BRAZIL COM “Z”

Outra cor, o mesmo sabor.

Ah, velhos sabores da infância! As grandes fábricas de doces em lata produziam marmelada comum e marmelada branca. E, para os indecisos, a lata 2×1, metade comum, metade branca. Ambas iguais, sem gosto de nada, com a única diferença da cor. E havia gente que brigava por uma ou outra.
Pois é, briga-se por qualquer coisa. O filho de um candidato disse que, para fechar o Supremo, bastavam um cabo e um soldado. O Capitão do Time do outro candidato disse que todos os poderes do Supremo deveriam ser retirados. E um advogado, colega do candidato na defesa do Adorado Chefe, propôs o fechamento do Supremo. Curiosamente, a frase mais agressiva, dita por um dos candidatos, não repercutiu: ele propôs aumentar o número de ministros de 11 para 21, “para termos a maioria lá dentro”.
Respeito à Justiça? Quando o Capitão do Time de um candidato ganhou prisão domiciliar, o adversário disse que aquilo era um vexame. Seria preciso escalar “gente do nível de Sérgio Moro” para que o Supremo não envergonhasse a população. Já o outro candidato, para poder pedir instruções na cadeia ao Adorado Chefe, escalou-se como seu advogado, e garantiu que, se eleito, o governante não seria ele, mas o preso. E a decisão do Judiciário, que o prendeu e que seria o único caminho para libertá-lo?
Como diria um antigo ditador, “a lei, ora a lei!” E não é preciso dar nomes: como na lata de marmelada, a receita é a mesma. Só muda a cor.

Detalhe saboroso

Nos velhos tempos, dizia-se que, para aumentar os lucros, os produtores usavam muito chuchu em vez de marmelo. Hoje, chuchu faz (ou fez) parte da política. Mas tanto faz: os fregueses brigam mesmo é por causa da cor.

E como brigam!


A Toluna, empresa que funde pesquisa, análise das informações e tecnologia para oferecer percepções de tendências a seus clientes, estudou o ambiente eleitoral brasileiro. Concluiu que 40% dos eleitores enfrentaram conflitos familiares por causa da eleição. Pior: 33% dos pesquisados acham de verdade que vale a pena brigar com amigos e parentes por política.
O maior índice de desentendimentos ocorreu entre primos: 35%. Logo em seguida, com tios: 31%. E com os pais, 29%. Ainda bem que quase não houve brigas corporais: em geral, a discussão foi “de leve a moderada”.
O estudo, na íntegra, está em http://tolu.na/l/Fx92Rwm

Apoio, mas restrito


Só agora, poucos dias antes do segundo turno, Marina Silva definiu sua posição: dá “apoio crítico” a Fernando Haddad.

Voto, mas restrito


Comentário do jornalista Mário Marinho, do site Chumbo Gordo, sobre a decisão da candidata da Rede: “Com o apoio de Marina, Haddad vai de 21% nas intenções de voto a 21% nas intenções de voto”

Baixo nível


Quem pensa que a campanha presidencial é de baixo nível ainda não viu até onde mergulhou a luta pelo Governo paulista. Um vídeo largamente espalhado pela Internet mostra alguém parecido com João Doria, candidato do PSDB e líder nas intenções de voto, envolvido numa orgia com cinco mulheres nuas – tudo explícito, tipo pornô. Besteira: Doria nunca foi citado como participante desse tipo de evento. E tem hoje 60 anos, idade em que não é comum tanta disposição para enfrentar cinco mulheres juntas.
O adversário de Doria, Márcio França, garante não ser o responsável pelo vídeo. Doria disse que era montagem – nem precisaria, já que algo de tão baixo nível nem merece desmentido. E, com a tecnologia disponível, é fácil transformar um ator de filme pornô numa figura parecida com a de qualquer um de nós, inclusive a do candidato ao Governo de São Paulo.

Falha total

A falta que ele nos faz


Um dos mais produtivos intelectuais brasileiros, Jacó Guinzburg, morreu aos 97 anos, no último sábado. Guinsburg, ensaísta, tradutor de primeira linha, editor, dedicou sua vida à difusão da cultura. Sua editora, a Perspectiva, editou Umberto Eco, Roman Jakobson, Augusto e Haroldo de Campos, Franz Rosenzweig. Ele escreveu na imprensa sobre literatura, brasileira e internacional, fez crítica teatral em revistas da comunidade judaica. E deu-nos a honra de colaborar com o site Chumbo Gordo (www.chumbogordo.com.br), editado por este colunista e por Marli Gonçalves, escrevendo sobre temas da atualidade. Uma grande perda.*

(*) Coluna Carlos Brickmann, na Internet

UMA VERGONHA

Gilmar Mendes arquiva inquérito que investigava o ex-senador Aécio Neves

Tucano era investigado por susposta maquiagem de dados mp caso que ficou conhecido como ‘Mensalão do PSDB’

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou, nessa terça-feira (23/10), o arquivamento de um inquérito que investigava o ex-senador Aécio Neves (PSDB/MG). O tucano era investigado por susposta maquiagem de dados no caso que ficou conhecido como ‘Mensalão do PSDB’.

