BAGRE ENSABOADO

Renan Calheiros, até agora impune, é o novo alvo preferencial da Procuradoria

A procuradora-geral Raquel Dodge solicitou ao ministro Fachin a abertura de 18 investigações preliminares envolvendo senadores e deputados federais do MDB, PT e PROS.

MAIS INQUÉRITOS – Após a instauração dessas investigações preliminares, Dodge pode pedir a abertura de novos inquéritos ou compartilhar os termos de colaboração dos lobistas com inquéritos já em andamento contra Renan Calheiros e seu grupo político.

A PGR também enviou trechos da delação, que não estão protegidas pelo foro privilegiado, para a Lava-Jato de primeira instância em Curitiba e do Rio de Janeiro — neste caso, por acusações de repasse de propina ao ex-presidente da Eletronuclear almirante Othon Pinheiro.

A delação dos lobistas foi homologada no fim de novembro pelo ministro Fachin, como revelou O Globo. Jorge Luz, decano dos lobistas da Petrobras, fez acusações a Renan Calheiros em pelo menos dois anexos de sua delação premiada. O lobista acusou Renan e seu grupo político de receber propina de R$ 11,5 milhões proveniente de contratos de navios-sonda da Petrobras da diretoria Internacional, então comandada por Nestor Cerveró.

CONTAS NO EXTERIOR – Os repasses teriam sido feitos por meio de transferências a contas no exterior indicadas pelo ex-deputado federal Aníbal Gomes (MDB-CE), citado como intermediário de Renan no recebimento de propina. Luz também afirma que se reuniu diversas vezes com Renan no Senado para discutir cobranças de propina na Transpetro, subsidiária da Petrobras.

Já há um inquérito em andamento contra Renan Calheiros sobre o caso dos navios-sonda, que foi delatado por Jorge Luz. No relatório final, a Polícia Federal atribuiu ao senador os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, acusando-o de ser beneficiário dos recursos pagos no exterior.

Os investigadores descobriram que a conta que recebeu os pagamentos pertencia ao dono do grupo Petrópolis (cerveja Itaipava), Walter Faria. Após a conclusão do inquérito pela PF, este caso encontra-se na PGR para oferecimento de denúncia ou arquivamento. A delação de Luz deve ser usada nessa investigação, dentre outros casos.

MUITOS RÉUS – São mais de 50 autoridades públicas acusadas na delação dos lobistas, dentre elas funcionários de primeiro e segundo escalão da Petrobras que ainda não aparecem nas investigações da Lava-Jato. Também há acusações de pagamentos de propina a políticos estrangeiros. Os lobistas entregaram extratos bancários de suas contas no exterior e outras provas para comprovar os repasses.

Negociada por mais de um ano, a delação de Jorge Luz foi assinada no fim do ano passado pela PGR e agora começa oficialmente a dar início a investigações.

Procurado por meio de sua assessoria de imprensa, Renan negou as acusações dos lobistas: “O senador Renan Calheiros não encontra Jorge Luz há mais de vinte anos, jamais teve qualquer negócio com ele ou com seus parentes. A delação é completamente mentirosa, cita Renan em uma eleição que ele sequer foi candidato. A própria Polícia Federal já analisou as declarações desse delator em outra ocasião e afirmou não haver nada contra o senador. A investigação mostrará isso”.*

(*) Aguirre Talento
O Globo