SECARAM AS TETAS DA ESTATAL

STF suspende efeitos de julgamento que obriga Petrobrás a pagar R$ 17 bi em ações trabalhistas

Decisão do TST determinou que estatal pague a maior indenização trabalhista da história; empresa pediu suspensão até que esgotados os recursos na Justiça


BRASÍLIA – O presidente em exercício do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, suspendeu nesta sexta-feira, 27, os efeitos do julgamento do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que no final de junho condenou a Petrobrás na maior ação trabalhista de sua história.
A decisão atendeu a pedido da defesa da estatal. Na terça-feira, 24, os advogados da empresa recorreram ao Supremo para que os efeitos da decisão do TST fossem suspensos até que esgotados os recursos na Justiça. A suspensão de Toffoli desta sexta-feira vale até que o Supremo delibere sobre a questão ou até que o ministro Alexandre de Moraes, que é relator do caso, se manifeste de forma diferente. Cabe recurso dos trabalhadores no próprio STF.
Aberto pelos funcionários, o maior processo trabalhista do País pede o recálculo de um acordo coletivo de 2007 que concedeu adicionais ao salário, como trabalho noturno, por sobreaviso e confinamento Foto: Petrobrás

Processo de R$ 17 bilhões
Aberto pelos trabalhadores, o processo pedia o recálculo de um acordo coletivo de 2007 que concedeu adicionais ao salário, como trabalho noturno, por sobreaviso e confinamento. Entenda: Como ficam os novos direitos dos trabalhadores com a reforma trabalhista
Os extras têm sido pagos, mas milhares de empregados querem outra conta que, grosso modo, dobra os adicionais.
Por determinação do TST, a estatal terá de pagar R$ 17 bilhões a 51 mil funcionários e ex-funcionários em 47 ações coletivas e mais de 7 mil ações individuais.

Advogados alegam prejuízo à saúde financeira da empresa
No recurso apresentado ao Supremo na terça-feira, 24, os advogados da estatal afirmam que o pagamento do valor cobrado comprometerá a saúde financeira da empresa, de sua política de investimentos previstos ao abastecimento nacional.
Em sua decisão, Toffoli afirma que, “em que pese referido acórdão ainda não tenha sido publicado, a tese sufragada naquele julgamento já começou a ser aplicada, o que se mostra açodado e deve ser obstado”.

Dias Toffoli
O ministro Dias Toffoli é neste momento o presidente em exercicio do Superior Tribiunal Federal (STF) Foto: Andre Dusek/Estadão
De acordo com o ministro, “são notórios os efeitos econômicos que a implementação dessa decisão poderá acarretar aos cofres” da Petrobrás. “A justificar que se aguarde o pronunciamento desta Suprema Corte sobre a matéria, antes de proceder-se à liquidação do julgado proferido pelo TST.”
“Tenho por presente a circunstância excepcional a admitir a instauração da jurisdição desta Corte sobre a matéria, pois o TST determinou a tomada de medidas tendentes à execução de julgado cujo acórdão sequer foi publicado e, ainda, sem nem mesmo aguardar o decurso de prazo para a interposição de outros recursos, em face daquela decisão.” O presidente interino da Corte determinou ainda a “suspensão nos “tribunais e juízos em que se encontrarem, as ações individuais e coletivas que discutem essa matéria, qualquer que seja a fase de sua tramitação, até final deliberação desta Suprema Corte acerca do tema, ou ulterior deliberação, em sentido contrário, do Ministro relator (Alexandre de Moraes)”.

Recursos extraordinários
No despacho, o ministro cita que a CLT determina que, na hipótese de existir questão constitucional na questão julgada sob o rito dos recursos repetitivos, não se poderá obstar o conhecimento de eventuais recursos extraordinários que vierem a ser interpostos.
“E, no presente caso, a própria certidão do julgamento faz expressa referência à norma do artigo 7º, inciso XXVI, da Constituição Federal, para aduzir que não houve vulneração a seu comando, fato esse que, aliado à escassa maioria formada quando do julgamento, torna bastante verossímil a tese de que há, efetivamente, matéria constitucional em disputa acerca da matéria, a dar trânsito a eventual e futuro recurso extraordinário a ser interposto em face do acórdão que vier a ser publicado”, escreveu.

