QUARTA-FEIRA, 9 DE ABRIL DE 2014

Mais uma vitória

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Agora é definitivo: transitou em julgado no STF uma das ações por danos morais movidas por Ali Kamel, o diretor de jornalismo da Globo, contra Paulo Henrique Amorim.

Em 2009, o apresentador de programa de variedades da Record e blogueiro publicou um post em que chamava Kamel de racista. Foi processado e perdeu em todas as instâncias.

A indenização, que era de 30 000 reais em 2009, com atualização monetária e juros, é agora de cerca de 60 000 reais. A dívida será executada imediatamente.

(*) Blog do  Lauro Jardim

VANGUARDA DO ATRASO

Os coveiros da CPI são duas provas de que a Petrobras corre o risco de entrar na lista dos grupos criminosos vigiados pela Interpol

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Se continuasse em segredo a gastança criminosa na refinaria de Pasadena ou na refinaria Abreu e Lima, se a imprensa não tivesse revelado nenhuma das patifarias bilionárias que há semanas afrontam o país que presta, só o pânico provocado no Planalto pela assombração da CPI bastaria para convencer até um bebê de colo de que é preciso devassar com urgência e sem brandura as catacumbas da Petrobras. O que se descobriu até agora grita que 11 anos de governo lulopetista reduziram a maior das estatais a uma portentosa usina de maracutaias. O que falta descobrir pode rebaixar o escândalo do mensalão a coisa de batedor de carteira.

O Brasil Maravilha, repito, não passa de um pobretão metido a besta que se fantasia de rico com um fraque puído nos fundilhos. Coerentemente, a Petrobras inventada por Lula finge prosperar com as sobras da autossuficiência que nunca existiu, esbanja antecipadamente o dinheiro que jamais lucrará com a exploração do pré-sal e, enquanto importa milhões de barris, capricha na pose de sócia atleta da OPEP. Surpreendidos pelo tsunami de delinquências comprovadas, os farsantes no poder decidiram recorrer ao estoque de métodos repulsivos para afastar a estatal das primeiras páginas onde vem estacionando diariamente.

A julgar pelo noticiário da segunda-feira, assim será também nesta semana. “Operação da Polícia Federal aponta intermediação do doleiro Alberto Youssef entre fornecedores da Petrobras, PP e PMDB”, informou o Estadão. ”Petrobras contrata R$ 90 bilhões sem licitação em três anos”, revelou a manchete da Folha. Nesta terça, o Estadão confirmou que o deputado André Vargas foi forçado pelos próprios companheiros a licenciar-se da Câmara “para não alimentar a CPI da Petrobras”. O principal concorrente, baseado numa pesquisa do Datafolha, constatou que “78% dos brasileiros acreditam que há corrupção na Petrobras”.

Levada às cordas pela devastadora sequência de fatos, Dilma Rousseff replicou com outro palavrório de pugilista grogue: “A CPI da Petrobras é fruto da disputa eleitoral”. Nesta tarde, Lula interrompeu o silêncio dos sem-álibi para distrair com bazófias, bravatas e tapeações uma plateia de blogueiros estatizados. ”As pessoas nunca quiseram CPI pra nada, e agora…”, desandou o palanque ambulante. “Então, eu acho que nesse aspecto o PT tem que ir para cima”. A continuação do palavrório confirmou que o maior dos governantes desde Tomé de Souza anda pouco inspirado.

“Mais uma vez, os interesses políticos estão fazendo com que, em época de eleição, a oposição que não tem bandeira, não tem voto, levante a ideia de fazer uma CPI”, repetiu-se, antes de desferir outra bofetada no rosto dos brasileiros decentes: “A gente não pode permitir que, por omissão nossa, as mentiras continuem prevalecendo. Temos que defender com unhas e dentes aquilo que a gente acredita que seja verdadeiro”. Foi, portanto, para garantir o triunfo da verdade que Lula e Dilma selecionaram tão cuidadosamente os coveiros encarregados de enterrar a CPI da Petrobras.

