ERA SÓ O QUE FALTAVA

DEPOIS DE DESISTIR DE EMPREGO EM HOTEL DE BRASÍ PARA DESPISTAR A IMPRENSA, AGORA JOSÉ DIRCEU REIVINDICA DIREITO DE MANTER BLOG NA PRISÃO

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A PROPÓSITO

Vai produzir um novo “Memórias do Cárcere”, do inesquecível Graciliano Ramos. Só pode!

 

EM TEMPO

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Dirceu tomou essa iniciativa na esperança de que a imprensa pare de investigar os “donos” do Hotel St. Peter, um estabelecimento mais do que suspeito, que pertencia ao ex-deputado Sergio Naya, e não é preciso dizer mais nada. O “emprego”, com carteira assinada e tudo o mais, é apenas a ponta de um icerberg gigantesco, que já começou a derreter.

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SIMANCOL QUE É BOM…

Dirceu virou personagem de desenho animado

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José Dirceu atravessa seus primeiros dias de cárcere como se fosse um personagem de desenho animado —desses que, quando acaba o chão, continuam caminhando no vazio e só caem quando se dão conta de que pisam em nada. Desde a decretação de sua prisão, em 15 de novembro, o ex-número 2 do PT ainda não olhou para baixo.

Político preso, Dirceu se autoproclamou preso político. Detento do semiaberto, saiu-se com um contrato de ‘trabalho’ de R$ 20 mil mensais. Empregou-se num hotel cujo suposto proprietário, homem de rádios e tevês, tem na proximidade com o poder seu principal capital social. Em poucos dias, descobriu-se que o empregador de Dirceu habita um mundo em que ‘laranja’ há muito deixou de ser uma reles fruta.

Expostos os pés de barro do neopatrão, Dirceu ergueu o queixo e mandou seus advogados divulgarem uma nota. No texto, “renuncia à oferta de emprego”. Para não perder o hábito, queixa-se do “linchamento midiático”. Acha injusto que outras pessoas sejam “transformadas em alvo de ódio e perseguição” por terem sido generosas com ele.

Por sorte, a bondade do brasileiro é infinita. Uma ONG de amparo a presidiários ofereceu emprego a Dirceu e seus dois companheiros do núcleo político do mensalão. O salário é menor: R$ 508 mensais. Mas não há laranjas no cesto. Se topar, Dirceu vai supervisionar a fabricação de piso de concreto por outros presos.

No ofício que enviou ao STF, a entidade explicou que Delúbio, ex-gestor de arcas partidárias, sofrerá algumas restrições. “Não demostrou a nosso ver nenhuma habilidade em outras funções senão a de tesoureiro do partido político.” Nesse posto, anotou a ONG, Delúbio mostrou “não ser de confiança” para o exercício de funções administrativas. “Por este motivo, lhe ofereceremos o cargo de assistente de marcenaria.”

Quanto a José Genoino, a cooperativa de presos levou em conta seu estado de saúde. Como não pode fazer grandes esforços, o ex-presidente do PT teria a atribuição de costurar bolas de futebol. A atividade não impõe “nenhum esforço físico”, anota o ofício. E proporciona ao preso uma renda de R$ 5 por bola.

Não se sabe, por ora, se Dirceu aceitará cuidar da fabricação de piso de concreto em troca de remuneração equivalente a 75% do salário mínimo. Parece improvável. No dicionário de Dirceu não há o vocábulo piso, só teto. Na sua realidade de animação, o preso mais ilustre do mensalão fez um novo pedido à Vara de Execuções Penais de Brasília.

Mesmo no xiloindró, Dirceu deseja obter autorização para atualizar seu blog periodicamente. Repetindo: o preso quer laptop, banda larga de internet e liberdade para fazer política na rede. Mais: quer receber jornais e revistas. Não é só: acha que pode dar entrevistas.

