O PETRÓLEO É DELES

Petrobras não consegue calcular suas perdas com a irmandade do suborno

Resultado de imagem para corrupção na petrobras

Charge do Nani (nanihumor.com)

Todo dia a Petrobras compra e vende petróleo e derivados no mercado mundial. Durante a última década e meia, negociou em média 400 mil barris a cada jornada de 24 horas, a preços variáveis. Agora descobriu-se que parte dessas transações não teve qualquer registro e deu prejuízos à empresa estatal, mediante subornos pagos a funcionários, intermediários, políticos do PT, MDB, Progressistas (antigo PP) e do PSDB.

Eles receberam propinas entre dez centavos e US$ 2 por barril de petróleo e derivados nas negociações diárias, com pagamento à vista, e em contratos de longo prazo — mostram os novos processos abertos na Operação Lava-Jato.

ALTAS JOGADAS – O grupo fazia a Petrobras comprar a preços acima de mercado e a vender a preços mais baratos. Numa negociação de 300 mil barris, por exemplo, acertavam com o cliente estrangeiro “comissão” de US$ 1 por barril e embolsavam US$ 300 mil. Chegaram a “sumir” com 17,5 mil toneladas métricas de combustível da estatal embarcadas em três navios. Em 2012, celebraram o recorde de US$ 2 de propina sobre uma carga levada a Fortaleza.

A Petrobras não consegue dimensionar suas perdas na área, onde obtém dois terços do seu faturamento. Contou ao Ministério Público, em abril: “Não é possível localizar todas as aprovações (dos gestores), visto que algumas ocorreram em despachos presenciais ou por telefone, principalmente para os casos mais antigos.” São 15 anos de contratos informais, diários, sem controle de auditores e de órgãos como CVM e TCU.

GRANDES NÚMEROS – Entre os principais beneficiários se destacam três trading companies, irmãs na hegemonia sobre o mercado mundial de petróleo e derivados. Vitol, Trafigura e Glencore somam receitas de quase US$ 500 bilhões por ano, seis vezes mais que a estatal brasileira, equivalente ao PIB de Minas.

Os processos deixam claro que “a alta cúpula dessas empresas tinha total consciência do que estava ocorrendo”. Devem ir a julgamento no Brasil, nos Estados Unidos e na Suíça.*

(*) José Casado
O Globo

SANATÓRIO GERAL

Surto de sinceridade

Jorge Viana qualifica de ‘vexatória’ a situação a que o Brasil foi reduzido pelo seu partido

“Estamos falando de dois milhões de pessoas que precisam viver com cerca de 400 reais por mês. Temos quase 40 milhões de brasileiros perambulando pelas ruas para sobreviver, fora do mercado de trabalho. Estão sobrevivendo nas esquinas vendendo pães, pizzas, pegando sobras em supermercados. É uma situação vexatória”. 

(Jorge Viana, senador do PT do Acre derrotado na tentativa de reeleger-se, ao comentar o mais recente levantamento do IBGE, que constatou o aumento de brasileiros em situação de extrema pobreza em 2017, resumindo o estrago provocado nos anos em que seu partido governou o Brasil).

(*) Blog do Augusto Nunes

DEPRESSIVO CRÔNICO, MAS SE TIVER BIRITA…

Quem tem pena do ‘padim’ Lula?

Não pense o leitor incauto que essa lorota da depressão de Lula é inócua

Entre estes há gente de boa-fé, que acredita que o profeta de Caetés é, como dizem ele e seus asseclas, um perseguido pela elite dirigente que manda e desmanda nas repartições policiais, nos vários departamentos do Ministério Público e nas varas da Justiça. Os pobres, especialmente os dos grotões dos quais falava Tancredo Neves nos idos do Pacote de Abril, no qual os generais de plantão no palácio inventaram os senadores biônicos, e que àquela época, davam loas ao milagre econômico do professor Delfim, hoje professam a devoção ao prato de comida de cada dia que lhes dá a Bolsa Família. São os 40 e poucos milhões que votaram no corrupto e lavador de dinheiro condenado e preso quando atendeu pelo nome de Fernando Haddad. É a velha distribuição de óculos de quaisquer graus e dentaduras de quaisquer calibres trocadas por votos que têm mais valia, muito mais, do que isso, mas não sabem. Essa massa nunca foi de esquerda e de Lula guarda boas recordações do tempo de seu governo, o que os ianques chamam de recall, votando nele como já sufragaram as marionetes que tentavam, em vão, dar alguma legitimidade ao autoritarismo vigente antanho, mesmo sendo definidos de forma muito pouco elegante pelo marechal Castelo Branco como “vivandeiras de bivaques”.

