E NO PAÍS DO FAZ DE CONTA…

A culpa da imprensa mentirosa

Foi um fato normal, dentro da rotina: o vice-presidente da Guiné Equatorial desembarcou em Viracopos, na noite da última sexta-feira, trazendo quase l,5 milhão de dólares em dinheiro e uma coleção de vinte relógios de alto valor: só um deles, modelo exclusivo, todo cravejado de brilhantes, foi avaliado em US$ 3,5 milhões. Nada mais comum: um turista traz um dinheirinho para gastar, e seus objetos pessoais, como o relógio, não é mesmo? A imprensa burguesa e racista só fez barulho porque o referido cavalheiro e seu pai, o presidente da Guiné Equatorial, são amigos do ex-presidente Lula. E, se fossem brancos, de olhos azuis, ninguém estranharia a bagagem.
Talvez haja quem, entre os caros leitores, que ache que a quantia é grande demais. Mas Sua Vice Excelência explicou direitinho: faria um tratamento médico, e os médicos mais abalizados, como sabemos, estão cobrando caro. E é preciso estar preparado também para enfrentar o preço dos exames médicos. Ele estava: além do US$ 1,5 milhão, trouxe seus cartões de crédito.
Veja como é nossa imprensa: se ele trouxesse pouco dinheiro e não pudesse enfrentar o custo do tratamento, os jornais diriam que ele veio abusar do SUS; como ele trouxe uma quantia que, a seu ver, seria suficiente, também reclamam. Resultado: Sua Vice Excelência foi embora sem fazer tratamento.
Há até quem diga que ele veio repatriar dinheiro. Besteira: em campanha da turma de Lula, US$ 1,5 milhão e 20 relógios-joia não dão nem para o começo.

Quem é quem


O passageiro dessa viagem tão rotineira é Teodoro Obiang Mang, filho de Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, no poder há 38 anos. Segundo a revista Forbes, sua fortuna é estimada em US$ 600 milhões. Mas, em 2015, quando pediu à Beija-Flor que a Guiné Equatorial fosse tema de seu desfile, não quis gastar nada: segundo a Lava Jato, exigiu que uma empreiteira interessada em obras no seu país fizesse o patrocínio, em troca de conseguir os contratos.
Não teve dificuldades: acostumada aos pixulecos daqui, o patrocínio de uma escola de samba, de R$ 10 milhões, deve ter-lhe parecido uma pechincha.

Um risco, uma oportunidade


Dois candidatos correm o risco de aposentadoria forçada nessas eleições: Marina, que em vez de subir caiu; e Alckmin, que, mesmo em seu reduto de São Paulo, tem menos intenções de voto que Bolsonaro. Em eleições anteriores, Marina em determinados momentos teve uma onda de apoios, que sempre acabou antes da hora. Se essa onda se repetir, como a campanha é curta, até pode ser que se coloque bem. Alckmin tem quase metade do tempo de TV, mas está mal na fita – tão mal que em 15 Estados é traído por seus aliados. Mas ninguém é inimigo e a lei da política ainda está em vigor: caso ele consiga calibrar a mensagem e dobrar as intenções de voto, o apoio volta.

Quem sobe, sobe


A lei da política é bem exemplificada no Paraná: o ex-governador tucano Beto Richa ia bem na campanha ao Senado até ser preso pela Operação Rádio Patrulha. Primeira reação: a governadora Cida Borghetti, do PP, que foi sua vice e é candidata à reeleição, pediu ao bloco partidário que o apoia que retire sua candidatura, “para que ele possa se dedicar à defesa”.
Claro que não é isso: não há melhor defesa do que se eleger e ganhar foro privilegiado. Cida fez também um forte discurso contra a corrupção. E tucanos importantes já apoiam o candidato do PSD, Ratinho Jr., filho do apresentador Ratinho. Beto foi libertado pelo Supremo. Se mostrar força eleitoral, recupera seus apoios.

Aposentadoria

Ressurreição


Quem está de volta no Estado, como candidato ao Senado, é Delcídio do Amaral, do PTC. Absolvido da acusação de tentar comprar o silêncio de Nestor Cerveró, Delcídio se beneficiou da desistência de César Nicoletti.

