CHEGANDO A PÉ DE WOODSTOCK

Bolsonaro é porta-voz de uma agenda proterozoica que seduz parte do Brasil

A maneira mais cômoda de tratar Jair Bolsonaro é atribuir o seu sucesso à alienação dos brasileiros que o colocam no topo das pesquisas. Isso desobriga as pessoas da necessidade de pensar. Evitando-se o raciocínio, adia-se uma conclusão desoladora: o capitão apenas ecoa na campanha de 2018 uma agenda pertencente ao pedaço do Brasil que mantém os pés no século 21 e a cabeça na era proterozoica, anterior ao aparecimento dos animais na Terra.

Bolsonaro é o efeito. A causa é a perpetuação de um sistema político em que o Estado não tem homens públicos. Os homens públicos é que têm o Estado. Ao perceber que paga mais impostos para receber menos serviços, o pedaço Bolsonaro do eleitorado acha que o futuro era muito melhor antigamente, quando os presidentes vestiam farda. Ao notar que o Supremo começou a soltar larápios condenados, o lado Bolsonaro da sociedade passa a sonhar com um país em que os tribunais não sejam a única maneira de se conseguir justiça.

Porta-voz do desalento, Bolsonaro capta no ar o sentimento que seu eleitorado deseja expressar. Na última quinta-feira, dois dias depois de a Segunda Turma do Supremo ter libertado José Dirceu da penitenciária da Papuda, o capitão declarou em Fortaleza que, eleito, vai propor a ampliação dos quadros da Suprema Corte —21 magistrados, em vez dos 11 atuais. Ele fala em “colocar lá dez [ministros] do nível do Sergio Moro, para poder termos a maioria lá dentro.” A ideia é tola e irrealizável. Mas hipnotiza o naco Bolsonaro da plateia, já de saco cheio com a saliência de Gilmar Mendes e dos seus colegas da Segunda Turma, Éden supremo dos encrencados.

Na entrevista que concedeu na capital cearense, como em todas as outras, Bolsonaro agarrou as perguntas pelo colarinho como se enxergasse nelas a oportunidade de reproduzir as respostas iradas que sua plateia espera ouvir. Questionado sobre seus planos para deter o avanço das facções criminosas no país, o candidato declarou-se adepto do modelo da Indonésia. Bolsonaro disse coisas definitivas sem se dar conta de que não definia bem as coisas.

Na Indonésia, traficantes e consumidores de drogas são enviados para o corredor da morte. Mas Bolsonaro, tomado pelas palavras, referia-se às Filipinas, onde a bandidagem é passada nas armas sem a necessidade de uma sentença de morte formal. “Tinha dia de morrer 400 vagabundos lá. Resolveu a questão da violência”, celebrou o entrevistado.

Sem mencionar o nome de Rodrigo Duterte, o presidente das Filipinas, Bolsonaro descreveu um fato protagonizado pelo personagem, em 2016: “No meio do caminho, o senhor Barack Obama quis adverti-lo em nome da política de direitos humanos. E ele deu uma resposta deselegante. E continuou fazendo todo o trabalho. Hoje, é um país seguro.”

Sob Rodrigo Duterte, as Filipinas travam uma guerra sangrenta contra as drogas. A polícia é estimulada a executar vendedores e consumidores. O próprio presidente prometeu, diante das câmeras, matar dezenas de milhares de criminosos. Sua gestão adotou a prática de estimular usuários de drogas a assassinar os traficantes, queimando-lhes as casas.

Quando Barack Obama, ainda hospedado na Casa Branca, esboçou uma defesa dos direitos humanos nas Filipinas, Duterte chamou-o de “filho da puta.” Declarou que, se o presidente americano ousasse admoestá-lo num encontro bilateral, responderia de forma primitiva: ”Vamos chafurdar na lama como porcos se fizer isso comigo.” É esse o personagem que inspira Bolsonaro na elaboração do seu programa de combate ao crime organizado no Brasil.

