FOI ELE, NÃO FOI ELE…

Fracasso! Caso das gravações do The Intercept pode terminar sem descobrir quem pagou aos hackers

Com a decisão do juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara da Justiça Federal em Brasília, que homologou a delação premiada de Luiz Henrique Molição, de 19 anos, integrante do grupo de hackers que invadiu celulares de procuradores da Lava Jato e do então juiz federal Sergio Moro antes de assumir como ministro da Justiça, as investigações da Polícia Federal dão mais um passo, mas ainda estão longe de chegarem a bom termo, por que falta descobrir o principal – quem foi o mandante e pagou aos hackers para tentar destruir a Lava Jato.

Molição é um dos presos na Operação Spoofing, da Polícia Federal. Foi apontado como cúmplice de Walter Delgatti Neto, o Vermelho, considerado o mentor do esquema de invasão dos celulares para desestabilizar a Lava Jato.

GREENWALD NÃO PAGOU – Molição é acusado de armazenar parte das mensagens capturadas nas contas do aplicativo Telegram e feito contatos com o jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept Brasil.

Em depoimento prestado em setembro, Molição declarou que Delgatti tentou vender as mensagens que gravou ao jornalista norte-americano Glenn Greenwald, mas ele se recusou a pagar por elas.

Nos termo da delação, homologada na noite de segunda-feira (dia 2), Molição se comprometeu a identificar mais três pessoas que teriam participado dos ataques virtuais. Além disso, prometeu entregar conversas privadas que estariam armazenadas em servidores fora do país e o celular que usava para vazar dados roubados.

SEM RASTROS – O fato concreto é que a Polícia Federal depende das investigações sobre esses três cúmplices que teriam participado das gravações e que ainda não foram presos.

O material colhido até agora não permitiu identificar o mandante (ou os mandantes) das gravações criminosas, porque o chefe da quadrilha, Walter Delgatti Neto, o Vermelho, é muito ardiloso e não deixou rastros que pudessem identificar os autores dos pagamentos.

O problema é que o tempo está passando, sem que a Polícia Federal possa concluir o inquérito.

PRAZO FATAL – Ao homologar a delação do cúmplice de Vermelho, o juiz da 10ª Vara fixou um prazo de 15 dias, contados da última quinta-feira (28), para que a Polícia Federal conclua o inquérito e o remeta ao Ministério Público Federal, que decidirá se denuncia ou não os envolvidos.

Em tradução simultânea, dificilmente a equipe da PF conseguirá fechar as investigações com o nome do mandante (ou mandantes) da interceptação dos celulares, circunstância que enfraquecerá bastante a denúncia.

E como a legislação brasileira é ainda carente nesse tipo de crime cibernético, isso significa que em breve os envolvidos estão em liberdade, pois as penas são leves e eles até já cumpriram mais de um sexto delas.*

(*) Carlos Newton – Tribuna na Internet