GOVERNO DE MAFIOSOS

Audácia tem limite

Temer fecha 2017 com tentativa de indulto para corruptos e grande derrota


Apesar de seu temperamento frio e racional e de uma popularidade abaixo do razoável, ou exatamente por causa de ambos, o presidente Michel Temer demonstra uma audácia surpreendente no comando do País. O novo exemplo foi um indulto de Natal super camarada para os condenados por corrupção, como na Lava Jato. Para aliados, Temer “não cede a pressões e não faz concessões populistas”. Para adversários, “o fracasso lhe subiu à cabeça”.

O indulto concedido por Temer é considerado o mais grave golpe contra a Lava Jato, entre tantos tentados inutilmente pelo Congresso e outros tantos em discussão no Judiciário. A procuradora-geral Raquel Dodge entrou com ação no Supremo alegando que favorece a impunidade e contraria vários princípios constitucionais. A presidente da Corte, Cármen Lúcia, concordou plenamente.

Temer tem a prerrogativa de decretar o indulto de Natal, mas não a de ignorar a Constituição, e Cármen Lúcia e Dodge deram o dito pelo não dito. As novas regras de indulto para corruptos foram suspensas e a decisão final ficou para fevereiro, quando o Judiciário retoma suas atividades, o ministro Luís Roberto Barroso vai relatar a questão e o plenário deverá se manifestar. Bem que Temer poderia ter passado sem essa. Ou sem mais essa.

Quanto mais a Justiça foi roçando o cangote de ministros e parlamentares aliados, mais Temer foi ampliando o leque dos beneficiários do indulto. Antes, eles precisavam ter cumprido pelo menos um terço de uma pena que não poderia ultrapassar 12 anos. No Natal de 2016, o tempo caiu para um quarto. No de 2017, para um quinto – e sem limite para o tamanho da pena. Foi ou não para favorecer políticos enrolados? Até Eduardo Cunha no futuro?

Temer flexibilizou o indulto, o juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol reagiram contra, Dodge concretizou a reação, Cármen Lúcia bateu o martelo e a opinião pública fez um corte inquestionável entre o “bem” e o “mal”. Mas, se a crise do indulto marca a última semana do ano, não foi a única de Temer neste final de 2017. A derrota na tentativa de favorecer corruptos é mais um golpe simbólico na imagem, mas a derrota na reforma da Previdência foi além, porque é concreta.

Mesmo sem conseguir arregimentar 308 votos na Câmara para aprovar a reforma ainda em 2017 e sendo obrigado a adiar o projeto de privatização da Eletrobrás por absoluta falta de condições de tempo e temperatura política, Temer negociou a data de 19 de fevereiro para insistir no projeto da Previdência e já anuncia outra ousadia: uma minirreforma tributária.

De tão audacioso, ele pôs na articulação política um deputado novato e falastrão como Carlos Marun, da tropa de choque de Eduardo Cunha. Estava escrito nas estrelas que bastaria Marun assumir para falar pelos cotovelos, inclusive verdades que um ministro com assento no Planalto não fala. E já na primeira entrevista coletiva ele admitiu o uso de CEF, BB, BNDES… para liberar ou vetar verbas dos Estados, dependendo dos votos que derem para a reforma da Previdência na Câmara. Ele chamou de “reciprocidade”, os governadores entenderam como “chantagem”.

Temer pode não dar bola para seus míseros 6% de popularidade, mas ele ainda tem um ano de governo e não pode governar só para a reforma e só para tentar salvar o pescoço dos aliados (e dele próprio).

É melhor olhar menos para dentro e mais para fora dos belos palácios de Oscar Niemeyer, porque competência política não significa apenas negociações e votações no Congresso e a história não perdoa presidentes com mais audácia do que resultados. O ano de 2018 abre cheio de promessas, mas elas são de difícil execução e não há audácia que possa dar jeito nisso.*

(*) Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo

CIRCO BRASIL

Temer cria o Dia do Palhaço

Três dias antes do Natal, Michel Temer baixou 16 leis que presentearam cidades, homenagearam personalidades e encheram o calendário de datas festivas, relata a Folha.

No pacote, Parintins, no Amazonas, ganhou o título de Capital Nacional do Boi Bumbá e Juscelino Kubitschek foi nomeado “patrono da urologia no Brasil”.

