NO OLHO DO FURACÃO: CADEIA À VISTA

Rompe-se barragem de rejeitos da mina de Temer

 

Depois que o grampo do Jaburu lhe caiu sobre a cabeça, Michel Temer construiu na Câmara, às custas do déficit público, uma barragem para conter os rejeitos de sua mina. Durante um ano e sete meses, reviveu o mito do garoto holandez tentando evitar, com os dedos, que a barragem vazasse. Fora do Planalto, Temer vive a sua Brumadinho particular. Ficou preso quatro dias. Solto na segunda-feira, virou réu na quinta, no caso da mala de R$ 500 mil. Nesta sexta, Temer foi denunciado duas vezes no caso da roubalheira nas obras da usina nuclear de Angra 3.

A lama jorra sobre a biografia de Temer em catadupas. Os detritos radioativos vazam de um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez processos judiciais. Repetindo: o primeiro presidente da história a ser denunciado criminalmente um par de vezes ainda no exercício do cargo responde agora a uma dezena de processos. Antigos aliados de Temer avaliam que não há a menor chance de ele sair politicamente vivo do desastre moral que o atinge.

No Poder, Temer costumava dizer que a história reconheceria os avanços do seu governo, sobretudo na área econômica. Fora da Presidência, o personagem começa a se dar conta de que sua posteridade estava sendo construída na Polícia Federal, não no Ministério da Fazenda. A posteridade tornou-se um lugar insuportavelmente insalubre para Temer e seus ex-colaboradores. Coisa muito parecida com o inferno. *

(*) Blog do Josias de Souza

 

NO MATO E SEM CACHORRO

Quem pergunta quer saber

Não basta querer para dirigir uma nação. É preciso ter talento


O Brasil em lascas, quase parando, com seu povo desanimado e embrutecido pelas notícias que assombram até os corações mais fortes, e vem o capitão que, por obra e graça das bruxas, se elegeu presidente deste pobre país e pergunta, ao sentir que o desagrado que provoca é muitas vezes maior que a admiração que por breves momentos suscitou: “O que é que eu fiz de errado?”

A resposta é fácil e simples: decidiu que ia resolver, de uma só tacada, a sua vida e a vidinha de seus rebentos, os ‘zeros’ que sem o pai continuariam a ser zeros.

Se tivesse continuado a ser deputado, permaneceria em sua vidinha mansa e, sobretudo, evitaria o ataque que sofreu e que quase o fez bater a cachuleta. Mas, pergunta o leitor? E os garotos? Ora, os garotos que se virassem. São jovens, fortes, saudáveis e podem muito bem enfrentar o batente.

Mas não basta querer para dirigir uma nação. É preciso ter talento, inteligência, saber o lugar que ocupa e ser competente. Infelizmente, tudo isso faz falta a Jair Bolsonaro. Ele é tacanho, pouco inteligente, não sabe onde foi parar e é incompetente.

A boa revista inglesa ‘The Economist’ publica um artigo sobre o capitão intitulado “Aprendiz de presidente”. Sabe que a reforma da Previdência é vital para o Brasil, assim como sabe que para isso é necessário um líder que encaminhe e acompanhe essa pauta no Legislativo. Onde está esse líder? Aí é que está o grande problema brasileiro. Nós não temos esse líder. Nem sequer um presidente que reconheça líderes. É só ver o que ele fez com o Ministério da Educação: colocou em seu comando um colombiano que mal conhece a língua portuguesa e que ao achar conveniente citar um conterrâneo, escolheu Pablo Escobar. Podia ter escolhido Garcia Márquez, mas cruzes!, esse é de esquerda, ao passo que o rei das drogas foi um prócer de direita conservador.

Não pensem que sou xenófoba. Ou que acho que só o nativo de um país pode aprender sua língua corretamente. Longe de mim tal estultice. Sou professora de inglês e sei que um dos escritores que mais dominou a língua de Shakespeare foi um polonês, Joseph Conrad, que só aprendeu a falar inglês aos 20 anos.

