CANALHAS JURAMENTADOS

‘O time dos sem noção’

 

A pancadaria segue forte sobre a CPI da Delação, já apelidada de “CPI da Lava Jato”. O deputado federal Daniel Coelho (PPS-PE) não economizou críticas à iniciativa.

“A cada dia, o time dos sem noção aumenta mais no Congresso Nacional. Quando ouvi falar em CPI para investigar a Lava Jato pensei que era piada. Só faltava essa, agora, os corruptos querem prender os honestos”, criticou.*

(*) Estadão

A PROPÓSITO

Manual de imprensa

A imprensa petista e a imprensa governista se calaram sobre a vergonhosa CPI da Lava Jato.

Sabe como é: os inquéritos atrapalharam os negócios.*

(*) O Antagonista

VANGUARDA DO ATRASO

Marina Silva aposta no voto útil para vencer Bolsonaro

Vitória improvável, mas não impossível


Sem tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão, sem partidos – fora o seu – que queiram apoiá-la, e com pouco dinheiro para pagar despesas de campanha, a ex-ministra Marina Silva só tem como se eleger presidente da República em outubro próximo se a sua candidatura, apesar de todas as desvantagens, for capaz de unir a maioria dos brasileiros.

Isso será possível? Possível, sim. Marina é vista pelos eleitores, mesmo por aqueles que não a admiram, como alguém que veio do andar de baixo e que sabe como poucos políticos o que é ser pobre e ter que lutar para sobreviver em um país tão desigual como o Brasil. Sobreviveu à miséria, a doenças que quase lhe custaram a vida, e aos preconceitos.

Soube abrir espaço à base de cotoveladas gentis e afirmar-se como uma figura pública que jamais abriu mão dos seus princípios. Passou incólume por todos os escândalos que destruíram a boa reputação do seu partido de origem, o PT. Serviu como ministra do Meio Ambiente ao primeiro governo Lula, mas nem por isso se deixou contaminar pela podridão do ambiente em torno.

Por duas outras vezes, já foi candidata a presidente e perdeu. Mas saiu de cada uma delas maior do que entrou. Em 2014, ao suceder como candidata a Eduardo Campos, morto em um acidente de avião, Marina chegou a liderar as pesquisas de intenção de voto. Com pouco tempo de rádio e de televisão para se defender, acabou como vítima do formidável poder de fogo da dobradinha Dilma-Aécio.

Sem Lula candidato, porque ele não o será, Marina é a segunda colocada em todas as pesquisas de intenção de voto conhecidas até aqui. Nas simulações de segundo turno, é o único nome, no momento, capaz de derrotar o deputado Jair Bolsonaro (PSL). Se assim permanecer até meados de setembro, poderá beneficiar-se do voto útil dos que admitem tudo, menos Bolsonaro presidente.

É nisso que Marina aposta. Ela insiste em ganhar ganhando, sem as concessões que poderiam levá-la a ganhar perdendo, como diz. É uma postura pouco realista, mas combina com ela. E não faz mal ao país. Pelo contrário.*

(*) Blog do Ricardo Noblat

CHEIRA-PEIDOS JURAMENTADO

Ciro 2018 repete Ciro 2002

Ciro Gomes deve repetir hoje à noite com ACM Neto o gesto de 2002, quando pediu apoio de ACM para sua campanha eleitoral.

Antes da benção, ele costumava relacionar a ACM “tudo o que não presta na história republicana”.

Não esqueça de dobrar os joelhos.*

(*) O Antagonista

A PROPÓSITO

Em reunião no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, em 2005, Ciro chamou ACM Neto de “tampinha” e “anão moral”, e acusou o PSDB de golpismo.

VALE QUANTO PESA?

Liquidaçãode estatais

A memória da destruição do patrimônio público na Eletrobras vai à queima de inverno. Sem culpados reconhecidos. Por cinquenta mil reais

Depois da Copa vai ter empresa estatal à venda por apenas R$ 50 mil. É valor igual ao de um carro zero ou de 110 cestas básicas de alimentos no mercado carioca.

A queima de inverno está marcada para a manhã de quinta-feira, 26 de julho, em São Paulo. O governo vai leiloar seis distribuidoras de energia que atendem ao Acre, Alagoas, Amazonas, Piauí, Rondônia e Roraima.