E 10 de dezembro passou a ser, oficialmente, o Dia do Palhaço. Mas o eleitor brasileiro sabe que isso vale para os 365 dias do ano.*

(*) O Antagonista

QUEM VIVER, VERÁ?

‘Retrospectiva 2018’

O que aconteceu na economia no ano que vai começar, com a esperança de que, com a legitimidade das urnas, se alcance consenso mínimo na sociedade

2018, ideia (Foto: Pixabay)

Um ano que começou mais tarde e acabou mais cedo. Essa foi a marca característica de 2018, na economia brasileira. Demorou para começar porque as incertezas em relação ao cenário das eleições presidenciais só começaram a ser desfeitas no segundo trimestre do ano. E terminou mais cedo porque, com a definição do novo governo, os programas e projetos do eleito passaram, já na entrada de novembro, a ditar os rumos econômicos em 2019.

As incertezas, principalmente fiscais e políticas, dominantes em 2017, transbordaram para 2018, contribuindo para adiar decisões de investimento e manter moderado o passo da recuperação econômica. Em outras palavras, 2018 foi um período de transição de uma economia ainda convalescente de longa e profunda recessão.

Bem próximo da mediana das estimativas, o PIB avançou 2,9% sobre 2017. Metade dessa evolução se deveu ao carregamento estatístico vindo do final de 2017 e aos estoques acumulados ao longo do ano. Pode-se dizer, por isso, que a atividade econômica reagiu mais por inércia do que em razão de novos estímulos.

O fato de não ter sido registrada ocupação mais acelerada da capacidade instalada corrobora essa observação.

Também a inflação, medida pelo IPCA, que bateu em 4,2%, ainda abaixo do centro da meta, ficou dentro das previsões, assim como a taxa Selic, que fechou o ano em 6,75%, depois de ter chegado ao mínimo histórico de 6,5%, no primeiro trimestre.

A ligeira alta da taxa básica, já no terceiro trimestre, refletiu movimentação mais volátil da cotação do dólar, causada principalmente pelos vaivéns do processo eleitoral, mas em parte também pelo “efeito aspirador” da liquidez financeira global para o mercado americano, depois do corte de impostos corporativos nos Estados Unidos.

Com dificuldades para progredir na área fiscal, em razão de limitações políticas em ano de grandes incertezas eleitorais, o Banco Central teve de se desdobrar em 2018 na tarefa de estimular a atividade. Seu trabalho foi manter a taxa básica em terreno “estimulativo” e administrar momentos de pressão adversa no mercado cambial, que terminou o ano com a cotação do dólar a R$ 3,50, embora tenha ultrapassado esse limite em algumas ocasiões, no segundo semestre.

Para isso, o BC contou com um robusto nível de reservas equivalente a 20% do PIB e com mais um ano de bom desempenho do setor externo, mesmo que o déficit em transações correntes, ainda confortável no nível de 1,5% do PIB, tenha sido o dobro do registrado em 2017.

Alguns fatores excepcionalmente favoráveis do ano anterior não se repetiram em 2018, o que ajudou a manter morno o ritmo de recuperação da economia, embora não a ponto de reverter a tendência positiva. Um deles, já mencionado, foi o setor externo.

Outro, a agropecuária. A excepcional expansão de 30% da safra em 2017 não só respondeu pela base do crescimento econômico daquele ano — sem ela, a expansão de 1% do PIB não passaria de 0,4% —, como está no centro das causas que explicam a inflação, inferior ao piso de 3% do intervalo de tolerância do sistema de metas — o item alimentos no domicílio recuou mais de 4% em 2017 e subiu perto de 5% em 2018.

Passado o turbulento 2018, sem avanços econômicos excepcionais, mas também sem perdas significativas na economia, era possível reunir perspectivas positivas para 2019. A necessidade da adoção de um programa de ajuste ao mesmo tempo economicamente eficiente e socialmente justo ficou evidente durante a campanha eleitoral.

Com a legimitidade assegurada pelas urnas, a esperança é a de que se abram espaços para a pacificação das forças políticas ativas da sociedade e para a obtenção de um consenso mínimo em relação às correções dos desequilíbrios que têm barrado o potencial de crescimento consistente da economia.