Enquanto havia a ilusão de que o eleitorado carente superaria em volume as classes médias revoltadas com a roubalheira que o presidiário mais célebre do Brasil comandou do palácio, esvaziando todos os cofres disponíveis da chamada viúva, este recebia visitas frequentes e inúteis. Todos iam beijar sua mão na “cela de estado-maior” reservada pelo juiz federal Sergio Moro, que, ainda assim, Lula faz questão de execrar, na esperança de que na cadeia encontrassem o caminho para uma cadeira no Congresso ou, quem sabe, uma posse de governador estadual. Não foram poucos os que obtiveram essa mercê. Sob as bênçãos do Conselheiro do ABC, estão nos palácios governamentais de Piauí, Ceará, Bahia e Rio Grande do Norte. Com sua luxuosa ajuda se fizeram também os de Pernambuco e Alagoas, valiosos vassalos no tempo de glória e aliados de oportunidade nesta hora de aperto. O PT elegeu a maior bancada da Câmara dos Deputados, 59 deputados, sete a mais do que os 52 que concorreram pela legenda do PSL, que elegeu o capitão reformado e deputado do baixíssimo clero que o derrotou no pleito presidencial.

A gratidão mobiliza menos do que a necessidade e diz quem ainda visita o faraó, nestes tempos das vacas magras dos sonhos de José do Egito que Sua ex-Excelência amarga em temporada de solidão, na fria capital dos pinhais. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou registro à candidatura, que teve de adotar o nome do boneco no lugar do posto reservado ao ventríloquo. Um solitário voto ─ do relator da Lava Jato, Edson Fachin ─ evitou o massacre por unanimidade que poderia ter reduzido sua empáfia a zero, número de votos contra três no TRF-4 e contra cinco na turma que julgou seus recursos no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Nem a fidelidade dos cinco morcegões do STF que mantêm a adesão à profecia negada pela realidade ─ Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello ─ serviu-lhe de conforto.

Em troca da antes desprezada prisão domiciliar, por cuja defesa o ex-presidente do STF Sepúlveda Pertence perdeu a hegemonia na equipe de defensores, agora o valentão de botequim que ameaçava os adversários com o fogo de seu ódio virou esmoler do próprio direito de ir e vir. Sem visitante com quem trocar um dedo de prosa nem serviçais que gritam as horas do lado de fora do prédio em troca de um sanduíche de mortadela e um refrigerante, ele tenta lubrificar com as próprias lágrimas a gazua retórica que acredita que poderá libertá-lo da porta sem grades da repartição pública que o abriga. Glesi Hoffmann e Fernando Haddad, dois inimigos mortais na luta pela carniça do PT, viraram agora os pregadores do trololó do chororô do chefão humilhado pelo prolongamento da pena a cumprir. Não há mais por que temer a encarnação do João Ferrador, o metalúrgico enfezado que ameaçava os patrões da indústria metalúrgica com seu mau humor inegociável, que nem assusta mais adolescentes em bailes de debutantes. Sem meter medo, tenta encurtar a pena causando dó.

Não pense o leitor incauto que essa lorota de depressão é inócua. Não é mesmo. Deve haver até ministros do STF que não foram por ele agraciados com a indicação do trono que se disponham à prática da grata comiseração. Nem precisa ter o animus liberandi de Gilmar Mendes ou a gratidão de ex-empregadinho do presidente da Corte, Dias Toffoli. Só Nosso Senhor pode imaginar quantas almas misericordiosas se escondem debaixo daquela fantasia macabra de Batman de luto. Os semeadores de misericórdia sabem muito bem como a alma de um marajá da cúpula do Judiciário está disposta a perdoar e interromper uma pena. Quando não por outro motivo, no mínimo para mostrar o devido lugar de um juiz de primeira instância que desafie seu reino de “capinhas”, pagos para evitar o esforço muscular dos braços de seus patrões empertigados, ao empurrarem para acomodação confortável assentos devidos para os próprios traseiros.

