CHUTANDO CACHORRO MORTO

Eu ganhei do Lula duas vezes; prefiro combatê-lo na urna a vê-lo na cadeia

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez discurso de improviso nesta manhã, durante a convenção nacional do PSDB

BRASÍLIA – Em um discurso de improviso, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso lembrou nesta manhã, durante a convenção nacional do PSDB, que já derrotou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva duas vezes nas eleições, mas que o partido tem seus valores e que estes valores precisam primar sobre os interesses eleitorais. “Prefiro combatê-lo na urna a vê-lo na cadeia”, disse o presidente de honra do partido.

Em sua fala, FHC sugeriu que o partido ouça mais a população, que por sua vez está irritada e enojada com a classe política e pregou que é preciso voltar a sentir o orgulho de ser brasileiro. “Vamos ser gente como a gente, precisamos de mais povo”, conclamou. O ex-presidente ressaltou que a população quer melhorar sua vida, precisa de segurança, saúde e educação, temas que afetam a todos.

Ele reclamou que “é duro assistir à tragédia que o País passou” e “arruinou” a nação, uma vez que a corrupção tomou parte da política brasileira. “Precisamos entender que nós também erramos e temos de corrigir o que erramos”, enfatizou.

FHC fez duras críticas às estruturas partidárias, que segundo ele ficaram envelhecidas. Para o tucano, a existência de 28 partidos políticos no País não é normal, é uma “sopa de letra”, não agremiação partidária. O ex-presidente previu que o povo pode voltar às ruas se os governos “errarem muito”. “Sei que muita coisa foi errada, mas temos forças suficientes para reconstruir o PSDB”, disse.

Em um claro sinal de apoio à reforma da Previdência, FHC disse que o sistema previdenciário é insustentável e que a sigla vai votar a favor das reformas. “Sei que o mercado financeiro é importante, mas nosso guia é emprego e crescimento”, orientou.

O ex-presidente disse que o País precisa de estratégia e o partido precisa tomar uma posição, “sentir na pele que o Brasil é um País de pobres”. Ao cumprimentar Alckmin, FHC elogiou seu comportamento simples, disse que o governador de São Paulo nunca mudou e que o Brasil precisa de “gente assim”. “Líder é quem forma maioria e o PSDB tem de formar maioria”, observou.*

(*) Daiene Cardoso e Anne Warth, O Estado de S.Paulo

MATEUS, PRIMEIRO OS TEUS…

Liberalismo x intervencionismo

A intervenção desastrada de governos anteriores ajudou a construir o caminho da recente brutal recessão

Dois acontecimentos na última semana levam a refletir sobre doutrinas antagônicas que balizaram a gestão econômica no Brasil pós-Plano Real: liberalismo ou intervencionismo? A doutrina liberal foi escolhida por Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer (na política, interveio para si próprio) e a intervencionista, o caminho seguido por Lula e, com maior ênfase, por Dilma Rousseff. Vamos aos fatos da semana.

O primeiro: em ação civil pública, o Ministério Público do Rio acusou os ex-ministros petistas Guido Mantega e Miriam Belchior, a ex-presidente da Petrobrás Graça Foster e o ex-presidente do BNDES Luciano Coutinho de manipularem os preços da gasolina e do diesel com fins políticos, entre 2011 e 2014, causando perdas de US$ 29,4 bilhões (R$ 94,7 bilhões) à Petrobrás. Na época, eles integravam o Conselho de Administração da estatal, onde o reajuste dos preços era, segundo Graça Foster, insistentemente negado pelo ministro Mantega. O propósito, argumentam os procuradores, era evitar danos à candidatura de Dilma Rousseff em 2014. Mantega atuava como porta-voz de Lula e Dilma. Os dois ordenavam o congelamento dos preços, Mantega transmitia a ordem, o conselho obedecia e a estatal engolia o prejuízo. A roubalheira apurada pela Lava Jato e este populismo tarifário quase levaram a Petrobrás à falência, que a atual gestão tenta reverter.