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Esta “Retrospectiva 2018”, entre aspas, é um exercício por natureza otimista, mas não inteiramente irrealista, do que pode acontecer no ano que vai começar, a partir da mediana das projeções conhecidas. Traz com ela a esperança de que nossos melhores sonhos se realizem no novo ano. Um muito bom 2018 a todos!*

(*)  José Paulo Kupfer é jornalista – O Globo

DESMORALIZAÇÃO TOTAL

Tristes trópicos!

Que fim de ano melancólico, o do presidente Michel Temer. Em menos de uma semana, colheu três frustrações: ficou sem ministro do Trabalho, teve que cancelar o repouso em uma das poucas áreas a salvo de balas perdidas no Rio de Janeiro, e foi obrigado a engolir parte do decreto de concessão do indulto de Natal a presos condenados.

 

O ministro Ronaldo Nogueira (PTB-RS) deixou o cargo com a desculpa de que precisa cuidar de sua reeleição à Câmara dos Deputados. Que nada! Saiu porque foram descobertas graves irregularidades na sua gestão – desde pagamentos superfaturados a funcionários à não execução de serviços em contratos. Celebre se for só isso.

Temer desistiu de passar o réveillon na Restinga da Marambaia, no Rio, à beira mar plantado e aos cuidados da Marinha porque ali não haveria estrutura médica suficiente para atendê-lo em caso de necessidade. Que nada! A verdade é outra. Simplesmente ele não anda bem de saúde. E seus médicos o aconselharam a permanecer em Brasília.

A decisão da ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal, de suspender trechos do indulto presidencial de Natal que beneficiava criminosos envolvidos com corrupção foi um desastre político para Temer. Quem comemorou um índice de popularidade de minguados 6% não precisava passar por mais uma vergonha dessas.

O primeiro presidente da República do Brasil denunciado por corrupção no exercício do cargo é também aquele que tentou sem sucesso indultar condenados por corrupção. Está bom ou Temer quer mais?*

(*)  Blog do Josias de Souza

SEM MOLEZA, CARMINHA!

Recesso sem flores

A presidente do Supremo Tribunal Federal ministra Carmem Lucia saiu-se com galhardia da primeira das pelo menos duas situações politicamente delicadas que tem que enfrentar durante este recesso. Diz-se em Brasília que durante o recesso vários assuntos desimportantes ganham relevância. São as flores do recesso. Mas este parece que não terá flores para a ministra Carmem Lucia. Ao indulto natalino se somará a provável condenação do ex-presidente Lula pelo Tribunal Regional Federal de Porto Alegre (TRF-4), que pode gerar a determinação de cumprimento imediato da pena em regime fechado.

O caso pode chegar ao Supremo ainda em janeiro, caso o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negue um habeas corpus, demandando da presidente uma decisão mesmo antes do fim do recesso. Circula em Brasília a informação de que a ministra Carmem Lucia já revelou em conversas reservadas que concederá um habeas corpus se a defesa de Lula chegar ao STF.

Ela não comentou diretamente, mas ao site O Antagonista, que divulgou essa versão, garantiu que defende o direito de liberdade de expressão. A presidente do Supremo não poderia desmentir ou confirmar a informação, pois estaria adiantando sua decisão, mas não é improvável que evite a prisão imediata de Lula, embora possa provocar reações negativas na opinião pública.

A aparente incongruência, pois Carmem Lucia foi um dos votos favoráveis à permissão de prisão após condenação em segunda instância, sem necessidade de aguardar o trânsito em julgado, teria explicação na prudência, como alegou o Juiz Sérgio Moro ao condená-lo a nove anos e seis meses por lavagem de dinheiro e corrupção passiva no caso do tríplex do Guarujá.

Moro diz na sentença que “caberia custódia preventiva do ex-presidente”, pela “orientação a terceiros para destruição de provas”, mas alega que a “prudência recomenda” que se aguarde julgamento pela Corte de Apelação. “(…) considerando que a prisão cautelar de um ex-presidente da República não deixa de envolver certos traumas”.

Daí depreende-se que Moro considera que, após a decisão da segunda instância, a prisão deveria ser efetivada. Mas a decisão do Supremo não obriga juízes a mandarem prender os condenados antes do trânsito em julgado, apenas autoriza a prisão, dependendo de cada caso. As decisões do TRF-4 têm sido, como regra, no sentido de mandar cumprir a sentença após a condenação, mas nesse caso específico a tendência pode ser alterada, por se tratar de um ex-presidente da República.