Bolsonaro não desceu anteontem de Marte. Faz pose de novidade, mas exerce seu sétimo mandato como deputado federal. Com 464 mil votos, foi o deputado mais votado do Rio de Janeiro na eleição de 2014. Sempre cavalgou a mesma agenda conservadora. Condena o casamento de homossexuais, deplora a ideologia de gênero nas escolas, prega o direito dos policiais de matar bandidos e chama presídios superlotados de “coração de mãe”, onde sempre cabe mais um bandido.

No governo tucano de Fernando Henrique Cardoso, Bolsonaro pegou em lanças contra a política de privatizações e a abertura do mercado para a exploração de petróleo. Nessa época defendeu diante das câmeras o fuzilamento do presidente da República. Uma, duas, três vezes. A única novidade da atual temporada é a constatação de que Bolsonaro mudou de patamar. Emprestava sua voz ao nicho proterozoico do eleitorado fluminense. Tornou-se um porta-voz do atraso nacional.

Com menos de 10 segundos de propaganda no rádio e na TV, Bolsonaro tenta celebrar um acordo com o PR do ex-presidiário do mensalão Valdemar Costa Neto. O cruzamento do discurso anticorrupção do capitão com a biografia suja do dono do PR resultará num monumento ao cinismo. Mas Bolsonaro dá de ombros. Ele manda Costa Neto para escanteio, diz que seu contato é com o senador Magno Malta (PR-ES), seu potencial candidato a vice, e assegura que o acordo, se vier, virá “de graça, por amor”.

Só um amador acreditaria em relações políticas baseadas no amor. Mas o eleitor de Bolsonaro, mal-amado por representantes de outrora, olha ao redor, constata a generalização da vigarice e venera o seu candidato por contraste. O capitão assegurou em Fortaleza que prevalecerá no primeiro turno. Exagero de candidato. Talvez fique pelo caminho. Mas sua passagem pela campanha, seja qual for o resultado, já serviu para demonstrar que o pedaço primitivo do Brasil acordou.

Não fica bem pensar mal de Bolsonaro e usar luvas de renda para falar dos seus eleitores. A agenda pertence a eles. Vivo, Darwin diria que o brasileiro é mais uma prova do acerto da sua teoria evolucionária. Evoluiu tanto que já está fazendo o caminho de volta.*

(*) Blog do Josias de Souza

VERGONHA DO BRASIL

Máfia de toga é desmontada por Barroso

Uma das grandes frases do ano: ‘Garantismo à brasileira é ‘uma mistura de compadrio com omertà’

No mundo civilizado, garantismo é um conjunto de teorias jurídicas e filosóficas que pregam a redução do direito de punir conferido ao Estado. Nada a ver com a versão degenerada parida por Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli, todos especialistas em usar a lei para impedir que se faça Justiça.

Nesta quarta-feira, a trinca foi fulminada pela frase irretocável do ministro Luís Roberto Barroso: “Garantismo à brasileira é uma mistura de compadrio com omertà”. Omertà é o código de honra da máfia. Simples assim. Com dez palavras, Barroso restabeleceu a verdade e liquidou a conversa fiada dos garantistas de cabaré.*

(*) Blog do Augusto Nunes

FIM DA ERA DA CANALHICE

José Dirceu, o cérebro da Revolução

Lula é um símbolo, o operário no poder; Dirceu, um líder


José Dirceu, posto em liberdade esta semana, pela segunda turma do STF – não obstante duas condenações em segundo grau e outros processos em curso na Lava Jato -, é mais importante para o destino das esquerdas no Brasil que o próprio Lula.

Lula é um símbolo, o operário no poder; Dirceu, um líder, o cérebro por trás do símbolo, que Lula chamava de “capitão do time”.

É ele o que, no jargão das esquerdas, se chama de “quadro político”, militante que passou por todos os estágios de formação e provação que, na visão revolucionária, são essenciais para produzir um líder, na acepção plena da palavra.

