ZERO UM, ZERO DOIS…LONA!

Sinal amarelo para o Zero Três

Logo que anunciou que indicaria o deputado Eduardo Bolsonaro para embaixador do Brasil em Washington – afinal tinha que ser o filho de alguém e por que não poderia ser o dele? -, o presidente Jair Bolsonaro espalhou a notícia de que Donald Trump talvez retribuísse nomeando seu filho embaixador no Brasil.

Era fake, como se revelou em seguida. Nem Trump queria mandar o filho para cá, nem seu filho queria vir. Logo a Casa Branca se apressou a desmentir a notícia. E, para que não restasse dúvidas, agora confirmou que o novo embaixador americano no Brasil será  o experiente diplomata de carreira Todd Chapman.

O cargo está vago desde novembro último. O nome de Chapman ainda será submetida ao crivo do Senado americano e, depois, ao governo brasileiro. Ele fala português com fluência e já serviu outras vezes por estas bandas. A opção de Trump foi por um perfil técnico de alguém que conhece o Brasil. Negócios são negócios.

Não se sabe se Chapman aprecia feijoada e caipirinha, ou se sabe fazer uma coisa ou a outra. Certamente nada disso pesou na sua escolha em contraste com os atributos mais alardeados de Eduardo pelo próprio pai. Ou seja: Eduardo é amigo da família Trump, fala inglês (rudimentar) e gosta de fritar hambúrguer.

Ouvidos por este blog, dois membros da Comissão de Relações Exteriores do Senado disseram que a indicação de Chapman para embaixador no Brasil poderá enfraquecer as chances de aprovação do nome de Eduardo para o cargo que ele tanta deseja, e o pai também. A conferir.*

(*) Blog do Ricardo Noblat

MAR DE ALMIRANTE PARA RADICALIZAR

Uma conjuntura muito favorável ao poder, mas com aquele probleminha

O modus operandi congressual do bolsonarismo vai ficando cada vez mais nítido. Não há obsessão por tratorar o Legislativo. No plano parlamentar, aceita-se o jogo. O que os parlamentares perderam em espaço político na Esplanada, ganharam em oportunidades de protagonismo. O governo manda os projetos, o Parlamento faz quase o que bem entende, depois o presidente veta, e o Legislativo também derruba os vetos que deseja.

Não sei se chega a ser uma nova política, mas tem boa dose de novidade, ao menos neste último meio século. Nos governos militares, o Congresso, quando estava aberto, era uma máquina carimbadora do Executivo, graças também ao bipartidarismo, aos atos institucionais e às cassações periódicas de mandatos. Quando nada disso era suficiente vinha o fechamento. Como por exemplo no Pacote de Abril de 1977.

Depois nasceu a Nova República, uma oportunidade do país aos políticos. Mas Tancredo Neves morreu, José Sarney virou um presidente não tão forte, e sofreu a dualidade de poder imposta pela Constituinte e Ulysses Guimarães. E teve de escancarar a máquina aos políticos para sobreviver. Sucedeu-o Fernando Collor, que quis fazer uma nova política e acabou derrubado. Por questiúnculas, como Dilma Rousseff um quarto de século depois.

E surgiu Fernando Henrique Cardoso para derrotar o PT de Luiz Inácio Lula da Silva, que estava forte depois da queda do seu antípoda, Collor. FHC governou à moda tradicional, e teve tranquilidade, também porque a nova política tinha dado errado. E graças à velha e boa política o tucano sobreviveu à debacle do Real na transição do primeiro para o segundo mandato. O país parecia vacinado contra impeachments. Parecia.

Agora Jair Bolsonaro propõe uma nova oportunidade para um modelo que falhou duas vezes.

Verdade que o atual presidente faz isso numa conjuntura excepcionalmente favorável. Para começar, dois terços do Congresso estão potencialmente alinhados com a agenda do Executivo. O governo acha, e tem uma dose de razão, que mesmo se nada fizer o Legislativo terá de andar na linha do Executivo, pois os deputados e senadores não terão como explicar aos seus eleitores se fizerem diferente.

E o financiamento empresarial de campanhas está vetado, o que diminui a atratividade da ocupação de certos espaços ministeriais e nas estatais. Claro que sempre o olho pode crescer. Mas o mar não está pra peixe. E os partidos estão razoavelmente abastecidos pelos recursos públicos para sobreviver e fazer suas campanhas. Então, se o Planalto executa com competência o orçamento das emendas, tem combustível para navegar.

