“O FRACO REI FAZ FRACA A FORTE GENTE”

Constrangimento e críticas de aliados não impedem nomeação de Cristiane Brasil

Provocou ainda constrangimentos entre alguns aliados do Planalto, incomodados com o protecionismo em torno da filha do presidente do PTB. E ela perdeu seis dos sete recursos apresentados ao Judiciário para conseguir ser empossada. Mesmo com tudo isso, o Planalto e Jefferson não têm medo de errar: “Ela será ministra na semana que vem, as coisas estão perto de se resolver”, disse o delator do mensalão.

“NÃO ESTAVA ROUBANDO” – Em entrevista no Planalto, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, fez comentários ácidos aos críticos da gravação. A posse de Cristiane foi suspensa pelo Supremo após denúncias de dívidas trabalhistas. Marun chamou os jornalistas de “talibãs” e afirmou que o mais importante não está sendo discutido. “Fazer um comentário de um vídeo de uma pessoa que aparece na praia dizendo algumas coisas. Não estava roubando. Será que todas as pessoas que andam de lancha no litoral do Rio de Janeiro são amorais ou imorais? É esse o pensamento? Você nunca andou de lancha? Nunca?”, questionou.

“Muita gente bate bumbo pela liberdade, mas na verdade são uns talibãs (sic) enrustidos. Queriam que ela estivesse de burca, eu acho, lá na praia. Na praia, a gente anda assim. Eu não sei vocês. Vocês vão de quê? De quimono? De Burca? Eu devo confessar a vocês que, quando vou à praia, vou de calção de banho”, disse o ministro, fazendo ironia ao afirmar que os jornalistas, hoje em dia, “são baluartes da moral e dos costumes e da roupagem adequada”.

RECURSO NO SUPREMO – Um recurso foi impetrado no STF pela defesa da deputada Cristiane Brasil para continuar na luta para assumir o Ministério do Trabalho. Jefferson afirmou que “o recurso já foi entregue e está tudo pronto”. “Falta julgar. Esse processo seria relatado pelo Gilmar Mendes, mas a presidente avocou para si. Aguardamos o fim do recesso. Até 5 de fevereiro, acredito que esse assunto estará resolvido”, acredita.

Em um jantar com jornalistas, no entanto, Cármen Lúcia disse que “o tempo do Judiciário não é igual ao da política nem ao da imprensa”. Já foram proferidas seis decisões contra a posse da deputada como ministra de Temer.

Aliados do governo não esconderam o desconforto com as imagens da parlamentar na lancha. Mas ninguém quer comprar a briga contra o PTB pelo simples fato de o presidente Michel Temer ter deixado claro que, na reforma ministerial que será feita após a saída dos auxiliares que vão concorrer em outubro, os nomes serão trocados, mas as legendas continuarão com o espaço que têm hoje. “Todo mundo tem medo de, quando chegar a hora da própria indicação, as demais legendas cresçam o olho e queiram ‘roubar’a vaga”, diz um aliado de Temer.*

(*) Bernardo Bittar e Paulo de Tarso Lyra
Correio Braziliense