Sobre o julgamento
O plenário do TST deu razão aos trabalhadores com um placar apertado: 13 votos a favor dos petroleiros e 12 ministros a favor da Petrobrás. A decisão saiu apenas com o voto de minerva do presidente do Tribunal, ministro João Batista Brito Pereira.
Com Pereira, o tribunal concordou com trabalhadores que pedem novo método de cálculo para benefícios previstos em acordo coletivo firmado em 2007. A mudança deve causar impacto de R$ 15 bilhões pelos pagamentos passados e ainda adicionaria R$ 2 bilhões anuais na folha de pagamento da Petrobrás. *

(*) Teo Cury e Rafael Moraes Moura, O Estado de S.Paulo

UMA ETERNA QUADRILHA

Em ‘carta aberta’, MDB esconde Temer e esquece de recordar toda a corrupção

 

O MDB divulgou nesta sexta-feira uma “carta aberta à nação” (pode ser lida aqui). Nela, o partido reafirma a candidatura presidencial de Henrique Meirelles e pede uma nova chance: “Queremos continuar o trabalho apenas iniciado. Não tivemos tempo para implantar e desenvolver plenamente nossas propostas.” A legenda acena com um governo “sem radicalismo, sem amadorismo, sem populismo”. Faltou dizer “sem corrupção”. Por quê? Simples: embora seus dirigentes não enxerguem culpados no espelho, o MDB é parte do lixão da política brasileira.

A carta do MDB ocupa uma página e meia. Em 12 parágrafos, o nome de Michel Temer não aparece uma mísera vez. Escondendo sua realidade, o MDB descreve uma fantasia: “Havia a necessidade de recolocar o Brasil nos trilhos. E foi o que fizemos.” A verdade é que o partido tem saudades do tempo em que Temer se autoproclamava um “vice decorativo”. O Brasil ia a pique, mas o MDB, entre omisso e aliviado, podia botar a culpa em alguém.

Hoje, a legenda abriga o presidente mais impopular da história. Em pesquisas com margem de erro de 2 pontos percentuais, Temer obtém a aprovação de 3%. Oito em cada dez brasileiros abominam seu governo. O Dadtafolha informa que um candidato abertamente apoiado pela alma penada do Planalto entra na corrida presidencial rejeitado por 92% do eleitorado.

Um presidente assim, reduzido a uma condição análoga à de lixo hospitalar, já não pode nem mesmo cultivar a ilusão de que preside. Daí ter virado sujeito oculto na “carta aberta” do MDB. Até maio de 2017, Temer degustava a expectativa de que o PIB chegaria ao segundo semestre de 2018 bombando, a caminho de um crescimento anual acima dos 3%.

Seria um feito notável para um governo-tampão que herdara a ruína de Dilma Rousseff (queda de – 7,2% do PIB no biênio 2016-2016). Mas tudo virou epílogo para Temer e o seu MDB depois do grampo do Jaburu. Após insultar a ética, o suposto presidente comprometeu o frágil equilíbrio. O PIB de 2018 já é projetado na cada de 1,6%, com viés de baixa.

Escrita pelo pedaço do MDB que é cúmplice de Temer, a carta anota que o brasileiro não quer ir “para a direita, nem para a esquerda”. E arremata: “Henrique Meirelles será o primeiro presidente da República do MDB eleito pelo voto direto”. De fato, o problema do eleitor não é de direita e esquerda. O problema é a meia dúzia que está roubando por cima e os milhões de assaltados que permanecem por baixo.

Quanto ao resto, é preciso recordar o seguinte: em 50 anos de existência, o (P)MDB disputou a Presidência da República em eleições diretas apenas duas vezes. Numa, em 1989, Ulysses Guimarães amealhou irrisórios 4,7% dos votos válidos. Noutra, em 1994, Orestes Quércia arrebanhou ínfimos 4,4%. Hoje, Meirelles roda nas pesquisas na casa de 1%. Se chegar às urnas em triunfo, será candidato a Deus, não a presidente da República.

