TIRO NO PÉ

Haddad não se desculpa por

fake news sobre Mourão

Fernando Haddad foi ao Rio hoje para se encontrar com representantes de igrejas evangélicas, informou o Estadão.

Na saída, o poste de Lula deu uma entrevista em que foi questionado sobre sua acusação de que Hamilton Mourão teria torturado o cantor Geraldo Azevedo no regime militar —desmentida pelo vice de Jair Bolsonaro, que tinha 16 anos à época dos fatos, e pelo próprio cantor.

Haddad respondeu que recebera a informação de “fonte fidedigna”, Azevedo, e que uma pessoa torturada estava sujeita a esse tipo de confusão. Também disse que isso não mudava em nada o fato de o general elogiar a ditadura.

Pedido de desculpas pelas “fake news”? Zero, nenhum.*

(*) O ANTAGONISTA

CEGO EM TIROTEIO

Quem manda na oposição

 

O PT enfrenta duas disputas simultâneas. Numa delas, tenta uma reviravolta improvável contra Jair Bolsonaro para eleger Fernando Haddad. A essa altura da campanha, só os mais fanáticos ainda acreditam nisso.

A segundo disputa é mais pé no chão. O partido quer se estabelecer como o principal grupo de oposição. A provável vitória de Bolsonaro não jogará apenas legendas de esquerda para longe do governo. Mas também de centro e centro-esquerda, como PSDB, MDB, PDT e Rede. Por isso, os apoios de Marina Silva, Ciro Gomes e de parte dos tucanos é tão cobiçado pelo PT. E também por isso uma foto com todos eles dando apoio a Haddad no segundo turno se tornou praticamente impossível. Afinal, o jogo político não termina em 2018.*
(*) M.M. – Coluna Estadão

PEGO COM A BOCA NA BOTIJA

Erro de Haddad abala tática petista de culpar ‘fake news’ por desvantagem

Candidado do PT à Presidência repetiu em sabatina acusação equivocada de Geraldo Azevedo, que acusou Mourão de tortura


RIO – Ao repetir sem checar uma acusação grave, e que se provou falsa, Fernando Haddad cometeu um erro que abala sua principal estratégia na reta final do segundo turno. Nos últimos dias, o candidato do PT à Presidência vinha creditando a vantagem de Jair Bolsonaro a uma indústria maciça de “fake news”. A distância de 20 milhões de votos do capitão reformado seria, única e exclusivamente, pelas mentiras espalhadas por seus partidários. Como insistir nisso depois de propagar, ele mesmo, uma notícia falsa?

Agora, toda vez que Haddad reclamar do massacre de notícias falsas contra sua campanha, partidários do adversário do PSL já têm pronta a resposta: quem espalha “fake news” é o petista, que acusou, injustamente, o general Hamilton Mourão de ser um torturador durante a ditadura militar .

O erro estratégico denota, também, o grau de pressão e de exaustão no quartel-general petista. A acusação a Mourão foi deliberada e repetida por Haddad na sabatina promovida pelos jornais O GLOBO, Extra, Valor Econômico e a Revista Época, com o objetivo de obter repercussão: “Deveria estar em todas as primeiras páginas amanhã”, disse o candidato.

Mas bastou uma busca no Google, assim que a frase foi dita, para mostrar a inconsistência da afirmação. Mourão tinha 16 anos à época em que o cantor Geraldo Azevedo foi barbaramente torturado – e as sevícias a que foi submetido são verdades comprovadas, é bom destacar. Uma acusação dessa gravidade, feita por um político que luta contra as fake news, jamais poderia ter sido feita com leviandade.

Em pouco mais de uma hora, a máquina de checagem do jornalismo profissional entrou em ação, e o erro estava esclarecido: Mourão afirmou que ainda estava no colégio, e Geraldo Azevedo disse que se equivocou e pediu desculpas pelo seu erro.