A coluna Radar da revista Veja excitou a curiosidade dos portais fiéis ao lulismo noticiando que o presidente eleito, Jair Bolsonaro, teria confidenciado a amigos sua intenção de evitar o excesso de visitas na PF do Paraná, providenciando para Lula aposentos mais tranquilos numa unidade do Exército. Não consta que, entre os poderes que assumirá após a posse de 1.º de janeiro próximo o capitão reformado e deputado federal em fim de mandato, haja uma espécie de extensão do juizado de penas especiais para ex-presidentes. Não há lei que preveja isso nem as regalias de que o presidiário mais notório do País goza no lugar que hoje ocupa. Assim sendo, não há por que ele continue lá nem vá para casa ou para um quartel. O justo e legal seria encontrar cela adequada para ele, ainda que seja incomum, num presídio comum, sem que haja a necessidade de a maior autoridade da República cuidar disso. Afinal, este tem a corrupção criminosa endêmica a combater e uma crise econômica, financeira, ética e social gigantesca a enfrentar. A moradia do condenado de Curitiba deve ser assunto exclusivo de varas de execução penal e carcereiros.

Quanto aos sinais de depressão que seus serviçais que ainda o visitam nele detectam, não são anormais. Quem o conhece bem sabe que, como Getúlio Vargas era um suicida vocacional, Lula é um depressivo crônico, que costuma enfrentar suas crises com um líquido engarrafado que não se encontra em farmácias nem para cujo consumo se exige prescrição médica. Não seria o caso de ministrar esse tratamento habitual, pois não consta que o consumo de espíritos seja corriqueiro em estabelecimentos penais. De qualquer maneira, quem conhece os hábitos do preso, seus carcereiros e os hábitos corriqueiros do Brasil, não achará estranho se alguém descobrir que ele está recorrendo a água que passarinho não bebe.*

(*) José Nêumanne (publicado no Blog do Nêumanne)

MENOS UM CHARLATÃO NA PRAÇA

Oprah Winfrey tira do ar entrevista com João de Deus

A apresentadora americana Oprah Winfrey retirou de seu canal na internet a entrevista que fez com João de Deus em 2012, em Abadiânia (GO).

O médium é acusado de abusar sexualmente de 78 mulheres. Além disso, como revelou O Antagonista ontem, sua própria filha o acusa de tê-la estuprado.

Oprah também excluiu de seu site um texto em que relatava como foi “positivo e inspirador” seu contato com o médium.

Uma campanha on-line feita por brasileiros pede que a apresentadora se posicione sobre o caso e a responsabiliza pela fama internacional obtida pelo curandeiro.*

(*) O Antagonista

LEGADO NO PAÍS DA PIADA PRONTA

PT pode ficar com Conselho de Ética


As articulações na disputa pela presidência do Senado passam pela possibilidade de o PT ficar com a presidência do Conselho de Ética. O partido deve apoiar Renan Calheiros (MDB) para o comando da Casa. Nos últimos seis anos, o conselho foi presidido por João Alberto Souza (MDB).

O presidente do Conselho de Ética tem poder para instaurar ou arquivar numa canetada pedidos de investigação contra colegas, informou a Coluna do Estadão.

GOVERNANDO DAS NUVENS

Para Dilma, Bolsonaro venceu em território sem PT

A ex-presidente Dilma Rousseff afirmou, nesta terça-feira, 11, que Jair Bolsonaro venceu a eleição presidencial porque ocupou as redes sociais, um território em que o PT não estava suficientemente presente, informou o Broadcast Político do Estadão. “Isso permitiu um nível de expansão do território em que nós não estávamos completamente presentes”, declarou
“Pela primeira vez quem não tinha partido, quem não tinha tempo de TV e não ia ao debate pôde ganhar a eleição. Mas, como? Porque se criou um novo território político feito pelas novas mídias”, disse Dilma durante conferência internacional organizada pela Fundação Perseu Abramo, em São Paulo.

VAI COMEÇAR TUDO DE NOVO, PAJÉ?

Com Damares, índios serão evangelizados?


Missionários que trabalham na conversão de índios ao cristianismo deverão receber mais liberdade para atuação por parte da futura ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, a pastora evangélica Damares Alves. Essa é a expectativa do líder do trabalho missionário na Igreja do Evangelho Quadrangular, reverendo Fernando Camargo.

Damares é pastora da Quadrangular e, a partir de janeiro, a Fundação Nacional do Índio (Funai) estará subordinada ao seu ministério. Camargo lembra que a própria Damares já se envolveu com trabalho missionário com índios. “Trabalhamos para levar o Evangelho a todos os povos, tribos e nações, o que é uma ordenança bíblica”, afirmou Camargo ao jornal Valor.

