POSTE CAÍDO

Haddad vira ‘bola de ferro’

do PT em São Paulo

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Eleito em 2012 como último grande feito político de Lula, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, virou uma ‘bola de ferro’ que o PT arrasta em 2014. O partido atribui ao mau desempenho do prefeito parte das dificuldades que enfrenta para empinar Alexandre Padilha e revitalizar Dilma Rousseff no maior colégio eleitoral do país.

Em privado, dirigentes do PT admitem: o azedume do eleitorado do Estado de São Paulo é um principais problemas que a legenda enfrenta na atual temporada eleitoral. Munido de pesquisas internas, o petismo concluiu que a baixa popularidade do prefeito da capital é uma das causas do nariz torcido do eleitor, embora não seja a única.

Datafolha informa, em nova sondagem, que, na bica de completar em ano e meio de duração, o governo municipal de Fernando Haddad é avaliado como ótimo ou bom por apenas 17% dos paulistanos.

Empurrado às profundezas pelas manifestações de junho de 2013, Haddad não conseguiu mais colocar o nariz acima da linha de impopularidade para tomar ar. Nas pegadas do ronco do meio-fio, ele amargara no Datafolha uma aprovação miúda: 18%. A taxa se repetiu em sondagem de novembro. Agora, oscilou um ponto para baixo.

Editoria de Arte/Folha

Convidados a dar uma nota para Haddad, os pesquisados do Datafolha cravaram uma média de 4,8. Quer dizer: se estivesse num banco de escola, o prefeito, ex-ministro da Educação, seria reprovado. Ou ficaria de recuperação. Para 77% dos paulistanos, Haddad entregou menos do que se esperava dele.

De acordo com as sondagens que o PT encomendou para consumo interno, ajuda a compor o cenário adverso um certo mau homor do eleitorado de São Paulo com a deterioração moral da política.

Diferentemente do que sucedera em eleições anteriores, o mensalão não é mais um processo pendente de julgamento. Hoje, o escândalo é um conjunto de sentenças que colocou atrás das grades ex-dirigentes do PT. O partido paga o preço da eterna lealdade aos companheiros presidiários.

Contra esse pano de fundo, Alexandre Padilha, virou um “poste” difícil de ser eletrificado por Lula. Lançado como grande aposta do PT para interromper a hegemonia de duas décadas do tucanato em São Paulo, frequenta as pesquisas como um sub-Skaf. Por ora, é uma derrota esperando para acontecer.

É precária também a situação de Dilma em São Paulo. Nesse pedaço do mapa, informou o Datafolha no início de junho, 83% dos eleitores desejam mudanças no plano federal. Apenas 23% aprovam o governo Dilma. E 46% afirmam que não votariam na reeleição da presidente de jeito nenhum.

Vem daí que, num eventual segundo turno, Dilma perderia em São Paulo tanto para Aécio Neves quanto para Eduardo Campos. O primeiro prevaleceria por 46% a 34%. O segundo, por 43% a 34%. O PT receia que, se não for contida, a erosão de São Paulo termine engolindo a vantagem que Dilma deve ter na região Nordeste.*

(*) Blog do Josias de Souza

A CONTA CHEGOU SALGADA…

Economia entra em julho com pé no freio

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Após paradeira por causa da Copa, indústria e comércio iniciam segundo semestre com estoques altos e antecipação de liquidações

 

O segundo semestre começa com o freio de mão puxado para a indústria e o comércio. Após a paradeira provocada pela Copa e que afetou a atividade em junho, o cenário é pouco animador para julho e agosto. As encomendas do comércio para a indústria de eletrônicos e eletrodomésticos da Zona Franca de Manaus estão devagar e atreladas à expectativa dos varejistas de desovar estoque, especialmente de TVs, antes do fim da Copa.

