VERGONHOSO

Celso de Mello fez o gol contra que deixou

a vitória da Justiça com cara de empate

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Imagine um zagueiro que, aos 45 minutos do segundo tempo, ignora as advertências dos companheiros e faz o gol contra que leva à prorrogação. No intervalo, o dono da bola aproveita a saída involuntária de um craque do time que dominava a partida para substituí-lo por um novato disposto a ajudar o adversário. O truque não impede a derrota da pior equipe, mas a vitória fica com cara de empate. Em vez de envergonhar-se da jogada irresponsável que mudara o rumo da partida, o zagueiro trapalhão usa os segundos finais para caprichar em embaixadas, passes de trivela e outras firulas inúteis.

O ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal, primeiro condenou com singular veemência os quadrilheiros do mensalão. Em seguida, resolveu socorrê-los com a aceitação de embargos infringentes de aplicação tão duvidosa que foram rejeitados por cinco ministros. O voto de Celso de Mello forçou um segundo julgamento. Graças a mudanças espertas na composição do Supremo Tribunal Federal, os culpados já se haviam livrado da acusação por formação de quadrilha quando Celso de Mello começou a ler o seu palavrório. Sem aparentar remorso, voltou a afirmar que os corruptos juramentados são também quadrilheiros. Merecem, portanto, ficar um bom tempo na cadeia da qual logo sairão graças à vaidade e à teimosia do decano.

Celso de Mello é o zagueiro de toga.*

(*) Blog do Augusto Nunes

O ROTO E O ESFARRAPADO

Cartel de trens atuou também na seara federal

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Estava escrito nas estrelas: empresas acusadas de formar cartel para fraudar licitações de trens realizadas pelos governos de São Paulo e Brasília agiram também em concorrências de duas estatais federais: a CBTU e a Trensurb, ambas vinculadas ao Ministério das Cidades, um feudo confiado por Dilma Rousseff ao PP.

Papeis colecionados pelo Cade, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica, apontam indícios de fraude em pelo menos duas concorrências federais. Numa, compraram-se dez trens para a cidade de Belo Horizonte por R$ 172 milhões. A Alstom beliscou 7% e a empresa CAF, 93%. Noutra, adquiriram-se 15 trens para Porto Alegre por R$ 243 milhões. Dessa vez, a Alstom mordeu 93% e a A CAF, 7%.

A Alstom negou que haja mutreta nas licitações. A CAF silenciou. A Trensurb diz desconhecer a existência de fraudes. A CBTU não disse nada. A Polícia Federal e o Ministério Público tentam acomodar as coisas em pratos asseados. De concreto, por ora, apenas a impressão de que a ética não deve ser o principal mote da eleição de 2014. Matéria prima não falta. Mas quem vai atirar a primeira pedra?*

(*) Blog do Josias de Souza

POEMAS APOÉTICOS

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1. Tetrástico

 

Hora de comer, comer; de dormir, dormir;

de trabalhar… Trabalhar? – Espera lá!

Que bruta falta de originalidade!
Eu já li esse troço em algum lugar…

 

2. Confissão

 

Eu escrevia um poliptoto, tentando um homeoteleuto,

com ditirambos e troqueus.

Aí chegou minha namorada e parei tudo.

Fomos ao cinema pra não ver o filme

e aproveitei melhor meu rico tempo.

 

3. Poeminha com notas de rodapé

 

Eu sinto às vezes as dores

de quem sei que não sofreu.¹

E vibro até com os amores

de quem nem mesmo nasceu.²

Se eu fosse poeta, as cores

de todo esse sofrer meu

seriam como fulgores…

Não digo mais. Que sei eu?3

Sou sombra dos estertores

dos que padecem no céu.

Respiro também as flores

da descrença de um ateu4

— a única coisa boa

que algures me aconteceu.

Sempre hesito entre os rigores

de um dátilo ou espondeu.

Quem dorme no ponto, senhores,

vai pros braços de Morfeu?5

E tanta besteira, leitores,

não fica bem pro humor seu.

Por isso, chegar de –ores,

chega de rimas em –eu.

E chega de papo chato

que nem eu me aguento mais.6

NOTAS:

1.  Verifique a voltagem da corrente elétrica antes de ligar sua escova de dentes.

2.        À noite, só alguns pardos são gatos.