E a ministra Carmem Lucia pode transformar a prisão em domiciliar, por exemplo, impondo algumas medidas cautelares adicionais. Já manter Lula afastado da atividade política é discutível, pois nenhuma medida cautelar desse tipo está prevista na legislação. Ele estaria recorrendo em paralelo contra a inelegibilidade eleitoral, de tornozeleira e tudo, e poderia continuar fazendo campanha. Provavelmente mesmo dentro da cadeia poderá fazê-lo, assim como José Dirceu continua atuando politicamente, preso ou solto.

Na decisão de ontem sobre o indulto de Natal expandido pelo presidente Temer, a ministra Cármen Lúcia alega que “as circunstâncias que conduziram à edição do decreto demonstram aparente desvio de finalidade”. Ela considera que houve “relativização da jurisdição” e “agravo à sociedade”.

A decisão foi tomada diante de uma ação direta de inconstitucionalidade da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, apresentada ao Supremo com pedido de urgência. Na decisão, Cármen Lúcia afirmou que as regras do decreto “dão concretude à situação de impunidade, em especial aos denominados ‘crimes de colarinho branco’, desguarnecendo o erário e a sociedade de providências legais voltadas a coibir a atuação deletéria de sujeitos descompromissados com valores éticos e com o interesse público garantidores pela integridade do sistema jurídico”.

Para ela, “as circunstâncias que conduziram à edição do decreto, numa primeira análise, demonstram aparente desvio de finalidade”. Na decisão, a ministra explicou que o indulto é uma medida humanitária, e não um meio para favorecer a impunidade. “Indulto não é nem pode ser instrumento de impunidade”, do contrário se transforma em “indolência com o crime e insensibilidade com a apreensão social, que crê no direito de uma sociedade justa e na qual o erro é punido e o direito respeitado”.

Tanto a presidente do Supremo quanto a Procuradora-Geral Raquel Dodge usam argumentos semelhantes e duros ao afirmarem que o indulto fora da finalidade estabelecida na lei “é arbítrio”, segundo Carmem Lucia. Já Raquel Dodge escreveu que “o chefe do Poder Executivo não tem poder ilimitado de conceder indulto. Se o tivesse, aniquilaria as condenações criminais, subordinaria o Poder Judiciário, restabeleceria o arbítrio e extinguiria os mais basilares princípios que constituem a República Constitucional Brasileira”.*

(*) MERVAL PEREIRA – O GLOBO

TUDO COMO DANTES

É dando que se recebe – um lema que caracteriza o Congresso Nacional

Três décadas depois, a frase continua a pautar as relações entre o Planalto e o Legislativo. O velho Robertão está morto, mas o fisiologismo tem um novo porta-voz: é Carlos Marun, recém-promovido a ministro da Secretaria de Governo.

CHANTAGEM – Na semana passada, governadores começaram a acusá-lo de chantagem. Eles dizem que Marun exige votos a favor da reforma da Previdência em troca da liberação de empréstimos da Caixa Econômica Federal.

O primeiro a protestar foi o governador de Sergipe, Jackson Barreto. “Marun me falou que há vários contratos com a Caixa, mas o governo só vai liberar após a votação da reforma. Achei uma coisa fora de propósito”, reclamou, em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo”.

Em outros tempos, o governo tentaria desmentir a acusação de chantagem explícita. Formado na escola política de Eduardo Cunha, Marun não se preocupa nem com as aparências. Nesta terça-feira, ele confirmou a pressão e defendeu o escambo com verbas da Caixa.

AÇÕES DE GOVERNO – “Financiamentos da Caixa Econômica Federal são ações de governo. Não entendo que seja uma chantagem”, disse o ministro. “O governo espera daqueles governadores que têm recursos a ser liberados […] uma reciprocidade no que tange a questão da Previdência”, acrescentou.