No setor de vestuário, a situação é inusitada: as lojas começaram a liquidação de inverno praticamente com a abertura da estação, em 21 de junho. “Tínhamos uma previsão que não era boa, mas este mês foi muito ruim”, afirma o presidente da Associação de Lojistas de Shoppings (Alshop), Nabil Sahyoun.

O início de um segundo semestre em desaceleração para o comércio está estampado nas projeções de vendas para julho do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV). Segundo projeções feitas por 56 grandes redes varejistas, o faturamento deve crescer 1% em relação a julho de 2013, descontada a inflação, depois de ter avançado 5,4% em maio e 3,9% em junho em comparação aos mesmos meses do ano passado.

De acordo com o Índice de Antecedente de Vendas (IAV), apurado pelo IDV, julho deve ter as menores taxas de crescimento de vendas para todos os segmentos pesquisados. A expectativa é que o faturamento real com bens não duráveis, que são alimentos e produtos de higiene e limpeza, caia 0,2% este ano ante julho de 2013, e no caso dos bens duráveis, que abrange eletroeletrônicos e móveis, é esperado um acréscimo de apenas 0,5% na comparação anual.

As projeções indicam que o melhor desempenho em julho é esperado para o segmento de bens semiduráveis, que envolve artigos de vestuário, com crescimento de 4,7%. Mesmo assim, essa variação é praticamente a metade da esperada para maio e junho, de 10,1% e 9,3%.

“Essas projeções são uma profecia autorrealizável”, afirma o vice-presidente do IDV, Fernando de Castro. Ele explica que as grandes varejistas consultadas para elaborar o índice, que juntas representam 28% do varejo nacional, fazem suas encomendas às indústrias levando em conta essa projeção de vendas.

O descompasso entre os estoques no comércio e as vendas e um estudo da Confederação Nacional do Comércio (CNC) feito com base nos últimos dados do IBGE explicam a cautela nas projeções dos comerciantes e De janeiro a abril, as vendas do comércio varejista restrito, que não inclui veículos, cresceram 5% ante 2013, enquanto os estoques aumentaram 5,2%.

Segundo Fabio Bentes, economista da CNC, os estoques estão pesando mais no varejo no segmento de vestuário e de móveis e eletrodomésticos. Entre janeiro e abril, as vendas de itens de vestuário caíram 1,2% e os estoques aumentaram 0,4% em relação a igual período de 2013. Nos móveis e eletrodomésticos, os estoques cresceram 9,6% no período e as vendas avançaram 4,4%.

Tudo indica que esse quadro de desajuste entre estoque e venda piorou nos últimos meses. “As vendas no varejo saíram fora dos trilhos entre abril e junho”, afirma um executivo do varejo que prefere o anonimato. Os comerciantes já esperavam algum enfraquecimento nos negócios, mas o fraco desempenho do período extrapolou as expectativa.*

(*) MÁRCIA DE CHIARA – O ESTADO DE S. PAULO

“MORALIZANDO A POLÍTICA”

PT oficializa Agnelo Queiroz para candidato ao governo do DF

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Vídeo com mensagem do ex-presidente Lula foi exibido durante o ato que oficializou a candidatura

BRASÍLIA – Com indício de superfaturamento de R$ 431 milhões na reforma do Estádio Mané Garrincha, ainda não explicado ao Tribunal de Contas da União, o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, teve sua candidatura a reeleição aprovada hoje em convenção do PT, em evento marcado por discursos e vídeo do ex-presidente Lula batendo na tecla de que ele e seu grupo vieram para moralizar a administração de Brasília.

No vídeo, exibido na convenção que ratificou a chapa de Agnelo, com o deputado Tadeu Filipelli como vice, e o deputado Geraldo Magela (PT) para o Senado, Lula defende sua reeleição e diz que é preciso dar continuidade ao projeto que “moralizou a política da capital federal”.

