O FUTURO CHEGOU, FUJAM!

Pacificação virou a prioridade mais óbvia do país

Chegamos à reta final do primeiro turno da sucessão presidencial. Até aqui, as estrelas da disputa são Bolsonaro, chamado de “mito” por seus apologistas, e Lula, que se autodefiniu como “uma idéia” antes de ser preso. O mito e a ideia conduzem à mesma ilusão —a ilusão do salvador da pátria. O engano de percepção será desfeito assim que as urnas se pronunciarem em definitivo. Seja quem for o eleito, o Brasil amanhecerá no dia seguinte como um país por fazer. A tarefa pede pacificação.

Na sucessão brasileira de 2018, as pesquisas eleitorais cumprem uma função que, em países menos atribulados, cabe às previsões metereológicas. Ambas preparam as pessoas para fenômenos incontroláveis. A garota do tempo antevê no estrangeiro os tufões. As sondagens eleitorais antecipam no Brasil a tempestade resultante de uma disputa entre extremos. A diferença é que a agitação atmosférica brasileira é obra 100% produzida pela natureza humana.

Políticos e analistas torram os miolos à procura de explicações para a polarização entre Bolsonaro, o mito, e Haddad, o porta-voz da ideia presa em Curitiba. Falta à maioria das análises um personagem central. O perigo da eleição nunca se chamou Bolsonaro, Mourão, Lula ou Haddad.

Quem quiser entender o enredo de 2018 terá de chamar o protagonista da trama pelo nome certo: povo. Cutucado pelos políticos com o pé, o povo decidiu morder. O presidente eleito está condenado a ampliar seus horizontes políticos. Sob pena de impor ao país mais quatro anos de trovões e raios que os partam.*

(*) Blog do Josias de Souza

NO FUNDO DO POÇO

“Nunca vi nada parecido”

O programa também tratou do atentado contra Bolsonaro, do apoio de artistas a candidatos da chamada esquerda e da enxurrada de pesquisas eleitorais

Uma aguda recessão econômica, o maior esquema de corrupção da história da administração pública mundial, o aparelhamento político do Estado, taxas de desemprego assustadoras, um ex-presidente e ex-ministros presos, fora o resto. Mesmo assim, o candidato do partido responsável por tais calamidades está em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto. “Nunca vi nada parecido”, resumiu José Roberto Guzzo no programa Perguntar Não Ofende.

Um dos mais importantes jornalistas brasileiros, Guzzo acredita que Jair Bolsonaro lidera as pesquisas eleitorais porque faz uma oposição real ao PT, ao contrário de candidatos como Geraldo Alckmin. “Para enfrentar o PT você precisa jogar pesado e jogar com as mesmas regras deles”, disse. “Só ganha do Lula um cara como Bolsonaro, que chama de ladrão, diz que prefere o cemitério cheio de bandidos e não de cidadãos honestos. Essa é a linguagem para enfrentar o Lula. Não dá falar de transporte intermodal, como faz o Alckmin. Para enfrentar o PT, é briga de rua. E o único cara que sabe fazer isso hoje é o Bolsonaro”.

Guzzo ressalta a tibieza dos partidos de oposição durante os 13 anos de governo petista. “Assim que o Lula assumiu, na primeira crítica que o PSDB fez, o PT rebateu dizendo que eles não se conformavam com a derrota, que queriam o terceiro turno, sendo que os caras estavam apenas fazendo oposição”, observa. “Em vez de continuarem, eles se recolheram”.

