TIRO NO PÉ

Fachin inclui Temer em inquérito

O ministro Edson Fachin (STF)  autorizou a inclusão de Michel Temer em um inquérito que investiga Eliseu Padilha e Moreira Franco dentro da Operação Lava Jato.

É o inquérito que apura repasses da Odebrecht em troca do “atendimento” a interesses da empreiteira na Secretaria de Aviação Civil.

O ministro do STF atendeu a um pedido de Raquel Dodge –cujo antecessor na PGR, Rodrigo Janot, não havia incluído o presidente na investigação.

Na entrevista que deu à Jovem Pan na terça, Temer já havia demonstrado irritação com a possibilidade de ser contemplado pelo inquérito.*

(*) O ANTAGONISTA

VIROU PIADA

Plano Z

O “Plano B” do PT para as eleições foi a pique. Espera-se pelo próximo


O PT está com o mesmo problema de Diógenes na Grécia antiga. O filósofo, como se conta na história, andava pelas ruas de Atenas, em plena luz do dia, carregando na mão uma lanterna acesa. “Para que essa lanterna, Diógenes?”, perguntavam os atenienses que cruzavam com ele. “Para ver se eu acho um homem honesto nesta cidade”, respondia. É o que o PT está procurando hoje entre os seus grão-senhores ─ um sujeito honesto, ou, pelo menos, que tenha uma ficha suficientemente limpa para sair candidato à presidência da República. Está difícil achar essa figura. O “Plano A” do partido para as eleições sempre previu a candidatura do ex-presidente Lula. Quem mais poderia ser? Nunca houve, desde a fundação do PT, outro candidato que não fosse ele ─ e quem achou um dia que poderia se apresentar como “opção” jaz há muito tempo no cemitério dos petistas mortos e excomungados.

Como no momento Lula está condenado a doze anos e tanto de cadeia por corrupção e lavagem de dinheiro, sem contar outras sentenças que pode acumular nos próximos meses, sua candidatura ficou difícil. O “Plano B” previa que em seu lugar entrasse o ex-governador da Bahia, Jaques Wagner ─ mas o homem acaba de ser indiciado por roubalheira grossa num inquérito da Polícia Federal, acusado de levar mais de 80 milhões de reais em propina em seu governo. O “Plano C” poderia incluir a atual presidente do partido. Mas ela também é acusada de ladroagem pesada, e só está circulando por aí porque tem “foro privilegiado” como senadora; aguarda, hoje, que o Supremo Tribunal Federal crie coragem para resolver o seu caso um dia desses. (De qualquer forma, seria um plano tão ruim que ninguém, nem entre a “militância” mais alucinada, chegou a pensar a sério no seu nome.) O “Plano D”, ao que parece, é o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Ele é uma raridade no PT de hoje ─ não está correndo da polícia, nem cercado por uma

manada de advogados penalistas. Em compensação, tem de lidar com a vida real. O problema de Haddad não é folha corrida ─ é falta de voto. Na última eleição que disputou perdeu já no primeiro turno para um estreante, o atual prefeito João Doria, e de lá para cá não aconteceu nada que o tivesse transformado num colosso eleitoral.

Um “Plano E” poderia ser o ex-ministro Ciro Gomes. Mas Ciro não é do PT, os petistas não gostam dele e o seu grau de confiança nos possíveis aliados é mínimo. “É mais fácil um boi voar do que o PT apoiar um candidato de outro partido”, disse há pouco. Daí para um “Plano F”, “G” ou “H” é um pulo. Sempre haverá algum nome para colocar na roda. Resolve? Não resolve. O problema real é que o PT se transformou há muito tempo num partido totalmente franqueado ao mesmo tipo de gente, exatamente o mesmo, que sempre viveu de roubar o Erário em tempo integral. O partido, hoje, é apenas mais uma entre todas essas gangues que infestam a política brasileira. A dificuldade eleitoral que o PT encontra no momento não é o fato de que Lula foi condenado como ladrão duas vezes, na primeira e na segunda instâncias. É que, tirando o ex-presidente da campanha, nada muda ─ o sub-mundo ao seu redor continua igual. Ou seja: o partido não vai se livrar da tradicional maçã estragada e tornar-se sadio outra vez. A esta altura, o barril todo já foi para o espaço. De plano em plano, podem ir até a letra “Z” sem encontrar o justo procurado por Diógenes.*

(*) J.R. Guzzo, publicado no Blog Fatos

FIM DA ERA DA CANALHICE

O time de Lula avança para o rebaixamento

Graças ao chefe ciumento e mandão, o camisa 10 do PT é um ex-prefeito surrado no primeiro turno da eleição de 2016

É mais fácil Gilberto Carvalho deixar o posto de coroinha de missa negra para substituir o Papa Francisco do que Lula disputar em outubro a presidência da República. Depois da Operação Cartão Vermelho, as chances de Frei Betto virar cardeal são maiores que as de Jaques Wagner tornar-se o substituto de Lula na corrida presidencial. Sobrou Fernando Haddad.