Nem Lula nem a presidente Dilma Rousseff, que cancelou viagem ao Acre, compareceram à convenção. A mensagem de Lula e os discursos dos petistas na convenção são uma reação ao lançamento da candidatura do ex-governador cassado e preso, José Roberto Arruda, pelo PR.

– Essa não é apenas mais uma eleição. Vamos ter que impedir que personagens que fizeram parte de um capítulo triste e sombrio da história de Brasília cheguem ao governo novamente – discursou Agnelo.

No mesmo tom, o deputado Geraldo Magela ataca a turma de Arruda e defende a moralização da administração petista.

– Esta é a coligação das realizações. Há quatro anos, Agnelo e Filippelli começaram a limpar Brasília. Agora estamos juntos de novo para não deixar a sujeira e a corrupção voltar ao Distrito Federal – discursou o petista, atualmente candidato ao Senado.*

(*) O Globo

É LIXO SÓ…

MORDERAM DILMA

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Na última sexta-feira, em Salvador, ao participar da convenção que lançou o candidato do PT ao governo do Estado, Lula afirmou que a política vive um momento de descrédito e que é preciso moralizá-la.

E completou: “Aos olhos do povo parece uma coisa vergonhosa”. E não é? Ora, Lula e o PT, mas não somente eles, contribuem para que boa parcela dos brasileiros sinta nojo da política e dos políticos.

Um dia antes, em Brasília, a presidente Dilma Rousseff havia dado posse a Paulo Sérgio Passos, o novo ministro dos Transportes.

Ministro costuma ser empossado em uma das amplas salas do segundo andar do Palácio do Planalto. As cadeiras, ali, jamais são suficientes para o número pessoas interessadas em prestigiar o novo ministro.

Pois a cerimônia ocorreu numa sala menor do terceiro andar. Durou menos de 20 minutos. E foi quase clandestina. Políticos de peso não compareceram. O discurso de Dilma não passou de uma peça chocha e cínica.

Ela disse que a ocasião se prestava para uma “pequena reorganização do time que toca a infraestrutura e logística do governo”. E concluiu: “Estou realocando as melhores pessoas em funções diferentes”.

Referia-se à transferência de Paulo Sérgio, presidente da Empresa de Planejamento e Logística, para o lugar de César Borges, até então ministro dos Transportes.

Borges foi rebaixado à condição de ministro da Secretaria Especial dos Portos em substituição a Antônio Henrique Silveira, que doravante responderá pela secretaria-executiva do ministério de Borges. Por que esse troca troca?

A implacável faxineira ética do início do governo, a dura executiva que não perdoa falhas dos seus auxiliares, a mulher valente que se orgulha de manter distância dos políticos por considerá-los desprezíveis, enfim essa senhora antipática e refratária a salamaleques rendeu-se à pressão de uma agremiação inexpressiva chamada Partido da República (PR).

Piscou primeiro. E ofereceu o ombro para ser mordido. Arrancaram-lhe uma fatia de autoridade.

Preocupada em assegurar o apoio do PR à sua reeleição e, por tabela, pouco mais de um minuto de propaganda eleitoral na televisão e no rádio, Dilma demitiu do Ministério dos Transportes quem mais de uma vez apontara como um dos seus melhores ministros.

Borges é filiado ao PR – assim como Paulo Sérgio. Mas o PR se queixava de que Borges não atendia aos pedidos dos seus parlamentares.

A escolha de Paulo Sérgio desagradou ao PR, que o considera resistente à ideia de facilitar negócios inconfessáveis. Por isso, nenhum nome do partido foi visto na posse dele.

O anúncio oficial do apoio do PR a Dilma está marcado para esta segunda-feira. É improvável algum recuo. Salvo se o inquilino de uma das celas da Penitenciária da Papuda, em Brasília, acordar de mau humor.

Valdemar da Costa Neto é o nome dele. Envolvido com o mensalão do PT, acabou condenado por corrupção, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. É ele que manda no PR.