Para ajudar, o reinado absolutista da Lava Jato parece ter entrado no seu até agora pior inverno. E Bolsonaro tem assim facilitada a tarefa de recolocar o gênio dentro da garrafa, ou pelo menos tentar. Era previsível, e foi previsto, que o Bonaparte saído das urnas precisaria restabelecer o Poder Moderador do Executivo, tradicional desde que D. Pedro I fechou a Constituinte e outorgou a primeira Carta do Brasil independente.

Nisso, no essencial, Planalto, Congresso e Supremo vêm jogando juntos, pois interessa a todos acabar, ou pelo menos reduzir, a disfuncionalidade institucional em que o país foi atirado desde que Executivo e Legislativo ficaram acuados pela Lava Jato. E, enquanto esta permanece uma ameaça letal, seria pouco inteligente os três lugares geométricos da Praça dos Três Poderes ficarem de mimimi uns com os outros.

Sem contar que o PT não está propriamente infeliz com o esforço bolsonarista para controlar a fera. Sempre há a possibilidade, claro, de a Lava Jato voltar a se concentrar só no PT, mas até isso teria um lado útil para o petismo: reforçaria a narrativa de vitimização, já bem nutrida pelas interessantes revelações do The Intercept e parceiros. Depois da VazaJato, a Lava Jato nunca mais será a mesma, apesar das juras de amor do novo PGR.

Então está tudo bem? Não, tem aquele probleminha: quase 13 milhões de desempregados, fora os subempregados e desalentados em geral. Eis a fenda na represa, fenda que se não for fechada embaralha bem esse jogo. Ninguém vai querer ser sócio do fracasso. Mas enquanto não chega o dia do juízo político o bolsonarismo aproveita o mar de almirante para radicalizar na guerra de posição, inclusive no campo cultural. Já que Gramsci está na moda.*

(*) Alon Feuerwerker , jornalista, no blog do Ricardo Noblat

A VOLTA DO VELHO TESTAMENTO

Lobo e o cordeiro no STF

O primeiro grande golpe sofrido pelo sistema anticorrupção partiu de Tofolli em conluio com Bolsonaro

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A semana que passou foi complicada demais para caber num só artigo. Começou com aquele discurso de Bolsonaro na ONU e, no final, nem se falava mais nele.

Estava no Ceará cobrindo um encontro dos povos do mar. Nele, discutia-se o conhecimento das populações litorâneas: cultivo de algas para cosméticos e alimentação ou mesmo fazer um bonito lustre com escamas de um peixe grande, chamado lá de camburubim. No final do encontro, as praias nordestinas foram invadidas por um vazamento de óleo, morte de tartarugas e tudo mais.

Bolsonaro voltou de viagem, e dela ficou apenas sua briga com o cacique Raoni e a adolescente sueca Greta Thunberg, atacada pela família presidencial.

O grande fato foi produzido pelo STF, que aplicou uma derrota na Operação Lava-Jato e todas as outras que combatem a corrupção no Brasil.

Alguns processos serão anulados por uma filigrana jurídica: o condenado não apresentou suas declarações finais depois dos delatores.

A discussão desse tema poderia aperfeiçoar as coisas daqui para a frente. Mas anular processos que desviaram milhões só por causa da ordem final é apenas o sinal do momento.

A conjuntura mudou. A correlação de forças é outra. Os vazamentos do Intercept enfraqueceram a Lava-Jato, da mesma forma que a eleição de Bolsonaro, embora o discurso seja outro, e ele tenha integrado Moro ao seu governo.

Não adianta discutir filigranas quando a correlação de forças muda. A convergência de juízes com políticos e o próprio presidente tornou-se forte. Criou uma situação de fábula. O lobo comeria o cordeiro, independentemente do argumento. Como recompor, por onde recompor o sistema defensivo da sociedade para se proteger do sindicato dos ladrões?

No meu entender, e já escrevi isso, o primeiro grande golpe sofrido pela sistema anticorrupção partiu de Tofolli em conluio com Bolsonaro.

Ao neutralizar o Coaf, Tofolli quebrou o tripé da Lava-Jato, que era composto de PF, Receita e Ministério Público. Não se pode mais informar sobre operações financeiras suspeitas, sem autorização da Justiça.

