SANATÓRIO GERAL

Derrota à vista (13)

Gleisi avisa que Lula já preparou o discurso que os devotos da seita terão de recitar depois da derrota nas urnas

“O presidente Lula, apesar da sua situação, dessa prisão injusta e absurda, tá animado com o processo eleitoral. Hoje ele disse pra nós: ‘ficou claro a fraude de porão que é esse candidato a presidente da República’. Ou seja, foi construído através da mentira, nos subterrâneos das redes sociais, através de dinheiro de caixa ilegal, portanto, de caixa dois, e é um embuste. Tá levando ao erro milhões de pessoas, exatamente por esse esquema todo que foi montado”.

 

(Gleisi Hoffmann, senadora e presidente do PT, informando que o ex-presidente presidiário já preparou o discurso que os devotos da seita terão de recitar depois de surrados nas urnas)

 

(*) Blog do Augusto Nunes

FIM DE LINHA, MALACO!

Pesquisas antecipam o fim da hegemonia de Lula

Nas últimas quatro sucessões presidenciais, Lula mandou e, sobretudo, desmandou no poder federal. Elegeu-se duas vezes. E transformou Dilma Rousseff num conto do vigário no qual o eleitorado caiu um par de vezes. Esse poder hegemônico de Lula, informam todas as pesquisas, está com os dias contados. Acabará no próximo dia 28 de outubro.

Deve-se o infortúnio de Lula ao próprio Lula, que conseguiu converter Fernando Haddad, seu segundo poste, em candidato favorito a transformar Jair Bolsonaro no próximo presidente da República. Lula escolheu seu próprio caminho para o inferno ao imaginar que poderia prevalecer impondo uma nova solução doméstica petista.

Preso, Lula sabia que sua foto dificilmente estaria na urna de 2018. Poderia ter transferido eleitores para um candidato fora dos quadros do PT. Tinha em Ciro Gomes uma versão livre do contágio da Lava Jato. Mas preferiu a aposta mais arriscada. Ao lançar um poste do PT, descobriu que o antipetismo é, hoje, mais forte que o lulismo. Lula chega ao fim da sua era como cabo eleitoral da ultradireita.*

(*) Blog do Josias de Souza

DIREITA, VOLVER!

O que será será

Não temo pela sobrevivência da democracia brasileira, mas pelos arranhões e pancadas que pode levar no caminho

Muita gente me pergunta isto, nas ruas e nos aeroportos. Respondo que penso no tema todos os dias e um bom pedaço das noites. Mas não cheguei a uma conclusão que pudesse ser transmitida num diálogo telegráfico. Tudo o que consigo dizer ainda não transcende a sabedoria de um escoteiro: estar alerta.

Não temo pela sobrevivência da democracia brasileira, mas pelos arranhões e pancadas que pode levar no caminho. É um perigo que ronda a democracia em quase todos os lugares onde ela existe.

Acabamos de sair do primeiro processo de eleições disputado principalmente no território virtual das redes. Talvez seja mais reveladora do Brasil que as outras, marcadas por comícios, propaganda na TV e reuniões domésticas. Muita gente participou, compartilhando opiniões.

O processo tem alguns perigos, que já rondaram as eleições presidenciais norte-americanas. O principal deles são as fake news, cada vez mais intensas.

Fake news sempre existiram. No passado as chamávamos de boatos. Na década dos 70 o escritor alemão Hans Magnus Enzensberger escreveu um livro de ensaios com o título “Política e Crime”. Um dos mais interessantes capítulos é dedicado aos boatos e sua capacidade destruidora em certos momentos políticos. A diferença essencial é que o boato hoje não só circula entre milhões de pessoas, mas o faz numa rapidez incomparável com outras fases históricas.

As fake news não seriam tão assustadoras para mim se houvesse uma vontade genuína de filtrá-las. O perigo apresenta-se no fato de que para muitas pessoas a distinção entre fake news e realidade não interessa mais. E essa indiferença diante de boatos espalhados por máquinas eficazes acaba sendo uma porta aberta para o totalitarismo.

Tanto no Brasil como nos Estados Unidos, um presidente não escreve o destino do país como se estivesse diante de uma folha em branco. Há instituições, às vezes precárias, é verdade, mas representam um contraponto ao poder.