Os bancos públicos podem e devem executar ações de governo, como o financiamento de projetos de infraestrutura e o empréstimo de recursos para Estados e municípios tocarem obras. Condicionar os repasses a votos no Congresso tem outro nome. É o velho “toma lá, dá cá”, que tipos como Robertão e Marun não têm vergonha alguma de defender.*

(*) Bernardo Mello Franco – Folha de São Paulo

BRAÇO ARMADO DO PT

Justiça proíbe MST de acampar nos arredores do TRF-4, onde Lula será julgado

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Charge do Nani (nanihumor.com)

A Justiça Federal proibiu o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de montar acampamento no Parque Maurício Sirotsky Sobrinho em protesto ao julgamento da apelação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, marcado para 24 de janeiro. A decisão, liminar, foi tomada no final da tarde de quinta-feira (28), pelo juiz federal Osório Ávila Neto. O magistrado atendeu a pedido do Ministério Público Federal (MPF) e interditou o parque ao MST desde a data da decisão até três dias após o julgamento de Lula, ou seja, 27 de janeiro.

Osório determinou ainda que seja estabelecida uma área de isolamento para o trânsito e permanência dos manifestantes, correspondente ao polígono formado entre a Rua Edvaldo Pereira Paiva, a Avenida Loureiro da Silva e a Avenida Augusto de Carvalho.  Na prática, a medida significa que o juiz não restringiu o direito de ir e vir.

IDENTIFICADOS – Os manifestantes estarão livres para acessar a área ao redor do tribunal e inclusive o Parque Maurício Sirotsky Sobrinho. Todos, contudo, serão previamente identificados pelas forças policiais. Não será permitido a permanência na rua Otávio Francisco Caruso da Rocha, que circunda a Corte.

Na ação civil pública, o MPF pediu ainda que a Justiça estabelecesse locais para concentração dos apoiadores de Lula e seus oponentes. Os procuradores sugeriram que os simpatizantes do petista ficassem restritos ao Parque Farroupilha (Redenção), enquanto os movimentos de repúdio a Lula se mantivessem no Parque Moinhos de Vento (Parcão). O pedido, contudo foi negado pelo juiz.

DIREITO GARANTIDO – “O direito de manifestação está garantido constitucionalmente, para tanto, basta que seja previamente informado o local de reunião às autoridades e se desenvolva de modo ordeiro. Embora seja sedutora, sob o aspecto da garantia da ordem pública, criar-se amplos embaraços ao exercício deste direito, agitando hipóteses de violência e vandalismo iminente, o temor de tais ocorrências não pode levar à supressão do direito constitucional. A exceção não pode virar regra. É o que se daria, acaso se endereçasse ambos os grupos, apoiadores e oponentes do ex-presidente, as praças da Redenção e Moinhos de Vento”, escreveu o juiz na decisão.

O juiz esclarece ainda não ser “especialista em tráfego de trânsito, mas até um leigo pode perceber que manifestações de massa em dia útil na cidade de Porto Alegre e que envolvesse simultaneamente estes locais colocaria a cidade em caos.”

SEM CONFLITOS – Apesar da proibição aos acampamentos no Parque Maurício Sirotsky Sobrinho, Osório deixa claro no despacho sua preocupação em permitir o livre exercício de manifestação, mas também o cuidado para que grupos antagônicos não permaneçam no mesmo local. Ele salienta a necessidade de os órgãos de segurança planejarem uma operação para evitar conflitos e cita uma preferência para que a área seja destinada aos militantes petistas.

“A área do Parque da Harmonia é tradicional acolhedora de eventos de grande assistência, situa-se próximo ao prédio do Tribunal, destinatário do protesto, e sua topografia autoriza a utilização de meios físicos de contenção de multidão por parte dos órgãos policiais, se assim entenderem necessário. É área apta, pois, a acolher manifestações tópicas que envolvam o exercício da parcela de poder do estado que está instalada naquele sítio. Certamente não seria adequado deferir-se a permanência dos dois movimentos antagônicos no mesmo local. Se for este o caso, deve-se dar preferência à que ali se manifeste o movimento dos apoiadores do ex-presidente, eis que há muito já anunciaram sua intenção de ali comparecer. Resta, pois, aos órgãos de segurança prepararem-se de modo adequado para atender responsavelmente a situação que se desenha, e nos termos que lhes propõe a vida democrática. Ações de vândalos e violentos, se ocorrerem, devem ser enfrentadas de modo tópico.”

FORÇAS POLICIAIS – Ao final, porém, o magistrado esclarece ser “salutar sob o aspecto da segurança pública a restrição de acesso do público nas ruas que lindeiam o prédio do Tribunal nos dias solicitados pelo MPF”. Osório determinou que cabe às forçar policiais fazer cumprir sua decisão.