No meu trabalho cotidiano, uso o tripé sempre que preciso de mais estabilidade na imagem. O tripé da Lava-Jato tinha uma função mais importante ainda: permitia ver coisas que escapam ao olho nu.

O que Tofolli fez com o apoio de Bolsonaro para livrar a cara do filho senador, Flávio, tumultuou inúmeras investigações no país e rompeu com alguns compromissos internacionais do Brasil no combate à lavagem de dinheiro.

Como acentuei, o bombardeio à Lava-Jato não significa apenas libertar os presos, mas reduzir as possibilidades de prender futuros envolvidos em corrupção. O velho esquema que domina o Brasil ganhou nova cara, encarnou-se em novos personagens, estruturou-se numa ampla frente e está pronto para reiniciar a roubalheira. Só que as condições não são as mesmas do passado. O nível de informações cresceu, a transparência se ampliou por força de lei.

Juízes, políticos e até jornalistas empenhados em derrotar o aparato de investigação contam apenas com um certo cansaço da sociedade. Ignoram as dimensões internacionais de sua escolha. No caso de lavagem de dinheiro, vamos nos isolar.

Aliás, já estamos isolados por causa das opções de política ambiental e pelo reposicionamento do Brasil no campo da extrema direita.

Quanto menos preparados, mais arrogantes são os governantes brasileiros. Tenho criticado a decisão de Bolsonaro de tirar os radares das estradas. Os especialistas também o fizeram. Meu ponto de vista é o de quem vive nas estradas.

Soube na semana passada que o número de acidentes aumentou, algo que não acontecia desde 2011. A quem apelar se a Justiça não se interessa, e os políticos querem apenas ganhar votos reduzindo multas? Em situações extremas, como foi a da África do Sul num determinado momento, intelectuais se voltam para o exterior, pedindo socorro.

Desfrutamos de liberdade de expressão. A sociedade brasileira não é uma coitadinha dominada por saqueadores. Ela encontrará o seu caminho. O apoio internacional é apenas um complemento. De nada adianta, sem que se faça a lição de casa.*

(*) Blog do Fernando Gabeira

DAQUI DEZ ANOS, VAI MELHORAR…

Pesquisa:tem gente com curso superior ganhando um salário mínimo

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Acredite. Um (número exato é 10,9 %) em cada vez dez trabalhadores brasileiros com diploma de ensino superior ganha até um salário mínimo (R$ 998) por mês. No segundo trimestre de 2015, portanto antes da crise, esse percentual era menor (8,4 %). O levantamento é da consultoria IDados. Com esse dinheiro, não dá nem para pagar a mensalidade de uma universidade particular.

Em tempo…

De um modo geral, quase um terço dos trabalhadores brasileiros (29,9 %) está recebendo o piso mínimo.*

(*) Coluna do Ancelmo Goes – O Globo

DANDO NÓ EM PINGO DE ÉTER

Para impedir que ações da Lava-Jato voltem à estaca zero, Toffoli deve propor retorno às alegações finais

Os julgamentos da Operação Lava-Jato não deverão voltar à estaca zero com a modulação a ser proposta pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli , em torno da decisão da Corte de que réus não delatores precisam se manifestar por último em ações penais.

Na sessão da próxima quarta-feira, dia 2, Toffoli deverá propor que o julgamento volte à etapa das alegações finais , como foi revelado no último domingo pelo colunista Merval Pereira, em sua coluna no O Globo . Ainda assim, a proposta, caso seja apoiada pelos demais ministros, postergará o julgamento final dos casos atingidos pela decisão.

REQUISITOS – Toffoli deve apresentar como sugestão ao menos dois requisitos para o réu ter a condenação anulada: que ele tenha contestado a ordem das alegações finais ainda na primeira instância do Judiciário e que a defesa comprove que ficou prejudicada com a abertura conjunta de prazos. Seria uma forma de criar um filtro e anular apenas parte das condenações da Lava-Jato, sem comprometer o conjunto da operação.

O julgamento da última quarta-feiratem impacto imediato apenas para o ex-gerente da Petrobras Márcio de Almeida Ferreira. Mas, a tendência é de os advogados dos demais réus reivindicarem a revisão dos respectivos processos.

No mês passado, a Segunda Turma, formada por cinco dos 11 ministros do Supremo, entendeu que primeiro devem falar os delatores e, por isso, anulou a condenação imposta ao ex-presidente da Petrobras Aldemir Bendine. Na sequência, vários réus em situação idêntica pediram o mesmo benefício.

