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Facada em Bolsonaro não acertou o eleitor

A facada em Jair Bolsonaro não acertou o eleitor. O deputado esperava disparar na primeira pesquisa pós-atentado. O Datafolha mostrou que ele se manteve na liderança, mas não conseguiu subir acima da margem de erro. Mais importante: sua rejeição continua nas alturas. Nas simulações de segundo turno, ele só não perde de lavada para o candidato do PT.

A pesquisa mostra um empate quádruplo na disputa pelo segundo lugar. Ciro Gomes, Marina Silva, Geraldo Alckmin e Fernando Haddad estão emparelhados entre 13% e 9% das intenções de voto. No entanto, os números não devem ser tomados pelo valor de face. Neste momento, o que vale é observar as curvas, que mostram quem sobe e quem desce na corrida presidencial.

A trajetória de Marina indica uma queda livre. A ex-senadora encolheu cinco pontos, caindo para 11%. Ela sofre os efeitos do isolamento político. Com pouco tempo de TV e sem palanques fortes nos estados, corre o risco de perder competitividade e sair da eleição menor do que entrou.

Alckmin praticamente não se moveu, o que em seu caso também é uma má notícia. Com quase metade do tempo de propaganda, o tucano esperava reconquistar terreno perdido para Bolsonaro. Ele ainda não está morto, mas não cresceu fora da margem de erro.

A pesquisa é mais animadora para Ciro e Haddad. O pedetista ganhou três pontos e subiu para 13%. Ele passou a aparecer numericamente à frente dos concorrentes diretos. Em dados absolutos, é quem está mais próximo de Bolsonaro. Haddad deu o maior salto da rodada. Ele subiu cinco pontos e agora tem 9%. Deixou o pelotão dos retardatários e entrou de vez na disputa.

As perspectivas parecem melhores para Haddad. Ele ainda não se apresentou como candidato a presidente e já se tornou competitivo. O lançamento oficial, previsto para hoje, deve acelerar a transferência de votos do ex-presidente Lula. Ciro aposta em outro trunfo. Nas simulações de segundo turno, ele aparece mais forte para derrotar Bolsonaro. Se resistir ao crescimento de Haddad até o início de outubro, ele poderá apelar ao voto útil do lulismo.*

(*) BERNARDO MELLO FRANCO – O GLOBO