Mulheres contra Bolsonaro


Qual a consequência do hackeamento da página Mulheres contra Bolsonaro no Facebook? A página, no último fim de semana, foi capturada por hackers, que até mudaram seu nome. As participantes da página se irritaram; mas, de acordo com pesquisa da Toluna, 49% dos entrevistados não deram a menor importância ao fato.
Para 42%, a opinião que tinham sobre Bolsonaro ficou abalada; para 8%, a imagem do candidato até melhorou. A pesquisa apurou também que 50% dos entrevistados conhece alguém que faz parte do grupo, e 52% tiveram conhecimento do ataque virtual. A Toluna fornece informações sobre o consumidor, facilitando o trabalho na economia atual, sob demanda. O estudo completo está no endereço  http://tolu.na/l/b8AZq69C*

(*) Coluna Carlos Brickmann,  na Internet

PAU MANDADO DO CRIMINOSO

Haddad já venceu o campeonato mundial da sabujice

Quem acha que um presidiário condenado por corrupção é grande demais para a Casa Civil não está qualificado sequer para o cargo de síndico

O repórter da rádio CBN quis saber se Fernando Haddad, caso fosse eleito presidente da República, entregaria a Lula a chefia da Casa Civil. Resposta do candidato da parceria PT-PCdoB: “Acho essa pergunta muito pequena para um cara da estatura do Lula”.Mas não foi exatamente isso o que Dilma Rousseff tentou fazer no episódio do papel levado ao chefão pelo famoso “Bessias”? Explicação de Haddad: “Ele só aceitou ser ministro da Casa Civil porque estávamos prevendo que um golpe de Estado aconteceria, como aconteceu”.Quem acha que um ex-presidente presidiário, condenado por corrupção e lavagem de dinheiro a 12 anos de cadeia, é grande demais para a Casa Civil não está qualificado sequer para o cargo de síndico do prédio onde mora.

Mas merece ser imediatamente contemplado com o título de campeão mundial da sabujice.*

(*) Blog do Augusto Nunes

PAÍS À BEIRA DO ABISMO

Haddad e Bolsonaro aos olhos do mercado

 

Em rodadas de conversas nas últimas semanas com representantes de bancos, fundos de investimentos, corretoras de valores e empresários do setor produtivo, passei a ouvir ponderações sobre os riscos de vitória de Jair Bolsonaro ou de Fernando Haddad. A avaliação média é que Haddad traria risco mais imediato de disparada do dólar e reversão de decisões de investimentos, dada a questão do futuro de Lula.

 Sobre Bolsonaro, o temor maior recai sobre suas condições de saúde e os sinais de desentendimento no núcleo mais próximo, a começar pelo vice, general Hamilton Mourão. *
(*) V.M. – Coluna Estadão

FANTOCHE DO PRESIDIÁRIO

O rancor petista virou veneno nesta eleição

Haddad expôs o papel de Lula com racionalidade em São Paulo e soberba em Curitiba


Para quem joga numa eleição radicalizada, Fernando Haddad foi um colaborador impecável ao deixar a carceragem de Curitiba depois de visitar Lula. Ele definiu o papel do ex-presidente no governo que pretende fazer.

“Temos total comunhão de propósitos em relação a ele e o diagnóstico de que o Brasil precisa do nosso governo e precisa do Lula orientando como um grande conselheiro. Ele é um interlocutor permanente de todos os dirigentes do partido e nunca deixará de ser. Não temos nenhum problema com isso. Enquanto os outros partidos escondem os seus dirigentes, nós temos muito orgulho de ter o Lula como dirigente.”

Essa declaração poderia ter sido planejada pelo estado-maior de Jair Bolsonaro ou pelos urubus golpistas que pretendem deslegitimar uma eventual vitória da chapa petista. Horas antes, em São Paulo, durante a sabatina da Folha, SBT e UOL, Haddad dissera algo racional, sem a soberba do comissariado.

“O presidente Lula, sem sombra de dúvida, na opinião da maioria dos brasileiros, foi o maior presidente da história deste país. Ele é um grande conselheiro e terá um papel destacado em aconselhamento, em falar de sua experiência. Jamais dispensaria a experiência do presidente Lula.”