EFEITOS MINIMIZADOS – Por essa razão, o ministro Edson Fachin pediu para a questão ser examinada no Plenário, com a presença dos 11 ministros, para que uma tese geral norteie futuras decisões do tribunal. Na última quarta-feira, o STF decidiu que réus delatados devem apresentar alegações finais depois dos réus delatores.

Na Lava-Jato, a praxe era abrir prazo comum para todos os réus. A nova tese pode justificar a anulação de condenações em processos que foram instruídos com a regra anterior. A tentativa agora é de minimizar os efeitos da decisão com uma modulação. A tentativa de criar limites à decisão que ameaça condenações da Lava-Jato vai encontrar obstáculos no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).

ALTERNATIVA – Nem todo ministro está disposto a aprovar uma regra alternativa para tentar preservar a operação, como vai propor o presidente da Corte. O mais antigo ministro do tribunal, Celso de Mello, alertou na última quinta-feira: para “modular” uma decisão — ou seja, para fixar parâmetros para aplicar uma regra — são necessários oito dos 11 votos.

O ministro Luís Roberto Barroso propôs que a nova regra seja aplicada apenas a partir de agora, ignorando condenações passadas, mas a tese tem pouca chance de prosperar. A modulação a ser aprovada pelo Supremo não tem efeito vinculante — ou seja, será apenas uma orientação a juízes de todo o país, e não uma obrigação para seguir a regra.

Se não houver acordo para aprovar a modulação, continua tudo como era antes: ou seja, os habeas corpus de réus condenados serão analisados individualmente, de acordo com o caso concreto.*

(*) O Globo

A VOLTA DOS ANOS DE CHUMBO

A nova ofensiva dos generais de Bolsonaro pelo Twitter

Heleno e Ramos decidem atacar a imprensa e jornalistas pelo Twitter

Em 1854 um jornalista irlandês foi enviado pelo Times para acompanhar as tropas britânicas em luta na Criméia. Foi pelas mãos do repórter William Howard Russell que a população inglesa tomou conhecimento dos horrores da guerra, dos mutilados perecendo sem ajuda ou lenitivo, da falta de ambulâncias e dos ataques frontais. Em pouco tempo, o Estado-Maior britânico percebeu que deixar jornalistas circulando livremente pelos campos de batalha não era boa ideia.

Na Primeira Guerra Mundial, a liberdade dos correspondentes de guerra seria reduzida pela censura e controle exercidos pelos beligerantes. Principalmente, após o fracasso da ofensiva em Gallipoli, quando tropas francesas e britânicas desembarcaram perto de Istambul na tentativa de pôr o Império Otomano fora de combate. Tudo noticiado pelos jornais. Na ofensiva seguinte, em 1.º de julho de 1916, o comando inglês moveu seus homens pelo vale do Rio Somme, no norte da França, em meio à barragem das notas oficiais.

Milhares morreram no primeiro dia de combate em troca de poucos metros de terra. Foram obliterados pelas armas alemãs depois de ganharem o topo das trincheiras. Ao fim da tarde, a poeira do Somme se tornara Inglaterra como no versos de Rupert Brooke, morto um ano antes no mar Egeu, quando se dirigia a Gallipoli:  “If I should die, think only this of me:/ That there’s some corner of a foreign field/ That is for ever England. There shall be/ In that rich earth a richer dust concealed”

Enquanto o primeiro dia do Somme custava aos britânicos 57.540 baixas, a imprensa inglesa informava nas manchetes o “grande avanço das tropas” do país. O público que lesse com atenção os jornais e revistas encontraria, porém, no fundo das publicações as intermináveis listas com o custo de tal sucesso. Era a oportunidade para descobrir a verdade censurada pelos generais. Editada em Londres, seguindo o modelo da francesa L’Illustration, a revista The Sphere publicava seu roll of honour, com as fotos dos oficiais mortos e suas pequenas biografias. Ali estava uma informação inconveniente.Cem anos depois, os generais do Planalto veem o bolsonarismo oscilar entre a busca da transparência de suas ações e as conveniências da velha política, entre a pacificação do País e o incentivo à polarização e o confronto. Alterna-se a escalada dos conflitos com o Congresso, o Supremo e a sociedade civil com a contemporização. Quem trata a política como continuação da guerra, procura aliados em vez de interlocutores. E terá inimizades em vez do respeito de quem compartilha com ele o destino da Nação.

O chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, é um dos guerreiros ideológicos do Planalto. Um colega seu, também general, diz que a convivência de Heleno com o radicalismo bolsonarista pode ser explicada pelo fato de ele acreditar ter a paternidade do atual governo.

Heleno abriu recentemente uma conta no Twitter. Resultado: de 52 publicações feitas pelo general, 14 (26,9%) atacam jornalistas e a imprensa. Nem um humorista, que lhe creditou uma frase inventada, escapou do revide. Era uma brincadeira, mas o humor do general não lhe permitiu entender a blague. Heleno desmentiu ter dito a frase como se reportagem o texto humorístico fosse.

Seu antigo colega de Planalto, o general Santos Cruz, distanciou-se do discurso que sugere que a imprensa seja uma força inimiga. Mesmo quando discorda do que os jornalistas publicam, Santos Cruz é mais comedido e civilizado na crítica.

Seu substituto, o general Luiz Eduardo Ramos, comporta-se de forma semelhante. Mas, no fim de semana, resolveu debutar como o mais novo ombudsman da imprensa brasileira. O ministro publicou dois tuítes sobre o chamado Gabinete do Ódio, o grupo de jovens assessores do presidente que se apoderou dos ouvidos do primeiro mandatário conforme o leitor viu aqui. Trata-se de turma audaciosa, que aconselha Bolsonaro a cortar cabelo em vez de receber o chanceler francês.

Ninguém pode negar ou diminuir ou papel relevante que os jovens assessores tiveram na vitória do Pres BOLSONARO, e continuam tendo!!Parte da imprensa tenta atingir esses Guerreiros!! A eles o meu respeito, Tercio, Matheus DIniz e Matheus Gomes!! Prossigam na missão !!

Ramos disse em sua rede social: “Tomei conhecimento sobre matérias divulgadas na imprensa sobre um suposto ‘Gabinete de Ódio’, subordinado ao PR, que estaria promovendo ataques contra ministros do Governo. Nada mais fantasioso! Conheço o trabalho sério desses assessores, com os quais mantenho excelente relação.” E, depois, ainda completou com outro tuíte. Ei-lo: “Ninguém pode negar ou diminuir ou papel relevante que os jovens assessores tiveram na vitória do Pres BOLSONARO, e continuam tendo!! Parte da imprensa tenta atingir esses Guerreiros!! A eles o meu respeito, Tercio, Matheus DIniz e Matheus Gomes!! Prossigam na missão!”

Durante a 1.ª Guerra, a “voz anônima das ruas” fez Winston Churchill, então Lord do Almirantado, renunciar a seu cargo diante do fracasso em Gallipoli. Ninguém imaginou então culpar a imprensa pelo desastre militar na Turquia, com seus 50 mil mortos.

O bolsonarismo patina com a popularidade atolada em 30%. Suas facções e filhos se devoram em intrigas palacianas, enquanto os generais, a exemplo do chefe, lançam uma nova ofensiva contra a imprensa. Aos que desejam saber a verdade que Ramos e Heleno procuram preservar dos olhos de muitos, basta seguir o exemplo dos cidadãos britânicos. A leitura atenta dos jornais revela muito mais o que se passa no teatro de operações do Planalto do que o twitter dos generais.

(*) Marcelo Godoy – Estadão

O MANDELA DE BOTEQUIM

Em resposta à Lava Jato, Lula diz que não barganha direitos ou liberdade

Ex-presidente não diz explicitamente que recusa a progressão de regime; deve deve ficar a cargo da defesa do petista se manifestar oficialmente sobre o pedido do Ministério Público

Em nota lida pelo seu advogado na tarde desta segunda-feira, 30, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que não aceita “barganhar” seus direitos e sua liberdade e que os procuradores da Lava Jato devem desculpas “ao povo brasileiro, aos milhões de desempregados e à minha família pelo mal que fizeram à democracia, à Justiça e ao país”.

A nota é uma resposta de Lula à manifestação dos procuradores de Curitiba que na sexta-feira pediram à juíza Carolina Lebbos, responsável pela execução da pena do petista, que Lula fosse transferido para o regime semiaberto.