3.        Ver livro de ZÊNÃO, Felipe. Do pleistoceno ao Peloponeso. Vitória, Ed. Gutenberg, 1325.

4.        Ver do mesmo autor: Os primitivos habitantes da América no período mesolítico. Cuiabá: Ed. Pantaneira, 1330.

5.         V. TAYLOR, William. Introdução ao Novo Testamento Grego. 5. Ed. Rio de Janeiro: Juerp, 1501.

6.        Poema inteiramente escrito sem um único acento circunflexo.

 

4.  Ad immortalitatem

 

Pra ser imortal hoje em dia

ou membro da Academia

de Sarney ou base aliada,

há dois quesitos a preencher:

Fazer parte do poder

e não ter escrito nada

que valesse a pena ler.

 

5. Mot de la fin

 

Não faço versos como quem morre:

sou vivo e sem compromisso.

E não reclames, leitor,

Tu não tens nada com isso.

 

(José Augusto Carvalho é mestre em Linguística pela Unicamp, doutor em Letras pela USP, e autor de um Pequeno Manual de Pontuação em Português (1ª edição, Bom Texto, do Rio de  Janeiro, 2010, 2ª edição,  Thesaurus, de Brasília, 2013) e de uma Gramática  Superior da Língua Portuguesa (1ª edição, Univ. Federal do ES,  2007; 2ª  edição, Thesaurus, de Brasília,  2011)

QUINTA-FEIRA, 13 DE MARÇO DE 2014

Chamar Renan de mentiroso dá multa de R$ 50 mil

Renan Calheiros - Obrando no Congresso

STJ aceita recurso do presidente do Senado contra o jornalista Ricardo Noblat, que o chamou de “mentiroso, patife, corrupto, pervertido, depravado, velhaco e covarde”. Inocentado em primeira instância, Noblat vai recorrer ao STF

Se você escrever que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), é mentiroso, corre o risco de pagar uma indenização de R$50 mil. Esta é a multa que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu aplicar ao jornalista Ricardo Noblat, como reparação de danos morais, por ter chamado o senador de “mentiroso, patife, corrupto, pervertido, depravado, velhaco, covarde”. A decisão foi tomada ontem (12), por unanimidade, pela Terceira Turma do STJ.

A relatora do caso, ministra Nancy Andrighi, afirmou que é natural que haja críticas dos cidadãos e da imprensa em relação a um senador da República, mas não se pode tolerar que a crítica desvie para a ofensa pessoal.

Os outros quatro ministros da turma também votaram pela condenação, acompanhando o voto da relatora. A defesa de Noblat vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) assim que a decisão for publicada.

O advogado Murilo Leitão, que representa o jornalista e blogueiro, disse ao Congresso em Foco que não houve ofensa. De acordo com o defensor, o jornalista usou as expressões com base em contextos da época em que Renan foi alvo de várias acusações em seu primeiro mandato como presidente do Senado.

Alvo de uma série de denúncias, o peemedebista renunciou à presidência e escapou, duas vezes, da cassação do mandato em votação secreta em 2007. As críticas, segundo Murilo, não foram gratuitas e tiveram amparo também em outros veículos de comunicação do país.

Na ação, Renan Calheiros argumentou que teve a honra abalada por publicações do Blog do Noblat, que afirmaram que o parlamentar mentiu em discursos feitos na tribuna do Senado, omitiu bens à Receita Federal, usou “laranja” para compra de veículos de comunicação e simulou tomada de empréstimo para beneficiar lobistas.

Em resposta à acusação, Noblat sustentou que não houve ofensas ou inverdades, já que os fatos foram amplamente divulgados na imprensa nacional e investigados pela Polícia Federal.

Na decisão de primeira instância, Renan Calheiros perdeu a causa. O juiz do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDFT) que examinou o caso entendeu que não houve ofensa ou injúria contra o parlamentar. “Não há que se falar em indenização por danos morais, pois o homem público está sujeito a críticas, porquanto inerentes ao sistema democrático, necessárias ao aperfeiçoamento das instituições”, considerou o magistrado.

“Os conteúdos disponibilizados pelo apelado (Noblat) em seu blog eram de conhecimento público e se basearam em diversos outros meios de comunicação que, em meados de 2007, deram ampla cobertura aos fatos”, acrescentou.