Dirceu atravessa seu abismo sem fazer concessões à realidade. Enquanto caminha sobre o vazio, tenta de tudo sem perceber que tudo já não quer nada com ele. O detendo ainda não enxergou o tom acinzentado do chão da cela. Dirceu demora a olhar para baixo.*

(*) Blog do Josias de Souza

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VITÓRIA, SUAS PONTES E NÓS

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Vitória era chamada por Darcy Pacheco de Queirós como a “cidade das escadarias”. Hoje talvez já possa ser chamada também de “cidade das pontes”: a Ayrton Senna, a da Passagem, as Cinco Pontes, a Ponte Seca, a Terceira Ponte, a do Camelo… Alguns nomes são sugestivos, como a do Camelo ou a Ponte Seca, ou historicamente mnemônicas, como a Segunda e a Terceira, ou redundantes, como a da Passagem (todas as pontes são de passagem, já que não existe nenhuma que tenha sido feita para ninguém passar).

De alguma forma, se as pontes se associam às cidades em que estão construídas, como as de Paris, as de Londres, a de Lisboa (sobre o Tejo), as do Porto (sobre o Douro), as de Veneza (como a famosa Ponte dos Suspiros), há as pontes que todos somos. Afinal, o ser humano nasce do nada e ao nada torna, sendo o seu corpo uma espécie de ponte entre esses dois nadas.

As religiões também não deixam de ser pontes entre os homens e a divindade ou divindades. Às vezes, não muito boas de atravessar, por causa dos obstáculos provocados pelo excesso de proibições e de regras que constituem receita de antivida de todas as crenças. Obstáculos que também podem afetar a cultura, como o provocado pelo fanatismo de vereadores evangélicos que conseguiram proibir o Halloween em Vila Velha e em Vitória,  por ignorância ou  por desvirtuamento de sua  fé  xiita.

Metaforicamente, há as pontes aéreas, ligando cidades por meio de aviões de carreira, com horários múltiplos e variados, ao gosto do viajante.

Há pontes associadas a mitos, como o que sugere que  “pontífice” significaria “construtor de pontes”. Na verdade, o pontifex latino sugere essa metáfora pela aparência do nome que não tem, na sua origem, contrariamente à explicação de Varrão,  nem relação com pons (“ponte”), nem relação com o verbo facere (“fazer”). A explicação de Varrão é apenas etimologia popular, porque o nome pontifex latino sempre designou um membro do principal colégio dos sacerdotes romanos, cujo chefe era o pontifex maximus, sem nenhuma relação com ponte. Pelo menos é essa a explicação do Dictionnaire étymologique de la langue latine, de Ernout e Meillet (Paris: Klincksieck, 1967, s.v. pontifex).

De qualquer forma, a associação de pontifex com o Papa não é ideal, uma vez que seria melhor considerá-lo o intermediário entre o céu e a terra, a própria ponte entre Deus e os homens, e não o construtor dela.

Na mitologia hebraica, o arco-íris é uma ponte entre Deus e os homens (o arco da aliança).

A ponte sempre simbolizou a passagem de um estádio a outro, de uma situação a outra, de um lugar a outro, ainda que imaterial. A ponte é, portanto e sempre, uma transição.

Como todos os seres humanos.

 

PS. Esta crônica foi enviada ao Conselho Editorial da coletânea Escritos de Vitória, mas foi vetada. Creio que a consideraram inadequada aos propósitos da antologia.

 

(José Augusto Carvalho é mestre em Linguística pela Unicamp, doutor em Letras pela USP, e autor de um Pequeno Manual de Pontuação em Português (1ª edição, Bom Texto, do Rio de Janeiro, 2010, 2ª edição,  Thesaurus, de Brasília, 2013) e de uma Gramática Superior da Língua Portuguesa (1ª edição, Univ. Federal do ES,  2007; 2ª edição, Thesaurus, de Brasília,  2011)

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E NO PAÍS DA PIADA PRONTA

Operação Uruguai” tentou livrar Collor com empréstimo

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Um empréstimo no exterior foi usado pelo então presidente Fernando Collor de Mello para justificar seus rendimentos e seu padrão vida em 1992. A tentativa de livrá-lo do “impeachment” ficou conhecida como “Operação Uruguai”.
O artífice da operação, o secretário particular de Collor, Claudio Vieira, tentava comprovar que obteve no Uruguai empréstimo de US$ 3,75 milhões para a campanha eleitoral, os quais teriam sido convertidos em 318 kg de ouro, adquiridos junto ao doleiro uruguaio Najun Turner. A versão foi dada em depoimento à CPI do Collorgate, em julho de 1992.
A intenção era provar que as despesas de Collor, muito acima de seus rendimentos, não eram custeadas pelo empresário Paulo César Farias, o PC, e sim pelo empréstimo. Fracassou.
A estratégia não impediu o afastamento do presidente pela Câmara, em setembro, e sua posterior renúncia, mas permitiu que Collor fosse inocentado da acusação de crime comum pelo STF em dezembro de 1994, quando José Dirceu, deputado federal (PT-SP) declarou:
‘É um desastre que significa praticamente a permissão para a prática do crime no país. Provas e testemunhas existiam e foram desconhecidas pelo STF.’