Uma coisa é elogiar Lula e seus oito anos de governo. Bem outra é dizer que “não temos problema com isso”. Deviam ter, pois Lula está na cadeia, condenado por corrupção. Milhões de eleitores estão dispostos a votar em Haddad por ele ser o candidato de Lula.

Ao dar a um detento a condição de pai da pátria, o PT estimula a dúvida em quem espera a volta dos “bons tempos” com uma vitória de Haddad, mas também teme que ela traga de volta o que há de pior no comissariado.

O consulado petista teve duas faces, a do progresso com Lula e a do regresso com Dilma Rousseff, a da atenção para o andar de baixo e a das roubalheiras com o andar de cima. Oferecer as duas ao eleitorado num combo rancoroso é soberba.

Não se pode saber de onde está saindo o rancor petista. Pode ser que venha da inconformidade de Lula, ou ainda do interesse radical de uma parte do PT.

Venha de onde vier, tornou-se um veneno que produz dois efeitos. O primeiro é o estreitamento da base eleitoral de Haddad, mas sempre se poderá dizer que uma eventual vitória transformará esse erro em asterisco. No seu segundo efeito, o modelo do “conselheiro” reforça as ameaças à sobrevivência das instituições democráticas.

Não é preciso ser um gênio para perceber que há um farfalhar golpista no ar. Bolsonaro—como Donald Trump— diz temer uma fraude na contagem eletrônica dos votos. Trump ganhou e não tocou mais no assunto. O general Hamilton Mourão sonha com uma nova Constituição, redigida por sábios e sagrada num plebiscito. Coisa parecida, recente e próxima só em 2007, na Venezuela.

Se houver um segundo turno entre Haddad e Bolsonaro e o capitão reformado ganhar, será o jogo jogado. Se Haddad sair vencedor, a tese da vitória sem legitimidade irá para a mesa. A teoria do “conselheiro” serve à sua retórica.

As vivandeiras civis associadas à anarquia militar contestaram a legitimidade eleitoral em 1889 e em 1930 (com sucesso), em 1950 (fracassando até 1954, quando Getúlio Vargas matou-se) e em 1955 (com a teoria da falta de maioria absoluta de Juscelino Kubitschek). Coisa do século passado? Em 2014, Aécio Neves contestou a vitória de Dilma Rousseff. Depois, contou que a iniciativa foi uma “molecagem”, para “encher o saco”. Vá lá.

(*) Elio Gaspari – Folha de São Paulo

DUELO ENTRE O CAPETA E O COISA RUIM

A eleição que virou um duelo entre bolsonarismo e lulismo

A nova pesquisa do Ibope mostra que a corrida presidencial mudou de cara. Há uma semana, cinco candidatos ainda pareciam ter chance de vitória. Agora a disputa se afunila para um plebiscito entre o bolsonarismo e o lulismo.

Jair Bolsonaro se consolidou na liderança. Ele oscilou positivamente e chegou a 28% das intenções de voto. Fernando Haddad deu um salto expressivo e aparece com 19%. O petista abriu oito pontos de vantagem para Ciro Gomes, que estacionou em 11%.

Os números apontam para um duelo final entre Bolsonaro e Haddad. No entanto, as campanhas passaram a trabalhar com outra hipótese. Com a polarização, o eleitor pode antecipar a decisão para o primeiro turno. “Acho dificílimo, improvável, mas não impossível”, diz o presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro. “Vai depender do voto útil. Do jeito que a população está chateada, pode haver um movimento para decidir logo”.

Considerando apenas os votos válidos, Bolsonaro tem 36% e Haddad tem 24%. Os dois estão em alta e tendem a crescer mais na reta final. Se ficar claro que um deles será presidente, eleitores de outros candidatos devem engordá-los com o voto útil. A taxa de abstenção e a soma de brancos e nulos terão peso decisivo.

Bolsonaro fará o possível para atrair quem topa tudo para evitar a volta do PT. O capitão tentará recrutar eleitores de Geraldo Alckmin e dos nanicos Alvaro Dias, Henrique Meirelles e João Amoêdo. O desafio de Haddad é buscar quem se desiludiu com o PT, mas não deseja entregar o país a um militar que já pregou o fechamento do Congresso e o fuzilamento de adversários. Ele já começou a ensaiar uma guinada ao centro. Agora deve se apresentar como a única “opção contra a barbárie”.