Conheço as posições de Bolsonaro e seus aliados em relação ao meio ambiente. Será um osso duro de roer. Mas, ainda assim, creio que há um horizonte para o movimento ambiental. Na minha opinião, ele terá de rever suas alianças preferenciais. Foi mais fácil buscar a esquerda, sempre aberta para absorver lutas contra o sistema.

No entanto, a ciência, a grande aliada estratégica, foi subestimada. O verdadeiro encontro a ser buscado é o da ecologia com a ciência. Não importa a resistência que as ideias encontrem. Apoiadas numa lógica científica têm chance maior de se expandir na sociedade.

Marina teve uma votação muito pequena. No dia seguinte à apuração, dois economistas ganharam o Nobel com trabalhos sobre o desenvolvimento sustentável. O tema continua importante, sobretudo no mundo. A votação de Marina não expressa a irrelevância ambiental na cabeça dos eleitores brasileiros.

O momento histórico, as circunstâncias tornaram a luta contra a corrupção sistemática e a insegurança nas cidades o que realmente importava agora. No campo da segurança pública, outro osso duro de roer. Não só Bolsonaro, mas também parte de seus eleitores, aposta na posse de armas. Vejo isso de uma forma diferente, mas não tão contraditória.

Jair Bolsonaro disse no Rio que gostaria de ver a segurança funcionando como há 50 anos. É compreensível a nostalgia das ruas tranquilas. No entanto, o esforço é fazê-lo olhar para a frente, se não 50, ao menos alguns anos adiante.

As experiências que fortalecem a minha tese estão aí: a tecnologia e a ciência também são aliadas da segurança pública. No Piauí, um aplicativo trouxe mais segurança às mulheres ameaçadas. No momento em que escrevo, estou partindo para a cidade de Guararema, no interior de São Paulo. Ali vou documentar o trabalho de uma verdadeira muralha de câmeras que protegem o lugar. São 96. Há 33 meses não há um homicídio.

Deve haver alguns problemas, como de privacidade. Mas isso vou analisar no local. De qualquer maneira, é um exemplo que fortalece a tese de usar o avanço tecnológico e científico como um grande aliado da segurança pública.

Enfim teremos um novo presidente, novo grupo no governo, mas há um caminho para contrabalançar o poder emergente. Uma instituição com a qual se conta sempre, apesar de sua degradação, é o Congresso. Houve uma renovação, cujos contornos qualitativos é difícil avaliar antes de fevereiro.

A base parlamentar do governo, no momento, são as bancadas do boi, da bala e da Bíblia. Não são monolíticas, nem necessariamente concordam em tudo.

Sempre escrevi que a chamada bancada da bala é formada, parcialmente, por policiais experientes, que têm muito a dizer. A repressão armada é a linguagem que melhor entendem. No entanto, uma investigação sofisticada, um método mais científico pode despertá-los também para outro caminho, ainda incipiente no Brasil.

Na bancada ruralista há gente com mais intimidade com a natureza do que muitos ecologistas. Sua diferença é que trabalha com os fatores sobrevivência e, sobretudo, lucro. Mas com a mediação da ciência é possível algum resultado, assim como com a bancada religiosa, em alguns temas, como meio ambiente e direitos humanos ─ não, porém, no sentido em que os conheceram nos anos de PT.

Enfim, teremos muito trabalho para tocar o barco. Mas não é impossível. Estamos diante de uma realidade, não adianta chorar o leite derramado. O Brasil é assim, temos de nos ajeitar com ele e dar graças a Deus, porque a alternativa do autoexílio é bastante dolorosa, creio eu.

Tenho visto algumas críticas de que esse raciocínio leva a normalizar o fascismo. Na verdade, o que consideram uma aberração é resultado do voto popular. É preciso um pouco de cuidado com a realidade.

Ainda bem que haverá muito trabalho para todos. E pouco tempo para patrulhar uns aos outros.*

(*)  Fernando Gabeira – Estadão

EM NOME DE JESUS, É?

Além de militares, quem chega ao poder com Bolsonaro são os evangélicos

Militares e evangélicos, aliás, andam muito juntos: “quase 100% dos evangélicos apoiaram a ditadura militar”, segundo o pastor e ministro Ronaldo Fonseca, secretário-geral da Presidência de Temer. No primeiro turno, Fonseca diz que votou em Henrique Meirelles, do MDB. No segundo, vai de Bolsonaro.