Dirceu, já nos preâmbulos de 64, figurava como uma das principais lideranças estudantis. Preso, na sequência da instalação do regime militar, foi libertado em 1969, com outros companheiros, em troca do embaixador americano Charles Burke Elbrick, sequestrado por um grupo de guerrilheiros de esquerda.

Foi inicialmente para o México e, em seguida, Cuba. Lá, deu início a sua graduação de quadro esquerdista.

Participou de treinamentos de guerrilha, que previa inclusive testes de resistência a interrogatórios e tortura, e acabou migrando para a área em que se tornou especialista: a de inteligência, mais especificamente espionagem.

Tornou-se agente de informação cubano, cargo que não prevê demissão ou aposentadoria. A carreira finda no cemitério.

Em seu exílio, conseguiu o que a bem poucos refugiados era (e é) dado: aproximar-se da cúpula do governo cubano, tornando-se amigo e interlocutor de Fidel Castro. Nada menos.

Voltou ao Brasil clandestinamente em 1975, já submetido a uma operação plástica que lhe deixou o nariz adunco e os olhos puxados, assumindo a identidade falsa de Carlos Henrique Gouveia de Melo. Foi residir em Cruzeiro do Oeste (PR), onde se casou sem revelar à esposa sua verdadeira identidade, o que só viria a ocorrer a partir de 1979, com a aprovação da anistia.

Não é um perfil qualquer, como se vê. Ele precede Lula, na gênese e construção do Foro de São Paulo, entidade que, desde 1990, reúne partidos e associações de esquerda da América Latina e mantém interlocução estreita com o socialismo internacional.

A partir do Foro, e sob sua visão estratégica, começaram a ser eleitos esquerdistas para os governos do continente, lastreados no amplo domínio, estabelecido ainda ao tempo do regime militar, da esfera cultural e midiática, a que se associaram facções do crime organizado – tidas como indispensáveis à ação revolucionária – e megaempresários inescrupulosos, como viria a revelar a Lava Jato.

Dirceu, porém, não contava com o imponderável: a tragédia administrativa de Dilma Roussef (que jogou a economia na lona), a Lava Jato e o renascimento do pensamento conservador, via internet.

Ele está por trás da nomeação de alguns ministros do STF: Luís Fux (a quem chama de traidor) e Antonio Dias Toffoli, que foi seu assessor e lhe tem sido fiel desde o Mensalão.

Conta ainda com Lewandowski, fiel a Lula, e Gilmar Mendes, que, nas palavras do deputado petista Wadih Damous, é hoje aliado do PT. Está livre, não se sabe por quanto tempo, mas sabe-se que não o desperdiçará. Já está em campo, em busca de reverter o jogo.

Anuncia para breve a publicação de suas memórias e, ao voltar para o xadrez, informa que de lá continuará a comandar a revolução. Diz que a cadeia é um ótimo lugar para se fazer política. Lá esteve como preso político e como político preso. Sabe do que fala.*
(*)Ruy Fabiano é jornalista, no blog do Noblat

QUEM SOBREVIVER, VERÁ?

Prepare-se, esta será a eleição mais emocionante e confusa de todos os tempos

Resultado de imagem para ELEIÇÃO CONFUSA CHARGES

Charge do Glauco (Arquivo Google)

 

Mesmo com a exclusão de Lula da Silva, que está com os direitos políticos suspensos e não poderá conseguir a certidão de elegibilidade, documento indispensável para registro de candidatura, ainda não se pode fazer uma análise mais precisa do quadro eleitoral, porque o PT continua espalhando fakes news de que o ex-presidente vai disputar a eleição. Com isso, a maioria absoluta do eleitorado (cerca de 51%, segundo o último Ibope) continua indecisa ou já resolveu votar nulo ou em branco, situação confirmada por todos os demais institutos de pesquisa, que têm números até maiores, que chegam a 66%.