Ciro ficou espremido em sua tentativa de terceira via. Agora precisa rezar por um tropeço dos líderes. Salvo uma reviravolta, Alckmin e Marina Silva parecem fora do jogo. A campanha do tucano tende a se transformar numa crônica diária de traições, com o centrão se dividindo entre Bolsonaro e Haddad. A da ex-senadora caminha para um fim melancólico. Em 14 dias, ela perdeu metade dos votos. Quase todos para o escolhido de Lula.*

(*) BERNARDO MELLO FRANCO – O GLOBO

BATALHA DOS REJEITADOS

Duelo previsível

A eleição deste ano vai ser definida entre os dois candidatos que têm a maior rejeição entre todos. O crescimento expressivo do candidato do PT Fernando Haddad, que mais que dobrou sua votação entre as duas recentes pesquisas do Ibope, e a manutenção da tendência de alta de Jair Bolsonaro, mesmo que dentro da margem de erro, leva a crer que os dois disputarão o segundo turno, que, aliás, será acirradíssimo, com Bolsonaro e Haddad empatados.

Ciro Gomes descolou-se do grupo que ainda sonhava estar no segundo turno, mas também viu aumentar sua distância para Haddad. Ciro ficou estagnado, Alckmin e Marina continuam em queda. Essa tendência, revelada tanto pelo Datafolha quanto pelo Ibope, faz com que o voto útil tenha direção certa, seja para Haddad, ou para Bolsonaro.

A rejeição a ele continua acima de 40%, embora em pequena queda. Já Haddad soma a sua rejeição à de Lula, que é um grande cabo eleitoral, mas também um peso. A disputa entre os dois pode ser antecipada para 7 de outubro.

Bolsonaro, com seu antipetismo exacerbado, quer ganhar no primeiro turno para encurtar o tempo de campanha, da qual ele participa a meia-bomba. Sem poder ir aos debates, pelo menos no primeiro turno, Bolsonaro virou alvo de críticas generalizadas e seu vice, General Mourão, é a bola da vez. Cada declaração polêmica que dá volta feito um bumerangue contra sua chapa.

Já Haddad pretende transformar a disputa entre civilização, que ele representaria, e a barbárie, que seu adversário encarnaria. O petista está lançando propostas de aliança no segundo turno com Ciro e Alckmin: quem chegasse ao segundo turno teria o apoio dos outros. Mas o que pretende mesmo é pegar os eleitores tanto de Ciro e Marina quanto do PSDB, para impedir a vitória de Bolsonaro no primeiro turno e, quem sabe, ser ele a vencer sem precisar de um segundo turno.

Essa tentativa de fazer aliança através das cúpulas partidárias não parece se adequar ao espírito do momento, que depende muito mais do sentimento dos eleitores do que de uma iniciativa dos partidos. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, embora insista em afirmar que está com Alckmin até o segundo turno, é favorável ao apoio do PT caso isso não aconteça, como se os eleitores do PSDB fossem na maioria de esquerda.

O melhor exemplo dessa separação entre os partidos e o eleitorado é a campanha do tucano Geraldo Alckmin. Conseguiu um acordo amplo com o centrão e ganhou o maior tempo de televisão. Mas os eleitores não estão interessados nesses esquemas da velha política, e abandonam Alckmin.

Mesmo as críticas à adesão ao centrão, que pode ter decepcionado uma ala mais progressista do PSDB, não justificariam por si só a baixa intenção de votos. Mesmo porque vários desses caciques estão liderando as pesquisas em seus Estados. Se se empenhassem pela candidatura de Alckmin, certamente ele estaria em melhor situação.

Mas políticos como os do centrão sentem o cheiro da derrota de longe, e já se bandearam para outros lados que, como sempre acontece nesse tipo de político, pode ser à esquerda ou à direita, já estão negociando com o PT, para refazer a aliança que nos levou a essa situação de crise econômica, ou com Bolsonaro.