A escolha de Renan Calheiros e Romero Jucá foi, simultaneamente, uma confissão de culpa e um sintoma de desespero. Agindo em parceria, o pecuarista sem rebanho e o fazendeiro do ar (veja o post na seção Vale Reprise) são mais que uma dupla de assassinos da ética e da moral. Os dois prontuários ambulantes valem por um bando. A Polícia Federal e o Ministério Público deveriam anexá-los aos inquéritos e processos que envolvem a estatal.

Renan e Jucá são, sobretudo, duas evidências contundentes de que, pelo andar da carruagem, o governo do PT e da base alugada ainda vai conseguir infiltrar a Petrobras na lista das organizações criminosas sob a mira da Interpol.*

(*) Blog do Augusto Nunes.

O DEMÓSTENES DO PT

Vargas está refletindo sobre possível renúncia, afirma líder do PT

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O líder do PT na Câmara, deputado Vicentinho (SP) conversou na tarde desta terça-feira (8) com o deputado licenciado André Vargas (PT-PR) e afirmou que, apesar de ele manter o pedido de licença do mandato, ele já está refletindo sobre um possível pedido de renúncia.

“Conversei com o André Vargas hoje e ele está absolutamente convencido da sua inocência. […] Ele está refletindo [sobre a possibilidade de renúncia]. Essa decisão cabe estritamente a ele. Por enquanto ele está de licença e de hoje para amanhã a gente pode ter o desfecho”, afirmou Vicentinho.

O Conselho de Ética da Casa abrirá o processo contra o petista na tarde de quarta-feira (9). Apresentado pelos partidos da oposição PSDB, DEM e PPS, a representação pede que se investigue as relações de Vargas com o doleiro preso Alberto Youssef.

Na semana passada, a Folha revelou que Vargas viajou em um jatinho emprestado pelo doleiro e, em uma troca de mensagens telefônicas, a dupla teria combinado a negociação de um laboratório com o Ministério da Saúde. Vargas teria prometido ajudar Youssef.

Para o presidente do conselho, deputado Ricardo izar (PSD-SP), mesmo que Vargas renuncie ao mandato antes da instauração do processo, ele já estaria inelegível por oito anos de acordo com as regras da Lei da Ficha Limpa. “Analisei melhor a legislação e ficou claro que ele já está inelegível porque a representação já chegou ao Conselho de Ética”, disse.

No entanto, alguns congressistas afirmam que a inelegibilidade valeria apenas após o início do processo. “Existe uma dúvida porque há uma divergência no Supremo Tribunal Federal sobre o momento em que ele pode perder a elegibilidade. Se é no momento em que os partidos entram com o pedido ou no momento em que se abre o processo no Conselho de Ética. A Lei da Ficha Limpa é bem clara quando define que é no momento da petição, mas essas dúvidas persistem. Vamos aguardar.

O conselho irá abrir o processo na quarta e terá 90 dias para concluí-lo. “Eu não vou adiar a sessão porque quero dar um rápido prosseguimento ao caso. Teremos o recesso de julho e eu quero concluir tudo antes do recesso”, afirmou Izar.

Na quarta-feira, o conselho sorteará o nome de três deputados que poderão relatar o caso. Dos 21 integrantes do colegiado, apenas 14 poderão exercer o cargo, pois ficam impedidos os deputados do PT, os do Paraná, e os integrantes dos três partidos que ingressaram com a representação: PSDB, DEM e PPS. Izar escolherá um dos nomes da lista tríplice para ser o relator. *

(*) MARIANA HAUBERT – FOLHA DE SÃO PAULO

CorruPTos

O PT nas mãos de Vargas

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O presidente do PT, Rui Falcão, e o ministro Ricardo Berzoini (Relações Institucionais), conversaram ontem com o deputado André Vargas (PT-PR). Os petistas querem que Vargas, flagrado em relações com o doleiro Alberto Youssef, alvo central da Operação Lava-Jato da PF, renuncie ao mandato. Eles buscam evitar que o PT fique sangrando e argumentam que “ele fica elegível”.*

(*) Blog do Ilimar Franco.