JÁ IMAGINOU A PENA, MALACO?

Farta prova documental’ põe Lula como proprietário de fato do sítio de Atibaia, diz Lava Jato

Em alegações finais, documento de 366 páginas, 12 procuradores do Ministério Público Federal cravam que ‘os variados elementos de prova’ comprovam que ex-presidente atuava como possuidor da área no interior de São Paulo


Em alegações finais, o Ministério Público Federal, no Paraná, aponta que há ‘farta prova documental’ de que o ex-presidente Lula era ‘proprietário de fato e possuidor’ do sítio de Atibaia. O documento de 366 páginas, subscrito por 12 procuradores da República que integram a força-tarefa da Operação Lava Jato, reitera o pedido de mais uma condenação do petista.

Lula está preso desde 7 de abril, sentenciado a 12 anos e um mês de reclusão por corrupção e lavagem de dinheiro no processo do triplex do Guarujá. O petista nega ser o dono do sítio.

“Os variados elementos de prova comprovam que Lula atuava como proprietário de fato e possuidor do sítio de Atibaia e, nessa condição, Fernando Bittar autorizou e se envolveu na realização de obras ocultas e escondidas para Lula realizadas no sítio por Bumlai, Odebrecht e OAS”, afirma a Lava Jato.

A Procuradoria da República aponta que a reforma e melhoria do sítio teriam sido providenciadas pelas empreiteiras Odebrecht e OAS como propina a Lula. A propriedade é pivô da terceira ação penal da Lava Jato, no Paraná, contra o ex-presidente. O petista ainda é acusado por corrupção e lavagem de dinheiro por supostas propinas da Odebrecht – um terreno que abrigaria o Instituto Lula e um apartamento vizinho ao que morava o ex-presidente em São Bernardo do Campo.

A Lava Jato afirma que o sítio passou por três reformas: uma sob comando do pecuarista José Carlos Bumlai, no valor de R$ 150 mil, outra da Odebrecht, de R$ 700 mil e uma terceira reforma na cozinha, pela OAS, de R$ 170 mil, em um total de R$ 1,02 milhão. Em interrogatório, Bumlai declarou não ter pago ‘nem um real’ nas obras.

O sítio de Atibaia está em nome do empresário Fernando Bittar, filho de Jacó Bittar, amigo de longa data do ex-presidente. Segundo a Lava Jato, o empresário ‘franqueou a Lula e família a oportunidade de utilizaram o Sítio de Atibaia da forma que melhor entendessem’.

“Tal circunstância – empréstimo da propriedade por Fernando Bittar a Lula e Marisa para usarem como lhe aprouvessem – confirma a denúncia de que, sem prejuízo de Fernando Bittar exercer atributos da propriedade, entre eles, usar e gozar, Lula e Marisa Letícia atuavam e utilizavam o local também como proprietários, ou seja, portavam-se como proprietários de fato e possuidores do Sítio de Atibaia.

“De se ver que, para além das provas orais reunidas na instrução processual, conforme exposto na denúncia (Capítulo “V.1.1.1 – Dos proprietários de fato e possuidores do Sítio de Atibaia), foi colhida farta prova documental a demonstrar que Lula e Marisa Leticia se portavam como possuidores e proprietários de fato do Sítio de Atibaia (ainda que de modo compartilhado com Bittar).

O Ministério Público Federal acusa Lula por 10 delitos de corrupção passiva e outros 44 atos de lavagem de dinheiro. A Lava Jato pede ainda a condenação do empresário e delator Marcelo Odebrecht e do executivo ligado à OAS Agenor Franklin Magalhães Martins por corrupção ativa, e do ex-presidente da OAS, José Adelmário Pinheiro, o Léo Pinheiro, por corrupção ativa e lavagem de dinheiro. O Ministério Público Federal pede ainda, por lavagem de dinheiro, a condenação do pecuarista José Carlos Bumlai e do ex-assessor do petista Rogério Aurélio Pimentel do empresário Emílio Odebrecht, do advogado Roberto Teixeira, do empresário Fernando Bittar e de outros quatro.

Os procuradores anexaram ao processo um recibo no valor de R$ 120 mil, em nome de Fernando Bittar e subscrito por um representante da Kitchens cozinha. A investigação aponta que, após acerto entre os réus, ‘nenhum gasto efetuado em Atibaia deveria conter o nome da OAS’.

