SANATÓRIO GERAL

Discípulo esforçado

Ciro confessa que aprendeu com Lula e Dilma a fazer negócio com partidos


“Quantos minutos vocês acham que vai demorar para o Centrão me apoiar? Eu, com o governo na mão?”.

(Ciro Gomes, candidato a presidente pelo PDT, insinuando que vai negociar apoio político com a mesma metodologia que despejou Dilma do Planalto e transferiu Lula para a cadeia)

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Gente que mente

Haddad informa que o sonho de todo brasileiro é ser governado por um presidiário

“A palavra de ordem ‘Lula Livre’ tira o sono dos nossos adversários. Quem pensa no Lula às vezes pensa no filho na universidade, o outro pensa na energia elétrica na casa dele, um outro pensa nas águas do São Francisco”.

(Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo, garantindo que nenhum brasileiro, quando pensa em Lula, pensa em corrupção, ladroagem, triplex na praia, sítio e empreiteiro, fora o resto)

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Palanque na gaiola

Gleisi acredita que Lula será autorizado a fazer comícios em todas as cadeias do país

“Lula vai estar em todos os palanques independente da situação dele”.

(Gleisi Hoffmann, senadora e presidente do PT, garantindo que a Justiça vai autorizar Lula a fazer comícios em todas as unidades do sistema penitenciário brasileiro).*

(*) Blog do Augusto Nunes

PAES, UM CANALHA JURAMENTADO

Falta um retrovisor à campanha de Eduardo Paes

  

Ao lançar sua candidatura ao governo do Rio de Janeiro, o ex-prefeito Eduardo Paes prometeu molhar a camisa para debelar “duas crises bastante profundas”. Citou a ruína fiscal e o descalabro da segurança pública. E a corrupção? Bem, sobre a roubalheira o candidato não tem nada a dizer. Explicou que fará campanha “sem falar mal de ninguém”. Deseja “trabalhar olhando para frente”.

O governo do Rio foi à breca por dois motivos: seus gestores gastaram o que o Estado não tinha e roubaram o que sobrou. O descalabro foi produzido pelo (P)MDB, partido de Sergio ‘Bangu 8’ Cabral, Jorge ‘Tornozeleira’ Picciani, Luiz ‘Delatado’ Pezão e, até ontem, Eduardo ‘Olhando para a Frente’ Paes. Todos foram leais a Eduardo Cunha. Agora, filiado ao DEM, o ex-prefeito deseja que o eleitor passe uma borracha no passado. Espera que ninguém pergunte que fim levou aquele Rio de cara nova que o arrojo modernizante da dupla Cabral—Paes faria surgir.

O candidato que promete priorizar a segurança é o mesmo Paes quem, em 2009, desencadeou na prefeitura do Rio o ”choque de ordem”. A coisa consistia numa grandiosa ofensiva de fiscais e guardas municipais contra tudo o que era irregular na cidade – de camelôs a construções ilegais, passando por violações às regras de trânsito, transporte pirata, outdoor ilegal, o diabo…

Criou-se na prefeitura uma “Secretaria da Ordem Urbana”. Nessa época, Paes dizia coisas assim: ”Não é admissível que existam áreas da cidade em que o poder público não seja soberano”. A ideia era utilizar a estrutura da prefeitura para, em parceria com o governo estadual, aplainar o terreno para um combate mais efetivo contra o crime.

Hoje, o carioca olha ao redor e só enxerga desordem urbana e violência. Ao lado do “legado da Olimpíada” doe 2016, outra marquetagem da prefeitura de Paes, o “choque de ordem” sobrevive na memória que o candidato a governador deseja apagar apenas como uma nova e criativa definição para conversa fiada.

O ex-prefeito diz que só tem olhos para o futuro. É muito cômodo, pois o futuro não pode ser cobrado nem conferido. O problema é que um candidato como Eduardo Paes, com um enorme passado pela frente, não tem o direito de conduzir uma campanha 100% feita de para-brisa. Falta ao projeto político do ex-parceiro de Cabral um bom retrovisor. “Meu CPF é outro”, desconversa Paes. Pelo andar do lero-lero, o eleitor fluminense precisa ficar em estado de alerta.*

(*) Blog do Josias de Souza

ABAIXO O FAKE NEWS E A CENSURA

Jornalismo, alma da democracia

O jornalismo não é antinada. Mas também não é neutro.