HAJA LAMA

Por Gim, Dilma e Renan

querem Brasil de cegos

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— Não sei quantos aqui conhecem a vocação do senador Gim Argello para o papel que ele desempenhará pelos próximos 19 anos como ministro do Tribunal de Contas da União. Eu, que o conheço há mais tempo do que muitos, não sei se ele tem a menor vocação, o menor preparo, o menor gosto pelo trabalho árduo de ministro do TCU.

Com a palavra, Cristovam Buarque, numa de suas participações na sessão do Senado, nesta terça-feira. Sua voz fez eco com outras que se ergueram contra a tentativa do presidente do Senado, Renan Calheiros, de impor o ritmo de toque de caixa à análise da indicação do colega Gim Argello para ocupar uma poltrona vitalícia de ministro do TCU. Renan queria poupar  Gim de uma sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos. Cristovam puxava os véus.

— Seria útil ouvir o senador Gim Argello numa audiência na Comissão de Economia. Mas eu sei que muitos aqui não estão ligando pra isso. Sei que isso é fruto de um arranjo feito no Palácio do Planalto. E nós estamos nos prestando a isso.

Conforme já noticiado aqui, Gim responde a seis inquéritos no STF, um deles já com denúncia da Procuradoria Geral da República. A lista de crimes atribuídos ao senador faz dele um personagem apto para várias coisas, nada que orne com as atribuições de um ministro do TCU: peculato, fraude em licitação, apropriação indébita, corrupção, lavagem de dinheiro e crimes contra o patrimônio.

Com o aval de Dilma Rousseff, o acerto palaciano a que se referiu Cristovam foi tricotado na semana passada com o PTB, partido de Gim, pelos ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Ricardo Berzoini (Relações Institucionais). Para cavar a vaga de Gim no TCU, antecipou-se a aposentadoria de um dos ministros, o ex-senador Valmir Campelo. Como? Oferecendo-lhe a cadeira de vice-presidente de Governo do Banco do Brasil.

— Estão brincando com o Banco do Brasil como já brincaram com a Petrobras. Essa é a verdade. E nós aqui, nos prestando a isso. Pelo menos vamos analisar a vocação do senador Gim Argelo numa sabatina na Comissão de Economia, rogou Cristovam.

Devolvido à cadeira de presidente do Senado com a perspectiva de refazer a própria biografia, Renan revelou-se na sessão desta terça o mesmo Calheiros de sempre. Fez ouvidos moucos para os apelos dos colegas que cobraram respeito aos prazos. Programara-se para votar um pedido de urgência e, de cambulhada, na mesma sessão, aprovar o nome de Gim.

— Vou votar contra a urgência. Os prazos previstos no nosso regimento não são ornamentais, apressou-se em informar Aloysio Nunes, líder do PSDB.

Presente à sessão, Gim não disse palavra. Era como se preferisse ficar invisível. Jarbas Vasconcelos, dissidente do PMDB, constatou que a invisibilidade era plena, já o nome de Gim não era mencionado nem no papel que formalizava sua escolha, na cota do Senado.

— É inegável que a indicação do senador Gim Argello, cujo nome inclusive não consta da indicação, é polêmica. Estranhamente, não consta o nome dele. Peço que essa matéria vá para a Comissão de Assuntos Econômicos. Há precedentes aqui no Senado de tentativas do governo federal de tumultuar os trabalhos. Essas coisas estão ficando claras.

De fato, estava claro que, consorciado com Dilma e seus ministros, Renan flertava com o obscuro. Desde o desfecho do julgamento do mensalão, há uma fome de limpeza no ar. Mas Renan quer forçar o Senado a fazer dieta. Curiosamente, nenhum senador fez referência aos inquéritos que Gim protagoniza no STF. O que mais chegou perto foi o líder do PSOL, Randolfe Rodrigues. Ele reclamou que faltava um documento no papelório repassado aos senadores.

— Foi distribuído sem constar o currículo [de Gim argelo], que me parece ser um requisito necessário. A Constituição apresenta duas exigências para o cargo de ministro do TCU: notório saber e reputação ilibada. No mínimo, deveríamos ter o currículo. E não temos.