O equívoco do cantor pode ter acontecido de boa fé, ao contrário das fake news clássicas, criadas para desinformar. Mas ao ter sua repercussão ampliada contribuiu ainda mais para quem aposta na confusão de informações.

A situação eleitoral de Haddad antes do episódio já era delicada. As pesquisas praticamente não se alteraram desde o começo do segundo turno, com larga vantagem para Bolsonaro. Sua principal e última aposta dos últimos dias, de creditar a desvantagem a uma tática suja de fake news do adversário, sofreu um enorme baque com o erro da manhã desta terça-feira.*

(*) Pedro Dias Leite – O Globo

SERÁ QUE A MAMATA ACABARÁ?

Midia luta desesperadamente para eleger Haddad e se livrar de Bolsonaro

Charge reproduzida do Arquivo Google

Na democracia, é preciso saber ganhar e saber perder, porque a principal regra é a alternância do poder. Mas na cleptocracia à brasileira, tenta-se ganhar a todo custo, seja nas urnas eletrônicas de baixa confiabilidade, seja no tapetão do Tribunal Superior Eleitoral. Agora, antes mesmo de se realizar o segundo turno, o PT e o PDT já se apressaram em recorrer ao TSE para pedir a cassação da chapa do PSL.

Não há nenhuma prova material, consistente. Sabe-se, com certeza absoluta, que Jair Bolsonaro ou qualquer outro candidato não tem a menor condição de exercer controle sobre as redes sociais de seus admiradores. Mesmo assim, a direção do PDT encaminhou ao TSE, na sexta-feira, um pedido para anular as eleições. Além de não apresentar nenhuma prova material, nada nada, o partido pediu que a Justiça encontre as provas a respeito, vejam que maluquice – as provas para sustentar o processo eleitoral ficarão para depois.

FAKE ESCÂNDALO – O mais incrível é que toda a imprensa entrou na onda do “fake escândalo” criado pela Folha de S.Paulo, possibilitando a ruidosa repercussão de uma denúncia que não tem a menor confirmação e a mídia irresponsavelmente age como se o PT e os demais partidos também não tivessem usado as mesmas armas do PSL.

A imprensa está toda do lado do petista Fernando Haddad, que representa o criador do maior esquema de corrupção político-administrativa da História Universal. E isso acontece  porque todos sabem que vão perder faturamento com Jair Bolsonaro na Presidência w  estão produzindo “fakes escândalos”, uns atrás dos outros. O Estadão é o único que ainda tenta disfarçar, com seguidos editoriais atacando Lula da Silva e o PT. Mas o noticiário do jornal e as matérias distribuídas pela Agência Estado e pelo Estadão Conteúdo batem o tempo todo em Bolsonaro e poupam Haddad, que é sinônimo de faturamento garantido.

BRASIL DITADURA – A campanha difamatória contra Bolsonaro é implacável. No Jornal Nacional da TV Globo, há alguns dias foi divulgada com estardalhaço uma pesquisa indagando se o povo acha possível o Brasil voltar a ter outra ditadura. Diz o Datafolha que  50% dos entrevistados acharam ser possível. Só que, estrategicamente, não foi perguntado se a ditadura seria de direita ou esquerda, para associar diretamente a possibilidade de golpe apenas a um possível governo Bolsonaro…

A imprensa joga duro quando se trata de preservar seu faturamento com recursos púbicos. A crise é devastadora e já levou a Editora Abril à recuperação judicial, que é um codinome da antiga concordata. Outras grandes empresas estão balançando. E nesse clima la nave va, sempre fellinianamente. *

(*) Carlos Newton – Tribuna na Internet

ELE FALOU NO LULA, NO DIRCEU, NO…

Piada do Ano! Haddad defende punição de petistas que enriquecem na política

Definindo-se como constitucionalista, o candidato voltou a defender a conclusão dos processos. Ele disse acreditar que teve gente que usou de caixa 2 para enriquecer.