NAPOLEÃO DE HOSPÍCIO

Ciro Gomes tenta minimizar a mancada de ter dito que poderia soltar Lula

Segundo a Coluna do Estadão, a polêmica levantada com a entrevista concedida no último dia 16 à TV Difusora, do Maranhão, causou desconforto na campanha e levou Ciro a ameaçar desistir da própria candidatura. Ele teria sido contido com a ajuda de seu irmão, o ex-governador do Ceará Cid Gomes.

Nesta quinta-feira, porém, Ciro voltou a falar das polêmicas declarações que deu a uma emissora do Maranhão no último dia 16. Na ocasião, ele disse que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva “só tem chance de sair da cadeia se a gente assumir o poder e organizar a carga. Botar juiz para voltar para a caixinha dele, botar o Ministério Público para voltar para a caixinha dele e restaurar a autoridade do poder político”.

INTRIGA – Em São Paulo, na saída da convenção estadual do PDT, ele disse se considerar um prodígio “por ter feito a imprensa requentar uma entrevista que concedeu há 12 dias a um modesto repórter do Maranhão”.

“O resto é intriga. Esses jornalões acham que vão me intrigar porque uma parte do baronato que eles frequentam é hostil ao Lula. E eu sou antagônico ao Lula também. Sou candidato contra o candidato do PT e tenho sido alvo do PT”, afirmou sem se aprofundar no tema.

Sobre o empresário Josué Gomes, que oficializou nesta quinta-feira sua recusa em ser vice na chapa do tucano Geraldo Alckmin, Ciro Gomes disse que ele foi vítima de uma armadilha por parte dos partidos que integram o Centrão nas eleições 2018.

ARMADILHA – “Na medida em que ele foi orientado por Lula a se filiar ao PR, ele entrou numa armadilha”, disse o pedetista, que participou, em São Paulo, da convenção estadual do partido. Ciro, que também sondou o empresário para vice, voltou a elogiar Josué, mas disse entender, no entanto, que a notícia da recusa tem pouco a ver com a sua campanha.

Josué, que é filho do ex-vice-presidente de Lula, José Alencar, foi anunciado como o nome do Centrão na semana passada para compor a chapa com o tucano. No entanto, ele declinou do convite, um movimento que foi oficializado com uma carta de quatro parágrafos nesta quinta-feira.  Nela, o herdeiro da Coteminas disse ter declinado por “motivos pessoais”.

Ciro, que até meados da semana passada também esteve próximo de fechar com o Centrão, disse que “jamais” esteve em seus planos estratégicos fazer uma aliança “com essa gente”. “Eles que me procuraram, que toparam conversar comigo”, disse.*

(*) Marcelo Osakabe e Gilberto Amendola
Estadão

SANTINHO DO PAU ÔCO

Justiça sob ataque, para transformar Lula em “perseguido político sem defesa”

Ataques que já haviam acontecido contra a residência da presidente do Supremo, ministra Carmem Lucia, em Belo Horizonte, nos mesmos moldes de jogar tinta vermelha, o que mostra que é uma atitude recorrente de alguma facção ligada ao PT.

PLANTONISTA – A estrambótica tentativa de usar um plantão judicial para libertar Lula, desmontada pela ação pronta de autoridades que prezam pela proteção do sistema judicial brasileiro, inviabilizou o golpe, mas estimulou outras atitudes do mesmo teor.

Foi assim com o plantão no STF do ministro Dias Toffoli, tido como o momento ideal para a libertação de Lula, por suas ligações passadas com o PT e o próprio ex-presidente. Vários pedidos de habeas corpus foram apresentados logo no primeiro dia, como se fosse obrigatório Toffoli ajudar Lula, com quem trabalhou e por quem foi indicado para o STF. Não poderia haver manobra mais rasteira e ingênua politicamente.

Também o pré-candidato do PDT Ciro Gomes, agora dedicado a tentar pela enésima vez o apoio do PT e de partidos de esquerda como o PSB, deu uma entrevista anunciando que a única maneira de Lula sair da prisão é ele ganhar a eleição e colocar o Ministério Público e o Judiciário “dentro de suas caixinhas”.

NOS DEVIDOS LUGARES – Nada mais claro, inclusive porque Ciro complementou que colocaria todos em seus devidos lugares. Diante da repercussão negativa, necessariamente de repúdio às ameaças que um candidato a presidente da República faz ao sistema judicial do país que pretende comandar, Ciro esclareceu que fora mal interpretado por má-fé, mas repetiu o que dissera antes com outras palavras.