Ouviram-se apelos suprapartidários para que Renan aguardasse pela sabatina de Gim na comissão. Além de Cristovam (PDT), Aloysio Nunes PSDB), Jarbas (PMDB) e Randolfe (PSOL), reiteraram o pedido: Agripino Maia (DEM), Rodrigo Rollemberg (PSB) e Pedro Taques (PDT). Renan deu de ombros. Sustentou que, aprovando-se a urgência com os votos da maioria, o Senado estava autorizado a suprimir prazos e procedimentos. Renan realçou que o modelo vapt-vupt já fora utilizado pelos senadores. “É comum”, disse ele uma, duas, três quatro vezes ao longo da sessão.

Súbito, algo de muito incomum sucedeu no Senado: Renan perdeu uma disputa. Submetido a uma votação simbólica, na qual os líderes votam pelos liderados, o pedido de urgência foi dado por aprovado. A turma do contra exigiu a verificação do quorum. Renan aferiu os votos. Aberto o painel eletrônico deu-se o inusitado: 24 votos a favor do rito abreviado, 25 pelo respeito aos prazos regimentais, duas abstenções. Estavam ausentes 30 senadores. Por uma diferença de um voto, Gim Argello terá de submeter-se a uma sabatina.

No fim das contas, considerando-se o tamanho da bancada governista, a indicação de Gim Argello para o TCU deve ser aprovada. Apoiam a iniciativa os dois maiores partidos da Casa: PMDB e PT. Mas pelo menos a plateia terá a oportunidade de se divertir ouvindo as explicações do preferido de Dilma e de Renan. O senador Cássio Cunha Lima iluminou os riscos:

— Não estamos mais em um país que fecha os olhos e tapa os ouvidos diante dos acontecimentos. Temos uma sociedade viva lá fora, temos redes sociais. Não podemos esticar mais a corda. Não podemos esquecer que o Senado teve de adotar medidas de segurança, para que este plenário não fosse invadido há um ano. Vamos fazer de conta que nada daquilo que aconteceu nessa Esplanada foi real?

Em verdade, o jogo do faz de conta já recomeçou no dia em que Renan foi devolvido à presidência do Senado pela terceira vez. A simples tentativa de enviar ao TCU um senador com telhado, ternos e gravatas de vidro demonstra que certos políticos continuam achando que não devem nada a ninguém. Muito menos explicações.

Dilma e Renan intimaram o Brasil a se fingir de cego. Eles pedem aos brasileiros que aceitem a tese de que Gim Argello é um homem bom. Aconselham aos jornalistas que deixem de fazer perguntas incômodas. O país deve aceitar, babando na camisa, que um senador pluriencrencado no STF será no TCU um grande fiscal dos desvios da República.*

(*) Blog do Josias de Souza.

IncomPTência da Gerentona

Crédito às elétricas chegará a R$ 10,8 bi

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Governo reduziu valor do aporte do Tesouro dentro do pacote de socorro de R$ 12 bi ao setor e elevou a necessidade de empréstimo bancário

BRASÍLIA – Uma manobra inesperada do Tesouro Nacional forçará as distribuidoras de energia a contratarem um empréstimo bancário maior que o previsto para cobrir o rombo em suas finanças em 2014. Essa conta mais alta será repassada ao bolso do consumidor final a partir do ano que vem.

As condições do financiamento e os bancos participantes da operação desenhada pelo governo devem ser anunciados nesta quarta-feira, 8, pelo Ministério da Fazenda. O total do empréstimo será de pelo menos R$ 10,8 bilhões, segundo admitiu o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino. Assim, a conta ficará R$ 2,8 bilhões acima do previsto pelo governo quando anunciou o plano de socorro para as distribuidoras de energia, no mês passado.

“Podemos dizer que R$ 10,8 bilhões é a nova melhor estimativa para o empréstimo, mas os valores são refinados mês a mês, de acordo com a necessidade do setor”, disse Rufino. A única alternativa, avaliou, seria um novo aporte do Tesouro para cobrir o custo das distribuidoras com a compra de energia à vista. “Mas não há nenhuma sinalização sobre isso.”