O programa também tratou do atentado contra Jair Bolsonaro, do comportamento da mídia na campanha, do apoio de artistas e intelectuais a candidatos da chamada esquerda e da enxurrada de pesquisas eleitorais. “O mesmo instituto chega a divulgar duas pesquisas num mesmo dia e com números diferentes”, estranha Guzzo. “Não é isso que definirá a eleição. O que vai decidir é o voto do eleitor, no dia 7 de outubro”.*

(*) Branca Nunes, no blog do Augusto Nunes

APERTEM OS CINTOS, O PILOTO SUMIU

Suave fracasso

Não chego a afirmar que o Brasil seja um caso perdido, mas corremos esse risco

A democracia é o pior regime que existe, salvo todos os demais. E um de seus problemas é que ela frequentemente dá ao povo aquilo que ele quer. Assim, se o conjunto dos eleitores de um país decide caminhar voluntariamente para o precipício, não há como impedir que a nação vá para o abismo.

Não chego a afirmar que o Brasil seja um caso perdido, mas corremos esse risco. A situação por que passa o país é gravíssima. Já a partir do ano que vem, quem quer que venha a ser o governante não terá espaço orçamentário para fazer muito mais do que pagar as despesas obrigatórias (aposentadorias, salários, verbas carimbadas).

Pior, com as pressões da demografia, se nada for feito, a Previdência irá morder um naco cada vez maior do Orçamento, comprimindo ainda mais os gastos constitucionalmente não obrigatórios, como investimentos, manutenção, segurança e parte do custeio da saúde e da educação.

Mesmo que, por um milagre, o próximo presidente consiga dar um jeito nas ameaças fiscais mais prementes, nossa situação estrutural é bem pouco animadora. O bônus demográfico já praticamente se fechou. Com isso, nossa melhor esperança de criar um país mais próspero seria o aumento da produtividade. O problema é que ela não cresce de forma significativa há décadas, entre outras razões porque a qualidade da educação básica oferecida à população é muito ruim. E, se a educação deixa a desejar, ficam muito reduzidas as esperanças de o país dar certo.

Minha situação pessoal está mais ou menos resolvida. Como países levam décadas para fracassar, os piores efeitos da encrenca em que nos metemos ficam para além dos meus horizontes. Quanto a meus filhos, tenho procurado dar-lhes uma educação que os habilita para, se quiserem, fazer carreira no exterior. Eu seria um mau pai se, podendo, não lhes desse essa opção. Mas é sempre um péssimo sinal quando aqueles que recebem uma educação de boa qualidade desistem do país.

(*) Hélio Schwartsman – Folha de São Paulo

BINGO!

Tanto Haddad quanto Bolsonaro vão levar país para o brejo, diz José Padilha

Em artigo, diretor de ‘Tropa de Elite’ e ‘O Mecanismo’ rejeita candidatos que vê como extremos políticos


Muito provavelmente as próximas eleições presidenciais brasileiras serão decididas no segundo turno, em uma disputa entre Jair Bolsonaro (PSL), um candidato da extrema direita, e Fernando Haddad, um candidato do PT e da extrema esquerda.

Bolsonaro baseia a sua campanha nas mesmas ideias tacanhas que balizaram toda a sua carreira política e em uma suposta guinada intelectual na área econômica. Ao se associar ao professor Paulo Guedes, doutor pela Universidade de Chicago, Bolsonaro tenta se apresentar como paladino do liberalismo, de uma linha de pensadores que vai de Adam Smith a Ludwig von Mises e Friedrich Hayek.

De minha parte, nada tenho contra a aplicação de parte das ideias destes pensadores à economia brasileira. Acho que o Brasil precisa reduzir o tamanho do Estado, que é caro, ineficiente e corrupto. Acho isto apesar de não comprar totalmente as teses do liberalismo austríaco. Todavia, não consigo acreditar que Bolsonaro vá aplicar as teses de Paulo Guedes à economia brasileira, mesmo que tenha maioria parlamentar para isso.

Bolsonaro, como quase todos os militares e como a esquerda brasileira, sempre defendeu políticas desenvolvimentistas estatizantes, semelhantes às dos militares e às de Dilma Rousseff e diametralmente oposta às ideias liberais. Políticas estas que nunca funcionaram no longo prazo e que jogam o país em recorrentes crises econômicas, mantendo seu índice de crescimento muito abaixo do que poderia ser.