O apoio de Ciro ao PT já anunciado para o segundo turno revela um sentimento de impotência diante do crescimento de Haddad, e confunde os eleitores de centro que pretende atrair. O índice de votos nulos e em branco continua sendo mais alto que nas eleições anteriores, o que indicaria que ainda há quem possa mudar de idéia.

A maior prova de que o país está dividido é o resultado da pesquisa no segundo turno. Todos empatam com todos, mas o eleitorado está em evolução. No segundo turno, se houver, Bolsonaro, que perdia de todo mundo nas primeiras pesquisas, hoje já empata com todos e ganha de Marina, que era a única que o derrotava no início da campanha.*

(*) Merval Pereira – O Globo

O PREPOSTO DO CRIMINOSO

O candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, admitiu a aliados que, para chegar ao segundo turno, precisará fazer uma guinada ao centro e já procura empresários para uma rodada de conversas. Ele quer discutir as reformas na área econômica.

Ele pediu, por exemplo, ao ex-ministro Nelson Barbosa que faça a interlocução com empresários para tentar convencê-los de que eleger Jair Bolsonaro (PSL) não garantirá melhoras na economia. Haddad adotou o discurso de que escolher o candidato do PSL é “eleger a barbárie”.

O candidato do PT quer assegurar aos empresários que fará a reforma da Previdência – mas não a que estava em discussão pelo governo Michel Temer. Nesta segunda-feira (17), em sabatina na “Folha de S.Paulo”, ele já ensaiou o discurso ao discordar de Marcio Pochmann, um dos coordenadores do programa econômico da campanha petista, de que a reforma da Previdência não é urgente.

Aliás, Pochmann e Nelson Barbosa – que também participa do programa de governo – desentenderam-se. O grupo de Haddad prefere Barbosa a Pochmann, mas quer distância da briga entre os dois. Por isso, pediu a aliados para não comentarem o entrevero.

Ainda sobre as reformas, no entanto, Haddad segue afirmando que vai revogar, se eleito, a reforma trabalhista aprovada no governo Temer.

Além da busca pelos empresários, Haddad defende um acordo com os candidatos Ciro Gomes e Geraldo Alckmin. Ele propõe que quem for para o segundo turno apoie o outro, para evitar a vitória de Bolsonaro.

Haddad também foi aconselhado a não falar mais sobre o eventual indulto ao ex-presidente Lula. Como o blog revelou em agosto, Lula e Haddad discutiram o assunto – mas o candidato mantém o discurso de que o ex-presidente não quer o benefício e, sim, provar a sua inocência.

O PT, no entanto, admite abertamente a defesa do indulto se Haddad for eleito.*

(*) Andréia Sadi – G1 – Brasília

VALE TUDO

O candidato do PSL a presidente da República, Jair Bolsonaro, que segue internado no Hospital Israelita Albert Einstein onde se recupera de ataque à faca durante ato de campanha no início deste mês — Foto: Reprodução/TV Globo

Muito mais do que a expectativa de vitória no primeiro turno, a estratégia da campanha do candidato Jair Bolsonaro (PSL), de pregar o voto útil imediatamente, tem um objetivo específico: barrar o movimento dos adversários de tentar minar suas intenções de voto pregando justamente o chamado voto útil.

A campanha de Jair Bolsonaro identificou que havia um risco de migração de votos com discurso da polarização dos extremos, principalmente, por parte dos candidatos Geraldo Alckmin (PSDB)Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede).

Com o isolamento de Bolsonaro no primeiro lugar, e de Fernando Haddad (PT) na segunda colocação, como apontou a pesquisa Ibopedivulgada nesta terça-feira (18), as demais candidaturas devem intensificar a estratégia de que só haverá opções no polo da esquerda e da direita sem possibilidade de um candidato de centro no segundo turno.

Integrantes da campanha de Bolsonaro identificaram que este discurso poderia esvaziar a parcela do voto ainda não consolidada do candidato do PSL. Por isso, a mudança da estratégia para fidelizar o voto simpático a Bolsonaro no primeiro turno.

Mesmo com o discurso de definição no primeiro turno, a avalição em todas as campanhas é a de que essa disputa será definida apenas no segundo turno, principalmente por causa da pulverização de candidaturas.*

(*) Gerson Camarotti – G1 -Brasília