OS CANALHAS RESPONSÁVEIS

Mineradoras financiaram deputados mineiros

Em Minas Gerais, as mineradoras financiaram campanhas eleitorais de 46 dos 53 deputados federais eleitos para a Câmara dos Deputados, informa o jornal O Tempo. O que mais recebeu doações foi Leonardo Quintão (MDB), com R$ 1,9 milhão, à frente de Luiz Fernando (PP), com R$ 1,19 milhão, e Marcos Montes (PSD), com R$ 989 mil. Montes é hoje secretário-executivo do Ministério da Agricultura. Todas eles afirmaram à publicação que as doações foram registradas legalmente. A lista inclui parlamentares de 17 partidos, com destaque para o PT (8), PSDB (6) e PP (5).

E NO QUARTEL DE ABRANTES…

O assessor de Bolsonaro que será defenestrado

Na revista digital Crusoé, Filipe Coutinho e Igor Gadelha relatam que um ex-PM que prestou serviços a um casal de estelionatários foi nomeado para ser “assessor especial” do Gabinete Pessoal da Presidência da República.

Ao ser indagado sobre o assunto pela revista, o Planalto respondeu que o ex-PM será exonerado.

Mal entrou e já saiu.

RAPOSA NO GALINHEIRO

Vale põe réu do caso Mariana para negociar com o governo sobre Brumadinho

Diretor-executivo de Ferrosos e Carvão da Vale, Poppinga participou de reunião com o presidente da Vale, Fábio Schvartsman, e o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, nessa terça para tratar de questões sobre Brumadinho. O executivo foi um dos responsáveis por elaborar a proposta que a Vale apresentou ao governo relativa ao encerramento de atividades de todas as barragens de rejeitos de mineração do modelo a montante, o mesmo que desabou em Brumadinho e Mariana.

PARTICIPAÇÃO – Na denúncia apresentada em 2015, a Procuradoria da República em Minas aponta que, nas duas reuniões que  Poppinga participou no Conselho de Administração da Samarco, foram tratadas a situação da barragem de Fundão. Na primeira delas, em 15 de abril daquele ano, segundo o MPF, o executivo foi informado das falhas na barragem.

“Também teve acesso à imagem da barragem com o Dique 1 recuado junto à ombreira esquerda, em desconformidade com o projeto e o manual de operações; e já alteada em aproximadamente 5 metros em relação à cota da última apresentação realizada ao Conselho”, assinalam os procuradores na acusação.

Já na segunda reunião, em agosto daquele ano, o MPF aponta que o executivo foi avisado de várias medidas de corte de custos da empresa, e recomendou que fossem feitos mais cortes.

CORTE DE GASTOS – “O Conselheiro também recomendou estudos de alternativas para redução dos gastos com projetos de sustentabilidade da operação, dentre eles o alteamento de Fundão até a cota 920, em curso no momento do rompimento”, segue a acusação, que aponta que Poppinga teria se omitido “de forma consciente e voluntária de exercer de forma suficiente e adequada seus deveres de organização, coordenação e vigilância geral das atividades da empresa”.

No fim do ano passado, a defesa de Poppinga entrou com um habeas corpus junto ao Tribunal Federal Regional da 1ª. Região (TRF-1) para que ele não fosse julgado pelo crime de homicídio doloso, ou seja, aquele com intenção de matar. Assim como outros réus do caso, os advogados do executivo defendem que ele responda pelos crimes de desabamento seguido de morte. A justiça ainda não decidiu sobre o pedido.

SEM PASSAPORTE – Em 2015, Poppinga, que era conselheiro da Samarco — empresa denunciada pelo rompimento da barragem de Mariana e que tem a Vale como acionista — chegou a ter o passaporte apreendido. Procurada, a defesa de Poppinga não quis se manifestar.

Em nota, a Vale informou que Poppinga “assumiu a função de conselheiro da Samarco  no início de 2015 e participou unicamente de duas reuniões do Conselho de Administração daquela empresa” e que ele “jamais teve envolvimento ou interação com questões operacionais da Samarco”.

Sobre a participação dele na reunião de terça, a empresa diz que “seu papel não é de negociador, e que ele apenas integrou a comitiva na condição de representante institucional da empresa”.*

(*) Bela Megale e Mateus Coutinho
O Globo

HOMENS PROBOS

Beto Richa perde cela especial na PM

O ex-governador tucano Beto Richa foi transferido do Regimento da Polícia Montada para o Complexo Médico Penal, em Pinhais.

A perda da cela especial foi determinada pelo juiz Paulo Sérgio Ribeiro.

 

Lula, ex-presidente, seguirá por quanto tempo nas dependências da Polícia Federal?*

(*) O Antagonista

BOLA OU BÚRICA?

Jogo que definirá sucesso de Bolsonaro começa agora
Êxito na Previdência pode reforçar agenda retrógrada do presidente em outras áreas

Chegou a hora para Jair Bolsonaro que definirá se o Brasil escapa de um desastre recessivo e inflacionário ou se ganhará fôlego para crescer sem grandes impedimentos.

O novo Congresso abre nesta sexta (1) e estabelecerá a força que o presidente terá nas reformas econômicas, sobretudo a da Previdência.

Na Câmara, Rodrigo Maia (DEM), pró mudanças, já conta com os votos para ser reconduzido à presidência. No Senado, a candidatura de Renan Calheiros (MDB) é incerta, mas o alagoano promete mudar para se alinhar ao poder.

“Você conhecia o velho Renan. O novo chega sexta e vai discordar do outro em muita coisa. O outro era mais estatizante. Este será um Renan liberal, que vai ajudar a fazer as reformas”, anunciou Renan.