Pior ainda, o conservadorismo de Bolsonaro com relação ao comportamento humano invade liberdades e direitos individuais básicos, tais como a prerrogativa de cada pessoa em decidir como lidar com seu próprio corpo tanto no caso das opções sexuais quanto do aborto. Além disso, Bolsonaro não reconhece, como fazem os liberais, que os indivíduos precisam ter garantias constitucionais que os defendam de possíveis violências do aparato repressivo do Estado.

Duas frases resumem claramente as posições de Bolsonaro: “O erro da ditadura foi torturar e não matar”; e “Eu seria incapaz de amar um filho homossexual; prefiro que um filho meu morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí”. Estas declarações mostram que Bolsonaro acredita que o Estado deve ter poder sobre as escolhas básicas e sobre o corpo dos cidadãos. O candidato do PSL é, portanto, para usar uma expressão comumente aplicada a Donald Trump, eticamente “unfit for office.”

Haddad, por sua vez, representa o PT, um partido que traiu os cidadãos brasileiros de forma vergonhosa.

Lula, José Dirceu, Antonio Palocci, Dilma Rousseff e companhia mentiram descaradamente ao povo brasileiro, apresentando-se como paladinos e guardiões da ética e da moral, enquanto se associavam ao PMDB e às elites empresariais monopolistas do país —em particular aos grandes bancos comerciais e às grandes empreiteiras— e montavam um projeto de poder que não só reproduziu o mecanismo de corrupção e de expropriação dos cidadãos pela classe política que existia antes da sua chegada ao poder, como também fortaleceu esse mecanismo, aumentando-o em escala.

Não é à toa, portanto, que ao final do quarto governo da dupla PT/PMDB o país esteja falido, e a renda per capita tenha regredido a níveis anteriores aos do primeiro mandato de Lula. No frigir dos ovos, o PT atrasou o desenvolvimento do Brasil por 12 anos.

Além disso, o partido de Haddad tem posições a respeito da liberdade individual quase tão retrógradas quanto as de Bolsonaro. Disse Lula sobre Fidel Castro, ditador cubano que executou milhares de inocentes para chegar ao poder e que governou Cuba por mais de 40 anos sem realizar uma única eleição: “Para os povos de nosso continente e os trabalhadores dos países mais pobres, especialmente para os homens e mulheres de minha geração, Fidel foi sempre uma voz de luta e esperança”.

Lula disse isso sabendo que o governo de Fidel Castro perseguiu homossexuais —exatamente como Bolsonaro promete que vai perseguir no Brasil. Além disso, são recorrentes os elogios do líder petista aos venezuelanos Hugo Chávez e Nicolás Maduro.

O PT não apenas abriu as portas dos esquemas de corrupção da Odebrecht para ajudar que eles se perpetuassem no poder, mas também o próprio Lula gravou mensagens de apoio a Maduro, recentemente denunciado na ONU por prender, torturar e matar oposicionistas e jornalistas. Está claro, portanto, que, por representar Lula, Haddad também é “unfit for office”.

Sobre Haddad, além disso, pesam ainda acusações diretas de corrupção e de envolvimento no mecanismo que PT e PMDB operaram por 12 anos. Existem até suspeitas de que Haddad estaria usando, ainda hoje, caixa dois do Petrolão. (Antonio Palocci afirmou à PF, segundo fontes da corporação, que os US$ 16 milhões apreendidos com a comitiva de Teodorin Obiang, filho do ditador da Guiné Equatorial, provavelmente tinham como destino o caixa dois petista.)

A esta altura, você deve estar se perguntando se eu estou sugerindo que o Brasil vai para o brejo. A resposta é: sim, é exatamente isto que estou sugerindo. Um dos dois candidatos acima descritos, ambos eticamente inviáveis, será eleito. E isto equivale a jogar o país nas trevas.