Não resta dúvida que o Brasil precisa – e com urgência – encaminhar propostas de peso para desenvolver um bom sistema escolar que leve nossas crianças a se alfabetizar, a saber ler e escrever, a interpretar textos, a se familiarizar com as quatro operações e a reconhecer, de uma só olhada, as formas geométricas que dominam a natureza. Mas com o Vélez Rodriguez no manche, isso está se tornando cada vez mais difícil.

Segundo a revista – e com ela eu concordo – Bolsonaro ainda não se deu conta da importância do cargo que ocupa. Não respeita a liturgia do cargo, carrega os “zeros” para onde vai, parece que tem medo de andar desacompanhado, respeita com fervor as opiniões de seus garotos que são, e isso com muito boa vontade, pessoinhas que têm como exemplos três entes assustadores: Jair Bolsonaro, Olavo de Carvalho e Donald Trump.

A ‘The Economist’ conclui seu artigo dizendo que os democratas brasileiros não devem torcer pelo impeachment de Bolsonaro. Que ainda é muito cedo para isso. Mas adverte: “se ele não parar de provocar, seu mandato será curto”.*
(*) Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa é professora e tradutora, escreve semanalmente para o Blog do Noblat desde agosto de 2005.

QUE TIME CHINFRIM, HEIN?

Chuvas ácidas de verão

Bolsonaro desiste de Vélez no MEC e Maia desiste de Bolsonaro na reforma


Com tantas prioridades, Brasília anda em círculos, num chove e não molha que não leva a nada e atrapalha tudo: a troca de desaforos entre os presidentes da República e da Câmara e a queda do ministro da Educação, que já foi decidida pelo chefe Jair Bolsonaro e é questão de tempo – horas, ou dias.

É inacreditável que Bolsonaro tenha riscado um novo fósforo no incêndio com o deputado Rodrigo Maia, quando a sensação no governo e no Congresso era de que o pior da crise havia passado. Alguém consegue entender por que o presidente foi falar novamente que Maia está nervoso “por problemas familiares”?

Já imaginaram se o deputado devolvesse na mesma moeda e desafiasse Bolsonaro a duelar com insinuações contra a família? Ele não faz isso porque seria um golpe abaixo da linha da cintura e também porque tem boas relações com o senador Flávio Bolsonaro, que também é do Rio.

O que parece claro é que Bolsonaro vai sempre governar atacando num dia, recuando no outro, mais preocupado com três ou quatro milhões de bolsonaristas da internet do que com os 200 milhões de brasileiros. Como isso só atrapalha a reforma da Previdência, Rodrigo Maia decidiu deixar o presidente pra lá e articular com quem realmente interessa. Ontem, fez as pazes com Sérgio Moro, da Justiça, e acertou os próximos passos com Paulo Guedes, da Economia, seu principal parceiro no governo. De quebra, recebeu Onyx Lorenzoni (Casa Civil).

Funciona mais ou menos assim: todo mundo deixa Bolsonaro brincando com os filhos nas redes sociais e vai tocar a reforma da Previdência, o pacote anticrime o que mais for importante para o próprio governo e para o País sair do buraco e recuperar um lugar ao sol.

Moro repõe seus projetos na lista de prioridades, tanto na Câmara quanto no Senado, mas com um cuidado: falar mais no combate ao crime organizado e deixar o endurecimento das regras contra corrupção (que atinge partidos e políticos) a reboque. Um pequeno ajuste, ou uma pequena inversão, para reduzir resistências.

Guedes, que já deu seu recado – “Não tenho apego a cargo” –, vai fazer o que Bolsonaro se recusa a fazer e o vice Hamilton Mourão já faz naturalmente: abrir as portas do seu gabinete para grupos de parlamentares, de prefeitos, de governadores. Ou seja: ele vai articular apoio político.

Quanto ao ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez: esse é caso perdido. Bolsonaro ora diz que é fake news, ora confirma, ora é dúbio, mas a verdade é uma só e óbvia: ele já decidiu demitir Vélez, a pessoa errada, no lugar errado, na hora errada.