A República sabe disso. Como sabe que foi de uma cela do presídio Ary Franco, no Rio, a do ex-deputado Roberto Jefferson, condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, que partiu a ordem para o PTB abandonar Dilma e aderir à candidatura a presidente de Aécio Neves (PSDB).

A propósito: Fernandinho Beira-Mar não movimenta milhões de reais de dentro de cadeias de segurança máxima?

Por que tenebrosas transações políticas não podem aproximar da Praça dos Três Poderes outro gênero de bandidos?*

(*) Blog do Noblat.

PIADA PRONTA

O “vampiro” Suárez tirando sangue do jogador.

Quando eu li a chamada no Facebook poderia jurar que era mais uma das inteligentes palhaçadas de Joselito Muller, aquele que tem “mobral incompleto” e que adora tirar sarro da esquerda. Mas não. Era uma notícia do GLOBO mesmo, com declarações oficiais do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmando que a punição da Fifa ao jogador uruguaio Suárez era resultado de ele ter eliminado da Copa uma potência europeia.

“Não perdoaram o Uruguai porque um filho do povo eliminou duas grandes potências do futebol. E aí então inventaram todo esse expediente”, disse aquele que já conversou até com o falecido Hugo Chávez, seu antecessor, em forma de passarinho. O socialista acrescentou: “É muito doloroso o castigo desproporcional que recebeu Luis Suárez da Fifa. É um grande atacante sul-americano. Luis Suárez pertence a toda a América do Sul”.

Em tão poucas palavras, todo o absurdo que os socialistas representam fica exposto. A visão vitimista típica dos que têm complexo de vira-latas, sempre culpando os “imperialistas” pelas cagadas que os latino-americanos aprontam. A politização de tudo na vida, inclusive do futebol. A incrível negação dos fatos, ao ignorar a mordida visível para todos que possuem olhos para enxergar. E o coletivismo tosco, que transforma um indivíduo de carne e osso apenas em um símbolo abstrato de algum coletivo, como se o jogador “pertencesse” a toda a América do Sul.

Ainda que a declaração de Maduro seja caricata e passe de qualquer limite do ridículo, não foi um caso isolado. Diz a reportagem:

A punição gerou uma comoção generalizada no mundo do futebol. Muitos consideraram a sanção exagerada, até mesmo Chiellini. Os comentários mais eloquentes vieram de ícones da esquerda latino-americana, como o presidente uruguaio, José Mujica, e mesmo o ídolo do futebol argentino Diego Maradona, para quem a sanção não passa de uma conspiração internacional contra os uruguaios.

Maradona, aquele que tem uma tatuagem do assassino Che Guevara, deve achar que foi uma conspiração internacional a favor da Argentina quando sua seleção venceu com um escancarado gol de mão de sua própria autoria, na certa. Só que não. A conspiração só vale quando é contra os pobres latino-americanos. Tudo culpa das “elites”, só pode!

A punição da Fifa pode parecer severa para alguns, e qual seria a mais adequada é passível de debate. Eu já penso que a Fifa compreende que a impunidade em campo é um convite ao abuso, e que se um “vampiro” que morde o adversário sai impune e continua na Copa, isso seria a completa desmoralização da arbitragem e do evento, instigando outros “pitbulls” a usar os dentes em vez dos pés e rasgar as regras de civilidade.

Ontem escrevi um texto irônico que fez bastante sucesso sobre o apagão venezuelano, culpando a CIA pelo ocorrido. Às vezes só levando na brincadeira mesmo essa esquerda jurássica e patética. Mas tem dois problemas nisso: um, os esquerdistas sequer compreenderem a ironia, pois muitos são analfabetos funcionais; dois, os próprios ícones dessa esquerda falarem a sério aquilo que nós poderíamos jurar que não passa de uma grande piada.

A esquerda bolivariana, afinal, é uma grande piada, só que de muito mau gosto, e com um gigantesco poder de estrago.

