O CANDIDATO DO TEMER

Meirelles e a virtude de ser invisível

 

O chacoalhão no cenário eleitoral dado pela greve dos caminhoneiros e suas ainda incertas consequências foi tamanho que os estrategistas de Henrique Meirelles, que tinham acabado de lançar um esforço –com vídeo, hashtag e tudo mais– para torná-lo conhecido, agora comemoram o fato de que a grande maioria da população não saber quem ele é.

 Assim, raciocina a equipe do emedebista, a indignação generalizada com o governo de Michel Temer e com a alta dos preços dos combustíveis não será de imediato associada ao ex-ministro da Fazenda e pré-candidato oficial do Planalto. O fato é que não é muito grande o estrago que a crise pode fazer nas intenções de votos de Meirelles, já que ele oscila entre menos de 1% e 2%, a depender da pesquisa. *
(*)  V.M. – Estadão

UM GOVERNO TOTALMENTE DESMORALIZADO

Temer chama o Pires, mas não havia Pires

Quem pariu Mateus que o embale

Sempre que se via contrariado, João Figueiredo, o último presidente da ditadura militar de 64, ameaçava chamar o Pires.

O Pires de Figueiredo era o general Walter Pires, ministro do Exército, sempre disposto a botar para quebrar.

O presidente José Sarney, empossado pela junta médica que cuidou do presidente enfermo Tancredo Neves, tinha seu Pires.

Era o general Leônidas Pires Gonçalves, ministro do Exército, um Pires menos brucutu, mas assim mesmo um Pires.

Foi Leônidas, com um exemplar da Constituição nas mãos, quem disse primeiro que Sarney sucederia a Tancredo.

Ele foi decisivo para que Sarney arrancasse da Constituinte de 1988 o mandato de cinco anos como queria, e não de quatro.

O presidente Michel Temer imaginou que o general Eduardo Villas Bôas, comandante do Exército, poderia ser o seu Pires.

Não se sabe o que os dois conversaram recentemente sob rigoroso sigilo e por iniciativa de Temer.

Mas se para enfrentar a greve dos caminhoneiros Temer precisava de um Pires como Walter ou Leônidas, faltou-lhe um.

Temer chamou o Exército para desbloquear as estradas e fazer mais o que fosse necessário. Villas Bôas fingiu ouvir.

Helicópteros do Exército sobrevoaram estradas, pequenos contingentes de tropas apareceram aqui e acolá, e foi só.

Os militares da ativa se recusam a fazer o trabalho sujo que os políticos querem jogar no seu colo.

Os de pijama até que topariam fazer – mas cadê tropas para isso? Disparam nas redes sociais e depois vão jogar dominó.

Quem pariu Mateus que o embale. Lula, Dilma, Temer não foram paridos na caserna.

Bolsonaro é coisa do baixo clero de farda. General não bate continência para capitão. Jamais para um suspeito de traição.*

(*) Blog do Ricardo Noblat

VIVANDEIRAS DE QUARTEL

Não há possibilidade de golpe militar

Políticos relevantes – e a sociedade de modo geral – não apoiam a tomada do poder pelo Exército

Por enquanto, as chances de qualquer uma dessas coisas acontecer são próximas de zero. Não há, nem de longe, o tipo de antagonismo entre grupos políticos para que o Exército seja chamado para dar um golpe. Quem compara a situação do início de 1964 a 2018 sabe quase nada sobre história e política. João Goulart (PTB) foi derrubado após uma longa crise institucional que em nada se assemelha ao que ocorreu no Brasil nos últimos anos. Dilma Rousseff (PT) foi destituída sem que houvesse mobilização popular. Lula (PT) foi preso sem sombra de descontentamento dos cidadãos a ponto de forçar o Judiciário a voltar atrás.

É claro que a política não está bem, mas as eleições de outubro servirão para eleger representantes – tanto o(a) presidente quanto parlamentares – com a legitimidade que falta tanto a Temer quanto ao Exército. Falta a este, é claro, em grau muito maior.