Além disso, mesmo que se tornem santos de um dia para o outro, nenhum dos dois conseguirá maioria para governar. (O que pode até ser uma boa notícia.) Se Haddad for eleito, seu governo vai ter que trabalhar, necessariamente, para obstruir a Justiça, revogar a prisão em segunda instância, manter o foro privilegiado e dar cargos a políticos corruptos.

Isto posto, me parece que restam ao Brasil duas tarefas hercúleas: (1) sobreviver aos próximos quatro anos, não sei como, sem descambar para uma situação social e econômica catastrófica como a da Venezuela, e (2) aprender com os erros do passado para não repeti-los no futuro.

Que erros foram esses? Ao meu ver, essencialmente um: face às revelações da Lava Jato, as forças políticas e os formadores de opinião do país colocaram as suas preferências ideológicas à frente da ética.

A direita apostou em um procedimento de impeachment claramente ilegal e arbitrário, pensando que, com Michel Temer no poder —apesar do seu notório envolvimento com a corrupção sistêmica— poderia defender seus interesses econômicos. E a esquerda, por motivos políticos, tentou fingir que Lula, Dirceu e Palocci não eram tão gângsteres quanto Aécio, Sérgio Cabral e Eduardo Cunha.

Ao tomarem estas posições, tanto as forças da direita quanto as da esquerda colocaram em xeque a Lava Jato, dando margem para que as duas mais importantes cortes do país, o TSE e o STF (que não me surpreenderiam se tivessem membros ligados a esquemas de corrupção, tais como a venda de sentenças), manobrassem para sabotar diversas linhas de investigação da operação que comprometeriam ainda mais políticos do PT, do PSDB e do PMDB, a eles mesmos, além dos grandes bancos comerciais.

Como consequência direta disto, o STF aprovou um impeachment absurdo, e o TSE absolveu a chapa de Dilma e Temer, apesar de esta ter sido comprovadamente eleita com um volume gigantesco de propina. Ambos deveriam ter sido cassados. Foram estes dois acontecimentos históricos que, em ultima análise, viabilizaram as candidaturas de dois políticos claramente comprometidos pela Lava Jato, tais como Haddad e Alckmin, e que deram asas à candidatura de Bolsonaro.

Isto me leva ao tema deste artigo. A história da humanidade demonstra claramente que o primeiro passo na direção da servidão é a opção pela relativização da ética em prol da ideologia. Mao, Hitler, Stálin, Fidel, Franco e vários outros ditadores que cometeram massacres chegaram ao poder porque, em algum momento da história de seus países, parte dos formadores de opinião os apoiou por questões ideológicas —apesar de saberem de seus desvios éticos.

Dois amigos meus, em particular, cometeram este erro crasso. Eu não tenho bola de cristal, mas acho que, se a ética não sobrepujar a ideologia no curto prazo, o Brasil caminha para uma tragédia sem tamanho.

(*) José Padilha é roteirista e diretor de cinema – Folha de São Paulo

SÓ BOLA FORA

Petistas atacam Fux

Políticos petistas usaram as redes sociais para atirar pesadamente contra o ministro Luiz Fux, do STF, que cassou monocraticamente a liminar concedida por Ricardo Lewandowski para que Lula pudesse conceder entrevistas.

No Twitter, o ex-deputado Wadih Damous (RJ) chamou Fux de fascista e instou o presidente do STF, Dias Toffoli, a “restaurar sua autoridade” e revogar a decisão do vice-presidente da corte. Para os petistas, decisão do STF só vale se for a favor de Lula e do partido, como a de Lewandowski. *

(*) V.M. – ESTADÃO

HUMOR A FAVOR

‘Só acendi o fósforo no barril de pólvora’, diz criadora de grupo contra Bolsonaro

Criadora do ‘Mulheres Unidas Contra Bolsonaro’, grupo com 3,8 mi de seguidoras, Ludimilla Teixeira afirma que não sabe nem se vai votar