E como era com FHC? Nos primeiros tempos os preços dos combustíveis passavam pelo crivo da equipe econômica e de FHC. Até que o ex-presidente da empresa Francisco Gros determinou o reajuste sem consultar ninguém, justificando ser a Petrobrás uma sociedade anônima com mais de 500 mil acionistas, que não podiam se curvar ao interesse político do acionista majoritário. Hoje, a empresa tem autonomia para aumentar ou reduzir o preço, seguindo a evolução do mercado.

O segundo fato: acompanhando a queda da inflação, o Banco Central reduziu a taxa de juros Selic para 7% ao ano, o menor nível da história econômica do País, abaixo do piso de 7,25% do governo Dilma, por ela decretado e que, por isso mesmo, não se sustentou – dois anos depois, saltou para 14,25%. Mas o campeão em juros foi FHC. Para enfrentar crises financeiras que vinham de fora e com os mercados atacando o real, a taxa de juros chegou ao pico de 45% em 1999. Criados a Selic e o sistema de metas de inflação, a taxa recuou gradualmente.

A redução abrupta de 20% na conta de luz foi outro intervencionismo desastrado do governo Dilma, assim como os créditos subsidiados do BNDES a grandes empresas e os favores fiscais à indústria automobilística.

Mas, voltando ao liberalismo versus intervencionismo, nos dois episódios descritos o intervencionismo do governo mostrou-se danoso aos interesses da população e ajudou a construir o caminho da brutal recessão que se seguiu, com crise fiscal, queda da renda e dos salários, desemprego e programas sociais desativados ou encolhidos. Quando levado ao extremo e quando atende apenas aos interesses dos ricos, o liberalismo por vezes se torna socialmente excludente. Não é o caso do Brasil. FHC seguiu o receituário liberal com olho no social. Em seu primeiro mandato, Lula foi liberal e popular; no segundo, populista e intervencionista. No primeiro, investiu em programas sociais para os pobres. Ganhou popularidade. No segundo, deu passo maior que as pernas – na ética, porque deixou rolar livre a roubalheira; e na política social, porque gastou muito mais do que podia. Hoje as pesquisas o apontam como o candidato mais forte na disputa pela Presidência em 2018, mas também o mais rejeitado.

A população está cansada de ser enganada e passou a questionar bandeiras populistas e demagógicas, como ser contra as reformas, as privatizações, o equilíbrio fiscal, a exploração do pré-sal. Esses temas vão animar e clarear os rumos da próxima eleição.

Até breve! Aos queridos leitores que me acompanharam nos últimos 25 anos e em quase 1.200 colunas. Os mais velhos e os jovens, que viveram comigo o fim da inflação, o Plano Real, o PT no poder. A despedida é só deste espaço. Me aguardem! E, desde já, um feliz Natal e prosperidade em 2018!*

(*) Suely Caldas – Estadão

TAL MÃE TAL FILHO

Geddel e a mãe eram sócios do prédio que causou a demissão dele no Ministério

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Charge do Amarildo (amarildo.com)

O ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) e sua mãe, Marluce Vieira Lima, são donos de 20% do edifício “La Vue”, na Ladeira da Barra, em Salvador. O edifício esteve no centro de uma polêmica no ano passado, revelada pela Folha, quando o então ministro da Cultura Marcelo Calero afirmou ter sido pressionado por Geddel para liberar a construção do prédio, que precisava de um aval do Iphan, órgão federal responsável pelar gestão do patrimônio histórico.

Na época Geddel negou que fosse sócio do empreendimento e disse apenas ter comprado uma das unidades do edifício, cuja construção está embargada por decisão judicial desde novembro do ano passado.

MÃE E FILHO – Contratos obtidos pela Folha, contudo, apontam que a empresa “M&A Empreendimentos”, que tem como sócios Geddel e sua mãe, adquiriram 20% do empreendimento imobiliário, pelo qual pagaram R$ 1,9 milhão.

O contrato foi assinado em 14 de novembro de 2014 por Geddel, sua mãe e o empreiteiro Luiz Fernando Machado Costa Filho, dono da Cosbat. A sociedade foi confirmada por Costa Filho em depoimento tomado em meio às investigações do bunker de R$ 51 milhões, atribuído pela PF ao ex-ministro.