Com isso, a eleição fica ainda mais emocionante, porque ninguém sabe o que vai acontecer, não se tem, realmente, a menor ideia, especialmente porque todos os candidatos que mostram ter chance estão cheios de problemas, alguns enfrentam dificuldades que podem até ser intransponíveis.

HORÁRIO NA TV – Para alguns candidatos que realmente estão no páreo, como Jair Bolsonaro (PSL), Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT) e Alvaro Dias (Podemos), o maior desafio é conseguir alianças com outros partidos, para aumentar o tempo no rádio e TV.

Apenas Geraldo Alckmin (PSDB), Fernando Haddad (PT) e Henrique Meirelles (MDB) estão tranquilos a esse respeito e sabem que terão tempo suficiente para tentar atrair eleitores no horário gratuito.

Aliás, entre esses três privilegiados, Haddad e Meirelles nem sabem se serão candidatos. O o petista depende de uma decisão de Lula, que mandará o partido apoiá-lo ou investir em Ciro Gomes, enquanto Meirelles depende de Temer, que pode dar a legenda a ele ou não, porque ainda sonha com a reeleição e na segunda-feira até se reuniu com os líderes da Assembléia de Deus, em busca de apoio, acredite se quiser, diria Robert Ripley.

MENAS VERDADE – Até agora, ninguém fechou com ninguém. Tudo está no ar. Somente Alckmin alardeia que já tem apoio de quatro partidos (PSD, PV, PTB e PPS), e Bolsonaro anuncia que só falta o aval do senador Magno Malta para se coligar com o PR . Mas é “menas verdade”, como diria Lula. Nenhum partido fechou acordo para valer. O único que realmente ficou perto foi o PTB. Mas a decisão foi solitária de Roberto Jefferson, sem respaldo da Executiva, e ocorreu antes da desmoralização do partido com a nomeação desfeita de Cristiane Brasil e a entrada apoteótica da Lava Jato no Ministério do Trabalho.

Embora também tenham hipoteticamente se acertado com Alckmin, os outros três partidos (PSD, PV e PPS) estão tucanamente em cima do muro, de onde só sairão se o candidato do PSDB subir nas pesquisas ou aparecer outro pretendente mais qualificado, digamos assim.*

(*) Carlos Newton – Tribuna na Internet

PELA HORA DA MORTE

Goooooool dos planos de saúde, na vitória das seguradoras contra os usuários

Resultado de imagem para planos de saudecharges

Charge do Pelicano (pelicanocartum.net)

 

Enquanto a plateia se distrai com a Copa do Mundo, os planos de saúde gritam gol. Os empresários do setor não foram à Rússia, mas receberam uma bola açucarada da ANS. No apagar das luzes do governo Temer, a agência editou normas que podem dobrar o gasto mensal dos segurados.

As mudanças foram publicadas ontem no “Diário Oficial”. Com a canetada, os planos ganharam aval para tomar mais dinheiro dos clientes. Quem ficar doente poderá ser obrigado a pagar 40% do valor dos procedimentos médicos. Além da mensalidade e dos remédios, é claro.

SEM BASE LEGAL – “Essas regras são tão abusivas que dá vontade de chorar”, desabafa Ligia Bahia, professora da UFRJ e doutora em Saúde Pública pela Fiocruz. “A agência reguladora deveria garantir que quem está doente seja atendido. O que estão fazendo é o contrário, e sem base legal”, afirma.

A ANS alega que protegeu os segurados ao estabelecer que a regra não valerá para tratamentos crônicos, como quimioterapia e hemodiálise. É uma meia verdade. Um doente com câncer não pagará a mais pela químio, mas poderá ser sobretaxado a cada vez que precisar de exames, fisioterapia ou apoio nutricional.

EM PLENA COPA – O mês da Copa tem sido lucrativo para os planos de saúde. No dia 5, o Senado aprovou a indicação de Rogério Scarabel Barbosa para o cargo de diretor da ANS. Ele era advogado de seguradoras antes de ganhar uma vaga na agência que deveria fiscalizá-las. O senador Randolfe Rodrigues comparou a nomeação à escolha de uma raposa para cuidar do galinheiro.