Segundo a Lava Jato, os projetos e a nota fiscal da Kitchens ficaram em nome de Fernando Bittar ‘com intuito único de ocultar e dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação e propriedade dos valores provenientes dos crimes antecedentes, escondendo a origem dos valores e os responsáveis pelo pagamento, bem como o real beneficiário da reforma, no caso, o réu Lula’.

“O Ministério Público Federal junta os documentos em anexo, extraídos da quebra telemática de Paulo Gordilho, ressaltando, desde já, que são de acesso prévio às defesas”, anotou a Lava Jato.

A Procuradoria pediu ‘a decretação do perdimento do produto e proveito dos crimes, ou do seu equivalente, incluindo aí os numerários bloqueados em contas e investimentos bancários e os montantes em espécie apreendidos em cumprimento aos mandados de busca e apreensão, no montante de, pelo menos, R$ 155.378.202,04’. O valor corresponde ao ‘total da porcentagem da propina paga e lavada’ por empreiteiras.

O cálculo da pena
No documento, a Lava Jato anota que ‘o crime de corrupção é um crime muito difícil de ser descoberto e, quando descoberto, é de difícil prova’. Os procuradores registram que ‘mesmo quando são provados, as dificuldades do processamento de ‘crimes de colarinho branco’ no Brasil são notórias, de modo que nem sempre se chega à punição. Isso torna o índice de punição extremamente baixo’.

O Ministério Público Federal pede regime fechado para o início do cumprimento da pena.

“Estamos diante de um dos maiores casos de corrupção já revelados no País. Não se pode tratar a presente ação penal sem o cuidado devido, pois o recado para a sociedade pode ser desastroso: impunidade; ou, reprimenda insuficiente”, afirmam os investigadores.

“Se queremos ter um país livre de corrupção, essa deve ser um crime de alto risco e firme punição, o que depende de uma atuação consistente do Poder Judiciário nesse sentido, afastando a timidez judiciária na aplicação das penas quando julgados casos que merecem punição significativa, como este ora analisado.”

As provas documentais da Lava Jato contra Lula no caso do sítio de Atibaia

– “Reiterado e frequente número de vezes que Lula e sua família compareceram ao sítio de Atibaia, a partir dos dados fornecidos pela praça de pedágio e diárias pagas pela Administração Federal aos seguranças de Lula em razão de deslocamentos para Atibaia

– Diversos e-mails do Instituto Lula que comprovam a utilização e gozo do Sítio de Atibaia por parte da família Lula fazendo menções a:

(i) plano de câmeras de segurança do Sítio de Atibaia com referência a casa do PR;

(ii) presença de Marisa no sítio em um feriado;

(iii) mapa da cidade de Atibaia para auxílio do plano de segurança de Lula;

(iv) instalação de estação de tratamento no sítio;

(v) animais domésticos da família Lula;

(vi) cardápio de almoço de interesse de Marisa Letícia no sítio,

(vii) frequência ao sítio às vésperas das festas de fim de ano, com a presença de seguranças de Lula;

(viii) assuntos relacionados ao dia a dia da gestão do sítio tratados com o caseiro Maradona com seguranças de LULA, tais como, – listas de materiais de construção necessários para intervenções; recibos de compras de itens da propriedade; – relato sobre os animais de estimação (peixes, galinhas, pato, pavão, etc.), etc.

– Laudo pericial nº. 0392/2016-SETEC/SR/DPF/PR131, confeccionado a partir da busca e apreensão no Sítio de Atibaia, que aponta que no local existia uma variedade de bens de uso pessoal de Lula e Marisa Leticia;

– Parte considerável da mudança de Lula, após este deixar o mandato presidencial, teve como destino o Sítio de Atibaia;

– Notas fiscais em nome de Marisa Letícia e de seguranças de Lula relacionadas a bens encontrados no Sítio de Atibaia, bem como documentação relativa a atendimento veterinário, na cidade de Atibaia, de animal de estimação de Marisa Leticia;

– recibos e documentos relacionados às obras efetuadas por José Carlos Bumlai e Odebrecht em benefício de Lula, apreendidas na residência deste

– minutas de escrituras de compra e venda do Sítio de Atibaia tendo por aquirentes Lula e Marisa Letícia a demonstra que o casal tinha a intenção de consolidar a propriedade em seu nome”*

(*) Julia Affonso – Estadão

O MINISTÉRIO DA PASTORA DAMARES VAI SER MUITO BOM, NÃO FOI?