Aliás, o próprio Bolsonaro disse em entrevista à Rede Bandeirantes o que todo mundo sabe: “O MEC não está dando certo”. E explicou por quê: “Você tem que ter poder de comando, exercer autoridade, indicar pessoas corretas”. Vélez não comanda nada, nem sabia do adiamento da avaliação da alfabetização; não tem autoridade, já que os técnicos, os militares e os “olavetes” da pasta se engalfinham à luz do dia; e há controvérsias se ele realmente escolheu as pessoas corretas para cada órgão, depois de seis recuos e 15 exonerações. Em três meses, nada andou no MEC.

Vélez não tem apoio do setor, nem dos generais, e acabou de perder o do padrinho Olavo de Carvalho. Logo, só falta uma coisa: arranjar alguém disposto a descascar “esse abacaxi do tamanho de um bonde”, segundo o ministro. Um abacaxi com bilhões de reais de orçamento e bilhões de problemas a resolver.

Moro. A foto de Maia com Bolsonaro, dias atrás, teve 3.700 curtidas no Instagram. A dele com Moro, ontem, bateu em 6.500 até as 16 horas e continuava crescendo. Brigar com Moro é pior do que com Bolsonaro.*

(*) Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo

BATEU DESESPERO

Desemprego sobe, PIB desacelera

O desemprego subiu para 12,4%, segundo o IBGE.

Hoje, há 13,1 milhões de desempregados no país.
A previsão do Banco Central para o aumento do PIB em 2019 também caiu cerca de meio ponto percentual.

Se houver reforma da Previdência, o Brasil crescerá neste ano 2%, no máximo.

Sem reforma, a recessão é certa.*

(*) O Antagonista

INCOMPETÊNCIA GENERALIZADA

Com Vélez enfraquecido, ala militar quer tenente-brigadeiro no comando do MEC

Nomeação de Ricardo Machado como secretário-executivo é vista como ultimato


Com o enfraquecimento de Ricardo Vélez Rodríguez, o núcleo militar do governo Jair Bolsonaro avalia que a queda do ministro da Educação é questão de tempo e passou a defender que o tenente-brigadeiro Ricardo Machado Vieira assuma o comando da pasta.

O ex-assessor especial do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) foi nomeado para o posto de secretário-executivo do MEC nesta sexta-feira (29) e, na avaliação da cúpula militar, a iniciativa serviu para dar um ultimato a Vélez: se ele não mudar de postura, Bolsonaro tem um nome para substituí-lo.

O militar foi escalado, segundo assessores presidenciais, para reorganizar o ministério, que tem sido criticado por fazer demissões polêmicas, desarticular iniciativas e interromper programas. E também em uma tentativa de enfraquecer o núcleo ideológico próximo ao escritor Olavo de Carvalho.

Na manhã desta sexta-feira (29), Bolsonaro e Vélez se reuniram para discutir alterações na pasta. O encontro ocorreu um dia depois de o presidente ter afirmado que Vélez é “novo no assunto” e “não tem tato político”. Na saída de jantar na quinta-feira (29), Bolsonaro não quis responder se o ministro ficará no posto.

Em conversas reservadas, o presidente tem afirmado que só efetuará uma alteração no comando da pasta após seu retorno de viagem a Israel. Ele embarca no sábado (30) e a expectativa é de que só retorne ao Brasil na noite de quarta-feira (3).

A pretensão do núcleo militar, no entanto, tem esbarrado na pressão da bancada evangélica, que, antes mesmo do presidente assumir o mandato, conseguiu barrar a indicação para a vaga do educador Mozart Ramos, do Instituto Ayrton Senna.

Agora, o bloco cristão trabalha pela nomeação do senador Izalci Lucas (PSDB-DF), que esteve na quinta-feira (28) no Palácio do Planalto. O núcleo militar não tem resistência à nomeação do tucano, mas pondera que, assim como Vélez, ele corre o risco de virar refém do campo ideológico.