Após a decisão, a defesa de Renan Calheiros recorreu ao STJ, alegando que houve claro abuso do direito de informação e ofensa à honra na utilização das expressões “patife, corrupto, pervertido, depravado, velhaco, pusilânime, covarde”, e também quando o jornalista afirmou que o senador teria “superado seus próprios recordes de canalhices”.

A ministra Nancy rebateu a decisão do TJDFT. Para ela, a condição de homem público de Renan não justifica a utilização contra ele de “expressões altamente ofensivas”.

Nancy ressaltou que Noblat tem histórico de ser diligente na divulgação das informações sobre as investigações em andamento, mas “acabou ultrapassando a linha tênue existente entre a liberdade de expressão e a ofensa aos direitos da personalidade de outrem”.

O tribunal fixou indenização de R$50 mil, corrigidos monetariamente a partir da data do julgamento e acrescidos de juro de mora de 1% ao mês, a contar da data de sua publicação.

Renan renunciou à presidência do Senado em 2007. A principal acusação que recaia contra ele na época era de que um lobista da empreiteira Mendes Júnior pagava R$ 16,5 mil mensais à jornalista Mônica Veloso, com quem o senador tem uma filha.

Como mostrou a revista Veja, entre 2004 e 2006 a empreiteira recebeu R$ 13,2 milhões em emendas parlamentares do senador destinadas a uma obra – feita pela empresa – no porto de Maceió. Salvo pelo plenário duas vezes, o senador escapou da cassação. Passou a atuar de maneira discreta até voltar à liderança do PMDB dois anos depois.

No início do ano passado, conseguiu se eleger presidente do Senado, com o apoio do Palácio do Planalto e de setores da oposição. Dois dias antes de sua eleição até duas semanas após sua posse, dois abaixo-assinados virtuais somaram mais de 2 milhões de apoios de internautas de todo o país. Todos, contra a sua volta ao cargo.*

(*) Carol Oliveira, Congresso em Foco

QUARTA-FEIRA, 13 DE MARÇO DE 2014

Temer e o Reino Encantado

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Curioso o destino do vice-presidente Michel Temer. O senador Antônio Carlos Magalhães se referia a ele, por seu porte e aparência, como “mordomo de filme de terror”. Quem assistiu ao clássico Crepúsculo dos Deuses, de Billy Wilder, com Gloria Swanson e William Holden, sabe que Temer substituiria com vantagem o mordomo da fantasmagórica mansão, Max von Mayerling (no filme, Erich von Stroheim).

Mas a vida não quis assim. Temer acaba de voltar da Disneyworld. E, no retorno ao Palácio do Jaburu, continua em contato com o Reino Encantado: convive com o Pateta, multidões de ratos, um dos Três Porquinhos, o Lobão (que anda meio apagado), os Irmãos Metralha, Madame Min (muito mais mandona e grosseira que a original) e seu escudeiro bolivariano João Bafodeonça.

E com os patos que acreditam que o PMDB vai deixar os cargos no Governo.*

(*) Coluna Carlos Brickmann, na Internet.

SANTINHO DO PAU OCO

Dirceu nega ter usado celular na prisão

 

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Processo pode definir se ex-ministro da Casa Civil, condenado no processo do mensalão,terá atendido seu pedido para trabalhar durante o dia fora da prisão

O ex-ministro José Dirceu negou nesta terça-feira, 11, ter tido acesso a um celular dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, onde cumpre pena em regime semiaberto pela condenação no esquema do mensalão. Dirceu prestou depoimento ao juiz Bruno Ribeiro, da Vara de Execuções Penais (VEP), em processo que pode definir seu futuro como presidiário. Se concluir que ele infringiu as regras, Dirceu pode ter negado seu pedido para trabalhar fora da prisão durante o dia.

Conforme os jornais Correio da Bahia e, posteriormente, Folha de S.Paulo, o ex-ministro conversou com o secretário da Indústria, Comércio e Mineração do Estado da Bahia, James Correia, pelo celular, no dia 6 de janeiro. O telefone seria de um empresário que foi visitar Dirceu na Papuda, de nome não revelado pelas publicações. Após a polêmica, o secretário passou a negar o contato com o petista. Até ser preso, Dirceu era hóspede frequente da ampla casa do secretário na Praia do Forte (BA).