A moça que conseguiu reunir 3,8 milhões de mulheres contra um candidato a presidente acha que sequer vai votar nas eleições 2018. “Não digo que todos os políticos são corruptos, sei que existem pessoas sérias, mas quando estão em um partido ficam muito limitadas, precisam reforçar o ideal do partido”, diz a baiana Ludimilla Teixeira, de 36 anos, que há um mês criou no Facebook o grupo Mulheres Unidas Contra Bolsonaro. “O que eu sei é em quem eu não vou votar”, completa Ludimilla, que é funcionária pública em Salvador e se diz anarquista.

A rápida e crescente adesão das integrantes fez com que a #Elenão – que surgiu de uma campanha organizada dentro do grupo para escolher a melhor forma de protestar – ganhasse notoriedade internacional. Nesta sexta-feira, 28, a cantora Madonna postou uma mensagem de apoio. “Eu chorei quando vi”, conta Ludimilla. Atualmente, 10 mil mulheres por minuto pedem para entrar no grupo, que não aceita homens.

Também dentro da página foi combinada a participação nos protestos contra a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) que ocorrem neste sábado, 29, em várias cidades do País. Ludimilla pede licença para usar um neologismo e chama as integrantes do grupo de “membras”. Credita a força do movimento a elas e às 110 administradoras do grupo – que passam a noite respondendo a milhares de mensagens, postando informações e aprovando integrantes. “Eu só acendi o fósforo para explodir o barril de pólvora da indignação coletiva feminina.”

A baiana conta que nunca participou ativamente do movimento feminista nem se filiou a nenhum partido. Envolveu-se no movimento estudantil durante a faculdade de Publicidade e participou do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, em 2002. Aos 20 anos, foi a primeira vez que saiu da Bahia, lembra, e que teve contato com “discussões políticas fundamentadas”.

A ideia de criar o grupo nasceu de uma conversa com uma amiga numa noite em que se questionavam sobre o que fazer para alertar a população sobre as ideias de Bolsonaro, que considera “fascistas e machistas”. Ludimilla se recusa a pronunciar o nome do candidato, a quem chama de “inominável”. “Às 6h25 da manhã acordei e criei a página, fui adicionando as minhas amigas sem avisar.” Nas primeiras 48 horas, já tinham 6 mil integrantes. “Acho que as mulheres estavam carentes de um espaço para debate. Vai além da candidatura, a luta é muito maior.”

Depois que o grupo começou a crescer, representantes de candidatos a procuraram, mas, segundo ela, não houve conversa porque “os partidos não queriam dialogar com o grupo e, sim, meu apoio individual”. “Agradecemos a menção e o apoio de todas as frentes, mas nossa proposta é suprapartidária.” Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede) usaram a hashtag em suas propagandas eleitorais e políticos de vários partidos se programaram para participar dos protestos deste sábado.

Família. Ludimilla nasceu em uma família pobre da periferia de Salvador, no bairro de Cajazeiras, conhecido pelo alto índice de mortes violentas e pela grande população negra. A mãe, auxiliar de enfermagem, sustentava a família. Ela tem três irmãos e um deles pretendia votar em Bolsonaro. “Acho que ele vai mudar de ideia.”

Quando o grupo chegou a 2 milhões de integrantes, ele sofreu uma invasão de hackers. Membros foram apagados, outros incluídos e o nome foi mudado para “Mulheres com Bolsonaro”. O ataque foi feito diretamente nas contas de Ludimilla, que, depois disso, teve de trocar de aparelho e operadora de celular e até hoje não recuperou sua conta de e-mail. Com a ajuda do Facebook, a página voltou ao ar da mesma forma e com membros do dia anterior ao hackeamento. A invasão está sendo investigada pela polícia.