Vélez foi indicado ao cargo por Olavo, com apoio de dois dos filhos presidente: Eduardo e Carlos Bolsonaro. A interlocução do ministro com o Palácio do Planalto é feita por meio do assessor Filipe Martins, assessor  para assuntos internacionais. *

(*) Gustavo Uribe – Folha de São Paulo

DESERTO DE IDÉIAS

Chuva de verão, seca de inteligência

Passou o sururu, diz presidente, mas problema da coalizão política continua na mesma


A turumbamba do governo com o Congresso passou, como chuva de verão, afirmou Jair Bolsonaro.

Depois do verão vem a estiagem. Na seca, um tempo crônico de vacas magras e de ministérios mais gordos na mão de militares, o que o presidente pode ou quer oferecer aos parlamentares?

Depois do sururu, o problema continua quase do mesmo tamanho. Trata-se de dividir poder, cargos e verbas; de impedir que as falanges bolsonaristas avacalhem parlamentares nas redes insociáveis.

Bolsonaro poderia aparecer com uma reforma ministerial e partilhar pedaços do governo, mas:

1) não quer, por enquanto, ao menos;

2) não pode fazê-lo, sem mais, sem desmoralização, pois a rejeição do que chama de “toma lá dá cá” é uma questão de honra para o núcleo puro do bolsonarismo;

3) ainda que conhecesse as artes de como fazer tal reforma, agora faltam-lhe meios. Entregou parte do ministério a militares. O que sobra é pouco, dada a fragmentação ainda maior do Congresso, partidos demais para uma dança de poucas cadeiras;

4) caso aproveitasse essa reforma para dar jeito em ministérios como Educação, Casa Civil, ou Turismo, teria de dividi-los entre condomínios de partidos e, de resto, colocar lá alguém de confiança. Entregar ministério de porteira fechada é de fato um risco letal. Difícil.

Em que termos vai se dar então a “nova articulação política” do governo? Dinheiro não haverá. A receita federal está perto da estagnação, despesas crescem de modo vegetativo. O investimento em obras será ainda mais talhado. Em breve, vamos ouvir queixas da construção civil, a infraestrutura vai ruir aos poucos, universidades e hospitais irão à míngua.

Ficar em bons termos com Rodrigo Maia, presidente da Câmara, ajuda. Isto é, dar-lhe salvo-conduto, proteção contra as falanges virtuais e poder de negociação em nome do governo: apoio para o serviço de premiê improvisado que Maia desde o início ofereceu.

Bolsonaro vai controlar seu núcleo puro, as falanges virtuais, seus filhos e assessores fundamentalistas?

Semana sim, semana não, a depender do tamanho do estrago e da pressão dos conselheiros militares, a turma volta para a casinha, para logo fugir de lá. O problema essencial, na verdade, é que Bolsonaro mesmo mora nessa casinha mal-assombrada.

Em termos materiais, o governo tem à disposição centenas de postos para distribuir ao parlamentariado. Difícil saber se essa solução de varejo vai satisfazer necessidades e ambições de pelo menos meia dúzia de líderes partidários com poder de fazer estrago.

Vários de seus liderados podem levar superintendências ou delegacias regionais disso ou daquilo, mas a soma dessas partes pode não dar em um todo articulado, votos de um partido.

Fazer “articulação política” apenas no puro varejão é uma experiência nova tocada por essa gente que até agora não demonstra capacidade alguma de coordenar governo.

Outro modo de organizar a massa é dar poder à “velha política”, parlamentares mais capazes e experientes. Há gente no MDB, no PSDB e no DEM etc. disposta a prestar o serviço. Alguns já o fazem, em tempo parcial ou com emprego intermitente, como na reforma trabalhista.

Para que funcione, precisariam assumir posições de comando, de fato, dentro do Planalto. Seria preciso combinar com o general Santos Cruz e dar um chega para lá em Onyx Lorenzoni. Não foi possível apurar se o governo ao menos entende esse problema, quanto mais se quer resolvê-lo.