O advogado do ex-ministro, José Luis Oliveira Lima, afirmou que seu cliente disse ao juiz que os registros de entrada na Papuda mostram que ele recebeu no dia seis apenas três advogados, o que comprovaria que Dirceu não esteve com um suposto empresário. Dirceu fez, ainda, um apelo ao magistrado para que ele autorize seu trabalho fora do presídio, o que lhe permitiria passar alguns finais de semana em casa, perto da filha.

Lima pediu ao juiz, também, que ele decida sobre a autorização para o trabalho externo de Dirceu sem submetê-la ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, como quer Bruno Ribeiro. A decisão ainda não foi tomada.

O depoimento foi por teleconferência (foi usada uma televisão 40 polegadas e um microfone), e durou cerca de 30 minutos.

Proibido. O uso de celulares por presidiários é proibido. Em caso de desobediência a essa regra, o preso pode ser punido com a proibição, por exemplo, de sair da cadeia durante o dia para trabalhar. Além disso, pode ocorrer regressão ao regime fechado, perda dos dias remidos e definição de nova data-base para benefícios.

O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, por exemplo, está com o direito a trabalhar suspenso devido a suspeitas de regalias que lhe teriam sido concedidas enquanto esteve no Centro de Progressão Penitenciária (CPP). Delúbio teria recebido visitas fora do horário determinado e um cardápio diferenciado dos demais presos.

Uma apuração feita pelas autoridades penitenciárias do Distrito Federal concluiu que Dirceu não usou o aparelho celular. No entanto, a Vara de Execuções Penais resolveu pedir uma investigação mais aprofundada das suspeitas. Durante a apuração, foi decidido que a análise do pedido de autorização para trabalho externo deveria ficar suspensa.

As investigações sobre supostas regalias a dois dos petistas condenados no mensalão provocaram críticas do governador Agnelo Queiroz (PT-DF) aos juízes da VEP. “Impõe-se consignar a completa ausência de qualquer ingerência de natureza política na administração do sistema penitenciário do Distrito Federal, afigurando-se grave aleivosia afirmação despida de qualquer indício de prática de atos ilegais e ilegítimos, a merecer a devida apuração pelos órgãos correcionais competentes”, diz o ofício assinado pelo governador. Agnelo, contudo, admitiu ter visitado o amigo Dirceu na Papuda.

Nesta terça, Dirceu, o ex-deputado João Paulo Cunha e Delúbio receberam a visita do ex-deputado e advogado Luiz Eduardo Greenhalgh. Ao encontrar o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) no aeroporto, Greenhalgh afirmou que visitaria “os meninos” na Papuda.   *

(*) Andreza Matais – O Estado de S. Paulo

CASA A MÃE JOANA

O PMDB e a Petrobras

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Ganha uma viagem a Roma, com direito a hotel “padrão Dilma”, quem souber apontar uma só politica pública associada ao descontentamento do PMDB com o atual governo, os passados e os futuros. Se o deputado Eduardo Cunha, líder da bancada do partido e porta-voz da insatisfação, estivesse discutindo transportes públicos, muito bem. Difícil que o faça, a menos que pretenda começar pela promiscuidade existente nas relações dos governos do Rio de Janeiro com os concessionários. Ele também poderia estar descontente com a inépcia dos ministérios da Educação ou da Saúde, mas disso seu PMDB não se queixa. A bandeira mais visível da oposição ajudada pelos rebeldes foi a proposta de instalação de uma comissão externa para investigar a Petrobras.

Em tese, toda investigação é boa. Na prática, esse instrumento transformou-se num fator de desmoralização do Congresso. A Comissão Parlamentar de Inquérito que investigou as atividades do doutor Carlinhos Cachoeira serviu apenas para mostrar ao país a eficácia da blindagem dos governadores, prefeitos e empresários que com ele tinham negócios. Quem protegeu os maganos foi o PMDB, com a ajuda do governo. Indo-se mais longe, à CPI do Banestado, verifica-se que em vez de achar as malfeitorias da banca, ela se contentou em descobrir novos caminhos para ter boas conversas com banqueiros.