Impacto

Esse adicional no valor do empréstimo, provocado por uma alteração das regras originais, impactará diretamente as contas de luz a partir de 2015. Um empréstimo maior para salvar as distribuidoras significa necessariamente um reajuste mais elevado nas tarifas cobradas dos consumidores ao longo de um prazo menor.

Isso ocorrerá por que os recursos oferecidos pelo Tesouro têm até cinco anos para serem repassados nas contas de energia, mas o ressarcimento dos valores financiados pelos bancos, e seus respectivos juros, começarão a ser cobrados já no próximo ano. O prazo em que esse valor adicional poderá ser diluído na conta dependerá das condições finais do empréstimo costurado pelo governo. Esse reajuste, que seria de 8% a 9%, ficará ainda maior, segundo fontes do setor.

Quando anunciou o pacote de ajuda ao setor elétrico em março, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, prometeu que o rombo de R$ 12 bilhões que ameaçava as empresas distribuidoras seria coberto em parte pelo Tesouro e em parte por empréstimos da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) a ser contratado no mercado em nome das companhias. Pelas contas da equipe econômica, os bancos financiariam R$ 8 bilhões e os cofres públicos, R$ 4 bilhões. Nesse segundo caso, os recursos sairiam do aumento de impostos.

Mas o Tesouro não vai mais colocar todos os R$ 4 bilhões na conta que servirá para bancar o alto custo das distribuidoras com a energia adquirida no mercado de curto prazo. As empresas precisam recorrer a essa fonte mais cara porque não conseguiram fechar contratos a preços menores no leilão de energia do fim de 2013 – na ocasião, faltaram 3.300 megawatts (MW) médios.

Diferentemente do anunciado em março por Mantega, apenas R$ 1,2 bilhão – já pagos em fevereiro deste ano – serão cobertos pelo Tesouro em 2014 para bancar essa fatura. Os outros R$ 2,8 bilhões prometidos acabaram na Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), fundo escolhido para cobrir diversos encargos do setor elétrico. Só em 2014, os desembolsos do fundo para pagar esses penduricalhos, antes cobrados nas contas de luz, devem somar R$ 18,073 bilhões.

Assim, com essa manobra do Tesouro, o empréstimo necessário de R$ 8 bilhões para as distribuidoras este ano subiu para R$ 10,8 bilhões.

Sindicato. A CCEE vai obter os recursos de um pool de bancos públicos e privados. Além da Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, bancos privados também farão parte do sindicato. O governo considera importante essa sinalização ao mercado. A operacionalização do empréstimo, no entanto, levará um pouco mais de tempo.

A decisão do governo de elevar o volume do empréstimo que será bancado pela CCEE indicou que o gasto com o aumento do custo de energia foi maior do que o previsto há menos de um mês, quando os ministérios da Fazenda e de Minas e Energia anunciaram um pacote de medidas para socorrer as distribuidoras.*

(*) Eduardo Rodrigues e Adriana Fernandes, de O Estado de S.Paulo

SE GRITAR, PEGA, LADRÃO…

Doleiro é ligado a sócio de Furnas em hidrelétrica

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Segundo a Polícia Federal, empresa parceira da estatal em Três Irmãos mantém sociedade com Alberto Youssef em laboratório

Brasília e São Paulo – A Polícia Federal suspeita que a empresa que arrematou, em parceria com Furnas, a concessão da usina hidrelétrica de Três Irmãos, seja sócia do doleiro Alberto Youssef no laboratório Labogen. É o que informa o relatório da Operação Lava Jato.

A principal sócia de Furnas na usina hidrelétrica é a GPI Participações e Investimentos. Ela é presidida por Pedro Paulo Leoni Ramos, conhecido como PP, que foi secretário de Assuntos Estratégicos no governo de Fernando Collor de Mello (1990-1992). Nas investigações que levaram ao impeachment do ex-presidente e hoje senador, PP foi apontado como operador de um esquema de corrupção ligado à Petrobrás e aos fundos de pensão de empresas estatais do governo federal.

