PIADA PRONTA

Bolsonaro diz que não errou em 11 meses de governo e se desculpa por eventuais “falhas”

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta segunda-feira, dia 2, que não viu nenhum erro em 11 meses de governo. Ele entende, porém, que podem ter ocorrido “pequenas falhas”. As declarações foram dadas ao “Jornal da Record”. Ao ser questionado sobre seu principal acerto e principal erro, respondeu: “O principal acerto meu foi a escolha dos ministros. Critério técnico. Estão dando a resposta. Erro? Não vi erro no governo. Se tivemos pequenas falhas, me desculpa”.

O presidente também foi questionado se se sente incomodado com a liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu adversário político. Lula, condenado na Lava-Jato, foi solto porque o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que a prisão pode ocorrer apenas depois do trânsito em julgado, ou seja, quando não for mais possível recorrer da condenação.

LULA – Bolsonaro disse que não polemizaria com Lula. “Tenho por princípio respeitar as decisões dos demais poderes. Eu não vou entrar numa bola dividida dessa daí. Politicamente, o que ele falou até me ajuda, porque ele realmente tem trazido com essas falas dele a intolerância, pregando coisas absurdas. Me acusou frontalmente de estar envolvido na questão da morte da (vereadora do Rio de Janeiro) Marielle (Franco), entre outras coisas. Logicamente não fico feliz com isso”, disse Bolsonaro. “Agora, vamos ter que engolir esse sapo aí”, acrescentou.

Bolsonaro também foi questionado sobre o ex-ministro Gustavo Bebianno, que era aliado próximo, mas foi demitido em fevereiro, no segundo mês de governo. Bebianno se filiou ao PSDB no domingo, em evento que contou com a presença do governador de São Paulo, João Doria, principal expoente do partido atualmente.

EX-ALIADO – Doria, assim como Bebianno, era próximo de Bolsonaro, mas depois se afastou, num movimento para ser ele próprio candidato a presidente em 2022.

“Ele (Bebianno) é carta fora do baralho. Teve a chance aqui de ser ministro leal ao Brasil. E não aproveitou a sua oportunidade. Espero que esteja feliz ao lado de João Doria, do PSDB, em São Paulo”, disse Bolsonaro.

FOLHA – Bolsonaro admitiu que poderá recuar da decisão de excluir o jornal “Folha de S.Paulo” do edital para renovar as assinaturas de jornais e revistas da administração federal. A medida, anunciada na semana passada, foi criticada por parlamentares e entidades da sociedade civil, por representar um ataque à liberdade de expressão.

Nesta segunda-feira, ele voltou a atacar o veículo de comunicação, relacionando as reportagens críticas ao governo a uma suposta tentativa de dar continuidade à eleição de 2018. Também atacou outras publicações, como as revistas “Carta Capital” e “Istoé”.

RECUO – “A questão da “Folha de S.Paulo” não é de hoje. Para a “Folha de S.Paulo”, a eleição não acabou. Agora, se a gente ferir qualquer norma ética ou legal, a gente volta atrás. Sem problema. Agora, de qualquer maneira, a gente vai reduzir essa despesa também sem ideia de perseguição”, disse Bolsonaro.

Na semana passada, após ameaçar cortar a assinatura do jornal da lista de periódicos que o governo federal recebe, Bolsonaro excluiu o veículo do edital. No fim do mês passado, o presidente afirmou em entrevista que “nenhum órgão aqui do meu governo vai receber o jornal “Folha de S. Paulo” aqui em Brasília. Está determinado”.

O edital publicado na última quinta-feira prevê um gasto de R$ 194.393,64 para acesso on-line de jornais e revistas. Entre os periódicos  nacionais e regionais estão os jornais O GLOBO, “Valor Econômico”, “O Estado de S. Paulo” e os internacionais “The New York Times” e “The Wall Street Journal”, além das revistas Época, “Veja”, “Time” e “The Economist”.*

(*) O Globo