Não existe um único assunto relevante que não tenha nascido numa pauta do jornalismo de qualidade. Os temas das nossas conversas são, frequentemente, determinados pelo noticiário e pela opinião dos jornais. A imprensa é, de fato, o oxigênio da sociedade. Sem ela as sociedades sucumbem às recorrentes aventuras populistas e autoritárias.

As redes sociais  reverberam, multiplicam, agitam. Mas o pontapé inicial é sempre das empresas de conteúdo independentes. Sem elas a democracia não funciona.

O jornalismo não é antinada. Mas também não é neutro. É um espaço de contraponto. Seu compromisso não está vinculado aos ventos passageiros da política e dos partidarismos.

O jornalismo sustenta a democracia não com engajamentos espúrios, mas com a força informativa da reportagem e com o farol de uma opinião firme, mas equilibrada e magnânima. A reportagem é, sem dúvida, o coração da mídia.

As redes sociais e o jornalismo cidadão têm contribuído de forma singular para  processo comunicativo e propiciado novas formas de participação, de construção da esfera pública, de mobilização do cidadão. Suscitam debates, geram polêmicas, algumas com forte radicalização, exercem pressão. Mas as notícias que realmente importam, isto é, aquelas que são capazes de alterar os rumos de um país, são fruto não de boatos ou meias-verdades disseminadas de forma irresponsável ou ingênua, mas resultam de um trabalho investigativo feito dentro de rígidos padrões de qualidade, algo que está na essência dos bons jornais.

A confiança da população na qualidade ética dos seus jornais tem sido um inestimável apoio para o desenvolvimento de um verdadeiro jornalismo de buldogues. O combate à corrupção e o enquadramento de históricos caciques da política nacional, alguns acertando suas contas na prisão e outros sofrendo o ostracismo do poder, só são possíveis graças à força do binômio que sustenta a democracia: imprensa livre e opinião pública informada.

Poucas coisas podem ter o mesmo impacto que o jornal tem sobre os funcionários públicos corruptos, sobre os políticos que se ligam ao crime, que abusam do seu poder, que traem os valores e os princípios democráticos. Políticos e governantes com desvios de conduta odeiam os jornais.

Penso que existe uma crescente demanda de jornalismo puro, de conteúdos editados com rigor, critério e qualidade técnica e ética. Há uma nostalgia de reportagem. É preciso recuperar, num contexto muito mais transparente e interativo, as competências e o fascínio do jornalismo de sempre.

É preciso contar boas histórias.

Estamos em ano eleitoral. Os leitores esperam algo mais do que aspas, fofoca, intriga política e marketing superficial. Querem bons perfis dos candidatos, análise aprofundada das suas propostas, desconstrução de miragens demagógicas e populistas.*

(*) Carlos Alberto Di Franco, no blog do Ricardo Noblat

VANGUARDA DO ATRASO

As 17 ‘mudanças’ de Bolsonaro

Está circulando pelo WhatsApp uma lista encaminhada pela equipe de Jair Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PSL, com 17 ‘mudanças’ que deverão ser parte de seu programa de governo, caso ele vença as eleições. A lista pode não ser 100% precisa, apesar de distribuída por gente de staff de Bolsonaro, mas certamente espelha, em boa medida, as ideias do candidato a as propostas que ele  revelou nos últimos meses. Confira a lista de ‘mudanças’ propostas por JB:

1. Exército gerenciando obras públicas com o uso de mão de obra dos presídios;
2. Banco Central afinado com o Ministério da Fazenda, mas independente pra atuar (sem interferência política);
3. Escola sem partido;
4. Escola Sem Ideologia de Gênero;
5. Educação, Cultura e Esporte no mesmo Ministério trabalhando de forma interligada e complementar, comandado por um general especialista em colégios militares;
6. Colocar técnicos nos ministérios. O ministro da Saúde deverá ser formado na área e assim sucessivamente.
7. Redução de 40 pra 15 ministérios e privatização e extinção de estatais;
8. Mais Brasil, menos Brasília. Novo pacto federativo para o dinheiro ficar nos municípios e estados e não na União;
9. Imposto Único – IVA ou pelo menos redução de impostos para todos os setores produtivos buscando a curva de Lafer, segundo a qual existe uma relação entre a arrecadação tributária e a taxa de impostos na economia;
10. Redução da maioridade penal com a possibilidade de emancipação do criminoso em casos hediondos ou de reincidência.
11. Fim da Audiência de Custódia, pela qual todo preso em flagrante deve ser levado à presença da autoridade judicial, para avaliar a legalidade e a necessidade de manutenção da prisão;
12. Investimentos pesados na exploração de minérios e recursos minerais;
13. Rediscussão de tratados econômicos, tais como o Mercosul, em busca de mais relações econômicas bilaterais;
14. Fim do toma lá dá cá. Acordos políticos serão feitos à luz do dia;
15. A soberania nacional voltará a ser a coisa mais importante para a Presidência da República;
16. Criação do Programa Minha Primeira Empresa, para incentivar novos empreendedores;
17. Revogação do Estatuto do Desarmamento com a aprovação da posse de arma para todos os cidadãos e em alguns casos do porte de arma.*