Em 2009 o Congresso criou uma CPI para investigar a Petrobras. Começaram falando na investigação de contratos bilionários de empreiteiras e acabaram discutindo patrocínios culturais que envolviam caraminguás do comissariado cultural. À época, um empresário que conhece o mercado advertia: “Numa empresa desse tamanho, denúncia com valor inferior a US$ 100 milhões é disfarce de quem quer discutir o que não tem importância”.

A qualquer hora, em qualquer setor, algo de errado pode estar acontecendo na Petrobras. Isso deriva do seu tamanho. Quando ela se mete em desastres, como o da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, a oposição faz de conta que não vê. A CPI de 2009 não fez bem à empresa, apenas mostrou aos grandes fornecedores o que deviam fazer para ficar fora dos holofotes parlamentares.

Admita-se que o doutor Eduardo Cunha queira conhecer melhor as contas da Petrobras. Para ficar no mundo dos trocados, poderá achar um expediente, de 2012, no qual a área de gás e energia da empresa queria fazer sua festa de fim de ano no Copacabana Palace, fechando o Golden Room e o Salão Nobre para 230 convidados. A boca-livre custaria em torno de R$ 1.500 por pessoa. A maneira como a festa estava sendo contratada tinha fumaça. Exposto, o negócio foi cancelado. Admita-se que tivesse sido realizado, ou ainda que tivesse outra dimensão. Em vez de fechar dois salões, a Petrobras fecharia todos, para mil convidados. Haveria tantas flores e champanhe que um ás da noite carioca seria capaz de comparar o seu luxo ao do casamento da filha de Carmen Mayrink Veiga com o neto do magnata Augusto Trajano de Azevedo Antunes. Entre os convidados estariam ilustres parlamentares do PMDB.

Mesmo tendo caixa para uma festa dessas, a Petrobras deveria ficar constrangida e nada melhor que uma investigação para que se soubessem as razões que a levaram a tal exibicionismo. Essa festa aconteceu, em 2011, mas não é da conta de ninguém. Foi um evento privado, festa familiar do deputado Eduardo Cunha. *

(*) Elio Gaspari, Folha de São Paulo.

TERÇA-FEIRA, 11 DE MARÇO DE 2014

Alstom: conta na Suíça é comprovada

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Ex-secretário da Casa Civil do governo Covas, Robson Marinho era o titular

SÃO PAULO — As autoridades Suíças encaminharam ao Brasil documentos que comprovam a existência da conta mantida pelo vice-presidente e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), Robson Riedel Marinho, no banco Credit Lyonnais. A informação é do jornal “O Estado de S.Paulo”. A conta foi bloqueada em 2008 pelo Ministério Público da Suíça, que investigava pagamentos de suborno pela Alstom e detectou movimentações suspeitas ligadas a contratos firmados por estatais paulistas. O inquérito que investiga Marinho está desde 28 outubro de 2010 na Procuradoria Geral da República. Por ser conselheiro do TCE-SP, ele tem foro privilegiado. Marinho é suspeito de ter dado parecer favorável a um aditivo contratual firmado em 1998 pela Alstom com as empresas EPTE e Eletropaulo, estatais paulistas de energia. A Justiça Federal processa 11 pessoas por corrupção ativa e lavagem de dinheiro por causa deste aditivo, que teria movimentado R$ 23 milhões em propinas. O MPF detém ainda documentos de uma offshore de Marinho nas Ilhas Virgens Britânicas, a Higgins Finance. A offshore recebeu, de 1998 e 2005, US$ 953,6 milhões de Sabino Indelicato, um dos 11 processados. As contas de Indelicato e de Marinho foram abertas pelo mesmo gerente — uma três dias após a outra. Marinho foi secretário da Casa Civil do governador Mário Covas e prefeito de São José dos Campos. Indelicato foi seu secretário de obras. Os dois são sócios desde 2009 em uma construtora. Entre 1999 e 2001, Indelicato recebeu R$ 2,119 milhões da Alstom por uma consultoria de fachada, a Acqua-Lux. Um documento apreendido por autoridades suíças, que aponta o pagamento de 1% do valor do contrato para “TC.ROM”, que corresponderia a “Tribunal de Contas.Robson Marinho”. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) defendeu nesta segunda-feira investigação rigorosa do envolvimento de Marinho no caso.

