VERGONHA MUNDIAL

Bolsonaro negocia nomes do Cade para garantir votos a Eduardo para embaixada nos EUA

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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), já informou ao Palácio do Planalto que, após consultas, os senadores não têm mais resistência aos nomes encaminhados pelo presidente Jair Bolsonaro para integrar o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A escolha dos nomes de conselheiros do Cade, acertado com o Senado, é parte de uma estratégia do presidente para conseguir votos para a indicação do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) na embaixada do Brasil em Washington (EUA).

Após acerto com o Senado, Bolsonaro encaminhou os nomes no último dia 23, de olho em votos para o filho Eduardo Bolsonaro. O Planalto, agora, aguarda a leitura dos nomes para dar “continuidade” ao projeto envolvendo Eduardo na embaixada. Segundo o blog apurou, sem oposição de senadores aos nomes encaminhados, Davi promete fazer a leitura no Plenário dos nomes em breve. A leitura de nomes é o primeiro passo para a aprovação de indicados ao Cade. Senadores disseram à reportagem que Davi pode fazer a leitura dos nomes nesta terça-feira.

SABATINA – Indicado, Eduardo só pode assumir a embaixada se passar em sabatina na Comissão de Relações Exteriores do Senado. Acontece que parlamentares têm relatado dificuldades ao presidente para apoiar a indicação, argumentando desgastes e também que querem ser “ouvidos” pelo Planalto, como no caso de indicações e cargos em órgãos públicos. Para conseguir “amaciar o terreno” em nome do projeto de Eduardo na embaixada, Bolsonaro se dispôs a negociar no caso do Cade.

Em maio, Bolsonaro chegou a encaminhar dois nomes para o Cade, os dois indicados pelos ministros da Justiça, Sérgio Moro, e da Economia, Paulo Guedes. Os senadores não gostaram, porque as indicações não foram discutidas com eles. Davi segurou a tramitação, e as sabatinas não foram marcadas. No início de agosto, o presidente retirou as indicações. Agora, o presidente e senadores “entraram em consenso” a respeito dos nomes – o que pode facilitar o apoio a Eduardo Bolsonaro.

O Cade é vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública e é responsável pela análise de fusões de empresas e pelo julgamento de infrações, como a prática de cartéis, a combinação de prelos entre empresas. O conselho tem sete vagas, mas só três estão ocupadas. Desde 17 de julho o Cade não tem quórum mínimo de quatro conselheiros para realizar julgamentos. Este ano o tribunal já julgou 230 processos e aplicou R$ 782 milhões em multas. Mas, há 54 casos parados, entre eles fusões e aquisições.*

(*) Andréia Sadi
G1 – Brasília