(*)   José Fucs – Estadão

E O PRESIDIÁRIO NÃO SE MANCA

Defesa de Lula já foi contra a tese agora usada para salvar a candidatura dele

O posicionamento de Aragão no passado acendeu o sinal de alerta no PT, que faz de tudo para tentar manter a candidatura do petista.

INELEGIBILIDADES – No julgamento do registro da então candidata Jaqueline Roriz, em 2014, Aragão defendeu como vice-procurador que novas inelegibilidades podem ocorrer mesmo após a formalização da candidatura. Ele não foi localizado para comentar o assunto.

Outro advogado que atua na defesa de Lula, Luiz Fernando Casagrande Pereira também escreveu, em 2015, um artigo acadêmico no qual dizia que nem sempre o candidato inelegível tem direito a seguir em campanha. Ele não quis comentar.

MARQUETAGEM – Alvaro Dias (Podemos) é o terceiro presidenciável a procurar o publicitário Eduardo Fischer. Antes dele, Henrique Meirelles (MDB) e Jair Bolsonaro (PSL) tentaram trazer o presidente da Fischer America para suas campanhas.

As negociações com o candidato do Podemos estão avançadas. Fischer deve atuar como um consultor estratégico. Ele já indicou Alexandre Oltramari para ser o marqueteiro da campanha.

Fischer foi eleito, ontem, pela terceira vez como “publicitário de confiança” pela pesquisa Marcas de Confiança da revista Seleções. Sua empresa é uma das maiores do País.*

(*) Andreza Matais
Estadão

O ESPERTO SAIU NA FRENTE

Bolsonaro aproveita brecha jurídica e se beneficia com outdoors pelo país


Um conflito de decisões da Justiça Eleitoral e uma interpretação sobre liminar concedida em janeiro pelo ministro do TSE Luiz Fux abriram brecha legal para que pelo menos 200 outdoors fossem inaugurados em todas as 27 unidades federativas do país em benefício do candidato Jair Bolsonaro (PSL-RJ).

Embora não existam indícios de que o comando da pré-campanha de Bolsonaro financie ou controle as inaugurações dos outdoors, ele fez amplo uso dessa arma de propaganda na batalha eleitoral.

DEM REAGE – Há alguns dias, depois que a Prefeitura de Ilha Solteira (SP), comandada pelo DEM, ordenou a demolição de um outdoor que fora erguido ilegalmente num espaço público, o então pré-candidato usou uma rede social para explorar o assunto: “Prefeito de Ilha Solteira, DEM, manda derrubar outdoor de Jair Bolsonaro. O TSE não considera campanha antecipada o uso de outdoor”, escreveu.

Um levantamento feito pela Folha em redes sociais localizou registros de vídeo e imagens de outdoors em benefício de Bolsonaro espalhados por mais de 200 cidades de todos os estados, de novembro de 2017 a julho de 2018.

O número total pode ser bem maior. Um militante de Bolsonaro que inaugurou a propaganda em Chã Grande (PE) disse em entrevista a uma televisão local que só no Pernambuco o grupo já havia erguido 92 outdoors.

VARIANTES – As propagandas variam de forma e dizeres, mas todas trazem a fotografia e o nome do candidato do PSL à Presidência. Os militantes que dizem pagar a propaganda por conta própria também fazem “atos de inauguração”, com carreatas e fogos de artifício.