Como todo populista autoritário, Lula transformou a cúpula da seita num amontoado de formidáveis nulidades. Graças ao técnico ciumento e mandão, hoje o craque do time é um poste que desgovernou São Paulo e foi surrado já no primeiro turno da eleição de 2016. As urnas de outubro condenarão o PT ao rebaixamento.*

(*) Blog do Augusto Nunes

BATENDO UM BOLÃO

Raquel e Fernando

PGR e PF com Galloro afinados no combate ao crime e à corrupção


Ao mesmo tempo, num movimento que parecia combinado, o presidente Michel Temer nomeou o delegado Fernando Segovia para a diretoria-geral da Polícia Federal e escolheu a procuradora Raquel Dodge para a Procuradoria-Geral da República. E ficou todo mundo de olho nos dois.

Segovia e Dodge, por motivos bem diferentes, sofriam fortes resistências de seus antecessores – Leandro Daiello, na PF, e Rodrigo Janot, na PGR – e suportaram críticas, cochichos e fofocas no sentido de que tinham como compromisso abafar a Lava Jato, preservando principalmente Temer e sua turma.

Segovia, o Breve, que nem era o preferido de Daiello, da corporação e do próprio chefe, o ministro da Justiça, Torquato Jardim, deu com os burros n’água. Dodge, ao contrário, vem demonstrando firmeza, independência e profissionalismo. Se recebe críticas, é pelo corporativismo.

Em menos de seis meses, e tendo de lidar com erros do antecessor, Dodge vem fazendo tudo o que tem de fazer, sem pressa, sem histeria, sem perseguir nem passar a mão na cabeça de ninguém – nem de Temer. Ao mesmo tempo que anulou as delações premiadas de Joesley e Wesley Batista, os grandes troféus de Janot e fontes das maiores amarguras de Temer, Dodge também não dá sossego ao presidente.

Foi a PGR quem pediu ao Supremo o veto a parte do indulto de Natal concedido por Temer e acusado de ser o mais benevolente com criminosos em décadas. Também foi ela quem garantiu o depoimento de Temer no caso Rodrimar, do Porto de Santos, e acaba de incluí-lo na investigação de denúncias de acertos de propina da Odebrecht para o PMDB no palácio do Jaburu.

Com um detalhe: ao fazê-lo, Dodge mudou o entendimento de que presidentes não podem ser investigados por atos cometidos antes do mandato. Alegou que eles não podem ser processados, mas têm de ser investigados para que não se percam provas e dados decisivos. E, para quem imaginava, ou temia, que ela seria um braço de Gilmar Mendes na Procuradoria (que ele, aliás, já ocupou), as sinalizações são em sentido contrário.

Dodge, por exemplo, recorreu da insistente mania do amigo de tirar da cadeia o empresário Jacob Barata, envolvido até a alma na era trágica de Sérgio Cabral. Assim como ela também foi ao STF para anular a decisão da Assembleia Legislativa do Estado de mandar soltar seu presidente, Jorge Picciani, e seus comparsas.

De outro lado, ela é publicamente contra a revisão da prisão após condenação em segunda instância, foco e esperança do ex-presidente Lula. Aliás, ela também é contra o foro privilegiado tal como está, mas recorreu contra a decisão do ministro Luís Roberto Barroso de enviar para a primeira instância casos de deputados como Beto Mansur. Afinal, o foro ainda está de pé. A ressalva a Dodge é defender auxílio-moradia a esta altura.

E Fernando Segovia? Ele não era diretor ou superintendente da PF, era só mais um na Corregedoria. Nomeado por políticos, ficou cercado de adversários na corporação. Não caiu por causa deles, porém, mas por ele mesmo. Chegou menosprezando a mala de R$ 500 mil do assessor Rocha Loures e saiu prevendo que as investigações contra Temer não dariam em nada. No meio tempo, Segovia passava por cima do ministro e falava diretamente com o presidente, frequentava festas políticas e criou um prato feito para vazamentos: a divulgação do número dos processos em remanejamentos de pessoal.