 

A PROPÓSITO

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Assim como Fernando Collor tentou livrar-se do impeachment com a célebre Operação Uruguai, José Dirceu apareceu agora com sua Operação Panamá para tentar passar algumas horas diárias fora da Papuda.

(*) Blog do Lauro Jardim

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PURO RACISMO

50 tons de pele

Racismo nas redes sociais contra Joaquim Barbosa

Toda a feroz campanha contra o ministro Joaquim Barbosa terá como causa a vingança contra a ousadia de condenar réus do sacrossanto partido que ocupa o poder federal? Ou, como causa associada, a possibilidade de que o ministro saia candidato à Presidência da República, cometendo o crime de lesa-majestada?

Talvez a causa seja outra (até porque Barbosa, arrogante, de trato áspero, muitas vezes grosseiro, dificilmente ganharia uma eleição): o ator Milton Gonçalves, respeitado militante dos movimentos negros desde os tempos em que isso não era moda, vê a face do racismo na guerra a Joaquim Barbosa. “Se fosse louro de olhos azuis, o discurso seria outro”. Completa: “Ele tem méritos. Não entrou por cotas, fala cinco línguas, é um personagem importante em nosso país”.

O advogado Humberto Adami, do Instituto de Advocacia Racial, entrou na luta por Barbosa, criando a campanha “O Brasil abraça o ministro Joaquim e o STF” nas redes sociais e criticando a “campanha desonesta, vil e evidentemente racista contra um brasileiro que tem cumprido fielmente suas obrigações constitucionais”. Lembra que a campanha racista é movida contra Barbosa, que é negro, e poupa os demais ministros que votaram a seu lado pela condenação. Mas os outros que condenaram os réus são brancos e não sofrem ataques.

Racismo também é coisa nossa. Esmeraldo Tarquínio, prefeito eleito de Santos, foi hostilizado por militares por ser de esquerda e cassado por ser negro.

Da ditadura à democracia, muita coisa mudou. Mas há fatos tristes que se repetem.*

 

(*) Coluna Carlos Brickmann, na Internet.

 

A PROPÓSITO

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(…) Joaquim Barbosa, responsável pela execução das penas, tem sido destratado de maneira inconcebível, inclusive pelos sentenciados. É apontado como tirano, como se a condenação tivesse sido manifestação solitária dele e não do plenário do STF. Não foi ele quem causou a cardiopatia de Genoíno, nem quem o induziu a assinar empréstimos fraudulentos para o PT.*

 

(*) Ruy Fabiano, no blog do Noblat.

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FUGITIVO DO HOSPÍCIO

 

Presidente do PT diz que laudos são

manipulados para manter Genoino preso

000 - Rui Falcão - Camisa de força

O presidente do PT, Rui Falcão, disse nesta sexta-feira (29) que os laudos sobre as condições de saúde do deputado licenciado José Genoino estão sendo “manipulados” para mantê-lo na prisão.

O dirigente participou da abertura do fórum “Ideias para o Brasil”, promovido pela Fundação Perseu Abramo, centro de estudos ligado ao PT, em São Paulo. Após discursar por 12 minutos, ele embarcou para Brasília, onde se reunirá com a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir o cenário eleitoral para 2014.

Falcão afirmou que a prisão dos ex-dirigentes petistas José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares por envolvimento no esquema do mensalão é parte de uma “campanha antecipada” dos adversários do partido visando às eleições do próximo ano.

Em sua avaliação, que reproduz o que o PT vem manifestado em textos oficiais desde o final do ano passado, as siglas de oposição ao governo, a imprensa e as cúpulas do Judiciário e do Ministério Público “distorcem os fatos” para prejudicar a legenda.