Além do La Vue, Geddel e sua mãe eram sócios de outros seis edifícios de luxo na capital baiana: Costa España, Riviera Ipiranga, Solar Ipiranga, Morro Ipiranga, Mansão Grazia e Garibaldi Tower. Todos os empreendimentos são da Cosbat, mesma empreiteira responsável pelo “La Vue”.

OUTRA EMPRESA – Em três desses edifícios de luxo (Morro Ipiranga, Mansão Grazia e Garibaldi Tower), também consta entre os sócios a empresa “Vespasiano Empreendimentos”. A empresa tem como donos Marluce Vieira Lima, o deputado federal Lúcio Vieira Lima, além de sua mulher, Patrícia Coelho Vieira Lima.

Na quinta-feira (7), o ministro Edson Fachin determinou a indisponibilidade de parte desses edifícios no valor de R$ 13 milhões alegando indícios de lavagem de dinheiro. O valor é referente a todos os repasses feitos pelas empresas de Lúcio e Geddel para os empreendimentos da Cosbat.

Segundo o empreiteiro Costa Filho, a empresa de Lúcio investiu entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão nos empreendimentos, e a empresa de Geddel investiu, ao todo, R$ 10 milhões.

DINHEIRO VIVO – No caso dos aportes de Geddel, R$ 5 milhões foram pagos por meio de cheques e os outros R$ 5 milhões foram pagos em dinheiro em espécie. Machado Costa Filho ainda afirmou no depoimento que retirou os cheques e o dinheiro em espécie no apartamento de Marluce Vieira Lima.

Em todos os contratos assinados pelos Vieira Lima com a Cosbat, constam como testemunhas os secretários parlamentares Job Ribeiro Brandão e Milene Pena, ambos lotados no gabinete de Lúcio Vieira Lima.

Nesta quinta-feira (7), a Folha revelou que ambos, além do motorista Roberto Suzarte, davam expediente no apartamento da mãe do deputado, muitas vezes prestando serviços particulares à família.

ASSINAVA TUDO – A assinatura nos contratos foi apontada pela Polícia Federal como principal incongruência do depoimento de Milene Pena. Ela afirmou desconhecer os negócios imobiliários da família, mas sua assinatura consta em todos os contratos de sociedade entre os Vieira Lima e a Cosbat.

Geddel foi denunciado pela Procuradoria do Distrito Federal por improbidade administrativa no caso da polêmica. As novas revelações devem ser usadas durante o processo.

As denúncias em torno da construção do edifício “La Vue” resultaram no pedido de demissão de Geddel da Secretaria de Governo em novembro do ano passado. Na época, a Folha revelou que um primo e um sobrinho do então ministro atuaram na defesa do empreendimento junto ao Iphan.

PRÉDIOS TOMBADOS – O prédio estava erguido dentro de um perímetro considerado crucial para proteção do patrimônio histórico da capital baiana, próximo a prédios tombados como o Forte de São Diogo, o outeiro e Igreja de Santo Antônio da Barra e o cemitério dos Ingleses.

Mas este não foi o único empreendimento dos Vieira Lima envolvido em polêmicas. O edifício Costa España, construído no bairro de Ondina ao lado do Clube Espanhol, foi questionado por ter ocupado parte de um terreno pertencente à Marinha.

O empreendimento, que além da Cosbat tem a OAS entre seus sócios, também teve pendências junto à Prefeitura de Salvador. Na época, Geddel atuou junto ao prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), em favor do empreendimento, como mostram mensagens apreendidas no âmbito da Operação Lava Jato.*

(*) João Pedro Pitombo e Camila Mattoso –  Folha de São Paulo

TERRA SEM LEI

O auge da judicialização será a luta de Lula para registrar sua candidatura

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Charge do Simanca (Arquivo Google)

A judicialização da política terá seu previsível auge no ano eleitoral de 2018, e não apenas pelos recursos a que o ex-presidente Lula recorrerá, no TSE, no STJ e no STF, em caso de uma provável condenação em segunda instância no TRF-4 que o impeça de se candidatar à presidência da República pela aplicação da Lei da Ficha Limpa.