Na reta final do governo, e sem contar o fim da recessão e as boas perspectivas econômicas, o destaque é Raul Jungmann no Ministério da Segurança Pública e a dupla Dodge, na PGR, e Rogério Galloro, na PF. O combate ao crime organizado é para valer e o combate à corrupção não vai parar. Quem tem rabo preso que se cuide.*

(*) Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo

PRENDAM O MALACO!

As surpresas na entrevista de Lula

Lula disse à “Folha de S. Paulo” que vai “brigar até ganhar” para ser candidato. Suas chances são pequenas, mas ninguém poderia esperar uma declaração diferente. Se admitisse que deve ser barrado pela Lei da Ficha Limpa, o ex-presidente esvaziaria seu próprio poder de barganha. Ele pode ter muitos defeitos — o de ser bobo, definitivamente, não está na lista.

As surpresas aparecem em outros trechos da entrevista. Num deles, Lula sugeriu que as manifestações de 2013 e a Lava-Jato seriam produtos de uma conspiração urdida pela Casa Branca. “Hoje estou convencido de que os americanos estão por trás de tudo o que está acontecendo na Petrobras”, disse. Isso faria sentido se os dirigentes que roubaram a estatal tivessem sido indicados pelo Tio Sam. No mundo real, eles foram nomeados pelo ex-presidente.

Em outra passagem, o petista saiu em defesa de Michel Temer. Afirmou que o peemedebista, logo ele, teria sido vítima de uma tentativa de “golpe”. Desta vez, os vilões da trama seriam o procurador Rodrigo Janot, o empresário Joesley Batista e a TV Globo. “Ora, o Temer teve a coragem de enfrentar”, disse Lula. O elogio foi festejado pelo ministro Carlos Marun, o que diz mais do que qualquer comentário do colunista.

Mais adiante, o ex-presidente desautorizou os aliados que ameaçam boicotar as eleições. Segundo Lula, o PT pode discutir “todas as alternativas”, mas precisa participar do processo eleitoral. “Eu sou contra boicotar as eleições”, afirmou. Depois dessa, ficará mais difícil repetir o bordão “Eleição sem Lula é fraude”.

O entrevistado também frustrou a militância petista ao avisar que não fará greve de fome se for preso. “Eu já fiz greve de fome. Eu sou contra, do ponto de vista religioso”, informou. A frase desanimou aliados que contavam com o sacrifício do líder para inflamar as ruas.

Lula ainda perdeu a chance de se defender no caso do sítio de Atibaia, onde descansava nos fins de semana. A jornalista Mônica Bergamo tentou apertá-lo para saber por que as empreiteiras Odebrecht e OAS torraram tanto dinheiro em obras na propriedade. Ele preferiu sair pela tangente. “Você não é juíza. Eu vou esperar o juiz”, desconversou.*

(*) BERNARDO MELLO FRANCO – O GLOBO

DEPOIS DA CASA CAÍDA…

A rotina de Marcelo Odebrecht na domiciliar

Marcelo Odebrecht passa o dia em busca de provas que amenizem sua pena, torpedeando executivos da empreiteira da família e esclarecendo as filhas sobre quem diz ser o real vilão do maior caso de corrupção do país

Debruçado sobre a escri­va­ninha de madeira onde jazem um exemplar da revista britânica The Economist, duas pilhas pequenas de documentos, um antiquado telefone fixo branco, um porta-canetas e papéis para suas compulsivas anotações, Marcelo Odebrecht, de 49 anos, inicia mais um dia de trabalho. Às 8, já malhou por uma hora, tomou café da manhã apropriado para seu metabolismo hipoglicêmico (castanhas, produtos orgânicos e sem lactose) e vestiu camisa e jeans. Se alguém o visita, ele opta por um traje social. Mas está sempre com uma roupa a lhe cobrir as canelas por não querer que o vejam de tornozeleira eletrônica. Passado o desjejum, ele desaparece. Tranca-se no próprio escritório, onde permanece concentrado por coisa de 12 horas. Todos os dias. Memórias de mais um cárcere.

Desde 19 de dezembro, quando passou à prisão domiciliar, o empreiteiro — um bilionário que já foi eleito pela revista Forbes o nono homem mais rico do país — esmiúça no laptop os mais de 400 mil e-mails que estavam na sua caixa de mensagens desde 2002. Seu computador fora apreendido pela Polícia Federal no dia de sua prisão, em junho de 2015, mas em novembro os arquivos foram finalmente devolvidos. De lá para cá, ele passa horas debruçado sobre as velhas mensagens, revivendo trivialidades — como os arranjos para um jantar com a família — e momentos mais, digamos, intensos — como quando combinava por escrito pagamento de propinas a parlamentares e ministros.

