MAMÃE EU QUER, MAMÃE EU QUERO MAMAR

O berreiro do desmame

Vamos ver como aguentam o berreiro de uma manada de bezerros desmamados

Nem o setor dos produtores de leite pode prescindir de tarifas de importação (diretas ou na forma de antidumping) para enfrentar competidores externos ─ Bolsonaro atendeu os produtores e disse no Twitter que o leitinho deles, em sentido metafórico, está garantido. Na mesma linha geral surge a tomada de decisão sobre o fim da isenção dada às contribuições previdenciárias dos produtores rurais que exportam.

A proposta de agenda liberal de Guedes supõe o fim dessa renúncia (cerca de R$ 7 bilhões por ano nos cofres do INSS), tanto por razões fiscais como pelo propósito conceitual mais amplo. A Agricultura diz que não faz sentido tirar refresco de um setor ─ o de exportações agrícolas ─ que ajuda substancialmente a gerar os superávits comerciais que a economia também precisa.

Essa é uma típica discussão que no Brasil (mas não só) anda em círculos há décadas, subordinada sempre ao curtíssimo prazo e às turbulências dos momentos de crise econômica e política. Que obrigaram sucessivos governos a esticar contas (aumentando impostos, por exemplo, ou deixando de investir) para atender a todos que demandam seu leitinho.

Seja pela típica estatolatria reinante no Brasil, seja pelo fato de que a mentalidade predominante no País não é liberal (nem importa classe social ou ramo de atividade econômica), seja pelo comodismo de deixar decisões difíceis para depois, o leitinho de cada um expressa a realidade de uma sociedade anestesiada pelo subsídio. O corporativismo é apenas um sintoma de um estado geral no qual se assume que o governo, no final das contas, acabará fazendo alguma coisa em meu benefício.

Este é o padrão cultural mais amplo que Bolsonaro e Guedes dizem estar dispostos a enfrentar. Por vezes ambos transmitem a sensação de confusão entre causa e efeitos. Queixam-se (com razão, aliás) que o consagrado método do “toma lá, dá cá” no Legislativo, do qual dependem para qualquer reforma fiscal significativa, embaralha as cartas na hora de proceder a reformas estruturantes quando, no fundo, esse jogo político não é outra coisa senão (pelo menos naquilo que é interesse setorial lícito e legítimo) a defesa do leitinho de cada grupo.

Bolsonaro e Guedes chegaram ao poder impulsionados por uma enorme onda de transformação política e aparentemente empolgados com a frase tão repetida segundo a qual é imperioso acabar com a mania, que no nosso caso dura séculos, de mamar nas tetas estatais. São certeiros no diagnóstico. “Todo mundo vem pedir subsídios, dinheiro para isso, dinheiro para aquilo”, desabafou Guedes na quarta-feira, falando em evento para servidores públicos. “Quebraram o Brasil”, sentenciou.

Pode ser (suposição meramente teórica) que Bolsonaro e Guedes compartilhem cada vírgula de uma idêntica visão de mundo, e cada mínimo impulso sobre como agir na política. No caso do leite em pó cederam ao “toma lá, dá cá” por sólidos motivos políticos. Querem o apoio de um setor? Serão obrigados a atender a pelo menos parte de suas demandas, num delicado jogo de equilíbrio, articulação e compensações, enquanto o ambiente político vai se tornando mais hostil à medida que o leitinho some da mesa.

Vamos ver como aguentam o berreiro de uma manada de bezerros desmamados.*

(*) William Waack (publicado no Estadão)

DURA LEX SED LEX NO CABELO SÓ GUMEX

Conversa fiada

O que realmente sustenta o movimento em favor do crime é o interesse material dos advogados que o defendem

(*) J.R. Guzzo, no blog do Augusto Nunes

OS PRÍNCIPES SERÃO OU NÃO ENQUADRADOS?

Mourão: “O presidente vai botar ordem na rapaziada dele”

Durante evento em Sorriso (MT), Hamilton Mourão, vic-presidente, comentou, há pouco, o episódio envolvendo Carlos Bolsonaro e Gustavo Bebianno:

“Essas questões são internas. Os filhos são um problema de cada família. Tenho certeza de que o presidente, em momento aprazado e correto, vai botar ordem na rapaziada dele.”

CUIDADO!!!

Pitbull no quintal

Jair Bolsonaro concordou em manter Gustavo Bebianno no Palácio do Planalto e, segundo o Estadão, garantiu que Carlos Bolsonaro “não mais interferirá nas questões do governo”.