(*) Blog do Rodrigo Constantino

ESTADO LAICO, É?

Escola no interior do estado é acusada de impor pai-nosso a aluno judeu

Secretaria de Educação nega denúncia feita por pai de estudante e garante que oração diária é ato voluntário


RIO — Em um país laico e que tem a liberdade de crença garantida no artigo 5º de sua Constituição Federal, o caso de um menino judeu no município de Engenheiro Paulo de Frontin foi parar na polícia. O pai do jovem denunciou que o filho, que cursa o 9º ano no Ciep Cecílio Barbosa da Paixão, era obrigado a rezar a oração cristã pai-nosso, o que viola a crença religiosa da família, que é judia. No dia 5 de junho, o presidente da Federação Israelita do Rio de Janeiro, Jayme Salim Salomão, encaminhou um pedido de explicações à direção da escola e também à Secretaria estadual de Educação. A direção do Ciep, segundo a secretaria, nega que o menino tenha sido obrigado a rezar e que a oração é uma ação voluntária de um grupo de alunos e funcionários.

No ofício, a federação pede providências e diz que, lamentavelmente, a legítima recusa em não participar das orações está causando constrangimentos ao adolescente. O documento ressalta a liberdade religiosa e lembra que o Brasil é signatário de diversos tratados e convenções, nos quais foram assegurados o respeito à vida e à dignidade humana. A federação pede ainda que seja garantido ao aluno o direito de não participar e ser dispensado das orações diárias, sem que o mesmo seja vítima de qualquer ato de preconceito ou discriminação por parte dos alunos, funcionários ou professores. Ainda no documento, a federação reitera que tal prática constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão.

O pai do menino publicou em seu perfil no Facebook um longo relato da situação. Diz que o filho passou a ter problemas, até que um dia voltou para casa transtornado e disse que não suportava mais ir à escola todos os dias e ter que rezar. Segundo o pai, “quando saía da fila, todos os alunos ficavam olhando para ele com ar de crítica, e a funcionária (inspetora), pedia para ele voltar, alegando que o pai-nosso é uma oração universal, (isto, após ele ter dito a ela várias vezes que esta oração é cristã, e que não representa a sua fé)”, acrescentando ter denunciado o caso ao Conselho Tutelar e à polícia.

ALUNO FOI PARA OUTRA ESCOLA

A Secretaria estadual de Educação informou, por nota, que a escola é laica e que não orienta e muito menos obriga qualquer aluno a fazer orações, e que a direção do Ciep Cecílio Barbosa da Paixão informou que alguns estudantes e funcionários se reúnem, em um ato totalmente voluntário, para uma oração.

Ainda segundo a nota, a escola explicou à família do aluno que ninguém é obrigado a participar da oração, reforçando que é uma atitude voluntária de alguns estudantes. Mesmo assim, os familiares optaram por transferi-lo para outro colégio. A Secretaria de Educação disse ainda que repudia quaisquer formas de preconceito e proselitismo religioso dentro das unidades escolares da rede. A Diretoria Regional Centro-Sul (ouvidoria) está acompanhando o caso e orientará os responsáveis e o aluno.

Funcionários da escola registraram queixa na 51ªDP (Paracambi) contra o pai do menino. Segundo o registro da ocorrência, eles alegam que foram ofendidos e xingados. O caso já foi encaminhado ao Juizado Especial Criminal (Jecrim).

O deputado estadual Gerson Bergher (PSDB), também judeu, encaminhou ofício ao secretário estadual de Educação, Wilson Risolia, cobrando explicações.