LIDERANÇAS – Os principais líderes da Assembleia de Deus, da qual o ministro Fonseca é pastor, eram generais, coronéis, tenentes, desde os anos 1960, as igrejas evangélicas têm uma hierarquia que praticamente copia a militar e ambos, militares e evangélicos, têm posições muito próximas em questões de comportamento, no apoio a Israel e, em geral, no horror à esquerda. Neste momento, muito particularmente ao PT.

Como contraponto: o ex-presidente Lula fez até reunião entre países árabes e do Mercosul no Itamaraty, em Brasília, e foi mais de uma vez à região, mas só fez uma visita oficial a Israel no seu último ano de governo. E Dilma Rousseff foi mais longe, ao rejeitar um embaixador indicado por Israel.

NO RIO JORDÃO – Apesar de considerado evangélico desde criancinha, o capitão Bolsonaro é um convertido recente e só foi batizado em 2016. Frise-se: no Rio Jordão, em Israel, e pelo Pastor Everaldo, do PSC. Depois, rompeu e foi para o PSL, mas manteve o batismo e a religião.

Assim, ampliou seu apoio entre os evangélicos no segundo turno com a adesão pública de Edir Macedo, da Universal do Reino de Deus, e do Pastor José Wellington e do bispo Manoel Ferreira, da Assembleia de Deus. Imaginem o volume de votos! E a influência no futuro governo… Se o Executivo e o Legislativo do provável governo Bolsonaro terão forte presença de militares de altas patentes, a bancada evangélica será uma força auxiliar de grande importância no Congresso. A atual Frente Evangélica já é forte e se aproximou de Bolsonaro desde o primeiro turno, mas ela vem ainda mais poderosa em 2019.

180 PARLAMENTARES – Pelos cálculos do pastor e ministro Fonseca, que vê “uma histeria do voto conservador”, serão 180 parlamentares federais evangélicos, oito dos 81 senadores (10%) e o restante na Câmara dos Deputados. Serão uma mão na roda para a aprovação de projetos de interesse do Planalto na economia, mas farão ainda mais a diferença na área de costumes. Lembram do deputado Marco Feliciano (PSC-SP), famoso por ser antigays? Pois é. O Congresso terá muitos Marcos Felicianos, agora com o apoio direto do Planalto.

NOVOS POLÍTICOS – Além da política de ocupação do Congresso, os evangélicos também têm sido decisivos no avanço de candidatos desconhecidos, ou “novos”, nos governos estaduais. Principais exemplos: juiz Witzel, no Rio, Ibaneis, no DF, Romeu Zema, em Minas. Ou seja, em unidades cruciais da federação. O peculiar Witzel, por exemplo, tem 65% dos votos evangélicos no Rio. Artistas? Que artistas? Os grandes eleitores no Rio são os pastores.

Há, portanto, uma onda Bolsonaro, uma onda militar e uma onda evangélica chegando ao principal país da América do Sul, o maior, mais rico e mais populoso. E pelo voto, o que confirma que, se o Brasil é historicamente um país de centro na política, é bastante conservador e à direita nos costumes.

O que isso projeta para o futuro? Se Bolsonaro for um sucesso, pode criar uma espécie de dinastia, passando o poder de pai para filhos, no plural. E, depois de Collor, FHC, Lula-Dilma e Bolsonaro, não é absurda a ascensão das igrejas evangélicas ao poder político. Sempre pelo voto e em nome do combate à corrupção e da defesa do “diferente” e do “novo”.*

(*) Eliane Cantanhêde
Estadão

CLEPTOCRACIA À BRASILEIRA

Piada do ano! PDT pediu mesmo para anular a eleição, sem apresentar provas

Os advogados do PDT, citando reportagem do jornal Folha de S.Paulo sobre disseminação de notícias falsas em redes sociais, afirmam que “empresas foram contratadas para disseminar mensagens, via rede social WhatsApp, com o intuito de promover propagada eleitoral denegrindo os oponentes do Sr. Jair Bolsonaro, de modo a favorecê-lo na corrida presidencial”. Segundo o partido, o financiamento da propaganda eleitoral foi constituído de forma ilícita, porque há proibição de doação empresarial, conforme decisão do Supremo. Bolsonaro tem negado as suspeitas.

