MAIS UM PÉ NA BUNDA

Porta-voz diz que seria ‘intempestivo’ Bolsonaro ligar a para Trump sem conhecer dados

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Charge do Aroeira (Jornal O Dia/RJ)

O porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, afirmou nesta segunda-feira, dia 2, que o momento é “inapropriado” para o presidente Jair Bolsonaro telefonar para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e falar sobre a taxação ao aço e ao alumínio. Segundo Rêgo Barros, Bolsonaro ainda não tem “todos os dados” sobre a decisão e há “profundo desconhecimento” sobre o tema.

Mais cedo, nesta segunda-feira, Trump informou que o governo norte-americano irá reinstalar a taxa sobre o aço e o alumínio do Brasil e da Argentina porque os dois países, segundo ele, têm desvalorizado as moedas locais. Ao comentar o anúncio de Trump, pela manhã, Bolsonaro disse que telefonaria para Trump se fosse necessário.

IMPACTOS – Questionado sobre o assunto na noite desta segunda, o porta-voz do presidente respondeu: “Nós precisamos entender exatamente quais são os impactos da medida aplicada pelo governo americano sobre as taxações aqui de aço, alumínio, etc. Ao mesmo tempo, o presidente, como é comum nessas questões econômicas, se vale do Ministério da Economia, dos técnicos do Ministério da Economia para, aprofundando o conhecimento, tomar as suas decisões”, afirmou Rêgo Barros.

“Então, seria intempestivo, da parte do presidente Bolsonaro, ainda sem conhecer todos os dados, efetivar uma ligação – que claramente seria completada – em tempo inapropriado em face do desconhecimento profundo do tema”, acrescentou.

“DESPREOCUPADO” – Pouco antes de o porta-voz da Presidência dar a declaração, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou que o anúncio de Donald Trump não preocupa. Para o chanceler, mesmo com a decisão, Brasil e Estados Unidos têm condições de “aprofundar” a relação bilateral. “Essa medida não nos preocupa e não nos tira desse trilho rumo a uma relação mais profunda”, declarou o ministro.

Desde a campanha eleitoral de 2018, Bolsonaro afirmava que, se eleito, buscaria aproximar Brasil e Estados Unidos. Desde que assumiu a Presidência, já viajou ao país três vezes e chegou a dizer que indicaria o filho Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para o cargo de embaixador em Washington, o que não se concretizou.

VANTAGENS – Conforme a colunista do G1 e da GloboNews Júlia Duailibi, contudo, a relação tem sido mais vantajosa para os Estados Unidos. Isso porque, entre outros pontos: o Brasil deixou de exigir visto para turistas dos EUA; o Brasil permitiu aos Estados Unidos lançar foguetes da Base de Alcantâra (MA); o Brasil elevou a cota de importação de etanol, beneficiando os EUA; os Estados Unidos ainda não oficializaram o apoio à entrada do Brasil na OCDE;
os Estados Unidos mantiveram o veto à carne bovina in natura brasileira.

Após o anúncio de Trump, o Instituto Aço Brasil informou ter recebido “com perplexidade” a decisão do presidente norte-americano. Para a entidade, o movimento é uma “retaliação” que “não condiz com as relações de parceria entre os dois países”.

RETALIAÇÃO – “O Instituto Aço Brasil reforça que o câmbio no país é livre, não havendo por parte do governo qualquer iniciativa no sentido de desvalorizar artificialmente o real e a decisão de taxar o aço brasileiro como forma de “compensar” o agricultor americano é uma retaliação ao Brasil”, afirmou a entidade, em nota.*

(*) Filipe Matoso
Gustavo Garcia
G1