COM O MEU, COMO O SEU, COM O NOSSO DINDIM

Governo vai rasgar R$ 40 milhões com publicidade para mudar imagem lá fora

O governo vai rasgar R$ 40 milhões. Esse é o custo da campanha publicitária que será veiculada no exterior, uma tentativa de melhorar a imagem do país lá fora. Essa estratégia nunca deu certo. Para recuperar sua imagem, o país precisa mudar de verdade, profundamente.

A ideia de que uma propaganda vai alterar a visão do mundo jamais fez sentido. A campanha “Brazil by Brazil” será veiculada às vésperas da Assembleia Geral da ONU, dia 24, que terá o discurso do presidente Jair Bolsonaro em sua abertura. A imagem do país foi desgastada pela atuação do governo na questão ambiental. A propaganda será exibida nas redes sociais e em aeroportos e estações de metrô de Nova York e capitais europeias, por exemplo.

A estratégia não é nova. Na época da ditadura, o governo fez campanha para dizer que não havia tortura no Brasil. Não funcionou. Havia tortura, e a informação continuou a circular. O mundo agora é muito mais conectado que nos anos 1970. Hoje também há mais enviados especiais do exterior ao Brasil.

Bolsonaro, desde a campanha, fez declarações que induziam ao desmatamento. Criticava o Ibama, o ICMBio, a Funai. Eleito, nomeou um ministro do Meio Ambiente que ameaça servidores e que nunca havia ido a Amazônia. A região é complexa, e o presidente ignorou isso. Na semana passada, por exemplo, ministros se reuniram com garimpeiros ilegais da região que protestavam contra órgãos do governo que combatem o desmatamento, a invasão de terras públicas e o garimpo ilegal. Os fatos falam por si. Logo no início, o governo tentou retirar a Funai do Ministério da Justiça e levar para outra pasta sem relação com o assunto. Ainda colocou um ruralista para cuidar da demarcação de terras indígenas.

O governo tem uma visão paranoica. Acha que as críticas cresceram porque foi fechado o acordo de livre comércio Mercosul/União Europeia. Não. As críticas aumentaram porque, depois de muito desmatamento, há mais focos de incêndio na Amazônia. O presidente disse que incêndios sempre ocorreram. Mas neste ano o nível foi muito alto.

Em 2004, o governo Lula, na gestão da ministra Marina Silva, decidiu fazer um ataque frontal ao desmatamento, que caiu. Isso melhorou a imagem do Brasil. Não foi uma campanha publicitária.

É uma perda de tempo acreditar que o produto muda com uma embalagem diferente. O país precisa mudar, de fato, as políticas ambiental e indigenista. As mudanças climáticas continuam sendo negadas pelo ministro do Meio Ambiente e pelo chanceler. Essa campanha publicitária será dinheiro jogado fora.*

(*) Miriam leitão – O Globo