Defendeu o Legislativo e o Executivo, dando a entender que estavam sendo constrangidos pelo Judiciário. Já se referira com um palavrão a uma procuradora que abriu uma investigação contra ele, demonstrando que lida mal com a Justiça quando a decisão é contrária a ele ou a seu grupo político.

Esse ambiente de confrontação com a Justiça, incentivado por Lula e seus defensores, só faz enfraquecer as instituições democráticas do país, o que não é aceitável como maneira de luta política.

LEVANTE POPULAR – O ex-secretário de governo de Lula, Gilberto Carvalho, chegou a dizer que apenas um levante popular poderia salvar Lula. Um claro incentivo à revolta popular contra a Justiça, inócua por não ser correspondida por aqueles que deveriam se levantar.

Os advogados do ex-presidente têm todo o direito de usar e abusar dos recursos que a lei lhes permite, mas eles vão além, tentando desmoralizar o Juiz Sérgio Moro, chegando ao cúmulo de apontá-lo como suspeito, ou, através dos políticos mais destrambelhados, acusando-o de ser um agente da CIA. Também o TRF-4 entra na mira dos advogados de Lula.

LANCES PATÉTICOS – A campanha que tenta fazer de Lula um preso político tem lances que chegam a ser patéticos, como a presidente do partido, senadora Gleisi Hoffman, denunciar a suposta situação a Cuba, onde verdadeiros presos políticos penam nas cadeias sem que o PT proteste. Assim como não protesta contra os protoditadores da Venezuela e da Nicarágua.

O desespero dos petistas pode chegar a um nível perigoso depois de 15 de agosto, quando ele deverá ser registrado como o candidato oficial à presidência da República. A partir dessa data, a luta jurídica terá apenas um objetivo: levar o nome de Lula à urna eletrônica e fazê-lo poder disputar a eleição sub judice. Nada indica que o intento será alcançado. Mas é previsível que a agressividade de seus militantes subirá de tom.*

(*) Merval Pereira
O Globo

ESCULHAMBAÇÃO TOTAL E IRRESTRITA

Após selar apoio a Alckmin, presidente do PP diz que prefere votar em Lula…

— Temos uma aliança lá (no Piauí) com o governador Wellington Dias (PT), temos uma proximidade muito grande com o presidente Lula. Estamos esperando a definição. Se o presidente vier a ser candidato, nós votaremos no presidente Lula — disse Nogueira.

FICHA SUJA – Preso após condenação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá (SP), Lula deve ter a candidatura rejeitada pelo Tribunal Superior Eleitoral. Como já foi condenado em segunda instância, o ex-presidente estaria enquadrado na Lei da Ficha Limpa.

— Acredito que ele não deve ser candidato, pelo que tudo leva a crer. Ele não sendo candidato, nós seguiremos a orientação nacional. Se for candidato, no estado do Piauí nós votaremos nele — justificou Nogueira.

APOIO A CIRO – Desde o início das negociações do centrão para definir uma aliança nacional, o senador do Piauí preferia uma composição com Ciro Gomes (PDT). Além do presidente do PP, o Solidariedade, de Paulinho da Força (SP), e Rodrigo Maia (DEM-RJ) trabalharam por esta opção, mas acabaram sendo vencidos pela maioria do bloco.

— Não tiraria o PP da aliança com Alckmin de forma nenhuma. Estou aqui exprimindo a vontade da maioria. Quase a totalidade dos diretórios escolheu (Alckmin). Eu tenho que acompanhar a maioria — disse Nogueira.*

(*) O GLOBO

VANGUARDA DO ATRASO

PT propõe tutela e intervencionismo como se fossem opções de modernidade

Trata-se, isso sim, de um libelo em favor do intervencionismo estatal, da tutela a instituições públicas e privadas e até a outros Poderes e da reedição da política econômica de Dilma Rousseff que mergulhou o País na recessão.