Os interlocutores do presidente acrescentaram que essa última parte do acordo dificilmente será cumprida.

AO VIVO É TUDO DIFERENTE

Bolsonaro decide manter Bebianno no governo, dizem aliados


Ideia do presidente é que Carlos Bolsonaro, seu filho, pare de interferir nas questões do governo

 

A propósito

É claro que a demissão de Gustavo Bebianno não foi abortada apenas por eventuais consequências negativas à aprovação da reforma da Previdência.
Na conversa com Jair Bolsonaro, os ministros ressaltaram que Bebianno “é um homem com informações importantes” e que “conhece a intimidade da família”.

O QUEIMADO NÃO CAI E FRITA PRESIDENTE

Bolsonaro decide manter Bebianno no governo, dizem aliados

Ideia do presidente é que Carlos Bolsonaro, seu filho, pare de interferir nas questões do governo


Interlocutores do presidente Jair Bolsonaro afirmam que ele decidiu atender aos apelos políticos e manter o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, no cargo. Ele está envolvido em suspeitas de desvios de recursos de campanhas do PSL e entrou em atrito com o filho do presidente, Carlos Bolsonaro. O presidente também decidiu fazer com que Carlos não interfira mais nas questões do governo.

Bolsonaro ainda não conversou com Bebianno. A informação de sua permanência no governo foi dada a ele pelos colegas Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e Carlos Alberto Santos Cruz (Secretaria de Governo). Ambos fazem parte do grupo que trabalhou para amainar a crise entre Bolsonaro e Bebianno e garantir a permanência do ex-presidente do PSL no governo. Bebianno, que foi chamado publicamente de mentiroso pelo presidente e seu filho Carlos, avisou que não pediria demissão, apesar da pressão, e que caberia a Bolsonaro tomar a iniciativa se quisesse.

Quanto a Carlos Bolsonaro, o acertado de que o filho do presidente será “controlado” a partir de agora causa desconfiança de que essa parte do acordo será realmente cumprida. Carlos tem feito ataques a membros do governo e chegou a divulgar o áudio de Whatsapp do pai para corroborar seu ataque a Bebianno, a quem chamou de mentiroso.

A disputa entre Carlos e Bebianno é antiga. O ministro deixou vazar ainda na transição que o vereador integraria o governo, o que provocou críticas até mesmo de eleitores de Bolsonaro nas redes sociais condenando o nepotismo. Esse movimento tirou de Carlos a chance de despachar do Planalto.

Onyx e Santos Cruz foram ao encontro de Bebianno após conversarem com o presidente sobre o caso. Como o Estado revelou ontem, preocupados com a ação dos filhos, que em vários momentos têm trazido diferentes crises para o governo e com a proteção que eles têm recebido do pai, os “bombeiros” do Planalto entraram em campo.

Mais do que proteger Bebianno, esses interlocutores do presidente estão convencidos de que “é preciso estancar” essa ação dos filhos de Bolsonaro, que estariam prejudicando o País. Lembram que misturar família e governo nunca deu bons resultados e isso, mais uma vez, está sendo provado com seguidos episódios nestes menos de dois meses de nova administração.

Além das desavenças com Carlos, a tensão instalada entre Bolsonaro e Bebianno tem origem em suspeitas de financiamento de candidaturas laranjas pelo PSL. A crise ocorre no momento em que o Planalto tenta manter coesão para as negociações da pauta de votação mais importante no Legislativo, a da reforma da Previdência.*

(*) Tânia Monteiro, Renata Agostini e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

MAIS UM UM DESQUALIFICADO NO PODER

Zuenir Ventura: Chico Mendes é um mártir;

ministro seria reprovado no Enem

 

Na última segunda-feira, no programa Roda Viva, da TV Cultura, Ricardo Salles, atual Ministro do Meio Ambiente, disparou: “Chico Mendes é irrelevante. Que diferença faz quem é o Chico Mendes neste momento?”. Na sequência, complementou: “Chico Mendes usava os seringueiros para se beneficiar, fazia uma manipulação da opinião”. Segundo Zuenir Ventura, o ministro demonstra grande ignorância sobre o assunto. “Mesmo evitando polêmica, o vice-presidente [Hamilton Mourão] deu uma lição a seu subordinado ao dizer que Chico Mendes faz parte da história do Brasil na defesa do meio ambiente. Ele é um mártir, pode-se acrescentar, o protomártir da causa ambiental. Esse ministro seria reprovado no Enem, diz na entrevista abaixo.