Delações premiadas apontam que o caso investigado teria ocorrido durante a apuração da CPI que investigava o ‘Mensalão do PT’, no ano de 2005. A Polícia Federal (PF) informou ter encontrado indícios de que Aécio Neves cometeu crimes e, inicialmente, a Procuradoria Geral da República (PGR) chegou a pedir ao STF que enviasse o inquérito para a primeira instância.

Porém, a PGR mudou o entendimento e pediu o arquivamento do caso por falta de indícios mínimos contra o tucano. Em 14 de setembro, o ministro Gilmar Mendes negou o pedido da defesa de Aécio , que pedia o arquivamento do inquérito em que ele era investigado por supostamente intermediar o pagamento de vantagens indevidas da Odebrecht para a campanha de Antônio Anastasia ao governo mineiro, em 2010. A decisão atendeu pedido da Procuradoria-Geral da República.*

(*) Redação – Correio Braziliense

A INTERVENÇÃO DESARMADA

O risco de tutelar o governo

Celebrem os comandantes militares se suas fardas saírem apenas levemente manchadas das eleições prestes a terminar. E se acautelem para que o pior não esteja por vir.Pode ter colado até um dia desses a história de que o entusiasmo pela candidatura do capitão Jair Bolsonaro era coisa da tropa rude e ignara, jamais de oficiais com patente elevada.Não cola mais. Oficiais da reserva de alto coturno assessoram Bolsonaro e participarão do governo caso ele se eleja. E às sombras, oficiais da ativa colaboraram com o candidato e torcem pelo seu sucesso.

O bolsonarismo infiltrou-se nas Forças Armadas como se fosse um vírus poderoso, e é. O sonho de um governo tutelado discretamente pela farda deixou de ser um sonho e está à vista de quem sabe enxergar.

Relatórios de inteligência produzidos por órgãos do governo e das três armas ajudam Bolsonaro a planejar seus movimentos de campanha e a selecionar futuros auxiliares. Nada de parecido havia acontecido até hoje.

A intervenção desarmada só servirá para enfraquecer a democracia submetida por aqui a estresses tão duros desde que foi restaurada há somente 33 anos.

Mesmo que ela resista a mais um teste, o eventual fracasso de um governo como o que se anuncia poderá causar estragos à imagem dos seus patrocinadores ocultos, dissimulados ou assumidos.

As Forças Armadas são a instituição de maior prestígio no país ao lado de outras poucas. Não há por que correr o risco de jogar fora o que conquistou com tanto empenho e sacrifício.*

(*) Blog do Ricardo Noblat

MÉTRICA DO CAOS!

Bolsonaro abusa da sorte na disputa com azarão

 
A poucos dias de cruzar a linha de chegada, os finalistas da corrida presidencial lembram a lebre e a tartaruga da fábula. Ao fundo, informou a penúltima pesquisa do Ibope, coisas estanhas acontecem. Bolsonaro (57%) oscilou dois pontos para baixo. Haddad (43%) moveu-se dois pontos para o alto. A taxa de rejeição do capitão, declinante na semana passada, saltou de 35% para 40%. O índice dos que rejeitam o petista, que subia, caiu de 47% para 41%.

Horas antes da divulgação da pesquisa, Bolsonaro e Haddad cumpriram suas agendas de lebre e tartaruga. Franco favorito, o capitão participou de um churrasco festivo na casa elegante do empresário Paulo Marinho, onde grava seus programas eleitorais, no Rio de Janeiro. A pretexto de se despedir da equipe, confraternizou à beira da piscina ao som violoncelos. Presentes, dois personagens que frequentam o noticiário como quase-futuros-ministros: Gustavo Bebianno (Justiça) e Onyx Lorenzoni (Casa Civil).

Também no Rio, o azarão petista foi à favela da Maré. Discursou num centro de artes. Mangas arregaçadas, Haddad disse à plateia que ainda é possível vencer a eleição. Rogou aos presentes que pedissem votos aos familiares e conhecidos. Anabolizando os números que a pesquisa revelaria mais tarde, agarrou o otimismo pelo colarinho e disse: “O povo começa a perceber, já estou no 45%, 46%. Falta quatro, cinco para ganhar a eleição. Tem que conversar com as pessoas.”