(*) Vinicius Torres Freire – Folha de São Paulo

DITADURA, NUNCA MAIS!

“Ditadura: a esquerda que dobre a língua, ao presidente o que lhe cabe

Eis que Jair Bolsonaro determinou às Forças Armadas celebrar o golpe militar de 1964. Segundo o porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, a ordem parte de uma premissa simples, embora divorciada da realidade: na opinião do presidente, não houve golpe, mas um movimento que “recuperou e recolocou o país em um rumo”. Houvesse sido de outra maneira, concluiu o porta-voz, “hoje nós estaríamos tendo algum tipo de governo aqui que não seria bom para ninguém”.

Como manda a lógica, tal narrativa deságua na afirmação de que não houve uma ditadura no Brasil. Ou seja, o Estado matou, torturou, cassou direitos políticos, fechou o Congresso e restringiu a liberdade das pessoas, mas, ditadura, nem pensar.

Ato contínuo, hoje mesmo a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP), líder do governo no Congresso, apoiou com entusiasmo a ideia do mandatário. Segundo ela, o evento representaria uma “retomada da verdadeira narrativa da nossa história”.

Previsivelmente, tanto a postura de Jair quanto a de Joice não passaram despercebidas; setores da esquerda logo reagiram, lançando mão de imagens fortes e dados que comprovam a barbárie imposta pela tirania militar. Fatos indefensáveis sob qualquer ponto de vista democrático e humanitário, mas que, todavia, perdem força quando são instrumentalizados por pessoas sem condições morais para condená-los.

Pois em que pese seja essa uma realidade dura a ser enfrentada, o contraponto à falta de empatia bolsonarista, um deboche com pitadas de sadismo em relação ao sofrimento de milhares de brasileiros, se oferece manco do ponto de vista político. E assim o é porque os partidos de oposição não apenas tecem elogios, mas desde sempre prestam apoio formal a regimes de força ideologicamente alinhados às suas visões de mundo — Nicolás Maduro é mera atualização desse rito.

Para nossa sorte, há também figuras históricas ligadas à esquerda que amadureceram com o passar do tempo e hoje são capazes de fazer reflexões honestas sobre o período que culminou com a ditadura militar brasileira. Fernando Gabeira e Eduardo Jorge, apenas para citar dois exemplos, jamais se furtaram a admitir as reais intenções da esquerda àquela época, tampouco prenhes de valores democráticos.

A boa notícia, no entanto, é que a sociedade não precisa da representação do PT ou do PSOL para se indignar frente a esse absurdo posicionamento do governo. Assim como o sujeito, por mais avesso que seja aos preceitos da esquerda, não é obrigado a aceitar a naturalização de torturas, assassinatos e a castração de direitos outrora forçados pelos militares e agora exaltados pela gestão Bolsonaro.

Desgraçadamente, a ordem do presidente da República para que a primeira linha de uma página nefasta em nossa história seja celebrada vai ao encontro de outros dois momentos recentes e também preocupantes: quando elogiou Alfredo Strossner, o pedófilo ditador paraguaio, e Augusto Pinochet, verdugo sanguinário chileno por mais de 17 anos.

Jair Bolsonaro tem o hábito de acusar a imprensa por quase tudo, mas principalmente por pintá-lo com tintas severas além da conta, injustas, capazes de denegrir a sua imagem aqui e no exterior.

Se o faz por excesso de cinismo, ou de modéstia, só o tempo dirá.”*

(*) Mario Vitor Rodrigues, Gazeta do Povo

É APENAS MAIS UM LUNÁTICO DO GOVERNO

““Só me demito se o presidente da república pedir”, afirma ministro da Educação

 Na manhã desta quarta-feira (27), enquanto o MEC (Ministério da Educação) vive uma crise que envolve demissões, disputas entre grupos e recuos de ações, o ministro da pasta, Ricardo Vélez Rodríguez, foi convidado a dar esclarecimentos na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados.