Entre os papéis apreendidos na Lava Jato está um documento de “promessa de compra e venda de ações e outras avenças da Labogen S. A Química Fina e Biotecnologia” para três empresas, entre elas a GPI.

Os outros sócios são Quality Holding Participações e Investimentos S.A e a Linear Participações e Incorporações Ltda.

De acordo com as investigações, a Quality pertence à rede de empresas criadas por Alberto Youssef para movimentar seus negócios. Ela tem dois sócios, e há indícios que ambos trabalhem para o doleiro.

Um é João Procópio Junqueira Pacheco de Almeida Prado. Outro é Matheus Oliveira dos Santos. Ambos informam como endereço comercial o mesmo da DGF – que, segundo a PF, é empresa de fachada de Youssef. A DGF é dona do apartamento onde mora o doleiro. Um boleto de condomínio vem em nome de Youssef “a/c João Procópio”.

Matheus aparece trocando e-mails com dois executivos da Labogen, Pedro Argese Júnior, diretor executivo, e Leonardo Meirelles, presidente, e neles menciona mais de uma vez um dos sócios de Leoni Ramos na GPI, João Mauro Boschiero.

O relatório da PF traz uma mensagem eletrônica de Matheus a Leonardo Meirelles, dizendo que iria “pedir uma reunião de emergência na gpi” para levar um orçamento e obter dinheiro para concluir uma obra. Em outro momento, Boschiero aparece mandando os destinatários apagarem mensagens. “Pedro e Leonardo (além de todos os que receberam os e-mails abaixo). D E L E T E M – N O U R G E N T E. As citações que foram feitas DERRUBAM NOSSO PROJETO”, escreveu.

A Labogen tentava fechar um acordo de Parceria para Desenvolvimento Produtivo (PDP) com o Ministério da Saúde. Foi nesse processo que Youssef contou com a ajuda do deputado André Vargas (PT-PR).

Mas o laboratório tinha mais planos, segundo mostram os papéis em poder da PF. Os documentos mostram que a Labogen, além do caso já conhecido de tentativa de parceria com o Ministério da Saúde, também tinha planos de fornecer para a Petrobrás, mais especificamente para a BR Distribuidora.

“Chama atenção na apresentação do tema ‘projetos em desenvolvimento’, onde se observa que o foco da Labogen é a Petrobrás”, diz o relatório.

Um documento com projetos da Labogen foi até ilustrado com o logotipo da BR Distribuidora. O plano era fornecer para a estatal produtos como glicerina, sequestrante de H2S, dissolventes de encrustração, inibidor de corrosão, desidratante de gás natural.

Procurada, a GPI informou que só se manifestará após seus advogados terem acesso ao inquérito da PF. Negou, porém, que Boschiero seja diretor da Labogen, como informou a revista Época desta semana.*

(*) Lu Aiko Otta e Fausto Macedo – O Estado de S. Paulo

PEGA PRA CAPAR

A CPI do fogo cruzado

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A realização da CPI da Petrobras, do metrô de São Paulo e do Porto de Suape é um fato consumado. O presidente do Senado, Renan Calheiros, comunicou ao Planalto e ao PT que não é possível impedir o funcionamento de uma comissão com fato determinado e o número regimental de assinaturas. Além disso, os aliados do PMDB estão sustentando que o governo Dilma tem uma vantagem na largada da troca de chumbo.

A investigação na Petrobras está começando do zero e passará por uma fase de depoimentos. Já a do metrô de São Paulo está avançada e há documentos e movimentações financeiras para serem exibidas ao público.*

(*) Blog do Ilimar Franco.

QUEM É QUE MANDA NESTA JOÇA?

Vem, Lula

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Uma eleição presidencial com Nosso Guia na disputa faria bem a todo mundo, inclusive a ele

Quem viu a final do vôlei masculino da Olimpíada de Londres há de se lembrar. O Brasil ganhara dois sets e faltava só fechar um ponto para levar o ouro quando o técnico russo botou Dmitriy Muserskiy (2m10) na quadra. Resultado: a Rússia fez o ponto, levou os dois sets seguintes e ficou com o ouro. Se o PT achar que a reeleição de Dilma corre perigo, deixará Lula no banco para agradar seus adversários?

