LOVE STORY

Tolerância é quase amor

Como uma guerra eleitoral furiosa entre os marqueteiros de Bill Clinton e George Bush terminou em um casamento feliz

Mais que uma lição de tolerância e de respeito pelo outro, a luta feroz na campanha eleitoral americana de 1992 — entre o democrata James Carville, marqueteiro do candidato Bill Clinton, e Mary Matalin, chefe da campanha republicana de George Bush — se transformou em uma improvável e quase inverossímil história de amor entre os dois adversários de temperamento explosivo, que se conheceram, se odiaram e se apaixonaram durante uma campanha furiosa em que valia (quase) tudo para vencer.

Durante a campanha, entre ataques e contra-ataques violentos em comerciais de televisão, e entrevistas agressivas a talk shows, não falavam de política nas raras oportunidades em que estavam juntos, aproveitando melhor o tempo para… vocês sabem.

Os dois foram vistos em ação no documentário “The War Room”, debatendo com respeito, sem abrir mão de seus estilos agressivos e suas posições antagônicas, e também participaram de diversos talk shows, cada um defendendo suas ideias. O que acontecia depois, na intimidade, não se sabe…

Depois da campanha, com Clinton vitorioso, os dois se casaram e celebraram à maneira tradicional de Nova Orleans, terra de Carville, na rua, com banda de música e amigos dos dois partidos.

Juntos, lançaram com grande sucesso o livro “All’s Fair: Love, War and Running for President” (Vale tudo: [no] amor, [na] guerra e concorrendo a presidente) em que cada um escreveu metade do livro sozinho, dando a sua versão do romance e da campanha, que deve ter surpreendido os dois quando leram como cada um tinha vivido o amor, a guerra e a campanha presidencial.

O mais incrível é que eles estão casados até hoje, têm duas filhas, e fizeram bodas de prata este ano. Ela se manteve republicana ardorosa, mas, agora, depois de Trump, se diz libertária, e ele segue democrata roxo, conseguindo muitas vitórias para seu partido.

Os dois asseguram que o segredo para manter a harmonia da convivência é simples: não discutir política em casa.

Conto essa história de amor e tolerância na esperança que inspire todos os amigos que vejo brigando e se ofendendo por políticos que não valem um abraço.*

(*) Nelson Motta- O Globo

 

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