Na semana seguinte, a mesma ANS autorizou um reajuste de 10% nos planos individuais, uma goleada sobre a inflação oficial de 2,76%. O aumento chegou a ser barrado na Justiça. O desembargador Neilton dos Santos cassou a liminar na última sexta-feira, dia de Brasil x Costa Rica.

MAIS LUCROS – Em 2017, deputados ligados aos planos de saúde tentaram mudar a legislação para aumentar os lucros das empresas. As entidades de defesa do consumidor reagiram, e a proposta não chegou a ser votada.

Com o pacote de ontem, o governo encontrou um atalho para presentear as seguradoras sem depender da Câmara. Por mais que o lobby dos planos seja forte, os parlamentares ainda precisam do voto dos pacientes para se reeleger. Não é o caso do presidente da República.*

(*) Bernardo Mello Franco
O Globo

NINGUÉM AGUENTA MAIS PICOLÉ DE CHUCHU

Alckmin tem números ruins no Sudeste

Pré-candidato tucano e ex-governador do Estado é o presidenciável com o pior desempenho em sua região de origem, aponta pesquisa Ibope

O presidenciável tucano, Geraldo Alckmin, tem o pior desempenho entre os principais pré-candidatos ao Palácio do Planalto nas eleições 2018 quando se avalia as intenções de voto de cada um na sua região de origem, segundo o mais recente levantamento CNI/Ibope.

Ex-governador de São Paulo, Estado que comandou por mais de 13 anos, Alckmin registrou 8 pontos porcentuais na região Sudeste, contra 12 pontos, por exemplo, de Alvaro Dias (Podemos) no Sul e 17 de Marina Silva (Rede) no Norte/Centro-Oeste.

Para especialistas ouvidos pelo Estado, esse resultado ajuda a explicar porque a candidatura do tucano enfrenta resistências também nacionalmente.

Nos cálculos do cientista político Murilo Aragão, da consultoria Arko Advice, Alckmin chegaria a 10% ou 12% nas pesquisas nacionais de intenção de voto (e não o intervalo atual, de 4% a 6%) caso registrasse o mesmo patamar alcançado pelo pré-candidato tucano João Doria nos levantamentos para governo do Estado (cerca de 25%).

“Isso mudaria a situação dele, faria com que sua candidatura fosse menos questionada. Mas Alckmin não fez a lição de casa e agora o sinal de alerta está aceso. É só lembrar que Aécio Neves perdeu a eleição em 2014 justamente em Minas Gerais, seu berço político”, disse.

Divulgada nesta quinta-feira, 28, a pesquisa confirma a percepção da própria campanha tucana de que Jair Bolsonaro (PSL) é o maior “ladrão” dos votos do PSDB no Sudeste. Enquanto Alckmin tem 8%, o deputado – que é paulista, mas fez carreira política no Rio –, chega a 19%, mais que o dobro. Não é à toa que os perfis do pré-candidato tucano nas redes sociais atacam diretamente o parlamentar.

A situação confortável de Bolsonaro e Alvaro Dias, no Sul, também é preocupante para a campanha de Alckmin. Diferentemente do Sudeste, que tradicionalmente se divide entre PT e PSDB, os eleitores de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul sempre dão vitória aos tucanos quando o embate é direto. Nestas eleições, no entanto, com a pulverização de candidaturas à Presidência, Bolsonaro tem 21% no Sul e Alckmin, 4%.

“Se você não está bem em casa, como vai pedir apoio para o vizinho?”, questionou Dias, que é senador pelo Paraná e ex-governador do Estado. Para o presidenciável do Podemos, todo político deve cuidar do quintal de casa. “Sempre fiz essa reflexão.”