Recebi delirantes áudios no WhatsApp que estão anos-luz à frente do que se convencionou chamar fake news. Esta é a transcrição de uma gravação de 1 minuto e 56 segundos atribuída a Carlos Marun, ministro da Secretaria-Geral de Governo da Presidência: “Cláudio, só não vaze esse áudio, por favor. A jogada que eles fizeram aqui no Planalto era a seguinte: como eu tinha te falado esses dias, o governo tem um acordo com a Globo para empurrar com a barriga até as eleições. Tu sabe, né? Pois é. Isso porque nas eleições quem vai ganhar é o Meirelles. Claro que vai ganhar porque as urnas são fraudadas. Só que com essa greve dos caminhoneiros, o general [Eduardo] Villas Bôas [comandante do Exército] chegou e falou para o Temer assim ó: não dá mais para segurar, 50% dos generais já estão contra o teu governo. Se essa greve durar até domingo [ontem], segunda-feira tu vai ter que renunciar. Simplesmente deu o recado e não deixou o Temer responder e ficou por isso. Aí qual foi a ideia daquele burro do [Eliseu] Padilha [chefe da Casa Civil da Presidência]? Pega uns caras que se dizem do movimento, junta eles para fazer a reunião, todo mundo assina um acordo, chama só a Globo e diz que a greve acabou e pronto. Com isso, ele achou que a população vai ver que a greve acabou e exigir que os caminhoneiros voltem a trabalhar normalmente. A ideia parecia boa. Só que tinha um problema. O acordo é muito estúpido. E mesmo se os cabeças do movimento assinassem aquele documento, os caminhoneiros não iriam aceitar. Porque não adianta tirar 10, 20, 30, 50 centavos do diesel se na Bolívia nosso combustível não passa de 2 reais. É lógico que os caras não iriam cair nessa historinha. Agora o Temer mandou o Exército para desobstruir as estradas. Mas o problema é a paralisação, não é a obstrução. Diante disso, o Exército não pode obrigar os caminhoneiros a trabalharem. Podem apenas obrigar a desobstruir as estradas. Vou te falar uma coisa: esse governo já caiu, meu amigo”.

Bobagem completa. A voz é mais rouca do que a de Marun e tem forte sotaque gaúcho. O ministro nasceu em Porto Alegre, mas fala com sotaque diferente. Não há evidência alguma de que qualquer coisa do áudio seja verdadeira. Não há apoio civil suficiente para realizar um golpe. Nenhum político de peso apoia algo assim – nem mesmo Jair Bolsonaro (PSL), o mais delirante de todos, que está plantando desordem para colher clamor por ordem nas eleições.

Caso os caminhoneiros continuem atrapalhando o andamento normal do país, o Exército intervirá – não em apoio aos grevistas, mas para desmobilizá-los. E a polícia irá multar e prender os responsáveis.*

(*) Sérgio Praça – veja.com

O FIM DO FIM DO FIM

Apesar de concessões, greve dos caminhoneiros continua

Segundo Temer, o governo assumirá o que ele chamou de “sacrifícios no orçamento” e honrará seus compromissos sem comprometer a Petrobras. Siga as notícias

Apesar do pronunciamento do presidente Michel Temer na noite de domingo para anunciar as medidas adotadas pelo governo após a reunião com os líderes dos caminhoneiros, a greve da categoria contra o aumento dos combustíveis não acabou e entra em seu oitavo dia nesta segunda-feira. Temer comunicou que o preço do diesel sofrerá uma redução de 0,46 centavos por litro do combustível. O governo assumirá o que ele chamou de “sacrifícios no orçamento” e honrará seus compromissos sem comprometer a Petrobras. As outras novidades são três medidas provisórias que tratam da isenção da cobrança do eixo suspeito nos pedágios, a garantia de 30% dos fretes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para os caminhoneiros autônomos, e uma tabela com valores mínimos para os fretes rodoviários. Enquanto os protestos e a greve continuam, o abastecimento de produtos é cada vez mais precário no país e poucos postos de gasolina conseguem repor seus estoques de gasolina e combustíveis.*
(*) Redação – veja.com.br

VIROU A CASA DA MÃE JOANA

Governo paga resgate, mas país continua refém

 

 

 

 

O baronato do transporte de carga sequestrou a rotina dos brasileiros sem levar o rosto à vitrine. Terceirizou o bloqueio de estradas aos caminhoneiros autônomos. No quarto dia, com o país submetido ao caos do desabastecimento, o Planalto cedeu integralmente às exigências. Em troca, obteve um armistício mixuruca de duas semanas, que não foi subscrito por todos os sequestradores da paz social. Quer dizer: o governo de Michel Temer pagou o resgate, mas o Brasil continua refém de uma ilegalidade: o locaute (pode me chamar de greve de patrões) é proibido pela legislação brasileira.