A amigos, ele está fazendo questão de dizer — contando com que a notícia se espalhe entre seus desafetos rapidamente — que está em uma busca paciente e meticulosa por informações que lhe abram, mais cedo, as portas da rua. E não só isso. Na prática, ele quer dizer que está atrás de provas que incriminem aqueles que ele acha que o deixaram se queimar sozinho: seu pai, Emílio, e outros executivos da empresa.

Marcelo Odebrecht se vê como vítima de uma injustiça, respondendo desamparado pela corrupção na empreiteira que comandava, embora haja outros 76 delatores que admitiram participação na máquina de crimes da Odebrecht. Daí a obsessão pela busca de provas. Pelo acordo de delação premiada que fechou, o executivo tem a obrigação de cumprir dois anos e meio de prisão domiciliar, com permissão para sair de casa apenas em dois períodos de 24 horas. Se conseguir comprovar o que disse à Justiça com novas evidências — e dividir a culpa com outros envolvidos —, pode reduzir a pena para um ano e três meses. Ele só pensa em uma coisa: ser exonerado do cargo simbólico de corruptor em chefe do Brasil.

Com cerca de 15 metros quadrados, seu escritório fica no subsolo da casa projetada pelo próprio proprietário, no Morumbi, na Zona Sul de São Paulo. Como um quarto de um filho que partiu cedo, a família o manteve inalterado nos últimos dois anos e meio, tempo em que puxou cadeia em Curitiba. Os livros ficaram na mesma prateleira, e o sofá de couro de dois lugares, que ele trouxe de um antigo apartamento, não foi trocado. Há apenas dois novos mimos, providenciados por sua mulher, Isabela: um frigobar e uma máquina de café espresso.

Na quinta-feira dia 22, logo depois do almoço, Marcelo Odebrecht chamou a filha mais velha, de 21 anos, para conversar. Naquele dia, vazaram novas mensagens relacionadas à compra de um terreno que abrigaria o Instituto Lula — que ele mesmo entregou à Justiça como parte das tentativas de aliviar sua pena. Mostrou a papelada à moça, que leu com cuidado. Depois, disse:

— Entendeu tudo? Precisa que eu esclareça algo?

Em seguida, apontou os nomes dos ex-funcionários e também delatores da Odebrecht copiados nas trocas de e-mails para convencê-la de que era ele quem estava ajudando a elucidar os fatos, apesar de os outros executivos terem participado das tratativas do pagamento. Desde que foi preso, ele faz questão de ser a fonte primária de informação para as três filhas e a mulher. Na prisão, relatou seu cotidiano em um diário que chegou a 7 mil páginas. Quando voltou para casa, sua situação jurídica passou a ser pauta dos almoços de família.

Os e-mails relacionados ao Instituto Lula foram só uma parte das mensagens que o empreiteiro encaminhou à PF recentemente. Ele já fez mais de dez petições para incluir novo material. O sistema de senhas e tokens desenvolvidos pela Odebrecht é tão complicado que o acesso ao computador de Marcelo só aconteceu em novembro do ano passado. Um funcionário da empresa passou dois dias em Curitiba no fim de 2017, quando conseguiu, depois de sucessivas tentativas, acessar os dados. É nesse acervo que o empresário mergulha diariamente. Hoje, só ele, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal têm cópias dos e-mails.*

(*) BELA MEGALE – ÉPOCA

A LAVA JATO É INDESTRUTÍVEL

Lava Jato continua sob ameaça permanente, mas não há quem possa destruí-la

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Charge do Bonifácio (Arquivo Google)

Desde que a Lava Jato foi iniciada, em 17 de março de 2014, quando a equipe do delegado federal Marcio Adriano Anselmo descobriu um esquema de lavagem de dinheiro num posto de gasolina em Brasília, a importantíssima Operação da PF vem enfrentando ataques permanentes. Já houve ofensivas no Congresso, com o presidente Rodrigo Maia pautando sessão da Câmara na calada da noite para aprovar uma anistia ao caixa 2, enquanto o senador Renan Calheiros inventava o tal projeto da Lei do Abuso de Autoridade, que não existia e apareceu de repente. Maia e Renan fracassaram, mas são políticos brasileiros e se orgulham de não desistir nunca. Em breve voltarão ao ataque.

O Planalto também se empenhou. A redução das verbas, a nomeação de Fernando Segovia para a direção da Polícia Federal e até mesmo sua substituição por Rogerio Galloro são tentativas de bloquear a Lava Jato, mas também estão condenadas ao fracasso.