Dificuldades de Alckmin passam por indefinição sobre palanque estadual
Para a professora de ciências políticas da PUC-SP Vera Chaia, as dificuldades de Alckmin passam pela indefinição dele em relação ao palanque estadual paulista. “Quem é seu candidato, afinal? É Doria ou o atual governador, Márcio França, que lhe sucedeu? Pode não parecer, mas essa divisão complica sua situação no Estado”, afirmou.

Vera Chaia ainda cita outros dois fatores que devem ser considerados quando se fala do desempenho de Alckmin no Sudeste e mais especificamente em São Paulo. “O PSDB governou o Estado por 24 anos e, desses, 13 foram sob Alckmin. Isso desgasta tanto ele como o partido. E tem mais uma coisa: ele não tem mesmo carisma nenhum. Ciro é explosivo, Bolsonaro é radical, porém, claro em suas ideias. E, Alckmin? Some por não se posicionar.”

A mesma pesquisa, no entanto, mostra que a rejeição do tucano é de 22%, menor em relação a de Bolsonaro, com 32% e a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que registra 31%. “O eleitor de São Paulo é mais politizado, avalia mais desempenho do que bairrismo. Isso pode ajudar Alckmin, mas desde que ele desenvolva uma narrativa, mostre seus resultados na áreas fiscal e de segurança, por exemplo. Também precisa começar a se posicionar mais, investir numa pré-campanha digital e não mais analógica. Daí vai se diferenciar e pode, sim, se recuperar a tempo”, completa Aragão.

Coordenador do programa de governo do tucano, Luiz Felipe d’Avila disse que os dados não preocupam neste momento. “Estamos focados na elaboração de propostas e na construção de alianças com outros partidos. Esses sim são fatores que serão decisivos para crescer nas pesquisas quando a eleição começar em agosto.”*

(*) Adriana Ferraz, O Estado de S.Paulo

PILANTRA JURAMENTADO

Meirelles muda de tática e ‘cola’ em Lula nas eleições 2018

Ex-ministro vai usar período em que chefiou o Banco Central na gestão do petista para tentar crescer nas pesquisas


BRASÍLIA – Estagnado nas pesquisas de intenção de voto, Henrique Meirelles fará uma aposta de risco para obter apoio e conseguir ser oficializado como candidato do MDB ao Palácio do Planalto nas eleições 2018. Sob desgaste de ter sido ministro da Fazenda do governo de Michel Temer, campeão no quesito impopularidade, Meirelles vai engrossar o discurso e usar na campanha o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que, apesar de condenado e preso na Lava Jato, ainda lidera os levantamentos quando seu nome é testado.

A mudança de tom começou nesta quinta-feira, 28, após a equipe de comunicação de Meirelles concluir que, para crescer nas pesquisas e deixar o solitário dígito de 1%, ele precisa “surpreender”, criar fatos políticos e chamar a atenção. O ataque aos adversários Jair Bolsonaro (PSL) e Ciro Gomes (PDT) faz parte da estratégia. A etapa seguinte será explorar a “herança” de Lula.

A ideia é destacar que Meirelles foi presidente do Banco Central nos dois mandatos do petista (2003 a 2010). Enquanto a defesa de Temer aparece nas pesquisas como um “fardo”, a vinculação com Lula é vista como “trunfo”. O ex-ministro faz questão, porém, de separar Lula da presidente cassada Dilma Rousseff.

Meirelles culpa Dilma por agravamento da crise

Na noite desta sexta-feira, 29, em reunião com empresários do Distrito Federal, Meirelles culpou Dilma pelo agravamento da crise. Ao criticar Bolsonaro e Ciro, sob o argumento de que “há candidatos que desejam acabar com o teto de gastos”, ele deu uma estocada na petista.

“Isso me lembra de uma reunião de 2006, na qual a então chefe da Casa Civil (do governo Lula) fez uma afirmação impressionante. Ela disse: ‘Despesa pública é vida’”, contou. Em seguida, não escondeu a divergência com Dilma: “Precisa ver para quem, não é?”.

