AGORA, O SÍTIO…

Após cerca de 4 horas, MTST desocupa tríplex do Guarujá

Manifestantes saíram depois que PM informou que poderia cumprir reintegração de posse

No início da tarde, a Polícia Militar informou aos sem-teto que poderia ser obrigada pela Justiça a cumprir a reintegração de posse e pediu que eles se retirassem voluntariamente. O MTST decidiu, então, sair do imóvel pacificamente. Cerca de 50 pessoas participaram da invasão.

O grupo chegou ao imóvel por volta das 8h30 para protestar contra a prisão de Lula. A saída ocorreu pouco depois das 12h. De acordo com a sentença de condenação na Lava-Jato, o tríplex foi um presente da OAS ao ex-presidente como contrapartida por contratos celebrados com a Petrobras.

Segundo a polícia, como houve danos à propriedade durante a invasão, será necessário registrar um boletim de ocorrência. Embora advogados do movimento tenham dito que não houve violência na ocupação, moradores relataram que os manifestantes forçaram a entrada pela garagem.

O advogado Ramon Koelle afirmou que o grupo não invadiu o prédio, mas apenas utilizou as áreas comuns como qualquer morador poderia fazer.

— A porta fica entreaberta. Porque esse prédio é meio mixuruquinha, você pode ver que o ladrilho é ladrilho de banheiro. Foi só empurrar e abrir — disse.

Moradora do edifício, Renata Simões rebateu a afirmação do advogado. Segundo ela, o portão estava fechado, assim como a portaria que dá entrada ao prédio.

— Eles forçaram a entrada e entraram pela garagem — afirma Renata.

Após a saída do grupo do condomínio, o portão deixou de fechar completamente, segundo Renata. Segundo funcionários do condomínio, as câmeras de segurança flagraram o momento exato da invasão. As imagens serão examinadas pela PF, que irá fazer a perícia do prédio.

Segundo funcionários do prédio que entraram no tríplex após a saída dos sem-teto, apenas a porta do apartamento foi quebrada, com sinais de arrombamento. Dentro do imóvel, ficaram três colchões novos, ainda envolvidos com plástico. Nenhum outro dano interno foi encontrado.

Moradores cobram mais segurança da Polícia Militar para evitar novas invasões.

— Ficamos com muito medo, imagina 100 pessoas entrando num condomínio. Tenho 66 anos, minha pressão foi a mil — disse Elenice Soares Medeiros, outra moradora do prédio que também irá prestar depoimento.

PRISÃO NO DIA 7

Lula foi preso no último dia 7, dois dias após mandado de prisão expedido pelo juiz Sergio Moro. O ex-presidente foi condenado a 12 anos e um mês de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Nesta quarta-feira, Lula terá seu último recurso julgado na segunda instância, antes que seu processo seja encaminhado para o Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O TRF-4 já afirmou que não costuma conceder esse recurso, o embargo do embargo de declaração. Terminadas as chances de medidas judiciais na segunda instância, Lula pode ser considerado ficha suja pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ser impedido de concorrer às eleições.

Enquanto Lula negociava como iria se entregar à Polícia Federal, o líder do MTS e pré-candidato do PSOL à Presidência, Guilherme Boulos foi presença constante no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo.

O pré-candidato do PSOL mobilizou cerca de 2 mil militantes do MTST da ocupação Povo Sem Medo, em São Bernardo do Campo, considerada a maior do país, para fazer vigília no sindicato.

Durante a cerimônia em homenagem à ex-primeira-dama Marisa Letícia, que antecedeu sua prisão, Lula elogiou o líder sem-teto no palanque. O ex-presidente lembrou que tinha aproximadamente a mesma idade que o pré-candidato do PSOL quando liderou as greves dos metalúrgicos no ABC.*

(*) DIMITRIUS DANTAS – O GLOBO