“Acabamos de ver a ação penal 470 [nomenclatura jurídica do processo do mensalão], que condenou companheiros sem provas, inverteu o ônus da prova, fazendo que as pessoas tivessem que provar que são inocentes, que suprimiu o duplo grau de jurisdição, que puniu companheiros pelas tarefas que desenvolveram”, disse Falcão.

“E agora, não contentes com esse tipo de condenação política, humilham os companheiros na forma do cumprimento da pena. Colocam em risco –e serão responsabilizados por isso– a vida do companheiro Genoino, que padece de uma cardiopatia grave e manipula inclusive laudos para mantê-lo na prisão em condições que ele não pode suportar”, concluiu

O parecer de uma junta médica da Câmara dos Deputados, que analisa um pedido de aposentadoria por invalidez feito por Genoino, afirmou que o petista não pode ser considerado impossibilitado de trabalhar em definitivo. A recomendação foi que ele fique afastado por 90 dias e seja reavaliado. A avaliação frustra a expectativa do PT, que esperava a concessão do benefício antes de a Casa julgar se o parlamentar deve ter o mandato cassado em consequência da condenação no mensalão.

Outro laudo, elaborado por médicos da Universidade de Brasília a pedido do Supremo Tribunal Federal, disse que a doença de coração de Genoino –operado em julho passado para corrigir uma dissecção na artéria aorta– não se caracteriza como grave e que, embora o parlamentar necessite de tratamento, não é “imprescindível” que ele cumpra a pena em casa, como pleiteou inicialmente sua defesa.

Falcão disse que houve omissão na divulgação de partes do laudo e defendeu a prisão domiciliar para Genoino. “O laudo diz o seguinte: ele está bem, só que tem que ter acompanhamento médico regular, controle da pressão, da coagulação sanguínea e tem que ter alimentação especial. Ora, como é que você pode, diante desse laudo, concluir que ele não está necessitando de prisão domiciliar? Há uma manipulação nesse sentido”, declarou o presidente do PT.

O dirigente afirmou que os erros cometidos pelo partido e por seu integrantes não justificam a forma como o mensalão foi julgado e a execução das penas dos petistas. “Temos tido o tempo todo solidariedade com esses companheiros, a despeito dos erros cometidos coletivamente por nós nesse processo e dos erros individuais que ocorreram também, mas que não justificam nem o tipo de julgamento, nem a condenação, nem as penas”, disse.*

(*) DIÓGENES CAMPANHA – DE SÃO PAULO – FOLHA DE SÃO PAULO

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Papuda’s Inn

Juízes determinam fim de ‘privilégios’ a presos na Papuda

00rs1128b - Tudo em alta; até o Genoino.

Decisão da Vara de Execuções Penais do DF estabelece isonomia de tratamento na penitenciária onde estão condenados no mensalão

BRASÍLIA – A Justiça do Distrito Federal determinou que os condenados do mensalão recebam, no presídio da Papuda, o mesmo tratamento dado aos demais presos. Na decisão, os juízes da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal afirmam que o tratamento desigual provoca instabilidades no sistema carcerário. Desde que foram presos, os condenados no mensalão receberam visitas fora no horário normal de visitações e chegaram, conforme o Ministério Público, a receber pizzas encomendadas pela Polícia Federal.

Os juízes da Vara de Execuções determinaram ainda que Simone Vasconcelos, ex-diretora da empresa SMPB, e Kátia Rabelo, ex-presidente do Banco Rural, sejam transferidas para o presídio feminino para cumprirem suas penas. As duas estão presas no 19º Batalhão da Polícia Militar no Complexo da Papuda, área reservada para presos militares.

O tratamento dispensado aos condenados foi criticado por familiares de demais presos, que costumam passar horas na fila para conseguirem visitar seus parentes. Um documento feito pelo MP, que inspecionou o local em que o ex-presidente do PT José Genoino está preso, mostrou que a PF chegou a pedir pizza “tarde da noite” no dia em que os condenados foram presos.