Para a Justiça Eleitoral, contudo, isso não é suficiente para caracterizar uma propaganda eleitoral ilegal. Segundo o TSE e juízes consultados pela reportagem, o tribunal não tomou uma decisão unificada para todo o país, deixando que impere a análise de caso a caso, quando a Justiça deve ser provocada pelo Ministério Público.

A PGR (Procuradoria-Geral da República) fez isso, em janeiro, para pedir a derrubada de outdoors pró-Bolsonaro na Bahia. A decisão de Luiz Fux, em janeiro, acabou tendo efeito contrário ao buscado pela PGR. Em vez de determinar a ilegalidade dessa modalidade de propaganda, Fux mandou que os outdoors fossem mantidos nos seus lugares. Citando jurisprudência, ele afirmou que o tribunal definiu “o pedido de voto como um dos requisitos necessários à caracterização da propaganda antecipada”.

SEM PEDIR VOTO – Em suma, se o outdoor não traz um pedido explícito de voto, estaria liberado. Decisão nesse mesmo sentido foi reafirmada pelo TSE em uma sessão no último dia 26 de junho. Para o Ministério Público, a mera existência do outdoor já é um pedido de voto. Além disso, o uso de outdoor é proibido durante a campanha.

A decisão de Fux abriu espaço para interpretações das mais diversas em todo o país. Os militantes de Bolsonaro passaram a dizer que estavam autorizados a erguer os outdoors.

Na prática, quando provocados pelo Ministério Público, os juízes estão tendo que observar se os dizeres do outdoor configuram ou não “um pedido explícito de voto”. Ocorre que, do pedido do Ministério Público à análise do Judiciário, muitos dias se passam e o outdoor já foi visto por centenas ou talvez milhares de pessoas, cumprindo seu objetivo de propaganda eleitoral.

DECISÕES – Em pelo menos cinco casos, a Justiça Eleitoral já mandou destruir as propagandas, com decisões em Mato Grosso, São Paulo, Paraíba, Bahia e Rio Grande do Sul.

Em Cuiabá, o juiz eleitoral Paulo Cézar Alves Sodré determinou no começo deste mês a retirada de outdoors em Pontes e Lacerda (MT).

À Folha o juiz afirmou que a propaganda trazia expressões que configuravam o pedido de voto. Um dos cartazes dizia: “Contra corrupção, Bolsonaro é a solução”. O magistrado disse que sua decisão vai na mesma linha do que ficou estabelecido pelo TSE em 26 de junho.

NA BAHIA – Em Capela do Alto Alegre (BA), a Justiça Eleitoral mandou que um outdoor pró-Bolsonaro com a inscrição “Deus, Pátria e Família” fosse desmontado.

A juíza Ana Paula Fernandes Teixeira escreveu que o “direito de manifestar-se sobre a pessoa que anseia a participação no processo eleitoral é livre e tal não poderá ser cerceado”, porém o uso de uma ampla imagem, “de forma a configurar-se como possível propaganda eleitoral cuja intenção seja angariar votos em período que fora ao estipulado na lei, não pode ser acolhido pelo Judiciário”.*

(*) Redação – Folha de São Paulo

OS MILAGREIROS

Candidatos prometem, mas não explicam como vão executar seus programas

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Reportagem de Miguel Caballero e Renata Mariz, edição de ontem de O Globo, destaca a indefinição do eleitorado, principalmente das eleitoras, em relação às eleições presidenciais de outubro. Essa indefinição, acredito, decorre da falta de transparência nos projetos que dizem pretender executar. É uma pena, porque tal situação desloca a intenção de voto em torno de um alvo indefinido. O desapontamento é maior entre as mulheres. Mas é preciso levar em conta que as mulheres representam 52% do eleitorado e os homens, portanto, 48%.

Tenho a impressão que a sensação de apatia vai diminuir a partir do momento em que começar o horário eleitoral na televisão e no rádio. Esta visão, aliás, é da professora Fátima Pacheco Jordão, especialista em comunicação política.

31 DE AGOSTO – Vamos conferir a partir de 31 de agosto, quando poderemos principalmente confrontar a influência das redes sociais e das emissoras de rádio e tv. Até o momento as redes sociais não influíram para animar os eleitores. Vamos ver se a partir de setembro, por exemplo, esse comportamento se modifica. É próprio da campanha política acentuar a mudança no decorrer dos dias na medida em que se aproxima o desfecho nas urnas.