Elas são responsáveis por 29% do abastecimento nacional de eletricidade. Atendem 13 milhões de pessoas numa área onde caberiam o Peru, a Colômbia e o Equador. Integram a galáxia de 178 subsidiárias da estatal Eletrobras, cujos dívidas ultrapassam R$ 30 bilhões.

Estão há mais de duas décadas na vitrine do programa de privatizações. Desta vez, porém, a liquidação é para valer — anuncia-se em Brasília. Se não houver interessados em pagar 52 salários mínimos por cada uma das seis distribuidoras, elas serão liquidadas. Literalmente. E as concessões serão vendidas ainda neste ano.

Essas estatais perdem cerca de R$ 1 milhão por dia, à média de R$ 690 por minuto. Para vendê-las a preço simbólico (R$ 50 mil cada), o Tesouro Nacional precisou deglutir R$ 11,2 bilhões em dívidas. Há outros R$ 8 bilhões pendentes.

Mantê-las funcionando tem custado R$ 7,4 milhões por dia, durante os últimos 18 meses. Ou seja, recebem R$ 5,1 mil por minuto para se manter de portas abertas no negócio de eletricidade em seis estados do Norte e do Nordeste.

Elas abrigam 11 mil empregados e são pródigas em remunerações. Pagam prêmios por produtividade — participação nos lucros —, embora registrem perdas crescentes há mais de uma década.

Na distribuidora alagoana, a folha salarial consome 65% do custo operacional, segundo Eletrobras, BNDES, TCU e CGU. Ela atravessou os últimos cinco anos gastando mais com prêmios sobre lucros inexistentes do que investindo em linhas e subestações para distribuição de energia.

Instaladas nas regiões mais pobres do país, essas seis subsidiárias da Eletrobras cobram dos seus clientes tarifas 9% acima da média nacional. E prestam um péssimo serviço de abastecimento, segundo a Aneel, agência setorial. No Amazonas, por exemplo, só três em cada dez áreas de consumo não convivem com apagões.

O curto-circuito financeiro foi precipitado pelo governo Dilma Rousseff, cujo projeto para um capitalismo de estado sob hegemonia do PT incluiu corte de 20% nas tarifas, combinado com a imposição de investimentos de R$ 60 bilhões à Eletrobras. O legado está aí, no prejuízo socializado via preço da eletricidade, hoje um dos mais altos do planeta.

Por trás desse quadro há um histórico de manipulações do setor de energia, na qual se misturam interesses de partidos (MDB, PT, PSDB, PCdoB, PR e PP, entre outros), de corporações associadas à CUT e à Força Sindical, e de grupos de consumidores e fornecedores privilegiados na política regional.

Energia virou mercadoria em balcões políticos. Projetos como o da usina de Belo Monte, no Pará, multiplicaram propinas no PT e no MDB. Por razões semelhantes, no Amazonas, Acre, Alagoas, Piauí, Rondônia e Roraima, estatais não cobram, nem recebem, por um de cada quatro quilowatts que distribuem. A memória dessa destruição do patrimônio público vai à queima de inverno. Sem culpados reconhecidos. Por R$ 50 mil.*

(*) José Casado – O Globo

Leia mais: https://oglobo.globo.com/opiniao/liquidacaode-estatais-22795669#ixzz5IuZvrhOq
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SEGURANÇA TOTAL

Identidade contra violência

O formidável aparato de segurança montado para a Copa do Mundo que acontece na Rússia tem razões politicas internas e externas. O perigo de atos terroristas é real, a ponto de a embaixadas dos Estados Unidos e países europeus terem sugerido a seus cidadãos que não viessem à Copa. O que não impediu que os americanos fossem os maiores compradores de ingressos entre os estrangeiros, seguidos dos brasileiros.

O que se vê nos jogos da Copa é um aparato policial sem precedentes, com os policiais fazendo um corredor polonês – ou russo – por onde os torcedores têm que passar em direção à saída dos estádios. Ruas são interditadas várias horas antes dos jogos e operações policiais revistam automóveis aleatoriamente pelas ruas, mesmo quando não há jogos. Uma espécie de blitz como a Lei Seca que existe em vários estados do Brasil, mas não para conter a bebida.

