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BAIXARIAS E MAIS BAIXARIAS…

E continua o bate-boca

Nesse festival de ofensas mútuas que assola o poder impressiona o arsenal de ameaças

É lugar-comum meio cínico a afirmação de que em política não há amizades, só interesses. O desafeto de hoje é o amigo de ontem e vice-versa. Esse troca-troca sempre houve, mas não como agora. Nesse festival de ofensas mútuas que assola o poder impressiona o arsenal de ameaças, insultos, xingamentos que explodiram em menos de um ano.

Como disse a deputada Janaina Paschoal (PSL) no programa “Roda Viva”, “os conflitos são do tamanho de fim de governo”, cujo futuro ela coloca em dúvida, se o presidente continuar cometendo os mesmos erros.

Aliás, esse processo de autofagia, que não poupou nem a cúpula do partido, se espalhou e se manifesta por meio de embates entre ex-aliados que agora se comportam como inimigos de infância. Às favas inclusive o cavalheirismo.

A deputada Joice Hasselmann, por exemplo, que até outro dia era líder do governo e pessoa de confiança dos 3 zeros à esquerda, passou a ser tratada por Eduardo Bolsonaro, em linguagem familiar, como uma “traíra” que “levou um pé na bunda”.

Ela revidou: “Não tenho medo de milícias e robôs! Meus seguidores são de verdade, orgânicos. E não se esqueçam de que eu sei quem vocês são e o que fizeram no verão passado”. Mas um novo verão esta aí, e ela continua devendo a seus eleitores a revelação do que foi feito de tão comprometedor que virou, pelo jeito, uma temível ameaça.

Na Câmara, o bate-boca ocorreu entre dois ex-correligionários e amigos: o mesmo Eduardo e Alexandre Frota: “O senhor era menos promíscuo quando fazia filme pornô”, acusou o primeiro. “Mas você assistia muito, né?”, disse Frota, provocando risos dos colegas. “Não, nem um pouco”, disse o 03.

E o ex-ator, com um tom cúmplice, encerrou o diálogo pouco diplomático com o ex-futuro embaixador do Brasil em Washington assim: “Eu sei que você gosta”.

As gargalhadas da assistência abafaram a tréplica, se é que houve.

Em audiência pública com artistas para debater projeto de Bolsonaro, a ministra Cármen Lúcia pronunciou mais uma frase antológica:

“Censura não se debate, se combate”.*

(*) Zuenir Ventura – o Globo