A ação foi apresentada um dia depois de o Partido dos Trabalhadores ter pedido a cassação da chapa do candidato Jair Bolsonaro, o que também é requerido pelo PDT. Mas o PT não chegou a pedir a anulação da eleição, ao apresentar ação na quinta-feira, 18. Para afirmar que tem legitimidade de propor ação, o PDT diz que seu candidato, Ciro Gomes, foi “eliminado do segundo turno das eleições devido a essa espúria prática de divulgação de fake news”.

RECURSOS DE EMPRESAS – Realçando que é proibido o uso de recursos de empresas, o partido afirma que “contratos firmados entre pessoas jurídicas, a exemplo, da empresa Havan Lojas De Departamentos Ltda – de propriedade de Luciano Hang, é absolutamente ilícito”.

O partido conclui que o abuso de poder econômico macula a essência do voto, tornando prejudicada o resultado das eleições.

“Com alicerce em todas as razões fáticas acima apresentadas, observa-se de maneira cristalina várias condutas ilícitas que visam interferir na vontade do eleitor, desde utilização excessiva de recursos financeiros, coação moral ou uso indevido dos meios de comunicação, através das propagandas irregulares que disseminaram as chamadas fakenews.

PRODUZIR PROVAS – Na ação, o PDT pede que sejam produzidas provas a partir da quebra do sigilo bancário, telefónico e telemático do dono da Havan, Luciano Hang, e das empresas Havan, Yacows Desenvolvimento de Software, CROC Services Soluções de Informática, SMSMARKET Soluções inteligentes; AM4 Brasil Inteligência Digital e Quick Mobile Desenvolvimento e Serviços.

Além disso, pedem que o TSE proíba as empresas de compartilhar mensagens de divulgação relacionadas à eleição. E que todas as empresas e empresários que venham a ser citados no processo sejam obrigadas a disponibilizar relatório contábil, relação de clientes, contratos, notas fiscais e todos os documentos contábeis necessários para demonstração de quais relações jurídicas foram realizadas no período eleitoral.

SEM CONTROLE – O PDT afirma também que, mesmo diante de notícias sobre fake news, os candidatos Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão não teriam feito “qualquer esforço para coibir a prática ou desencorajar estes atos”.

“Muito pelo contrário, no último dia 12, em transmissão em sua página no facebook, o candidato Jair Bolsonaro criticou o Whatsapp pela limitação de encaminhamento de mensagens, sabendo que a restrição era das mensagens irregularmente veiculadas”, diz a ação.*

(*) Redação – Estadão

VIGARISTA JURAMENTADO

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Eurípedes comprou um helicóptero de 2,4 milhões

A assessoria do PROS divulgou uma nota nesta sexta-feira na qual o presidente do partido, Eurípedes Júnior , se diz surpreso com a decisão judicial que decretou sua prisão nesta quinta-feira, e nega ter envolvimento com a prefeitura de Marabá (PA) e com a gestão do ex-prefeito João Salame .

Eurípedes Júnior, que encontra-se foragido, afirmou no texto que estará à disposição da justiça para prestar todos os esclarecimentos necessários. No entanto, a assessoria do partido não soube informar o que deve ser feito ou se ele irá se entregar. Ele é um dos alvos centrais da Operação Partialis, que investiga desvio de dinheiro da prefeitura de Marabá. A ordem de prisão foi expedida pela 2ª Vara da Justiça Federal do Pará.

AUSÊNCIA DE PROVAS – Na nota, Júnior argumenta ainda que o Ministério Público, autor da ação penal, teria se posicionado contra qualquer pedido de prisão por ausência de provas contra ele e diz que nunca se negou a prestar qualquer esclarecimento à Justiça.

“Estou surpreso com a decisão judicial, por não ter qualquer relação com os escândalos apontados na prefeitura de Marabá e por nunca ter me negado a prestar qualquer esclarecimento quando demandado pela Justiça. O que mais encabula nessa situação é que o próprio Ministério Público, que é o autor da ação penal, se pronuncia contrário a qualquer pedido de prisão por entender que não há provas contra mim e, durante as matérias que repercutiram na imprensa, nada se viu quanto ao parecer do MP” – diz o presidente, na nota.