Aqui, com o índice altíssimo de alcoolismo na população russa, a maioria perderia a carteira de habilitação. A bebida alcoólica, por sinal, está liberada nos estádios – a Budweiser é uma das patrocinadoras oficiais da Copa – embora seja proibida em eventos esportivos públicos, justamente como aconteceu no Brasil durante a Copa de 2014.

As ameaças do Estado Islâmico são a maior preocupação, devido ao apoio da Rússia ao ditador sírio Bashar Al Assad. Imagens de Messi e Neymar com ameaças de morte apareceram na internet nos últimos meses. Também há preocupação com movimentos separatistas da Chechênia, que já realizaram atos terroristas na Rússia como os de 2002, quando tomaram o Teatro Dubrovka em Moscou, fazendo 700 reféns.

A ação do aparato de segurança estatal, depois de dois dias de negociações infrutíferas, provocou 170 mortes, a maioria reféns, devido a um gás introduzido pelos dutos do teatro. Até 2010, uma série de atentados ocorreram em Moscou, com mulheres-bomba provocando mortes em estações de metrô.

O mais grave de todos foi a captura de uma escola em Beslan, na região russa de Ossétia do Norte, com mais de mil reféns. As forças de segurança reagiram com uma invasão que provocou a morte de mais de 300 pessoas, a maioria crianças.

Para conter os torcedores violentos que caracterizam os jogos de futebol na Rússia, com demonstrações explícitas de racismo e xenofobia, foi criado um sistema de identificação único até agora nesse tipo de competição: a identidade do fã (Fan ID), que obriga a um prévio cadastramento todos que querem ir aos jogos. Para entrar nos estádios é preciso, além do ingresso, a credencial de fã, uma maneira de impedir que os hooligans conhecidos, da Rússia e de outros países, venham para a Copa.

O cadastramento de milhões de torcedores de todo o mundo reduziu também a possibilidade de câmbio negro dos ingressos, um problema recorrente nas Copas do Mundo. Na do Brasil, em 2014, diversos escândalos aconteceram com vendas de ingressos até mesmo por funcionários da própria FIFA.

Há também outra novidade em relação aos ingressos, que restringe ou dificulta o câmbio negro. Como nos grandes torneios esportivos pelo mundo, a FIFA criou um sistema próprio para revender os ingressos através da internet, limitado sempre ao cadastramento do interessado.

A preocupação com os torcedores violentos russos e congêneres internacionais tem sua razão de ser, embora já distante no tempo. Na copa de 2002, a derrota da Rússia para a Bélgica por 3 a 2, perdendo a chance de ir para as oitavas de final, gerou cenas de vandalismo na Praça Manej, ao lado da Praça Vermelha, onde havia um telão transmitindo o jogo, com carros queimados, prédios e lojas quebradas, duas mortes e mais de cem pessoas feridas.

Desde então nenhum tipo de exibição pública de partidas de futebol aconteceu na capital russa. Mas, hoje, como em toda Copa do Mundo, os locais onde estão instaladas as tendas para as Fan Fest da FIFA transmitem os jogos da Copa por telões, com segurança reforçada.*

(*) Merval Pereira – O Globo

FAMIGLIA UNIDA

Fachin mantém execução da pena do irmão de Zé Dirceu condenado na Lava Jato

Após o julgamento de recursos, Tribunal da Lava Jato determinou o cumprimento da pena de Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, que pegou 8 anos e nove meses de reclusão e já está preso desde fevereiro; para ministro relator, a ordem de prisão ‘está em harmonia com a jurisprudência prevalecente no STF’

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, negou seguimento – julgou inviável – ao Habeas Corpus (HC) 155378, no qual a defesa de Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, irmão do ex-ministro José Dirceu (Casa Civil), buscava reverter a execução provisória da pena a que foi condenado por associação criminosa e lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Lava Jato.

Luiz Eduardo foi condenado a 8 anos e nove meses de reclusão pelo juiz Sérgio Moro, da 13.ª Vara Federal de Curitiba, por suposta participação na organização que se infiltrou na Petrobrás e por recebimento de recursos irregulares da Engevix Engenharia.

O irmão de Zé Dirceu já está preso desde fevereiro.

O Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), o Tribunal da Lava Jato, em julgamento de recurso do Ministério Público Federal, aumentou a pena para dez anos e seis meses de prisão e determinou o início do seu cumprimento. Em seguida, o Superior Tribunal de Justiça rejeitou habeas corpus lá impetrado pela defesa.