CONTROLE DA MÍDIA – Haddad diz que falta regulação às concessões de comunicações, mas, quando se põe a detalhar sua proposta, revela a intenção de controle sobre o conteúdo da imprensa, ao falar em espaço para “representatividade étnica”, “liberdade de expressão para camadas vulneráveis” e “compromisso com a diversidade”, todos eles conceitos subjetivos o suficiente para abranger alta carga de ideologização e partidarização.

Da mesma maneira, quando fala em controle “social” do Judiciário e do Ministério Público, resta subjacente a intenção de tutela do Poder e da instituição que nos últimos anos foram escolhidos pelo PT como inimigos, que promoveriam uma suposta perseguição ao partido.

TESE DILMISTA – A proposta petista de redução dos spreads bancários aumentando a tributação remete ao ápice da tese dilmista de baixar juros ou preço de tarifas na canetada. “Conceitualmente a proposta está errada porque usa um instrumento (tributo) para atingir um objetivo (reduzir o poder de mercado dos bancos) que não é atendido pelo instrumento. Tributo não é instrumento de elevação de competição”, diz o economista Samuel Pessôa.

O PT chegou ao poder em 2002 com um discurso, aí sim, pró-mercado, expresso na tal carta ao povo brasileiro. Colhido pelo mensalão e o petrolão e apeado do poder depois de 13 anos pelo impeachment de Dilma, o partido retroage às ideias econômicas pré-2002 – que, empregadas no governo dela, deram em desastre.

Na política, mira as instituições com tutela para tentar atribuir a um complô o fato de seus principais líderes estarem presos ou denunciados. O resultado é um programa intervencionista, mas que é vendido por Haddad como um “diálogo com a modernidade da base para o topo”.*

(*) Vera Magalhães
Estadão

GOVERNARIA DE UM LUGAR IDEAL

Bolsonaro diz que o astronauta Marcos Pontes agregaria valor à candidatura

Após ter sido cortejado pelo príncipe Luiz Philippe de Orleans e Bragança, da mesma legenda de Bolsonaro e que se mostrou interessado em compor a chapa do presidenciável, o pré-candidato, no entanto, desdenhou da oferta, em entrevista publicada, hoje, pelo jornal ” O Globo” e disse preferir o astronauta.

JÁ ACEITANDO… -Também filiado ao PSL, Marcos Pontes, primeiro brasileiro a visitar o espaço, postou um vídeo em redes sociais, em que disse que aceitaria ser vice de Jair Bolsonaro caso fosse convidado.

Perguntado sobre quem preferiria, o príncipe ou o astronauta, Bolsonaro foi taxativo: “Sou muito mais chegado ao astronauta, conheço ele, embora reconheça o valor do príncipe. Se for falar em voto, o astronauta agrega a comunidade científica e a garotada no Brasil gosta dele”.*

(*) José Carlos Werneck – Tribuna na Internet

TÁ DURO DE LEVAR…

Eu só penso no meu passaporte italiano

Eleições 2018: xô desânimo, xô preguiça. Mas como, se é tudo mais do mesmo?

Preguiça e desânimo com as eleições.Um passo dos (assim chamados) presidenciáveis, um retrocesso.
Tudo mais do mesmo.
O bla bla bla de sempre atrai microfones. E holofotes.
Emplaca manchetes.
Estão empurrando o eleitor pro voto branco e nulo.
E guess what?
A culpa não é do eleitor.
Qual a solução?
Não sei.
Só sei que ando pensando cada vez mais no meu passaporte italiano.
Pensamento permanentemente adubado pelas notícias sobre famílias destruídas pela violência e pela desassistência absurda do Estado.
Que se ausenta da saúde, da educação, do transporte, e só sabe se queixar da irresponsabilidade. Dos outros.
Pronto, cometi meu sincericídio do dia.*

(*) Lillian Witte Fibe – veja.com

O ENLAMEADO

Mãos e pés sujos de lama

Após o acordo com o Centrão, será impossível para Alckmin convencer os eleitores de que vai dar força à Lava Jato e pôr seus alvos nas prisões do Paraná

Conforme as pesquisas, o primeiro lugar no primeiro turno é ocupado por um preso que cumpre pena de 12 anos e 1 mês por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, decretada em primeira instância e confirmada por unanimidade na segunda. Ou seja, pela Lei da Ficha Limpa, de iniciativa popular, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo próprio condenado, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva ─ se os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário reconhecerem o primado do povo ─ é inelegível. Para que ele concorra, sua defesa, ativa na produção de recursos e chicanas em geral, teria de convencer o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Supremo Tribunal Federal (STF) a rasgarem a lei. E porão em dúvida as boas intenções de todos quantos a aprovaram e a firmaram, com bravatas retóricas e fanfarras ideológicas, que, então, pareceriam estelionato eleitoral da pior categoria.