De qualquer forma, os eleitores têm razão na sua frieza. Afinal de contas, um mar de corrupção afundou o país e o povo. Como alguém poderia pensar o contrário numa fase de total descrédito do poder e dos políticos. Um exemplo: Valdemar Costa Neto, voz maior do PR, foi quem decidiu o apoio da legenda a Geraldo Alckmin. Enquanto isso, Roberto Jeferson, do PTB, foi responsável pelo compartilhamento da legenda também com Geraldo Alckmin. São dois nomes marcados pela corrupção.

SEM VICES – Uma prova capaz de explicar o desânimo encontra-se na dificuldade de escolha dos candidatos a vice-presidente. Nenhum vice foi escolhido ainda pelos quatro candidatos com mais possibilidades de vencer: Bolsonaro, Marina Silva, Ciro Gomes e Alckmin. Fica nítida a dificuldade tanto dos que querem ser eleitos quanto de todos nós eleitores.

Se os candidatos tivessem programas específicos, poder-se-ia dizer que o eleitorado está mais apático do que os candidatos. Entretanto, são os próprios candidatos que fornecem a prova do contrário. Se eles até agora não conseguiram completar suas chapas, como esperar que os votantes tenham se definido a uma distância de pouco mais de dois meses das urnas.  Os candidatos, pelo contrário, preocupam-se em negociar apoios em troca de tempo na televisão. Assim esquecem como viabilizar as propostas que vão emoldurar suas campanhas.

EXPLICAÇÕES – É necessário que os candidatos consigam explicar quanto e como pretendem mudar a face do governo do país. Vejam só: falar que vão resolver os problemas da saúde, da segurança, dos transportes, da educação, isto é algo comum no pensamento do eleitorado. Principalmente as mulheres, que se preocupam mais com a saúde de que com qualquer outro tema.

Mas não é esta a questão. A dúvida essencial é como os candidatos vão obter recursos capazes de realizar suas metas. Trata-se de uma explicação indispensável, porque, caso contrário, as palavras o vento leva, e tal perspectiva se repete de um pleito para outro.

TEMAS CRÍTICOS – Todos os postulantes abordam sempre os temas críticos, mas não tocando na forma de enfrentá-los, as promessas caem no vazio. Daí a reação das eleitoras e eleitores, principalmente das mulheres. Está se verificando, de outro lado, um sentimento de frustração que se renova a cada quatro anos. Até aqui, 30 anos depois da redemocratização, o panorama de angústia das classes de menor renda não foi coberto pelos projetos dos governantes.

Citei 30 anos porque houve eleições livres em 89. A pobreza não diminuiu, e os problemas coletivos, entre eles o desemprego, que afetou também a classe média, não foram solucionados e nem os governos passaram ao povo uma ideia de que caminhariam para uma evolução concreta no campo econômico social.

Daí porque o desânimo tomou conta de grande parte do eleitorado. Entretanto, tenho a impressão de que depois da televisão o clima vai mudar. Esperemos que pelo menos desta vez os programas políticos não sejam apenas promessas.*

(*) Pedro do Coutto – Tribuna na Internet

COM ALGUM POR FORA “EM NOME DE JESUS”…

Henrique Meirelles tenta achar equilíbrio com apoio do chamado “Centrinho”

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Charge do Nani (nanihumor.com)

O MDB segue procurando se equilibrar na tentativa de atrair apoio para a pré-candidatura de Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda. Após o fracasso em atrair o Centrão — bloco formado por PP, DEM, PRB, PR e Solidariedade —, o presidenciável está atrás de partidos do chamado Centrinho. O grupo é formado por PRTB, Podemos, PSC, PRP, Patriotas, PTC, DC (antigo PSDC), Avante e Pros, que, juntos, detêm 46 deputados e 12 senadores no Congresso. O problema é que nem mesmo lideranças das nove legendas nanicas sinalizam disposição de se coligar à campanha emedebista.

A restrição a uma aliança com Meirelles e o MDB se deve ao temor de naufragar em uma candidatura que, inevitavelmente, será vinculada, pelos opositores, ao presidente Michel Temer.

REJEIÇÃO A TEMER – A aprovação de apenas 4% do governo joga contra as perspectivas dos partidos em alçar voos mais altos na corrida eleitoral, caso se unam à campanha emedebista. Diante disso, Álvaro Dias, do Podemos, e Paulo Rabello de Castro, do PSC, seguem sendo os mais cotados para liderar o “centrinho”.