Nas 23 linhas da nota escrita à mão, Lula não diz explicitamente que recusa a progressão de regime. Isso deve ficar a cargo da defesa do ex-presidente que vai se manifestar oficialmente sobre o pedido do Ministério Público.

A nota dirigida “ao povo brasileiro” começa com uma frase que Lula tem repetido em entrevistas e a quem vai visitá-lo. “Não troco minha dignidade pela minha liberdade”, e continua no mesmo tom: “Quero que saibam que não aceito barganhar meus direitos e minha liberdade”.

O texto reforça o discurso que Lula adotou desde que foi preso de não aceitar progressão de regime ou artifícios jurídicos para sair da cela onde cumpre pena na superintendência da Polícia Federal em Curitiba desde o dia 7 de abril do ano passado.

“Diante das arbitrariedades cometidas pelos procuradores e por Sergio Moro (ex-juiz que o condenou em primeira instância e hoje é ministro da Justiça), cabe agora à Suprema Corte corrigir o que está errado para que haja Justiça independente e imparcial, como é devido a todo cidadão”, diz o ex-presidente.

De acordo com Lula, “são eles (Lava Jato) e não eu que estão presos às mentiras que contaram ao Brasil e ao mundo”.

Advogados próximos ao petista dizem que o caso é “inédito e inusitado” e, portanto, a decisão sobre a permanência de Lula ou não na PF de Curitiba cabe à juíza Lebbos.*

(*) Ricardo Galhardo – Estadão

TUDO NA BASE DO AMOR AO PAÍS

PF diz que Walter Delgatti ironizava a atuação de autoridades e apostava em impunidade

Charge do Pelicano (www.humorpolitico.com.br)

 

Investigados por grampear as principais autoridades do País, os hackers presos pela Polícia Federal em duas fases da Operação Spoofing se tornaram alvo da mesma técnica que empregaram contra suas vítimas: o vasculhamento de mensagens alheias.

Munida de autorização judicial, a PF coletou um extenso acervo de textos trocados pelo grupo durante o período em que eles teriam cometido vários ilícitos, que vão de fraudes bancárias a crimes contra a segurança nacional. Nos textos, ironias sobre o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, informações sobre transferências de valores e demonstração de autoconfiança sobre ficar à margem da lei – “hacker aqui não deixa rastros”, escreveu Walter Delgatti Neto (o “Vermelho”).

MODUS OPERANDI – As conversas constam em relatórios anexados ao inquérito sigiloso da segunda fase da Operação Spoofing, ao qual o Estado teve acesso. Segundo a PF, as mensagens, além de demonstrar que Delgatti Neto não agia sozinho, ajudam a desvendar o modus operandi do grupo. Em grande parte dos diálogos, Delgatti Neto aparece reclamando de dificuldade financeira.

“Cadê o meu dinheiro?”, questiona ele ao também investigado Danilo Cristiano Marques, por meio de aplicativo de mensagens, em 29 de abril de 2019. Em 14 de maio de 2019, mais uma vez, ele reclama: “E aí mano? Tô pobre ‘f…..’”.

VAZA JATO – Nas mensagens, os hackers também trocavam impressões sobre o cenário político nacional e manifestavam especial preocupação com a repercussão do caso “Vaza Jato”. Em uma sequência de mensagens entre Delgatti Neto e outro membro do grupo, não identificado, em 22 de julho de 2019, por volta da uma hora da manhã, Delgatti Neto se queixa de que Sérgio Moro estava demorando para voltar das férias de cinco dias.

A licença não remunerada para “tratar de assuntos particulares” foi publicada no Diário Oficial da União do dia 8 de julho e amplamente divulgada na mídia. Valeria entre os dias 15 e 19 de julho, mas no dia 22 Delgatti Neto estava preocupado com o fato de o ministro ainda não ter retornado. “Viu que Moro ia ficar 4 dias e não voltou até hoje?”

RECEIO – Em seguida, o membro do grupo não identificado no relatório demonstra receio com a ausência do ministro: “(Moro) descobriu algo será”? Delgatti Neto, em tom de ironia, o tranquiliza: “Ele (Moro) tá com medo, isso sim. Hacker aqui não deixa rastros”, diz, completando: “Hacker de hacker. Você não entendeu ainda. Quem nasceu para ser crash-overlong nunca vai ser hacker aqui”.