Nas palavras do negociador Eliseu Padilha, chefão da Casa Civil, o governo cedeu “tudo o que foi socilitado”. Isso inclui o tabelamento do preço do diesel por 30 dias e um subsídio para atenuar os reajustes até o final do ano. Para que a Petrobras não fique no prejuízo, o Tesouro Nacional (também conhecido como contribuinte) pagará à estatal a diferença entre o preço de mercado e o refresco servido à turma da roda presa. Coisa de R$ 5 bilhões até o final do ano, quando Temer será enviado de volta para casa. Ou para onde outro lugar.

Repetindo: armou-se algo muito parecido com uma versão envergonhada do controle de preços adotado sob Dilma Rousseff. A diferença é que, para não impor novos prejuízos à Petrobras, o custo do subsídio migrou do passivo da estatal para o bolso da plateia —que muita gente acredita ser a mesma coisa. Como dinheiro público não é gratuito, será necessário cortar os R$ 5 bilhões de outras áreas da administração pública. A última vez que o governo teve de fazer isso, transferiu verbas do seguro desemprego para cobrir o calote aplicado no BNDES pela Venezuela e por Moçambique.

Numa evidência de que o patronato utilizou os caminhoneiros como bonecos de ventríloquo, incluiu-se no acordo o compromisso do governo de não permitir que o Congresso reonere a folha salarial do setor. De novo: a folha das empresas transportadoras continuará isenta do pagamento de imposto. Tudo isso mais a redução de taxas e tributos que incidem sobre o diesel.

Admita-se que o governo não tinha outra alternativa senão negociar. Mas precisava fazer isso de joelhos? Não poderia ter condicionado as concessões à desinterdição prévia das rodovias? Era mesmo necessário passar a mão na cabeça do patronato que trafega no acostamento da legislação. Na manhã desta sexta-feira, ainda faltarão mantimentos na gôndola, combustível na bomba e remédios na prateleira. Mas nenhuma mercadoria é mais escassa no momento do que a autoridade presidencial.

Michel Temer tornou-se uma pequena criatura. Ninguém ignora que o personagem brigou para permanecer ao volante. Mas falta-lhe um itinerário. Consolidou-se como um ex-presidente no exercício da Presidência.

(*) Blog do Josias de Souza

PIRAÇÃO TOTAL

Presidentes que surtam

Em dia de crise, Temer e Eunício viajam

Em um dos dias mais infernais da história do país, o que pretendeu Michel Temer ao voar de Brasília à cidade de Porto Real, no Rio de Janeiro, para a cerimônia de entrega de 369 carros ao Ministério dos Direitos Humanos e à Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente? E de lá voar a Belo Horizonte para a comemoração do Dia da Indústria?

O ministério e a secretaria contemplados com os carros funcionam em Brasília. A cerimônia em Porto Real durou apenas 20 minutos. Ele entrou mudo e saiu calado quando lhe perguntaram sobre a greve dos caminhoneiros. Em discurso, disse a certa altura: “Devo registrar que o fato mais importante do dia de hoje foi estar aqui com os senhores”.

Deve ter sido mais um lance genial de marketing, depois de “O Brasil está de volta – 20 anos em 2”. Vai ver quis passar a falsa imagem de um governante plenamente senhor da situação. Ou – quem sabe? – de responsável por um governo moderno e bem azeitado a ponto do seu titular ausentar-se do centro do poder sem receios mesmo em horas tão dramáticas.