Seria impossível? A História o nega. Há uma guerra suja na cúpula do Judiciário em torno da jurisprudência de 2016 que autoriza mandar um condenado começar a cumprir pena, enquanto lhe é garantido o direito de recorrer até o trânsito em julgado, do qual fala o artigo 5.º, parágrafo único, da Constituição federal (que não se refere à prisão ou liberdade, mas à culpabilidade, ou seja, negação da inocência). Arre, égua! Esses tribunais já passaram o texto constitucional a limpo a serviço dos chefes de facções partidárias que os tornaram “supremos” (leia-se acima do bem e do mal).

Ricardo Lewandowski, quando presidia o STF e, por isso, também a sessão do Congresso que depôs Dilma Rousseff da Presidência, em 2016, rasurou uma linha do artigo 52 só para permitir que a petista escapasse da punição de passar oito anos sem exercer cargos públicos. Seria injusto, segundo o jurisconsulto de São Bernardo do Campo, que madama não pudesse mais, coitadinha, ser “merendeira de escola”. Recentemente, um colega do rasurador, Dias Toffoli, mandou soltar o próprio ex-chefinho José Dirceu, condenado a mais de 30 anos de cadeia, tornando letra morta a jurisprudência acima citada e cuspindo no plenário ao qual comparece todos os dias úteis de seu ofício, tratando todos de Excelência e por todos sendo tratado com iguais pompa e circunstância. Ou seja, pode ser até difícil, mas impossível não é, se for considerada a ética duvidosa de quem nem sempre tem reputação ilibada e os notórios conhecimentos jurídicos exigidos. Toffoli, reprovado em dois concursos para juiz, será em breve presidente do órgão que se julga acima de todos e de tudo, aí incluída a lei.

Mas digamos que Rosa Weber no TSE e seu colega advogado João Otávio de Noronha no STJ em setembro cumpram seu dever e Toffoli resolva seguir os passos da companheira ao lado dele no plenário, não permitindo mais uma esquisitice em sua biografia. E, dessa forma, Lula, ainda que venha a ser libertado pelo antigo subordinado, não possa mesmo candidatar-se. Sobrariam, então, os que estão ali logo abaixo nas pesquisas.

Será que o capitão que promete enquadrar os “coronéis” (assim mesmo com aspas, pois Jair Bolsonaro não é besta de desafiar os antigos superiores de farda) e manterá o primeiro lugar na campanha, mesmo com os pífios sete segundos ao seu dispor no horário eleitoral nada gratuito, menos até do que os do famoso dr. Enéas? Para isso terá de contar com o apoio denodado da bancada da bala, que não dispõe de tempo no tal horário pago pelo bolso surrado do contribuinte. Será por isso que tem imitado revólveres com dedos que, nus, não disparam projéteis, mas têm uma enorme carga simbólica? Se não tivessem, por que ele repete tanto o gesto? Mas não é bom reclamar aqui, pois ele já definiu qualquer comentário racional contra o ato de matar com uma palavra pouco gentil: “frescura”.

O candidato dos nostálgicos de golpes passados chegou à convenção nacional, domingo, sem tempo nem vice para chamar de seus. A advogada Janaína Paschoal, uma das signatárias do impeachment de Dilma Rousseff, parece uma pareceira promissora, mas fez um discurso louco de tal lucidez que enfureceu os fanáticos da chapa, que se assume mais à direita de todas. Ela advertiu apenas que não se ganha eleição sem apoio nem se governa sem aliança. Só não dará para chamá-la de Conselheiro Acácio porque a personagem de Eçá e a professora da USP são de gêneros diferentes. Certo é que, com ou sem o discurso rebelde da quase vice, e quase não, do capitão dos revólveres de dedos em mãos infantis, ele não conseguiu o apoio de nenhum outro partido, nem sequer os de um “centrinho” qualquer.