O pedido do MPF foi protocolado no dia 24 de dezembro, às 14h08min. No entanto, a juíza substituta marila Costa Perez não quis apreciar o caso, sob o argumento de que não havia  “situação concreta de risco ou urgência”. O MPF recorreu ao TRF4, que determinou à Justiça Federal de primeira instância a análise da ação. Com a concessão da liminar pelo juiz Osório Ávila Neto, é provável que o MST também recorra ao TRF4. Se isso ocorrer, a decisão final caberá ao presidente da Corte,  Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz.*

(*) Fábio Schaffner – Zero Hora

LEGADO LULOPETISTA

Crimes de lesa-pátria: Operações do BNDES no exterior não tiveram garantias

Esse tende a ser o começo de uma série de pagamentos que recairão sobre o contribuinte brasileiro e que, apenas no caso do país africano, deve chegar a US$ 483 milhões (R$ 1,5 bilhão). Nos próximos dias o governo também deverá decretar calote oficial da Venezuela, pela falta de pagamento de uma parcela de US$ 262 milhões em setembro.

EMBAIXADOR EXPULSO – As negociações desse débito da Venezuela estavam em andamento, mas foram interrompidas pela mais recente crise diplomática entre os dois países, provocada pela expulsão do embaixador brasileiro em Caracas. Informalmente, o governo brasileira esperava chegar a um acordo até o fim do ano, mas agora não há sinal de uma resposta positiva do governo de Nicolás Maduro.

O BNDES e bancos privados têm a receber US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 5 bilhões) da Venezuela – mais da metade desse valor em 2018.

Caso o país deixe de pagar, a conta será coberta pelo FGE (Fundo de Garantia à Exportação), cujos recursos saem do Tesouro Nacional.

LULA E DILMA – Nos governos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, as empreiteiras expandiram presença na África e na América Latina graças a volumosos empréstimos do BNDES.

A parceria econômica e política com os governos desses países rendeu contratos bilionários às empresas e ajudou a elevar as exportações do Brasil. Mas agora que alguns deles entraram em crise e estão deixando de honrar compromissos, as contas estão estão sobrando para o Tesouro. Isso ocorre porque os financiamentos têm seguro do FGE. Em caso de calote, o pagamento fica com o governo.

Em grave crise financeira, Moçambique deixou de pagar duas parcelas (uma no fim de 2016, outra em maio deste ano). Com o default confirmado, o BNDES acionou o FGE e o primeiro pagamento foi feito em dezembro.

A perda foi registrada no balanço do banco e vai aparecer nos resultados do BNDES do quatro trimestre.

ANGOLA, TAMBÉM – Moçambique foi o primeiro caso de calote registrado na história do banco em operações no exterior. O caso da Venezuela, porém, é mais grave, pois a dívida é muito maior, boa parte por obras da Odebrecht e da Andrade Gutierrez no país.

O terceiro país sob risco é Angola, cujo passivo com o Brasil soma US$ 1,9 bilhão. Angola depositou recursos em uma conta garantia em novembro após ameaçar deixar de pagar.

Procurado, o banco informou que “não financia projetos em outros países, mas a exportação de bens e serviços produzidos no Brasil, tendo por objetivo o aumento da competitividade das empresas brasileiras, a geração de emprego e renda no país”.*

(*) Mariana Carneiro – Folha de São Paulo

E NO PAÍS DA PIADA PRONTA…

Pensando o impensável

A economia cresceu pouco, 0,1% no terceiro trimestre, mas acima do previsto. Prevê-se que em 2018 a produção cresça até 3% – nada espetacular, mas bem mais do que os números habituais. Os shoppings centers, que tiveram queda de vendas nos dois últimos Natais, venderam 6% a mais neste ano. O Indicador Serasa-Experian teve o melhor desempenho desde 2011: na semana de Natal, as vendas subiram 5,2%. São números baixos, que partem de um patamar baixíssimo; não vão deixar consumidor algum com a sensação de que ficou mais rico. Mas podem deixá-lo com a sensação de que não ficou mais pobre.
E daí? Daí, nada. Mas há a queda dos juros básicos do Banco Central, que algum dia deve se refletir nos juros cobrados no crediário. Não é mais possível tomar mil reais emprestados e ficar devendo dez prestações de mil reais. Se a recuperação da renda dos consumidores se acelerar um pouco, se a inflação se mantiver baixa, estaremos diante de um cenário hoje improvável: um candidato do MDB à Presidência. Um candidato viável.
Quem? Há tempo até 2018. Pode ser, apesar da idade e das acusações, Michel Temer (para ele, ótimo: mais um tempo com foro privilegiado). Ou Henrique Meirelles, dono da política econômica. É do PSD, já foi do PSDB e do Governo Lula e, se precisar, muda de sigla. Tem carisma zero; mas tem como pagar a própria campanha. Pode emplacar? Resposta em 2018.