Em outra conversa, trocada em 26 de junho de 2019, Delgatti Neto narra que estava “confiscando” bens de um pessoa que tinha dívida com ele. Dentre os bens “confiscados”, estariam um notebook, uma câmera e um celular. “Eu falei: manda aí que eu compro. Confisquei tudo. Pobre, f….. Não tava fazendo nada, o cara me devendo R$ 12 mil”, disse o hacker.

TRANSFERÊNCIAS – As mensagens trocadas pelo grupo foram recuperadas pela Polícia por meio das perícias realizadas no material apreendido nas buscas feitas na primeira fase da Spoofing. Após a quebra de sigilos bancários, autorizados pela Justiça Federal, os investigadores conseguiram rastrear 14 transferências bancárias de Delgatti Neto para o programador Thiago Eliezer Martins Santos, que foi preso na segunda fase da operação, no dia 19.

Nas mensagens, o grupo trata de valores oriundos, segundo a PF, da prática de fraudes bancárias. Em 7 de maio, Delgatti Neto diz a Danilo Cristiano Marques, preso na primeira fase da operação, que havia pago valores a Thiago Eliezer: “Juro que paguei a parte dele, cheia ainda”. Na mesma mensagem, Delgatti Neto encaminha três comprovantes que demonstram transferências nos valores de R$ 12,5 mil, R$ 4 mil e R$ 4,5 mil.

Em meio a várias mensagens, os hackers deixam escapar detalhes de fraudes bancárias cometidas pelo grupo. Essas mensagens foram fundamentais para a PF pedir a prisão dos demais integrantes da quadrilha.

SEGUNDA FASE – Na segunda fase da Operação Spoofing, também foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em imóveis ligados ao grupo, em São Paulo e em Brasília. Além de Eliezer, foi preso Luiz Molição, que estava em Sertãozinho, no interior de São Paulo.

No endereço ligado a Molição, os policiais aprenderam um bilhete, escrito à mão, com os dizeres: “Tá tudo bem, blindados com as pitadas, tá junto com os presos políticos”.

A PF investiga a origem do bilhete, mas já sabe que se trata de um recado tranquilizando o membro do grupo no período em que ele ainda estava solto e Delgatti Neto já estava na cadeia. Isso porque Delgatti Neto está detido no Complexo da Papuda, em Brasília, numa ala junto com presos como Geddel Vieira Lima. Daí a expressão “presos políticos” presente no bilhete.

VERSÃO DESACREDITADA – Ao formular o pedido de busca e apreensão da segunda fase da operação, a PF afirma que Delgatti Neto não atuava sozinho nas invasões das contas de Telegram de suas vítimas. Em depoimento à PF, ele disse que foi responsável pelo desenvolvimento da técnica utilizada para realizar os ataques cibernéticos. Os investigadores do caso, no entanto, não acreditam mais nessa versão.

Após a análise dos arquivos armazenados nos dispositivos telemáticos apreendidos com Delgatti Neto, a PF diz no relatório do inquérito que Thiago Eliezer Martins Santos, o programador preso em Brasília, atuou no desenvolvimento de técnicas voltadas à invasão de redes de computadores e comunicação e teria conhecimento dos crimes cibernéticos praticados por Delgatti Neto.

CLONAGEM – De acordo com a PF, Danilo Marques também tinha conhecimento das práticas de Delgatti Neto no caso das clonagens do aplicativo Telegram de autoridades, além de ser parceiro em práticas de crimes envolvendo fraudes bancárias.

No relatório do inquérito obtido pela reportagem, os investigadores ainda sustentam que “Molição atuou diretamente nas invasões de dispositivos informáticos e na interceptação e divulgação de comunicações realizadas pelas vítimas através do aplicativo Telegram”. Procurada, a defesa de Delgatti Neto informou que aguarda a conclusão das investigações.*

(*) Patrik Camporez, Breno Pires
Estadão

IN MEMORIAM

Jornalismo perde Newton Carlos, o grande observador da política internacional

Classificado como um mestre por uma geração de profissionais que fizeram a história da imprensa brasileira, entre eles Janio de Freitas e Clóvis Rossi , o jornalista Newton Carlos de Figueiredo morreu aos 91 anos na manhã desta segunda-feira, no Rio de Janeiro.

Newton Carlos foi um pioneiro no Brasil da cobertura da América Latina e do colunismo sobre questões internacionais. Começou no jornalismo nos anos 1940, no Correio da Manhã, trabalhou no Jornal do Brasil e foi colunista durante 25 anos da Folha de S. Paulo, com a qual continuou a colaborar até pelo menos 2013.