No HC 155378, a alegação da defesa de Luiz Eduardo é que a execução da pena foi determinada antes do esgotamento de recursos no STJ (especial) e STF (extraordinário), ‘sem a observância de requisitos de cautelaridade ou de fundamentação concreta, o que também colidiria com o reconhecimento do direito de apelar em liberdade’.

Fachin destacou que o Supremo reconheceu, em vários julgados recentes, que a execução provisória de acórdão penal condenatório proferido em grau de apelação, ainda que sujeito a recurso especial ou extraordinário, não compromete o princípio constitucional da presunção de inocência afirmado pelo artigo 5.º, inciso LVII, da Constituição.

O ministro citou a apreciação das medidas cautelares nas Ações Declaratórias de Constitucionalidade (ADCs) 43 e 44 e o julgamento, com repercussão geral, do Recurso Extraordinário com Agravo (ARE) 964246.

Ainda segundo o relator, no julgamento do HC 152752 – impetrado pela defesa do ex-presidente Lula -, realizado em abril deste ano, o Plenário assentou a ausência de constrangimento ilegal em hipóteses como a dos autos, em que o ato impugnado é compatível com a jurisprudência prevalecente no STF.

COM A PALAVRA, A DEFESA

A reportagem está tentando contato com a defesa de Luiz Eduardo de Oliveira e Silva.*

(*) Redação – Estadão

MALUCO DESVAIRADO

Ciro se irrita, de novo, e sai vaiado

O irritadiço Ciro Gomes se irritou de novo diante de uma plateia de prefeitos e deixou o palco sob vaias no Congresso Mineiro de Municípios, em Belo Horizonte, relata a Folha.

“Ciro considerou pouco o tempo de cinco minutos de fala e de três minutos para resposta concedidos no evento e perdeu a cabeça quando foi interrompido após a primeira pergunta”, escreve o jornal. O tempo era igual para os sete pré-candidatos participantes.

“Falar coisa séria por cinco minutos. Vocês acham delicado isso? Eu não sou demagogo”, disse o pedetista, que em seguida questionou a ausência de Jair Bolsonaro.
Ao ser informado de que teria cinco minutos para as considerações finais, disse apenas “muito obrigado a todos”. Saiu vaiado e não quis falar com os jornalistas no final.*

(*) O Antagonista

SEGUNDA-FEIRA, 18 DE JUNHO DE 2018

Testemunha diz a Moro que Lula ‘cobrou’, via caseiro, quando ia ficar pronto o lago do sítio
Misael de Oliveira, encarregado de obras da OAS, disse nesta segunda-feira, 18, ao juiz da Lava Jato que operários tinham que trabalhar ‘sob sigilo’, sem crachás da empreiteira, na reforma da propriedade de Atibaia; ele admitiu que não teve contato pessoal com o petista, ‘só através de recados’

O encarregado de obras Misael de Jesus Oliveira, da OAS Empreendimentos, revelou, em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, nesta segunda-feira, 18, uma ‘cobrança’ do ex-presidente Lula em relação ao lago do sítio de Atibaia (SP). Misael narrou que o caseiro ‘Maradona’ passava recados do petista.

A propriedade é alvo de ação penal da Operação Lava Jato contra o ex-presidente. Lula é acusado de corrupção e propina nas reformas do sítio. O ex-presidente nega taxativamente ser o dono do imóvel e que tenha recebido valores ilícitos.

Misael foi ouvido como testemunha de defesa de outros dois réus no mesmo processo, o empresário Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, e o executivo Paulo Gordilho.

O encarregado citou a ex-primeira-dama Marisa Letícia, morta em fevereiro de 2017. Ele relatou que a ex-mulher de Lula pediu para avaliar um forno na churrasqueira.

“A primeira-dama me pediu diretamente algumas coisas. O presidente, só através de recados. Ele nunca chegou para mim para pedir nada”, afirmou. “Ele (‘Maradona’) falava: o presidente tá perguntando quando vai ficar pronto o lago, quando que vai mexer no lago, o que está acontecendo no lago.”