Ao Estado, Meirelles disse não haver dúvidas de que a política econômica da gestão Dilma foi muito diferente da adotada por Lula e por Temer. “Fui presidente do Banco Central no governo Lula e a economia cresceu. Saí, veio a Dilma e a economia entrou em recessão. Voltei com Temer e houve novo crescimento. É um fato.”
Ideologia. Na prática, a campanha quer mostrar que o ex-chefe da equipe econômica é um homem tão “preparado” para tirar o Brasil da crise que está acima de ideologias e partidos. Não será uma tarefa simples, mesmo porque dirigentes do MDB não o liberaram da missão de defender o “legado” de Temer, reprovado por 79% dos eleitores, de acordo com pesquisa CNI/Ibope.

“É fácil defender as reformas e o que foi feito para o Brasil crescer e criar empregos. Não entro em questões individuais nem de Temer nem do Lula”, afirmou Meirelles ao Estado.

Para o ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, o pré-candidato do MDB precisa agora falar mais para a opinião pública. “Ele foi chamado para tirar o Brasil de uma situação de crise, assim como havia sido chamado pelo Lula quando a situação era gravíssima. E ele não fugiu do chamamento”, insistiu.

Em carta divulgada nas redes sociais, Meirelles diz que nunca aceitou a divisão do País. “Atendi ao convite de Lula e tenho orgulho (…) de que meu trabalho naquele período possibilitou que tantas pessoas saíssem da pobreza rumo à classe média”, escreveu o ex-titular da Fazenda.

O figurino que o MDB quer vestir em Meirelles, a 99 dias da eleição, é o de candidato de centro com bom trânsito em várias alas, “equilíbrio” e “pulso firme” para apagar incêndios. Não sem motivo a campanha é ancorada pelo mote #ChamaOMeirelles. O problema é que, ao contrário do que ele próprio previa, a economia não reagiu como esperado e o desemprego continua alto.

A manutenção do ex-ministro no páreo depende agora do seu desempenho. A portas fechadas, dirigentes do MDB observam que Meirelles somente será levado à convenção – prevista para o fim de julho ou início de agosto – se tiver potencial para se tornar competitivo.

A preocupação do Planalto e da cúpula do MDB é hoje menos com resistências internas e mais com a falta de protagonismo de Meirelles na cena política. Se o quadro não mudar, a tendência do MDB será a de não apresentar chapa própria e liberar arranjos regionais. *

(*) Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

 COLABORARAM JULIA LINDNER e ANNE WARTH

VAPT-VUPT

“Um bandido cuja condenação ninguém discute”, diz Carvalhosa sobre Dirceu

Modesto Carvalhosa publicou em suas redes sociais uma resposta ao advogado de José Dirceu, Roberto Podval, que “recebeu com tristeza” a crítica do jurista sobre a decisão da Segunda Turma do STF de soltar o petista.

“Modesto Carvalhosa,

Com tristeza recebi uma mensagem onde o senhor critica de forma grosseira alguns ministros do STF por terem libertado meu cliente José Dirceu, (dentre outros). É lamentável ouvir de um jurista críticas absolutamente desconexas, equivocadas e típicas de quem fala sobre um processo que não conhece. Infelizmente, ao que parece, seus anseios políticos – pessoais – cegaram o jurista de outrora. É uma lástima.”
Eis a resposta de Carvalhosa:

“Caro colega Podval,

Não tinha conhecimento de que você havia sucedido o Dias Toffoli como advogado do José Dirceu.

Seu atual cliente ao ser um dos mais notórios corruptos do país, reincidente específico, traiu toda uma geração que lutou contra a ditadura militar, na qual me incluo, e que hoje se envergonha de ter sido por ele liderada. Trata-se de um bandido cuja justa condenação ninguém discute. Apenas se questiona a questão da dosimetria da pena.

Permita-me informá-lo que não tenho pretenções políticas, não sou filiado a nenhum partido e apenas luto, como cidadão, no combate aos nefandos corruptos que destruíram o nosso país.

Um abraço,

Modesto Carvalhosa”.*

(*) O Antagonista