MUITOS LIVROS – O jornalista escreveu mais de duas dezenas de livros, entre eles “América Latina dois pontos”, “A conspiração”, “O arsenal sul-americano de Saddam Hussein”, “Camelot, uma guerra americana” e “Bush e a doutrina das guerras sem fim”. Ganhou o Prêmio EFE, entregue pelo rei da Espanha.

Newton Carlos nasceu em Macaé, em 19 de novembro de 1927. Mudou-se para o Rio de Janeiro para estudar contabilidade, mas o dom da escrita o levou para o jornalismo. Depois do Correio da Manhã, trabalhou na Tribuna da Imprensa, dirigida na época por Carlos Lacerda. Na cobertura dos sindicatos, foi convidado pelo governo espanhol no exílio — a Espanha estava em plena ditadura de Francisco Franco — a trabalhar em Bruxelas, na Organização Internacional dos Sindicatos Livres.

Depois de dois anos na Europa, voltou ao Brasil e assumiu a chefia de reportagem da revista Manchete. Em 1960, durante a reforma que modernizou o Jornal do Brasil, foi contratado como seu primeiro editor internacional, área na qual se fixaria. Escreveu também para veículos internacionais, como o Il Manifesto italiano e o Clarín argentino, além de publicações peruanas e mexicanas.

NA TELEVISÃO – Esteve na TV Excelsior, e participou do Jornal de Vanguarda. Na TV Globo, redigia o Jornal da Globo, precursor do Jornal Nacional. Esteve também na TV Rio e na TV Tupi. Pela TV Bandeirantes, cobriu todas as eleições americanas, desde 1972. Também cobriu as eleições na Espanha depois da queda da ditadura de Francisco Franco; e o golpe de Augusto Pinochet em 1973, que levou a morte do então presidente do Chile, Salvador Allende.

Janio de Freitas, que liderou a reforma do JB entre o final dos anos 1950 e o início dos 1960, conta que já havia trabalhado com Newton Carlos na Tribuna da Imprensa e no Diário Carioca quando o convidou  para assumir a primeira editoria internacional do jornal.

— Ali mesmo começou a se dedicar à política internacional, principalmente voltada para a América Latina, o que acabou se tornando uma característica sua, que influenciou muitos outros jovens jornalistas, como Clóvis Rossi — conta. — Era um repórter muito atento às questões sociais e de políticas públicas.

O “MAESTRO” – Rossi, que morreu em junho deste ano, referia-se a Newton Carlos em suas colunas como “maestro”. O jornalista Rosental Calmon Alves, que foi correspondente do Jornal do Brasil em Buenos Aires e Washington e hoje é professor da Universidade do Texas em Austin, nos EUA, acredita que Newton Carlos inspirou mais mais de uma geração de jornalistas brasileiros interessados no noticiário internacional.

— Ele foi uma inspiração para o meu interesse pelo noticiário internacional, com suas colunas sempre informativas e explicativas sobre os mais intricados assuntos de política internacional. A gente lia as notícias para saber o que estava acontecendo em terras distantes, mas depois achava a explicação na coluna do Newton Carlos, que nos permitia entender o que estava acontecendo de verdade e o que significava aquele acontecimento. Primeiro, Newton Carlos era o explicador do mundo, mas depois se tornou o explicador da América Latina.

O ANALISTA – Editor de Opinião de O Globo, Aluizio Maranhão ressalta suas análises internacionais: “Para minha geração de jornalistas, que começou  em 1970,  ele sempre foi referência em análise de política internacional. Eram tempos difíceis, de ditadura, e Newton Carlos conseguia passar luz naquela escuridão”.

Para o jornalista, sociólogo e escritor Jayme Brenner, especializado em cobertura internacional, Newton Carlos era um exemplo para a profissão, principalmente por dar destaque à América Latina e aos países em desenvolvimento.

— Ele nunca se conformou com o eurocentrismo ou americanocentrismo, e isso foi uma inspiração para várias gerações de jornalistas internacionais.

Newton eixa a mulher Eliana Brazil Protásio, com a qual estava casado havia 34 anos, e três filhas  — Cláudia, Márcia e Janaína Figueiredo, jornalista de O Globo.*

(*) O Globo