O grupo composto pelos nove partidos decidiu nesta semana se unir para apoiar um único candidato à Presidência da República, como o centrão, que se uniu ao PSDB, de Geraldo Alckmin. Com isso, o centrinho formou a chamada Aliança Patriótica Democrática Cristã. Juntas, as legendas somam cerca de 1 minuto e 52 segundos de tempo de televisão, calculam líderes.

EVANGELISMO – Os quase dois minutos de horário eleitoral gratuito do Centrinho agradam a Meirelles. Mas é o público cristão que o emedebista está mirando. Nos últimos meses, o presidenciável estreitou laços com a comunidade evangélica. Foi a cultos e alinhou um discurso cristão mirando os religiosos.

Nas últimas semanas, inclusive, tentou atrair apoio do PRB, presidido pelo ex-ministro da Indústria Marcos Pereira, bispo da Igreja Universal do Reino de Deus. O apoio da legenda a Alckmin frustrou os planos do economista, que decidiu, então, mirar o centrinho.

As legendas do bloquinho reconhecem os feitos de Meirelles pela economia no governo Temer e nas duas gestões do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando foi presidente do Banco Central. Mas estão inclinadas a negar apoio.

OUTRO PERFIL – Um interlocutor do PSC afirma que os partidos procuram um perfil mais político e carismático para capitanear a aliança cristã. “A ideia é que o nosso candidato seja um político que tenha credibilidade e empatia. Meirelles é um técnico e não é carismático. Poderia ser o caso de ser um vice”, advertiu.

No centrinho, a análise é de que Meirelles mantém conversas para elevar o capital político e vendê-lo mais caro em um apoio a vice em alguma coligação. Álvaro Dias é o preferido para liderar. A possibilidade dele ser o segundo no comando em uma chapa, no entanto, não existe.

PADILHA E MARUN – O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, disse sexta-feira em Joanesburgo, onde Temer participava de uma cúpula do Brics, que o “candidato que leva a proposta do governo é o Meirelles. “Ou estamos com Meirelles ou não tem candidato”, destacou. A expectativa do MDB é conseguir uma aliança com capilaridade para fortalecer a campanha em todo o país, sobretudo em áreas onde a esquerda é dominante, como o Nordeste. “O presidente (do MDB, Romero) Jucá e Meirelles ainda trabalham com a possibilidade de uma aliança. Vai ter que ter. Alguém que pudesse representar o Nordeste seria muito bom”, disse.

O ministro-chefe da Secretaria de Governo, Carlos Marun, garante que a opção por Meirelles está consolidada e sem chance de revés. “Como militante do MDB, estou cada vez mais animado com a candidatura. É uma pessoa metódica, disciplinada e empenhada, que nos orgulha. Não me surpreenderia um bom desempenho nas eleições. O trabalho dele é fruto de resultados”, sustentou.*

(*) Rodolfo Costa
Correio Braziliense

FALTANDO BANDIDO NA PRAÇA?

A espantosa temporada de caça ao vice

A dois meses da eleição presidencial, faltam interessados no emprego de subchefe do Poder Executivo

Josué Gomes, o candidato a vice-presidente cobiçado por Geraldo Alckmin e Lula, rejeitou os dois pretendentes por ordem da mãe. No momento, Jair Bolsonaro hesita entre um príncipe e um astronauta. Ciro Gomes procura alguém que não saia em desabalada carreira quando desandar em mais um chilique. Marina Silva parece conformada com a companhia do coordenador de sua campanha, que nem começou.

Outros participantes da corrida presidencial não conseguiram sequer selecionar algum alvo. A exceção é Guilherme Boulos, que oficializou a dobradinha com a indígena Sônia Guajajara. A dois meses da eleição, a temporada de caça ao vice escancara a escassez de interessados no emprego de subchefe do Poder Executivo. No Brasil republicano, 11 presidentes foram substituídos pelo número 2 antes que o mandato chegasse ao fim.

As pesquisas sobre a eleição presidencial informam que 50% dos brasileiros pretendem abster-se, votar em branco ou anular o voto. Se o eleitorado for instado a apontar o melhor dos possíveis candidatos a vice, a opção por nenhumpoderá chegar a 100%.