UMA ABERRAÇÃO POLÍTICA

O que Bolsonaro pensa da fala de Carlos?

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Jair Bolsonaro já disse mais de uma vez que seu filho Carlos, o 02, deveria ser ministro, tal sua importância para sua eleição. Na segunda-feira, 9, Carlos fez até aqui a fala mais explícita, vinda do entorno do presidente, de relativização da democracia.

Num tuíte, o vereador do Rio afirmou que as transformações de que o País precisa (sabe-se lá quais imagina que sejam elas) não virão na “velocidade” que “nós desejamos” (nós quem?) pelas vias democráticas. Trata-se de uma fala com claro viés golpista, de quem propõe que se prescinda das instituições.

E o que o presidente pensa a respeito? Que não se diga que Bolsonaro está hospitalizado, portanto, incapaz de desautorizar a fala golpista do filho, uma vez que ele está ativo e operante nas redes sociais. Ao presidente da República cabe rechaçar sem tergiversação qualquer declaração que flerte com teses não democráticas. Minar as instituições a partir de dentro, plantando na sociedade a semente da frustração com sua capacidade de atender às demandas da mesma sociedade é a forma mais disseminada, hoje, de enfraquecer a democracia. Cabe ao chefe de Estado frear no nascedouro essa tentação, ainda mais quando ela parte de sua própria casa.*

(*) Vera Magalhães – Estadão