DIÁRIO DE CLASSE: O mínimo que você precisa saber para entender o que acontece dentro de escolas e universidades

Sabatinado das 10h às 15h, o colombiano foi, sobretudo, pressionado por deputados que cobraram ações e metas mais consistentes. E, embora muitos parlamentares tenham criticado sua administração e pedido por sua saída, ele afirmou que não irá renunciar: “Só me demito se o presidente da República pedir, se ele achar que minha colaboração não está sendo adequada”. Vélez também respondeu a perguntas sobre as demissões no MEC, influência de Olavo de Carvalho e Lava Jato da Educação. Confira abaixo:

Demissão no INEP: presidente “puxou o tapete”

Questionado sobre as muitas exonerações na pasta de Educação desde o início do novo governo, Vélez afirmou que todas foram motivadas “por critérios técnicos”. “Quanto às mudanças no aparelho administrativo do MEC, tenho me pautado, sobretudo, por critérios administrativos, e não critérios políticos”, disse.

Em relação a Marcus Vinicius Rodrigues, presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos Educacionais) demitido na noite desta terça-feira (26), Vélez disse que ele “puxou o tapete”. “O presidente do Inep puxou o tapete, ele mudou de forma abrupta o entendimento que já tinha sido feito para preservação da BNCC (Base Nacional Comum Curricular) e fazer as avaliações de comum acordo com as secretarias de educação estaduais e municipais”, afirmou o ministro.

Nesta semana, uma portaria do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Educacionais) suspendeu a avaliação de alfabetização. No dia seguinte, a pasta voltou atrás.

Olavo de Carvalho: “Brigas políticas dele são outros 500”

Ainda sobre as demissões, e questionado sobre a influência do filósofo Olavo de Carvalho nas mudanças, o ministro afirmou que “valoriza nele as ideias gerais; de formação humanística através da leitura de obras literárias, que, aliás, não são exclusivas dele, há muitos outros formadores que têm essa mesma proposta. Só isso”.

Ele finalizou a discussão sobre o assunto dizendo que “as análises e brigas políticas dele são ‘outros 500′”. “Não tomo conhecimento disso”, afirmou.

Lava Jato da Educação: “Honestidade total, não toleramos desvios”

Desde o anúncio da Lava Jato da Educação, projeto que promete investigar supostos favorecimentos indevidos em alguns programas do setor, Vélez e o MEC como um todo têm sido amplamente criticados. O próprio presidente Jair Bolsonaro afirmou que sabia que a criação da medida poderia “acarretar greves e movimentos coordenados”.

Na audiência pública desta quarta, não foi diferente. Questionado sobre o programa anunciado, o ministro da Educação disse que uma das linhas gerais de políticas públicas a ser seguida pela pasta é a “honestidade total sobre dinheiros públicos”. “Há uma série de falhas que encontramos no MEC, nas gestões anteriores (…) há elementos danosos para o orçamento, para o dinheiro público, o tesouro e sociedade brasileira. Não somos polícia, juízes, magistrados. Mas como funcionários públicos que ficaram sabendo de desmandos, temos a obrigação moral de tornar ciente, a quem dê direito, desses fatos. E é isso que temos feito”, afirmou.

“Não toleramos desvios, de forma alguma, e, por isso, criamos a Lava Jato do MEC”, disse aos deputados. “Nossa prioridade é ‘desengessar’ o MEC e colocá-lo a serviço do município”.

Pedidos de renúncia: “É um abacaxi do tamanho de um bonde, mas topei”

Durante a sabatina, vários deputados, questionando sua administração, ‘sugeriram’ a Vélez que ‘fizesse suas malas’ e deixasse o cargo. Ele, no entanto, afirmou, em vários momentos, que não irá deixar o posto.

“Não vou sair”; “Não seguirei dicas para renunciar”; “Não renuncio, não faz sentido”; “Só me demito se o presidente da República pedir, se ele achar que minha colaboração não está sendo adequada”; “É um abacaxi do tamanho de um bonde, mas topei”, disse, com firmeza, aos deputados presentes.”*

(*) Gazeta do Povo