“Penso que não há qualquer justificativa para que seja dado a um interno/grupo específico tratamento distinto daquele dispensado a todos os demais reclusos, valendo consignar que é justamente a crença dos presos nesta postura isonômica por parte da Justiça do Distrito Federal que mantém a estabilidade do precário sistema carcerário local”, decidiu a Vara.

Os juízes Bruno Silva Ribeiro, Ângelo Fernandes de Oliveira e Mário de Assis Pegado, que assinam a decisão, não mencionam expressamente o grupo de condenados por envolvimento no mensalão. O titular da Vara, Ademar Silva de Vasconcelos, não assinam a decisão. Suas decisões e postura desagradaram o presidente do STF, Joaquim Barbosa.

Deficiente.

O tratamento diferenciado só teria justificativa, dizem os magistrados, se fosse possível admitir a existência de dois grupos de seres humanos: “um digno de sofrer e passar por todas as agruras do cárcere e, outro, o qual deve ser preservado de tais efeitos negativos, o que, evidentemente, não é legítimo admitir”.

Os juízes afirmam ainda que é “fato público e notório” que o sistema carcerário brasileiro é deficiente, mas acrescentam que isso não seria justificativa para tratamento diferenciado. Por isso, alegando ser necessário o “restabelecimento da harmonia no sistema prisional”, os juízes da Vara de Execuções Penais determinaram a “estrita observância por parte das autoridades penitenciárias locais das prescrições regulamentares, legais e constitucionais, especialmente no que se refere ao tratamento igualitário a ser dispensado”.

A decisão decorre de manifestação do Ministério Público do DF, que fez uma inspeção nos dias 25 e 26 de novembro. A inspeção constatou um “clima de instabilidade e insatisfação” na penitenciária.*

(*) Felipe Recondo – O Estado de S. Paulo

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BRAZIL…ZIL…ZIL…

Renda extra

000 - ZD - Genoino na Papuda

Corre na Papuda a piada de que José Genoíno só está vendendo saúde para pagar a multa de R$ 468 mil fixada pelo STF no julgamento do mensalão!

Preso só pensa bobagem, né não?

“Siamo junti”

Cassado pelo Senado italiano, Silvio Berlusconi já manifestou sua vontade de, se for em cana, ficar preso na Papuda em solidariedade aos brasileiros que, como ele, se dizem vítimas de injustiças!

Via das dúvidas

migueljc

Entreouvido num ponto de ônibus de Brasília sobre o laudo médico que não considera “imprescindível” o tratamento de José Genoino em prisão domiciliar:

“O que é ‘imprescindível’?”*

(*) Tutty Vasquez, no Estadão.

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REPETIÇÃO DE PREPOSIÇÃO

000- a coluna do Joauca - 500

Uma regra pouco conhecida, porque tácita, recomenda que se repitam, antes de cada complemento, as preposições a, com, de, em, para e por, sobretudo. A razão é simples: se a preposição não se repetir, o sentido pode mudar. Ex.:  a frase “Maria saiu com João e você também” significa que “você também saiu com João”. Mas na frase “Maria saiu com João e com você também”, o que se quer dizer é que “Maria também saiu com você”.

Às vezes, a omissão da preposição, isto é, o fato de se não repetir a preposição pode resultar no oposto do que se pretendia dizer. Em A Tribuna de 02-04-2011, p. 47,  sob a manchete “Governo líbio recusa oferta de cessar fogo”, lê-se: “O governo dos Estados Unidos reforçou ontem que no final de semana irá parar de disparar mísseis Tomahawk e lançar ataques aéreos contra as forças de Kadafi.” O que a notícia diz é que o governo americano vai parar de disparar mísseis mas vai lançar ataques aéreos. Repare-se que os dois infinitivos estão coordenados: “irá parar… e lançar…”, o que permite a interpretação de que os Estados Unidos vão lançar ataques aéreos contra Kadafi.  Se a preposição se repetisse, a ideia seria outra: “O governo dos Estados Unidos reforçou ontem que no final de semana irá parar de disparar mísseis Tomahawk e de lançar ataques aéreos contra as forças de Kadafi.” Aqui a coordenação se faz entre os termos preposicionados: “…parar de disparar… e de lançar…” Isto é, se a preposição de é repetida, a notícia diz que o governo americano não vai lançar ataques aéreos. Se a  preposição não é repetida, a notícia diz que o governo americano vai lançar ataques aéreos.  O emprego da preposição é fundamental para a precisão do que se vai dizer.