A condenação em segunda instância poderá levá-lo à cadeia, caso ainda esteja em vigor a decisão do Supremo que permite a prisão antes do trânsito em julgado. Como o STF deve voltar a analisar essa questão no início do próximo ano, com tendência de a maioria mudar de posição, desta vez em caráter definitivo, é provável que o ex-presidente não possa ser preso antes de esgotar todos os recursos.

FICHA LIMPA – Haverá então outros embates jurídicos, sobre a possibilidade de disputar a presidência da República, mesmo incluído na Lei de Ficha Limpa. É nessa série de recursos que está a esperança dos petistas de levar a candidatura de Lula até ela se transformar em fato consumado. Porém, a jurisprudência do TSE, que terá o ministro Luis Fux na presidência a partir de março, é impugnar automaticamente a candidatura de condenado por colegiado, seguindo a Lei da Ficha Limpa, que não trata de eventuais recursos.

No entanto, uma decisão do Superior Tribunal de Justiça diz que não é possível a impugnação antes de todos os recursos estarem esgotados. O caso acabará no Supremo Tribunal Federal, que poderá dar uma liminar para que Lula dispute a eleição, por medida monocrática ou do plenário, ou poderá impedi-lo.

Caso a proposta de emenda constitucional (PEC) do semiparlamentarismo seja apresentada e aprovada ainda no próximo ano, teremos diversos outros temas constitucionais para o Supremo dirimir, a começar pela vigência da alteração.

NOVO REGIME – O texto preliminar diz que o novo regime será aplicado a partir do primeiro dia do mandato presidencial subsequente à aprovação, o que significa que estará valendo já para a eleição de 2018. Mas o artigo 16 da Constituição diz que“a lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência”.

A primeira discussão será sobre o que é “o processo eleitoral”. Já houve esse debate sobre a aplicação da Lei da Ficha Limpa, e o Supremo decidiu, em votação apertada, que o “processo eleitoral” era afetado pela nova legislação, pois ela definiria quem poderia ou não se candidatar.

A mudança de sistema de governo, do presidencialismo para o semipresidencialismo, não afeta diretamente o processo eleitoral, pois o presidente da República continuará sendo eleito pelo voto direto, mas as conseqüências do voto de cada eleitor serão diferentes no novo sistema, pois os partidos que fizerem maioria na Câmara indicarão o primeiro-ministro, e o presidente da República terá novas funções, o que pode ser considerado uma interferência no “processo eleitoral”.

CLÁUSULA PÉTREA – Há também a discussão sobre se uma emenda constitucional pode alterar uma cláusula pétrea como o princípio da anualidade eleitoral, também chamado de anterioridade eleitoral, criado em 1993 com a aprovação da Emenda Constitucional (EC) nº 4, que deu nova redação ao artigo 16 da Constituição Federal, justamente para impedir que novas regras interfiram no processo eleitoral.

Antes disso, porém, será preciso saber se é possível mudar o sistema de governo sem submetê-lo a um plebiscito, como já foi feito duas vezes na tentativa vã de implantar o parlamentarismo no Brasil.

TERCEIRA REELEIÇÃO – Outro ponto controverso no projeto do semipresidencialismo está no artigo 82, que prevê que (…) “Ninguém poderá exercer mais do que dois mandatos presidenciais, consecutivos ou não”. Haverá quem veja nessa mudança outra barreira para a candidatura de Lula, que já foi presidente duas vezes. Se a emenda superar todos os obstáculos jurídicos e entrar em vigor já para a eleição de 2018, Lula estaria impedido.

Mas se ela valer apenas para a eleição de 2022, o ex-presidente pode ser até beneficiado caso vença a próxima eleição. Como será eleito pelo atual sistema presidencialista, ele poderia disputar novamente a presidência por um sistema semipresidencialista, e tentar novamente a reeleição, ficando assim, caso tenha sucesso, mais três mandatos seguidos como presidente.

