onofre, também preso. E-mails indicam ainda conexão entre os pagamentos mensais e o cumprimento de interesses das empresas em projetos de lei e emendas parlamentares.

Planilhas apontam o que seria a quantia mensal de repasses, tanto da Odebrecht quanto da Fetranspor, ao presidente do PMDB, Jorge Picciani para irrigar um aparente “bem sucedido” pacto entre as empresas e o poder público.Líder do partido que teria abrigado “poderosa organização criminosa”, Picciani está preso na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, junto com os também peemedebistas Paulo Melo e Edson Albertassi. A decisão sobre a permanência deles na prisão será tomada em instantes, nesta quinta-feira, em julgamento no plenário do STF.

Os procuradores registram que, dos quase de R$ 50 milhões repassados a Picciani, entre julho de 2010 a julho de 2015, ao menos R$ 5 milhões foram enviados ao exterior, numa indicação de ampla rede de captação e distribuição irregular de recursos, “que permitiu que os mais variados interesses espúrios se concretizassem”, afirmam os procuradores.

Dinheiro público, que se tornou propina, e abasteceu, como sustenta a denúncia, talvez o mais prolífico empreendimento do estado nas últimas duas décadas.*

(*) MAIÁ MENEZES – O GLOBO

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