DOIS CRIMES – “Certamente, teve pessoas que usaram o financiamento de caixa dois, financiamento ilegal de campanha, para enriquecer. São dois crimes: financiamento de caixa dois e o enriquecimento, que ainda é mais grave. Por isso, tem uma pena maior. Acredito que teve gente que se valeu disso para enriquecer. Só a favor de punição exemplar dessas pessoas”

O petista admitiu erros na condução da política econômica do governo Dilma. Ele lembrou, porém, que o Congresso Nacional impediu a reorganização da economia às custas da chamada pauta bomba.

Haddad relatou ter conversado, nesta segunda-feira (22), com o senador tucano Tasso Jereissati (CE). Segundo ele, Tasso repetiu que, mesmo apontando falhas de Dilma, considera um erro o PSDB ter apoiado a pauta bomba liderada pelo ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha.

ELOGIO A JK – Questionado, ao final do programa, se tem um ídolo na História do Brasil, Fernando Haddad hesitou e disse que seria difícil citar apenas um nome.

Encorajado a falar mais de um, Haddad limitou-se, porém, a citar o ex-presidente Juscelino Kubitscheck. Ele não falou de Lula, embora tenha dito anteriormente que o petista foi o melhor presidente que o país já teve.*

(*) Catia Seabra
Folha

E O MALACO CONTINUA SONHANDO

Defesa de Lula quer sustar nova ação penal até decisão de comitê da ONU

Os advogados de Lula querem que o caso seja retomado somente após o Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) julgar uma ação em que o petista afirma que seus direitos civis e políticos foram violados por Moro. O processo foi distribuído para o ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava-Jato no STF.

INTERFERÊNCIA – A defesa do ex-presidente ainda pediu para o primeiro termo da delação premiada do ex-ministro Antonio Palocci ser retirado do processo, sob a alegação de que o Moro tentou interferir nas eleições presidenciais ao anexar o documento na ação a seis dias do primeiro turno das eleições presidenciais.

Os advogados também querem que o prazo para a apresentação das alegações finais da defesa de Lula só se inicie após a apresentações das alegações finais das defesas dos réus que fizeram delação premiada, como Marcelo Odebrecht.*

(*) André de Souza e Daniel Gullino
O Globo

COM A ELEIÇÃO JÁ DECIDIDA…

Antes mesmo do segundo turno, Temer já costura transição com Bolsonaro

Por outro lado, o presidente Michel Temer designou o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) como interlocutor para discutir a troca de comando no Planalto. E afirmou que pretende estabelecer uma “transição muito tranquila” com o sucessor.

RELATÓRIO – Em um vídeo gravado ontem, em uma reunião com ministros para discutir a sucessão, Temer afirmou que, a partir de hoje, Padilha fará reuniões periódicas para dar forma final a um documento que será entregue ao novo presidente. Será disponibilizada à nova equipe uma versão digital com todos os números e balanços importantes de cada área do governo, e uma versão impressa, em formato reduzido, que Temer deverá entregar pessoalmente a seu sucessor.

Os grupos de trabalho da campanha de Bolsonaro já têm recebido diversas colaborações de integrantes do governo. Dois dos coordenadores de áreas já atuam no Executivo. Marcos Cintra preside a estatal Financiadora de Estudos e Projetos, ligada ao Ministério de Ciência e Tecnologia. Adolfo Sachisida é pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

PORTAS ABERTAS – As equipes também têm encontrado as portas abertas em diversos órgãos. Quadros do corpo técnico do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e da Empresa de Planejamento e Logística (EPL) cooperam com o grupo liderado por generais da reserva, na expectativa de terem mais espaço em um futuro governo.

Há também movimentos de políticos na mesma direção. O ministro de Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab, e o presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos, ambos do PSD, jantaram dias atrás com Onyx Lorenzoni. O ex-ministro da Educação Mendonça Filho (DEM) também já conversou sobre a área com o coordenador político de Bolsonaro, que mantém a cautela.