Como se vê, tudo pode acontecer no ano que vem.*

(*) Merval Pereira – O Globo

SEIS POR MEIA DÚZIA

Alckmin ataca ‘ilha da fantasia’ do PT e acena para PMDB

Presidente tucano defendeu reformas do governo de Michel Temer

BRASÍLIA – Empossado presidente nacional do PSDB, governador de São Paulo e pré-candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin fez um discurso neste sábado voltado às eleições de 2018. Nele, o tucano indicou ao partido que o adversário nas urnas precisa ser o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e que a relação com o governo Michel Temer não deve ser pautada pelo confronto.

— O Brasil vive uma ressaca. Descobriu que a ilha da fantasia petista nunca foi a terra prometida. A ilusão petista acabou em pesadelo na maior crise econômica e ética da história do nosso país. Agora é hora de olhar frente com união e esperança renovadas. Brasileiros estão vacinados contra o modelo lula de dividir para confundir.

Na maior parte do discurso, o tucano dedicou a atacar o PT e Lula, como antecipou o GLOBO nesta sexta-feira. Ele classificou o atual momento político e econômico como “ressaca” e defendeu que o PSDB teria condições de devolver o país ao crescimento e à moralidade pública.

— Que se registre aqui os esforços do atual governo que, pouco a pouco, começa a reversão da tragédia econômica. As urnas o condenarão (Lula) por jogar brasileiros contra brasileiros para, no final, atirar pela janela a autoestima de todos nós. As urnas condenarão Lula por ter sido o grande responsável por uma década perdida — afirmou o tucano.

No posto de árbitro do relacionamento do PSDB com o PMDB de Temer, Alckmin garantiu ao peemedebista apoio necessário para a votação das reformas no Congresso, como a da Previdência. O partido, entretanto, está rachado quanto ao apoio do projeto governista.

— O PSDB reitera sua disposição no âmbito do Congresso para aprovação de reformas necessárias ao nosso país. Temos compromisso e coerência com nossa história.

Apesar de ainda não ter sido proclamado o candidato do PSDB ao Planalto — o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, disputa também a vaga de presidenciável —, Alckmin foi anunciado na convenção como “futuro presidente do Brasil”. Ele encerrou nesta tarde os discursos na reunião tucana.

Alckmin, entretanto, fez questão de dirigir a Virgílio as primeiras palavras do seu pronunciamento.

— Quero dizer aqui da legitimidade da sua pré-candidatura. É uma honra para o partido — disse.

Em seguida, num sinal de força, o tucano enumerou partidos que passaram pela convenção, como PPS, PTB, PSB, entre outros.

Sobre as dificuldades do PSDB, ele tentou injetar ânimo na militância e, em aceno a seu eleitorado, prometeu um partido unido na próxima eleição para romper com a polarização que se anuncia entre Lula e o deputado Jair Bolsonaro. Alckmin usou uma metáfora carnavalesca para anunciar novos tempos tucanos.

— O PSDB é como uma grande escola de samba minutos antes do desfile. Há uma aparente desorganização e desencontro. Parece que ninguém se entende. Mas quando soa o apito, todos evoluem de forma organizada e entusiasmada. Aguardem o que vai acontecer conosco no ano que vem. Tocado o apito e iniciado o processo eleitoral, o Brasil vai presenciar nosso melhor desempenho. Dá-lhe, tucanos.

DISPUTA COM LULA SERIA ‘BOM TIRA-TEIMA’

Em entrevista após assumir o comando nacional do PSDB, Alckmin disse que seria um bom “tira-teima” enfrentar Lula na corrida pelo Palácio do Planalto em 2018. Alckmin foi derrotado pelo petista em 2006.

— Seria um bom tira-teima — resumiu o tucano sobre essa possibilidade.

Questionado se o fato de suceder o senador Aécio Neves no comando da legenda não lhe causa constrangimento, respondeu com elogios ao mineiro.