De Temer, se poderá dizer que parte da crise viajou com ele. De Eunício Oliveira (PMDB-CE), presidente do Senado, que fugiu da crise para participar de uma solenidade no seu Estado. Dado ao vexame, foi obrigado a retornar a Brasília. O país está em boas mãos.*

(*) Blog do Ricardo Noblat

APERTEM OS CINTOS, O PILOTO SUMIU

Temos bastante serviço por aqui. O governo e o Congresso têm muitas matérias importantes para aprovar


Não deu nos jornais, mas aparece nas conversas triviais. A gente aqui em São Paulo está com a impressão de que o trânsito tem melhorado nas últimas semanas. Não é boa notícia. Se as pessoas estão circulando menos, para o serviço, compras e diversão, é sinal de que a economia anda mais devagar que os carros. Não tem nada a ver com a crise dos combustíveis dos últimos dias. Isso vai piorar o sentimento, mas a coisa vem de antes.

Estava cogitando dessa hipótese, quando saiu ontem o Índice de Confiança do Consumidor, da FGV, mostrando que os brasileiros estão de fato mais desconfiados com o que vem pela frente. O índice, feito à base de entrevistas pessoais, pede que o consumidor avalie sua situação atual e as perspectivas para os próximos meses. O dado de maio — apurado antes do movimento dos caminhoneiros — foi curioso. As pessoas acharam que as coisas até melhoraram um pouco nos últimos dois meses, mas se mostraram bem menos animadas em relação ao futuro.

Em números: o Índice de Situação Atual subiu para 77,2 pontos; o de Expectativas caiu forte, para 94,2, o menor desde setembro de 2017. Foi o segundo mês seguido de queda nesse indicador, depois de uma sequência positiva.

Repararam que a avaliação do presente é pior que a expectativa? Isso é normal. Parece que o brasileiro é sempre otimista, ou seja, acha que o futuro será melhor que o presente. Continua assim, mas dois meses atrás havia mais confiança para a frente.

Como explicar? Talvez a inflação muito baixa permita um conforto no presente. Por outro lado, embora o IPCA amplo mostre que a inflação, na média, aumenta menos de 3% ao ano, o fato é que alguns preços muito sensíveis estão em alta forte. No IPCA-15 (inflação dos 30 dias encerrados em 15 de maio), a conta de luz, os remédios e a gasolina pesaram nos orçamentos.

Preços de alimentos continuam em queda — e isso tem efeito positivo poderoso. Já o dólar…

Tudo considerado, pode-se dizer o seguinte: a economia virou o ano ganhando fôlego. Nada espetacular, mas depois de uma forte recessão, um crescimento moderado — com a geração de 1,5 milhão de empregos em um ano — permitia algum alívio e, especialmente, a esperança de que o país estava mesmo saindo do buraco.

Foi essa expectativa que esmoreceu nos últimos dois meses. Os indicadores econômicos continuaram oscilando muito, mas indicando uma tendência mais moderada. Todo mundo reduziu suas previsões de crescimento para este ano, de 3% para 2,5%.

Convenhamos, não é uma grande diferença. Continua um PIB em expansão com inflação média no chão. Mas, se permitem, o jeitão da coisa ficou um pouco mais feio. A percepção de que a recuperação para valer, com recuperação de empregos, depende de muitos fatores ainda em suspenso, como, claro, quem será o próximo presidente.

Não foi só aqui. Ainda ontem saíram indicadores mostrando que a economia da União Europeia desacelerou, assim como a japonesa. Entre os ricos, os Estados Unidos continuam em marcha forte, mas com um viés negativo. Eis a sequência: mais crescimento, mais estímulo, mais inflação, sobem os juros, valoriza-se o dólar, desvalorizam-se as demais moedas, especialmente dos países emergentes, incluindo a gente. Ou seja, dólar mais caro atrapalha muita gente.

Acrescentem aí a ameaça ainda presente de uma guerra comercial entre Estados Unidos e o resto do mundo, os riscos geopolíticos (Irã, Rússia) e a alta dos preços do petróleo — e temos fatores suficientes para gerar desconfiança. E situações concretas difíceis.

A crise dos caminhoneiros vem lá de fora: combustíveis e dólar mais caro.