Atente-se ainda para o fato de que “vai parar” já é futuro. Dizer “irá parar” é pôr no futuro o que já estava no futuro. Dá-se a essa redundância particular o nome de hipercaracterização, isto é, a caracterização do que já estava caracterizado. A hipercaracterização é frequente quando o falante esquece a formação da palavra ou da expressão. Em “comigo” a preposição “com” se repete, já que “comigo” se origina do latim “cum me cum”. Quando digo “arrozal” ou “cafezal”, o sufixo é “al”. Mas em “milharal”, há a repetição do sufixo: “milhal + al”  dá “milharal” (por dissimilação, o l da primeira ocorrência do sufixo muda para r). Outro exemplo: como “meio” já significa “ambiente”, a expressão “meio ambiente” se formou por hipercaracterização. Assim, em lugar de “irá parar” bastaria dizer “vai parar”, que já é uma forma de futuro.

Outro exemplo de que é necessária a repetição da preposição: “José está com saudade de  Maria e Carlos também”. A frase diz que “Carlos também está com saudade de Maria”. Se a preposição se repete, a interpretação é de que José também está com saudade de  Carlos: “José está com saudade de Maria e de Carlos também”.

Quando traduzi o livro A sombra da serpente, um romance extraordinário do lituano Saulius T.Kondrotas (publicado pela Record em 1994), tive de repetir a preposição a antes dos dois núcleos do objeto direto: “Era o pai. Nunca o ouvi rir, nem a ele nem ao avô” (página 19). A ideia do texto original era de que nem ele (o pai) nem o avô riam. O revisor foi impiedoso em sua incompetência, suprimindo as duas ocorrências da preposição: “Nunca o ouvi rir, nem ele nem o avô”, o que muda completamente o sentido, sobretudo porque o leitor fica sem saber quem é esse “ele”, que deveria ser pronome pleonástico do objeto direto o, referente a “o pai”. E o avô passou a ser a pessoa que nunca o ouviu rir, em vez de ser a pessoa que nunca riu.

Tudo isso significa que é uma pena que se tenha extinguido a função dos copidesques. Ou que não se recorra à revisão de um professor de português.

(José Augusto Carvalho é mestre em Linguística pela Unicamp, doutor em Letras pela USP, e autor de um Pequeno Manual de Pontuação em Português (1ª edição, Bom Texto, do Rio de Janeiro, 2010, 2ª edição,  Thesaurus, de Brasília, 2013) e de uma Gramática Superior da Língua Portuguesa (1ª edição, Univ. Federal do ES,  2007; 2ª edição, Thesaurus, de Brasília,  2011)

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E VIVA O BANANÃO!

Hotel da Sucessão

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Só quem conhece a história da TV brasileira recorda deste programa de sucesso de 1955, na época da eleição que levou Juscelino Kubitschek ao poder. No hotel se hospedavam os personagens da campanha. Lá circulava não muito discretamente um objeto misterioso que convencia os políticos a mudar de opinião.

Pois agora, a um ano da eleição, 58 anos depois, outro hotel entra em cena. O ex-ministro José Dirceu pediu ao Supremo que o autorize,como presidiário em regime semiaberto, a trabalhar durante o dia na gerência do Hotel St. Peter, em Brasília. José Dirceu, trabalhando em hotel, sem qualquer experiência no ramo?

Depende do ramo. O proprietário do Hotel St. Peter é Paulo Abreu, empresário de comunicações, de tradicional família de políticos (como os ex-deputados Dorival de Abreu e José de Abreu). É dele a Rede Mundial, que engloba uma série de emissoras de rádio em São Paulo, Supertupi AM e FM, Kiss FM, Scalla FM, Apollo FM, Terra AM e FM, Atual, com ótima audiência. Mas seu sonho é maior: ressuscitar a TV Excelsior, que já foi a maior rede do país sob o comando de Mário Wallace Simonsen, e destruída pelo regime militar. Paulo Abreu, ao longo dos anos, obteve os direitos da TV Excelsior; e não encontra resistência no Ministério das Comunicações. Só falta um decreto presidencial, que elimine eventuais pendências da velha Excelsior com o Governo Federal e lhe deixe o caminho livre.

