CALMA, MENINAS!

O feministo

As presidentas e ministras são as pessoas mais empoderadas de seus países, para o bem e para o mal. De Thatcher a Cristina Kirchner

Com três filhas e duas netas que adoro, sempre fui e serei feminista, pela igualdade total de direitos e salários, pelo respeito absoluto. Mas como sou de uma geração criada sob o machismo primitivo, fui um predadorzinho cheio de preconceitos contra mulheres, até ter a primeira filha. Aí mudou a forma de ver as mulheres. Acompanhei entusiasmado a rebeldia das feministas americanas nos anos 70 e depois, quando morei em Roma nos anos 80, admirei a força e o poder (e a beleza) das feministas italianas, em marchas que paravam a cidade. Duas filhas depois, estava ainda mais feminista.

Mas se a Dilma pode se chamar de presidenta, acho que eu poderia me dizer um feministo… rsrs

O mandamento fundamental de um feministo é: “Não tratai as filhas dos outros como não quereis que tratem as vossas. Não tratai a mãe dos outros como não gostarias que tratassem a vossa.”

Nos anos 90, acompanhei de perto a radicalização das feministas americanas, a defesa das mulheres movida por ódio e rancor contra os homens. Hoje, a quantidade e a qualidade de mulheres dirigindo e produzindo filmes e séries é o simbolo de uma mudança irreversível. As presidentas e ministras são as pessoas mais empoderadas de seus países, para o bem e para o mal.

Conjunção do politicamente correto, do puritanismo americano e da hipocrisia, o feminismo de resultados está se tornando uma febre nos Estados Unidos, uma caça aos bruxos que também envolve indenizações milionárias e o assassinato cultural de alguns grandes artistas, embora cafajestes. Por elas, o cafajestíssimo Picasso nunca mais venderia um quadro. Hitchcock seria banido de Hollywood. Miles Davis estaria preso. As feministas francesas tentam equilibrar o debate.

Quantas tentativas são necessárias para conquistar uma mulher que é, ou se faz, de “difícil”? É proibido insistir? rsrs

Em “A megera domada”, Shakespeare mostra que, aos tapas e beijos, também se constroem grandes amores.

Houve um tempo em que as mulheres se sentiam lisonjeadas quando passavam na rua e ouviam inocentes assovios de admiração. Haverá um dia em que dizer “você é linda!” será considerado assédio?*

(*) Nelson Motta – O Globo

Leia mais: https://oglobo.globo.com/opiniao/o-feministo-22279565#ixzz53zHaZlyu
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