Tudo ficaria melhor se Lula saísse como candidato a presidente. Por cinco razões:

1) Porque é maior de idade e está no exercício de seus direitos políticos.

2) Porque o “volta, Lula” vem enfraquecendo o governo do poste que ele ajudou a botar no Planalto.

3) Porque uma parte do desgaste que está corroendo a doutora Dilma é dele e foi-lhe jogado no colo. Afinal, o mensalão e as petrorroubalheiras nasceram na sua administração.

4) Porque a outra parte do desgaste da doutora está associada ao mito da gerentona, criado por ele. Afinal, é a “mãe do PAC”.

5) Porque a transformação do PT num aparelho arrecadador de fundos teve o seu permanente beneplácito, tanto durante os oito anos em que esteve na Presidência, como depois. O deputado André Vargas não é um ponto fora da curva, mas uma luzinha dentro da estrela vermelha.

As urnas decidirão se o PT deve receber um novo mandato presidencial. Quatro anos de Dilma mostraram que o poder é mais do partido do que do ocupante do Planalto. Isso não deriva de qualquer malignidade intrínseca do comissariado, mas do fato de que ele é o único partido organizado do país. Se os outros não se organizaram e o máximo que fazem é combinar jantares, o problema é deles. Vitorioso, o PT terá 16 anos ininterruptos de poder. Isso jamais aconteceu na história brasileira e não fará diferença se esse mandato for exercido por Lula ou Dilma. Pelo contrário, para o bem ou para o mal, ele representa melhor a estrela que fundou do que ela, um convertida tardia.

A entrada de Lula na disputa daria maior clareza à escolha. Se ele é um político prestigiado, com 37% dos entrevistados pelo Datafolha dispostos a votar em quem tiver seu apoio, torcer para que fique no banco de reservas é uma ilusão.

Chegou-se a abril e os dois candidatos da oposição produziram apenas listas de celebridades e palavrório. Sabe-se mais das diferenças entre os prováveis candidatos republicanos para a eleição americana de 2016 do que das plataformas de Aécio Neves e Eduardo Campos.

Há pouco a Câmara aprovou uma medida provisória com centenas de contrabandos. Entre eles, mais uma estia para sonegadores de impostos e um mimo para os planos de saúde que não cumprem os contratos que vendem aos clientes. Isso só foi conseguido por um acordo de lideranças parlamentares, com o apoio das bancadas oposicionistas.

Nas três últimas eleições presidenciais os candidatos tucanos escondiam Fernando Henrique Cardoso, sem explicar por quê. Agora, Aécio Neves e Eduardo Campos escondem que fazem oposição a Lula. Talvez acreditem que só devem falar claro às vésperas da eleição, seguindo protocolos estabelecidos pelos marqueteiros. Nas eleições anteriores fizeram isso e, derrotados, procuraram culpar essa nova modalidade de astrólogos.*

(*) Elio Gaspari, Folha de São Paulo.

TERÇA-FEIRA, 8 DE ABRIL DE 2014

As escolhas de Gleisi

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O principal candidato a coordenador da campanha de Gleisi Hoffmann ao Governo do Paraná, pelo PT, era Eduardo Gaievski. Foi preso sob acusação de abusar sexualmente de menores. Foi substituído por novo coordenador, um peso-pesado, que já tinha coordenado a campanha de seu marido, o hoje ministro Paulo Bernardo, a deputado federal: vice-presidente da Câmara dos Deputados, secretário de Comunicação do PT, ousado a ponto de tuitar que queria “dar uma cutovelada”, escrito desse jeito mesmo, no ministro Joaquim Barbosa, que visitava o Congresso.

Um trator! E cheio de bons amigos. Seu nome, André Vargas.

Gleisi não tem tido sorte ao escolher seus coordenadores de campanha.*

(*) Coluna Carlos Brickmann, na Internet.