— Não, eu não falo em transição. Nós temos que manter o foco e humildade. Nossa equipe é humilde para manter o foco. Nós estamos olhando para o domingo. Depois, de segunda a terça feira a gente começa a falar em transição autorizados por eles, ó (aponta os manifestantes nas rua), que é quem importa: a população brasileira — disse Lorenzoni.

ÁREA RESERVADA – O gabinete de transição será instalado no Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB) de Brasília, em um espaço que estava vazio. A área reservada para a transição governamental tem 2.500 metros quadrados, mais de 20 salas, além do gabinete presidencial, e capacidade para receber 250 pessoas.

As obras no local duraram cerca de dois meses. O espaço e os móveis foram fornecidos pelo Banco do Brasil, que cederá o local para o governo e, portanto, não irá cobrar aluguel. Haverá, no entanto, rateio das contas de luz e água enquanto durar o processo.

DIZ TEMER — “Faremos uma transição muito tranquila em relação ao novo presidente da República” — disse o presidente Temer, que afirmou que a ideia de centralizar as atividades em Padilha é evitar “equívocos” que possam prejudicar o próximo ocupante do Palácio do Planalto:

— Essa centralização é fundamental para que haja um diálogo muito produtivo entre aqueles que chegam ao governo e aqueles que dele sairão. Portanto, mais uma vez, o Padilha ficará às ordens para receber colaborações daqueles que governarão o país a partir do ano que vem.*

(*) Leticia Fernandes, Jussara Soares e Eduardo Bresciani
O Globo

IRRESPONSABILIDADE GERAL E IRRESTRITA

Sem debater crise fiscal, candidatos apostam apenas em propostas populistas

Resultado de imagem para DEFICIT PUBLICO CHARGES

Charge do Kayser (Arquivo Google)

A campanha presidencial deste ano começou com a promessa dos candidatos de discutirem uma solução para a grave crise fiscal. Ficou na promessa. O tema não só foi deixado em segundo plano, como os candidatos partiram para propostas populistas nesta reta final da eleição.

Em busca de avançar no eleitorado nordestino, Jair Bolsonaro (PSL) propôs um 13º para os beneficiários do Bolsa Família. Já Fernando Haddad (PT) prometeu, para reconquistar eleitores perdidos para seu adversário, reajustar em 20% o valor pago pelo mesmo programa. Foi além: disse que, se eleito, o gás de cozinha não custará mais do que R$ 49.

DESEQUILÍBRIO – Enquanto isso, as equipes dos candidatos do PSL e do PT não tratam das medidas que terão de adotar para reduzir o desequilíbrio das contas públicas, que irão registrar no ano que vem o quinto déficit consecutivo. O rombo em 2019 está projetado em R$ 139 bilhões.

Se não for enfrentado, o país não irá retomar o crescimento sustentável, essencial para reduzir o desemprego que atinge mais de 12 milhões de brasileiros.

O Orçamento da União só prevê um total de cerca de R$ 30 bilhões para bancar o pagamento dos benefícios do Bolsa Família.

MAIS GASTOS – A promessa de Jair Bolsonaro vai elevar o orçamento do Bolsa Família em R$ 2,5 bilhões. Ideia lançada em busca de conquistar mais eleitores num território petista, a região Nordeste, única em que o candidato petista bate o do PSL. E a proposta de Fernando Haddad, lançada neste fim de semana na busca de uma reação nesta reta final da campanha, pode custar R$ 6 bilhões.

Enquanto isso, o mercado prefere fingir que não está vendo a onda populista nesta reta final de campanha e vai aguardar o dia depois da eleição para testar as propostas dos candidatos na área econômica. Aposta que vai prevalecer a liberal de Jair Bolsonaro e se dá por satisfeito. A conferir.*

(*) Valdo Cruz
G1 Brasília