Como dizia José Dirceu, quando ele dava um telefonema “era um telefonema!” Prestar-lhe um favor, tê-lo ao lado todos os dias – que mal faz?

 

Os mais iguais

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O artigo 231 do Estatuto do PT determina a expulsão de petistas condenados “por crime infamante ou práticas administrativas ilícitas, com sentença transitada em julgado”. Nenhum dos condenados com trânsito em julgado no processo do Mensalão foi expulso, ou teve o processo de expulsão iniciado.

O decreto 4.207/02 determina a cassação de medalhas oficiais de condenados com trânsito em julgado. José Dirceu tem a Medalha da Ordem do Mérito Militar; José Genoíno, a Medalha do Pacificador; Roberto Jefferson, a Medalha do Pacificador e a Ordem do Mérito Militar; Valdemar Costa Neto, a Medalha do Pacificador. A Medalha do Pacificador deve ser cassada por ato do comandante do Exército, general Enzo Peri; cabe ainda a ele notificar o Conselho da Ordem do Mérito Militar da situação dos condenados. Mas até agora ninguém se moveu, muito menos ele: essa história de obedecer às normas é para os menos iguais.

 

Economizar, jamais

000000000000000000000000 - compactando a reeleição com dinheiro alheio

A coluna Diário do Poder (www.diariodopoder.com.br), de Cláudio Humberto, faz uma comparação impressionante entre Brasil e Estados Unidos. O Palácio do Planalto, sede do Governo brasileiro, tem 4.600 funcionários; a Casa Branca, sede do Governo americano, tem 460 funcionários. O presidente americano mora e trabalha na Casa Branca. O presidente brasileiro trabalha no Palácio do Planalto, mora no Palácio da Alvorada e dispõe da Granja do Torto; tem também à disposição o Palácio Rio Negro, em Petrópolis.

E a mania de palácios à vontade não é exclusiva dos presidentes, seja qual for seu partido: o governador de São Paulo mora e trabalha no Palácio dos Bandeirantes, tem um palácio no Horto Florestal, em São Paulo, tem outro palácio em Campos do Jordão. Para que? Para nada.

 

The British way

O primeiro-ministro britânico mora e trabalha numa casa em Downing Street, 10. A casa foi um presente do rei George 2º a seu principal ministro, Robert Walpole, por bons serviços prestados. Walpole aceitou o presente, desde que não fosse algo pessoal: a casa seria utilizada por quem quer que ocupasse o cargo.

 

Tudo numa boa

As denúncias sobre fraude em São Paulo no pagamento do Imposto sobre Serviços, ISS, são pesadas. As empresas que pagaram propina dizem ter sido chantageadas, mas os denunciantes afirmam que o pessoal da construção civil era o primeiro a saber quem iria chefiar a fiscalização da Prefeitura e que as empresas procuravam os fiscais para combinar o desconto nos impostos e o valor do suborno.

OK, não é caso de condenar antes de julgar; mas não dá para ficar por isso mesmo por anos a fio. Por que não foi solicitada ainda a quebra do sigilo bancário e fiscal das empresas denunciadas? Aquela lei que pune empresas corruptoras, afastando-as de negócios com o poder público, por onde anda?

 

Crivella na briga

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O ministro e senador Marcello Crivella acha que chegou sua hora: está pronto para disputar o Governo do Rio, na sucessão de Sérgio Cabral, enfrentando nomes como o senador Lindbergh Farias, o vice Pezão, os ex-governadores Anthony Garotinho e César Maia. A legenda de Crivella é o PRB, ligado à Igreja Universal. Ele se atribui grande poder político: segundo disse em entrevista a O Dia, foi quem convenceu o atual governador fluminense Sérgio Cabral a deixar a oposição e aliar-se ao Governo petista.

Afirma Crivella que Cabral, disputando o segundo turno no Rio contra a juíza Denise Frossard, inclinava-se a apoiar a candidatura de Geraldo Alckmin à Presidência, contra Lula, mas cedeu a seus argumentos: Crivella só lhe daria apoio se largasse Alckmin e ficasse com Lula. *

 

(*) Coluna Carlos Brickmann, na Internet.

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