Através do espelho

Naquela antiga frase sobre o que pode sair da cabeça de juiz e de bunda de nenê, em geral se esquece o terceiro elemento imprevisível: boca de urna. Há uma foto clássica de eleições americanas em que o presidente Harry S. Truman, recém-reeleito, segura um jornal que anuncia a vitória de seu opositor Thomas Dewey. Jânio Quadros ganhou a Prefeitura de São Paulo pela primeira vez contra o favoritíssimo Francisco Antônio Cardoso; e pela segunda contra o ainda mais favorito Fernando Henrique Cardoso. Erundina, uma semana antes da eleição, era a terceira colocada. Virou o jogo e bateu o grande favorito Paulo Maluf.
Duvida de Meirelles? Depois de bem-sucedida temporada como banqueiro no BankBoston, voltou ao Brasil e se elegeu deputado federal por Goiás. E Temer vem se elegendo, embora sempre com votação baixa, desde 1986. Bem ou mal, já chegou lá.

Portas abertas

Claro, Temer e Meirelles não são as únicas surpresas que podem ocorrer neste ano (nem as mais prováveis). Alckmin chefia um partido forte, com boas raízes no Centro-Sul. Doria já surpreendeu uma vez (embora nenhum de seus possíveis padrinhos vá se surpreender de novo). Há os corredores paraguaios Marina e Ciro – e se um deles acertar o ritmo? Álvaro Dias, Arthur Virgílio? Este colunista não apostaria em nenhum deles, nem em Bolsonaro ou Lula (mas também não apostaria contra eles). Joaquim Barbosa? Tantos candidatos só indicam que não há candidato nenhum.
Um país sem patrão

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, classificou o embaixador do Canadá em Caracas como “persona non grata” – ou seja, indesejável. O Canadá imediatamente expulsou de Ottawa o embaixador venezuelano – a retaliação tradicional diante do tipo de agressão cometido pela Venezuela.
Um país “mais compreensivo”


A Venezuela também declarou “persona non grata” o embaixador do Brasil, informando que a medida é um protesto pelo afastamento da presidente Dilma Rousseff. E o Brasil? Tão atrasado quanto os maduros, que só agora descobriram que Dilma foi afastada, o Governo brasileiro só retaliou a Venezuela na terça.
Tem motivos – o Governo venezuelano vem atrasando o pagamento de compras no Brasil – e armas terríveis: basta liberar as confissões de empreiteiros brasileiros sobre a realização de obras por lá. Mas parece a ocupação militar da refinaria da Petrobras na Bolívia: protegemos ao máximo regimes que se dedicam a usar à vontade o dinheiro do Brasil.

Exemplo

A Unidade de Coordenação Central do Tesouro Espanhol acusa “o melhor jogador de futebol do mundo”, Cristiano Ronaldo, de ter sonegado aproximadamente € 15 milhões (pouco mais de R$ 60 milhões), e pede sua prisão. O centroavante do Real Madrid alega que paga “a peso de ouro” os especialistas que declaram seu imposto de renda, e portanto não tem culpa de eventuais erros. Caridad Gómez, a chefe da Receita espanhola, diz que contribuintes “com acusações muito menos graves” estão presos e que Cristiano Ronaldo usou testas-de-ferro e paraísos fiscais para sonegar. É famoso? Melhor: sendo preso, serve de exemplo aos sonegadores.

Desapega!

Luislinda Valois saiu do PSDB mas não quer deixar sua Secretaria, onde é mal avaliada. Mal avaliada por quê? Ela não fez nada – nem de errado!*

(*) Coluna Carlos Brickmann, na Internet