SUBORNO – Desde ontem a PF tenta prender Eurípedes Júnior. Pelas informações da polícia, o presidente do PROS faria parte do grupo do ex-prefeito de Marabá suspeito de facilitar pagamentos da prefeitura em troca de propina. Só em um dos casos, os investigadores descobriram indícios de um suborno de R$ 100 mil.

O PROS alega que sua menção na operação dá-se ao fato de o partido ter adquirido uma aeronave no estado do Pará. Segundo eles, a aeronave foi comprada seguindo todos os tramites legais e já foi até vendida pelo partido, que informou a venda à Justiça Eleitoral. O partido negou qualquer envolvimento da legenda e de seu presidente em atos ilícitos.*

(*) Karla Gamba
O Globo

FAKE ESCÂNDALOS

Grupos pró-Haddad proliferam, e PT desconfia de armadilha bolsonarista

Multiplicam-se o número de pessoas que vêm relatando terem sido adicionadas sem consentimento, a partir de quinta-feira (19), em grupos favoráveis a Fernando Haddad (PT). O boom de inclusões compulsórias coincide com o dia em que a Folha publicou reportagem sobre empresas alinhadas a Jair Bolsonaro (PSL) que pagaram para enviar milhões de mensagens pelo WhatsApp contra o PT.

A prática viola a lei duplamente, primeiro por não ser doação declarada, segundo por ter vindo de empresas, dois atropelos da legislação eleitoral.

DEMOCRATAS – Os nomes dos grupos contêm a frase “Defesa Democracia”. “Somos defensores da democracia e de Haddad presidente. Você foi inserido aqui porque seu nome consta como filiado ao PT no TSE. Se você não é filiado, simpatizante ou mesmo defensor da democracia, desculpe-nos”, diz mensagem de boas vindas aos novos integrantes.

O mesmo texto incentiva os participantes a buscar mais informações no site oficial da coligação da campanha petista, “O Brasil Feliz De Novo”. Mais especificamente, na seção “Fake News”. Ao menos quatro pessoas incorporadas aos grupos disseram não ser filiadas ao partido.

Fake news, para eleitores inseridos nas comunidades do WhatsApp à revelia deles, é que a iniciativa tenha partido da equipe de Haddad —que já disparou mensagens para desmentir que está por trás dos grupos, que poderiam ser um estratégia criada por simpatizantes de Bolsonaro para dizer que os dois lados estão cometendo irregularidades no WhatsApp.

ARAPUCA? – Segundo um dirigente da sigla, a campanha do PT tem monitorado relatos sobre a criação desses grupos e avalia se eles podem ser uma arapuca para atrair simpatizantes da legenda. O intuito seria dar a impressão que estariam todos no mesmo barco, ou seja, os dois lados se valeriam da mesma estratégia de impulsionamento — serviço oferecido por plataformas digitais no qual se paga para aumentar a visibilidade de uma mensagem e escolher um público alvo para que ela atinja um determinado tipo de internauta.

“É evidente que é fake: a campanha do ‘bot-sonaro’ está tentando limpar a barra dele depois que surgiram as acusações de manipulação virtual e caixa 2: querem dizer que o PT também faz isso”, diz uma eleitora que foi incluída sem seu aval num dos grupos.

Outra, que também não quis ser identificada por medo de represália, afirmou que “depois só rola conteúdo pró-Bolsonaro”. “Deu ruim o grupo pró-Haddad. O povo não aguenta mais essa corja nojenta”, escreveu um homem em uma das redes.

ADMINISTRADOR – Um dos grupos tem como administrador Johnny Cozer Goulart, que é filiado ao PT e sócio da Agência Prospect Comunicação e Marketing, que já prestou serviço para quadros do partido, como os vereadores Jair Tatto e Senival Moura.

Ele disse à Folha que não criou o grupo nem conhece quem o fez, mas foi colocado para administrá-lo —o aplicativo permite que o criador coloque outras pessoas para gerenciar a comunidade.

Goulart afirma que é, sim, simpatizante de Haddad, com quem trabalhou quando foi assessor de imprensa num órgão da Prefeitura de São Paulo, e acha que “a gente tem que desmascarar o Bolsonaro”.

DEMOCRATICAMENTE – “Estou falando por mim. Se tiver que estender a bandeira do PT, estendo, mas de forma democrática.” Ele admite que pode ter caído numa armadilha ao ser posto para administrar o grupo, cuja origem desconhece.