O encarregado de obras disse ainda a Moro. “Ela (Marisa) me pediu para ver com ela para colocar o forno, me pediu para a gente olhar, dar uma opinião para ela”, disse.

Misael disse que trabalha na OAS desde agosto de 2013.

“Todas as quartas ela (Marisa Letícia) ia com o segurança e nos finais de semana. O ex-presidente eu vi duas vezes lá”, afirmou.

Misael contou que Marisa e ‘Maradona’ nunca perguntaram os custos da reforma, custeadas pela OAS. O encarregado de obras estimou as obras em ‘R$ 400 mil a R$ 500 mil’ entre material e mão-de-obra.

“Quando eu saía da OAS, do escritório da Avenida Angélica, eu levava um valor em dinheiro. Junto com esses valores em dinheiro, eu fazia as compras e guardava as notas. Tudo que eu comprava lá em Atibaia, nos depósitos da região, eu prestava contas quando eu voltava para a empresa”, afirmou.

Ele relatou que comprava o material com dinheiro em espécie. De acordo com o funcionário, a operação não é praxe na companhia.

“Normalmente, é comprado pela empresa. Quando eu faço algum serviço pela empresa, eu faço três cotações, orçamentos e compra do fornecedor mais barato e a gente executa. Mas isso tudo é pela compra da própria empresa, do setor de compras”, disse.

O funcionário relatou que não usava o nome da OAS para as compras. “Normalmente, eu pedia no meu nome, ‘Misael’. Pedia para entregar no endereço que era no sítio.”

Ao juiz Moro, o funcionário disse que participou das obras do sítio de Atibaia em 2014. A reforma teria começado logo depois do Carnaval e durado até as eleições daquele ano.

“Meu gerente Luis Alberto me chamou na área dele, com mais três pessoas que trabalhavam comigo, e falou que a gente ia fazer uma reforma num sítio em Atibaia, seria uma reforma no sítio do presidente”, narrou a testemunha.

Misael disse que ia ‘todos os dias’ à obra em Atibaia. Ele contou que havia um projeto para construção de uma capela para 12 pessoas na propriedade, que não chegou a ser realizada.

“Assim que passasse a eleição, (ia) começar o serviço da capela”, afirmou. “Conversando com o pessoal da empresa, eles pediram para esticar um pouco, para deixar a eleição passar até para ver se a presidente Dilma ia ser reeleita. (…) Pelo que eu entendi, se a Dilma ganhasse, a gente fazia a obra.”

Afirmou que havia ‘sigilo’ sobre as obras ‘desde o começo’. Segundo ele, os funcionários que trabalhavam na obra, iam para o sítio sem o crachá da OAS, deixavam ‘guardado na empresa’.

“Eles pediram para a gente fazer sigilo porque a gente ia trabalhar no sítio do presidente. (inaudível). Ninguém pode ficar sabendo disso, nem aqui na empresa, nem fora. (Inaudível) que a gente não usasse o uniforme da empresa. Foi feito um uniforme sem o nome da empresa”, relatou.
COM A PALAVRA, O ADVOGADO CRISTIANO ZANIN MARTINS, QUE DEFENDE LULA

A testemunha, que é funcionário da OAS esclareceu que as supostas intervenções ocorridas no sítio de Atibaia que pertence a Fernando Bittar teriam ocorrido em 2014, quando Lula não exercia qualquer cargo público. Também confirmou que jamais conversou com Lula ou recebeu qualquer valor proveniente de contratos da Petrobras, que é a base da acusação contra o ex-presidente e o argumento dos procuradores para escolher o juiz Sergio Moro para julgar a ação. Lula jamais praticou qualquer crime antes, durante ou após exercer o cargo de Presidente da República.*

(*) Julia Affonso – Estadão

TRUCO PRA CIMA DO MORO, FALCÃO?

Rui Falcão deve levar muitos sustos no espelho

 

 Ex-presidenter do PT, Rui Falcão prestou depoimento como testemunha de defesa de Lula no julgamento sobre o sítio de Atibaia. Soou como se imaginasse que, com boa propaganda, Sergio Moro acreditaria em ovo sem casca, em PT sem fisiologismo e na perseguição política a Lula. Deu errado. “Não é propaganda política aqui, senhor Rui”, avisou o juiz da Lava Jato.