A economia mundial continua em expansão, pelo terceiro ano seguido. A China garante seus 6,5% de crescimento, o que é bom para seus fornecedores, Brasil muito incluído. Mas algo apareceu no ar, uma sensação de que não é bem assim.

Fazer o quê?

Temos bastante serviço por aqui. O governo e o Congresso têm muitas matérias importantes para aprovar, a começar por alcançar algum alívio para os caminhoneiros. Estes podem até estar exagerando — e estão —, mas um aumento de 50% no diesel, em menos de um ano, é difícil de suportar.

A Petrobras também estava fazendo o que tem de fazer. Compra mais caro, vende mais caro. E os governos não têm dinheiro para reduzir impostos.

Apenas um exemplo das enrascadas em que nos metemos. E que exigem dos governantes e legisladores mais do que briguinhas para saber quem pode mais. E, dos políticos, mais do que salvar o deles.*

(*) Carlos Alberto Sardenberg – Globo

O “HERÓI DO POVO BRASILEIRO”, É?

A volta do prisioneiro vip

Diante das dificuldades de distribuição da revista decorrentes da greve dos caminhoneiros, VEJA, em respeito aos seus assinantes, está abrindo seu conteúdo integral on-line.

Condenado a trinta anos e nove meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro na Lava-Jato, o ex-ministro José Dirceu começou a cumprir sua pena na sexta-feira 18, na penitenciária da Papuda, em Brasília. Formado em direito, o petista pediu à Justiça autorização — negada — para ficar em uma cela especial. Dirceu está numa cela comum, equipada apenas com dois beliches e em companhia de mais três criminosos — situação bem diferente de sua primeira temporada na Papuda, quando ocupou uma sala de 23 metros quadrados, com TV, micro-­ondas, chuveiro elétrico e acesso a telefone celular. Mesmo sem as mordomias de antes, o ex-ministro pediu para continuar encarcerado na capital, com o objetivo de ficar mais próximo de sua família, que reside em Brasília.

Na semana passada, o Ministério Público do DF apresentou à Justiça o resultado de uma investigação feita durante o período em que Dirceu e outros condenados no processo do mensalão estiveram presos na Papuda. O governador era o petista Agnelo Queiroz, amigo de Dirceu. O trabalho revela que os condenados ilustres tiveram um tratamento vip, que ia além das instalações físicas mais confortáveis. Recebiam visitas fora dos horários estabelecidos, seus familiares eram poupados das constrangedoras revistas íntimas e não havia controle de entrada ou saída deles.

O relatório afirma que, embora as regalias se estendessem a todos os mensaleiros, o que incluía, entre outros, os petistas José Genoino e Delúbio Soares, ficou nítido que o maior beneficiário era Dirceu. “As visitas ao ex-ministro ocorriam, normalmente, fora do horário de expediente. Lá compareciam políticos, advogados e familiares”, confirma uma testemunha. Por isso, três delegados e um agente foram acusados de corrupção e improbidade administrativa. Desta vez, os privilégios sumiram.*

(*) Marcelo Rocha – veja.com

ADVOGADO DE BANDIDOS

Incontrolável, Gilmar Mendes continua libertando criminosos da Lava Jato

Ao conceder a liberdade, o ministro impôs algumas restrições. O empresário não poderá manter contato com os demais investigados por qualquer meio. Também está proibido de deixar o país, tendo que entregar o passaporte em até 48 horas. Pela decisão de Gilmar, caberá ainda ao próprio Bretas fiscalizar o cumprimento das medidas alternativas determinadas por ele.

ATÉ O DELEGADO – Na terça-feira, Gilmar mandou soltar o delegado Marcelo Luiz Santos Martins, preso também durante a Operação Pão Nosso. Ele era chefe das delegacias especializadas da Polícia Civil do Rio.

A defesa do advogado Marcos Vinicius Silva Lips, ex-secretário adjunto de Tratamento Penitenciário da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), pediu então que o ministro estendesse a ele a decisão que beneficiou Martins. Na quarta, Gilmar também mandou soltá-lo. Por fim, o ministro estendeu a decisão a Lahmann.*

(*) André de Souza
O Globo