FRACASSO PRECOCE

Bolsonaro pede socorro

(Arte de Antônio Lucena)
A que serve o texto de Paulo Portinho, 46 anos, professor de finanças e filiado no Rio de Janeiro ao partido NOVO, compartilhado ontem nas redes sociais pelo presidente Jair Bolsonaro?

Serve para justificar o fracasso do governo Bolsonaro até aqui. E para culpar pelo fracasso as corporações, o Congresso, os partidos políticos e até Supremo Tribunal Federal.

Foi por isso que Bolsonaro o distribuiu aos cuidados de quem pudesse interessar, delegando mais tarde ao seu porta-voz oficial a tarefa de ler uma explicação que ele ofereceu para ter feito o que fez:

“Venho colocando todo o meu esforço para governar o Brasil. Os desafios são inúmeros e a mudança na forma de governar não agrada àqueles grupos que no passado se beneficiavam das relações pouco republicanas. Quero contar com a sociedade para juntos revertermos essa situação e colocarmos o país de volta ao trilho do futuro promissor. Que Deus nos ajude”.

Em resumo, Bolsonaro endossa o que Portinho escreveu e pede diretamente à sociedade que o ajude a reverter a situação para pôr o país de “volta ao trilho do futuro promissor”.

É um pedido de socorro justo quando ele está acuado por derrotas colhidas no Congresso, a falta de dinheiro para fazer qualquer coisa, o ronco das ruas insatisfeitas e os rolos do seu filho Flávio.

Como candidato a presidente, Bolsonaro se disse disposto, caso fosse eleito, a quebrar “o sistema”. Como presidente, acusa “o sistema” de querer quebrá-lo, inviabilizando o seu governo.

De fato, o maior responsável por sua desgraça é ele mesmo. Candidatou-se só para ajudar à eleição dos filhos. A facada e a fraqueza dos demais candidatos o empurraram para o alto. E aí…

Aí o resto é história conhecida. Não estava pronto para ser presidente. Não tinha um projeto para o país. Carecia de nomes para compor o governo. E não queria, como não quer, compartilhar o poder.

A política não admite vácuo. Na ausência de um governo que saiba o que fazer, o Congresso se prepara para funcionar como uma espécie de governo paralelo, impondo sua agenda à falta de outra.

No que vai dar tudo isso? Numa crise institucional? Em mais um impeachment? Na renúncia forçada ou voluntária de um presidente sem condições para tocar suas tarefas? Em conflitos de ruas?

Desde antes da posse de Bolsonaro houve um esforço considerável de todas as partes envolvidas no jogo do poder para normalizá-lo como se isso fosse possível. Não deu certo até agora. Dará? Ninguém sabe.

Segue o baile, como costuma repetir o vice-presidente Hamilton Mourão.*

(*) Blog do Ricardo Noblat