— O caso tem que ser apurado com rigor. Há alunos de todas as religiões que não podem ser submetidos a este constrangimento, que é ilegal e fere a Constituição Federal. Onde está a liberdade de credo? — disse o parlamentar.*

(*) CELIA COSTA – O GLOBO

PINÓQUIO COMPULSIVO

Lula usa dados errados em discurso para empresários

Ex-presidente cometeu deslizes ao falar sobre investimento externo, exportação de alimentos e PIB do Brasil

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SÃO PAULO – Para tentar reconquistar a confiança do empresariado nacional e internacional no governo Dilma Rousseff, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recorreu nesta semana a uma enxurrada de números e indicadores para sustentar a continuidade das conquistas sociais e econômicas de seu governo na gestão de sua sucessora.

 

Uma análise feita pelo GLOBO do discurso que ele fez num evento da Câmara de Comércio França-Brasil mostra, no entanto, que o ex-presidente cometeu vários deslizes em sua fala. Indicadores como investimento externo direto, dívida bruta e corrente de comércio, citados por Lula como “êxitos dos últimos 12 anos”, na verdade pioraram durante o governo Dilma.

O ex-presidente se enganou ainda ao citar dados sobre reajuste salarial, informações sobre exportação de alimentos e também a posição do PIB do Brasil no mundo, em especial na comparação com outras nações emergentes.

A assessoria do Instituto Lula informou que o ex-presidente não adota a paridade monetária para falar sobre o PIB, apesar de esta ser considerada pelo Banco Mundial a medida mais adequada para comparar economias. O instituto admitiu que Lula se equivocou sobre dados relativos à exportação de alimentos e diz haver diferentes dados sobre os índices de reajuste salarial do Dieese.

É ISSO MESMO

– “Em 2013, o Brasil se tornou o segundo maior investidor externo na União Europeia”- Os dados consideram principalmente o investimento de empresas brasileiras em Portugal e Espanha.

Investidores externos da UE (em euros):

EUA – 313 bilhões / Brasil – 21 bilhões/ Suíça – 18 bilhões

– “O salário mínimo, em 12 anos, aumentou 72%” – Segundo o Dieese, este é o índice de ganho, descontada a inflação.

Evolução do salário:

2002: R$ 200/ 2006: R$ 350/ 2010: R$ 510/ 2014: R$ 724

– “Saímos de 70 milhões de brasileiros com contas bancárias para 120 milhões” – Contas poupança, segundo a Febraban:

2010: 97 milhões/ 2011: 98 milhões/ 2012: 112 milhões/ 2013: 125 milhões

– “Com o ProUni, colocamos 1,5 milhões de jovens de periferia para fazer universidade” – De acordo com o MEC, 31,1% dos estudantes de ensino superior estão no ProUni.

– “Há 12 anos, tínhamos 37 milhões de passageiros em aeroportos. Ano passado, foram 113 milhões” –Lula acertou, mas com pequena diferença.

Passageiros transportados no Brasil, segundo Abear:

2002: 36 milhões/ 2006: 49 milhões/ 2010: 79 milhões /2013: 111 milhões

– “Aumentou produção de automóvel de 1,8 milhão para 3,7 milhões” –Produção brasileira de veículos, segundo a Anfavea:

2002: 1,6 milhão/ 2006: 2,4 milhões/ 2010: 3,3 milhões/ 2013: 3,7 milhões

NÃO É BEM ASSIM

– “A ONU adota o bolsa família como o mais importante programa de transferência de renda do mundo” – Embora o programa seja citado como exemplo para a erradicação da pobreza, a ONU também cita o programa Oportunidades, do México, como iniciativa no mesmo patamar.

– “94% dos acordos salariais em 12 anos foram feitos com aumentos salariais reais, acima da inflação” – Segundo o Dieese, apenas em 2012 o índice citado foi alcançado; nos outros anos, não.

Balanço de reajustes acima da inflação (%):

2009- 79,9/ 2010- 88,8/ 2011- 87,5/2012- 95,1/ 2013- 86,9

– “O BNDES é o único banco brasileiro com inadimplência zero, é o único que só empresta para quem pode pagar” – A “inadimplência zero” é obtida graças à rolagem constante das dívidas, peculiares de um banco público de fomento. Foi assim em relação às dívidas das empresas de Eike Batista, por exemplo.