— Aécio foi governador de Minas Gerais, eleito e reeleito, foi presidente do partido, tem uma história de serviços prestados. Há que ser reconhecido o trabalho que fez em Minas Gerais e no partido — afirmou, ressaltando que o senador responderá às acusações na Justiça.*

(*) SILVIA AMORIM, MARIA LIMA, EDUARDO BRESCIANI E VINICIUS SASSINE – O GLOBO

 

OPERAÇÃO ABAFA A TODO VAPOR

Sob cerco, Lava Jato restitui dinheirama roubada

Noutros tempos, dinheiro roubado do Estado era como pasta de dente que sai do tubo. Colocar de volta era algo impensável. A Lava Jato criou um novo paradigma. A verba surrupiada —ou parte dela— agora faz o caminho de volta. O Ministério Público Federal devolveu R$ 653,9 milhões para a Petrobras.

No total, já retornaram aos cofres da estatal R$ 1,47 bilhão. E a cifra pode aumentar para R$ 10,8 bilhões. Isso, evidentemente, se a aliança entre políticos desonestos e magistrados desconexos não atrapalhar a formalização de acordos de delação dos corruptos e de leniência das empresas corruptoras.

Se os últimos acontecimentos provam alguma coisa é que não se deve subestimar o complô suprapartidário que se montou contra o combate à corrupção no Brasil. Congelam-se investigações contra Temer e seus ministros, transfere-se para o Senado o poder para livrar a cara de Aécio, trama-se no Supremo facilitar a vida de condenados em segunda instância, como Lula está prestes a se tornar.

Há dois caminhos possíveis. Num, recupera-se o dinheiro roubado. Noutro, restaura-se a impunidade. E o último a sair rouba a luz.*

(*) Blog do Josias de Souza

SANATÓRIO GERAL

Pelé da corrupção

Sérgio Cabral confirma que, hoje, o velho campeoníssimo Adhemar de Barros estaria disputando a série C do Brasileirão da ladroagem

“Não sou Adhemar de Barros, o do ‘rouba, mas faz’, sou um realizador. Eu realizei”. (Sérgio Cabral, na audiência com o juiz Marcelo Bretas, confirmando que o antigo campeoníssimo Adhemar de Barros, que foi interventor federal e governador de São Paulo, hoje jogaria na série C do Brasileirão da ladroagem, que tem no ex-governador fluminense uma espécie de Pelé da corrupção).*

(*) Blog do Augusto Nunes

O POVO QUE SE EXPLODA

Amigos do poder têm Natal gordo

Por onde passa boiada, passa boi, rinoceronte e até ornitorrinco. Depois que passou um perdão gordo de dívidas para grandes empresas, o Refis, abriram as porteiras.

Não tem mata-burro. Quem é muito vivo e tem amigos na Câmara leva descontão na dívida com o governo ou algum tipo de crédito. Meio morta está a reforma da Previdência, que no entanto serve de pretexto ou álibi para a barganha. Deputados que conseguem agrados e aval do governo em tese votariam pela reforma. Só que não.

Tem perdão para grandes e pequenas empresas, agricultor familiar, produtores agropecuários de todos os tamanhos, para empresas da Zona Franca de Manaus, para a Caixa Econômica Federal e uns créditos extras para Estados e municípios.

No fim de outubro, teve o Refis reforçado para grandes empresas, descontos de dezenas de bilhões de reais em dívidas com o fisco. Foi o estouro da boiada.

Nesta semana, passou na Câmara o Refis para micro e pequenas empresas (perdão de quase R$ 8 bilhões em 15 anos). Passou o “Refis Rural”, o perdão de dívidas de produtores rurais com a Previdência (Funrural, R$ 15 bilhões em 15 anos), que era objeto de disputa judicial, perdida pelos ruralistas no Supremo.

Desde o final de novembro o governo prepara um perdão de dívidas de empresas da indústria eletroeletrônica, a maioria da Zona Franca. Essas firmas têm isenção de impostos desde que invistam em pesquisa e desenvolvimento de tecnologia, coisa da Lei de Informática. Como sói acontecer, a fiscalização disso é enrolada, as empresas não cumpriram as contrapartidas e parte do governo cobrava, portanto, dívidas de até R$ 10 bilhões. Deve sair um jeito de perdoar e adiar o débito.