Aos 87 anos, Zuenir não é apenas um dos jornalistas e escritores mais experientes do país, autor de obras como “1968: O Ano que Não Terminou” (Objetiva), mas alguém que conhece profundamente a história do ativista ambiental que lutou pela preservação da floresta amazônica e foi assassinado no final de 1988, em Xapuri, no Acre. No começo de 1989, Zuenir rumou para o estado e se embrenhou na mata para produzir uma série de reportagens sobre o assassinato de Mendes, num trabalho lhe valeu o Prêmio Esso de Jornalismo. Década e meia depois, o repórter retornou ao lugar para realizar uma grande reportagem sobre as pessoas que seguiam vivendo na floresta. Todo esse material foi reunido no livro “Chico Mendes – Crime e Castigo”, publicado pela Companhia das Letras. Eis a entrevista que o autor concedeu há pouco ao Página Cinco:

 

Ricardo Salles, atual ministro do Meio Ambiente, disse em entrevista ao Roda Viva na última segunda-feira: “Chico Mendes é irrelevante. Que diferença faz quem é o Chico Mendes neste momento?”. Como autor de “Crime e Castigo”, de que maneira você recebeu essas palavras?

– Recebi com espanto e indignação porque são palavras de elogio à ignorância. Uns têm a arrogância do saber; outros têm a da ignorância. Ele afirmou também não conhecer o líder seringueiro que dá nome ao ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) que está sob a responsabilidade dele, ministro. Pode? Mesmo evitando polêmica, o vice-presidente [Hamilton Mourão] deu uma lição a seu subordinado ao dizer que Chico Mendes faz parte da história do Brasil na defesa do meio ambiente. Ele é um mártir, pode-se acrescentar, o protomártir da causa ambiental. Esse ministro seria reprovado no exame do Enem.

Qual é a relevância que a história de Chico Mendes tem ou pode ter neste momento que o país está vivendo?

Nesse momento de intempéries, em que o país e o mundo estão sendo atingidos por tantas tragédias ambientais, a luta e as ideias de Chico Mendes são cada vez mais atuais.

No mesmo momento da entrevista, o Ministro diz que, pelo que ouve de pessoas do agronegócio, “Chico Mendes usava os seringueiros para se beneficiar, fazia uma manipulação da opinião”. Há algum sentido nessa afirmação?

É uma leviandade repetir as infâmias espalhadas pelos inimigos de Chico, herdeiros políticos dos que o assassinaram. Como ousar dizer que quem morreu pobre e deu a vida por uma causa se beneficiou dela?

Para quem ignora a trajetória e a luta de Chico Mendes, você poderia resumi-la em poucas palavras?

Chico Mendes ficou famoso e respeitado por ter desenvolvido à frente dos seringueiros táticas pacíficas de resistência contra a ação violenta de latifundiários, madeireiros e dos projetos agropecuários que viviam da derrubada da floresta, procurando substituí-la pelo pasto. A estratégia era expulsar posseiros e índios e instalar seus rebanhos nas terras devastadas pelo fogo. Por sua luta, Chico conquistou a admiração do mundo. O New York Times o considerou um “símbolo de todo o planeta” e a ONU o premiou com o Global 500. Mas ele precisou morrer para ser reconhecido em seu país como um personagem trágico que anunciou a própria morte. Matar o Chico foi mais fácil do que fazer com suas ideias. Não será um ministro irrelevante que irá conseguir.*

 

(*) Rodrigo Casarin – Blog página 5 – UOL

 

O ÚLTIMO A SAIR, APAGUE A LUZ

Damares aconselha pais de meninas a fugirem do Brasil por causa de violência


Damares coleciona polêmicas desde que foi indicada para o ministérioReproduçãoReprodução

A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, voltou a dar uma declaração polêmica ao defender uma “revolução cultural” no combate à violência contra a mulher. Em entrevista concedida nesta sexta-feira (15) à Rádio Jovem Pan de João Pessoa (confira mais abaixo), Damares disse que aconselharia pais de meninas a fugirem do Brasil por causa dos alarmantes índices de violência contra as mulheres no país.

“A gente vê um quadro que vamos precisar mudar. Recebemos uma pesquisa que diz que o Brasil é o pior lugar da América do Sul para criar meninas. Vejam só: se eu tivesse que dar um conselho para quem é pai de menina, mãe de menina? Foge do Brasil! Você está no pior país da América do Sul para criar meninas”, declarou.*

(*) Congresso em Foco