OS ANJOS ESTÃO CHEGANDO…

Para novo presidente da Funarte, rock induz às drogas, ao aborto e ao satanismo
Nomeado para o cargo, maestro Dante Mantovani fez afirmações em seu canal do YouTube

Especialista em Filosofia Política e Jurídica, Mestre em Linguística, Mantovani mantém um canal no YouTube, onde faz vídeos sobre música e responde perguntas de seus seguidores. Em alguns desses vídeos, ele faz afirmações que estão provocando polêmicas nas redes sociais. É o caso quando fala que o “rock ativa as drogas, que ativam o sexo livre, que ativa a indústria do aborto, que ativa o satanismo”.  Começando seu discurso fazendo a junção da escola de Frankfurt com o pensador Adorno e os Beatles.

Em outro ponto, afirma que os soviéticos estavam infiltrados na CIA com finalidade de “destruir a moral burguesa da família americana”. Época, segundo ele, em que surge Elvis Presley, com seu requebrado, morrendo de “overdose”.

Mantovani ocupa o cargo aberto desde 4 de novembro, quando foi exonerado o pianista Miguel Angelo Oronoz Proença. A demissão foi atribuída à articulação de Roberto Alvim, então diretor da Funarte, que seria nomeado secretário de Cultura dias mais tarde.

Em entrevista ao Estado, Proença disse que virou alvo de pressão dentro do governo após defender publicamente a atriz Fernanda Montenegro, que havia sido chamada de “intocável” e “mentirosa” por Alvim nas redes sociais.

“Irritou profundamente (defender a atriz). A pessoa devia estar contrariada com ela. Não sei o porquê. Fui um dos primeiros a me manifestar. Não pensei em política, pensei em mandar um abraço a uma amiga”, disse Proença, sem citar Alvim. “O que fazer com pessoas que não entendem esse relacionamento com outros artistas e querem impor uma maneira de salvar o mundo através só da religião? Minha religião é agradar o público”, afirmou o pianista.

A nomeação de Mantovani faz parte de uma série promovida pelo novo secretário especial da Cultura, Roberto Alvim, para quem Bolsonaro já disse ter dado total liberdade para montar a sua equipe.

Na semana passada, Alvim nomeou Sergio Nascimento de Camargo para a presidência da Fundação Palmares, que já afirmou nas redes sociais existir um “racismo nutella” no Brasil e que a escravidão foi “benéfica para os descendentes”.

Alvim afirma que só irá falar à imprensa sobre trocas na cultura após finalizar as nomeações. Há expectativa que seja exonerada a presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Kátia Bógea. Para o lugar dela, seria nomeado o empresário Olav Schrader, formado em relações internacionais e defensor da monarquia.

Dante Mantovani só dará entrevistas à imprensa a partir da quarta-feira.

Também nesta segunda-feira, 2, Rafael Nogueira, simpatizante da monarquia e seguidor de Olavo de Carvalho, foi nomeado presidente da Fundação Biblioteca Nacional.

Trajetória
De acordo com informações de site, Dante Mantovani, novo presidente da Funarte, é maestro, graduado e música, especialista em Filosofia Política e Jurídica pela Universidade Estadual de Londrina.

Nascido em 1984, em Paraguaçu Paulista, interior de São Paulo, iniciou seus estudos musicais na Orquestra de Sopros Lyra Maestro Roque Soares de Almeida, na qual atuou como trompetista (1997-2000). Além de regente, Dante também toca violão e piano.

Consta ainda de seu currítulo, a participação, em 2015, do Conclave para a Democracia, em Washington, nos Estados Unidos, evento jornalístico realizado pelo National Press Club, a convite do filósofo Olavo de Carvalho, de quem é aluno de Filosofia desde 2012.

Ele também atua como apresentador do Programa de Rádio A Grande Música, desde 2014, veiculado pela Rádio Mãe de Deus, de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, além de ser comentarista de cultura da TV Paraguaçu. E é autor do  livro Ensaios sobre a Música Universal – do Canto Gregoriano a Beethoven.

A Funarte – Fundação Nacional de Artes é um órgão ligado ao Governo Federal com o objetivo de promover e incentivar a produção, prática, desenvolvimento e difusão das artes no País. Estende seus braços pelas áreas de circo, dança e teatro, música, artes visuais e preservação da memória das artes e a pesquisa na esfera artística. *

(*) Redação – Estadão