(*) O Globo

O FANFARRÃO DANÇOU

Os garis e a festa da raça

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A derrota que os garis do Rio impuseram ao nem sempre sorridente prefeito do Rio Eduardo Paes teve mais de uma importância. Foi política porque obrigou o alcaide a rasgar um rebaixado acordo salarial recentemente assinado com um sindicato que lhe é submisso.

Foi econômica porque os 37% de reajuste alcançados pelos grevistas estão entre as maiores taxas conseguidas por uma categoria profissional nos últimos anos.

Mas a derrota também foi étnica. Garis – categoria majoritariamente de homens negros e pobres – insurgiram-se contra um prefeito branco e originário da classe média alta. Goste-se ou não de admitir que o Brasil se divide pela cor e pela classe, estas cisões sociais são reais e se comprovam no fato de que mais um alcaide carioca, como aliás toda a elite brasileira, vê a classe trabalhadora como um imenso navio de tráfico de seres humanos.

Arrogantemente, Paes classificou a greve como “motim” e, depois de ser obrigado a readmitir 300 garis que ele chamara de “marginais”, achou-se um “capitão” que retomara seu “navio”.

Greve, está na Constituição, é um direito. Motim foi o de 1910, quando o Almirante Negro João Cândido e seus camaradas da Revolta Contra a Chibata rejeitaram a violência contra marinheiros (também eles quase todos negros). Tomaram sete embarcações de guerra na Baía da Guanabara e puseram de joelhos a República.

Não por coincidência, fotos dos garis em greve parecem-se com um motim que expôs publicamente o lixo da tríade Paes-Liga de bicheiros-monopólio de facto da transmissão do Carnaval. Vistos por esse ângulo, os grevistas amotinaram-se e revelaram que governos temem uma semana de lixo nas ruas, enquanto desdenham de crianças sem aulas por três meses, como aconteceu na paralisação dos profissionais da educação do município em 2013.

Mas, como a vitoriosa greve ocorreu no Carnaval, é mais apropriado chamá-la de Kizomba, enredo da primeira vitória da Vila Isabel, em 1988, justamente no centenário da Abolição. Pois, a Festa da Raça de 2014 começou com a Beija-Flor vaiada no desfile de domingo, quando o puxador Neguinho cantou não o samba da escola, mas um jingle comercial. Terminou no desfile das campeães em aplausos aos garis que passavam recolhendo os restos das fantasias que se desfazem na avenida.

Só fico pensando no que diriam Brizola, Darcy e Niemeyer, se vissem essa verdadeira a apoteose do povo brasileiro no Sambódromo que criaram…*

(*) Carlos Tautz, jornalista, coordenador do Instituto Mais democracia – Transparência e controle cidadão de governos e empresas, no blog do Noblat.

COM AS MÃOS NA TAÇA

Contra vaias, Blatter diz que ele e Dilma não discursarão na Copa

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A cerimônia de abertura da Copa do Mundo não terá discursos da presidente Dilma Rousseff e nem do mandatário da Fifa, Joseph Blatter, para evitar que os dois sejam vaiados, como aconteceu durante a Copa das Confederações.

“Vamos fazer a cerimônia de uma maneira em que não aconteçam discursos”, disse Blatter, em entrevista à agência de notícias alemã DPA.

Dilma e o presidente da Fifa foram alvos de fortes vaias na cerimônia de abertura da Copa das Confederações, em Brasília, no ano passado.

A competição coincidiu com uma onda de manifestações populares que tomou conta das ruas das principais cidades brasileiras. Na pauta dos protestos, estavam os custos públicos com a organização do Mundial.

Questionado sobre a possibilidade de novos protestos e vaias contra o alto escalão do governo brasileiro e da Fifa, Blatter afirmou que não é “profeta” para saber o que vai acontecer e ressaltou que a situação no país está mais calma agora.

“Estou convencido que os protestos sociais não vão poder utilizar os mesmos argumentos usados na Copa das Confederações porque eles não são válidos. Estou convencido de que a situação se tranquilizou”, disse.

A cerimônia de abertura da Copa do Mundo será realizada no dia 12 de junho, no Itaquerão, antes da primeira partida da competição, entre Brasil e Croácia.*

(*) UOL