Há uma semana, a lebre sentenciou: “Nós estamos com uma mão na faixa. Ele (Haddad) não vai tirar 18 milhões de votos daqui a dois domingos.” Bolsonaro entrou no segundo turno em cima de um salto agulha. Jogando parado, administra sua vantagem. Ela já foi de 18 pontos, está em 14. A distância ainda é grande o bastante para que a tartaruga, mesmo calçando havaianas, dependa de um milagre para alcançar o rival.

Entretanto, Bolsonaro abusa da sorte. Talvez devesse suspender a prática do tiro contra o próprio pé, seu esporte predileto. De resto, faria um favor a si mesmo se trocasse o modelo agulha por um discreto salto anabela —salto hétero, naturalmente. Do contrário, as urnas de domingo podem produzir um resultado de fábula.*

(*) Blog do Josias de Souza

A LUA DE MEL SERÁ CURTA

Gols contra

Quando o ‘núcleo duro’ de Bolsonaro abre a boca, as instituições tremem


“A democracia é a ciência e a arte de administrar o circo a partir da jaula dos macacos.” A frase é do jornalista, escritor e polemista americano H. L. Mencken (1880-1956) —e olhe que ele não viveu para ver Donald Trump na Presidência dos EUA.

Se a democracia mais sólida e experiente do mundo produziu Trump, era talvez inevitável que a nossa, tão jovem e ingênua, gerasse um Bolsonaro. A sorte dos americanos é que, em volta de Trump na Casa Branca, há homens dedicados a “esquecer-se” de cumprir suas ordens e esperar que ele também se esqueça —maneira discreta de neutralizar seu risco à paz mundial, ao comércio internacional, à defesa do ambiente e à própria democracia. Mas duvido que possa haver gente assim em volta de Bolsonaro no Planalto.

Pelas amostras, o que teremos será justamente o contrário. Quando um dos membros de seu “núcleo duro” —os filhos, o general vice, o economista, o coordenador da campanha— abre a boca, as instituições tremem. Um ameaça fechar o Supremo, outro fala em autogolpe e em revogar o 13º salário, o terceiro ameaça com novos impostos e o último quer extinguir cargos que não existem. Ao ser avisado sobre esses disparates, é o próprio Bolsonaro que sai correndo para apagar o incêndio. Mas, se tivermos de contar com Bolsonaro para a casa se manter de pé, convém sair de baixo. Afinal, já sabemos suas opiniões sobre ditadura, tortura, estupro, desmatamento, armas, gays, negros e mulheres.

Com tudo isso, Bolsonaro continua a ser levado a sério por empresários, economistas e militares supostamente responsáveis, para não falar na Regina Duarte e nas multidões que, bem provável, o elegerão neste domingo. Dali até 1º de janeiro, dia da posse, ele e seus conselheiros terão o direito de dizer e desdizer quantos absurdos quiserem.

Mas, a partir daí, cada gol contra cometido por ele ou por um dos seus irá para o placar.
(*) Ruy Castro, Folha de São Paulo

TUCANO DEPENADO

O mergulho de Alckmin

Depois da derrota fragorosa no primeiro turno, Geraldo Alckmin decidiu mergulhar. Participou apenas da famosa reunião do PSDB, onde começou a lavar a roupa suja do partido com João Doria, mas, após isso, sumiu.

 Não custa lembrar que Alckmin é presidente nacional do PSDB e o partido tem seis candidatos disputando o segundo turno nos Estados. *
(*) M.M. – Coluna /Estadão

VAI COLOCAR UMA FRALDA GERIÁTRICA E…

Barroso mantém indiciamento de Michel Temer no inquérito dos Portos

Resultado de imagem para Temer criminoso charges

Charge do Aroeira (O Dia/RJ)

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu negar um pedido da defesa do presidente Michel Temer para anular o indiciamento feito pela Polícia Federal no âmbito do inquérito dos Portos. Para o ministro, não há fundamento válido para vedar a possibilidade de a PF indiciar autoridades com prerrogativa de foro.

“O indiciamento é ato expressamente previsto em lei, que não ressalva de sua incidência os ocupantes de cargos públicos. Impedir o indiciamento apenas de uma classe de pessoas, sem fundamento constitucional ou legal, configuraria uma violação aos princípios da igualdade e da República, ao conferir um privilégio exclusivo e injustificado a determinadas autoridades”, avaliou Barroso.