– “Entre 2008 e 2013 o país produziu superavit primário médio de 2,58%” –Para alcançar a média, o governo usou artifícios, como o uso de ações da Petrobras compradas pelo BNDES em 2012 e a contabilização do parcelamento de dívidas de empresas, realizado contra a vontade da Receita Federal.

– “O Brasil tem hoje o sétimo PIB da economia mundial, o segundo maior entre os grandes países emergentes, depois da China” – Segundo o Banco Mundial, o Brasil está em quarto colocado entre os emergentes. O cálculo por paridade de poder de compra é a melhor maneira de comparar o tamanho de diferentes economias.

Maiores economias:

1- EUA/ 2- China/ 3- Índia/ 4- Japão/ 5- Alemanha/ 6- Rússia/ 7 Brasil

– “O Brasil é o segundo maior exportador de alimentos” – Na verdade, é o quarto.

Exportação de alimentos no mundo, segundo a OMC (em dólares):

EUA: 138 bilhões/ Holanda: 84,3 bilhões/ Alemanha: 78,4 bilhões Brasil: 77,2 bilhões

– “Estamos ampliando o investimento público em educação há 12 anos” – Nos três primeiros anos do governo Lula, o investimento em relação ao PIB foi menor que no último ano de FH. Subiu apenas a partir de 2006.

Investimento em educação (% do PIB):

2002: 4,8%/ 2003: 4,6%/ 2004: 4,5%/ 2005: 4,5%/ 2006: 5%/ 2012: 6,4%

NOS ANOS DILMA, FOI PIOR

– “O PIB per capita passou de 2,8 mil dólares para 11,1 mil dólares” – No primeiro ano de Dilma, o PIB cresceu até 12,5 mil dólares, mas caiu e não voltou ao mesmo patamar, segundo o Banco Mundial.

PIB per capita (em dólares):

2010- 10,9 mil/ 2011- 12,5 mil/ 2012- 11,3 mil/ 2013- 11,7 mil

– “Há 10 anos consecutivos a inflação se mantém dentro das metas estabelecidas pelo governo” – Para o mercado, ao comemorar índices que ficaram distantes do centro da meta, o governo passa a mensagem que a meta real não corresponde ao centro, como aponta o discurso oficial. Para manter dentro da margem, o governo segura preços, como da energia elétrica, gasolina e diesel.

– “A reserva de 380 bilhões (de dólares) corresponde a 18 meses de importações” – Para não perder reservas, o governo atua no mercado futuro de câmbio. Até o fim do ano, deverá manter uma posição vendida de cerca de 100 bilhões, o que equivale a quase um quarto das reservas.

– “Saímos de fluxo de balança comercial de 107 bilhões de dólares em 2007 para fluxo de 482 bilhões em 2013. Não é pouca coisa” – O crescimento dos anos Lula não se repetiu e o fluxo ficou estagnado.

Corrente de comércio, segundo o MDIC (em bilhões US$):

2010: 383,7/ 2011: 482,3/2012: 465,7/2013: 481,8

– “Há três anos o Brasil está entre os cinco maiores destinos de investimento externo direto do mundo. Em 2013 foram 64 bilhões, um bilhão a menos que em 2012” – Segundo a ONU, o Brasil caiu da quinta para a sétima posição no ranking de investimento direito em 2013, quando recebeu 4% a menos de investimento. No fluxo mundial o aumento foi de 11%. Entre os emergentes, de 6%.

– “A dívida pública bruta está estabilizada em torno de 57% do PIB” – A dívida pública cresceu no governo Dilma.

Dívida pública bruta, segundo o BC:

dez/2010: 53,3%/ dez/2011: 54,1%/ dez/2012: 58,8%/ abr/2014: 57,7% *

(*) THIAGO HERDY E MARIANA SANCHES – O GLOBO