O governo se gaba de lipoaspirar o BNDES, encarecendo o crédito subsidiado do banco e reduzindo sua carteira de crédito. Mas se deu um jeito de aumentar o capital da combalida Caixa Econômica Federal, levado ao limite no governo passado. Para tanto, vai se fazer uma operação que no fundo é um empréstimo de pai para filho, eterno, do FGTS para o banco estatal (refinanciamento de dívida velha). Passou na Câmara.

Com mais capital, a Caixa vai poder emprestar mais, para imóveis e saneamento, basicamente. Em tese, pode ajudar a ressuscitar o setor de construção civil, o que mais puxa a economia para baixo.

Na Câmara, todas essas medidas passaram com mais votos que os necessários para a aprovação de uma emenda constitucional (308). O governismo, o “bloco de poder” ou como se queira chamar quem está por cima da carne seca, enfim, têm votos para aprovar o que lhes der na telha. Por baixo, aumentaram o buraco nas contas do governo em pelo menos uns R$ 6 bilhões, apenas no ano que vem.

Não estão nessa conta tentativas do governo de reduzir sua penúria, que podem cair por causa de lobby forte no Congresso. Trata-se aqui de aumentos de impostos para investidores ricos e adiamento de reajuste de servidores, por exemplo. Esta conta é de pelo menos uns R$ 15 bilhões.

Parte disso até pode ser legítimo, quem sabe correto, admita-se, para facilitar o argumento. No entanto, a penúria do governo é terminal e aprovam-se mais renúncias de receita na base do “quem pode muito chora e mama”. O povo chupa o dedo. *

(*) Vinicius Torres Freire – Folha de São Paulo

DESMORALIZANDO A INSTITUIÇÃO

Diretor da PF senta à mesa de réu do mensalão tucano em festa

O diretor-geral da PF, Fernando Segovia (meio), durante jantar na mesa com ex-senador Clésio Andrade

O diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segovia, foi convidado especial do ex-senador Clésio Andrade (PMDB-MG) para a cerimônia da 24º edição do prêmio de jornalismo da CNT (Confederação Nacional do Transporte).

Segovia e sua mulher sentaram para jantar em uma mesa reservada especialmente para Andrade, que renunciou ao mandato de senador em 2014.

Andrade preside a CNT e é réu no chamado processo do mensalão tucano em Minas Gerais. Sua renúncia foi interpretada na ocasião como um gesto para levar o processo do STF (Supremo Tribunal Federal) à primeira instância da Justiça.

O diretor-executivo da PF, Sandro Avelar, número 2 do comando da polícia, acompanhou Segovia no evento da CNT.

Após a cerimônia de entrega do prêmio, Avelar e Segovia jantaram com Clésio Andrade na mesa principal da cerimônia, próxima à pista de dança.

O jantar foi servido à francesa aos presentes a essa mesa, ao contrário da maioria dos convidados, que teve a opção do buffet distribuído pelos cantos do salão.

A cerimônia ocorreu em um local de eventos em Brasília.

O diretor-geral da polícia conversou a sós com o ex-senador por alguns minutos e tirou fotos com Andrade.

Depois, acompanhou o show dos cantores sertanejos Leonardo e Eduardo Costa e dançou com a mulher ao som de clássicos como “Não aprendi dizer adeus”, “Solidão”, “Você vai ver” e “As Andorinhas”.

Procurada, a assessoria da PF disse que o diretor-geral recebeu um “convite institucional” da CNT e que gestões anteriores também foram convidadas para o mesmo evento no passado.

O prêmio da CNT é um dos mais tradicionais do país e jornalistas dos principais veículos de imprensa, inclusive da Folha, foram convidados para a cerimônia de premiação.

Andrade foi vice-governador de Minas na primeira gestão de Aécio Neves (2003-2006).

Ele é acusado pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro na denúncia que apontou desvios de R$ 3,5 milhões de estatais em Minas para financiar, em 1998, a campanha à reeleição do então governador Eduardo Azeredo, do PSDB.

Andrade, que na época concorreu como vice, nega as acusações.*

(*) Folha de SP – Redação