TRÊS CRIMES – A PF indiciou Temer pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa na investigação sobre o favorecimento a empresas do setor portuário na edição de um decreto de 2017.

A alegação dos advogados do presidente da República é a de que o ato da PF é ilegal já que a corporação não teria competência para indiciar quem tem foro por prerrogativa, como é o caso de Temer. O presidente e mais dez pessoas foram indiciadas pela PF nas investigações. A corporação também pediu o bloqueio de bens de todos os indiciados, incluindo Temer, e a prisão preventiva de quatro deles: coronel Lima e sua mulher, além de Carlos Alberto Costa e Almir Martins Ferreira, que atuaram, respectivamente, como sócio e contador do coronel.

A defesa do presidente sustenta que a jurisprudência do STF é “pacífica” sobre a incompatibilidade de a PF indiciar quem tem foro perante o STF, argumento rechaçado por Barroso.

DEFESA ERRADA – “A questão aqui versada, ao contrário do que alega a defesa, jamais foi objeto de deliberação pelo plenário desta Corte”, observou Barroso em sua decisão. Isso porque o plenário da Corte já decidiu que é nulo o indiciamento de autoridade com prerrogativa de foro quando a investigação não tenha sido previamente autorizada pelo STF. No caso do inquérito dos Portos, a apuração teve – desde o início – a supervisão da Suprema Corte.

Barroso frisou que a investigação de Temer foi “integralmente supervisionada” e todas as provas, incluindo a quebra dos sigilos bancários e fiscal e o interrogatório do presidente foram colhidas mediante autorização e controle judicial do Supremo.

JÁ INVESTIGADO – “O indiciamento somente ocorreu quando completamente finalizada a investigação, por ocasião da apresentação do Relatório Conclusivo da Polícia Judiciária. Não há, portanto, risco algum à preservação da competência do Supremo Tribunal Federal relacionada às autoridades com prerrogativa de foro, nem houve qualquer diligência investigatória realizada sem o controle desta Corte”, sustentou o ministro.

Barroso ressaltou que cabe ao delegado de Polícia fazer o indiciamento, ao Ministério Público apresentar denúncia e ao Poder Judiciário dar a sentença, “sendo vedada a interferência recíproca nas atribuições alheias, sob pena de subversão do modelo acusatório, baseado na separação entre as funções de investigar, acusar e julgar”.

Barroso lembrou ainda que neste ano o STF decidiu reduzir o alcance do foro privilegiado para os crimes cometidos no exercício do mandato e em função do cargo, no caso de deputados federais e senadores. “Com maior razão, deve esta Corte impedir a criação de novos privilégios que nem sequer possuem amparo constitucional ou legal”, concluiu o ministro.*

(*) Rafael Moraes Moura
Estadão

CONVERSA MOLE PRA BOI DORMITAR

Ibope aponta que WhatsApp teve efeito limitado no 1º turno

De acordo com a pesquisa realizada acerca do tema, Bolsonaro e Haddad teriam sido afetados na mesma proporção

Apenas 6% afirmam ter recebido campanha negativa pelo aplicativo e admitiram que isso influenciou seu voto

A mais recente do Ibope/Estadao/TV Globo divergiu do que vem sendo discutido nos últimos dias e trouxe uma nova perspectiva para o debate referente a influência do WhatsApp nas eleições presidenciais. O levantamento indica que o aplicativo de mensagens teria tido um impacto limitado no resultado do primeiro turno e pode ter afetado os candidatos Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) na mesma proporção. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Três em cada quatro eleitores ouvidos pelo levantamento afirmaram não terem recebido mensagens desfavoráveis a nenhum presidenciável na semana anterior ao primeiro turno. As respostas referentes a exposição a propaganda negativa no segundo turno não indicaram que um candidato tenha sido mais afetado que o outro.*

(*) UOL

TIRO NO PÉ

Haddad não se desculpa por

fake news sobre Mourão

Fernando Haddad foi ao Rio hoje para se encontrar com representantes de igrejas evangélicas, informou o Estadão.

Na saída, o poste de Lula deu uma entrevista em que foi questionado sobre sua acusação de que Hamilton Mourão teria torturado o cantor Geraldo Azevedo no regime militar —desmentida pelo vice de Jair Bolsonaro, que tinha 16 anos à época dos fatos, e pelo próprio cantor.

Haddad respondeu que recebera a informação de “fonte fidedigna”, Azevedo, e que uma pessoa torturada estava sujeita a esse tipo de confusão. Também disse que isso não mudava em nada o fato de o general elogiar a ditadura.

Pedido de desculpas pelas “fake news”? Zero, nenhum.*

(*) O ANTAGONISTA