BLINDAGEM – Já assinalamos aqui na “Tribuna da Internet” que essas iniciativas de esvaziamento sempre dão errado, porque a Lava Jato é baseada em três instituições independentes e inatingíveis por influências externas – a Polícia Federal, a Procuradoria-Geral da República e a Receita Federal, que trabalham em conjunto, em plena harmonia.

Qualquer tentativa de manipulação é prontamente rejeitada pelo corpo técnico dessas instituições. Os delegados, procuradores e auditores não admitem pressões, é ilusão acreditar que seus trabalhos possam sofrer interferências.

Se o novo diretor da PF tentar qualquer manobra neste sentido, será prontamente denunciado e desmoralizado pelos delegados federais, terá vida mais curta do que o antecessor Segóvia.  Esta é a realidade, que precisa ser louvada.

JUSTIÇA SERVIL – A única instituição que está conseguindo atingir a Lava Jato é a Justiça, que tem libertado réus indefensáveis, como José Dirceu, Rocha Loures, Jacob Barata, Adriana Ancelmo, Eike Batista e Geddel Vieira Lima, que só voltou à prisão por causa das malas com R$ 51 milhões.

E para continuar beneficiando políticos e empresários envolvidos em corrupção, o Supremo está pronto para proibir o cumprimento da pena após condenação em segunda instância, uma espécie de jabuticaba jurídica que só existe em nosso país e que desonra e desmoraliza o Poder Judiciário brasileiro.

Para disfarçar, o Supremo vai aprovar a jurisprudência proposta pelo ministro Luís Roberto Barroso, que restringirá o foro privilegiado apenas aos crimes cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas. Será um avanço extraordinário, não há dúvida, mas a impunidade dos réus da elite criminal estará garantida pela lentidão da Justiça, que possibilita prescrição por decurso de prazo.

IMPUNIDADE – Como diz a ministra aposentada Eliana Calmon, há muitos magistrados que são bandidos de toga. Por isso, podem ficar impunes muitos criminosos notórios, como Michel Temer, Lula da Silva, Geddel Vieira Lima, Rocha Loures, José Dirceu, Renan Calheiros e muitos outros, caso sejam revogadas as prisões após condenação em segunda instância. Isto é problema da Justiça, que tem Gilmar Mendes como líder absoluto, mas não significa que a Lava Jato será derrotada.

Pelo contrário, é certo que a Lava Jato seguirá derrubando falsos mitos e atuando para depurar a política e a administração pública. Só não conseguirá limpar a Justiça, porque as togas estão de tal maneira imundas que não há sabão em pó ou desinfetante que dê jeito.


P.S. –
 A internet mostra que os brasileiros sabem dar valor à Lava Jato. A nova geração de juízes, procuradores e auditores fiscais está demonstrando que este país pode ter um futuro grandioso, que lhe foi obstado pela geração hoje no poder, simbolizada por uma legião de corruptos e incompetentes, que fracassaram e merecem ser esquecidos para sempre. (C.N.) *

(*) Carlos Newton –  Tribuna na Internet

O AMIGO DO REI

Geddel vai responder também à Receita Federal pelos R$ 51 milhões do bunker

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Charge do Son Salvador (Charge Online)

Os R$ 51 milhões apreendidos num bunker em Salvador mantido pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB-BA) passam a ser assunto também da Receita Federal. A pedido da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, o Supremo Tribunal Federal (STF) encaminhou nesta quinta-feira (dia 1º) uma cópia do inquérito ao chefe do Fisco, Jorge Rachid.  Segundo a procuradora-geral cabe à Receita “identificar os fatos geradores de tributo e, se for o caso, desempenhar seu poder-dever de fiscalização tributária”, ainda que o contribuinte tenha recebido os valores de forma ilegal.

Em depoimento à PF, o delator Lúcio Funaro disse que um tal “Júnior” transportou dinheiro até Salvador para ser entregue ao ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB-BA). De acordo com Funaro, o dinheiro era levado “em veículos com compartimentos próprios e ocultos”.

FAMIGLIA UNIDA – Nesta semana, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido de medidas cautelares contra Marluce Vieira Lima e contra o deputado Lúcio Vieira Lima (MDB-BA), mãe e irmão do ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB-BA), preso após a apreensão dos R$ 51 milhões em um bunker mantido pela família em Salvador.

Ao denunciá-los no ano passado, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pedira prisão domiciliar para Marluce e recolhimento domiciliar noturno, no caso de Lúcio, além do uso de tornozeleira eletrônica para ambos.*

(*) Marcelo Rocha
Época