 

O depoimento durou apenas sete minutos. Apenas Cristiano Zanin, advogado de Lula, animou-se a inquirir Falcão. A testemunha disse que não tomou conhecimento da distribuição de cargos no governo em troca de vantagens. Afirmou desconhecer a compra de apoio no Legislativo. ”Nunca tomei conhecimento disso. E não creio que isso tenha ocorrido porque não era da nossa prática, do PT, comprar apoios ou praticar atos ilícitos.”

As palavras de Falcão não fizeram sumir as evidências de que o sítio de Atibaia, usado por Lula como se fosse o dono, foi reformado por corruptores do porte da Odebrecht e da OAS. Mas serviu para mostrar que o ex-presidente do PT não é mais o mesmo.

Falcão confunde falta de memória com consciência limpa. Já não se lembra dos embates que travou com o PMDB e outros aliados pela partilha de nacos do Estado. Sumiu-lhe da lembrança o mensalão. Acha que petrolão é um barril grande. Falcão já não conhece nem a si próprio. Deve levar sustos frequentes no espelho.*

(*) Blog do Josias de Souza

A COISA ESTÁ FEIA…

Livre é o arbítrio

A abstenção eleitoral não é ameaça de hecatombe institucional

Da cultura do voto obrigatório resulta o temor da abstenção eleitoral que tanto vem ocupando candidatos, jornalistas, marqueteiros, cientistas políticos e analistas de pesquisas. Ainda que soe algo simplista, essa é a única explicação razoável para que se trate da provável omissão substancial (somados votos nulos, brancos e ausências) dos eleitores como a ameaça de uma hecatombe institucional.

Medo injustificável se posto em confronto com uma perspectiva mais ampla. Exemplo: duas eleições americanas foram consideradas recordistas na participação de eleitores. Num país de voto facultativo, John Kennedy, em 1960, mobilizou 63% do contingente apto à escolha, e Barack Obama, em 2008, conseguiu mais: tirou de casa 66% do eleitorado, produzindo cenas inéditas de filas de gente com vontade de votar, a despeito dos primórdios do inverno próximo.

Ainda assim, nas duas ocasiões recordes, perto de 40% dos votantes deixaram para lá o tal direito sagrado. Nem por isso, com o advento de Donald Trump (46,6% de abstenção) e tudo o mais, ocorreu a alguém de bom-senso questionar a sério a solidez da democracia nos Estados Unidos. Isso sem falar de democracias (a maioria no mundo) em que o voto não é obrigatório e nas quais são registrados índices de ausência muito superiores aos dos Estados Unidos sem que isso seja visto como sinal do fim dos tempos democráticos.

Dizem as pesquisas, e por meio delas projetam os especialistas, que hoje em média 23% do eleitorado manifesta a intenção de votar nulo ou em branco. Desdobrando os dados de acordo com a presença ou a ausência desse ou daquele candidato na urna, temos uma variação de 17% a 40%, bastante superior à dos que dizem não saber (de 1% a 21%) em quem votar.

Considerando que em 2006, 2010 e 2014 tivemos abstenções, votos em branco e nulos na ordem de 29% a 23%, resta-nos esperar pelo grau de ausência para confirmar ou negar as projeções feitas para 2018 e, com isso, consolidar ou derrubar afirmativas a respeito do destino da nação no tocante ao sistema representativo quando o caso é de escolha do(a) presidente.

Uma coisa, porém, é certa: seja alto ou altíssimo o grau de ausência do eleitor, isso diz respeito à qualidade da relação representante-representados, mas não abala o fundamento do sistema de maioria, que, graças ao bom-senso, não deve favores e jamais precisará atender às exigências de regimes absolutistas.

Estorvos — Apressados, sabemos, comem sempre cru. Aconteceu com vários candidatos que se adiantaram à disputa com o intuito de aumentar o cacife dos respectivos partidos nas negociações e acabaram, por obra da precipitação, por interditar possibilidades de melhores condições.

O PT está amarrado a Lula, o MDB ancorado em Henrique Meirelles, o DEM atrelado a Rodrigo Maia, o PSDB sem saber o que fazer com Geraldo Alckmin, o PSD querendo que Guilherme Afif se toque, o PSB indeciso e o PDT presidido pelo notório Carlos Lupi pondo a maior fé em Ciro.*

(*)  Dora Kramer – veja.com