O PSL de Bolsonaro larga atraindo aliados e empatado com o PT como maior partido na Câmara (55 deputados cada). Mas a oposição promete tentar barrar a conquista dos 308 votos (em 513 deputados) necessários para aprovar a reforma da Previdência necessária para tirar o país da insolvência.

Em 2018, pelo quinto ano consecutivo, o governo federal fechou no vermelho, cravando a pior sequência de déficits desde a Constituição de 1988.

A grande diferença de lá para cá é que a carga tributária saltou de 24% do PIB para 32,5%, tornando inviável onerar mais a sociedade para bancar rombos insustentáveis.

Enquanto o Tesouro economizou R$ 76 bilhões no ano passado com cortes em todas as áreas, só o déficit recorde da Previdência atingiu R$ 195 bilhões. Ou seja, sem a reforma do sistema, será inútil o governo diminuir ao mínimo suas despesas.

Estima-se em US$ 100 bilhões o potencial de investimentos estrangeiros que poderão vir ao Brasil caso uma reforma da Previdência decente seja aprovada.

Parte do dinheiro viria também para sustentar o próprio governo, ampliando a participação internacional no financiamento da dívida pública —o que a tornaria mais leve. Hoje, menos de 12% da dívida é financiada por estrangeiros, ante 25% em países como México e Rússia.

Se o perigo de insolvência for afastado com a reforma, haverá também forte valorização de ativos no Brasil (como ações na Bolsa, que financiam empresas, e imóveis), favorecendo mais investimentos e a criação de empregos.

O paradoxo é que o sucesso da Previdência, se houver, reforçará a agenda retrógrada de Bolsonaro em outras áreas, tendo como base uma economia mais forte.

Mas não será esse o motivo para a oposição votar contra. Trata-se só de cegueira ideológica diante da grave crise fiscal em que estamos metidos.

(*) Fernando Canzian – Folha de São Paulo

171 JURAMENTADA

Sem diploma, Damares já se apresentou como mestre em educação e direito

Após ser questionada sobre formação acadêmica, ministra diz que título é bíblico

Num de seus discursos mais famosos, ao menos até virar ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves se apresenta à plateia: não estão diante apenas de uma pastora, mas de “uma advogada” que é também “mestre em educação” e “em direito constitucional e direito da família”.

Títulos acadêmicos, contudo, que a titular na Esplanada de Jair Bolsonaro nunca teve de fato, como a própria disse, por meio da assessoria de imprensa do ministério, após ser questionada pela Folhapor três semanas sobre quais eram as instituições em que ela adquirira os alegados mestrados.

Damares não possui currículo no Lattes, uma plataforma mantida pelo CNPq (conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) para agregar trabalhos e títulos de acadêmicos. O pesquisador não é obrigado a estar no Lattes, mas foge à praxe não ter seu nome lá.

Questionada pela reportagem, Damares afirmou que seu título tem a ver com o ensino bíblico. “Diferentemente do mestre secular, que precisa ir a uma universidade para fazer mestrado, nas igrejas cristãs é chamado mestre todo aquele que é dedicado ao ensino bíblico.”

No dia 14 de janeiro, à mesma pergunta, sua assessoria havia dito apenas que “a ministra não tem Lattes”.

A ministra não explicou por que, em palestra que deu numa igreja em Mato Grosso do Sul, em 2013, com o tema “O Cristão Diante de Novos Desafios”, ela especificou então ser mestra em categorias tão específicas quando educação e direito constitucional e da família.

Naquele dia, ela propagou na Primeira Igreja Batista de Campo Grande ideias como a de que uma técnica do Programa Nacional DST/Aids, em 2002, disse que “uma educação diferenciada poderá fazer desabrochar em todo o menino seu lado feminino, e em toda menina seu lado masculino”. Não há nenhum registro fidedigno de que essa frase seja real.

Uma pessoa com trânsito na bancada evangélica no Congresso, para a qual Damares já trabalhou como assessora jurídica, afirmou à Folhaque ela já ostentou o título em outras ocasiões.

Agora, o currículo dela publicado no site da pasta sob sua guarda diz apenas que ela se formou na Faculdade de Direito de São Carlos e em pedagogia pela Faculdade Pio Décimo.

A ministra pinça uma passagem bíblica (Efésios 4:11) para justificar a designação: “E Ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres”.

“Passei anos da minha vida palestrando para professores/mestres em seminários de escolas bíblicas e ministério infantil”, diz. “Em várias dessas palestras, parafraseei essa passagem, estimulando os professores ali presentes que se lembrassem como nós, como pastores, recebemos o ministério de mestres dentro da perspectiva cristã.”*

(*) Anna Virginia Balloussier

FOLHA DE SÃO PAULO

EM NOME DE JESUS

O dízimo de Bolsonaro

A TV Record passou de Lula para Jair Bolsonaro mais rapidamente do que Renan Calheiros.*

(*) O Antagonista

 

A PROPÓSITO

Jair Bolsonaro, em entrevista à TV Record, seu canal oficial, acobertou Flávio Bolsonaro:
 
“Ele tem explicado tudo o que acontece com ele nessas acusações infundadas. Não é justo atingir um garoto para tentar me atingir. Nós não estamos acima da lei, agora que cumpram a lei, não façam de maneira diferente para conosco.”
 
É o contrário do que ele havia dito à Bloomberg, tv americana de Nova Iorque.

UM PAÍZ APODRECIDO

Maduro cai de podre no colo da Narizinho

E o PT sempre na contramão. Em outro planeta, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), presidente do Partido dos Trabalhadores, condenou a decisão de Trump e Bolsonaro de reconhecer Juann Guaidó como presidente da Venezuela – em um pronunciamento com jeitinho de bronca que faz parecer que o PT é a grande reserva moral do continente.