Foi esse também o caso de Ciro Gomes, o “coronel” a quem os adeptos de Jair se referem quando ameaçam com o capitão deles. Entre tapas e beijos, o cearense de Pindamonhangaba (no vale paulista do Paraíba do Sul) tentou seduzir os “golpistas” com o canto da sereia da preferência de um dígito só do pretendente tucano à Presidência, Geraldo Alckmin, nascido na mesma cidade. Deu em nada e Ciro terminou a semana passada criticando duramente o “baronato” e fazendo acenos à esquerda, como registrou o noticiário. Mas, espere aí, o coronelzinho dos Gomes de Sobral já não é de esquerda? Ou só estaria acenando para o espelho da própria pia?

Alckmin foi recebido com marchas e dobrados pelo dito “Centrão”, grupo que se insinua nas decisões do Congresso desde que ajudou os tucanos de alta plumagem José Serra e Mário Covas, além de Ulysses Guimarães e Nelson Jobim, a redigirem a Constituição. Aliás, Jobim foi presidente da Constituinte e, como o coleguinha Lewandowski, mexeu no texto final da Carga Magna sem passar por anterior aprovação do plenário.

O anestesista paulista começou a semana passada com a perspectiva de ter de pagar algumas dívidas na Justiça, que podiam abalar suas pretensões a subir a rampa do Planalto,. Todas são relativas a suspeitas em torno de um tal de Santo, codinome no propinoduto da Odebrecht. E terminou-a definitivamente endividado com os dirigentes partidários mais sujos da História recente de uma República que nunca se destacou pela alvura da imagem. Entre seus novos aliados os únicos que não podem ser chamados de suspeitos de corrupção são Valdemar Costa Neto, dono do PR, e Roberto Jefferson, proprietário do PTB. Pois eles foram condenados, apenados, mas depois, indultados pela então presidente petista Dilma, mereceram o pródigo perdão da bondosa supremacia dos ministros do STF, que se habituaram a soltar quem os juízes de baixo prendem. Outros sócios desse clube sobre o qual se projeta o foco das lanternas dos guardas-noturnos são Gilberto Kassab, suserano do PSD, e Paulo Pereira, o Paulinho mandachuva da Força Sindical e do partido Solidariedade (afff!).

Jefferson e Paulinho já deram uma ideia a Alckmin de que deve preparar-se para pagar a dívida com eles abrindo mão, se não da honra, pelo menos da coerência. O PTB do delator do mensalão em Pernambuco mandou dizer que está comprometido com outro. E não será o único: outras legendas fiéis ao presidiário mais célebre do Brasil no Nordeste certamente também terão más notícias a lhe mandar. E o magnata do sindicalismo, cuja vida à tripa-forra depende da cobrança forçada de um dia de trabalho de cada trabalhador, sindicalizado ou não, convenceu-o a desistir de apoiar a reforma trabalhista para evitar que verbas públicas mínguem ainda mais.

Não nos cabe omitir que o “Centrão” se comprometeu com Temer a aprovar a reforma da Previdência e terminou abrindo para o presidente a porta de saída da intervenção militar na segurança do Rio, prevista no dispositivo constitucional que proíbe reformas quando algum Estado esteja sob intervenção federal. A turma de Marun, Jovair e Rosso tem recebido cargos a mancheias para aliados, apaniguados e parentes em troca de derrotas frequentes do governo federal no Legislativo. Entre as quais a mais óbvia é o recorde de impopularidade do pródigo gestor federal.

Mas com mãos e pés sujos de lama Alckmin ainda se nega, em público, a juntar os trapinhos com o MDB do pessoal do palácio, com a desculpa de que não se junta com gatunos. Com os condenados e suspeitos, dos quais tirou o tempo de rádio e TV que deixou de ser dado a Bolsonaro, Ciro, Marina e outros, ao seu lado será impossível, para a recente esperança ressuscitada do mercado, convencer o distinto público de que vai dar força à Lava Jato e pôr seus alvos nas prisões do Paraná. Conta outra, cara!*

(*) José Nêumanne (publicado no Blog do Nêumanne)