Ludimilla também passou a receber ameaças por telefone e redes sociais. Não sai mais sozinha à noite e usa seguranças. Ela é solteira e divide a casa com dois gatos e um cachorro. Advogadas que conheceu pelo grupo estão a orientando sobre como proceder.

A mãe de Ludimilla não entendeu a expressão “ataque cibernético” quando contaram o que a filha havia sofrido. “Ela achou que tinham me atacado fisicamente, ficou muito preocupada”, conta. “Eu tenho medo, principalmente depois do que aconteceu com a Marielle (Franco, vereadora assassinada no Rio). Mas acho que eu e essas 4 milhões de mulheres podemos estar mudando o futuro do País.” *

(*) Renata Cafardo, O Estado de S.Paulo

ELEITORES CATIVOS

Efeito teflon preserva votos Bolsonaristas

Embora mantenha seu apoio inabalável, deputado viu sua rejeição crescer fortemente

A ampla campanha de artistas, brasileiras e internacionais, nas redes em torno do bordão #Elenão não impactou o eleitor que já havia escolhido o capitão reformado. Tampouco teve efeito sobre os eleitores do deputado a profusão de propagandas de Geraldo Alckmin alardeando a possibilidade de volta da CPMF e o risco de Fernando Haddad vencer Bolsonaro no segundo turno.

Desqualificando moralmente os adversários e dizendo-se alvo de perseguição da imprensa, Bolsonaro parece ter conseguido desenvolver em seus eleitores o que no meio político se chama de “efeito teflon”: nenhuma informação negativa a seu respeito “cola” para quem já aderiu. Isso garante a Bolsonaro sua presença no segundo turno.

O problema do capitão reformado hoje está nos cerca de dois terços dos eleitores que não aderiram à sua campanha. Os números divulgados pelo Datafolha nesta sexta-feira praticamente repetem os que já haviam aparecido na pesquisa Ibope do início da semana. A notícia mais relevante de ambas é que, embora mantenha seu apoio inabalável, Bolsonaro viu sua rejeição crescer fortemente, atingindo 46%.

As duas pesquisas também mostram que o capitão — que nesta sexta-feira disse que não reconheceria um resultado diferente da vitória — perde no segundo turno, fora da margem de erro, para Alckmin, Ciro Gomes e até para o petista Fernando Haddad.

O ex-prefeito de São Paulo segue em rápido crescimento e ontem já tinha 22% das intenções de votos — o dobro de Ciro, que perdeu dois pontos, caindo para 11%, e quase empatou numericamente com Alckmin, que ganhou um e chegou a 10%.

Mantido o ritmo atual, não é improvável que Haddad saia do primeiro turno numericamente à frente de Bolsonaro. Só que com o crescimento da intenção de votos no petista, aumenta também sua rejeição, que já atinge 32%.

O segundo turno que se anuncia tende a ser uma disputa entre dois campos que inspiram mais rejeição que confiança. Dele, não sairá um vencedor, mas um sobrevivente. Ao que tudo indica, parte significativa da sociedade será obrigada a escolher alguém que não gosta para impedir outro, que ela desgosta ainda mais, de ganhar.*

(*) PAULO CELSO PEREIRA – O GLOBO

POBRE BRASIL

Democracia relativizada

 

De um lado, o PT, partido que questionou a legalidade de sucessivas decisões judiciais, tem um condenado em segunda instância que diz que a sigla “tomará o poder” de qualquer forma, pelo voto ou não. O candidato a presidente do partido, Fernando Haddad, diz que pretende “criar condições” para uma Constituinte, sem dizer quais seriam elas.

De outro, Jair Bolsonaro diz que se não vencer a eleição não aceitará o resultado do pleito. A mesma tese é propaganda por seus filhos e apoiadores. Em comum, os dois lados relativizam o compromisso com a democracia, as regras do jogo e o respeito às instituições, na antessala da eleição. *

(*)  Vera Magalhães, Coluna Estadão