A reportagem tentou ligar para números cadastrados como criadores de dois desses grupos, sem sucesso.*

(*) Anna Virginia Balloussier – Tribuna na internet

E AS PROVAS MATERIAIS?

TSE não cai na arapuca do PT e se nega a fazer busca e apreensão em empresas

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

O ministro Jorge Mussi, corregedor do Tribunal Superior Eleitoral, deu prosseguimento à ação apresentada pela campanha do candidato a presidente pelo PT, Fernando Haddad, contra o adversário Jair Bolsonaro (PSL), mas rejeitou todos os pedidos de investigação e quebra de sigilo feitos pelo PT.

De acordo com a decisão de Jorge Mussi, a concessão de liminares (decisões provisórias) antes de se ouvir a outra parte deve ser feita com cautela, e o pedido do PT é baseado em reportagens jornalísticas que, segundo o ministro, não permitem neste momento demonstrar a veracidade das suspeitas.

MOMENTO PRÓPRIO – Jorge Mussi destacou que a questão será analisada “em momento próprio”, durante o curso da ação. O ministro determinou que Bolsonaro responda aos questionamentos do PT no prazo previsto em lei, de cinco dias consecutivos.

Após a resposta de Bolsonaro, o corregedor vai analisar a necessidade de novas provas. A ação terá de ser julgada pelo TSE, em data ainda não prevista.

Na ação, o PT acusa o rival de abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação e pede que, se eleito, Bolsonaro seja cassado e, em qualquer situação, fique inelegível por oito anos.

DIZ A FOLHA – O pedido foi apresentado em razão de reportagem publicada nesta quinta-feira (18) pelo jornal “Folha de S.Paulo”. A reportagem relata casos de empresas apoiadoras de Bolsonaro que supostamente compraram pacotes de disparo de mensagens contra o PT por meio do aplicativo WhatsApp.

Essa prática, em tese, pode ser ilegal, caso seja considerada pela Justiça doação de campanha feita por empresas. Desde 2015, empresas estão proibidas de fazer doação eleitoral.

Na decisão desta sexta-feira, o ministro Jorge Mussi negou pedido formulado na ação pela campanha de Haddad de busca e apreensão de documentos na casa do empresário Luciano Hang e na sede da empresa dele, a Havan.

SIGILO MANTIDO – Ele também rejeitou, por enquanto, quebra de sigilos bancário, telefônico e telemático de Hang e de outras quatro empresas que supostamente teriam beneficiado Bolsonaro – Quick Mobile, Yacows, Croc Services e SMS Market. Mas Mussi incluiu na ação, como investigados, dez executivos ligados às empresas, que também deverão apresentar defesa, no prazo de cinco dias após terem sido notificados.

O empresário Luciano Hang negou que tenha comprado impulsionamentos e desafiou o jornal “Folha de S.Paulo” a mostrar algum contrato firmado por ele. Em nota, a SMS Market classificou o suposto envolvimento da empresa como “mentira infundada”. A Quick Mobile informou que tomará medidas jurídicas porque nunca fez nenhum tipo de divulgação para Bolsonaro. A Yakows disse em nota que foi citada erroneamente e que não tem envolvimento em nenhum esquema. Não foram localizados representantes da empresa Croc Service.

OUTRA NEGATIVA – Jorge Mussi ainda negou outro pedido do PT – para que o WhatsApp impedisse o disparo em massa de mensagens ofensivas a Fernando Haddad. “O TSE tem se orientado, quanto ao tema, no sentido de prestigiar a liberdade de manifestação do pensamento, de expressão e de informação”, argumentou na decisão.

A campanha de Jair Bolsonaro nega irregularidades. Nesta quinta-feira, ao site O Antagonista, o candidato do PSL afirmou: “Eu não tenho controle se tem empresário simpático a mim fazendo isso. Eu sei que fere a legislação. Mas eu não tenho controle, não tenho como saber e tomar providência. Pode ser gente até ligada à esquerda que diz que está comigo para tentar complicar a minha vida me denunciando por abuso de poder econômico.”

O presidente do PSL, partido de Bolsonaro, Gustavo Bebianno, negou qualquer iniciativa do gênero, isentou a legenda e disse que Haddad, terá que provar a acusação.*

(*) Mariana Oliveira e Renan Ramalho
TV Globo e G1 — Brasília