Um cão no supermercado


Florianópolis. De novo na estrada. Glória a Deus. Digo isso porque no período eleitoral entrevistei o Cabo Daciolo. No final da entrevista, me convidou para ser ministro de seu governo. Daciolo esperava vencer, no primeiro turno, com 51%. Aceitei o convite mas lembrei: “Olha, Daciolo, Deus costuma escrever certo por linhas tortas.” Tínhamos que estar preparados para a derrota.

Portanto, glória a Deus: de novo peregrinando pelo Brasil, constato o valor dessa escolha.

No meio da semana, telefonei para casa e soube de uma notícia triste: um cachorro foi morto a golpes de barra de ferro, no supermercado Carrefour. Logo na semana em que o cachorro do velho Bush comoveu o mundo deitado defronte ao caixão de seu dono.

Estava no meio de um trabalho com cachorros. Não podia fugir desse tema. Passei a tarde seguindo um cão-guia e seu dono pelas ruas de Camboriú, Itajaí e Navegantes.

É uma história sobre a escola de cães-guia Helen Keller, em Camboriú. A cadela se chama Alegria e é tão importante para o seu dono que ele tatuou no braço o nome e a pata de sua amiga. Impressionante segui-los, pois ela é muito concentrada, ignora latidos, paqueras e segue no caminho de casa perto do hospital de Navegantes.

Esta semana, conheci também Atobá, um labrador de cara grande. Ele é chamado de Doutor Atobá no Hospital Joana de Gusmão, onde faz um trabalho. Brinca com crianças com câncer e às vezes as acompanha nos seus dias finais.

Além disso, Atobá ajuda na terapia de crianças que sofreram paralisia cerebral ao nascer e ajuda os que têm problema de mobilidade.

Atobá vive na casa do cirurgião plastico Luís Augusto. É essencial para seu filho, que sofreu uma doença grave. Ele acredita que uma das qualidades terapêuticas do cão é despertar amor e lembra que na simbologia chinesa coração e cachorro se equivalem.

Foi uma longa conversa. Tenho espaço apenas para lembrar um detalhe essencial. Como cirurgião plástico num hospital infantil, ele conhece duas faces do cachorro, o amor da vida de seu filho, mas também as inúmeras reparações que teve de fazer em vítimas de mordidas de cão feroz.

Percorrer o Brasil atenua o impacto das más notícias. A imprensa não pode deixar de divulgá-las: são parte da realidade. Mas é animador ver experiências como a formação dos cães-guia, ainda tão poucos para a grande demanda nacional. É bom ver o país com seus lados diferentes, como o doutor Luís Augusto vê os cães. E continuar gostando muito.

Finalmente, numa semana dedicada a eles, não posso me esquecer dos cães farejadores de maconha no Colorado: foram aposentados com a legalização da cannabis. Espero, pelo menos, que tenham boas lembranças de seu longo período do labor olfativo.

De uma certa forma, voltarão à realidade assim como o Brasil no princípio do ano, quando o governo começa de fato. Por enquanto, as notícias dos bastidores são um pouco complicadas. Rusgas no partido do governo, intrigas entre generais e políticos. E as pautas-bomba no Congresso, ministro do STF prendendo gente em avião.

Uma nota sobre as atividades financeiras de um assessor do então deputado Flávio Bolsonaro: movimentou R$ 1,2 milhão em 12 meses e vive de salário.

Para os mais velhos, é uma cantiga que assombra, e esperamos que seja apenas uma alucinação de cães farejadores aposentados. O ano que vem trará as respostas. A cadela Alegria tem um método de trabalho que me encanta. É toda atenção quando é necessário. No momento de poupar energia, não vacila: encosta a cabeça no chão e olha demoradamente para o vazio, fecha os olhos, abre de novo.

Em termos políticos, pode ser um bom programa para as festas de fim de ano. Uma semana de trégua, se tanto, já bastaria.

A transição de governo foi um processo um pouco confuso. Os índios devem estar mareados com os balanços do barco da Funai. A nova ministra de Direitos Humanos declara que índio é gente. Pensei que isso estava resolvido há séculos, quando os religiosos perguntavam se índio tinha alma.

O ano que vem será quente mesmo para quem acha que o aquecimento global é uma invenção marxista.*

(*) Fernando Gabeira – O Globo